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	<title>Arquivos #AlôFamília - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>#ALÔFAMÍLIA &#8211; POLÍTICA</title>
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		<pubDate>Sun, 09 May 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabe a trilogia de “O poderoso chefão”, obra-prima de Francis Ford Coppola, estrelada por Marlon Brando e Al Pacino? Então: para falar um pouco sobre “política”, quero usar umas coisas que a gente aprende com aquela maravilha do cinema. E, pra ir direto ao centro da questão, vou expor de uma vez o que importa saber: <strong>política é poder</strong> sobre a vida e sobre a morte das pessoas; logo, fazer política é gerenciar esse poder que é, ao mesmo tempo, vital e mortal. Isso fica muito claro na trilogia de Coppola.</p>



<p>“O poderoso chefão” conta, em três filmes, a história da família Corleone (mafiosos de origem italiana, mas que viviam nos EUA) e de seus principais chefes (os “padrinhos”): o primeiro, Don Vito (interpretado por Marlon Brando), e o segundo, seu filho Michael (o protagonista da série, interpretado por Al Pacino). Os filmes mostram os caminhos que trouxeram o menino Vito da Sicília (na Itália) a Nova Iorque (nos EUA); fizeram com que ele se tornasse o primeiro “padrinho” da família Corleone; depois levaram Michael a assumir o lugar do pai e a estender mundialmente o poder da organização; até, enfim, o declínio de Michael e o fim de seu ciclo de influência mundo afora.</p>



<p>Quem presta atenção nos filmes percebe rápido uma coisa muito, muito importante pra entender o tipo de poder de que eles dispõem: mais do que dinheiro, a moeda de troca dos mafiosos são os favores. Don Vito entende isso ainda muito jovem, e cedo começa a resolver os “problemas” de seus amigos e vizinhos. Quem tem seus “problemas” resolvidos fica em dívida, e, quanto mais gente lhe deve gratidão, maior é a influência de Don Vito. Como todo mundo tem problemas e “de grão em grão a galinha enche o papo”, não demorou muito até que o primeiro Corleone tivesse em suas mãos uma quantidade enorme de gente de todo tipo: pequenos e grandes comerciantes, juízes, políticos, policiais&#8230; e muitos assassinos.</p>



<p>Michael, o segundo chefe da dinastia mafiosa, segue e aprimora a cartilha do pai: compra cassinos e senadores, manipula diretores de cinema e autoridades religiosas, extermina inimigos e dá presentes generosos para aqueles de quem quer se aproximar. Assim, ele consegue espalhar a influência dos Corleone primeiro por todo o território norteamericano, depois até à Europa. E é lá, na Europa, que finalmente o poder e a habilidade de Michael Corleone encontram um inimigo à altura.</p>



<p>Fiz esse pequeno resumo da trilogia de “O poderoso chefão” para mostrar (e deixar à vista de quem quiser olhar com calma e ver) o que é a política e como ela se faz. E é quase simples entender do que estamos falando aqui. Olha só:</p>



<ol type="1"><li>todo mundo tem alguma vontade não satisfeita, algum desejo não realizado, alguma necessidade pessoal que parece maior do que nossas próprias forças, e por isso vira um “problema”;</li><li>existem pessoas (e instituições) que prometem resolver nossos problemas, e às vezes cumprem de fato a promessa, outras vezes só nos dão a sensação de ter cumprido, o que&nbsp; quase sempre já nos alivia;</li><li>nossa tendência “natural” (ou, pelo menos, mais frequente) é ficarmos gratos a quem nos aliviou dos problemas, e, em nome dessa gratidão, damos apoio a essa pessoa (ou instituição) frente a seus próprios problemas;</li><li>quanto mais gente dá apoio a uma pessoa (ou instituição) mais poderosa essa pessoa (ou&nbsp; instituição) é, ou seja, maior sua capacidade de também atender aos interesses dos outros, e, portanto, maior sua influência entre outras pessoas (ou instituições);</li><li>muita influência é muito poder, e fazer política, a gente já viu, é gerenciar poder.</li></ol>



<p>Por isso, afirmo: política é poder. Ela vai muito além da dinâmica das eleições, da existência dos partidos políticos, da disputa entre eles por cargos nos vários governos. Política é muito mais que isso e está à nossa volta o tempo todo!</p>



<p>A relação doméstica entre pai e mãe frente aos filhos é uma relação política: o estabelecimento de quem manda mais, como manda, por que manda, define, de maneira geral, quem é mais bajulado, por quê, por quem, para quê e, principalmente, até quando – sim, porque todo poder um dia esbarra em outro maior. No trabalho é a mesma coisa, na igreja e no clube também: sempre existe um lugar de mando ocupado por alguém a ser seguido, agradado ou combatido; sempre há aliados e opositores, mesmo que nem sempre esses papéis sejam desempenhados de maneira explícita, de forma a todo mundo saber quem é quem, muito menos o que está em disputa. &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Isso acontece porque, no final das contas, onde houver pessoas, o que está em disputa é sempre a mesma coisa: o poder de definir os contornos da vida e da morte dessas pessoas. Quem merece viver bem, quem não merece? Quais vidas devem ser preservadas, quais podem ser sacrificadas? Quem pode ou tem que morrer? É esse, no fim de tudo, o grande poder político. Não querer saber dele é perigoso e absolutamente inútil.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13201 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
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		<title>#ALÔFAMÍLIA &#8211; MASCULINIDADE TÓXICA</title>
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		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#AlôFamília]]></category>
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		<category><![CDATA[Alô Família]]></category>
		<category><![CDATA[como o machismo afeta os homens]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[masculinidade tóxica]]></category>
		<category><![CDATA[relações de gênero]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>“Menino não chora.”; “Seja forte.”; “Você é um homem ou é um rato?”; “Isso é coisa de mulherzinha!”; “Prendam suas cabritas, porque meu bode está solto”.</em></p>



<p>É bem provável que todo brasileiro já tenha ouvido pelo menos uma ou duas dessas frases. Também é bastante provável que boa parte de nós, homens e mulheres, já tenha repetido alguma delas, achando que estava ajudando na educação de alguém ou, pior, que era apenas uma brincadeirinha inofensiva.</p>



<p>Infelizmente, não é bem assim. Para deixar isso claro logo de cara, vou usar um dado estatístico muito triste: no mundo todo, <a href="https://www.acessa.com/saude/arquivo/setembroamarelo/2020/09/02-relacao-entre-suicidio-genero/">o número de homens que tira a própria vida é, em média, três vezes maior do que o de mulheres</a>. Os dados são da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e do Conselho Federal de Medicina (CFM). </p>



<p>Pois é. Muitos de nós, homens cisgênero, fomos levados a acreditar que precisávamos necessariamente ser, o tempo todo, insensíveis, fortes, corajosos, viris; que era importante não deixar ninguém confundir nosso comportamento com o de uma “mulherzinha” (termo horroroso, diga-se de passagem). Muitos de nós acreditamos de verdade nisso tudo e, por acreditar nessas bobagens, ficamos envergonhados em diversas situações: quando uma tristeza bateu, ou uma força maior se impôs, ou o medo chegou, ou aquela brochada evidente e inesperada aconteceu. Ficamos envergonhados e, como “timidez é coisa de menininha, porque menino não se esconde”, escondemos também nossa vergonha, cumprindo o famoso “engole o choro”.</p>



<p>Acontece que, um dia, essa conta chega &#8211; e, com frequência, nos pega desprevenidos (ou, continuando com a lista de expressões populares sexistas, nos pega “com as calças na mão”). E estamos desprevenidos porque fomos enganados a vida inteira. <strong>Não nos ensinaram o óbvio incontestável: dor, fragilidade, medo e impotência fazem parte da natureza humana</strong>. Esses são atributos de todos os seres humanos, não só das mulheres. É tolice pensar nessas sensações e sentimentos como se estivessem diretamente ligados ao nosso sexo biológico. Homens que ainda não se deram conta disso acabam, muitas vezes, se tornando ainda mais vulneráveis ao adoecimento emocional que pode levar ao estresse, à ansiedade, à pressão alta, à depressão, ao AVC, ao infarto&#8230; à morte, enfim.</p>



<p>A crença equivocada em que existam “coisas de homem” e “coisas de mulher” é “tóxica”, ou seja, envenena, faz mal. Por isso chamamos de “masculinidade tóxica” esse conjunto de ideias tortas, a camisa de força que amarra tantos de nós – sobretudo os homens, claro, mas as mulheres também – numa lógica que, por ser maluca, acaba nos enlouquecendo e, muitas vezes, nos matando. Os números estão aí para provar isso.</p>



<p>Não falo só das estatísticas de suicídio entre homens, mas também das taxas de violência contra as mulheres, por exemplo. A masculinidade tóxica faz mal aos homens até na hora de fazer seguro de automóveis, que são mais caros para nós, porque, como somos “destemidos e arrojados”, nos envolvemos mais frequentemente em acidentes de trânsito. Em suma: masculinidade tóxica é, sob todos os aspectos, só prejuízo. </p>



<p class="has-text-align-center"><em>“E aí? Vai ficar aí parado? Homem que é homem corre atrás do prejuízo”.</em></p>



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		<title>#AlôFamília &#8211; Racismo Estrutural</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/28/alofamilia-racismo-estrutural/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#AlôFamília]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[Alô Família]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se engana quem pensa que o racista brasileiro tem carteirinha. Não é assim. Mas, infelizmente, não dá pra dizer que “ninguém no Brasil aceitaria ter uma carteirinha de racista”, porque várias imagens de manifestações mundo afora sugerem que muita gente aqui curtiria uma identificação assim. Aliás, há uma instituição ainda ativa nos EUA que oferecia – e talvez ainda ofereça – carteirinha de racista a seus afiliados. O nome dela é Ku Klux Klan (também chamada de “KKK”, mas isso não tem graça nenhuma), e ela tem muitos fãs no nosso país.</p>



<p>Acho que, em geral, no Brasil, as pessoas assumem comportamentos e falas racistas sem nem se darem conta – mas isso não serve de desculpa, é claro! Estranhou um negro com um carrão novo, lindo? Racismo. Confundiu o médico negro com o motorista da ambulância? Racismo. Achou que a senhora negra na portaria do prédio era faxineira esperando alguém? Racismo. Fechou a janela quando a criança ou o adolescente preto se aproximou do seu carro no semáforo? Racismo. Sim: se você que está lendo esse texto já fez alguma dessas coisas, você já foi racista pelo menos uma vez na vida. “Errou feio, errou rude”.</p>



<p>“Ah, Luciano&#8230; Aí não, né? Vou deixar me roubarem primeiro? Muitos desses moleques ficam esperando no sinal pra roubar a gente”.</p>



<p>Esse é um exemplo clássico do racismo mais frequente e mais duro de combater: aquele que parece sustentado pela lógica, pela estatística, mas que não passa de uma meia verdade, ou, como se fala no Rio de Janeiro, um “caô”.</p>



<p>A metade verdadeira dessa ideia é o fato incontestável de que acontecem, mesmo, muitos assaltos em semáforos, e que, muitas vezes, quem os pratica são crianças e adolescentes pretos. A metade falsa é relacionar o comportamento criminoso de alguns indivíduos à cor da pele da maioria, deixando de fora a condição histórica e econômica que empurrou a todos eles para aquela situação. Além disso, também precisa entrar nessa conta o seguinte: pensando direitinho, se todo mundo lesse os contratos bancários que assina, veria que eles, os bancos, enganam e roubam muito mais gente que os meninos nos faróis, com muito mais frequência, provocando um prejuízo muito maior a longo prazo, e eu não me lembro de nenhum dono de banco que seja preto – se há, é exceção. &nbsp;Logo, fechar a janela com medo de perder dinheiro pro suposto ladrão preto e abrir o bolso pro assumido gatuno branco, é, noves-fora, racismo.</p>



<p>E aí está o motivo de eu dizer que, na minha opinião, a maior parte das pessoas no Brasil é racista sem nem se dar conta – e isso não as desculpa, repito. As mesmas pessoas que dizem, sem nenhum constrangimento, que precisam tomar cuidado com seus pertences nos semáforos porque algum marginal pretinho pode vir lhes roubar, essas mesmas pessoas não se dão conta de que banqueiros pretos, se existem, são absoluta exceção, assim como no Brasil também são exceções engenheiros, dentistas, advogados, arquitetos e médicos pretos. Tudo isso é prova incontestável do chamado “racismo estrutural” brasileiro, que mantém os pretos sempre em desvantagem. Todos, todos os índices sociais brasileiros são desfavoráveis à população negra.</p>



<p>O racismo brasileiro é chamado de “estrutural” justamente porque, por aqui, ele é tão fundido com a maneira como a gente enxerga a gente mesmo e o nosso próximo que a gente sequer se dá conta de que está sendo racista e perpetuando o funcionamento racista do mundo à nossa volta. A gente se acostumou a achar natural ter medo da criança e do adolescente preto no sinal de trânsito, tanto quanto se acostumou a achar natural entrar num hospital e não ver nem um médico ou médica preto/a. O racismo estrutural nos cegou para o fato de que infelizmente, quase 133 anos depois da suposta abolição da escravidão (que “Não veio do céu, nem das mãos de Isabel”, como disse o samba da Mangueira, em 2019), a população nas prisões e nos manicômios brasileiros ainda é negra em sua maior parte, fato que também se repete na maior parte das comunidades carentes de tudo nas nossas cidades médias e grandes.</p>



<p>Entender o mínimo sobre o que é o racismo estrutural brasileiro é indispensável para a gente começar a efetivamente mudar esse estado de coisas horroroso, vergonhoso, perverso e que não faz bem a ninguém. Isso mesmo: <strong>ninguém se beneficia com o racismo</strong>. Quem é vítima dele, se sente injustiçado, humilhado, violentado; quem o pratica, sabendo ou não, vive com medo – ainda que não perceba.</p>



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<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
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		<title>#AlôFamília &#8211; Preconceito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Feb 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#AlôFamília]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 003, N 080]]></category>
		<category><![CDATA[Carolina Medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[Homofobia]]></category>
		<category><![CDATA[lésbica]]></category>
		<category><![CDATA[Preconceito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carolina Mary Medeiros</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eu vou te contar que você não me conhece. E seu ódio por mim talvez venha desse desconhecimento. Eu mesma também não lhe conheço, mas só de olhar assim, a gente já pensa um monte de coisas, né? Coisa estranha, isso do preconceito. Às vezes penso que ele, o preconceito, é só o que seu nome mesmo explica: um conceito prévio dos que não ultrapassam as barreiras do entendimento do outro. É só a gente se olhar assim, meio torto, e já vem aquele monte de estereótipos na nossa mente. Aí pronto… nasce o maldito preconceito. E é duro de morrer, viu?</p>



<p>Deixe-me tentar um outro caminho. Prazer! Eu sou a Carolina. Mulher, cisgênero (dá um google), 44 anos, branca, suburbana, carioca, professora, atualmente diretora de escola federal aqui do Rio mesmo, casada há 19 anos, mãe de uma menina de 11 anos e uma cachorrinha filhote que dá muito trabalho. E sou lésbica. Tomou um susto? Essa palavra assusta, né? Também me assustou quando descobri, ainda na adolescência, o que eu era. Porque pra nós também é assim, sabe, no susto mesmo. A gente não escolhe gostar, amar, sentir atração por alguém do mesmo sexo que a gente. A sexualidade humana se forma mesmo diversa e a partir de inúmeras experiências psicossociais, que vivenciamos em sociedade e nos afetam o psicológico das mais diferentes formas. Juro que, diante do tanto que se sofre nesse nosso mundo por ser diferente, às vezes penso que, se tivesse escolha, seria &#8220;normalzinha&#8221;, do jeitinho que mamãe queria.&nbsp;</p>



<p>E tentei. Ah, se tentei! Porque quando a gente descobre que ama diferente de todo mundo que você conhece, que seu tipo de amor não aparece nos beijos românticos das novelas de TV, que sua mãe diz que tem nojo de mulher assim e que desde pequena só de você andar alguém já grita &#8220;sapatão!&#8221; e você nem entende o motivo, porque seu pé é pequeno… ah, meu amigo… tudo que a gente quer é que esse pesadelo acabe e você se case de noiva com o primeiro Ze Mané que aparecer. Mas não funciona. A gente não consegue. Aí a gente se conforma com o que é e tenta viver… ou sobreviver.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Demora até a gente entender que o jeito de amar de cada um é diferente. E tudo bem com isso. Demora se olhar no espelho e se sentir bem consigo mesma, sem se achar esquisita. Demora até digerir o &#8220;sapatão&#8221; da infância e ressignificá-lo em uma das tantas formas de amar. E é por isso que tem que ter casais como o meu na TV. Por isso que tem que ter programas que falem sobre adoção por homossexuais. Porque a minha filha existe, mesmo que ela não esteja nos comerciais de margarina. Por isso que tem que ter lei que diga que temos os mesmos direitos. Que nos protejam dos ódios de quem nem nos conhece, mas nos mata por aí. Não é chatice de militância mimizenta de Facebook. Tá bom… tem militante chato pacas, tô sabendo. E eu até gostaria de concordar com você que somos todos iguais e não precisamos de leis ou ações afirmativas específicas. Mas a verdade é que morremos mais por causa de ódios homofóbicos, que temos menos oportunidades de emprego, que sofremos nas estatísticas dos estupros, no nosso caso, &#8220;corretivo&#8221;&#8230; Pois é. Com a gente, o buraco é mais embaixo.</p>



<p>E é por isso que estou fazendo esse texto. Nem é por mim. Nem sei se é por você. Quem sabe o nosso tempo já se foi cheio de erros, ódios e desencontros&#8230; Mas é pelos nossos filhos. Para que eles se conheçam num parque ou na escola e comecem de novo por nós. Para que a minha filha possa dizer ao seu filho que tem duas mães. Para que seu filho possa dizer que tem um pai e uma mãe. Para que o filho da minha amiga possa dizer que tem só mãe ou só pai ou dois pais. E eles sorriam com a leveza dos que se despem dos ódios antigos, porque se reconhecem pessoas iguais em humanidade e direitos, mas diferentes em possibilidades de amar e de viver.</p>



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<p><strong><strong>Carolina Medeiros </strong></strong>é professora de História, graduada pela UFRJ, mestre em sociologia pela Uerj, atualmente Diretora do Campus Engenho Novo II, do Colégio Pedro II, esposa da Andreia, mãe da Luiza e da cachorrinha Flor.</p>
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		<title>#AlôFamília &#8211; Comprovação Científica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#AlôFamília]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 003, N 078]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O nó político, social e cultural brasileiro só vai se desfazer com melhores <em>Educação</em> <strong><u>E</u></strong> <em>Comunicação</em>. Juntas. Porque há tempos a gente vê, de um lado, que a maioria dos brasileiros não teve nem tem acesso a Educação (escolar) de qualidade; e, de outro lado, que quem teve ou tem essa oportunidade muitas vezes não sabe ou não quer compartilhá-la com os outros. <em>Onde um não quer, dois não vingam</em>.</p>



<p>Esse cenário triste culminou na atual polarização política em que o Brasil se atou, mas não está sozinho. Pra citar só um caso mais famoso: os EUA estão num nó parecido, e quem assistiu ao discurso de posse de Joe Biden pôde testemunhar o quanto o novo presidente da maior potência do planeta se preocupa com a disputa política do país. Em seu pronunciamento, Biden apontou o diálogo como ferramenta essencial para reunificar a nação.</p>



<p>Tanto lá quanto cá, já passou o tempo de investirmos no cultivo do diálogo &#8211; ou seja, investirmos em praticar e melhorar nossa capacidade de trocar ideias, ouvir e buscar compreender o ponto de vista do <em>Outro</em>, e colaborar pra que o Outro compreenda efetivamente o nosso. Temos que recuperar o <em>timing</em> do investimento naquilo que Gustavo Gomes de Matos chama de “<em>cultura do diálogo</em>”.</p>



<p>Por isso, a série de textos <strong><em>#AloFamilia</em></strong>. Com eles, quero falar de maneira clara e rápida sobre algumas coisas que, pro Brasil começar a se desatar, a gente precisa explicar pro maior número possível de pessoas. Vou me esforçar pra fazer esses textos escritos ficarem parecidos com a fala, pra facilitar o compartilhamento deles em grupos de <em>WhatsApp</em>, por exemplo, mesmo se por gravações de áudio. Muita gente não lê textos um pouco mais longos nas redes sociais, e é muito importante achar meios de ocupar esses espaços com informação clara, confiável. Mais: é importante fazer esse tipo de informação chegar às pessoas; o país não tem chance de sair do da cama de gato em que está enquanto as <em>Fake News</em> dominarem os grupos de família no <em>Zap</em>.</p>



<p>Por isso, tentando cultivar o diálogo, coloco pra jogo:</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>Afinal de contas, o que é essa tal “comprovação científica”?</strong></h4>



<p>Antes de tudo, duas coisas essenciais: em primeiro lugar, é preciso acreditar na Ciência; em segundo lugar, não existe impasse entre Ciência e Religião. Se você é religioso, creia que foi Deus quem criou a Ciência (ou, pelo menos, que permitiu que ela existisse, e Ele deve ter tido os motivos Dele); se você não é religioso, lembre-se de que foi a Ciência que explicou porque você sozinho não é capaz de voar, nem de parar um trem, nem de impedir determinadas reações ruins de seu próprio organismo ao contato com certas substâncias e/ou organismos microscópicos. Enfim, não existe quem não tenha razões suficientes para confiar na Ciência – com letra inicial maiúscula mesmo, nome próprio.</p>



<p>A Ciência explica os seres, fatos ou processos (chamados “objetos de pesquisa”), transformando a simples experiência humana de contato com esses seres, fatos ou processos em conhecimento acumulado. Sem ela, qualquer experiência da humanidade talvez ficasse pra sempre restrita a pequenos grupos de pessoas; com ela, qualquer um pode vir a aprender e ensinar sobre qualquer experiência, se tiver acesso às ferramentas adequadas.</p>



<p>Chamamos de Ciência, então, o imenso conjunto imaginário onde todos os vários conhecimentos produzidos pela humanidade se reúnem, mas de acordo com regras, relações, finalidades e limites muito específicos. Enxergar a existência e o funcionamento desse conjunto, tomar parte nele e ser reconhecido como parte dele &#8211; tanto por quem chegou antes quanto por quem chegará depois &#8211; são as condições para alguém se dizer “cientista” e, assim, ter autoridade para emitir opiniões “científicas” e falar a sério em “comprovação científica”.</p>



<p>Entender um pouco melhor essa primeira parte – o que é a Ciência – leva a uma conclusão lógica verdadeira: pra ser cientista não basta só ter feito faculdade. Isso inclui os médicos. <strong><u>Nem todo médico é cientista</u></strong>, assim como nem todo químico, nem todo farmacêutico, nem todo físico é. Muito menos militares ou astrólogos lunáticos!</p>



<p>Cientista é o profissional que trabalha com um conhecimento de um jeito bem específico, buscando resultados também muito específicos; é quem se dedica a estudar coisas a fim de conhecê-las cada vez mais e melhor, para depois dividir seu conhecimento com o máximo de pessoas (talvez a humanidade inteira), para depois continuar estudando e compartilhando. O nome desse tipo de estudo é “pesquisa” e, em geral, pesquisas científicas (sobre um mesmo objeto, inclusive) são realizadas ao longo de muito tempo, por várias pessoas, em lugares diferentes do planeta – logo, tendem a não acabar nunca, pois sempre poderão existir coisas novas a serem descobertas sobre aquele objeto. Todo cientista é, portanto, um pesquisador, e a Ciência é o motivo, a forma e o resultado do trabalho acumulado de todos os pesquisadores do mundo, desde sempre.</p>



<p>Por isso não basta ter feito faculdade para ser cientista. A maior parte das pessoas que terminam uma graduação vão logo exercer a profissão que aprenderam – projetar e construir prédios, dar aulas, advogar, cuidar de pessoas ou de animais&#8230; Os cientistas são aqueles que gostaram tanto de aprender que adotaram por profissão exatamente o ofício de: <em>a)</em> aprender cada vez mais sobre tudo relacionado a seu tema de interesse; <em>b)</em> gerar cada vez mais conhecimento sobre esse tema; <em>c)</em> expor suas conclusões à avaliação contínua de outros cientistas; e <em>d)</em> compartilhar o conhecimento gerado por esse trabalho com o máximo de pessoas.</p>



<p>Esse ofício, então, não se parece com a atividade de se debruçar sobre uma prancheta para projetar um edifício, ou sobre uma escrivaninha para escrever uma petição, ou mesmo sobre uma mesa de cirurgia para extrair um apêndice. Essas atividades são importantíssimas e exigem muito estudo por parte dos profissionais que as desenvolvem, é claro! Mas elas não exigem deles, por exemplo, que exponham suas práticas e decisões à contestação contínua (às vezes simultânea) de seus pares, algo indispensável pra quem se dedica a fazer Ciência.</p>



<p>Ainda meio confuso? Vamos a um exemplo: imagine dois cirurgiões dentistas formados juntos, na mesma instituição, mesmo ano, mesmos professores&#8230; Os dois foram ótimos alunos e hoje são profissionais respeitados. Um deles se formou, abriu seu próprio consultório ou clínica, e até hoje trata canais com muita eficiência, exatamente como aprendeu na faculdade. O outro se formou e passou a dividir sua atuação profissional entre as consultas avulsas (em consultórios de colegas) e a assistência a aulas na pós-graduação, onde, ao longo de anos, aprendeu várias alternativas para o tratamento de canais, até que resolveu tentar criar ele mesmo sua própria forma de fazer aquilo. O primeiro profissional é um cirurgião dentista (provavelmente bom, até); o segundo, é um pesquisador (talvez só mediano) habilitado a realizar cirurgias odontológicas. Está clara a diferença?</p>



<p>A “comprovação científica” só pode vir da discussão séria e longa entre vários pesquisadores do planeta. Dos melhores pesquisadores, na verdade. Por isso, quando se fala que a eficácia de um medicamento ou tratamento não tem “comprovação científica”, está se dizendo isso: os melhores cientistas do planeta estão atualizados sobre tudo relativo àquele medicamento ou tratamento (os ingredientes, as técnicas, o resultado dos testes, etc), e a maioria desses cientistas diz que ele não funciona. Simples assim: a frase “não existe comprovação científica da eficácia do tratamento” significa “a parada não serve para o que uns e outros dizem que serve”. Então, quando você ouvir falar em “comprovação científica”, já sabe: acredite sempre na opinião de quem se dedica a estudar de verdade as coisas antes de falar sobre elas. Eles são os cientistas e têm “opiniões” confiáveis. Hoje a maior parte deles diz: “a vacina anti COVID-19 é segura”. Então, vacine-se. Os outros, que indicam medicamentos e tratamentos “sem comprovação científica de eficácia”, no mínimo não estudaram o suficiente. Não acredite neles.</p>



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<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
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