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	<title>Arquivos Ano 003, N 074 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Artesanias em Cena</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda temporada]]></category>
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		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
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<hr class="wp-block-separator" />



<p>No segundo episódio do Trama Podcast, aproveitamos a estreia da exposição Artesanias em Cena no Museu de Artes e Ofícios Bodoque para  conversar com o artista Paulo Alvarez sobre seu trabalho.</p>



<p>É só apertar o play!<br></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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		<title>Sobre aquilo que é essencial</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Trama]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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<blockquote class="wp-block-quote has-text-align-left is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>Como você vive?&nbsp;</p></blockquote>



<p class="has-drop-cap">Essa pergunta, aparentemente simples, acaba tomando novo significado diante do contexto de pandemia que experimentamos. Mais do que um ano atípico, 2020 foi um triste marco histórico que revelou, acima de tudo, a fragilidade e os verdadeiros problemas da nossa condição humana.</p>



<p>Sob a ótica da cultura, no Brasil, a resposta para essa pergunta banal traz para a superfície a <strong>dimensão desigual de nossos sistemas econômicos e arranjos sociais</strong>. Afinal de contas, a maneira como vivemos depende diretamente do contexto em que estamos inseridos. Por isso, a experiência do isolamento precisa ser analisada a partir de uma <strong>perspectiva humanista</strong>, a qual leva em consideração o fato de que grande parte da população brasileira suporta a penúria do risco imposto pelo vírus &#8211; que vem somada, por sua vez, ao <strong>empilhamento de riscos impostos à sua própria existência dia após dia.</strong></p>



<p>Sendo assim, o impacto da pandemia começa a ser desenhado acompanhando essas nuances, e o contraste da imagem produzida acompanha, infelizmente, esse contorno desigual. Inclusive, não é novidade que <strong>o Brasil figura entre os países mais desiguais do mundo</strong>. De acordo com o <a href="http://hdr.undp.org/sites/default/files/hdr_2019_pt.pdf">relatório de desenvolvimento humano divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento</a> (PNUD), o Brasil alcançava, já em 2019, o sétimo lugar no ranking mundial. Nesse sentido, com uma tremenda desigualdade consolidada ano após ano em rankings e estatísticas, com patologias sociais arraigadas no tecido social (como o racismo) e com um ambiente político fragmentado e beligerante, temos aqui, infelizmente, <strong>a fórmula para um cenário de tragédia de grandes proporções.</strong></p>



<p>Muito embora a descrição acima não seja nem um pouco otimista, estamos propondo pensar o isolamento como agente catalisador de pensamentos e questionamentos sobre <strong>aquilo que é, de fato, essencial em nossas existências</strong>. Isso porque a pandemia trouxe à tona uma sensação de fragilidade que há muito tempo estava esquecida, disfarçada entre os avanços da medicina moderna, o conforto da tecnologia e a distração da conectividade. Essa fragilidade exposta pelo vírus nos colocou diante de um apanhado de incertezas &#8211; as quais, certamente, ainda vão se arrastar por alguns anos da nova década.&nbsp;</p>



<p>Partindo dessa premissa, podemos entender que a percepção do impacto do vírus se construiu de acordo com esse sistema de gerenciamento de riscos nas castas sociais. Aos que gozam do conforto daquilo que é supérfluo e que se acostumaram com a estabilidade ilusória construída com base nessa estrutura desigual, a pandemia se apresentou como um risco com o qual sua posição social não o preparou para experimentar, gerando reações intensas de <strong>medo e insegurança.</strong> Diga-se de passagem, o impacto dessas reações foi rapidamente superado pelo tédio da quarentena&#8230; (nesse ponto, cabe aqui abrir um parênteses: <strong>não vamos tomar como exemplo a manada de radicais de direita.</strong> Estamos falando de pessoas comuns, que se acostumaram a seus privilégios, certo?). Pois bem, de qualquer forma, o início da experiência da pandemia trouxe <strong>questionamentos sobre o próprio modo de vida</strong> com um nível de profundidade que o cotidiano nunca foi capaz de contemplar, lançando luz sobre qual é, de fato, o mínimo essencial para o exercício da vida com dignidade.</p>



<p>Por outro lado, aos que se encontram na periferia dessa sociedade, a necessidade de conviver com o medo de ser acometido pelo vírus precisou dividir espaço com o <strong>medo diário de não conseguir suprir as necessidades básicas de sobrevivência</strong>. Ou seja, existe um empilhamento de crises, tensões e incertezas que são potencializadas pelo contexto de pandemia e endereçadas ao cotidiano de grande parte da população, o que fica evidente quando tomamos como exemplo a questão das tensões raciais. De acordo com Isabel Santos Mayer, educadora e ativista dos direitos humanos, <a href="https://www.instagram.com/tv/CByrj3bhGAn/">durante o bate-papo no evento <strong><em>Trama: troca de saberes em Arte, Cultura e Criatividade</em></strong></a>, ser negro no Brasil é se enquadrar, desde o nascimento, em um <strong>grupo de risco</strong>. A coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário (IBEAC) também aponta a estrutura necropolítica em que vivemos como principal combustível da barbárie econômica e social. Por esse motivo, a suposta <strong>reflexão sobre os rumos da própria vida, muitas vezes, se configura como uma constante</strong> para essa parcela da população &#8211; e o vírus foi responsável por trazer apenas mais uma modalidade de preocupação, além, claro, de amplificar em níveis extremos as demais variáveis dessa conta.</p>



<p>Colocados esses dois cenários e projetando sua intersecção como metodologia para obter a resposta para a ordinária pergunta com que começamos esse texto, vou recorrer à potência do fenômeno da arte para comunicar algumas reflexões.</p>



<p>O premiado fotógrafo <a href="https://www.aleruaro.com.br">Ale Ruaro</a> é conhecido por desenvolver projetos artísticos que tratam <strong>a fotografia como força humanista,</strong> colocando seu olhar à serviço da investigação da condição humana em profundidade. Em sua série retratando moradores de rua no centro da cidade de São Paulo, há pelo menos 3 anos, o fotógrafo consegue dimensionar o contraste debatido nesse texto de forma eloquente e perturbadora.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large is-style-default"><img decoding="async" width="950" height="633" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=950%2C633&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13139" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?resize=1536%2C1024&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68ad2-aleruaro_093895.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery alignwide is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:66.755419999632%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13141" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13141" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5a24a-aleruaro_114701.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/21407-aleruaro_114701.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:33.244580000368%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13142" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13142" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c6b18-aleruaro_116135.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/6015f-aleruaro_116135.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1333" data-id="13144" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13144" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0d931-aleruaro_093851.jpg" data-width="2000" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/ad04f-aleruaro_093851.jpg?w=950" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p>Tratando essa dualidade no contexto de pandemia exposto nesse artigo, o trabalho de Ale nos proporciona a oportunidade de nos submetermos ao <strong>impacto da indiferença</strong>, que invisibiliza pessoas em situação de rua e as coloca como trágicos ornamentos na fria paisagem urbana das grandes metrópoles. Por outro lado, ele também evidencia sua perspectiva humanista, sobretudo quando comparamos as fotos acima com as um de seus projetos mais recentes, em exposição virtual no Panteão do Memorial da República Presidente Itamar Franco. Na mostra <em><a href="http://mrpitamarfranco.com.br/n/panteao/e-agora-o-brasil-e-a-pandemia-de-covid-19-em-26-fotografias-de-ale-ruaro/">E AGORA?</a></em>, Ale se propôs retratar trabalhadores essenciais, pessoas que <strong>não tiveram a opção de entrar em quarentena</strong> por atuarem em atividades listadas como essenciais pelo poder público.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large is-style-default"><img decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13149" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?resize=1536%2C1152&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e425a-aleruaro_121083.jpg?w=1900&amp;ssl=1 1900w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-gallery alignwide columns-3 is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex"><ul class="blocks-gallery-grid"><li class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" data-id="13151" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13151" class="wp-image-13151" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd486-aleruaro_121072.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, 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class="blocks-gallery-item"><figure><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" data-id="13155" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=13155" class="wp-image-13155" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?w=2000&amp;ssl=1 2000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8244f-aleruaro_120910.jpg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w, 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<p>As fotografias, que colocam no centro da imagem figuras humanas cujo trabalho é aquilo que supomos essencial para a manutenção da ordem social, trazem consigo a oportunidade de <strong>revelar a dimensão comum das concepções sobre aquilo que é indispensável e crucial para a vida</strong>. No entanto, das diversas maneiras de se exercer a vida no mundo em que vivemos,<strong> o essencial muitas vezes pode estar no esvaziamento de nossas convicções reificadas</strong>. Por isso, posto que a arte se encontra na esquina de nossas vivências e convenções estabelecidas, devemos destronar as nossas certezas diante de um mundo isolado e com medo. Para o desenvolvimento de uma percepção mais plural e solidária sobre aquilo que é essencial a partir de uma visão crítica sobre as distintas realidades apresentadas, precisamos sempre estar preocupados com as possíveis respostas que daremos para a pergunta: <strong>como você vive?</strong></p>



<div style="height:46px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;O que é verdadeiro sobre todos os males do mundo, também é verdadeiro em relação à peste.</em><br><em>Ajuda os homens a se superar.&#8221;</em></p>



<p class="has-text-align-right"><strong>Albert Camus</strong></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Referências</strong>:</p>



<p>MORIN, Edgar. <strong><em>É hora de mudarmos de via: as lições do coronavírus</em></strong>. 1 edição &#8211; Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2020.</p>



<p><strong><em>The Next Frontier: Human Development and the Anthropocene. </em></strong>United Nations Development Program. 2020. Disponível em: <a href="http://report.hdr.undp.org/index.html">http://report.hdr.undp.org/index.html</a></p>



<p>MAYER, Isabel Santos. <strong>Antirracismo em bibliotecas comunitárias.</strong> Apresentação em live no evento Trama: Troca de saberes em arte, cultura e criatividade.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:21% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Frederico Lopes</strong> é artista, educador, encadernador e escritor. É fundador da Bodoque Artes e Ofícios. Atua como Editor-Chefe da Revista Trama e Diretor do Museu de Artes e Ofícios Bodoque.</p>
</div></div>



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<p></p>
</div></div>
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		<title>MUSEUS, MEMÓRIAS E POESIA: A ARTE DA ESCUTA E DO “ESTRANHAMENTO”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[museu]]></category>
		<category><![CDATA[Museu Mariano Procópio]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A “poética dá novas existências aos objetos, abrindo outras percepções”. Com essa frase, Francisco Régis Ramos define a importância do olhar poético para a reconfiguração de sentidos dos objetos no contexto museológico. Sabemos que não há exposição “inocente” ou “imparcial”. Como afirma Ulpiano Meneses, “o museu não reproduz a vida, ele é parte da vida, atendendo às nossas necessidades de representação.” Acontece, porém, que discursos e narrativas podem se tornar perenes e cristalizados, tendo o poder de naturalizar, enquadrar e engessar olhares, transformando a mensagem em “verdade absoluta e imutável”.</p>



<p>Aqueles acostumados a frequentar museus sabem que não é raro observar objetos que permanecem, durante gerações, ocupando o mesmo lugar dentro de um circuito expositivo. Os espaços convencionalmente chamados de “museus históricos” (há muito, marcados por sacralizações de objetos e personagens “célebres” através de narrativas canônicas e laudatórias) são ainda – com exceções, é claro – os mais refratários às mudanças.</p>



<p>Ramos defende que a arte de provocar “estranhamentos” é um dos pré-requisitos fundamentais para que os objetos despertem novas reflexões e conhecimentos no público, mostrando-se um caminho bastante fértil e potente para retirar o interlocutor do lugar de passividade que muitas vezes lhe é reservado. Há de convir, entretanto, que não é tarefa fácil desarraigar um objeto icônico de seu lugar consagrado, do “enquadramento de memória” que lhe foi designado, para submetê-lo a um processo de ressignificação. Esse esforço, além de implicar questionamentos de “verdades estabelecidas” (tão caras às estruturas de poder consolidadas), quase sempre retira o público de sua “zona de conforto”, despertando reações pouco ou nada generosas.</p>



<p>No entanto, por mais canônica que seja a narrativa envolta em um determinado objeto, a recepção da mensagem não compreende um processo mecânico ou unívoco. Apesar da existência de um núcleo narrativo duro e coletivamente compartilhado, aparentemente imutável, que perpassa as percepções de cada indivíduo acerca de determinado objeto exposto, é quase sempre possível entrever valiosas variações nesse processo comunicativo. Afinal de contas, como nos lembra Chartier, nenhum autor é absolutamente eficaz em “ditar&nbsp; tiranicamente o significado” de sua mensagem ao interlocutor, pois cada um se apropria de algo a partir de seu próprio repertório cultural, de suas experiências de vida, valores, etc. Assim, é preciso que os profissionais de museus fiquem atentos às variadas recepções e apropriações de seus públicos.</p>



<p>É mais do que sabido que, para captar as variadas nuances subjetivas do público, os profissionais de museus precisam lançar mão de estratégias de apreensão desses significados. Não há como dispensar, portanto, a capacidade de escutar e observar tudo meticulosamente. Promover ações capazes de estimular a evocação de memórias afetivas do público pode ser um caminho interessante. O concurso de poesia que o Museu Mariano Procópio (Juiz de Fora – MG) realizou entre os meses de outubro e novembro de 2020 é um exemplo disso. Tendo como tema “Museus e memórias: costurando presente, passado e futuro”, o concurso teve como público-alvo professores de qualquer nível de ensino e estudantes de educação básica, com idade a partir dos 10 anos. Apesar de premiar apenas os três primeiros classificados de cada categoria (professor e estudante), todos os poemas foram declamados em vídeos postados nas redes sociais do Museu, por meio da participação de servidores do MMP e de pessoas atuantes no campo cultural de Juiz de Fora e região. O objetivo foi adensar e/ou reabilitar laços afetivos do público com a instituição, estimulando produções artísticas autorais sobre o tema proposto.</p>



<p>Escritos por professores e estudantes de diferentes faixas etárias, os poemas deixaram entrever variadas concepções de museu e evocaram memórias afetivas que ligam seus autores a diversos espaços e objetos museais. Alguns deles externaram seu repertório de nostalgias, trazendo para o presente um passado relido sob as lentes de um romantismo à Casimiro de Abreu: “Oh! Que saudades que tenho/ Da aurora da minha vida,/ Da minha infância querida/ Que os anos não trazem mais!”. Houve quem associou os museus a um passado de realeza, ambiente de “conservação” nos sentidos prático e político da palavra, em que os objetos contemplados são blindados ao toque de quem os observa. Outros explicitaram sua crença na história como “mestra da vida” e nos museus como espaços de consagração de “grandes feitos”, cuja missão é rememorar o passado para impedir a repetição de erros futuros. Por fim, houve ainda os que refletiram sobre a complexidade das narrativas e das memórias arraigadas nos objetos e espaços museológicos: de um lado, os que verbalizaram o entendimento de que as lembranças e os esquecimentos são escolhas e projetos; de outro, mas em sentido convergente e complementar, os que utilizaram a metáfora da trama de um tecido para conectar passado, presente e futuro a uma estrutura dinâmica e não linear. Afinal, é no entrecruzamento dos fios das temporalidades que se forma o “tecido” da história representada nos/pelos museus.</p>



<p>Esse concurso de poesia nos possibilitou, de alguma maneira, acessar experiências e memórias; e mais do que isso: nos permitiu estabelecer uma rede de interlocução de afetos com todos que dele participaram, direta ou indiretamente. Sabemos que isso, por si só, não é suficiente para desconstruir as tais “narrativas canônicas”, engessadas, que tentam aprisionar o público no lugar de “tábula rasa” do conhecimento. Porém, se um dos principais desafios dos museus é provocar reflexões, é plausível reconhecer que nada disso é possível sem uma prévia escuta/observação que aproxime o público para fomentar o diálogo. Mesmo quando o discurso contemplativo parece suplantar a reflexão, as memórias afetivas não deixam de transbordar imaginação, fantasia, encanto, mistério e, é claro, subjetividades.</p>



<p>A tarefa de pensar os museus como espaços de produção de conhecimentos científicos, munidos de ferramentas epistemológicas necessárias à análise crítica de seus objetos e narrativas, não deve e não pode dispensar a potência libertadora da poesia e sua capacidade de oferecer inúmeras possibilidades de experimentação da linguagem e de (re)apresentação dos objetos. Quem disse que poesia e ciência devem percorrer caminhos separados? Como numa fita de Möbius, é a partir de uma interdependente relação entre poesia e ciência que as memórias fluem e voam, que perspectivas, olhares e sensações se metamorfoseiam, que estranhamentos são gerados, que “camisas de força” são rompidas e que janelas se abrem para reflexões, conhecimentos e múltiplas vozes.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>CHARTIER, Roger. <em>Textos, impressão, leituras.</em>In: HUNT, Lynn (org.). A nova história cultural. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2001.<strong></strong></p>



<p>GUIMARÃES, Manoel Luiz Salgado; RAMOS, Francisco Régis Lopes. (orgs.). <strong>Futuro do Pretérito:</strong> escrita da História e História do Museu. Fortaleza: Instituto Frei Tito de Alencar, 2010.</p>



<p>RAMOS, Francisco Régis. <strong>A danação do objeto:</strong> o museu no ensino de História. Chapecó: Argos, 2004.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="599" height="601" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=599%2C601&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13196 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?w=599&amp;ssl=1 599w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong></strong></strong></strong> é Professor de História e historiador. Graduado, mestre e doutorando em História pelo PPGHIS/UFJF. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG. Dedica-se a pesquisas relativas ao campo da história social da cultura/literatura, sociabilidades, trajetórias e memórias.</p>
</div></div>



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		<title>Danse Macabre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil 2020]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Culpa banal]]></category>
		<category><![CDATA[Duran Duran]]></category>
		<category><![CDATA[Juliana Berlim]]></category>
		<category><![CDATA[Rádio anos 80]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Juliana Berlim</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A primeira coluna é sempre um pé na porta; por isso, considerei escrever sobre tantos assuntos pululantes da contemporaneidade para cravar um marco: crise mundial, pandemia, aglomerações, vacina, o fantasma do comunismo, leituras feministas. Mas é como se diz: as palavras na mente são só nuvem de pensamento. As palavras precisam estar escritas no mundo letrado &#8211; essa é a condição principal para sua permanência, já que o exercício da memória se dissolveu cedendo espaço ao arquivo e à catalogação. Debatendo-me com a maior dificuldade dos cronistas, o assunto da coluna, vasculhei meus baús afetivos a fim de recolher uma história que se liga à minha primeira semana de 2021, inundada de saudades das rádios FM e de histórias de família: o dia que perdi o show do Duran Duran.</p>



<p>Os jovens nativos digitais desconhecem o poder do rádio na educação musical das gerações que os antecederam. Nós, crianças dos anos 80, nos educávamos pelas ondas radiofônicas, mexendo no dial à caça dos sons da moda &#8211; que eram rock e pop com muitos sintetizadores e saxofones. Pelo menos, estes eram os sons que me importavam, ao lado dos LPs da Xuxa e dos filmes dos Trapalhões &#8211; estes dois últimos eventos, os equivalentes infantis ao especial anual do Roberto Carlos na TV Globo. Enquanto escuto New Order (outro divisor de águas da época), me lembro como doses cavalares de <em>Save a Prayer</em> e de <em>Come Undone</em> conduziram meu imaginário a zonas nunca antes exploradas. Colou-se uma etiqueta musical na minha mente, onde a legenda &#8220;Duran Duran&#8221; ocupava um lugar com muita purpurina, sombra forte e ombreiras &#8211; o grito da moda da década. Em um tempo de excessos, os britânicos se destacavam por um certo pé fora da curva dos estereótipos de indumentária do gênero masculino &#8211; ainda estava muito longe o tempo em que eu entenderia quem era David Bowie; por isso, vamos ficar com este comentário de que, para muita gente, os músicos do Duran Duran foram uma forma de inovação.</p>



<p>Só adulta pude manejar melhor esta colcha de afetos musicais. Percebi a relevância da banda na minha vida no período do anúncio do show que eles fariam no Brasil. Eu começava a ganhar algum dinheiro nesta vida e a me organizar para ver shows; portanto, comprei o ingresso e deixei-o à vista, orgulhosa que estava de uma logística anterior de ida a São Paulo para ver o festival Planeta Terra (sim, sozinha &#8211; sou aquela que caça, mata e come como uma Loba Solitária da estepe). Organizei tudo, papel impresso do ingresso há semanas em cima do computador, bem visível. Decorei o dia da apresentação. No dia que seria o dia de um dos maiores shows da vida, passei de ônibus a caminho do trabalho diante de um outdoor que anunciava o grande momento. Tinha sido na noite anterior. Levei um choque profundo. Eu tinha decorado o dia errado. Pior: descobri que meu irmão, que morava comigo, tinha ido. Baque-mor. Como se vê, este é um tópico Casos de família demais para evitar a presença da Cristina Rocha e, como não posso contratá-la para mediar a terapia familiar a jato, pulo esta parte. Chorei sofrido &#8211; porque, no começo do século, ainda me permitia este tipo de sofrimento besta. Bons tempos em que chorávamos por situações que não são nem fome, nem miséria ou nenhum outro flagelo humano.</p>



<p>Falando em choro: na aurora da segunda década do século, o Brasil dá motivos de sobra para chorar e nenhuma oportunidade de recolhermos novas memórias, como convém a uma vida organizada em sociedades urbanas. Não é sem remorso ou culpa que se pode realizar uma viagem de férias ou qualquer outra atividade de alívio da saúde mental no presente momento. 2020 não nos perdoou, e 2021 ainda não disse o bastante sobre a que veio. Nem por isso, nos comovemos a ponto de nos mobilizarmos contra o número alarmante de mais de mil mortes diárias de brasileiros levados por uma doença ainda completamente sem controle, que mata ao menos uma pessoa próxima de nós por dia. <strong>A marcha do progresso apaga até a chama da humanidade acesa em nós</strong>.</p>



<p>Pensando bem, eram melhores os tempos em que sobrava vida no país para se chorar por uma culpa banal. No instante em que escrevo estas linhas, sentamos sobre as cinzas de um projeto de país morto, conduzido por uma necropolítica zombeteira que nos convida para participar de sua dança macabra. Como nação, aceitamos, há dois anos, o chamado para esta contradança sem perder a data do baile, convite dourado na mão. </p>



<p></p>



<p class="has-text-align-right"><em>Para David Jorge Berlim Amorim Filho, meu irmão</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dca0e-juliana-berlim-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13188 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Juliana Berlim </strong></strong></strong></strong>é professora, escritora e do Rio de Janeiro</p>
</div></div>



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		<title>Sim, nós podemos!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Caos social]]></category>
		<category><![CDATA[Desinformação]]></category>
		<category><![CDATA[Linguagem]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Twitter]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Penso, logo, existo.&#8221; (Descartes)</p>



<p>&#8220;Ser ou não ser: eis a questão.&#8221; (Shakespeare)</p>



<p>&#8220;A virtude está no meio termo.&#8221; (Aristóteles)</p>



<p>Cada uma dessas frases caberia com folga num tuíte. Várias outras igualmente solenes também. Conclusão óbvia: escrever é fácil; escrever bem é que é difícil. Pensei nisso no momento em que me desafiei a escrever algo honesto com menos de 2.000 caracteres.</p>



<p>O estrago civilizatório gerado pelos recentes tuítes de alguns líderes mundiais também me inspirou um pouco na tarefa. Eles causam prejuízos colossais com apenas 140 toques (ainda é essa a medida naquela rede? não sou usuário &#8211; atenção: duplo sentido); supus, então, que eu fosse capaz de produzir algo só honesto com o mar de sinais a meu dispor aqui.</p>



<p>Mas escrever bem é realmente difícil. As ideias vêm e demandam um oceano de signos. Sem um mínimo de técnica, a inspiração <em>trupica e as veix cai</em>… Sigo adiante: &#8220;O que não me mata, me torna mais forte.&#8221; (Nietzsche)</p>



<p>Já sei: 1) sentenças na ordem direta; 2) abusar de orações absolutas (vai no Google, leitor!, preciso economizar caracteres);&nbsp; 3) o mínimo de conectivos (de novo, foi mal). Pronto: até aqui, menos de 1.500 toques. (Já? Eu ainda não disse nada!)</p>



<p>É que é essa mesma a minha sensação hoje, sexta, 08/01/21, no momento em que escrevo. Não tenho o que escrever, não há o que dizer. Não há palavras para dizer da dor de ver mais de 200 mil brasileiros mortos, não só nem principalmente pela COVID, mas pela desinformação, pela sociopatia, pelo oportunismo desmedido e inconsequente.&nbsp;</p>



<p>E o pior: emudeço porque temo que ainda demoremos a encontrar uma forma de linguagem apta a, de fato, esclarecer para todos nós os passos largos que temos dado rumo ao mais absoluto caos social. E (profundo desespero) não estamos sozinhos nessa canoa furada, como mostram os fatos da semana nos EUA, por exemplo.</p>



<p>Mas um ano se inicia, e precisamos acreditar em nós e na linguagem. Podemos descobrir juntos uma maneira de nos dizermos e nos ajudarmos! </p>



<p>&#8220;Yes, we can!&#8221; (B. Obama)</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13201 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
</div></div>



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		<title>Estamos de volta!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Apresentação]]></category>
		<category><![CDATA[Segunda temporada]]></category>
		<category><![CDATA[Spotify]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
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<hr class="wp-block-separator" />



<p>Está no ar a segunda temporada do nosso querido Trama Podcast! </p>



<p>Depois de um breve hiato, estamos de volta com novos formatos, novas propostas e o mesmo compromisso com a arte e a cultura de sempre!  </p>



<p>No primeiro episódio da temporada, trazemos atualizações sobre os novos rumos do podcast e das novidades que a equipe da Trama preparou para 2021. Nosso host, Fred Lopes, vai te deixar a par de tudo para você começar o ano acompanhando a gente sem se sentir perdido.</p>



<p>Então já sabe: coloque os fones e aperte o play. Boa audição!</p>



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<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Estamos de volta!" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/episode/0KkNfPEb2t3ry4ITk5QUlK?si=Pj5j964AS5G5DJnY-6Uriw&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div><figcaption><em><strong>Trama Podcast &#8211; Temporada #02 &#8211; Episódio #01 &#8211; Estamos de Volta! Apresentação: Frederico Lopes</strong></em></figcaption></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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		<title>Guardiões da floresta: quando o luto virou luta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Especulação Imobiliária]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Fotografia Documental]]></category>
		<category><![CDATA[Guarani M’bya]]></category>
		<category><![CDATA[Luca Meola]]></category>
		<category><![CDATA[Luta Indígena]]></category>
		<category><![CDATA[Pico do Jaraguá]]></category>
		<category><![CDATA[Resistência Indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Luca Meola</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">No Pico do Jaraguá, o ponto mais alto da cidade de São Paulo, em uma área de 1.7 hectares, existem seis aldeias do povo Guarani M’bya.</p>



<p>Nessas terras, em casinhas de madeira ou em construções de barro e argila, vivem 700 guerreiras e guerreiros, divididos entre a cultura tradicional e as muitas solicitações do mundo exterior. Esses grupos detém o triste recorde de serem as menores aldeias indígenas brasileiras em população.</p>



<p>Os Guaranis são nativos do Estado de São Paulo, pré-cabralinos; porém, o desenvolvimento urbano da cidade incorporou seu território. Hoje, já não há mais animais que a tribo possa caçar, o rio está poluído, e não existe terra suficiente para cultivar mandioca. Apesar disso, a terra indígena do Jaraguá é um lugar de batalha e resistência.</p>



<p>No dia 30 de janeiro 2020, em uma área a cerca de 100 metros da aldeia, aconteceu uma ocupação pelos Guaranis contra a derrubada de mais de 500 árvores nativas. A área, remanescente de Mata Atlântica, conta com um rio, animais silvestres e muitas abelhas, além da flora local. Ela está localizada dentro de uma área importante do cinturão verde de São Paulo, declarada Patrimônio Mundial pela UNESCO como reserva da biosfera da Mata Atlântica.</p>



<p>O terreno fica ao lado de uma área demarcada como terra indígena e foi vendido pela Prefeitura de São Paulo para a Construtora Tenda. A empresa pretendia erguer um condomínio residencial com 11 prédios e 880 apartamentos. Os indígenas denunciaram a Construtora Tenda por colocar em risco a sobrevivência da fauna e da flora local e por cometer irregularidades. Foram desrespeitadas duas legislações federais: da Convenção Internacional n. 169 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que assegura aos povos indígenas e tribais uma consulta prévia sempre que uma obra causar impacto na na comunidade; e da Portaria Interministerial nº 60 de 2015, que estabelece que nenhuma construção pode ser feita sem um estudo de impacto ambiental e sociocultural em um raio de 8 quilômetros de uma terra indígena.</p>



<p>Depois de mais de um mês de ocupação, na manhã do dia 10 de março, a Polícia Militar de São Paulo foi ao bairro do Jaraguá para cumprir uma ordem de reintegração de posse do terreno ocupado pelo povo Guarani M&#8217;bya. O ato de resistência contou com apoiadores e indígenas de outras etnias que são contra o empreendimento. Após nove horas de negociação, os indígenas chegaram a um acordo pacífico com a polícia, e os ocupantes desmantelaram a ocupação, se reposicionando na entrada do território na beira da estrada, para garantir que a empresa não entre com máquinas e corte outras árvores.</p>



<p>Enquanto os Guarani acampavam na calçada na frente da entrada do território a luta continuou nesse meio tempo no campo jurídico e político. No dia 9 de Abril, por determinação da juíza da 14a Vara Civil Federal de SP, a construtora Tenda foi impedida de continuar as obras do empreendimento imobiliário. Esta decisão foi tomada após considerações de entidades especializadas, como IBAMA, FUNAI, CETESB, Conselho Gestor da Reserva de Biosfera – Cinturão Verde, Conselho Consultivo do Parque Estadual<br>do Jaraguá e Fundação Florestal. Tem fundada dúvida sobre ter sido seguido o correto procedimento de licenciamento ambiental.</p>



<p>Para os Guarani M&#8217;bya, derrubar uma árvore é como tombar um parente. No lugar dos onze prédios da Tenda, os indígenas pedem que seja feito um Centro Ecológico e um Memorial da Cultura Guarani.</p>



<p>Os povos indígenas brasileiros são defensores da floresta; lutam e resistem para preservar seu ambiente e seu estilo de vida em harmonia com a natureza. Lutam contra a especulação imobiliária, contra projetos de mineração e desmatamento, para que as gerações futuras possam crescer no meio de árvores e animais. É uma luta indígena que deveria ser de todos nós.</p>



<p>Ocupação Yary Ty<br>Janeiro &#8211; Março 2020<br>Terra indígena do Jaragua, São Paulo</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2cdbc-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta01-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13367" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2cdbc-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta01-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2cdbc-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta01-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2cdbc-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta01-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2cdbc-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta01-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Criança Guarani segura um panfleto da Construtora Tenda.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/659e9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta02-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13368" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/659e9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta02-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/659e9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta02-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/659e9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta02-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/659e9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta02-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Um grupo de crianças Guarani observa uma placa da Construtora Tenda.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0b935-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta03-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13370" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0b935-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta03-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0b935-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta03-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0b935-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta03-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0b935-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta03-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Um grupo de crianças brinca subindo no tronco de uma árvore derrubada.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/11fac-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta04-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13371" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/11fac-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta04-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/11fac-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta04-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/11fac-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta04-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/11fac-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta04-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Os Guarani tomam banho em um lago dentro da área comprada pela Construtora Tenda.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/84cbb-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta05-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13372" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/84cbb-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta05-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/84cbb-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta05-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/84cbb-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta05-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/84cbb-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta05-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Área desmatada pela Construtora Tenda.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d92c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta06-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13373" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d92c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta06-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d92c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta06-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d92c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta06-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3d92c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta06-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Menina toma banho em uma pequena fonte de água na Ocupação Guarani.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/540f9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta07-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13375" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/540f9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta07-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/540f9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta07-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/540f9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta07-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/540f9-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta07-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Hortêncio, um dos habitantes mais antigos da comunidade indígena do Jaraguá.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1aee7-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta08-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13376" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1aee7-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta08-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1aee7-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta08-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1aee7-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta08-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1aee7-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta08-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Na Ocupação Yari Ty, vigília aguardando a reintegração de posse.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33484-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta09-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13377" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33484-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta09-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33484-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta09-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33484-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta09-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33484-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta09-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Oração de fortalecimento coletivo.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/31755-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta10-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13378" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/31755-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta10-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/31755-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta10-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/31755-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta10-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/31755-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta10-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Os indígenas utilizam o fruto do Jenipapo em tatuagens e pintura corporal.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/54d5f-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta11-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13379" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/54d5f-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta11-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/54d5f-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta11-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/54d5f-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta11-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/54d5f-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta11-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Guerreiros Guarani ao amanhecer aguardam a chegada da polícia.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f52f2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta12-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13380" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f52f2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta12-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f52f2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta12-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f52f2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta12-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f52f2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta12-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Liderança Guarani observa guerreiros indigenas subindo nas árvores.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dfd75-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta13-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13381" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dfd75-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta13-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dfd75-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta13-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dfd75-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta13-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dfd75-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta13-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Guerreiros Guaraní observam de longe a concentração da Policia Militar.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6304c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta14-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13382" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6304c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta14-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6304c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta14-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6304c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta14-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6304c-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta14-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Tropa de choque chega para cumprir o mandato de reintegração de posse.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dec8e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta15-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13383" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dec8e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta15-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dec8e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta15-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dec8e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta15-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dec8e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta15-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Na linha de frente, o coro de mulheres indígenas enfrenta a polícia.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91b54-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta16-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13384" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91b54-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta16-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91b54-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta16-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91b54-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta16-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91b54-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta16-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Os Guarani fumam para reforçar seu espírito e entrar em contato com Nhanderu (Deus).</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/74266-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta17-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13385" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/74266-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta17-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/74266-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta17-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/74266-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta17-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/74266-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta17-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Ritual antes da negociação com a polícia.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd32e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta18-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13386" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd32e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta18-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd32e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta18-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd32e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta18-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cd32e-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta18-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Após 40 dias, indígenas entram em acordo com a polícia e deixam o território ocupado.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1ddf2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta19-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13387" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1ddf2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta19-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1ddf2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta19-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1ddf2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta19-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1ddf2-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta19-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Guerreiros Guarani vigiam na frente do território disputado, para garantir que a empresa<br>não entre com máquinas e corte outras árvores.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="760" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a6aa8-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta20-web.png?resize=950%2C760&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13388" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a6aa8-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta20-web.png?w=1440&amp;ssl=1 1440w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a6aa8-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta20-web.png?resize=300%2C240&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a6aa8-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta20-web.png?resize=1024%2C819&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a6aa8-guardioes-da-floresta-quando-o-luto-virou-luta20-web.png?resize=768%2C614&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Pixação no túnel que leva à terra indígena do Jaraguá.</figcaption></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c05c8-meola.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13241 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Luca Meola</strong></strong></strong></strong></strong></strong> é fotógrafo e documentarista, nascido em Milão, na Itália. Formado em Sociologia, tem desenvolvido principalmente projetos de fotografia documental pessoais e comissionados na Europa e na África. Desde o final de 2014 , vive entre a Itália e o Brasil. Acompanhe seu trabalho pelo <a href="http://instagram.com/lucameola1977">Instagram</a>.</p>
</div></div>



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		<title>Herança &#8211; Capítulo 12: Quando se perde uma alma</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Herança]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Romance]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8211; Filho da puta, desgraçado. Quero ver ele bater em alguém do tamanho dele. Ele é covarde, mãe.</p>



<p>&#8211; Filho, não vai adiantar nada você ficar aqui. Você tem que ir pra escola. Leva a Aurora.</p>



<p>Ele estava jogado na cama, com sua consciência consumida entre os lençóis. Ouvia fragmentos de vida pela casa. O filho no quarto ao lado ressonava cheio de feridas pelo corpo. Naquele instante, Augusto saía de mãos dadas com Aurora em direção à escola. Aufredo ficava. Descansava da noite anterior, num pesadelo de mãos e costas no muro. </p>



<p>Um zumbido percorria a cabeça de Ricardo. Ele começou, entre dormindo e acordado, a se recordar das coisas. Sua boca seca consumia o líquido de seu corpo, num estalo de língua e lábios ressecados. Ao longe, um galo cantava anunciando a manhã. O sol refletia as sombras no chão, de tudo e de todos, num afã de tentar entender a alma e a essência da vida. O cheiro do café se fazia presente. E o zumbido em sua cabeça se misturava às cenas fragmentadas da noite anterior: “É só pilotar a moto, você vai ver como é fácil.” O filho jogado no chão, inerte; ele com as mãos entre a cabeça. Noêmia chegando amparada pelos vizinhos, que, num respeito por aquela mulher, não chamaram a polícia. Respeitaram a dor daquela mãe, a sua inquietação de ter, ao mesmo tempo, dois grandes problemas: o filho e o marido. Um provocando a desgraça do outro. E ela tendo que amparar, entender e absorver toda aquela agitação. E o zumbido não o deixava mais dormir.</p>



<p>Levantou-se, saiu da cama. Estava seminu. Passou pelo quarto das crianças. A porta estava encostada, parou ali por alguns segundos. Encarou a sua própria humilhação. Sentiu vontade de vomitar, uma ânsia lhe percorreu todo o corpo, não conseguia entender aquele fragmento de lembrança do filho desfalecido. Não conseguia entender por que isso não era somente um grande pesadelo. Era a mais pura e cristalina verdade, a verdade que ele teria que encarar pelo resto de sua vida. Correu para o banheiro, jogou-se na privada e enfiou a cara na latrina, escorrendo gosma pela boca. E o zumbido não o deixava, o inquietava, junto aos fragmentos da noite anterior e às sombras produzidas pelas luzes artificiais dos postes pendurados cortando o céu. Levantou-se com certa dificuldade. Limpou vagarosamente a boca com o braço esquerdo; e, com a outra mão, abriu o chuveiro e deixou escorrer água pelo seu corpo.</p>



<p>No princípio, escorreram gotas frias &#8211; como os pensamentos que vinham à sua mente, sobre seu patrão falando a ele da demissão, o deixando sem chão. Depois, as gotas se aqueceram &#8211; como o coração de sua mulher, arrefeceram os seus músculos, deixando-o inundar-se por aquela água. Passou as mãos pelo rosto, tentando se limpar, os fragmentos ruins de memória pelo ralo; mas era vã, a sua tentativa. Ele via as gotas escorrendo e fluindo até encontrarem o ralo. Era como sua vida, sentida naquele momento como uma aberração que só caberia mesmo ao esgoto. Como aquela água que se misturava ao seu corpo e o enchia de prazer. Pegou o sabonete, e uma fragrância adocicada misturou-se ao zumbido de sua cabeça. A dor foi aumentando e, à medida que aumentava, ele conseguia ouvir todos os barulhos ao redor. Ônibus passando na rua apinhado de almas mortas; cachorro latindo no vizinho; papagaio gritando o hino de um time ensinado pelo seu dono; o barulho da máquina de costura de sua esposa, que o fez lembrar-se da sua dor, não aquela dor do zumbido, mas a dor de não ter mais emprego, de não ter mais vida profissional, de estar jogado na existência longe de seus sonhos mais sinceros. A mulher teria que se virar muito nas suas roupas, em suas tesouras e sua costura, varando noites pra trazer algum alento pra aquela família fragmentada na alma de um ser fragilizado e fraco. Não tinha como ele se desvencilhar daquilo, poderia tomar quantos banhos quisesse. Aquele cheiro azedo de vida estragada não o deixaria mais. Não escorreria pelo ralo, como ele estava querendo. Não havia jeito. Ele estava fadado a pilotar a moto e a cair no esquecimento. Afundar-se na lama que sua consciência transformara.</p>



<p>Como eu sei disso tudo? Como consigo trazer tantos detalhes aos comentários sobre o que estou contando? Tive fontes precisas. Noêmia, Alciléia e tantos outros me contaram tudo. Pode não ser algo imparcial, mas o que é imparcial nesta vida? As pessoas envolvidas expressaram as suas dores e as suas angústias para mim. Contaram o que quiseram, o que elas entendiam da vida. O resto, eu vou preenchendo de acordo com as minhas experiências. E, naquele momento, eu sabia o que atormentava Ricardo: um misto de coisas e fragmentos, escorrendo entre seus dedos como aquela água, como a sua vida fedida e estragada. “É só pilotar a moto.” Ricardo veria o que o esperou. Mas antes, ele teria que trabalhar na fábrica de biscoitos. E teria que encarar novamente todas as pessoas que testemunharam a sua desgraça, o início da sua desgraça e seu tormento, a sua vida jogada no muro chapiscado como o seu próprio filho. Essa é a sua realidade, longe de seus sonhos de outrora. E o barulho da máquina de costura aumentava, junto com o zumbido agudo na sua cabeça.</p>



<p>Depois do banho, não teria salvação. Teria que viver aquilo, conviver com aquilo e aguardar a sua sina. E o pior seria novamente encarar sua família, sua mulher e seus filhos. Os olhos avermelhados latejavam por dentro e consumiam sua alma marejada de dor, que escorria com as gotas quentes pelo corpo de Ricardo, chegando ao chão e ganhando o ralo.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4adc4-darlan_png.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13213 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4adc4-darlan_png.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4adc4-darlan_png.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4adc4-darlan_png.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Darlan Lula&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.<strong><strong><strong><strong> <a href="http://www.darlanlula.com.br">Conheça mais sobre o autor e seu trabalho</a>.</strong></strong></strong></strong></p>
</div></div>



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		<title>Beira de Mar</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Caroline Stabenow]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[Mar]]></category>
		<category><![CDATA[Pescador]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Caroline Stabenow</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Existe uma fixação pelo mar em mim.</p>



<p>Quando pequena, ia à praia e nem fome sentia. Não me lembrava de almoçar. Queria estar no mar, respirar&nbsp;maresia. Entre as idas e vindas, tendo tido a oportunidade de morar em mais de 14 cidades, aprendi a apreciar com carinho o trabalho dos pescadores. Um lindo remexer com as mãos, braços, como se fosse um balé. Incansável.</p>



<p>Esses dias, parei para conversar com o &#8220;Alemão&#8221;, pescador há mais de 40 anos na praia de Vila Velha:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>&#8220;Eu tô remendando os buraco da rede. Eu uso essa essa linha, essa agulha e essa faca. As vêis demora quase dois dia pra consertar todos os buracos. É um trabalho de paciência viu, mas quando cê pega o jeito, não tem erro. Vem cá vou te ensinar. Vê como não tem segredo. Você tem que passar a linha assim por baixo do nó, por dentro, viu? Faz isso duas vêis no nó de três. Aí quando for o nó de dois, você faz trêis vêis. Tem erro não. Mas tem que deixar a linha sempre esticada, igualzinho, pra não ter erro e não ficar torta. Tenta você agora. Eu fico aqui o dia inteiro e não me canso. Eu até que gosto, viu. Hoje não pescâmo no mar não, mas amanhã já vamo armar a rede. Você pode vir aqui, se quiser dar uma olhada. Tem dias que a gente anda essa beira toda aqui seguindo os cardume de peixe. Onde eles vão, a gente vai atrás. Esse aqui é o sustento lá de casa, e eu muito me orgulho. Não tem coisa melhor que esse trabalho, não. A vida no mar é muito boa.&#8221;&nbsp;</em></p>



<p>Coisa muito boa mesmo, &#8220;seu Alemão&#8221;.</p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery alignwide is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:52.887343567918%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/02f9e-stabenow-web-1.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/02f9e-stabenow-web-1.png?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/02f9e-stabenow-web-1.png?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/01/02f9e-stabenow-web-1.png?w=950?strip=info&#038;w=1440 1440w" alt="" data-height="960" data-id="13344" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/stabenow-web-1/" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f3d14-stabenow-web-1.png" data-width="1440" 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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Caroline Stabenow</strong></strong></strong></strong></strong></strong> é fotógrafa e não-escritora.</p>
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		<title>De ladinho é mais gostoso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Jan 2021 21:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 074]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">O policial marombado
Segura o grande cassetete
(Orgulhoso do falo)
- Vou reprimir geral!
Grita o senhor Superego
Manipulando sua arma
Imponente e ereto


A jovem escuta atenta
Observa a autoridade
(Talvez seja uma projeção)
- É bravo igual meu pai!
Pondera a senhorita Ego
Resolve satisfazer a exigência
Para não chocar os outros


Mas no íntimo ela arde
Desejo sexual impulsivo
(Libido no incesto)
- Me fode com força!
Toca-se, excitada, no seu Id
Gozaria na frente de todos
Sem pudores nem amarras


Freud agitava-se febril
Deitado no divã macio
Na posição fetal
Qual seria a
interpretação deste sonho?


Freud é a versão gourmet da
Santíssima&nbsp;Trindade
Mas ele finge que
No consultório dele
É ciência terapia


Freud é a versão gourmet do
Maniqueísmo católico
Mas ele finge que
Na boca dele
É só um charuto</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13205 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?w=1920&amp;ssl=1 1920w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6692b-gabriel.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong></strong></strong> é professor de Física e poeta. Trabalha com projetos educativos de divulgação científica, escreve textos didáticos de ciência e colabora em periódicos de arte e poesia.</p>
</div></div>



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