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	<title>Arquivos Ano 003, N 079 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Sócios.Sínteses &#8211; Arte e novas tecnologias para um devir social</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Arte e Novas Tecnologias]]></category>
		<category><![CDATA[Cindy Sherman]]></category>
		<category><![CDATA[Giselle Beiguelman]]></category>
		<category><![CDATA[Heather Dewey-Hagborg]]></category>
		<category><![CDATA[Neri Oxman]]></category>
		<category><![CDATA[Orfia Lab]]></category>
		<category><![CDATA[Špela PetriČ]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Orfia Lab</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Devir, processo de mudanças pelas quais todo ser passa, a presença no devir não conduz a um ato de transformar-se no outro, mas sim a um movimento de tornar-se outrem, um convite de um transformar<br>social, sempre na sua diferença. Sintetizando esse conceito em suas próprias poéticas, junto à inovação tecnológica de seus meios, a curadoria pretende trazer artistas que produzem num devir social, indo desde questões de saúde pública, como a Snapchat dysmorphia e a pandemia do coronavírus, até nossas relações psicossociais, como as trocas de afeto e nossas ligações com o tempo, resultando em projetos que propõem fazeres artísticos como uma forma de intervenção e crítica cotidiana da realidade.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Curadoria assinada por J. Cendretti [gestão] e L. Pujals [curadoria]</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="wp-block-heading">Cindy Sherman</h4>



<p>Perfil do Instagram<br>2017 &#8211; atualmente</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/77967-imagem_1_cindy_sherman.jpg?resize=725%2C905&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14200" width="725" height="905" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p class="has-text-align-right"><em>Qual o limite da intervenção da auto-imagem nas redes sociais?</em></p>



<p>A já conhecida retratista Cindy Sherman usa seu instagram para aprofundar essa discussão, já sendo sua poética centralizada no corpo e na distorção dele, a artista através do Instagram utiliza de forma extrema a deformação e manipulação digital para atingir imagens quase ridículas e completamente irreais, sobrepondo filtros e &#8220;correções&#8221; estéticas atacando principalmente a cultura da selfie e dos extremos aos quais as pessoas se propõem para atingir as fotos e imagens do que acreditam ser perfeitas. Sobre essa busca insaciável pela perfeição nas redes sociais, médicos relatam um fenômeno bastante preocupante: o chamado Snapchat dysmorphia. Esse nome refere-se a um tipo de dismorfia corporal desencadeada pelo estresse associado aos filtros das redes sociais, sendo que o transtorno dismórfico corporal é uma doença mental que leva os sujeitos a terem pensamentos frequentes sobre sua aparência, principalmente de forma negativa. As pessoas, especialmente mulheres, estão se apoiando na ideia de que o filtro é uma versão aprimorada de si mesmo.</p>



<p>Muitas pessoas passaram a realizar cirurgias plásticas solicitando procedimentos para parecerem melhores nas mídias sociais e mais grave ainda, desejando que suas características físicas se aproximassem dos filtros utilizados, lembrando que esses são absolutamente criações artificiais que não se baseiam na realidade corpórea dos sujeitos. A indústria das dietas, a dos cosméticos e, claro, a das cirurgias plásticas movimentam bilhões anualmente trabalhando em cima da capitalização das inseguranças.</p>



<p>Instagram da Artista: <a href="http://www.instagram.com/cindysherman/">@cindysherman</a></p>



<p>Leia mais sobre Snapchat Dysmorphia <a href="https://www.everydayhealth.com/wellness/united-states-of-stress/wh at-snapchat-dysmorphia-detailed-look-trend/">aqui</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="wp-block-heading">Neri Oxman</h4>



<p>Projeto Lazarus<br>2016</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c03d2-imagem_2_neri_oxman.jpg?resize=860%2C537&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14199" width="860" height="537" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p class="has-text-align-right"><em>A cada respiração, inalamos a história dos nossos antepassados.</em></p>



<p>A cada inalação de ar fresco que respiramos, há moléculas exaladas por Jesus, Cleópatra, ou Júlio César em seu último suspiro. De uma forma muito física, vivemos entre os espíritos, e eles vivem entre nós. Um litro de ar representa 0.000000000000000000001% (1e-23) de todo o ar na Terra, uma única respiração contém cerca de 25 sextilhões (2.5e22) de moléculas de ar, espalhando-se ao redor do globo durante anos. Tradicionalmente feita de um único material, como cera ou gesso, as máscaras mortuárias se originaram como um meio de capturar o rosto de uma pessoa, mantendo o falecido vivo através da memória.</p>



<p>Lazarus é uma máscara projetada para conter o último suspiro do usuário. Este foi o precursor &#8211; um kernel &#8211; para uma coleção maior de máscaras, intitulado Vespers, especulando e oferecendo uma nova<br>interpretação das antigas tradições de máscaras mortuárias. Servindo como uma lembrança de urna de ar, que é uma nova forma de retrato impresso em 3D, combinando as características faciais do usuário enquanto serve como um gabinete espacial para o seu último suspiro.</p>



<p>A superfície da máscara é modelada a partir da face da pessoa falecida, sua composição material é informada pelo fluxo físico de ar e sua distribuição através da superfície. Ao contrário de seu análogo tradicional feito à mão, o design da Lazarus é inteiramente impulsionado por dados, gerado digitalmente e fabricado de forma adicional. Ele aborda a resolução do fenômeno físico que é projetado para capturar, criando assim um artefato único que é perfeitamente personalizado para caber em seu usuário e seu último<br>suspiro.</p>



<p>Conheça mais sobre o projeto <a href="https://oxman.com/projects/lazarus">aqui</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="wp-block-heading">Heather Dewey-Hagborg</h4>



<p>Projeto Lovesick<br>2019</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2a26a-imagem_3_heather_dewey.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14197" width="-13" height="-7" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p class="has-text-align-right"><em>E se o amor se espalhasse como um vírus?</em></p>



<p>[Oxitocina: Hormônio produzido pela hipófise, sendo responsável pelas contrações uterinas no momento do parto e pela produção e secreção de leite; de fórmula C43 H66 N12 O12 S2, pode também ser obtido sinteticamente. Comumente conhecido como &#8220;hormônio do amor&#8221; por possuir propriedades ligadas à sensação de prazer e ao vínculo afetivo.]</p>



<p>Dewey-Hagborg projeta um devir que deseja “espalhar” amor e afeto contra o ódio do presente. Sua instalação consiste em pequenos vidros com um líquido rosa dentro que contém um vírus customizado e elaborado artificialmente, para que a produção de oxitocina seja aumentada quando ingerido; o vidro deve ser quebrado e consumido, simbolizando a irreversibilidade do ato; a imagem acima representa células HEK293 modificadas pelo vírus. A autora imagina futuros biotecnológicos possíveis em que possamos modificar, aprimorar, amar e cantar juntos: “CYIQNCPLG.&#8221;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f2dcd-imagem_4_heather_dewey.jpg?resize=857%2C642&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14195" width="857" height="642" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>Conheça mais sobre o projeto <a href="https://deweyhagborg.com/projects/lovesick-the-transfection">aqui</a>.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="wp-block-heading">Špela Petrič</h4>



<p>Phytoteratology<br>2016</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/57c60-imagem_5_spela_petric.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14194" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-right"><em>Eu pro-crio entidades planta-humanas, que eu carinhosamente apelido de monstros</em></p>



<p>Špela Petrič é firmada no ato de criar: em sua obra Phytoteratology, parentesco de sangue e de afeto conversam com a flora de modo a nos observar no lugar delas. “Eu pro-crio entidades planta-humanas, que eu carinhosamente apelido de monstros, através da fecundação in vitro e da alteração hormonal. O<br>projeto incorpora meu desejo de conceber e de ser mãe de uma trans-planta.” Apropriando de praxes biotecnológicas, ela utiliza de seus hormônios extraídos da urina para gerar embriões que são, então, colocados ao cuidado dela, ou na sua guarda, por assim dizer.</p>



<p>A artista expressa que a laboração é tanto sobre olhar para a planta para reconhecer o passado em comum e também sobre sua “humanidade politizada e culturalmente grávida”. Nos convidando a<br>refletir sobre a simbiose do processo, ao gestar o híbrido não-humano e não-planta, mas ainda sim intimamente relacionados.</p>



<p>Conheça mais sobre o projeto <a href="https://www.spelapetric.org/#/phytoteratology/">aqui</a>.</p>



<div style="height:51px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="wp-block-heading">Giselle Beiguelman</h4>



<p>Coronário<br>2020</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/05cda-imagem_6_giselle_beiguelman.jpg?resize=722%2C722&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14192" width="722" height="722" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p class="has-text-align-right"><em>um exercício crítico de “vigilância ao vivo”.</em></p>



<p>Coronário é uma obra online acerca da experiência cultural resultante da pandemia do novo coronavírus, atentando para seu impacto na linguagem e para a naturalização da vigilância no cotidiano. O ponto de partida da obra é um conjunto de 25 palavras popularizadas no contexto da Covid-19, como álcool gel, home office, testar positivo e pandemia, para as quais a obra oferece<br>um pequeno glossário.</p>



<p>Um mapa de calor verifica dinamicamente a atenção do público às palavras listadas como componentes do léxico do coronavírus, funcionando num esquema em que as mais acessadas mudam de cor,<br>numa escala que varia do azul (mais frias) ao vermelho (mais quentes e, portanto, mais acessadas). Esses mapas de calor tornaram-se imagens recorrentes no contexto da Covid-19 e podem ser interpretados como uma das imagens-chave do contexto pandêmico. Carregados de sentido, no âmbito das estéticas da vigilância, os mapas de calor não apenas monitoram a fisiologia do corpo no espaço, mas são usados também como uma ferramenta de rastreamento do comportamento do público diante de um site.<br>Coronário apropria-se do vocabulário visual do coronavírus para fazer um exercício crítico de “vigilância ao vivo”. Com isso, dá ao público a oportunidade de ver um procedimento corriqueiro de monitoramento de seus modos de acessar a Internet, geralmente invisível e ignorado. Ao mesmo tempo, o projeto discute o capital simbólico da atenção e o seu papel estruturante na economia do olhar que rege o mundo digital.]</p>



<p>Visite o <a href="https://coronario.ims.com.br">site da obra</a>.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c08d3-orfia.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14191 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p>Originário do Instituto de Artes e Design da UFJF, &nbsp;o <strong>Orfia&nbsp;&#8211; laboratório de transmutação visual]</strong> é um local imaginário para produzir,&nbsp;debater e&nbsp;pesquisar mídias e transmídias,&nbsp;se estruturando em um Laboratório aberto a todes que queiram potencializar sua produção artística e teórica.</p>
</div></div>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
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		<title>O Sadismo a troco do Paraíso &#8211; Parte II</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-ii/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Busca pelo Paraíso]]></category>
		<category><![CDATA[Cosmovisão Cristã]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[Teologia cristã]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Leia a <a href="https://bodoqueonline.art.blog/2021/01/24/o-sadismo-a-troco-do-paraiso-parte-i/">Parte I</a></em></p>



<p>Tento trazer para o debate, cada vez mais, a noção de cultura para complexificar as relações de gênero, raça e classe &#8211; e, nesse assunto, não poderia me distanciar desse conceito. A pretensão de que a cultura é um agente invisível contratado pelo espírito flutuante do comunismo (que irá corroer os bons costumes e tudo mais) acaba dando espaço para os &#8220;<em>filósofos do anti-marxismo cultural&#8221;</em> formados por Olavo de Carvalho. Na estrutura mais básica de sua narrativa, eles têm a também pretensa fórmula anti-ideológica &#8211; que, no entanto, age em favor dos bons costumes, das meritocráticas famílias brancas, do bom amigo racista, do querido tio homofóbico, do presidente que &#8220;pessoalmente, encontrei um cara doce, um homem dos anos 1950, como meu pai, e que faz brincadeiras homofóbicas, mas é da boca pra fora, um jeito masculino que vem desde Monteiro Lobato, que chamava o brasileiro de preguiçoso e dizia que lugar de negro era na cozinha&#8230;&#8221; como descreveu a namoradinha —intitulada nos anos 70 — do país.</p>



<p>Cultura, no entanto, é uma constante. Segundo Ruth Benedict, <strong>cultura é a lente com que enxergamos o mundo</strong> — alguns aproximam a sua explicação mais com o conceito de cosmovisão que, de certa forma, está também ligado à cultura —; contudo, tenho maior aproximação com as conclusões do antropólogo Clifford Geertz que, em linhas gerais, provocará toda a estrutura levantada até aqui. Ele dirá que a cultura existe antes do homem ser. <strong>O homem não é, portanto, apenas produtor de cultura; mas, também, num sentido biológico, produto dela</strong>. Alguns pensadores católicos, sobretudo, irão argumentar dizendo que o homem adquiriu a cultura à medida em que recebeu, do Criador, sua alma imortal. A cultura é um espaço de fomento, eu penso. Ela fomenta aquilo que um coletivo elenca como prioridade na sua própria organização. A cultura, nesse sentido, é a constante que fomenta a mutilação de genitálias (que afeta, ao menos, 200 milhões de mulheres ao redor do globo, segundo a matéria de Eva Ontiveros para a BBC World Service em 2019). É também a constante que mobiliza mulheres ao redor do mundo em prol de emancipação do gênero. A cultura sela um grupo pela comunicação também exercida na tradição.</p>



<p>Dentro da bolha dos seminários cristãos, dos grupos de estudo constituídos por cristãos na academia, muito tem sido falado sobre o conceito de<em> cosmovisão cristã</em>. Consta que o seu primeiro uso foi feito por James Orr em 1893, numa tentativa de apresentação da figura de Cristo à mentalidade moderna; assim sendo, houve um esforço para que a conversão não fosse um fim em si mesma, mas que sustentasse práticas contrárias ao que socialmente se entendia naquele instante na Europa enquanto &#8220;secularização&#8221;. Outro teórico que impulsionou o uso do conceito foi Abraham Kuyper, que, também no final do século XIX, lançava mão de esforços para pensar a fé cristã para além da vida religiosa, preocupando-se com a Igreja institucional responder às demandas de seu tempo não apenas pela via da defesa, mas através de propostas culturais; ou seja, diferentemente de Orr — que formulava a essência da cosmovisão cristã teologicamente —, Kuyper (fazendo jus a perspectiva Calvinista) estica o conceito para pensar as implicações públicas da atuação de um cristão na sociedade.</p>



<p>Ao longo do tempo, diversos outros indivíduos — que hoje entendemos como referenciais— se manifestaram quanto às proporções, à aplicabilidade e ao uso do conceito; já no século XX, se destacam Herman Dooyeweerd e Hans Rookmaaker. O primeiro apontará que a cosmovisão não é teórica, mas, sim, pré-teórica, pois não se trata de um conjunto de ideias (como Kuyper pontuava), mas anterior à teoria. Rookmaaker, por sua vez, irá expor o conflito que parte da pergunta: &#8220;Como posso ser um intelectual cristão?&#8221;; esse autor, portanto, desenvolverá os seus trabalhos apresentando não apenas os conflitos dos modelos de interação, mas também propondo formas ativas de manifestação do pensamento intelectual cristão nas dimensões da filosofia e estética, por exemplo. James Sire, em seu livro &#8220;Dando nome ao elefante&#8221; (2004), dirá que a cosmovisão é uma orientação do coração que se expressa nas ações/narrativas sobre aquilo que constitui a realidade e, nesse sentido, a cosmovisão não seria, necessariamente, fruto de algo consciente. Para Normam Geisler, a cosmovisão seria a lente com a qual enxergamos o mundo; interessante pensar que, para Ruth Benedict, seria esse o papel da cultura. Aqui, acredito que caberia uma discussão sobre a dimensão em que age cada conceito, seja no plano teórico, pré-teórico ou supra-teórico; no entanto, tendo em vista meu pouco arcabouço filosófico, opto por adiar tal discussão.</p>



<p>A partir desse resumo no que diz respeito a história do conceito, é possível perceber a força propositiva com a qual ele tem surgido na contemporaneidade, sobretudo quando analisamos o cenário político na América desde o início do século XXI. Especificamente, pensar o Brasil, em sua história de 2016 até o presente momento, é pensar na força dos usos do conceito de <em>cosmovisão cristã</em>. Mesmo que, teórica e historicamente, ele tenha se apresentado como um conceito de contínua formulação, hoje, ele tem sido regulado como cabresto nos sujeitos para que eles ajam segundo uma agenda proposta por grupos no poder. Numa onda de extremo-conservadorismo e neoliberalismo, o aparelhamento social da Igreja institucional, unido à política, ganha contornos segundo a força de um conceito que tem sido lido como imposição e/ou colonização das propostas cristãs na cultura, na economia e na sociedade, bem como demonstra a chamada &#8220;Teologia dos 7 montes&#8221; (desenvolvida nos EUA na segunda metade do século passado). </p>



<p>Os tais sete montes consistem em: Educação, Mídia, Governo, Religião/Igreja, Família, Negócios e Entretenimento. Nessa proposta, atuante no cenário brasileiro atual, há um perspectiva totalizante das concepções acerca do que é cristianismo e o que não é; consequentemente, concepções relativas a quem é cristão e quem não é. Através dessa lógica, estão mutilando sujeitos segundo a justificativa da &#8220;cosmovisão cristã&#8221;  &#8211; a qual, nesse ponto, tem sido monopolizada enquanto instrumento para excluir, oprimir e justificar todos os tipos de abuso que sujeitos podem sofrer dentro do espaço da comunidade de fé; tudo em nome daquilo que construíram e selecionaram enquanto significado da tal da cosmovisão cristã, que, de quebra, contraria a própria natureza do conceito.</p>



<p>Retorno ao ponto de que <strong>precisamos pensar as ações humanas não deslocadas de seus contextos e, para isso, pensamos cultura e cosmovisão</strong>. Essa última atinge um grupo com toda a força do tempo, totalizando as ações e servindo de parâmetro para que uns sejam considerados &#8220;cristãos puros&#8221; e outros, &#8220;cristãos corrompidos&#8221;. Essa linha de raciocínio é o que, em última instância, serve de prerrogativa para que um líder religioso desqualifique cristãs feministas quanto à genuinidade de sua fé, de sua crença, em reflexo da atuação e presença nesses espaços das que não são feministas (e, num breve comentário, há de se observar que o anti-feminismo tem sido, também, uma bandeira nesses mesmos espaços, o que faz referência ao que seria o correto segundo essa &#8220;cosmovisão cristã&#8221;).</p>



<p>A estrutura do atual governo federal é composta, em sua maioria, por oficiais do exército e religiosos e, pasmem (?), boa parte desses religiosos são originários de igrejas tradicionais que recuperam e fundamentam esse último conceito apresentado. A rigor, apresento o ministro da Justiça (um pastor presbiteriano) e o ministro da Educação (também pastor presbiteriano), ambos de tradição calvinista. Há, portanto, um interesse na atuação desses sujeitos que entendem seus respectivos ofícios como oportunidade de manifestarem a forma com que lêem a realidade. Assim sendo, sua atuação se dá num ímpeto redentivo do sistema, buscando remir a sociedade culturalmente, educacionalmente, economicamente, enfim. Há, ainda, líderes religiosos que já se sentem confortáveis para falar que o capitalismo constitui vontade divina. <strong>É a constante tentativa de viver o paraíso em vida, nem que isso signifique condenar o outro</strong>, que é diferente, a um sistema baseado mais nas opiniões do que, de fato, naquilo que qualifica teologicamente o paraíso. É o sadismo em sua plena forma.</p>



<p>Concluo dizendo que não acredito no descarte do conceito de &#8220;cosmovisão cristã&#8221;; ao contrário, acredito que também será por ele que, coletivamente, o homem mau será exposto, desqualificado e, finalmente, silenciado.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
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		<title>Quantas vidas vale um corpo perfeito?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[corpo perfeito]]></category>
		<category><![CDATA[Leiliane Germano]]></category>
		<category><![CDATA[opressão de gênero]]></category>
		<category><![CDATA[pressão estética]]></category>
		<category><![CDATA[saúde física]]></category>
		<category><![CDATA[saúde mental]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Leiliane Germano</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Qual o peso de um corpo perfeito na sua vida? Para muitas mulheres, isso custa a própria saúde. Um triste exemplo é a morte de Liliane Amorim, influenciadora digital de 26 anos, ocorrida em janeiro de 2021. A jovem morreu devido às complicações de uma cirurgia de lipoaspiração. Mas esse texto não é apenas sobre a Liliane; é também sobre padrões e dores causadas a tantas mulheres por uma sociedade que propaga o conceito de “corpo perfeito”.</p>



<p>Se você é uma mulher de quase trinta anos como eu, é certeza: você já achou alguma estria, celulite ou curvas pelo corpo em uma das suas visitas ao espelho. E isso é normal e não tem nada de feio &#8211; ainda que, diariamente, você ouça que não é normal e que é feio sim. Esse é seu corpo, suas marcas e suas histórias. Mas então, por que somos ensinadas a todo momento, desde a infância, a odiar nosso corpo? Por que vivemos em constante insatisfação com ele?&nbsp;</p>



<p>Uma pesquisa internacional da Pretty Foundation mostra que 38% das meninas de 4 anos estão insatisfeitas com seus corpos e 34% das crianças com 5 anos pretendem fazer dietas. E não para por aí! No Brasil, um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul com crianças de 8 a 10 anos aponta que 82% das&nbsp;crianças ouvidas desejavam uma silhueta diferente da sua. Entre os principais fatores associados a essa insatisfação estão baixa autoestima e percepção da criança de que havia a expectativa por parte dos pais e dos amigos para que ela fosse mais magra. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) aponta que nos últimos dez anos houve um aumento de 141% nos procedimentos estéticos realizados em jovens de 13 a 18 anos. Além disso, devido à essa alta busca por uma “estética perfeita”, o Brasil também é o quarto maior mercado de produtos de beleza.&nbsp;</p>



<p>Em 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) chamou a atenção para o fato de que 10% dos jovens brasileiros sofriam com algum distúrbio alimentar. Muitos desses distúrbios ocorrem justamente pela insegurança e a busca por um padrão de beleza que na maioria das vezes é inalcançável. Começamos desde cedo a ver crianças magras e com padrões corporais europeus protagonizando novelas infantis, enquanto meninas gordas são tratadas como tristes e rejeitadas entre os colegas de escola. Meninas que só se tornam pessoas felizes quando passam por dietas e uma transformação corporal drástica. É a partir daí, no período da vida em que formamos toda a nossa base de valores e entendimento do mundo, que recebemos imagens e conceitos que nos fazem acreditar que existe um corpo ideal. Um perfil aceito por todos, onde devemos nos encaixar para sermos aceitas na sociedade.</p>



<p>A jornalista Agnes Arruda desenvolveu a pesquisa “O peso e a mídia: uma autoetnografia da gordofobia sob o olhar da complexidade”, a primeira tese da área da Comunicação no Brasil que aborda o tema gordofobia por esse viés. Através desse estudo, a pesquisadora aponta como a reprodução de produtos midiáticos baseados em padrões de beleza servem de exemplo para as futuras gerações gordofóbicas. Enquanto um mercado midiático e de produção de cosméticos cresce de forma disparada, lucrando com toda uma construção corporal baseada em um padrão que é sempre inalcançável, adquirimos uma visão deturbada sobre nossos corpos desde cedo. Somos ensinadas a nos odiar, a achar que sempre estamos precisando melhorar algo, esconder falhas, emagrecer mais e buscar uma beleza que muda diariamente conforme os lucros da indústria da moda e estética. Somos ensinadas a odiar o espelho e brigar com nosso próprio &#8220;eu”, adoecendo por não nos se encaixarmos em tantos moldes. Quantas de nós precisarão morrer até que os padrões sejam jogados por terra? Precisamos quebrar o preconceito ao redor do corpo gordo e entender que padrões discriminam, violentam e adoecem.</p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong><strong> Leiliane Germano </strong></strong>é jornalista, social media, fundadora do projeto <a href="https://www.instagram.com/papodeminas/">Papo de Minas</a>, feminista, ecossocialista, pesquisadora do tema &#8220;Cultura do Estupro&#8221; e integrante do <a href="https://www.instagram.com/movimentoolga.mg/">Movimento Olga Benário</a> e do <a href="https://www.instagram.com/8mjuizdefora/">Fórum 8M Juiz de Fora</a>. </p>
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		<title>Por que o Clube ainda importa?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Clube da Esquina]]></category>
		<category><![CDATA[Juliano Dias]]></category>
		<category><![CDATA[Musicalidade Mineira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Juliano Dias</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Constantemente me faço o dever de revisitar e descobrir algumas obras que perpassam um pouco da nossa trajetória musical: uma riquíssima trajetória de música brasileira, que afinal de contas, nos ajuda a entender nós mesmos enquanto possibilidades de povos e de diversos Brasis. Enquanto um jovem de 20 anos, faço jogo limpo: obras até meados dos anos 90 vieram ao mundo enquanto eu ainda não era nem um plano, quiçá ideia, e, justamente, o esforço é achar &#8211; nesses balanços que o mundo deu enquanto muitos de nós não estávamos aqui ainda – as muitas e muitas partezinhas de nós como somos hoje, os porquês e mais porquês. Enfim, foi nessas que eu me deparei com o Clube da Esquina.</p>



<p>O Clube da Esquina foi um movimento, uma conjunção, disco, música e caracterização atemporal de uma época. É errante, ao tom que o Clube sempre se propôs, figurar Bituca como o cabeça, ou o “principal” dentre aqueles que ali estavam, apesar de ser inegável que Milton Nascimento viria a ser a persona de mais destaque e frutífera ali dentro, consequentemente o encabeçando. O movimento, nascido, erguido e criado em Minas Gerais na grande BH, surgiu a partir do encontro de Milton com a família Borges (de forma bem resumida), onde tornou-se amigo de Márcio e mais à frente de Lô. Pessoas que conjuntos a um ir e vir, se uniam e se encontravam por várias afinidades, mas sobretudo: pela música. O Clube foi um agregado de gente que ocupou além do espaço da casa dos Borges, da esquina e dos palcos: figurou em um lugar que transcende a compreensão espacial e temporal.</p>



<p>A esquina é justamente a que os Borges moravam, na qual ao longo da década de 60, vários amigos e conhecidos passariam por ali, se dialogando, trocando poesia, música e proza. Figura nesse pessoal: Lô Borges, Beto Guedes, Tavinho Moura, Tavito, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Toninho Horta, Wagner Tiso, Milton Nascimento e mais uma pá de gente (como o próprio Bituca costuma dizer). Desses é que surge o clássico álbum “Clube da Esquina” (1972), que viria a figurar nas minhas degustações de passados que não vivi, mas vivo.</p>



<p>A musicalidade impressionantemente mundial e mineira emerge da mistura, da congregação que os próprios insistiram em gestar: tem bossa, jazz, música latina, rock n roll, de forma consonante a mentes que respiravam poesia e um descompromisso que dá gosto de sentir. Visto daqui do futuro, ano em que o disco comemora 49 anos de existência, me parece justo o colocar numa categoria a parte, como uma entidade, talvez, de tudo aquilo que uma geração sonhou e projetou, e que, por resistência do tempo, projetam até hoje. A propósito, o significado de “clube” geralmente se implica pela junção, união, congregação &#8211; e isso ainda importa?</p>



<p>No mínimo devemos nos perguntar isso a todo instante nesses últimos tempos em que, de forma não virtual, há tempos não sabemos o que é um. Os Clubes, propriamente ditos, figuram como esse exato instrumento de junção de pares, que se reúnem com dado fim, possuindo um caráter de expansão ou não, ou de propriamente definição de limites para as afinidades trocadas. A música, como semente da expressão humana, se faz a partir de um desencaixe de tempo-espaço, ela transcende. O sociólogo Anthony Giddens, que dedica grande parte de seus estudos à modernidade, insiste corriqueiramente em demonstrar as estruturais sociais, a partir de uma desconstrução e realocação a todo instante do tempo-espaço. Tal processo é ainda mais voluptuoso à medida que avançamos numa globalização cada vez mais “globalizante”. Por tanto, entendemos que tempo e espaço são fluídos, são relativos, coexistem, e é mais ou menos por esse caminho que desejo constituir a reflexão aqui.</p>



<p>As melodias místicas e doces, atravessam um grande mar de paradoxos, esses mesmos que a modernidade carrega consigo. O grito de uma geração reprimida por uma ditadura, por um Brasil que dentro de si carregava vários projetos, estranhamente ainda é familiar, até mesmo para aqueles que não o viveram, como eu, mas que, ainda sim, vivem nos sombrosos tempos atuais.</p>



<p>O Clube importa para estarmos cientes de que é infindável o seu alcance, como o próprio Bituca cita no livro de memórias de Márcio Borges “Sonhos não envelhecem” (2000): “E mais uma vez, penso que o Clube não pertencia a uma esquina, a uma turma, a uma cidade, mas sim a quem, no pedaço mais distante do mundo, ouvisse nossas vozes e se juntasse a nós.” Me faço no dever de juntar a esses que tão bem correspondem aos anseios de quem ainda resiste e persiste. Vale o apreço pelas músicas e obras, que, a propósito, foram muito além desse disco homônimo. Um gênero mineiro, das montanhas, dos trilhos do trem, da contemplação e da urgência de uma vida livre e menos desigual. Tal transcendência que perpassei há de ser um local onde possamos repousar nossos sonhos por ora, pois, afinal de contas, eles não envelhecem.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0422c-juliano-dias.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14148 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>&nbsp;Juliano Dias Guimarães </strong></strong>é Bacharel em Ciências Humanas e graduando em Ciências Sociais pela UFJF. Amante dos bons sons e de cultura pop chinfrin.</p>
</div></div>



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		<title>Ressignificando a Carreira depois dos 40</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Aprendizado]]></category>
		<category><![CDATA[Augusto Medeiros]]></category>
		<category><![CDATA[comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Jornalismo]]></category>
		<category><![CDATA[Mindset]]></category>
		<category><![CDATA[Noção de sucesso]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Augusto Medeiros</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Começo este artigo falando sobre o fim. Para ser mais claro, o começo do fim da <strong><em>Crise dos 40</em></strong>. E você vai saber qual é esse fim, se ficar comigo nesse artigo até o último parágrafo. Oi, eu sou o Augusto Medeiros, pernambucano, jornalista, criador de conteúdo, gerente de projetos, ator, roteirista. E tenho 44 anos. Essa história é sobre mim, mas pode ser bem parecida com a sua. Por isso, faço o convite a uma reflexão.</p>



<p>Não sei se todos, mas ouso afirmar que boa parte dos seres humanos passa pelo complexo questionamento sobre os rumos da vida a partir dos 40 &#8211; principalmente aqueles de <strong><em>Mindset de Crescimento</em></strong>, como explica a psicóloga Carol Dweck, autora do livro <strong><em><a href="https://www.amazon.com.br/dp/8547000240/ref=tsm_1_fb_lk">Mindset &#8211; A nova psicologia do sucesso</a></em></strong>. Fazendo uma breve explicação, ela afirma que as pessoas que se encantam pela condição de estar sempre aprendendo, mantém-se em constante desenvolvimento; já as pessoas de <strong><em>Mindset Fixo</em></strong>, gastam muita energia provando aos outros e a si mesmo o seu perfil intelectual estático. No meu caso, confesso que me identifiquei, em alguns momentos, com o fixo e, mais recentemente, com o de crescimento.</p>



<p>Os sinais mais evidentes da crise dos 40 surgiram após uma extraordinária experiência de intercâmbio cultural na Europa, por um período de três meses, divididos entre Londres e Berlim. Ao voltar para o Brasil, começaram as crises de ansiedade. Digo que era o sufocamento causado pela necessidade de mudança. O corpo não só fala, como também pode gritar, caso você ignore um diálogo pacífico com os sintomas. Depois da gritaria, iniciei um lindo processo de mudança de vida. Hoje, falo com orgulho sobre tudo o que passei e, espero poder ajudar outras pessoas que passam por esse momento tão delicado, de decisões importantes sobre o futuro.</p>



<p>Vivi intensos 17 anos de carreira como repórter de Televisão. Uma paixão de causar incêndio. Vocação e determinação para contar histórias, a qualquer momento, sem pausa.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e0ce2-foto-fantastico.jpg?resize=950%2C502&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14211" width="950" height="502" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>E foi esse o meu questionamento aos 40. Será que aquele era o ritmo adequado para os meus dias? O exagero levou ao esgotamento. A decisão foi mudar de rumo. Pedir demissão, mudar de país, mudar de vida. Sei que muitos não conseguem. É um movimento que requer coragem e planejamento, inclusive financeiro. Foi aí que o <strong>Mindset de Crescimento</strong> ganhou força. Busquei novos conhecimentos. Achei tempo onde não parecia existir e concluí um MBA em Gerenciamento de Projetos pela FGV. Era exatamente a fraqueza que eu precisava fortalecer para planejar e executar a mudança.</p>



<p>Aqui vai uma dica de quem já passou por tudo isso e sente que, agora, está fechando o ciclo da crise: Respeite seus limites. Escute suas emoções e seu corpo. Foi o que fiz, mesmo que um pouco tarde. Era preciso parar tudo. Mudei para a Alemanha e passei um ano estudando o idioma alemão, sem compromissos profissionais. Você já pode questionar nesse momento sobre o luxo de ficar sem trabalhar, mas não se esqueça que falei sobre planejamento financeiro mais atrás. E também, tem relação com prioridade. Algumas pessoas podem gastar em bens de consumo; eu decidi investir em conhecimento e na minha qualidade de vida.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f4a40-foto-berlim.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14214" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<p>Do momento em que cheguei à Alemanha, começou um período de desconstrução. É parte do processo. Ainda cheguei a fazer minha primeira reportagem internacional, que foi ao ar no Fantástico, sobre um brasileiro desaparecido em Hamburgo. Eu ainda não havia parado totalmente, e o corpo gritou mais uma vez. Foi então que resolvi ser mais radical e suspender o início da carreira como correspondente internacional. Só aí, o silêncio que eu precisava, finalmente, começou a me acalmar.</p>



<p>Durante cerca de seis meses, eu não sabia o que faria, profissionalmente. De fato, era a etapa da desconstrução, da busca pelo autoconhecimento e pelo propósito. Por fim, comecei a namorar mais uma vez com a comunicação, que é a minha verdadeira vocação. Criei dois projetos. O primeiro deles, o <strong><em><a href="https://www.youtube.com/channel/UCUTalSYOyE4Sv0Jj2t_pDFQ">Mudar é Possível</a></em></strong>, um canal no YouTube para compartilhar minhas experiências de mudança de vida. Depois, vieram novos quadros, como as entrevistas com especialistas; as histórias contadas por outras pessoas, também sobre mudança de vida; e o compartilhamento das minhas mudanças na prática.</p>



<p>O segundo passo, que já foi uma reaproximação maior com o jornalismo, foi a criação do canal <strong><em><a href="https://www.youtube.com/channel/UCjy0R55YqUpOY30oMLHnCiQ">Mais Berlim</a></em></strong>, sobre viagem e cultura em Berlim. Também criei uma revista online, parte do projeto <strong><em>Mais Berlim</em></strong>. Ambos os projetos foram a base para a reconstrução da carreira, com um novo significado.</p>



<p>Consigo me enxergar, hoje, como um jornalista atualizado, com o YouTube, com as Redes Sociais, com as ferramentas de Marketing Digital. Por isso, falo com orgulho sobre a mudança de vida. Aprendi muito na reconstrução. Agora sei mais sobre a linguagem da internet e sobre o tipo de conteúdo que as pessoas buscam. Aprendi a editar vídeos, a construir um site, a fazer anúncios no Google e no Instagram e a produzir criativos para redes sociais. Descobri que existiam novas profissões na comunicação, como copywriting e gerente de comunidades. Ou seja, atualizei-me, sem perder o amor pela comunicação.</p>



<p>Mas e agora, qual é o início do fim desse ciclo, que eu prometi contar? Depois de tudo o que passei, tenho mais clareza de que exagerei na medida do meu envolvimento com a profissão. Claro que notícia não tem hora para acontecer e que devemos nos dedicar para nos desenvolvermos, mas vou citar mais uma vez o livro da PhD Carol Dweck. <strong>Quando focamos nossa carreira no sucesso, na fama, no rótulo de &#8220;o melhor&#8221;, nos elogios, corremos o risco de nos aprisionarmos a uma mentalidade fixa</strong>.</p>



<p>Hoje, estou sim, voltando à ativa como repórter.  Porém, não quero focar no sucesso; quero focar no meu desenvolvimento contínuo, com a sensação leve de estar aprendendo todos os dias. O sucesso pode ser uma consequência.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ad69a-augusto-medeiros.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14216 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Augusto Medeiros</strong></strong> é jornalista que adora criação. Fazedor de multitarefas. Repórter de TV, apresentador, criador de conteúdo digital, youtuber, roteirista, ator e gerente de projetos.</p>
</div></div>



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		<title>Fazer as pazes com a natureza é possível, se começarmos agora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Iniciativas Sustentáveis]]></category>
		<category><![CDATA[meio ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Em artigo de opinião para o lançamento do relatório&nbsp;Fazer&nbsp;as pazes com a natureza, a diretora executiva&nbsp;do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA),&nbsp;Inger Andersen, lembra que os desafios ambientais, sociais e econômicos estão interligados e precisam ser enfrentados juntos.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ela pede que todos os países alimentem o mundo sem destruir a natureza, sem derrubar florestas e sem esvaziar os oceanos, adotando sistemas que reaproveitem recursos, reduzam emissões de carbono e eliminem produtos químicos.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Leia a íntegra a seguir.</em></p>



<div style="height:33px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Mesmo em meio a pandemia, 2021 pode ser o ano em que fizemos as pazes com a natureza e começamos a recuperar o planeta.</p>



<p>Na medida em que a COVID-19 vira nossas vidas de cabeça para baixo, uma crise mais persistente demanda ação urgente em escala global. Três crises ambientais – mudanças climáticas; perda e &nbsp;colapso da natureza; poluição do ar, do solo e da água – somam-se à emergência planetária que irá causar, no longo prazo, mais dor do que a COVID-19.</p>



<p>Durante anos, cientistas têm detalhado como a humanidade está degrandando a terra e os sistemas naturais. Ainda assim, as ações que estamos tomando – de governos e instituições financeiras a empresas e indivíduos – são muito menores do que é necessário para proteger as atuais e futuras gerações de um planeta estufa, assolado por extinções massivas das espécies e água e ar envenenados.</p>



<p>Em 2020, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) anunciou que, apesar da queda nas emissões de gases de efeito estufa provocada pela pandemia, o mundo continua seguindo para um aquecimento global acima de 3 graus Celsius neste século.</p>



<p>Neste mês, o Relatório Dasgupta nos lembrou o que o PNUMA tem alertado há tempos: o estoque per capita de capital natural – recursos e serviços que a natureza dá para a humanidade – caiu 40% em apenas duas décadas. E sabemos que um número assustador de 9 a cada 10 pessoas em todo o mundo respira ar poluído.</p>



<p>Encontrar respostas para problemas tão gigantescos é complexo. Leva tempo. Mas peritos têm desenvolvido soluções. O racional econômico é claro. E os mecanismos e instituições para implementá-los já existem. Não há mais desculpas.</p>



<p>Neste ano, a ONU reunirá governos e outros atores para conversas decisivas sobre ação climática, biodiversidade e degradação da terra. A COVID-19 tem atrasado estas cúpulas e complicado suas preparações. Novamente, isto não é desculpa para a inércia. Estes encontros devem mostrar que o mundo finalmente leva a sério o enfrentamento da nossa emergência planetária.</p>



<p>Para guiar os tomadores de decisão rumo à ação necessária, a ONU lançou o relatório&nbsp;<em>Fazer&nbsp;as pazes com a natureza.</em>&nbsp;Ele reúne todas as evidências do declínio ambiental a partir dos maiores levantamentos globais científicos, com as ideias mais avançadas sobre como revertê-lo. O resultado é um modelo para um futuro sustentável que possa garantir o bem estar humano num planeta saudável.</p>



<p>Nossos desafios ambientais, sociais e econômicos estão interligados. Eles devem ser enfrentados juntos. Por exemplo, não podemos alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, incluindo o fim da pobreza até 2030, se as mudanças climáticas e o colapso de ecossistemas estão comprometendo o abastecimento de água e alimentos nos países mais pobres do mundo. Não temos escolha a não ser transformar nossas economias e sociedades, valorizando a natureza e colocando a saúde dela no centro de todas as nossas decisões.</p>



<p>Se fizéssemos isto, bancos e investidores parariam de financiar combustíveis fósseis. Governos trocariam trilhões de dólares em subsídios para agricultura de natureza positiva e energia e água limpas. As pessoas priorizariam a saúde e o bem-estar no lugar do consumo e encolheriam a pegada ambiental.</p>



<p>Há sinais de progressos mas os problemas estão aumentando mais rápido do que nossas respostas. Todos nós precisamos não intensificar mas sim dar um salto em 2021.</p>



<p>O número de países prometendo trabalhar para emissões zero de carbono já está em 126. O chamado é para que todos os países entreguem reforçadas Contribuições Nacionalmente Determinadas antes da COP do clima e imediatamente lancem a transição para a emissão zero. Durante a COP Climática, governos devem finalmente concordar com as regras do mercado global de carbono. Os 100 bilhões de dólares que os países desenvolvidos prometeram dar todos os anos para ajudar as nações em desenvolvimento a lidar com os impactos das mudanças climáticas devem finalmente fluir.</p>



<p>Enquanto também procuramos concordar com um esquema ambicioso de biodiversidade pós-2020, que acabe com a fragmentação de nossos ecossistemas, o pedido é para que nós alimentemos o mundo sem destruir a natureza, sem derrubar florestas e sem esvaziar nossos oceanos.</p>



<p>Podemos criar uma economia surpreendente ao mudar para sistemas econômicos circulares, que reaproveitem recursos, reduzam emissões e eliminem químicos e toxinas que estão causando milhões de mortes prematuras – tudo enquanto criamos empregos.</p>



<p>Enfrentar nossa emergência planetária é um esforço de toda a sociedade. Mas os governos devem liderar, começando com uma recuperação inteligente e sustentável da pandemia da COVID-19, que invista nos lugares certos. Eles devem criar oportunidades para que indústrias futuras gerem prosperidade. Eles devem garantir que as transições sejam justas e igualitárias, criando empregos para aqueles que os perderam. Eles devem dar voz aos cidadãos nestas decisões de longo prazo, mesmo que virtualmente.</p>



<p>Podemos fazer. A pandemia tem mostrado a incrível capacidade da humanidade em inovar e responder a ameaças, guiada pela ciência. Nas três crises planetárias &#8211; mudanças climáticas, perda da natureza e poluição -, enfrentamos uma ameaça maior do que a COVID-19. Neste ano, devemos fazer as pazes com a natureza e, nos anos seguintes, devemos garantir que esta paz perdure.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/112340-artigo-fazer-pazes-com-natureza-e-possivel-se-comecarmos-agora" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 18/02/2021 – Atualizado em 18/02/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>[Podcast] a Terceira temporada está imperdível</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Bate-papo]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<hr class="wp-block-separator" />



<p>No episódio de hoje, o Fred trouxe um panorama geral sobre o projeto, apresentando os desafios e as oportunidades que a mídia oferece e as escolhas metodológicas que nos fizeram mudar o formato e o modo como o podcast é conduzido.</p>



<p>Não perca os próximos episódios!</p>



<p>Aperte o play e boa audição!</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Terceira temporada chegou e está IMPERDÍVEL!" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/episode/4HPediJm9ISYmrgRIID5HW?utm_source=oembed"></iframe>
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<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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		<title>Isolamento In&#8217;Verso</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carol Cadinelli</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/isolamento-inverso/">Isolamento In’Verso</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Fecham-se as portas da rua,
Abrem-se as janelas da mente.

A gente é obrigada a procurar
Beleza no cotidiano doméstico 
Tentando não surtar
Fora do day-by-day frenético.

Acredite ou não,
Essa beleza não é tão
Difícil de achar.

As janelas são quase o suficiente
Pra instigar a criatividade crua
Aquela tão nua
Que só se vê raramente.

Em vinte dias, eu pensei
Tanta coisa que já nem sei
Mais o que eu queria escrever
Sobre janelas
Sobre vielas
Sobre mazelas;

Mas em vinte dias
Eu descobri vias
Pra perceber
Múltiplas vidas
No meu próprio ser.</pre>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8a636-carolcad-bio-2-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-12212 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Carol Cadinelli</strong>&nbsp;</strong></strong></strong></strong>é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora, colunista e repórter na Trama. </p>
</div></div>



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		<title>Uma Folha, um limbo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Maricilde Pinto]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Maricilde Pinto</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Ela desce cuidadosamente pelo céu,
Revira-se nas cócegas do vento
Cortando ao meio cada pano fino e azul estendido lá em cima
Com manchas brancas de algodão.

De onde viria?
Saberia a natureza do seu destino?
Digo que a árvore que a pariu voltou ao chão
E do chão emergirá como outra,
Parente em espécie.

Lembro de casa, da rua, do cheiro de chá
Antes, a rancava dos mais finos galhos para servir a chaleira
Hoje, inveja.
Ela não procura a razão de ter subido ao mundo.
Eu, rente ao chão, a descubro na minha miséria e no cabresto do chinelo arrebentado.

Meus pés sentem raízes nas pontas dos dedos
No meu juízo: a gambiarra não mais o sustenta.
Quem sabe descalço permaneço no sempre e ganhe essa leveza
Em voo e delicadeza
Como um homem carregado pelo tempo.
 
E quando a natureza cansar da brincadeira céu adentro,
Me faça gente e devolva a memória.
Ao tocar o chão novamente,
Alimentarei o mundo com o meu fraco e esperançoso desejo
De agora ser o fruto tirado dos galhos
Ainda verde,
Ainda vivo,
Ainda alimento a que veio.</pre>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/81a19-maricilde-pinto.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13970 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Maricilde Pinto </strong></strong></strong></strong></strong>é uma poetisa maranhense, contista e redatora. Estudante de Psicologia pela Universidade Federal do Maranhão, é autora do livro “<a href="https://www.amazon.com.br/Retalhos-que-ser-humano-sentimentos-ebook/dp/B085ZBXTPY/ref=sr_1_1?__mk_pt_BR=ÅMÅŽÕÑ&amp;dchild=1&amp;keywords=retalhos+do+que+é+ser+humano&amp;qid=1612714465&amp;sr=8-1">Retalhos do que é ser humano</a>” e o livreto &#8220;O amor há de sobreviver&#8221;, ambos publicados em e-book pela Amazon. A escritora tem amor à arte e deseja levar ao mundo o que há de mais urgente na palavra.</p>
</div></div>



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</div></div>
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]]></content:encoded>
					
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		<item>
		<title>Rumo ao Infinito</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/rumo-ao-infinito/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 079]]></category>
		<category><![CDATA[Cleverson Borges]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=14158</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Cleverson Borges</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/02/21/rumo-ao-infinito/">Rumo ao Infinito</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">uma hora a vida apruma
se arruma
e ruma ao infinito
uma hora a vida grita
se agita
e supera suas expectativas
uma hora tudo para
desacelera
e você pensa que 'já era'
também pudera
a vida que é vida bela
por si só já vale a pena
uma hora fará sentido
eu afirmo
e quando perceber tá garantido
é só sorriso
e tudo será mais bonito</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/426c1-cleverson-borges.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13914 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Cleverson Borges </strong></strong></strong></strong>é bacharel em Direito e dedica parte do tempo livre na produção de poesias. Acredita que sua paixão pelas palavras pode servir de inspiração e conforto àqueles que se dispuserem a se deliciar na leitura. Conheça mais do trabalho do autor no <a href="https://www.instagram.com/ceborgs/">Instagram</a>.&nbsp;</p>
</div></div>



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<p></p>
</div></div>
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