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	<title>Arquivos Ano 003, N 084 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>SOBRE OS TRAUMAS DO BRASIL</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[Ditadura Militar]]></category>
		<category><![CDATA[Esquecimento histórico]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[Período Escravocrata]]></category>
		<category><![CDATA[Traumas do Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luan Pedretti</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Como ficará a memória dos mortos pela COVID-19 no Brasil, futuramente? Como serão lembradas, as vítimas do vírus? Como será lembrado, o comportamento dos governantes?</p>



<p>Acredito que estas questões, apesar de já sermos capazes de especular respostas, só poderão ser respondidas no futuro. Porém, é possível que olhemos para o passado e reflitamos sobre o nosso presente. Existem, na história do Brasil, momentos que deixaram traumas para a sociedade: acontecimentos que atingiram a grupos ou à população como um todo e que não receberam políticas de memória, com o objetivo de evitar a reflexão histórica sobre o acontecimento em si e sobre os resquícios que ele poderia deixar para as futuras gerações.</p>



<p>Um exemplo destas feridas sociais é o sistema de escravidão, que vigorou por quase 400 anos da história de um país que tem pouco mais de 500 anos de existência. Mais de 2/3 dessa existência do Brasil foi sob um regime que explorava, subjugava e desumanizava índios, negros e os descendentes dessas populações. A nível global, no século XIX, houveram diversas teorias e produções científicas, realizadas sobretudo no continente europeu, que tentavam comprovar a inferioridade daqueles sujeitos a partir de suas características físicas e culturais. O que não foi comprovado.</p>



<p>No Brasil, esse complexo sistema de escravidão (que era a base da sociedade) foi abolido com pouco mais de dois parágrafos de uma lei e sem nenhuma política de inserção daqueles explorados na nova sociedade trabalhista &#8211; muito menos indenização pelos anos de exploração. A atitude do ministro Rui Barbosa em queimar os documentos que comprovavam a existência de um sistema de escravidão demonstra como o Brasil daquela época não queria lembrar do seu passado.</p>



<p>Durante todo o século XX, a teoria eugenista de branqueamento da população brasileira através da miscigenação foi amplamente incentivada pelo Estado Brasileiro, fomentando a imigração de pessoas do continente europeu. A criação da ideia de uma dita democracia racial, onde todas as raças conviveriam harmoniosamente, sem conflitos, foi vendida para o resto do mundo, exportando a ideia de um “paraíso das raças”. Tudo isso para mascarar a existência de traumas deixados pelo sistema de colonização e escravização, presentes até os dias de hoje em todas as sociedades atlânticas que foram palco para a presença da instituição escravista. <strong>A escravidão deixa traumas até os dias de hoje</strong>. Exemplo desses resquícios pode ser o caso dos três meninos negros, Lucas Matheus, Alexandre da Silva e Fernando Henrique, que estão desaparecidos desde o natal de 2020 e não há nenhuma comoção ou mobilização nacional para descobrir o paradeiro dessas crianças<a href="#_ftn1"><sup>[1]</sup></a>. Ou o caso do menino João Pedro, que foi assassinado dentro de casa<a href="#_ftn2"><sup>[2]</sup></a>. Ou, também, o caso das duas meninas negras, Emily Victória e Rebeca Beatriz, que foram assassinadas na porta de suas casas<a href="#_ftn3"><sup>[3]</sup></a>. Todos esses casos aconteceram durante a pandemia da Covid-19 no Brasil.</p>



<p>Na segunda metade do século XX, com o &#8220;perigo comunista&#8221; rondando o globo, uma série de golpes &#8211; uns militares, outros civis-militares &#8211; foram sendo realizados por toda a América Latina. Os militares tomavam o poder por diversos motivos, mas a justificativa principal era a de afastar o perigo comunista do país, muitos influenciados por um imperialismo norte-americano capitalista. Dentro deste regime, os impedimentos de direitos políticos dos cidadãos, bem como a perseguição e o assassinato de todos aqueles que eram considerados subversivos, opositores ao regime, comunistas. No Brasil e em diversos países vizinhos foi assim.</p>



<p>A Ditadura militar brasileira caiu em 1985, mas a presença do autoritarismo é marcada até os dias de hoje na política e na vida social. O presidente está lutando pelo direito de comemorar o dia 31 de março, data que é marcada pelo início desse período que manchou a história do país de sangue<a href="#_ftn4"><sup>[4]</sup></a>. E aqueles que foram mortos pelo regime? Qual tipo de justiça receberam por seus assassinatos? Somente no ano de 2011, foi instituída uma Comissão Nacional da Verdade, a fim de elucidar os fatos ocorridos naquele período. Apesar de já existir diversas pesquisas acadêmicas questionando e reconstruindo o período, foi necessário uma pessoa que foi perseguida, presa e torturada durante o regime, chegasse à cadeira da presidência para minimamente iniciar um movimento por parte do Estado de reconhecer e reparar os danos causados por ele mesmo.</p>



<p>A Escravidão e a Ditadura Militar talvez sejam os dois maiores exemplos destas feridas sociais que atingem a um grupo ou ao país como um todo, e que não é devidamente pensado nas consequências que deixaram para aqueles que foram diretamente atingidos pelas ações do Estado. Encaminhando para as considerações finais, algumas questões me vêm após esta breve reflexão. Entendo que o vírus SARs-COV2 é um fator biológico, diferentemente da Escravidão e da Ditadura Militar que foram ações humanas; mas também entendo que o Estado tinha poder para evitar que chegássemos a 300 mil mortos. Como será a reparação para aquelas famílias que foram destruídas pela pandemia da COVID-19? Como essas pessoas serão lembradas futuramente? O Brasil vai forçar o esquecimento como sempre faz?</p>



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<p><a href="#_ftnref1"><sup>[1]</sup></a> G1 &#8211; 27/02/2021 &#8211; Desaparecimento de meninos de Belford Roxo completa 2 meses sem pistas sobre paradeiro &lt;<a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/02/27/desaparecimento-de-meninos-em-belford-roxo-completa-2-meses-sem-pistas-sobre-paradeiro.ghtml">https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2021/02/27/desaparecimento-de-meninos-em-belford-roxo-completa-2-meses-sem-pistas-sobre-paradeiro.ghtml</a>&gt; Acesso em 24 de março de 2021</p>



<p><a href="#_ftnref2"><sup>[2]</sup></a> G1 &#8211; 23/06/2020 &#8211; No dia em que João Pedro completaria 15 anos, mãe do menino faz desabafo: &#8216;dor só aumenta&#8217; &lt;<a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/06/23/no-dia-em-que-joao-pedro-completaria-15-anos-mae-do-menino-faz-desabafo-dor-so-aumenta.ghtml">https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/06/23/no-dia-em-que-joao-pedro-completaria-15-anos-mae-do-menino-faz-desabafo-dor-so-aumenta.ghtml</a>&gt; Acesso em 25 de março de 2021</p>



<p><a href="#_ftnref3"><sup>[3]</sup></a> G1 &#8211; 05/12/2020 &#8211; Meninas de 4 e 7 anos são mortas em tiroteio em Duque de Caxias &lt;<a href="https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/12/05/criancas-morrem-em-tiroteio-em-duque-de-caxias.ghtml">https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/noticia/2020/12/05/criancas-morrem-em-tiroteio-em-duque-de-caxias.ghtml</a>&gt; Acesso em 25/de março de 2021</p>



<p><a href="#_ftnref4"><sup>[4]</sup></a> O Globo &#8211; 17/03/2021 &#8211; Justiça acolhe recurso do governo federal por direito de comemorar o gilpe militar de 1964 &#8211; &lt;<a href="https://oglobo.globo.com/brasil/justica-acolhe-recurso-do-governo-federal-por-direito-de-comemorar-golpe-militar-de-1964-24929633">https://oglobo.globo.com/brasil/justica-acolhe-recurso-do-governo-federal-por-direito-de-comemorar-golpe-militar-de-1964-24929633</a>&gt; Acesso em 24 de março de 2021</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/581c8-luan-pedretti.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13805 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luan Pedretti </strong></strong>é mestrando em Educação pelo PPGE/UFJF, professor de História, integrante do Movimento Negro em Juiz de Fora pelo Coletivo Negro Resistência Viva.</p>
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		<title>#AlôFamília &#8211; Racismo Estrutural</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[#AlôFamília]]></category>
		<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[Alô Família]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[Racismo Estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Se engana quem pensa que o racista brasileiro tem carteirinha. Não é assim. Mas, infelizmente, não dá pra dizer que “ninguém no Brasil aceitaria ter uma carteirinha de racista”, porque várias imagens de manifestações mundo afora sugerem que muita gente aqui curtiria uma identificação assim. Aliás, há uma instituição ainda ativa nos EUA que oferecia – e talvez ainda ofereça – carteirinha de racista a seus afiliados. O nome dela é Ku Klux Klan (também chamada de “KKK”, mas isso não tem graça nenhuma), e ela tem muitos fãs no nosso país.</p>



<p>Acho que, em geral, no Brasil, as pessoas assumem comportamentos e falas racistas sem nem se darem conta – mas isso não serve de desculpa, é claro! Estranhou um negro com um carrão novo, lindo? Racismo. Confundiu o médico negro com o motorista da ambulância? Racismo. Achou que a senhora negra na portaria do prédio era faxineira esperando alguém? Racismo. Fechou a janela quando a criança ou o adolescente preto se aproximou do seu carro no semáforo? Racismo. Sim: se você que está lendo esse texto já fez alguma dessas coisas, você já foi racista pelo menos uma vez na vida. “Errou feio, errou rude”.</p>



<p>“Ah, Luciano&#8230; Aí não, né? Vou deixar me roubarem primeiro? Muitos desses moleques ficam esperando no sinal pra roubar a gente”.</p>



<p>Esse é um exemplo clássico do racismo mais frequente e mais duro de combater: aquele que parece sustentado pela lógica, pela estatística, mas que não passa de uma meia verdade, ou, como se fala no Rio de Janeiro, um “caô”.</p>



<p>A metade verdadeira dessa ideia é o fato incontestável de que acontecem, mesmo, muitos assaltos em semáforos, e que, muitas vezes, quem os pratica são crianças e adolescentes pretos. A metade falsa é relacionar o comportamento criminoso de alguns indivíduos à cor da pele da maioria, deixando de fora a condição histórica e econômica que empurrou a todos eles para aquela situação. Além disso, também precisa entrar nessa conta o seguinte: pensando direitinho, se todo mundo lesse os contratos bancários que assina, veria que eles, os bancos, enganam e roubam muito mais gente que os meninos nos faróis, com muito mais frequência, provocando um prejuízo muito maior a longo prazo, e eu não me lembro de nenhum dono de banco que seja preto – se há, é exceção. &nbsp;Logo, fechar a janela com medo de perder dinheiro pro suposto ladrão preto e abrir o bolso pro assumido gatuno branco, é, noves-fora, racismo.</p>



<p>E aí está o motivo de eu dizer que, na minha opinião, a maior parte das pessoas no Brasil é racista sem nem se dar conta – e isso não as desculpa, repito. As mesmas pessoas que dizem, sem nenhum constrangimento, que precisam tomar cuidado com seus pertences nos semáforos porque algum marginal pretinho pode vir lhes roubar, essas mesmas pessoas não se dão conta de que banqueiros pretos, se existem, são absoluta exceção, assim como no Brasil também são exceções engenheiros, dentistas, advogados, arquitetos e médicos pretos. Tudo isso é prova incontestável do chamado “racismo estrutural” brasileiro, que mantém os pretos sempre em desvantagem. Todos, todos os índices sociais brasileiros são desfavoráveis à população negra.</p>



<p>O racismo brasileiro é chamado de “estrutural” justamente porque, por aqui, ele é tão fundido com a maneira como a gente enxerga a gente mesmo e o nosso próximo que a gente sequer se dá conta de que está sendo racista e perpetuando o funcionamento racista do mundo à nossa volta. A gente se acostumou a achar natural ter medo da criança e do adolescente preto no sinal de trânsito, tanto quanto se acostumou a achar natural entrar num hospital e não ver nem um médico ou médica preto/a. O racismo estrutural nos cegou para o fato de que infelizmente, quase 133 anos depois da suposta abolição da escravidão (que “Não veio do céu, nem das mãos de Isabel”, como disse o samba da Mangueira, em 2019), a população nas prisões e nos manicômios brasileiros ainda é negra em sua maior parte, fato que também se repete na maior parte das comunidades carentes de tudo nas nossas cidades médias e grandes.</p>



<p>Entender o mínimo sobre o que é o racismo estrutural brasileiro é indispensável para a gente começar a efetivamente mudar esse estado de coisas horroroso, vergonhoso, perverso e que não faz bem a ninguém. Isso mesmo: <strong>ninguém se beneficia com o racismo</strong>. Quem é vítima dele, se sente injustiçado, humilhado, violentado; quem o pratica, sabendo ou não, vive com medo – ainda que não perceba.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13201 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6206f-luciano-19.23.45.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong>&nbsp;é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo… mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto <a href="http://www.deeficiencia.com.br">Dê Efiência</a>.</p>
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		<title>SONHANDO ENQUANTO ELES DORMEM</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[Gestão genocida]]></category>
		<category><![CDATA[Lacan]]></category>
		<category><![CDATA[Mia Couto]]></category>
		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
		<category><![CDATA[Sonho]]></category>
		<category><![CDATA[Sonhos como aprofundamento do presente]]></category>
		<category><![CDATA[Terra Sonâmbula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Micael Correia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Nós não somos “sonhadores”.</em><br><em>Somos o despertar de um sonho</em> <br><em>que já se tornou pesadelo.</em><br><br>&#8211; <em>Slavoj Žižek, durante a manifestação</em><br><em>“Ocupem Wall Street” em outubro de 2011.</em></p>



<p>No romance “Terra Sonâmbula”, o escritor moçambicano Mia Couto aborda a consequência devastadora da guerra civil em Moçambique. O romancista narra o estado dos sobreviventes acometidos traumaticamente pela morte de familiares e conhecidos do povoado a partir da metáfora do sonambulismo: aquele povo se encontrava <em>encapsulado</em> numa dimensão <strong>onírica </strong>(sonho), presos a uma espécie de indiferenciação entre estar <em>acordado</em> e estar <em>dormindo</em>, elevando ao grau máximo a solução entre o sonho e a realidade. Tal dimensão de sonambulismo só poderia ter sido aprofundada pela violência insuportável sofrida pelo assalto do passado, o furto do futuro e, consequentemente, da indeterminação do presente, condenando-os à uma experiência de <em>paralisia psíquica</em>.</p>



<p>Lembremos que a teoria da interpretação de sonhos em Sigmund Freud já houvera sido modificada por ocasião da análise de sonhos dos neuróticos de guerra, pois, conquanto a tese inicial de Freud a respeito dos sonhos implicava que eles fossem a realização (alucinatória) dos desejos inconscientes¹, podendo ser “interpretável”, a clínica com os soldados remanescentes da guerra demonstrava que haveria nos sonhos uma repetição das vivências traumáticas &#8211; sendo, portanto, cenas manifestadamente indesejáveis -, relativizando a ideia de que o trabalho de interpretação conduziria à verdade do desejo do sujeito.</p>



<p>Pela primeira vez na teoria freudiana, situada mais especificamente no texto “Além do princípio do prazer”, essa “experiência alucinatória inofensiva” chamada sonho, como dizia Freud, cedia espaço a um outro tipo de qualidade de experiência, uma que remetia a um trabalho de sonho <em>intraduzível</em>, indecifrável, uma falha estrutural na tentativa transmutação do episódio traumático em realização do desejo. Podemos dizer que: se num primeiro momento os sonhos eram tomados como vias régias aos códigos do desejo, nesse segundo momento os sonhos colocavam o sujeito frente à sua angústia, como uma “<em>pulsão aflorante da fixação traumática</em>”².</p>



<p>Não é de hoje a preocupação de pesquisadores com a temática dos sonhos em tempos excessivos como ditaduras e guerras, como também eventos significativos do ponto de vista histórico e social, que inclui o caso da pandemia que estamos vivendo. Desde a pesquisa seminal de Charlotte Beradt sobre os sonhos dos alemães no Terceiro Reich, que mostrava testemunhos sobre a antecipação inconsciente do que viria a ser o estado <em>nazifascista </em>alemão a partir do relato de sonhos, a importância de se registrar o que as pessoas têm sonhado, sobretudo em momentos de crise política e social, confere uma postura outra em relação aos sonhos, dando-lhe a qualidade de uma <em>literatura testemunhal</em>.</p>



<p>O contexto brasileiro de pandemia não nos excluiu dessa tarefa. Paulo Endo, psicanalista e professor universitário (USP) é um desses pesquisadores que têm se interessado por reunir relatos de sonhos no Brasil. Em uma de suas apresentações mais recentes, Endo relata o sonho de uma entrevistada durante o período entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2018, no qual a narrativa de morte, acompanhada pela figura do leiteiro assassinado do poema de Drummond, aparecia escrita com muitos símbolos de cruz (†) entre os espaços das palavras. <em>Mal sabíamos</em> que fotos com milhares de túmulos e a realidade de tantas mortes comporiam o cenário que mais se repetiria durante uma gestão <em>genocida </em>da pandemia. Nesse sentido, podemos falar de um caráter premonitório dos sonhos, para mais além de sua qualidade <em>fixatória</em>.</p>



<p>O risco paralisante dos contextos violentos &#8211; entre os quais o Brasil de 2021 não escapa &#8211; é perene. Pois o objetivo da coação genocida não é simplesmente a neutralização das linguagens da <em>não-liberdade</em>, que nos impediria de enunciar nosso sofrimento e revolta, mas a imposição de um estado de sonambulismo em que permanecemos presos a um sonho, acreditando estarmos acordados. É por isso que, se os sonhos contêm, para além da repetição traumática, uma potência premonitória, é devido ao fato de que ele “esgarça as fronteiras do pensamento até que dali brotem pensamentos inéditos, imagens inéditas e palavras inéditas, fazendo surgir novas nomeações”³. <strong>Não porque prevê o futuro, mas porque aprofunda o presente</strong>. Daí que podemos nos alinhar à postura anti-freudiana de Jacques Lacan. Freud dizia que os sonhos eram os “guardiões do sono”. Em Lacan, essa máxima se subverte: os sonhos, na verdade, fazem despertar. Enquanto alguns querem que durmamos e vivamos num pesadelo, façamos uma inflexão: sonhemos; porém, não para fugirmos, mas sim para despertarmos para o presente &#8211; mesmo que o despertar absoluto signifique a <em>morte</em>.</p>



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<p>REFERÊNCIAS</p>



<p>¹Tese apresentada em <em>A interpretação dos sonhos</em> (FREUD, 1900).</p>



<p>² FREUD, S. (1932-1936) Novas Conferências Introdutórias sobre a Psicanálise e outros trabalhos. Conferência XXIX: <em>Revisão da teoria dos sonhos</em>. In: Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud., v. XXII</p>



<p>³ Paulo Endo em “<em>Aula aberta</em> <em>Sonhar a Democracia com Denise Mamede e Paulo Endo</em>”, disponível no Youtube.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9d309-micael-correia.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14286 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Micael Correia&nbsp;</strong></strong></strong>tem 22 anos e é um escritor não-autorizado. Faz graduação em Psicologia e nutre interesse por Psicanálise, Cultura e Religião.</p>
</div></div>



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		<title>MOVIMENTO DE ARTE ALDRAVISTA</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[Aldrava Letras e Artes]]></category>
		<category><![CDATA[Arte Aldravista]]></category>
		<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Aldravista]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Andreia Donadon</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nasce, em outubro de 2000, a entidade cultural: Aldrava Letras e Artes com artistas e escritores, para a produção e promoção das artes literárias, plásticas e musicais. <strong>Em novembro de 2000, circula a primeira edição do Jornal Aldrava Cultural</strong>, em dimensões compatíveis com o fôlego financeiro dos seus editores. Esses dois eventos representavam o amadurecimento dos projetos anteriores e uma aposta na força da ação conjunta dos poetas que somaram experiências desde a edição do PoeZine em 1994. Os fundadores da Aldrava Letras e Artes são: Gabriel Bicalho, Hebe Rôla, Donadon-Leal, J.S. Ferreira, Lázaro Francisco da Silva, dentre outros.</p>



<p>Em novembro de 2000, foi distribuída, nas ruas de Mariana, a primeira edição do Jornal Aldrava Cultural. Gabriel Bicalho não buscava a unidade no grupo, mas a heterogeneidade que pudesse manter características e estilo de cada um. Tratou, inicialmente, de publicar a poesia que representava cada um dos poetas, como forma de apresentação destes que formariam, quem sabe, uma unidade produtiva. Essa foi a forma encontrada por esses poetas para saírem do isolamento – aquele imposto pelo fato de morarem em cidade do interior, sem visibilidade porque fora, portanto, da rota de circulação editorial concentrada nas grandes capitais.</p>



<p>Lázaro Francisco da Silva responsabilizou-se por estabelecer os conectores entre as características e os estilos individuais, sem, porém, debitar perdas a cada um em nome da construção de um estilo coletivo. Nascia a ‘família’ aldravista, para dar visibilidade e divulgação ao conjunto de estilos individuais que se agremiava em torno de uma ideia que os assemelhava. O tônus dessa iniciação não podia se contaminar pela configuração da sociedade brasileira da época, que se amparava na individuação das soluções – a autoajuda, a carreira solo: a aldrava, ao contrário, batia nas portas da terra de Cláudio Manuel da Costa, duzentos e poucos anos após a instalação em Vila Rica, por diploma da Arcádia Romana, da Colônia Ultramarina (1768), da qual foi vice-custódio e na qual congregou nomes como de Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga. (PEREIRA, 1996) No mesmo período, no Rio de Janeiro, Basílio da Gama, Alvarenga Peixoto e Domingos Caldas Barbosa fundavam a “Arcádia Ultramarina” (1769). Na Bahia, já havia a “Academia Brasílica dos Acadêmicos renascidos”, desde 1759. No Rio de Janeiro a Academia dos Seletos funcionava desde 1752. (PEREIRA, 1996) O contato com a terra do instalador da academia literária em Minas Gerais faz com que os poetas aldravistas imaginem uma agremiação literária que tenha às vistas ideários de socialização dos fazeres, tais e quais os dos letrados que, segundo Antonio Candido:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Tendiam a reunir-se em agrupamentos duradouros ou provisórios, – seja para cumprimento a longo prazo de um programa de estudos e debates literários, seja para comemorar determinado acontecimento. (&#8230;)</em></p>



<p>Eis que era preciso configurar uma fisionomia para o novo grupo, que manifestasse uma produção de leitura dos discursos do mundo, em sua abrangência polifônica, heterogênea, e sem a pretensão da unanimidade. Essa fisionomia, mais uma vez, tocava na fonte árcade e na fonte iluminista do conceito de liberdade de Rousseau: “renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem, aos direitos da humanidade, e até aos próprios deveres” (ROUSSEAU, 1983, p. 27). Porém, esse grupo percebia as contradições que envolvem o exercício da liberdade, quando o próprio filósofo se questiona: “Que! a liberdade só se mantém com o apoio da servidão?” (ROUSSEAU, 1983, p. 109)</p>



<p>A vontade de socialização na agremiação formada por sujeitos livres abria, mês depois, o século XXI, e conspirava, na acepção da Conjura Mineira, pela construção de “um trabalho coorporativado, (&#8230;) de figuras de livre trânsito nacional e internacional, quando a questão é acadêmica ou artística (&#8230;)”, como disse Lázaro Francisco da Silva, no editorial da primeira edição do Jornal Aldrava Cultural (SILVA, 2000, p. 1). Da mesma forma, J. B. Donadon-Leal abre a jornada aldravista com a defesa da liberdade:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Os poetas de hoje, para além da modernidade, (não compactuo com a pobreza conceitual dos prefixados por pós) libertaram-se dos grilhões que os prendiam aos discursos panfletários e dogmáticos das academias castradoras da liberdade e podem viajar com a heterogeneidade discursiva da Análise do Discurso, inaugurada pela polifonia bakhtiniana e consolidada pela polifonia enunciativa ducrotiana, com o reconhecimento das vozes assumidas de Enunciadores em convivência nos espaços conquistados por Locutores democráticos nos seus fazeres poéticos de pleno exercício da liberdade.</em><br><em>(DONADON-LEAL, 2000, p. 7)</em></p>



<p>A síntese do Aldravismo como “a literatura do sujeito” foi elaborada por Lázaro Francisco da Silva. Os aldravistas assumiram para si a tese do trabalho conjunto, mas com autonomia de expressão, uma vez que o conceito de sujeito defendido os conduzia para a percepção de sujeito como aquele que pode ser condutor do seu próprio destino, embora deixe transparecer vozes das várias instituições com as quais manteve ou mantém algum vínculo.</p>



<p>Em 2003, morre Lázaro Francisco da Silva. O grupo ganha o ingresso de Camaleão e de Andreia Donadon Leal, esta última que levou o conceito aldravista às artes. Andreia Donadon, com a negação do traço em seus portais, <em>drippings, </em>manchas e borrões representou o movimento em exposições individuais, coletivas e circuitos internacionais, além de vencer concursos de artes plásticas no exterior. Criou intervenções em peças de roupa, cômodos, além das ‘ALDRAVINTURAS’, pintura livre com manchas e borrões, aplicando a técnica &nbsp;em sessões de Arteterapia.</p>



<p>Em 2011, os poetas, Andreia, Gabriel, Ferreira e.Donadon-Leal,&nbsp; publicaram o 1º livro de aldravias: <strong>Germinais: aldravias (201</strong>1), que coroa a proposta aldravista com a apresentação de uma nova FORMA de poesia, genuinamente brasileira – <strong>a aldravia, criada em 17/09/2010 pelos quatro poetas.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca74c-poema-andreia.png?resize=598%2C336&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14800" width="598" height="336" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5831a-poema-gabriel.png?resize=437%2C246&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14802" width="437" height="246" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Cabe explicar nessa incursão histórica o conceito de aldravia, uma forma poética que coroa o esforço criador dos aldravistas. Trata-se de um poema sintético, de seis versos univocabulares. A instantaneidade no trânsito das informações contemporâneas torna possível construir uma proposição poética sem as fórmulas complexas da poesia tradicional, travada de figuras de linguagem e de inversões sintáticas. A aldravia demonstra haver poeticidade na comunicação sintética cada vez mais intensa nos dias atuais. Seis palavras dispostas em seis versos representam a poeticidade abstraída de continentes conceituais, ou seja, metonímias poéticas de visões de mundo.</p>



<p>A trajetória aldravista autoriza interpretá-la como empreendimento intelectual com identidade conceitual e teórica definidas, que busca quebrar uma tradição de dependência da herança lusitana ou a correntes estrangeiras, especialmente europeias, como diz Nunes:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Os germes da literatura vieram de fora, mudando seletivamente pela ação de elementos endógenos. Assim, tal como a História política, a História literária traduzirá o resultado de uma esforçada conquista sobre a perdurável herança lusitana, modificada pelo sentimento nacional e pela repercussão das correntes estrangeiras, máxime a francesa, a partir do Romantismo (NUNES, 1998, p. 232)</em></p>



<p>Assim, vem se consolidando o Aldravismo como movimento propositivo; não de importação de modelos, mas de coroação de uma trajetória em busca de algo original. A Literatura Brasileira, enfim, deixa de ser copista de esquemas teóricos e formas estrangeiras, para ser referência, parâmetro.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747cc-andreia-donadon.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14798 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Andreia Donadon Leal</strong> </strong></strong>é mestre em Literatura, especialista em Artes Visuais, Arteterapia e doutoranda em Educação. Membro da Academia Marianense de Letras, da ALACIB e da Aldrava Letras e Artes. Artista plástica, escritora.</p>
</div></div>



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		<title>[Podcast] ARTE E  Cultura em resposta à banalidade do mal</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[Banalidade do mal]]></category>
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		<category><![CDATA[Eichmann]]></category>
		<category><![CDATA[pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama Podcast</p>
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<hr class="wp-block-separator" />



<p>Nesse episódio o Fred traça um paralelo entre o conceito de banalidade do mal, desenvolvido pela filósofa Hannah Arendt no contexto do julgamento do alto comissionado alemão Adolf Eichmann com a política genocida do atual governo, defendendo o conhecimento da arte e a cultura como ferramentas importantes para o combate de ideologias nefastas, que naturalizam o mal cotidianamente.</p>



<p>Então já sabe! Coloque os fones de ouvido e boa audição!</p>



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<p>Ouça no Spotify:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
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</div><figcaption><em>Texto, apresentação e edição: Frederico Lopes</em></figcaption></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7172f-podcast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O Trama Podcast, </strong></strong>é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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		<title>Em Dia Internacional, ONU pede fim do legado de escravidão no mundo</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/28/em-dia-internacional-onu-pede-fim-do-legado-de-escravidao-no-mundo/</link>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 18:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Fim do Racismo]]></category>
		<category><![CDATA[Legado da Escravidão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>As Nações Unidas marcam o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos neste 25 de março.&nbsp;No total, mais de 15 milhões de homens, mulheres e crianças foram transportados como escravos através do Atlântico.&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Em vídeo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a data homenageia “a memória de milhões de afrodescendentes que sofreram com o brutal sistema de escravidão e com o tráfico transatlântico de escravos.”&nbsp;“Este comércio criou e sustentou um sistema global de exploração que existiu por mais de 400 anos, arrasando famílias, comunidades e economias”, afirmou.&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Para o chefe da ONU, “as ideias de supremacia branca que o sustentavam permanecem vivas.”&nbsp;E&nbsp;afirmou&nbsp;que o mundo deve “acabar com o legado dessa mentira racista”.</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/89ddd-capaonu.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14807" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Arca do Retorno é um memorial para honrar as vítimas da escravidão e do comércio transatlântico de escravos, na sede da ONU em Nova Iorque<br>Foto | Rick Bajornas/ONU</figcaption></figure></div>



<p>As Nações Unidas&nbsp;<a href="https://news.un.org/pt/story/2021/03/1745582">marcam</a>&nbsp;o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravos neste 25 de março.&nbsp;A data ressalta o movimento global para acabar com injustiças que têm raízes no comércio de escravos e a importância da educação para reconhecer o impacto desta história no mundo moderno e como lidar com seus efeitos duradouros.&nbsp;No total, mais de 15 milhões de homens, mulheres e crianças foram transportados através do Atlântico.&nbsp;</p>



<p>Em vídeo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a data homenageia “a memória de milhões de afrodescendentes que sofreram com o brutal sistema de escravidão e com o tráfico transatlântico de escravos.”&nbsp;“Este comércio criou e sustentou um sistema global de exploração que existiu por mais de 400 anos, arrasando famílias, comunidades e economias”, afirmou.&nbsp;</p>



<p>Guterres lembrou&nbsp;“a resiliência daqueles que suportaram as atrocidades cometidas por traficantes e proprietários de escravos” e reconheceu “as imensas contribuições que homens, mulheres e crianças escravizados deram à cultura, ao conhecimento e à economia dos países para os quais foram transportados.”</p>



<p>O comércio transatlântico de escravos terminou há mais de dois séculos, mas para o chefe da ONU, “as ideias de supremacia branca que o sustentavam permanecem vivas.”&nbsp;Ele afirmou&nbsp;que o mundo deve “acabar com o legado dessa mentira racista” e trabalhar em conjunto “para enfrentar as consequências perniciosas e persistentes da escravidão e do comércio transatlântico de escravos.”</p>



<p>Para Guterres, isso pode ser feito renovando a determinação para combater o racismo, a injustiça e as desigualdades e construindo comunidades e economias inclusivas, onde todos possam viver em paz com dignidade e oportunidades.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Ideias de supremacia branca que sustentavam a escravidão permanecem vivas, alerta ONU" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/j1lj-d76LpY?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/123172-em-dia-internacional-onu-pede-fim-do-legado-de-escravidao-no-mundo" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 25/03/2021 – Atualizado em 25/03/2021.</em></strong></p>



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<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>CAIR UM TUDO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[Abacateiro]]></category>
		<category><![CDATA[Cair um Tudo]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Adams Mantelli]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Tálisson Melo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> <strong>CAIR
 UM
 TUDO</strong>

 ela entornou tudo
 de mágica
 de mágica
 no entorno dela
 &nbsp;
 era uma coisa tudo
 tudo aquilo era ela
 &nbsp;
 a raiz de tudo era fruto
 cada abacate
 cada um
 caía
 constante ameaça sobretudo
 sobre tudo o que havia
 &nbsp;
 ela controlava tudo
 com sua magia
 de atos
 sem palavras
 nem gingas
 &nbsp;
 ela sentar naquele banco
 sob o abacateiro cheio de frutos
 era inverter o tempo dos galhos
 as folhas subiam por ventos
 retendo flutuantes
 os frutos
 &nbsp;
 então eu podia deitar
 sob aquele abacateiro
 cuidadoso de ter minha cabeça
 sobre aquele colo
 protegido de um tudo
 &nbsp;
 olhos nas nuvens sobretudo
 através dos galhos
 reparava cada fruto
 cada um na sua parte
 das raízes fincadas no céu
 &nbsp;
 do sol até as pontas dos dedos dela
 que vinham e iam entre
 os fios dos cabelos
 agora mágicos na minha cabeça
 &nbsp;
 pude então deixar os músculos
 se soltarem um a um
 fechar os olhos
 abrir os poros
 no balanço parado
 sustenido no tempo
 verde terra azul ouro
 &nbsp;
 nessa roça mágica
 minha avó criou o mundo
 um terreiro
 um quintal
 um universo
 de mim e dela
 varia das versões de tudo
 &nbsp;
 hoje procuro&nbsp;
 &nbsp;
 esse lugar
 suspendido
 na iminência
 de que os abacates
 cairiam tudo</pre>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/22a7b-pauloabacate.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14871" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Oi, você que me lê. Trago mais um poema para essa série de contribuições mensais à Trama. A ideia é colocar, para rodar no mundo, algumas imagens muito íntimas minhas, que também (vai que&#8230;) podem ser íntimas suas, mesmo que com outras cores e ruídos diferentes. Às vezes, a coisa vem num poema ou num ensaio curto sobre algum trabalho artístico que me arrebate. Este poema, <em>CAIR UM TUDO</em>, já estava escrito faz tempo, num caderninho meu da infância; o que fiz foi trocar algumas palavras e rearranjas as quebras, além de enfiar mais uns versos aqui e ali, coisas que já são da vida de quem paga boletos e se pega muitas vezes preocupado com tudo, beirando um nada, e sente muita falta de fazer nada podendo ver tudo. A imagem que associei ao poema foi sugerida pelo amigo Paulo Stuart, figurando sua mãozinha. O recorte é da foto feita pelo Victor Adams Mantelli, fotógrafo, videomaker e cientista social [confiram o trampo dele: @<a href="http://instagram.com/olhovixx">olhovixx</a> ]. Assim, vou seguir com essa ‘curadoria’ curandeira de afetações.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a1c65-abacate.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14872" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1d2a-talisson-melo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13771 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Tálisson Melo</strong> é Artista-pesquisador. Doutorando em Sociologia e Antropologia na UFRJ. Publicou o livro &#8220;Mesmo Sol Outro&#8221; com Carolina Cerqueira (2018). Atualmente trabalha em projetos curatoriais-editoriais e de pesquisa em Montevidéu, Juiz de Fora e Nova York – emaranhando artes visuais, poesia, design, arquitetura, cinema, história e ciências sociais. @talisson.melo @mesmosoloutro</p>
</div></div>



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<p></p>
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		<title>Num passo de passos passados</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[Cleverson Borges]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Cleverson Borges</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">o tempo passa
como o vento
incessante
então cante
angústia&nbsp;
pelos dias parados
a falta do abraço não dado
em tempos de distanciamento
aproximem-se para o recado
tão logo tudo isso passe
e o coração ainda pulse
como o vento
tudo isso terá passado
tudo isso será passado</pre>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/426c1-cleverson-borges.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13914 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Cleverson Borges </strong></strong></strong></strong>é bacharel em Direito e dedica parte do tempo livre na produção de poesias. Acredita que sua paixão pelas palavras pode servir de inspiração e conforto àqueles que se dispuserem a se deliciar na leitura. Conheça mais do trabalho do autor no <a href="https://www.instagram.com/ceborgs/">Instagram</a>.&nbsp;</p>
</div></div>



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<p></p>
</div></div>
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