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	<title>Arquivos Ano 003, N 092 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>UNDER THE DOME: A QUESTÃO QUEER E A FAIXA DE GAZA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[Estado e marginalização]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia]]></category>
		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Micael Correia</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>“We still exist”</em><br><em>Escrito no cartaz de um manifestant</em>e <em>por ocasião dos ataques à Gaza</em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Judith Butler abre a discussão no livro “Quem canta o Estado-Nação?”¹ &#8211; um intenso diálogo com a teórica Gayatri Spivak &#8211; se servindo de uma ambiguidade entre os significados da palavra “estado”. Segundo ela, o estado é um local de poder, mas não representa a totalidade dos meios que o poder ocupa. Um estado também não é sinônimo de nação, pois há estados desassociados do conceito de nação, e às vezes a ideia de Estado-nação aparece justamente para encobrir relações impróprias, em que o estado não necessariamente serve como aparato de positivação da cidadania – e essa ideia nos importa. Mas, explorando seu duplo sentido, um estado também é a descrição da condição em que algo ou alguém se encontra. Aqui já vemos o quanto essas ideias se confundem, pois, quando buscamos responder a pergunta “em que estado estamos?”, recorremos mais ou cedo mais tarde &#8211; todavia, inevitavelmente &#8211; aos dados calculados e distribuídos pelas estruturas legais que instituem e/ou destituem nossa situação enquanto <em>vida</em>, na medida em que podemos estar atrelados ou não às garantias jurídicas dispostas pelo estado. Se estamos sob situação de desproteção, isso não tem de ver exclusivamente com nosso estado subjetivo perante um contexto real, mas também com o estado em sua forma objetiva. Daí o tom de provocação da pergunta de Butler: “em que tipo de estado estamos quando começamos a pensar no estado?”.</p>



<p>Essa questão traz em seu núcleo um problema determinante, que está na base da circunscrição de determinadas<em> formas de vida</em> e nas dispositividades que versam sobre nossos corpos. Se não falamos de estado sem recorrer às suas dimensões tanto psíquicas quanto (infra-)estruturais, é porque há um poder de lei que coordena justamente isso &#8211; o modo como somos inscritos num determinado regime de reconhecimento é operado por um poder que age coordenando nossos modos de subjetividade, formas de trabalho, desejo e linguagem, legitimando a própria condição de existência dessa forma de vida, sempre baseada numa certa versão de corpo identitário. Num mesmo movimento, podemos dizer que esse mesmo poder age <em>contra </em>outras formas de vida, tidas como ilegítimas, não-autorizadas, marginais, patológicas ou desviantes. Não é o caso de pensar que tal esforço exclui qualquer discurso a respeito desses modelos não-hegemônicos de existência, lançando-os fora da política. Quando o poder opera, ele busca criar um lugar interior para essa exterioridade através de narrativas que mantenham coercitivamente essa zona de indeterminação, expropriação e marginalidade. Como alguém já disse, <strong>não basta saber gerir o centro; é preciso garantir o controle das margens</strong>. Por isso, devemos começar por identificar como são exibidas aquelas formas de vida que não se encontram na inteligibilidade do estado e da norma.</p>



<p>Aprouve a certo espectro das teorias de gênero nomear essa vida aparentemente indeterminada de <strong><em>queer </em></strong>&#8211; toda política sexual que desfigure à norma, subverta a determinação pseudonaturalesca das sexualidades hegemônicas e encarnem o desvio: eis uma vida <em>queer</em>, nomeação que faz do lugar mesmo de vulnerabilidade e não-reconhecimento uma proclamação contra o excesso identitário que se dissimula nas lógicas de dominação sexual. É como se algo <em>queer </em>pudesse ser percebido enquanto uma <em>ex/sistência </em>que perturba, pois faz decair a capacidade de interiorização total de sua não-identidade, um solavanco nas hermenêuticas de gênero. Enquanto falamos de <em>queer</em>, falamos de zonas de vulnerabilidade, de exposição, de impressionabilidade e de afetabilidade.</p>



<p>Mas a verdade é que também falamos de <strong>estado</strong>. Falamos de zonas limiares de maior suscetibilidade à violência e à morte que são organizadas pelo estado. Estado enquanto força de (des)territorizaliação e de <em>estados </em>desterriorializados. Por um momento, a questão <em>queer </em>e os expatriados se tocam. Aliás, expatriados não são exatamente refugiados. Em termos políticos, o expatriado é empurrado ativamente para uma zona de não pertencimento, que pode inclusive ser o lugar onde a pessoa se encontra, e não necessariamente onde ela deixa de estar. Como já dissemos, <strong><em>há um lugar interior reservado para o não-lugar</em>.</strong></p>



<p>Se é plausível o que estamos a dizer aqui, poderíamos, então, pensar uma relação entre a questão <em>queer </em>e os ataques na Cisjordânia? Seriam aqueles de lado de cá do domo de ferro as vidas legítimas, portadores de cidadania e território garantidos por toda força da Lei, e os do lado de lá apenas seres espectrais, vazios de peso ontológico e qualificados para o estado de sem-estado? Seriam eles também formas de vida marginais? Tomando tais hipóteses enquanto possibilidade, a limpeza étnica operada pelo poder israelense tem radicalizado as estratégias de destituição territorial a um povo que se vê cada vez mais incapaz de articular sua vulnerabilidade. Já não se trata apenas de um conflito. Existe toda uma topologia que progressivamente lança para faixas de isolamento os cidadãos palestinos.</p>



<p>Pode-se dizer que a situação é mais uma daquelas em que o não inteligível precisa forçosamente abraçar sua vulnerabilidade como condição de resistência. É claro que, expostos a toda sorte de violência, falar de vulnerabilidade parece expressão de um certo atestado de desistência, em que a luta pela existência fracassa. Não é isso. Falo como quem evoca o lado <em>queer </em>da força, que faz da sua interdependência mútua um esforço político que mobiliza a vulnerabilidade em prol da luta pela igualdade. Não apenas os expatriados, os desviantes e os incompreendidos, mas todos os grupos que sofrem com a precariedade de sua existência. Mais do que nunca, a aliança entre as forças que proclamam o direito de sua existência se faz necessária. <strong>Aliançar corpos que dizem “ainda existimos, e vocês não revogarão isso” possui status de urgência.</strong></p>



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<hr class="wp-block-separator has-css-opacity"/>



<p>NOTA</p>



<p>¹BUTLER, J.; SPIVAK, G. Quem canta o Estado-nação? Língua, política e pertencimento (2018).</p>



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<p><strong><strong><strong>Micael Correia </strong></strong></strong>tem 22 anos e é um escritor não-autorizado. Faz graduação em Psicologia e nutre interesse por Psicanálise, Cultura e Religião.</p>
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		<title>ESTÁ TUDO BEM?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[história da vida privada]]></category>
		<category><![CDATA[história do cotidiano]]></category>
		<category><![CDATA[importar-se com o outro]]></category>
		<category><![CDATA[Luan Pedretti]]></category>
		<category><![CDATA[Saúde psicológica da população]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luan Pedretti</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Este texto, em grande parte, é um desabafo, após diversas tentativas de escrever algo interessante e perceber que o bloqueio mental que está comigo há semanas me impediu de avançar em qualquer coisa que minha cabeça considerasse algo minimamente bom ou aceitável.</p>



<p>Pensando sobre a minha trajetória no curso de História, à medida em que tive contato com o fazer do campo científico, pude perceber como a História é uma construção dos homens e do tempo em que estes homens se encontram com relação aos acontecimentos passados, entrando em acordo com diversos outros historiadores que vieram antes de mim. Este entendimento não me foi possibilitado na Educação Básica, onde outras formas de abordar o conteúdo da disciplina de História me foram apresentadas: aqueles que suscitavam o debate e a problematização, não permitindo que fosse uma mera transmissão de conhecimento acumulado; e tive experiências com professores que apenas transmitiam os acontecimentos passados, como se este passado fosse algo finalizado e cristalizado em si. De acordo com os tempos verbais da língua portuguesa, aquilo que chamamos de pretérito perfeito: aconteceu e terminou. Ainda se amparando na perspectiva que a História é uma construção das pessoas diretamente influenciadas pelo tempo em que estão realizando suas pesquisas e escrevendo, me predisponho a observar o tempo em que eu estou inserido.</p>



<p>O Brasil e o mundo vêm passando por diversos acontecimentos, nos últimos anos, que têm marcado suas épocas e que provavelmente serão analisados no futuro enquanto acontecimentos históricos, geralmente correlacionando com temas de sociedade, cultura, economia, política, entre outros. O mais recente destes acontecimentos é a pandemia da COVID-19, como todos ou a grande maioria das pessoas tem conhecimento, desde março de 2020. Mas, para além de relações políticas, análises econômicas, estruturais, relações internacionais; como a população tem se sentido neste tempo? Como estão vivendo as pessoas que foram diretamente afetadas pela pandemia, perdendo pessoas queridas, vendo o descontrole que a situações no Brasil está tomando?</p>



<p>De acordo com reportagem da CNN<a href="#_ftn1">[1]</a> publicada em 23 de fevereiro de 2021, o consumo de antidepressivos durante a pandemia aumentou 17% no Brasil. Quando se entra em contato com alguém por meio virtual, ou até mesmo presencial para aquelas pessoas que não puderam fazer o isolamento, perguntamos “está tudo bem?”. Eu não sei vocês, mas eu tenho o costume de responder involuntariamente “Está tudo bem!”. Imediatamente, um questionamento aparece em minha mente: “Está tudo bem?”.</p>



<p>Dentro de um mar de tragédias, a que mais recebe atenção das mídias nos últimos tempos foi a perda do ator Paulo Gustavo. Ele, que era extremamente jovem e sem comorbidades (asma no nível que o ator tinha não é considerada comorbidade), e (no mesmo dia) mais de duas mil pessoas perderam suas vidas. Chegamos ao número de quatro mil pessoas mortas em um único dia. E sempre é importante reforçar que, para além dos números, são vidas; famílias, filhos, netos, amores, pais e mães, que se vão por uma doença para a qual existe um protocolo de prevenção (que poderia ter sido praticado pelos gestores) e, principalmente, por uma doença para a qual já existe uma vacina desenvolvida. Infelizmente, esta vacinação anda a passos de tartaruga após as ONZE recusas do presidente junto com seus ministros da saúde pela oferta de vacina do laboratório da Pfizer. Estamos vivenciando um desmonte das universidades federais, os principais produtores da ciência brasileira &#8211; que teriam capacidade de desenvolver e produzir sua vacina, se não estivessem sobrevivendo a um estrangulamento de verbas. O auxílio emergencial com o valor cada vez menor, e a fome assolando novamente a população brasileira depois de décadas de luta contra este inimigo.</p>



<p>Temos a possibilidade de olhar as estruturas (como a economia reagiu à pandemia, quantitativos numéricos de vítimas e infectados, queda do PIB), que são temas importantes para algumas parcelas. Mas também é preciso que olhemos para outros aspectos da pandemia: como está a população? Como está sobrevivendo quem perdeu um ente muito querido? Como vai ser o sentimento quando sairmos dessa situação? Está tudo bem? Como a população está sobrevivendo? Acredito que refletir sobre estes questionamentos apresentados e muitos outros que não estão neste texto também seja pensar sobre aspectos culturais e políticos da vivencia dos brasileiros durante a pandemia.</p>



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<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/02/23/venda-de-antidepressivos-cresce-17-durante-pandemia-no-brasil">https://www.cnnbrasil.com.br/saude/2021/02/23/venda-de-antidepressivos-cresce-17-durante-pandemia-no-brasil</a> Acesso em 20/04/2021</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/581c8-luan-pedretti.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13805 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luan Pedretti </strong></strong>é mestrando em Educação pelo PPGE/UFJF, professor de História, integrante do Movimento Negro em Juiz de Fora pelo Coletivo Negro Resistência Viva.</p>
</div></div>



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<p></p>
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		<title>A ESCRITA DE MICROCONTOS COMO RESPIRO NA PANDEMIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[Arte na Pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Crônica e microconto]]></category>
		<category><![CDATA[escrita literária]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Sieiro]]></category>
		<category><![CDATA[Renata Sieiro Fernandes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Renata Sieiro</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A Pandemia da Covid-19, que assola o mundo desde o segundo bimestre de 2020, devolveu-nos às nossas casas (para os que possuímos teto), em relação mais próxima (geográfica e temporalmente) com os que coabitam o mesmo espaço, ou com a solitude dos que moramos sozinhos e a qual nos coloca em contato inadiável com nossas emoções e sentimentos mais profundos e arraigados, ligados a medos, tristezas, ansiedade, solidão, dor e vazio existencial.</p>



<p>Acompanhando, diariamente, as notícias nas mídias alternativas, ou afastando-nos delas momentaneamente, vamos percebendo que o que se desejava que passasse logo se mantém e persiste, ainda que alguns neguem a realidade do vírus ou negligenciem os protocolos de segurança consigo e com os outros.</p>



<p>E mergulhados em um cotidiano novo e expandido, em que as folhas do calendário se truncam e se rompem, somos entregues a desafios intelectuais e psíquicos de buscas de estratagemas para sobreviver, resistir e enfrentar o caos instaurado, que parece anunciar o fim de um mundo e, quiçá, o surgimento de outro, melhor, mais justo, mais bonito, mais respeitoso, mais solidário, mais terno &#8211; ainda que não possa, eu, visualizá-lo como utopia no horizonte.</p>



<p>Pela necessidade de lidar comigo mesma, com as oscilações de humor, irritabilidade, falta de crença, mas também, de ternuras, de confiança, ausência de tentativas de controle e de ressignificar as experiências que me tocam e atravessam nesse período, recorri à arte como linguagem tanto terapêutica como de criação para dar vazão a aspectos intuitivos, inesperados, inspirados, que se manifestavam sob a forma de escrita, bem como para me redesenhar de outros modos possíveis de ser e existir, em meus 50 anos de idade.</p>



<p>Sendo assim, a prática da escrita literária, como fazem e fizeram outras mulheres, em outros tempos e espaços, é o lugar de refúgio, de abrigo, durantes as tempestades e as marolas. Também tem sido assim para mim pela via de um subgênero nomeado de microcontos ou microficções poetizáveis, num entrecruzar de gêneros textuais. (FERNANDES, 2019)</p>



<p>E por essa prática, que considero formativa, vou inventando possíveis materializáveis para mim, numa escrita privada, mas que não teme se publicizar, de forma digital, em redes sociais, e impressas, atendendo a convocatórias ou espontaneamente, em publicações independentes ou financiadas por editais de incentivo, por editoras fora do <em>main stream</em> ou cartoneiras<a href="#_ftn1">[1]</a>, pretendendo servir, também, para outros, como estímulo poético, sensível, inteligível e mobilizador de outras escritas.</p>



<p>Neste texto apresento minha experiência formativa, a partir da prática educativa/formativa da escrita literária como linguagem artística e recurso de re-existência em meio ao isolamento social e resistência ao Corona vírus, pois que reafirma o lema das Madres de Plaza de Mayo<a href="#_ftn2">[2]</a>, “la única lucha que se pierde es la que se abandona”. (KOROL, 2016, p. 152)</p>



<p>Tenho escrito microcontos há algum tempo. Eles surgem em meus pensamentos a partir de alguma imagem ou situação do cotidiano, muitas vezes advindas de contemplação ou por surpreendente aparição. O texto rapidamente se forma, e eu me sento ao computador para apurar o ritmo e alocar as melhores palavras. Se não os escrevo, não me deixam em paz; ficam comigo o restante do dia. Ao escrevê-los, liberto-os, deixo-os voarem e embelezarem o mundo.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>(&#8230;) por que sou levada a escrever? [&#8230;] para me tornar mais íntima comigo mesma e consigo. para me descobrir, preservar-me, construir-me, alcançar autonomia[&#8230;] finalmente, escrevo porque tenho medo de escrever, mas tenho um medo maior de não escrever.</em> (ANZALDÚA, 2020, p. 232)</p>



<p>O microconto é tido como um subgênero nomeado de microcontos ou microficções poetizáveis, num entrecruzar de gêneros textuais.</p>



<p>Marcelino Freire chama de “literatura menor”, dentro do conceito de menoridade como espaço às margens ou alternativo, de potência inventiva e criadora.</p>



<p>Para Lucilene Lemos de Campos, “a proposta estética que o micro conto realiza não surge como decalque da prosa tradicional, mas como espaço intervalar, uma terceira-margem poética, um entre lugar que desloca e anula a antiga noção de centro cultural hegemônico”.</p>



<p>O que faço desliza entre prosa e poesia e gira em torno do intervalo de 7 e 500 palavras, que faz parte da definição subgênero. Faço uso de minúsculas, porque soa como transgressor a norma padrão e porque me sugere delicadeza e sutileza. Também não dou títulos, porque seria como etiquetá-los e gosto que a leitura revele o seu corpo.</p>



<p>Quando escrevo o que escrevo, pretendo que sirva e que provoque projeções (como toda produção artística provoca). E, também, como estímulo poético, sensível, inteligível e mobilizador de outras escritas para outras pessoas.</p>



<h4 class="has-text-align-center wp-block-heading">microconto 177</h4>



<p class="has-text-align-center">ela apenas deslizava por aí,<br>de corpo nu,<br>distraída e atenta<br>quando é interpelada<br>pelo sentinela.</p>



<p class="has-text-align-center">‘alto lá, quem é você, qual seu nome,<br>cadê seu capacete, seu escudo, suas botas de esporão?<br>responda em prosa e ajoelhe-se’.</p>



<p class="has-text-align-center">‘sou esta que me lê, meia lua inteira,<br>sol sou e mais amada que ar,<br>voluta, rodopio’.</p>



<p class="has-text-align-center">‘não te reconheço<br>e esta porta você não adentra.&#8217;</p>



<p class="has-text-align-center">a intuição, no corcel negro<br>de longas crinas,<br>apenas segue pelas terras<br>sem dono<br>e sem cercas,<br>enquanto a razão<br>vestida de cetro e lança<br>defende o forte.</p>



<p class="has-text-align-center">(&#8230;)</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="has-text-align-center wp-block-heading">microconto 128</h4>



<p class="has-text-align-center">ela aqui e ele lá.<br>cada um recolhido em seu lar,<br>em momento de quarentena mundial.<br>ele envia de presente<br>um áudio com voz e contrabaixo.<br>ele inteiro. apenas ele,<br>terno, quente e aveludado<br>como é o toque dos apaixonados.<br>pra colocar debaixo do travesseiro<br>e dormir sonhando com a esperança e a espera,<br>de que o amor seja o vírus contagiante.<br><br>(&#8230;)</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="has-text-align-center wp-block-heading">microconto 132</h4>



<p class="has-text-align-center">quando a terra passou a respirar<br>entre o ventre e o tórax,<br>foram embora a ansiedade, o estresse e o medo.<br>o ruído sobre a crosta silenciou<br>e as vibrações sísmicas diminuíram.<br>os humanos recuaram,<br>cessaram de falar e de se agitar.<br>então, os ursos passaram a rolar nas gramas dos parques,<br>os esquilos transitaram entre as árvores da cidade,<br>as tartarugas marinhas invadiram as praias para depositarem ovos à luz do dia,<br>os golfinhos adentraram os canais,<br>as águas de veneza ficaram translúcidas.<br>os efeitos da respiração longa e profunda<br>aparecem nos músculos relaxados,<br>nos batimentos cardíacos desacelerados,<br>na melhor oxigenação das células.<br>e todos os reinos são invadidos<br>por uma interna sensação de paz.<br><br>(&#8230;)</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="has-text-align-center wp-block-heading">microconto 142</h4>



<p class="has-text-align-center">se antes escolhia o inverno,<br>agora prefere a amenidade da meia-estação.<br>se optava pelo perfume,<br>agora se banha com a volatilidade da água de colônia.<br>se transitava entre os odores cítricos e amadeirados,<br>agora aceita a docilidade da alfazema.<br>se sempre tomava café preto,<br>agora inclui a leveza do chá de hortelã com melissa.<br>se digladiava-se em busca da razão,<br>agora se rende ao aconchego da paz.<br>se teve medo da solidão,<br>agora se diverte em autorretratos em preto e branco.<br>se antes perseguia o fixo e o duradouro,<br>agora convida o efêmero e o mutável.<br>se antes era aquilo,<br>agora é isto.<br>entre fincar ser ou não ser,<br>agora é solta reinvenção.<br><br>(&#8230;)</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="has-text-align-center wp-block-heading">microconto 161</h4>



<p class="has-text-align-center">quando o ouvido do mundo<br>se afina<br>é possível ouvir as entranhas da terra<br>no oco das cavernas,<br>a malemolência do mar<br>na espiral da concha<br>e o ronco vibrante do planeta<br>no silêncio e escuridão da noite.<br><br>(&#8230;)</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<h4 class="has-text-align-center wp-block-heading">microconto 163</h4>



<p class="has-text-align-center">ela quis que ele viesse<br>participar da fogueira julina<br>com quentão, paçoca e pinhão,<br>estrelas e lua cheia no céu,<br>mas ele a recordou<br>que tem que ser com máscara,<br>distanciamento e álcool só em gel.</p>



<p class="has-text-align-center">a gente demora uma vida para se tornar<br>mulher errante, incorreta, indisciplinar<br>e vem o superego vestido de juízo,<br>armado de precaução,<br>querer docilizar o selvagem,<br>civilizar o prazer.<br><br>o bom é que o id primitivo<br>desequilibra a regra de três<br>e se perde no desejo, pulsão, impulso, satisfação.<br><br>(&#8230;)</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A escrita funciona e tem funcionado neste contexto de isolamento como um dispositivo de formação; se entende como um ato, uma prática que envolve a constituição ou a produção de si, que permite ensaios de modos de subjetivação, principalmente, por tratar de criação, criatividade, intuição, imprevisibilidade, de devir, para além da ordem, no caos.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>ANZALDÚA, Gloria. Falando em línguas: uma carta para as mulheres escritoras do terceiro mundo. Revista Estudos Feministas, Florianópolis, v. 8, n. 1, p. 229, jan. 2000.</p>



<p>FERNANDES, Renata. A donzela guerreira e outros microcontos, volume 1. SP: Urutau, 2019. KOROL, Claudia. Feminismos populares: las brujas necessárias en los tiempos de cólera. Nueva Sociedad, n, 265, p. 142-152, sep./oct 2016.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> As editoras cartoneras são alternativas artesanais ao modelo padrão de publicação e comercialização, que utilizam papelão (<em>cartón</em>) reaproveitado para a publicação. Surgiram em 2003 com a criação de Eloísa Cartonera, em Buenos Aires e se expandiram pela América Latina. (https://www.blogs.unicamp.br/marcapaginas/2019/04/22/cartoneras-a-publicacao-de-livros-como-instrumentos-de-resistencia/)</p>



<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> Trata-se de um movimento e uma associação argentina, formada em 1977, durante o governo ditatorial de Jorge Rafael Videla, com a finalidade de encontrar pessoas desaparecidas nesse período. (https://www.infobae.com/america/mexico/2020/08/07/como-las-madres-de-plaza-de-mayo-mujeres-en-busca-de-sus-hijos-desaparecidos-marcharan-el-primer-miercoles-de-cada-mes-en-el-corazon-de-mexico/)</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2840d-renata-sieiro.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14301 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Renata Sieiro</strong> é pós-doutora em Educação pela UNICAMP e docente do Ensino Superior. Microcontista, autora de “<a href="https://open.spotify.com/show/3pgd17BO7eE2rpl3DYdw6p">A donzela guerreira e outros microcontos</a>”. Colagista amadora, tendo produções publicadas em periódicos como Revista Alegrar e Revista Clima.com, além de livros, mostras e exposições coletivas. Também é fotógrafa amadora. Conheça mais de seu trabalho no <a href="https://www.instagram.com/rsieirof_colagens">Instagram</a>.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p></p>
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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] Cisne dou Vouga</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/05/23/exposicao-virtual-cisne-dou-vouga/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Canelas]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição de arte]]></category>
		<category><![CDATA[Memória Descritiva]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Estação - Canelas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Olhar para o desconhecido. Partir da descoberta de histórias que não são nossas, por vezes são histórias de um espaço que as deixou fugir. Perdidas vêm agora, num outro espaço ganhar forma, provavelmente reconstruais a partir de um outro olhar. Um olhar interessado, conflituoso, que coloca em causa a existência da própria história. Entre o que se sabe e o que não se sabe, perdido num tempo que não existe. É um olhar possivelmente confuso que convoca um conjunto de memórias, cujo resultado é um espaço organizado outrora (des)construído. É criado um novo espaço para a memória, que o deixa de ser, misturando o passado e o presente, através dos processos criativos aqui desenvolvidos. Partimos de olhares atentos que procuram uma nova narrativa, um novo pensamento sobre o tempo e o espaço. Esta representação procura levar-nos a viajar, divagando através de linhas poéticas que se cruzam através de um olhar penetrante, sobre traços, manchas, formas, imagens em movimento que se imaginam através dos objectos que perduraram no tempo. São esses elementos que criam relações e transformações, que se infiltram num novo espaço, na procura de uma reflexão, uma experiência estética singular. São elementos que se infiltram num espaço, que procura um novo pensamento através de um olhar desgastado e experiente, enraizado de uma forma genuína e única, que dá origem a um local possivelmente imaginário. Não se trata de uma apropriação da narrativa histórica, é uma desconstrução, para uma construção criativa, para a criação através de um património herdado, não se limitando a sua assimilação, mas à sua interpretação e questionamento através da prática artística.</p>



<div style="height:41px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>CISNE DO VOUGA</p>



<p>MULTIMEDIA/MULTIMÉDIA&nbsp;</p>



<p>13/07 &#8211; 20/08 2019</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>MÁRCIA CORREIA (VALE DE CAMBRA, 1994)</p>



<p>MÁRIO AFONSO (CASCAIS, 1983)</p>



<p>RUI CHAVES (ARGONCIL, 1994)</p>
</div>
</div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignfull size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dee83-rui.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15990" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/375fd-marcia.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15989" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:32.67209%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/c9ca1-marcia1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/c9ca1-marcia1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/c9ca1-marcia1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/c9ca1-marcia1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/c9ca1-marcia1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/c9ca1-marcia1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1800" data-id="15992" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15992" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f3500-marcia1.jpg" data-width="2880" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/c9ca1-marcia1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:20.46832%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/618b6-macc81rio.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/618b6-macc81rio.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/618b6-macc81rio.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/618b6-macc81rio.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/618b6-macc81rio.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/618b6-macc81rio.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="2448" data-id="15994" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15994" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e324-macc81rio.jpeg" data-width="2448" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/618b6-macc81rio.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:20.46832%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/f9b14-macc81rio1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/f9b14-macc81rio1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/f9b14-macc81rio1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/f9b14-macc81rio1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/f9b14-macc81rio1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/f9b14-macc81rio1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="2448" data-id="15995" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15995" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/548e4-macc81rio1.jpeg" data-width="2448" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/f9b14-macc81rio1.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:26.39126%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/a3de0-rui1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/a3de0-rui1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/a3de0-rui1.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=1042 1042w" alt="" data-height="807" data-id="15996" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15996" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/98e84-rui1.jpeg" data-width="1042" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/a3de0-rui1.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/eff99-jorge-silva.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15998" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Performance Musical de Jorge Silva</figcaption></figure></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24668-estacao-canelas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14784 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Estação</strong> é um espaço cultural localizado na cidade de Canelas (Portugal), idealizado pela Junta de Freguesia de Canelas e pelo artista plástico Mário Afonso. O espaço tem o intuito de divulgar o trabalho de artistas nacionais e internacionais, de várias áreas artísticas, realizando exposições e oferecendo, à freguesia de Canelas, acesso gratuito a projetos culturais atuais.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p></p>
</div></div>



<p></p>
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		<title>E SE TIRAREM O CORPO DO MUNDO?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Zeloschi]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Fernanda Zeloschi</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O vírus, indomável num país desgovernado como o nosso, se espremeu na fresta da porta da casa e entrou. Descansou em grande parte da família, rasgou no meio a rotina diante de todos e deu peso aos dias. A avó, blindada pela vacina, assiste ao caos bem de longe, ensaiando um sorriso debochado. Os tios estão tomando cloroquina e as primas ainda têm forças para tomarem a medicação da mão dos pais. Eu, salva pela minha incansável obediência às regras de segurança sanitária, teimei em testar negativo. Dois <em>não reagentes</em> foram o necessário para que eu acreditasse. Estava no ninho contaminado, armada de álcool em gel, escondida pela pff2 e, criminosa às leis do agora, refugiada no meu quarto.</p>



<p>É o nono dia do isolamento mais torto que precisei fazer. Porque o vírus me anestesiou sem me encostar. O que, apesar de não querer fazer desfeita, não me preparei para vivenciar. Eu tinha plano para tudo: me isolar com a família, fugir para outro lugar a tempo de não colocar ninguém em risco, tinha até mesmo a rota de fuga para o hospital, o telefone de ambulância brilhando num imã na geladeira. Eu tirei a poeira dos jogos de tabuleiro para a quarentena sintomática. Só não planejei me isolar no miolo do vírus sem ser notada. O que embala a solidão é a segurança em ser isolada a tempo, em sentir o pulmão inspirar e expirar a irretocável saudade.&nbsp;</p>



<p>Nos primeiros dias observando o mundo da janela, escrevi sozinha contra o vazio. Poesia adolescente, versos de músicas que nunca tocarão no rádio, cartas de amor, contos vingativos, roteiros de novelas mexicanas. Despi todas as palavras do meu corpo. E completamente nua, li — não só os livros dançaram na estante, mas os diários antigos também. Bisbilhotei tudo o que pude. Revisitei as fofocas e fui do passado ao futuro, trancada no cômodo.</p>



<p>Lá pelo sétimo dia, o eco me apertou um pouco mais na cama. As quatro paredes me encaravam, parecendo tímidas, mergulhadas em um silêncio visual. Seduziram minhas canetas, tentaram me conquistar a rimar por tudo. Se eu não tivesse me distraído com uma folha de papel, teriam me encontrado, horas depois, amarrada ao teto por uma frase bonita.</p>



<p>O frio agora avança pelo chão e escala os móveis. O ar, tão entediado quanto eu, protesta em uma necessidade física, certeira e desesperada: <strong>é preciso gente para não virar bicho</strong>. É preciso prosa boba, abraço desajeitado de <em>até mais</em>, humor áspero, som de violão ao vivo para dançar. É preciso encostar as esquinas do corpo, encontrar os olhos no espaço, beijar as coincidências da vida. Quando começo a sonhar, me interrompe o calendário: ainda não, ainda não, ainda não&#8230;</p>



<p>Com a dor subjetiva latente no peito diante dos dias que se arrastam até o desaparecimento dos sintomas que ecoam nessa casa, peço chamego silábico. Colo literário, rimas de dengo e amor romântico. Faço o mesmo: tiro as palavras mais atraentes do armário, me visto toda de prosa, sublinho o chão com meus verbos envelhecidos pelo dicionário e escrevo com o corpo. Remexo as águas do coletivo, subo a poeira do laço e escorrego desapressada para dentro de um abraço textual. Mesmo não sendo religiosa, me vejo munida de fé gramática para atravessar. E como quem diz <em>amém, assim seja, que Deus esteja com você,</em> eu digo: se tirarem o corpo do mundo, atirem a palavra no corpo.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/73656-fernanda-zeloschi.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14057 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Fernanda Zeloschi </strong></strong>é estudante de Psicologia e, quando ninguém está olhando, escreve e compartilha seus questionamentos e descobertas na página @<a href="https://www.instagram.com/fazerafetar/">fazerafetar</a>.</p>
</div></div>



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		<title>REALIZAR O CENSO É GARANTIR QUE NINGUÉM FIQUE PARA TRÁS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Em artigo publicado na Folha de São Paulo, a&nbsp;representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) no Brasil, Astrid Bant, defende a realização do Censo Demográfico no Brasil o quanto antes.&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>O Brasil tem enfrentado&nbsp;incertezas&nbsp;em relação à&nbsp;realização do Censo Demográfico.&nbsp;Com&nbsp;os impactos trazidos pela&nbsp;pandemia de COVID-19, a realização do estudo&nbsp;é ainda mais importante. O&nbsp;atraso prolongado poderá deixar milhões na invisibilidade e dificultar a&nbsp;avaliação dos progressos do país nos compromissos pactuados na&nbsp;Agenda 2030.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Além de&nbsp;representante do UNFPA no Brasil, Astrid Bant é&nbsp;antropóloga, socióloga e psicóloga,&nbsp;formada por University of Amsterdam e The New School for Social Research (EUA).</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Leia a íntegra do artigo a seguir.</em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/large/public/2021-05/pss-2_home.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="trabalhadores do IBGE realizam o censo com máscaras" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Como parceiro histórico do IBGE, o UNFPA apoia a realização do Censo. Ele garante que políticas<br>públicas alcancem as pessoas que mais precisam e que ninguém seja deixado para trás.<br>Foto | Agência IBGE</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>O Brasil tem enfrentado&nbsp;incertezas&nbsp;em relação à&nbsp;realização do Censo Demográfico. Como um parceiro histórico do Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE) na condução deste processo, o&nbsp;Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA)&nbsp;defende a realização do recenseamento, que é fundamental para o desenvolvimento de qualquer país. O Censo garante que políticas públicas alcancem as pessoas que mais precisam e que ninguém seja deixado para trás. Ele é ainda mais necessário em um momento de pandemia, quando tantas novas prioridades se apresentam e ainda se apresentarão.</p>



<p>O que caracteriza um levantamento censitário é a sua abrangência universal, em contraposição aos levantamentos de base amostral, que não oferecem o mesmo nível de acurácia nas informações. Assim, ao abranger todas as pessoas, o Censo Demográfico possibilita que o país acesse informações sobre a composição da população, tais como a sua distribuição por sexo, idade, raça/cor e no território.</p>



<p>Informações coletadas no Censo possibilitam, ainda, calcular&nbsp;indicadores importantes&nbsp;como taxas de fecundidade, mortalidade e expectativa de vida. No que se refere à migração, o Censo Demográfico do Brasil prima pelo nível de informação para se conhecer esse fenômeno tão importante. Por meio de diferentes estratégias e suporte a políticas públicas, é a partir do levantamento que o país formula ações voltadas para estes grupos populacionais.</p>



<p>Estamos a menos de uma década do prazo para atingir os compromissos pactuados mundialmente na&nbsp;Agenda 2030, por meio dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. A Agenda 2030, estabelecida pelas Nações Unidas, propõe uma série de metas e indicadores em setores como saúde, educação, segurança e equidade de gênero para que os países possam avaliar sua caminhada rumo a um futuro mais sustentável, de paz e prosperidade. A avaliação do progresso desses e de muitos outros compromissos dependem direta ou indiretamente das informações coletadas pelo Censo Demográfico.</p>



<p>No mundo inteiro, o IBGE é uma referência na realização de censos demográficos e pesquisas. A instituição, inclusive, contribui com a capacitação de diversos países para prepará-los na coleta de dados censitários. Com o apoio do UNFPA Brasil, por exemplo, por meio do projeto Centros de Referência em Censos com coleta eletrônica, o IBGE capacitou Cabo Verde e Senegal para que apoiem outros países do continente africano a realizar censos com base na tecnologia brasileira.</p>



<p>No Brasil, o Censo Demográfico vem sendo realizado com periodicidade de dez em dez anos ininterrupta desde 1940, tendo ocorrido apenas o percalço do adiamento de um ano na década de 1990. Como em diferentes países do mundo, a pandemia de COVID-19 determinou a suspensão do levantamento censitário em 2020. Porém, um atraso muito grande na realização do Censo significaria correr o&nbsp;risco de deixar milhões na invisibilidade. O Censo Demográfico precisa, portanto, ser realizado o quanto antes.</p>



<p>O Fundo de População das Nações Unidas firmou recentemente uma nova parceria com o IBGE para trabalhar na modernização do recenseamento, de forma que ele seja feito da forma mais eficiente possível, considerando a pandemia. Ainda assim, a operação em campo continua sendo essencial e tem custos. Tais custos representam investimento absolutamente necessário se levados em consideração o tamanho e a complexidade do país. O investimento terá retorno por meio de políticas eficazes, de progressos no desenvolvimento socioeconômico e da redução das desigualdades sociais.</p>



<p>Conhecer e ter informações sobre o país será&nbsp;fundamental durante e após a pandemia da&nbsp;COVID-19. Somente com conhecimento será possível vislumbrar soluções, definir prioridades, encontrar o caminho para reconstruir o que for necessário —sem esquecer, sobretudo, as pessoas que mais precisam ser vistas. A informação é uma poderosa ferramenta de planejamento e também uma forma de garantir o futuro, salvar vidas e permitir o acesso a direitos para todos e todas.</p>



<div style="height:30px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/126901-artigo-realizar-o-censo-e-garantir-que-ninguem-fique-para-tras" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 14/05/2021 – Atualizado em 14/05/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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		<title>CORPOS AO LESTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[Danielle Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia Sáfica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Danielle Rocha</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Área física dos nossos
Corpos ao leste
poentes
são

No espaço entre seus dedos
o norte do meu
corpo</pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/31614-danielle-rocha.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15955 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Danielle Rocha</strong> é historiadora pela UNICID. Apaixonada por museus, urbanismo, prédios altos com mirantes e ciência da religião. Nas horas vagas, escreve poemas e faz desenhos de gatos.</p>
</div></div>



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		<title>A HISTÓRIA DOS MEUS FIOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[Empoderamento e negritude]]></category>
		<category><![CDATA[relato de experiência]]></category>
		<category><![CDATA[Transição Capilar]]></category>
		<category><![CDATA[vivências negras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Thalita Alvarenga</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Cresci com a minha mãe trançando os meus cabelos, um cuidado precioso que eu não valorizava. Meu sonho era poder usar o cabelo solto, mas não imaginava um cabelo crespo, e sim um cabelo liso. Na época, esse era o costume das mães negras; antes das suas filhas atingirem uma idade considerada normal para alisar os fios, as mães os trançavam.</p>



<p>Ainda hoje me recordo que sempre passava parte das minhas férias na casa da minha avó. E em uma delas, ela me sentou na escada que dava acesso à casa para trançar os meus cabelos com aquelas mãos negras, suas unhas longas pintadas em vermelho. Ela falava: nunca deixei a sua mãe sem arrumar o cabelo, andava com ela sempre com os cabelos trançados e com fita na cabeça.</p>



<p>Essa era a única condição aceitável para os cabelos crespos. O ato de trançar o cabelo era lindo por ser uma tradição, mas também era triste, pois não podíamos usar os nossos cabelos naturais se não fosse com tranças. As mulheres negras e crespas não nasceram para andar com os cabelos soltos.</p>



<p>Quando comecei a frequentar o jardim de infância, via minhas colegas de cabelos lisos soltos e, para mim, aquele era o ideal a ser alcançado. Além de ter várias bonecas Barbie com cabelos longos, lisos e loiros. Eu não me via nas bonecas e na TV. Então comecei a pedir a minha mãe para me deixar de cabelo solto &#8211; e eu pensava que ele ficaria como o das meninas da escola ou o das bonecas, liso e com movimento. O alisamento foi a tendência natural que minha mãe seguiu para atender ao meu pedido.</p>



<p>É importante dizer que o alisamento, naquela época, era a única opção. Não existia a diversidade de produtos que hoje encontramos para cabelos crespos. Não sabíamos como pentear os nossos próprios cabelos, como cuidar deles. Não existia representação. Ser crespa era ter o cabelo duro e ruim, não era bonito. Nosso cabelo, naquela época, servia para nos fazer sofrer, para nos fazer sermos olhadas com olhos tortos.</p>



<p>O processo de alisamento dos cabelos era sempre sofrido. O produto queima a nossa cabeça. É preciso ir passando na raiz, mecha por mecha, até que tenha produto em toda a cabeça &#8211; e, se você for mais sensível, pode passar por muitas queimaduras que depois viram feias feridas.</p>



<p>Assim cresci, alisando as raízes do cabelo a cada três meses e submetendo os meus cabelos ao calor do secador com uma frequência absurda. Lembro-me o quanto eu odiava o dia de alisar os cabelos, porque significava ficar horas sentada para &#8220;arrumar os cabelos&#8221;. Quando ia ao salão de beleza para fazer o procedimento, ficava o dia todo e muitas vezes faltava à aula para passar por esse processo.</p>



<p>Lembro-me também que nos dias de chuva, em que, apesar de querer andar nela sem sombrinha, não podia porque acabaria com toda a escova e eu passaria vergonha. Sabe o filme &#8220;Felicidade por um fio&#8221;? Para nós que passamos pelos processos descritos no filme, ele faz total sentido.</p>



<p>Mas um dia decidi me libertar.</p>



<p>Tudo começou quando vi em um vídeo do YouTube uma propaganda de várias mulheres negras que decidiram assumir os seus cabelos. Eu ainda não fazia ideia de como fazer. Não fazia ideia de que precisaria parar de alisar o cabelo. Não fazia ideia de como era a textura dos meus fios, mas me joguei na pesquisa. Justo no dia em que minha mãe já estava pensando em alisar os meus cabelos novamente, eu disse: vou assumir o meu cabelo, quero ele natural.</p>



<p>Para muitos, essa jornada não é fácil. Cada um deve lidar de uma forma diferente nesse caminhar que faz parte de um autoconhecimento, mas também faz parte de um empoderamento. É impossível falar de transição capilar sem falar em empoderamento, pois por mais que você esteja tentando se livrar de um ideal, ainda assim existe para muitas meninas o ideal de cabelo crespo bonito.</p>



<p>Muitas meninas não querem ter um cabelo 4C e, por desconhecem a textura dos seus cabelos, podem acabar se frustrando ao final da transição. Então, desde o princípio, tomei a consciência básica de que o meu cabelo é o tipo certo para o meu corpo, e que eu queria amá-lo independente da forma. É importante dizer que, por ficar durante anos alisando o cabelo, não sabia mais como ele era. Sim, nós passamos a desconhecer essa casa que habitamos e chamamos de corpo.</p>



<p>E assim, fui lendo e compreendendo. Fui aprendendo a lidar com os meus fios, descobrindo qual a hidratação que ele mais gosta, a finalização que daria melhores resultados e aprendendo a me amar mais.</p>



<p>Foi todo um processo de me descobrir e aprender a me aceitar, mesmo que para muitas pessoas, ainda hoje, este seja um cabelo feio. Por isso, digo que a transição capilar não acaba com o BC (grande corte); é um processo que perdura por muito tempo, até que você aprenda a se amar de verdade e amar o seu cabelo. Se você está passando pela transição capilar tenha calma, se respeite e se apaixone por cada novo fio que nasce. Se apaixone por todo o processo. Vibre por cada centímetro de cabelo que cresce. Você verá que valerá muito a pena no final.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/345f1-thalita-alvarenga.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15948 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Thalita Alvarenga</strong></strong></strong></strong></strong> é formada em jornalismo e estudante de Literatura.<br>Trabalha com redação de Marketing digital e é apaixonada por escrita literária.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] pés</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 May 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 092]]></category>
		<category><![CDATA[desenho]]></category>
		<category><![CDATA[Lais Lovison Sturaro]]></category>
		<category><![CDATA[pintura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Giorge di Santi</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Através&nbsp;desses&nbsp;pés, com profundas&nbsp;feridas, calejados, disformes, marcados pelos caminhos, pela vida&#8230; suas histórias.&nbsp; Um contato com o individuo descartado da sociedade, que nesse lugar “democrático” chamado “Cracolândia”, chão do sem chão, se sente acolhido. &nbsp;</p>



<p>Uma reflexão sobre o Ser Humano&nbsp;que compõe essa&nbsp;tribo “de&nbsp;Refugiados Urbanos&#8221; contrapondo&nbsp;o paradigma &#8220;Droga&nbsp;e Drogados”; sua nuance&nbsp;e estereótipos.</p>



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<p>Trabalhando há cinco&nbsp;anos&nbsp;como enfermeira junto as pessoas em situação de rua,&nbsp;transitando pelos&nbsp;inúmeros&nbsp;nichos&nbsp;da&nbsp;região central de São Paulo&nbsp;e nos&nbsp;últimos&nbsp;tempos na Luz, lugar&nbsp;intitulado “Cracolândia&#8221;, a cada&nbsp;dia, a&nbsp;cada&nbsp;escuta, a&nbsp;cada vínculo&nbsp;estabelecido, aumenta&nbsp;a indagação e grande&nbsp;inquietude, baseadas&nbsp;nas histórias de vida desses sujeitos ,&nbsp;que neste espaço chegam “pelos próprios pés” de diversos lugares, de diversos saberes, de rupturas e descartes dos vínculos familiares e sociais, e encontram um acolhimento dentro da exclusão.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Nessa vivência, a percepção&nbsp;dentro&nbsp;de diferentes contextos, tanto na&nbsp;vida&nbsp;profissional,&nbsp;nas relações&nbsp;pessoais,&nbsp;na exploração&nbsp;da mídia ou da&nbsp;sociedade em&nbsp;geral,&nbsp;o olhar é veemente&nbsp;para&nbsp;&#8220;droga e&nbsp;o drogado”,&nbsp;onde estereótipos&nbsp;e preconceitos são estabelecidos, dando invisibilidade, anulando&nbsp;e enquadrando&nbsp;esse sujeito, suas&nbsp;especificidades,&nbsp;sua própria&nbsp;vida.&nbsp; A partir dessas&nbsp;questões&nbsp;, desse incomodo, busco através dos pés, em sua diversidade,&nbsp;a compreensão,&nbsp;aproximação e o olhar&nbsp;com e sobre esses&nbsp;sujeitos que compõe essa dinâmica&nbsp;social. Pés são esses&nbsp;que carregam&nbsp;suas&nbsp;historias, maneiras de&nbsp;(sobre)&nbsp;viver e&nbsp;conviver,&nbsp;seus corpos,&nbsp;suas marcas, dores, alegrias; pés que possibilitam&nbsp;enxergar a&nbsp;integralidade do ser.</p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:42.70198%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/5ac79-image2.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/5ac79-image2.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=650 650w" alt="" data-height="433" data-id="15972" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15972" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6cc45-image2.jpeg" data-width="650" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/5ac79-image2.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/e0e82-image3.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/e0e82-image3.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=650 650w" alt="" data-height="433" data-id="15973" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15973" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/adc9a-image3.jpeg" data-width="650" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/e0e82-image3.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/5a4e3-image4.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/5a4e3-image4.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=650 650w" alt="" data-height="433" data-id="15974" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15974" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/2e67e-image4.jpeg" data-width="650" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/5a4e3-image4.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:57.29802%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/ef484-image5.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=433 433w" alt="" data-height="650" data-id="15975" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15975" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/77061-image5.jpeg" data-width="433" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/ef484-image5.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:30.78004%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/50654-image6.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=433 433w" alt="" data-height="650" data-id="15976" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15976" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cb936-image6.jpeg" data-width="433" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/50654-image6.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:69.21996%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/bc224-image7.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/bc224-image7.jpeg?w=950?strip=info&#038;w=650 650w" alt="" data-height="433" data-id="15977" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=15977" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/40d24-image7.jpeg" data-width="650" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/05/bc224-image7.jpeg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9f716-giorge-de-santi.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15980 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Giorge di Santi</strong> é fotógrafo desde 1990, formado pela Escola Panamericana de Artes (SP). É artista residente da Casa Amarela Quilombo Afroguarany, acompanhando e registando o movimento cultural. </p>
</div></div>



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