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	<title>Arquivos Ano 003, N 111 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O DIA EM QUE A MEMÓRIA PAROU DE EXISTIR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado</p>
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<p>Em um artigo de 1993 cujo título é “Entre memória e história: A problemática dos lugares”, Pierre Nora anuncia “fala-se tanto de memória porque ela não existe mais”. Segundo o autor, havia uma noção cada vez mais acelerada de um passado morto e, dessa forma, a construção de uma consciência de si sob o signo do fim de alguma coisa. Tradição, costume e ancestralidade estariam, se não mutadas, em repetição dado o sentimento histórico que restava. Nesse ponto, nota-se a diferenciação entre história e memória para o autor e, de fundamental importância, é a compreensão da memória vinculada e instalada no <em>sagrado</em> de grupos, ou seja, um elo de vida carregada de símbolos e alimentada por determinado grupo, enquanto a história seria laicizante por sua própria operação intelectual em observância da análise e discurso crítico e, com isso, teria vocação para o universal. <em>A memória é um absoluto e a história só conhece o relativo</em> (NORA, 1993, p. 9). A noção atribuída ao fim da memória, diz respeito, portanto, a <em>história-memória</em> como símbolo discursivo de grupos que buscavam tendências universais pelas suas próprias lembranças e esquecimentos. <em>A história, ao contrário [da memória], pertence a todos e a ninguém</em> (NORA, 1993, p. 9).</p>



<p>A este ponto do texto, talvez, você esteja se perguntando sobre os monumentos já produzidos em reflexo de memórias. Os chamados <em>lugares de memória</em> seriam, segundo o autor, prova de que não há mais meios de memória, ou seja, <em>se habitássemos ainda nossa memória, não teríamos necessidade de lhe consagrar lugares (</em>NORA, 1993, p. 8)<em>.</em> Um outro questionamento, seria o meio pelo qual essas memórias ocupam os seus devidos lugares, no sentido de quem a transporta e, segundo Nora, o transporte da memória para seus lugares de refúgio seria a própria história, não os grupos, mas a história que, por sua vez, é construção eternamente incompleta. Os lugares de memória são, por consequência, restos. Arquivos, museus, cemitérios, coleções, enfim, são ilusões de uma eternidade findada cuja potência se relaciona aos rituais comemorativos que nos fazem crer que nada surge espontaneamente, assim, é necessário organizar celebrações, comemorar aniversários, etc.</p>



<p><em>Tudo o que é chamado hoje de memória não é, portanto, memória, mas já história</em> (NORA, 1993, p. 14). Havendo o rasto, a distância e a mediação, não falamos mais da memória, pois já estamos dentro da história. Ainda que a memória seja experimentada no interior, ela demanda suportes exteriores e referências para lograr êxito em sua própria existência e, nesse movimento em que a história surge como transporte a memórias ela as coloca sob tempos e contextos, isso em si, já indicava um movimentação na historiografia dos anos 90, a rigor, um desenvolvimento para além do capital experimentado na intimidade das memórias, mas uma ampliação para uma história através de reconstituições. A medida em que a história relativiza memórias, ela também a materializa como testemunho de um passado desconhecido pois, ainda que não diga respeito a uma representação irrefutável e absoluta (dentro da metodologia e disciplina histórica), faz parte do vestígio, é característica sem a qual não chegamos ao passado.</p>



<p>Pensar o contexto em que Nora escreve em 1993, é refletir acerca das densas produções historiográficas realizadas sobre a 2º Guerra Mundial que, diretamente, dizia respeito a memória do Holocausto. Para os judeus, o Holocausto é uma marca irrevogável em sua história e, ainda que existam memórias individuais, elas são construídas através de memórias coletivas, portanto, é um <em>passado que não passa</em> para esse grupo, segundo Temístocles Cézar. A memória seletiva e negociada de uma Nação no Terceiro Reich só pode ser analisada tendo em vista as políticas de extermínio a judeus e outros grupos minoritários, por exemplo. Ao futuro não pertence a memória ou não deveria pertencer a narrativa das “boas intenções” de Hitler e, por isso, a história transporta memórias quando já colocadas sob o escopo de cada tempo, com a interface dos diversos sujeitos imersos no processo histórico. Ao fim e ao cabo, ainda que exista a construção de memórias relativas aos “vencedores”, cabe a história entender não apenas os que não “venceram”, mas também os que não estavam travando diretamente os confrontos. A memória pode tentar justificar barbáries como também significar a inclusão de grupos outrora marginalizados e silenciados na própria história, falei um pouco sobre isso no meu último texto. Para uns, a história irá significar a quebra da relação de veneração com os outros do passado e, para outros, um grito potencializador após séculos de silêncio e, sempre, será uma forma contínua de reimaginar a si no presente.</p>



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<p><strong>REFERÊNCIA:</strong></p>



<p>NORA, Pierre. &#8220;Entre memória e história: A problemática dos lugares&#8221;. In: Projeto História. Revista do Programa de Estudos Pós-Graduados de História. São Paulo: PUCSP, vol. 10. dez. 1993</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13633 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?w=1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a3d5a-gyovana-machado.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong></strong></strong></strong>é cristã, formada no Seminário Rhema Brasil, graduanda em História pela UFJF, bolsista no LAHES, interessada nas grandes áreas de teologia, política e feminismo.</p>
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		<title>24/48: A CRACOLÂNDIA EM MOVIMENTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Victória Henry</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Quando a cocaína chegou no Brasil, na virada dos anos 70, ninguém era capaz de imaginar que, em algum tempo, outra droga fosse surgir na cena pública com potencial mais destrutivo. Foi um <em>baque<sup>2</sup> </em>generalizado. Entre as grandes elites, a distribuição corria por debaixo de um pano de muita corrupção, que financiava o tráfico de drogas; enquanto nas favelas e nos grandes centros penitenciários, populações inteiras eram condenadas à pobreza endêmica, impulsionada pelo vício, e às disseminações de doenças infectocontagiosas, como quando na epidemia da AIDS, por aplicação venosa da substância viciosa.</p>



<p>Quando o crack – cocaína solidificada em cristais, que é queimada e fumada em cachimbos, muitas vezes improvisados, ou misturada em cigarros &#8211; surgiu no alvorecer dos anos 90, em plena São Paulo, a Nova York brasileira, foi como uma tsunami para a cultura estabelecida. O consumo da droga se alastrou como um vírus, uma vez que a substância era vendida a custo mais baixo do que a cocaína refinada (em pó), e seus efeitos eram sentidos quase que imediatamente – 10 segundos após sua inalação.</p>



<p>A partir daí, o crack se tornou a droga dos pobres, populações massivamente negras. Condenados ao inferno do vício, indivíduos se aglomeraram, em São Paulo, na região que era conhecida como “Boca do Lixo”, localizada no bairro da Luz. Por volta dos anos 1995, o local recebeu o nome de “Cracolândia”, um reduto de tráfico e usuários.</p>



<p>Naquele contexto, homens que antes eram responsáveis pelo sustento de famílias inteiras, agora vagavam como mortos-vivos pelas ruas paulistanas; mulheres passavam a se submeter à prostituição em troca da mínima grama da substância; crianças aprendiam desde cedo, no espelho dos seus lares, os caminhos da dependência.</p>



<p>Em meio ao caos e ao desespero pela pedra, uma nova cultura se estabeleceu no centro da capital paulista. É possível dizer, inclusive, que surgiu ali, nas desordens da Rua do Triunfo e da Rua Vitória, um nível de interacionismo simbólico que fez nascer uma outra sociedade, com suas próprias hierarquias e práxis.</p>



<h3 class="wp-block-heading">LABIRINTOS DA CRACOLÂNDIA</h3>



<p>A Cracolândia paulista é uma espécie de labirinto: os sujeitos entram e se perdem. A maioria de seus frequentadores mora nas ruas. O que leva um usuário de drogas até lá é um caminho de pedras, acentuadamente marcado pelo rompimento de relações familiares, pobreza material ocasionada pela venda de bens para consumo de drogas, desemprego, contato frequente com outros usuários (às vezes até como herança familiar) e, é claro, a dependência incontrolável.</p>



<p>A experiência lá é, como relatam os viventes, um inferno. Naquele espaço se produzem estruturas de poder hierárquicas, rituais, linguagens, crimes e símbolos próprios, que organizam um (sub)mundo muito particular para as pessoas que se ambientam na comunidade.</p>



<p>Na Cracolândia, portanto, o silêncio é a marca dos que usam; os gritos, a expressão dos que vendem. Não há, pois, na motricidade da vida do craqueiro<sup>3</sup>, forças suficientes que sustentem conversas aceleradas; a condenação aos andares em círculos, às nóias<sup>4</sup> e ao desejo pulsante por uma pedra a mais, é a realidade dos que convivem com o vício. Só há, nas barracas protegidas por toldos, a voz dos traficantes que negociam, em plena luz do dia, no coração da grande e acelerada São Paulo, gramas e mais gramas de crack. É pela necessidade de um ambiente que reproduza esse ritual que a Cracolândia nunca desaparece.</p>



<p>Para os que chegam, há a surpresa com o primeiro contato frente às dinâmicas do fluxo<sup>5</sup>. Muitos adictos relatam situações que se desenvolvem em função do crack, como a violência, a fome como companhia constante, a prostituição sempre presente, o aliciamento de menores e a convivência com transtornos psíquicos. É somente com o passar do tempo, o consumo cada vez mais frequente do crack e a posterior incorporação de certos sentidos, que o que antes aparecia como perigo, se reconfigura como a natureza daquele lugar; seus costumes e (des)ordens.</p>



<p>Se há sociedade para os usuários de crack, há linguagem que a sustente. Em todos os relatos de indivíduos que conviveram ou convivem com a realidade das drogas, é possível perceber uma rede de comunicação que se dá a partir da incorporação de novos termos à língua portuguesa – ao que os Racionais MC’s (2002) chamaram de “dialeto”. A linguagem, ali, não aparece apenas como uma representação da realidade, mas como a própria realidade, se tornando capaz de descrever situações, pessoas e atividades que só se desenvolvem naquele espaço.</p>



<p>Além disso, também na comunidade da Cracolândia se organizam os parâmetros necessários para categorizar um novo tipo de contrato social. Assim como nas prisões, existe um espaço de compartilhamento de normas não-escritas que preconiza comportamentos e define reconhecimentos diante de determinado grupo social. Na Cracolândia, quem quer crack precisa pagar para ter, seja com dinheiro, materiais, serviços ou prostituição.</p>



<h3 class="wp-block-heading">OS NÔMADES DO CRACK</h3>



<p>O que é definido como perigo, na Cracolândia, é aquilo que, na sociedade comum, pode ser visto como a representação máxima da atuação das instâncias de poder: o aparecimento das instituições policiais.</p>



<p>Em 2017, a prefeitura de São Paulo iniciou um projeto que está em curso até os dias atuais: a dissolvição da Cracolândia. A partir daquele ano, operações policiais efusivas passaram a ambientar, volta e meia, a Boca do Lixo, com ataques violentos à usuários, prisões de traficantes, apreensão de drogas e até incêndios no local.</p>



<p>Segundo dados do G1, em 2017 existia, na São Paulo pós-intervenções, cerca de oito espaços de distribuição e consumo de drogas semelhantes ao da Cracolândia (na Luz, Baixada do Glicério, Sé, Santa Ifigênia, Santa Cecília, Campos Elíseos, Cidades Tiradentes e Campo Belo), além de outros vinte e dois pontos que passaram a ser conhecidos como Mini- Cracolândias.</p>



<p>Quando digo que existe cultura na sociedade da Cracolândia, é porque, antes de mais nada, é preciso compreender que ela não irá desaparecer nas margens de uma política higienista do Estado. Os nós que ligam a sociedade paulistana à sociedade dos craqueiros se estabelecem,</p>



<p>antes de frente à uma questão geográfico-espacial e de segurança pública, nas bases das hierarquias de raça e classe que sustentam as desigualdades estruturais da cidade. É na carência de acesso à educação pública de qualidade, ao saneamento básico, ao acolhimento das assistências sociais, ao trabalho legítimo e à moradia digna, que nascem os aspirantes à usuários.</p>



<p>Portanto, no berço das políticas assistivistas devem amanhecer os saberes etnográficos. É somente através da compreensão das realidades em confluências, dos sentimentos e sentidos compartilhados e das subjetividades perdidas e construídas em um novo espaço de dinâmicas próprias, que será possível vencer os desafios individuais dos usuários de crack e vislumbrar uma saída para os labirintos sociais da Cracolândia.</p>



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<p>NOTAS</p>



<p><sup>1</sup> “24/48” (lê-se “vinte e quatro por quarenta e oito”) é uma expressão utilizada pelas populações de São Paulo e quer dizer “sem descanso”; “a toda hora”; “contínuo”; “sem parar”.</p>



<p><sup>2</sup> Duplo sentido: aplicação de droga na veia e queda brusca.</p>



<p><sup>3</sup> Usuários de crack.</p>



<p><sup>4</sup> Efeito de drogas, geralmente associado a delírios, mania de perseguição e paranoia.</p>



<p><sup>5</sup> Segundo a linguagem dos usuários, é o lugar em que sujeitos usam droga ao mesmo tempo.</p>



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<p>REFERÊNCIAS</p>



<p><strong>A DROGA</strong>. Ministério da Justiça, s.d. Disponível em: &lt;https:/<a href="http://www.novo.justica.gov.br/sua-">/www.novo.justi</a>c<a href="http://www.novo.justica.gov.br/sua-">a.gov.br/sua-</a> protecao-2/politicas-sobre-drogas/backup-senad/acervo-historico/programa-crack-1/a- droga#:~:text=No%20Brasil%2C%20a%20droga%20chegou,coca%C3%ADna%20refinada% 20(em%20p%C3%B3)&gt;. Acesso em 30/09/2021.</p>



<p>BROWN, Mano. Negro Drama. In: RACIONAIS, MC’s. <strong>Nada Como Um dia Após o Outro</strong>, 2002.</p>



<p>CASTELLANO, João. <strong>Cracolândia</strong>. El País, 2017. Disponível em:</p>



<p>&lt;https://brasil.elpais.com/brasil/2017/06/24/politica/1498315665_513345.html&gt;. Acesso em 30/09/2021.</p>



<p><strong>CRACK: Cocaína, Corrupção e Conspiração. </strong>Nelson Stanley. Netflix, 2021.</p>



<p><strong>CRACOLÂNDIA – o Caminho das Pedras. </strong>TV Brasil, 2017. 1 vídeo (51:27min). Disponível em: &lt; https://<a href="http://www.youtube.com/watch?v=BgJhoHgLWQQ">www.youtube.com/watch?v=BgJhoHgLWQQ</a>&gt;. Acesso em: 30/09/2021.</p>



<p><strong>CRACOLÂNDIA – o Retrato do Caos. </strong>Domingo Espetacular, s.d. 1 vídeo (20:12min). Disponível em: &lt; https://<a href="http://www.youtube.com/watch?v=dfsOl6BA9zI">www.youtube.com/watch?v=dfsOl6BA9zI</a>&gt;. Acesso em: 30/09/2021.</p>



<p><strong>DESESPERO, Esperança e Recomeço: 6 Histórias de Luta contra o Crack. </strong>G1, 2017. Disponível em: &lt;https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/desespero-esperanca-e- recomeco-6-historias-de-luta-contra-o-crack.ghtml&gt;. Acesso em 30/09/2021.</p>



<p>DOUGLAS, Mary. <strong>Pureza e Perigo: Ensaio sobre a noção de poluição e tabu. </strong>Lisboa: Edições 70, s.d.</p>



<p><strong>FILHOS da Rua</strong>. TV Brasil, s.d. 1 vídeo (57:26min). Disponível em:</p>



<p>&lt;https:/<a href="http://www.youtube.com/watch?v=ECbwaBNs12s">/www</a>.<a href="http://www.youtube.com/watch?v=ECbwaBNs12s">youtube.com/watch?v=ECbwaBNs12s</a>&gt;. Acesso em 30/09/2021.</p>



<p>GEERTZ, Clifford. <strong>A interpretação das culturas</strong>. Rio de Janeiro: Zahar, 1978.</p>



<p>GUIMARÃES, Juca. <strong>Cracolândia</strong>. R7, 2017. Disponível em: &lt;https://noticias.r7.com/sao- paulo/onda-de-devastacao-pelo-crack-comecou-ha-27-anos-em-sao-paulo-19052019&gt;. Acesso em 30/09/2021.</p>



<p>INGOLD, Tim. <strong>Estar Vivo: Ensaios sobre movimento, conhecimento e descrição. </strong>Rio de Janeiro: Vozes, 2015.</p>



<p>LEVI-STRAUSS, Claude. <strong>A Eficácia Simbólica. </strong>Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1975.</p>



<p>TOMAZ, K.; SOARES, W. <strong>Cracolândia se expandiu da Luz para mais 7 bairros de SP e pode aumentar, diz MP. </strong>G1, 2017. Disponível em: &lt;https://g1.globo.com/sao- paulo/noticia/cracolandia-se-expandiu-da-luz-para-mais-7-bairros-de-sp-e-pode-aumentar- diz-mp.ghtml&gt;. Acesso em 30/09/2021.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Victória Henry</strong></strong></strong></strong></strong> é graduanda no Interdisciplinar em Humanidades pela UFBA, digital marketer, bolsista UFBA no projeto &#8220;Da Monocultura à Pluricultura do Conhecimento: Ciência e Saberes Tradicionais de Cura e Cuidado na Formação em Sáude&#8221;, pesquisadora em Ciências Sociais e poetisa.&nbsp;</p>
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		<title>OS AUTÓGRAFOS NO MUSEU MARIANO PROCÓPIO</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Priscila Pinheiro</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um dos primeiros itens do acervo documental do Museu Mariano Procópio com o qual tive contato foi uma correspondência assinada por Napoleão Bonaparte. Inicialmente, o objeto chamou minha atenção pela assinatura que carrega. Em seguida, sua presença na instituição aguçou minha curiosidade, pois se trata do único documento desse personagem sob a guarda do Arquivo Histórico. Ao buscar informação sobre o item, constatei que ele faz parte da seção de “Autógrafos” do arrolamento dos bens artísticos, históricos e científicos do museu, realizado em 1944, após o falecimento do seu fundador e primeiro diretor, Alfredo Ferreira Lage.</p>



<p>A coleção de autógrafos do Museu Mariano Procópio, arrolada em meados da década de 40, é formada por diferentes tipos de documentos, produzidos entre os séculos XVI e XX. Tratam-se de  cartas, cartões, cartas patentes, poesias, composição musical, desenho e outros, elaborados por personagens brasileiros e estrangeiros, conhecidos nas áreas de história, letras, artes e ciências. Dentre os autógrafos da coleção, constam os de d. João VI, José Bonifácio, rainha Vitória, Solano Lopez, Giuseppe Garibaldi, Gonçalves Dias, José de Alencar, Eça de Queiroz, Victor Hugo, Cabanel, Léon Bonnat, Mendelssohn, Liszt, Martius, Agassiz e Emil du Bois-Reymond. Alguns deles despertam interesse pela antiguidade, como o de Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico no século XVI. Outros pela autoria, conteúdo ou forma como foram registrados. Os itens listados na seção de “Autógrafos” do arrolamento de 1944 constituem o núcleo que deu origem ao Arquivo Histórico do museu, criado em 1939.</p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:42.36179%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c3b06-autografo1-1-1024x656-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c3b06-autografo1-1-1024x656-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c3b06-autografo1-1-1024x656-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c3b06-autografo1-1-1024x656-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c3b06-autografo1-1-1024x656-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c3b06-autografo1-1-1024x656-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="2529" data-id="18363" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18363" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72fd5-autografo1-1.jpg?w=1024&amp;h=656" data-width="3945" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c3b06-autografo1-1-1024x656-1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:57.63821%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/d5f2e-autografo2-1-1024x482-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/d5f2e-autografo2-1-1024x482-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/d5f2e-autografo2-1-1024x482-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/d5f2e-autografo2-1-1024x482-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/d5f2e-autografo2-1-1024x482-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/d5f2e-autografo2-1-1024x482-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1544" data-id="18364" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18364" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/adb7b-autografo2-1.jpg?w=1024&amp;h=482" data-width="3281" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/d5f2e-autografo2-1-1024x482-1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Autógrafo de Carlos V, datado do século XVI, e detalhe com a assinatura</p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:63.64353%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/2e9cc-autografo3-1024x647-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/2e9cc-autografo3-1024x647-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/2e9cc-autografo3-1024x647-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/2e9cc-autografo3-1024x647-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/2e9cc-autografo3-1024x647-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/2e9cc-autografo3-1024x647-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="2241" data-id="18365" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18365" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d32c2-autografo3.jpg?w=1024&amp;h=647" data-width="3545" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/2e9cc-autografo3-1024x647-1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:36.35647%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/55e61-autografo4.jpg?w=950?strip=info&#038;w=517 517w" alt="" data-height="573" data-id="18366" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18366" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a14c0-autografo4.jpg" data-width="517" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/55e61-autografo4.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Autógrafos de Arthur Napoleão e d. Pedro II, respectivamente</p>



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<p>Mas, afinal, o que são os autógrafos? Para a maioria das pessoas, a palavra “autógrafo” encontra-se associada à assinatura de uma personalidade. Entretanto, a definição do termo vai além, já que qualquer item escrito por alguém é um autógrafo. Cartas, documentos, dedicatórias, desenhos, mapas, pensamentos, frases literárias ou musicais manuscritas compõem o universo dos autógrafos, que podem ou não ser assinados.</p>



<p>Durante o século XIX, a prática de colecionar autógrafos se difundiu nos países da Europa e nos Estados Unidos, e a partir do início do século XX, o comércio desses itens se consolidou. Para adquirir uma peça, os colecionadores avaliavam fatores como autoria, temática, data, raridade, procedência e estado de conservação do documento. O colecionador atento se interessava não apenas pela assinatura em si, mas pelo conteúdo do item documental.</p>



<p>Ao lançarmos um olhar mais cuidadoso sobre o autógrafo de Napoleão, pertencente ao museu, observamos que tanto o remetente quanto o destinatário da correspondência, marechal Berthier, foram indivíduos notáveis. Napoleão Bonaparte destacou-se durante a Revolução Francesa (1789-1799), movimento que modificou não somente a história da França, mas do mundo ocidental. Teve papel fundamental no chamado “Golpe do 18 de Brumário”, ocorrido em novembro de 1799, caracterizado pela dissolução do Diretório e pela instituição do Consulado, forma de governo com poder centralizado nos militares e composta por três representantes – sendo Napoleão um deles. Em 1801, tornou-se primeiro cônsul e, três anos depois, imperador da França, recebendo o título de Napoleão I. Por sua vez, Louis Alexander Berthier participou da guerra de independência dos Estados Unidos da América e das guerras revolucionárias francesas (1792-1802), sendo o responsável pela proclamação da república em Roma e a prisão do Papa Pio VI, em 1798. Nomeado marechal por Napoleão, foi uma figura importante no império francês e nas “guerras napoleônicas”, relacionadas ao expansionismo do império e, também, à transferência da família real portuguesa para o Brasil em 1808.</p>



<p>Além do remetente e destinatário da carta, outros pontos merecem destaque. Em primeiro lugar, o local e a data do documento, produzido em <em>Wagram</em> no dia 11 julho de 1809, poucos dias após a derrota do exército austríaco na batalha de <em>Wagram: </em>a vitória da França sobre a Áustria representava o avanço do império francês e de seus ideais pela Europa. Foi nessa ocasião que Berthier recebeu o título de “Príncipe de <em>Wagram</em>”. Ademais, vale ressaltar que no ano seguinte, Berthier foi incumbido por Napoleão de fazer o pedido oficial de casamento a Maria Luísa, filha do imperador austríaco recentemente derrotado. <em>Lousion, </em>que se tornou a segunda esposa do monarca francês, era irmã da futura imperatriz do Brasil, d. Leopoldina. Por fim, a etiqueta localizada na parte inferior do documento sugere que o item foi adquirido em leilão. Na década de 1930, documentos de Napoleão Bonaparte podiam ser vendidos por preços superiores a quadros de artistas renomados.</p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:14.10202%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/680ab-autografo5-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/680ab-autografo5-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/680ab-autografo5-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/680ab-autografo5-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/680ab-autografo5-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/680ab-autografo5-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="4032" data-id="18368" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18368" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f2abf-autografo5.jpg?w=768&amp;h=1024" data-width="3024" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/680ab-autografo5-768x1024-1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:49.91929%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/b0654-autografo6-1024x382-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/b0654-autografo6-1024x382-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/b0654-autografo6-1024x382-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/b0654-autografo6-1024x382-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/b0654-autografo6-1024x382-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/b0654-autografo6-1024x382-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="817" data-id="18369" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18369" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a649-autografo6.jpg?w=1024&amp;h=382" data-width="2190" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/b0654-autografo6-1024x382-1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:35.97869%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/9a15d-autografo7-1024x531-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/9a15d-autografo7-1024x531-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/9a15d-autografo7-1024x531-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/9a15d-autografo7-1024x531-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/9a15d-autografo7-1024x531-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/9a15d-autografo7-1024x531-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="1369" data-id="18370" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18370" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7fda-autografo7.jpg?w=1024&amp;h=531" data-width="2641" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/9a15d-autografo7-1024x531-1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Autógrafo de Napoleão Bonaparte e detalhes</p>



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<p>Nesse caso, o autógrafo de Napoleão corresponde exatamente a sua assinatura. No entanto, o Museu Mariano Procópio possui, também, documentos autógrafos e assinados: ou seja, manuscritos e assinados por uma mesma pessoa. Em uma carta endereçada a Alfredo Lage, datada de 1905, o autor relatava o envio de “uns versos de Castro Alves por ele escrito e que levam sua assinatura”. O remetente, Miguel de Teive e Argollo, informava ainda a procedência do documento: “Foram eles me oferecidos por sua distinta irmã D. Adelaide de Castro Alves Guimarães”. O poema é intitulado “A uma atriz” e foi dedicado a Eugênia Câmara, artista portuguesa com quem Castro Alves manteve um relacionamento, cheio de altos e baixos, entre os anos de 1866 e 1868. Por ter falecido aos 24 anos de idade, os autógrafos de Castro Alves são raros. Dessa forma, o documento escrito e assinado por ele se destaca pela autoria, conteúdo, data, procedência e raridade.</p>



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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:47.44045%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/64fd5-autografo8-693x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/64fd5-autografo8-693x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/64fd5-autografo8-693x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/64fd5-autografo8-693x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/64fd5-autografo8-693x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/64fd5-autografo8-693x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="3961" data-id="18372" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18372" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1679d-autografo8.jpg?w=693&amp;h=1024" data-width="2681" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/64fd5-autografo8-693x1024-1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:52.55955%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/bed4f-autografo9-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/bed4f-autografo9-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/bed4f-autografo9-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/bed4f-autografo9-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/bed4f-autografo9-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/bed4f-autografo9-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="4032" data-id="18373" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18373" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/63fbb-autografo9.jpg?w=768&amp;h=1024" data-width="3024" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/bed4f-autografo9-768x1024-1.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size">Autógrafo de Castro Alves</p>



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<p>Para formar sua coleção de autógrafos, Alfredo valeu-se de compras em leilões e recebimento de doações, procurando reunir documentos aos quais poucas pessoas teriam acesso no Brasil. Todavia, se naquele momento o documento era pensado de forma isolada, como uma peça rara, curiosa ou “sagrada”, hoje ele é compreendido como um objeto gerador de conhecimento. Por isso, torna-se necessário interrogar o documento e as narrativas nas quais ele se insere: foi feito por quem e pra quem? Quando? Em que contexto? Por que foi incorporado ao museu? Como? Qual o uso que a instituição fez e faz dele? A preservação de uma coleção documental se justifica pela necessidade de pesquisá-la e comunicá-la aos diversos públicos e às gerações futuras. Ao ser pesquisada e comunicada, a coleção é, ainda, preservada. Eis aí um grande desafio que deve ser enfrentado pelos museus da atualidade: preservar, investigar e comunicar seu acervo, de modo que ele possibilite a construção do conhecimento.</p>



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<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>LAGO, Pedro Corrêa do. <em>Documentos autógrafos brasileiros.</em> Rio de Janeiro: Salamandra, 1997.</p>



<p>PREFEITURA MUNICIPAL DE JUIZ DE FORA. Arrolamento dos bens artísticos, históricos e científicos do Museu Mariano Procópio, 1944.</p>



<p>PROCÓPIO, Rita de Cássia de Andrade. <em>O Arquivo Histórico do Museu Mariano Procópio: </em>de Carlos V a Arthur Arcuri &#8211; Cinco séculos de história. Juiz de Fora, 2002. (Monografia, Funalfa/PJF).</p>



<p>RAMOS, Francisco Régis. <em>A danação do objeto:</em> o museu no ensino de História. Chapecó: Argos, 2004.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="210" height="210" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1471b-priscila-pinheiro.png?resize=210%2C210" alt="" class="wp-image-17714 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1471b-priscila-pinheiro.png?w=210&amp;ssl=1 210w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1471b-priscila-pinheiro.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1471b-priscila-pinheiro.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 210px) 100vw, 210px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Priscila da Costa Pinheiro </strong></strong></strong></strong></strong>é graduada e mestre em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e professora da Secretaria Municipal de Educação de Juiz de Fora. Atua como historiadora na Fundação Museu Mariano Procópio, dedicando-se à pesquisa e difusão do acervo arquivístico e bibliográfico da instituição.</p>
</div></div>



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		<title>A IDEIA DE EUROPA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Marina Alexiou</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A ideia de tentarmos elaborar em nosso coração sobre as coisas que duram e que explicam a si mesmas através do olhar atento de quem observa não é nova, apesar de conservar o fascínio em suas raízes.</p>



<p>Antigos e ancestrais, os símbolos que compõem a Ideia de Europa são o tema de um pequeno mas belíssimo e profundo livro do filósofo George Steiner (<em>A Ideia de</em> <em>Europa</em>, Relógio D&#8217;Água Editores, 2017), sobre o qual me atrevo a tecer alguns breves comentários.</p>



<p>Servindo-se de uma argumentação objetiva, perscrutante e, ao mesmo tempo, poética e filosófica, Steiner nos assegura que a história da Europa foi construída a pé, através do exercício peripatético dos caminhantes. Passos perdidos na alma da Europa, todavia, encontrados em cada esquina, em cada café, em cada praça, em cada rua&#8230; a formar uma pátina inesquecivelmente humanizante e humanizadora.</p>



<p>No livro, ficamos sabendo da lenda do deus que pode aparecer à nossa porta, disfarçado de pedinte, a pedir&#8230; hospitalidade. Sagrado conceito esse, o da aceitação do desconhecido e do mistério, sem necessidade de garantias ou respostas. Walter Benjamin sintetiza na frase: “Enquanto houver um mendigo, haverá mitologia”. Mitologia traduzida nessa espera pelo caminhante solitário e incógnito. Visita insólita, inesperada e de possibilidades inauditas.</p>



<p>Contudo, sem ele, não há renovação; não há aprendizado. Não há troca, nem mensagens novas. Nem estranhamento, valioso impulsionador da tolerância, apesar do espanto.</p>



<p>De alguma forma, todos somos (os do passado, do presente e do futuro) caminhantes.  E edificadores, como esse deus que pede por abrigo e que tem tantas histórias para contar e belezas para acrescentar, como argamassa de suas tantas experiências acumuladas na memória e no coração.</p>



<p>E as pedras vão se sobrepondo. Nas casas, nas ruas, nas fontes, nas catedrais, nos palácios. Edificação como ethos de um lugar com tantas nuances e vivências comuns. De logro e sofrimento. Intelectualidade e guerras. Pestes e dizimações. Poesia e filosofia.</p>



<p>Europa, construção coletiva que perdura em seus fundamentos muito solidamente calcados por pisadas tão diversas&#8230; Lugar de Kant e Sthendal. Molière e Racine. Beethoven e Bach. Robespierre e Rousseau. Caravaggio e Picasso. Alexandre e Bonaparte. Patíbulos e reinados&#8230; Lugar da barbárie em seu caminho à civilização. Construção expressa nas efígies das moedas e nas placas das ruas. Nos recuerdos dos cafés (a essência da Europa) e nos vitrais das catedrais. Nas universidades e nas praças.</p>



<p>Toda uma grandeza que pode ser sentida ao caminharmos diante da casa de Rembrandt. Ao atravessarmos a Ponte Vecchia, ou visitarmos o Palazzo Medici, percorrendo a rua em que Michelangelo deve ter pisado para ir ter com Lorenzo&#8230;</p>



<p>O “mapa das cafetarias” traz as constelações que guiam os encontros, e as trocas entre o flaneur, o poeta, o artista, o escritor e o revolucionário&#8230; e o caderninho estratégico sempre nos bolsos dos seus casacos.</p>



<p>Onde habitaram tantos pensamentos, sonhos, devaneios, críticas e esboços. Formadores, ao longo dos séculos, da morada de um ethos europeu que não se descola dos passos perdidos, mas encontrados e ubíquos, apesar de toda a tecnologia e burocracia, que se sobrepõem ao desenho original, o das raízes. Que vão fundo, como a da árvore de Odisseu, espinha dorsal do seu palácio.</p>



<p>Europa&#8230; uma representante de um sonho tão antigo como uma ária arcaica, não deve ser esquecida. Quem sabe ela, que representa a civilização imorredoura como bem o sabia Enéias, um dia fará parte da ancestral missão de levar o remo para o lugar onde não existe mar, auxiliando, assim, a completar o outro lado da moeda&#8230;</p>



<p>Conforme dizia Steiner, a dignidade da nossa espécie reside no procurar o conhecimento desinteressado e criar beleza. E entre os filhos de Atenas está a estrada que leva à convicção de que “uma vida não examinada” é indigna de ser vivida. Prestar atenção a cada passo, cada dobrar de esquina e formar o desenho dos tempos idos. E vindos&#8230;</p>



<p>Na poeira do caminho, nos espera o nosso próprio rosto. Em seu derradeiro examinar.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="685" height="685" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?resize=685%2C685&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18178 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?w=685&amp;ssl=1 685w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 685px) 100vw, 685px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Marina Alexiou</strong> é mestre em Filosofia pela PUC/SP e estudiosa das Artes. Escritora de prosas poéticas desde 2009, participou do livro “Coimbra em Palavras&#8221;,  lançado em Portugal em 2018. Gosta de colecionar belas imagens, pois elas a levam para o seu mundo simbólico inspirando a sua escrita.</p>
</div></div>



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		<title>O FIM DA HISTÓRIA</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Iverson Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Como lidar com algo que acaba de repente de forma inesperada?</p>



<p>Por mais que soubesse o fim daquela história, eu não estava preparado para aquela ruptura.</p>



<p>Havia conhecido Anne em fins de dezembro passado. Jovem, na sua adolescência, me apresentou seus sonhos e planos. Fui fisgado pela forma apaixonada como falava de seus planos. Talvez essa seja uma das maiores qualidades do ser jovem, falar com paixão&#8230;</p>



<p>Anne abriu seu coração, também. De uma forma como ainda não tinha experimentado, me permitiu entrar em detalhes, segredos de sua vida, dividiu suas angústias e lutas. Confidenciou seus conflitos, que não eram poucos; me fez pensar minha relação de filho com meus pais; assim como me fez pensar minha relação de pai com minhas filhas.</p>



<p>Anne despertou minha admiração, me conquistou por sua leitura madura de mundo e por uma erudição fora do comum. As vezes me esquecia que era uma adolescente. Em sua fragilidade, demonstrou uma vitalidade acima do normal, desejo intenso de viver e um talento único para escrita. Sua escrita fascinava.</p>



<p>O mais surpreendente, porém, foi perceber pelos seus olhos que ainda somos reféns de nossos preconceitos e, pior, que ainda somos os causadores dos nossos males e promotores de todo tipo de descaso. Por outro lado, me mostrou como ainda podemos acolher, ajudar, proteger e resistir. Em meio ao caos, me fez acreditar que amor surge nos contextos mais improváveis. E cá entre nós, amor adolescente é singular.</p>



<p>Quando tudo parecia bem, caminhar para um final feliz, ela parou de falar. Era 04/08/1944. Alguém os entregou.</p>



<p>Tudo havia acabado. Seu pior pesadelo não deu conta da realidade de um campo de concentração. Com 14/15 anos, Anne sucumbiu de forma trágica. Tudo havia acabado: amor, brigas, sonhos…. Esperança.</p>



<p>Anne, assim, me deu duas últimas lições: 1) às vezes, o mais importante é como vivemos o hoje; 2) nem todos os finais são felizes.</p>



<p>Como você tem escrito sua história?</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="256" height="256" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=256%2C256" alt="" class="wp-image-17619 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?w=256&amp;ssl=1 256w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 256px) 100vw, 256px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Iverson Silva </strong></strong></strong></strong></strong>é professor de História da Rede Pública, Historiador e Escritor.</p>
</div></div>



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		<title>CONFERÊNCIA REGIONAL SOBRE A MULHER DA AMÉRICA LATINA E DO CARIBE PROMOVE ECONOMIA DO CUIDADO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Autoridades e representantes da sociedade civil e de organismos internacionais participaram da abertura da 61ª Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, organizada pela CEPAL em coordenação com a ONU Mulheres.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>O evento debate a criação de empregos decentes para as mulheres como forma de alcançar uma recuperação transformadora, sustentável e com igualdade de gênero na região.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Os participantes retratam um cenário no qual as mulheres estão sobrerrepresentadas no desemprego, na informalidade, na pobreza, no trabalho doméstico e de cuidados, e na primeira linha de resposta à pandemia do setor da saúde.</em></p>



<p class="has-text-align-center">&#8220;Cabe des<em>tacar que 6 em cada 10 mulheres da região estão concentradas em setores de alto risco afetados pela pandemia, como manufatura, comércio, trabalho doméstico remunerado e turismo&#8221;, argumentou um representante da CEPAL, endossando um apelo para investir na economia do cuidado na região.</em></p>



<p class="has-text-align-center">Dur<em>ante a reunião serão trabalhados os preparativos para a XV Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, que será realizada na Argentina em 2022.</em></p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="900" height="600" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/16c4c-onu-capa.jpg?resize=900%2C600&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18391" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/16c4c-onu-capa.jpg?w=900&amp;ssl=1 900w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/16c4c-onu-capa.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/16c4c-onu-capa.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/16c4c-onu-capa.jpg?resize=144%2C96&amp;ssl=1 144w" sizes="(max-width: 900px) 100vw, 900px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>6 em cada 10 mulheres da região estão concentradas em setores de alto risco afetados pela pandemia, como manufatura, comércio, trabalho doméstico remunerado e turismo<br>Foto: © Yosef Hadar/Banco Mundial</figcaption></figure>



<p>Autoridades de governo e representantes de &nbsp;organismos internacionais, da academia, de organizações de mulheres e feministas e da sociedade civil fizeram um apelo urgente para investir na economia do cuidado na América Latina e no Caribe. A discussão aconteceu durante a abertura da&nbsp;<a href="https://www.cepal.org/es/eventos/61a-reunion-la-mesa-directiva-la-conferencia-regional-la-mujer-america-latina-caribe">61ª Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe</a>. Realizado de forma virtual, o evento termina hoje (30) e debate a criação de empregos decentes para as mulheres para alcançar uma recuperação transformadora, sustentável e com igualdade de gênero na região.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="61 Reunión de la Mesa Directiva de la Conferencia Regional sobre la Mujer" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/79AoruJyTiE?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p>A reunião, que conta com a participação de Ministras da Mulher e autoridades dos mecanismos para o avanço das mulheres, é organizada pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (<a href="https://www.cepal.org/es/comunicados/instan-transitar-sociedad-cuidado-america-latina-caribe-lograr-recuperacion">CEPAL</a>), que atua como Secretaria Técnica da Conferência, em coordenação com a Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e o Empoderamento das Mulheres (<a href="http://www.onumulheres.org.br/">ONU Mulheres</a>).</p>



<p>Na sessão de abertura participaram: Raúl García-Buchaca, Secretário-Executivo Adjunto para Administração e Análise de Programas da CEPAL, representando Alicia Bárcena, Secretária-Executiva da CEPAL; María-Noel Vaeza, Diretora Regional da ONU Mulheres para as Américas e o Caribe; e Mónica Zalaquett, Ministra da Mulher e da Equidade de Gênero do Chile, na qualidade de Presidente da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe.</p>



<p>Raúl García Buchaca destacou que a crise da COVID-19 aprofundou as desigualdades de gênero na região: as mulheres estão sobrerrepresentadas no desemprego, na informalidade, na pobreza, no trabalho doméstico e de cuidados, e na primeira linha de resposta à pandemia do setor da saúde, conforme detalhado.</p>



<p>“Cabe destacar que 6 em cada 10 mulheres da região<strong>&nbsp;</strong>estão concentradas em setores de alto risco afetados pela pandemia, como manufatura, comércio, trabalho doméstico remunerado e turismo”, afirmou o representante da CEPAL e alertou que “estamos diante de um paradoxo da recuperação: mesmo quando se observa um aumento de 2,2 pontos percentuais na taxa de participação no mercado de trabalho das mulheres, as projeções para 2021 estimam que apenas os homens retornarão aos níveis pré-crise, enquanto as mulheres apenas atingiriam a participação no mercado de trabalho de 2008 (49,1%). Ainda estaríamos nos níveis de há 13 anos.”</p>



<p>Raúl García Buchaca defendeu que os países da região mantenham políticas fiscais expansivas e impulsionem um novo pacto fiscal com igualdade de gênero, a fim de conter o impacto da crise na vida das mulheres e poder investir em um setor estratégico e dinamizador como a economia do cuidado.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“A sociedade do cuidado deve ser o horizonte para uma recuperação transformadora, sustentável e com igualdade de gênero. Precisamos de uma mudança urgente no estilo de desenvolvimento para avançar rumo a uma sociedade do cuidado em que se reconheça a interdependência entre as pessoas; entre os processos produtivos e a reprodução social; e que coloca a sustentabilidade da vida humana e do planeta no centro”, explicou.</p></blockquote>



<p>María-Noel Vaeza, Diretora Regional da ONU Mulheres para as Américas e o Caribe, destacou que “o impacto da crise continua sendo patente e também as consequências desproporcionais para as mulheres e meninas. Por isso, temos a urgência de incorporar a igualdade de gênero, a participação das mulheres, em todos os planos de recuperação, em todo o processo decisório para soluções integrais de recuperação da pandemia, e também garantir que sejam implementadas políticas públicas que facilitem a cumprimento dos direitos humanos das mulheres”.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-style-default is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“A ONU Mulheres e a CEPAL têm insistido em políticas públicas que possam responder à crise dos cuidados, trabalho que antes da pandemia já recaía desproporcionalmente sobre as mulheres e cuja lacuna se ampliou”, sublinhou María-Noel Vaeza. “Acreditamos que o investimento em cuidados gera um triplo dividendo: no capital humano, no emprego e na participação das mulheres no mundo do trabalho”, afirmou a representante da ONU Mulheres, e destacou que se trata de “uma nova indústria”, que são necessários empregos de qualidade para sair da informalidade que caracteriza o setor.</p></blockquote>



<p>Na mesma linha, a Ministra Mónica Zalaquett considerou que “temos sido testemunhas da fragilidade das conquistas que tanto nos tinha custado alcançar em termos de igualdade de gênero”, referindo-se ao colapso da participação do trabalho feminino, à crise do cuidado e ao aumento da violência contra as mulheres.</p>



<p>“Se a pandemia tem deixado algo positivo, é que trouxe à luz a relevância do trabalho do cuidado, historicamente invisibilizado, como pedra fundamental de nossas sociedades”, afirmou. “Somente mediante uma injetando recursos na economia do cuidado, que a dinamize e assegure sua sustentabilidade, podemos superar os nós estruturais da desigualdade de gênero e caminhar rumo a uma sociedade do cuidado”, destacou. Nesse sentido, a Ministra aplaudiu o&nbsp;<a href="https://mapafederaldelcuidado.mingeneros.gob.ar/">Mapa Federal do Cuidado</a>, um site interativo que permite conectar os cidadãos com as múltiplas ofertas de serviços de cuidado, tanto públicos como privados, lançados pelo Gobierno da Argentina em conjunto com a CEPAL, assim como a Aliança Global de Cuidado,&nbsp; promovida pelo Governo do México, por meio do INMUJERES (Instituto Nacional das Mulheres) e ONU Mulheres, no âmbito do Fórum Geração Igualdade, entre outras iniciativas que os países da região têm realizado.</p>



<p><strong>Painel &#8211;&nbsp;</strong>Após a sessão de abertura, foi realizado o “Painel de Alto Nível: rumo a uma sociedade do cuidado para uma recuperação com igualdade de gênero e sustentabilidade”, que contou com a participação de autoridades governamentais e representantes de organismos internacionais, da sociedade civil e da academia.</p>



<p>Nessa sessão, a CEPAL apresentou o&nbsp;<a href="https://www.cepal.org/fr/node/54717">documento</a>&nbsp;de trabalho&nbsp;<em>Rumo à sociedade do cuidado: as contribuições da Agenda Regional de Gênero no marco do desenvolvimento sustentável</em>, em que se pede para acelerar o passo rumo a uma justiça econômica, climática e de gênero, e avançar rumo a uma sociedade do cuidado que: priorize a sustentabilidade da vida e do cuidado do planeta; garanta os direitos das pessoas que necessitam de cuidados e das pessoas que cuidam; diminua a precarização dos empregos do setor do cuidado; e torne visíveis os efeitos multiplicadores da economia do cuidado em termos de bem-estar e como dinamizador para uma recuperação transformadora com igualdade e sustentabilidade.</p>



<p>Durante a 61ª Reunião da Mesa Diretiva serão trabalhados os preparativos para a XV Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe, que será realizada na Argentina em 2022. Além disso, serão fornecidas informações sobre os avanços da Aliança Regional da Digitalização para as Mulheres da América Latina e do Caribe, liderada pelo Chile, com o apoio técnico da CEPAL e da ONU Mulheres, e sobre os aspectos do funcionamento do Fundo Regional de Apoio para Organizações e Movimentos de Mulheres e Feministas, entre outros assuntos.</p>



<p><strong>Mais informações:</strong></p>



<ul><li><a href="https://www.cepal.org/es/eventos/sexagesima-reunion-la-mesa-directiva-la-conferencia-regional-la-mujer-america-latina-caribe">61ª Reunião da Mesa Diretiva da Conferência Regional sobre a Mulher da América Latina e do Caribe</a>.</li><li>Para acompanhar a transmissão ao vivo,&nbsp;<a href="https://live.cepal.org/">acesse aqui</a>.</li></ul>



<p>Para consultas e marcação de entrevistas, entrar em contato com a Unidade de Informação Pública da CEPAL.</p>



<p>E-mail:&nbsp;<a href="mailto:prensa@cepal.org">prensa@cepal.org</a>; telefone: (56 2) 2210 2040.</p>



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<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://brasil.un.org/pt-br/146772-conferencia-regional-sobre-mulher-da-america-latina-e-do-caribe-promove-economia-do-cuidado">Nações Unidas Brasil</a></em> <em>em 30/09/2021 – Atualizado em 30/09/2021.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>BRASIL: (DES)ALENTOS NOSSOS DE CADA DIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Não parece, mas a vida ainda nos oferece pequenas e gostosas surpresas. Nesse final de semana, apareceu lá no sítio da minha família um menino, de mais ou menos oito anos. Não é a primeira vez em que ele dá o ar de sua graça por lá, acompanhado do pai, caminhoneiro, e do amigo do pai. Curiosamente, adora conversar com minha mãe e minha irmã. O motivo? Ambas, assim como ele, amam plantas.</p>



<p>“Vocês têm a planta tal?”</p>



<p>“Não!”</p>



<p>“Oba! Vou trazer pra vocês! Posso?”</p>



<p>“Que planta é esta? E aquela? A senhora me dá uma muda pra levar?”</p>



<p>“Ai! Minha mãe vai me matar! Não gosta de me ver chegar em casa com plantas!” Comentou sorrindo.</p>



<p>Resolvi interpelá-lo: “Você está estudando?”</p>



<p>“Sim!”</p>



<p>“Em qual escola?”</p>



<p>“E faz diferença?… Em casa…”</p>



<p>“Acho tão bonito o amor e carinho que você, tão novinho, revela sentir pelas plantas, pela natureza…”</p>



<p>“Eu gosto mesmo! Quero ser paisagista e botânico quando crescer!”</p>



<p>A conversa foi fluindo, até eu dizer que ele era a esperança de um país melhor, e que tinha muito a ensinar a vários marmanjos por aí, inclusive ao Presidente da República.</p>



<p>“Por quê?”</p>



<p>“Porque ele é inimigo da natureza. Você não sabia disso?”</p>



<p>“Você sabe que eu até acho ele meio metido mesmo?!”</p>



<p>“Pois é! É um absurdo votarem nele novamente, né?!”</p>



<p>“Mas o Lula é comunista!” Respondeu-me abruptamente, com uma espontaneidade e uma ingenuidade infantis, de quem, toda noite, antes de dormir, ouve ameaçadoras estórias de terror, em que um monstro, vermelho, aparece com uma faca na mão para esquartejar e devorar criancinhas.</p>



<p>Expliquei-lhe que essa estória de “comunismo” era uma mentira criada para fazerem as pessoas sentirem medo do Lula. Disse ainda que não precisamos gostar ou concordar com tudo o que o Lula fez, faz, foi ou é, mas não podemos acreditar nessa mentira de que ele é comunista.</p>



<p>“Daqui a um tempo, quando você estiver maior e, continuando estudioso como é, saberá o que é comunismo.”</p>



<p>“Mas se o Bolsonaro não gosta da natureza, já vou pedir pra minha mãe e o meu pai não votarem nele mais!”</p>



<p>Há metros de distância, sem fazer ideia do teor da conversa, o pai grita: “Menino, vamos embora, anda!”</p>



<p>Hoje de manhã, outra surpresa. De volta à cidade, após o feriado do 7 de setembro, chego à portaria do meu prédio e vejo duas senhoras conversarem atrás de mim sobre a bandeira do Brasil com que envolveram a imagem de Nossa Senhora Aparecida, na igreja.</p>



<p>“Fulana, posso estar pecando… Mas você sabia que eu fiquei até cismada?!”</p>



<p>“Por quê?!”</p>



<p>“Uai! Depois daquela manifestação de ontem…”</p>



<p>“Ah, mas a gente não pode confundir as coisas…”</p>



<p>Eu, intrometido que só vendo, fui logo metendo o focinho aonde não fui chamado:</p>



<p>“Te entendo, minha senhora! A gente fica desconfiado mesmo quando alguém aparece com uma bandeira do Brasil… Conseguiram até roubar os símbolos nacionais da gente, né?! Muito triste isso!”</p>



<p>“Pois é, moço! Mas tenho fé em Deus de que vamos reaver nossa bandeira. Eles não são maioria!”</p>



<p>De repente, o elevador apareceu.</p>



<p>“Verdade! Tamo junto! Tchau e boa semana!”</p>



<p>De dentro do elevador, pude ainda ouvir a senhora comentar com a outra: “Que coisa boa ouvir isso a essa hora da manhã!”</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="599" height="601" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=599%2C601&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13196 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?w=599&amp;ssl=1 599w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong></strong></strong></strong> é Professor de História e historiador. Graduado, mestre e doutorando em História pelo PPGHIS/UFJF. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG. Dedica-se a pesquisas relativas ao campo da história social da cultura/literatura, sociabilidades, trajetórias e memórias.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] COTIDIARTE</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Marco Bulhões]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Alex Katira</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>A arte é o reflexo do que nós vivemos, o lazer é entrelaçado com nosso cotidiano. Separar a arte das lutas do dia a dia não é uma opção para quem vive no pior tempo pós ditadura. </p>



<p> Sou a favor das minorias e de todos aqueles que estão em situação de vulnerabilidade, e trago em minha arte um pouco desse sentimento também buscando trazer a felicidade, pois o povo humilde precisa se ver nas artes e não de forma sofrida, mas de forma vitoriosa, como é sua realidade matando um leão por dia.  </p>



<p>Trago em minha arte a vontade de conquistar um sorriso no olhar de todas e todos que tem dias difíceis, que vivem com a certeza da incerteza do amanhã. A arte é o instrumento da revolução.</p>
</div>
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<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:24.45947%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/102ef-mae-kalunga-723x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/102ef-mae-kalunga-723x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/102ef-mae-kalunga-723x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/102ef-mae-kalunga-723x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/102ef-mae-kalunga-723x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1684 1684w" alt="" data-height="2384" data-id="18397" 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class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:23.08874%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/695bf-minha-terra-meu-espaco.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w" alt="" data-height="900" data-id="18400" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18400" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/63004-minha-terra-meu-espaco.jpg" data-width="600" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/695bf-minha-terra-meu-espaco.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:25.9527%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/be8aa-mulher-cubana-768x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 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<p><strong>Alex Katira</strong>, apelido que veio em decorrência de ser dançarino e incentivador da dança da catira, é um artista livre, se considera um artista ativista. Com formação em jornalismo, fotografia e design gráfico, o goianiense de 31 anos milita em movimentos sociais, movimentos ligados à cultura popular brasileira, contra-cultura pelo movimento punk e também pelo partido dos trabalhadores.</p>
</div></div>



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		<title>CINCO SACRILÉGIOS: NACHASH</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/10/03/cinco-sacrilegios-nachash/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Milena Moura</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">o momento mais limpo é quando lambo as curvas dos teus dentes
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀por dentro e por trás
onde se guarda o rancor

arranco das frestas a culpa nas palmas e a memória dos castigos

o momento mais limpo
é quando invado tua boca para lavá-la
com as pontas da minha língua
cheia de vontades que não se falam na igreja

a minha língua foi desenhada pelas eras
apenas para o gosto das coisas curvas e quase líquidas
que não se pintam nos quadros de santos

tenta nos teus dentes
como trombeta e última sirene:

⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀silêncio, é hora do risco!

estamos longe da primeira esfera
que é pura e fria e não bebeu do sangue
e por isso faz calor
no proibido

⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀é hora do risco!

o momento mais limpo é o das carnes que queimam
</pre>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?w=1360&amp;ssl=1 1360w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Milena Moura</strong> é poeta, editora e tradutora. É autora dos livros <em>Promessa Vazia</em> (2011), <em>Os Oráculos dos meus Óculos</em> (2014) e <em>A Orquestra dos Inocentes Condenados</em> (Primata, 2021, no prelo), além de editora da <strong>cassandra</strong>, revista de artes e literatura voltada exclusivamente para o trabalho de mulheres. Integra também as equipes de poetas do portal Fazia Poesia e de colunistas da revista <em>Tamarina Literária</em>.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] ARQUIVAFETOS</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Oct 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 111]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Canelas]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição de arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Estação - Canelas</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>A obra resulta de processos artísticos híbridos e é fruto da interação com a população da Aldeia de Candal (Portugal), durante residência artística realizada em abril de 2019. É assim como um ato de projetar e projetar-se no espaço através das memórias do lugar, dos afetos e das afecções que provocam.</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>The work is the result of hybrid artistic processes and is the result of interaction with the population of Aldeia de Candal (Portugal), during an artistic residency held in April 2019. It is thus like an act of projecting and projecting oneself into space through the memories of the place, the affections and affections that they provoke.</p>
</div>
</div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:75.90096%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/34bfa-20201121_105053-1024x576-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/34bfa-20201121_105053-1024x576-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/34bfa-20201121_105053-1024x576-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/34bfa-20201121_105053-1024x576-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/34bfa-20201121_105053-1024x576-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 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class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:28.69701%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/a50ae-20201121_153452-576x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/a50ae-20201121_153452-576x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/a50ae-20201121_153452-576x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/a50ae-20201121_153452-576x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/a50ae-20201121_153452-576x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/a50ae-20201121_153452-576x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" alt="" data-height="4032" data-id="18437" 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<p class="has-text-align-center"><em><strong>“ArquivAfetos”</strong><br></em>Instalação Multimédia/Multimedia Instalation<br>Dimensões das imagens/Image dimensions: 60X80<br>Cláudia Brandão<br>Artista Plástica/Artist, Rio Grande do Sul, Brasil/Brazil, 1956 <br>2020</p>



<p>Esta exposição apesar de pertencer à <a href="https://bodoqueonline.art.blog/2021/08/29/exposicao-virtual-save-as/">Save as&#8230;</a>, aconteceu na Estação, em de vez de na Casa da Cultura.</p>
</div>
</div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24668-estacao-canelas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14784 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Estação</strong> é um espaço cultural localizado na cidade de Canelas (Portugal), idealizado pela Junta de Freguesia de Canelas e pelo artista plástico Mário Afonso. O espaço tem o intuito de divulgar o trabalho de artistas nacionais e internacionais, de várias áreas artísticas, realizando exposições e oferecendo, à freguesia de Canelas, acesso gratuito a projetos culturais atuais.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<div class="wp-block-jetpack-donations"><h4>Apoie a Trama e nos ajude a continuar crescendo!</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=18428" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação mensal</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=18428" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar mensalmente</a><hr class="donations__separator" /><h4>Fazer uma doação anual</h4><p>Agradecemos sua contribuição.</p><a class="jetpack-donations-fallback-link" href="https://bodoqueonline.art.blog/?p=18428" rel="noopener noreferrer noamphtml" target="_blank">Doar anualmente</a></div>



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