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	<title>Arquivos Ano 003, N 113 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>PIRAPORA NOSSA&#8230; (NEO)VANGUARDAS MINEIRAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Nov 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Tálisson Melo</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/11/07/pirapora-nossa-neovanguardas-mineiras/">PIRAPORA NOSSA… (NEO)VANGUARDAS MINEIRAS</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="789" height="1097" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/13528-piraporamaparasgarasga.jpg?resize=789%2C1097" alt="" class="wp-image-18912" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/13528-piraporamaparasgarasga.jpg?w=789&amp;ssl=1 789w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/13528-piraporamaparasgarasga.jpg?resize=216%2C300&amp;ssl=1 216w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/13528-piraporamaparasgarasga.jpg?resize=736%2C1024&amp;ssl=1 736w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/13528-piraporamaparasgarasga.jpg?resize=768%2C1068&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/13528-piraporamaparasgarasga.jpg?resize=69%2C96&amp;ssl=1 69w" sizes="(max-width: 789px) 100vw, 789px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Tálisson Melo, “Pirapora-Processo Rasga Drummond”, montagem digital com documentos, 2021</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>“Sou caipira, Pirapora / Nossa Senhora de Aparecida” &#8230; diz o refrão da canção “Romaria”, composta em 1978, num apartamento do bairro Pinheiros, na capital paulista, por Renato Teixeira, cantor e músico originário de Santos, e devoto da Santíssima Virgem. em 1981, a letra foi eternizada e difundida por rádios e televisores na voz de Elis Regina, ganhando mais tarde novas versões marcantes, até uma versão mais recente gravada pela filha de Elis, Maria Rita, em 2013&#8230; mas acho que aos ouvidos de quem, como eu, assistia TV em meados dos 90, a música ressoa a dinâmica televisionada dos cantores sertanejos no Show Amigos de 1996. há ainda a versão de Ivete Sangalo acompanhada do próprio Renato com voz e violão, num encontro de 2009.</p>



<p>só que essa digressão introdutória é mais “[e]feito eu perdido em pensamentos / sobre meu cavalo”&#8230; pois este texto não tem nada, diretamente, relacionado a essa “Romaria” ou ao trajeto peregrino que inspirou a composição, entre a pequena cidade de Pirapora do Bom Jesus, no interior de São Paulo, e a gigantesca basílica do Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida. mas tem sim a ver com procissões e romarias, como toda a história da arte da performance no Brasil, muito graças a Flávio de Carvalho, e toda uma latência ritualística da cultura religiosa entre igrejas, terreiros, escolas, ruas&#8230;</p>



<p>espero deixar minimamente posto que a evocação não é tão aleatória assim. além da relação direta com outra Pirapora, a do norte de Minas Gerais, e aos contextos caipiras dos interiores do sudeste do Brasil, as procissões como manifestações culturais tão pulsantes de vida, e toda uma cultura (artística, poética, audiovisual) que se dissemina de/para/além-e-aquém das megacidades desse pedaço de Brasil que muitas vezes se naturaliza como “o Brasil”, embora loooonge dele, de tantas maneiras&#8230;</p>



<p>falo aqui da nossa Pirapora, do Rio São Francisco. que é também a Pirapora das personagens do romance de estreia de Lúcio Cardoso, “Malateia”, puxadas das memória do pai do escritor – expoente da literatura de cunho intimista e introspectiva que explodiu no Brasil dos 1930, mineiro de Curvelo que se integrou a movimentações experimentais do romance, da poesia e dramaturgia na capital federal.</p>



<p>Este texto é minha primeira contribuição para a TRAMA na qual trago com mais ênfase um desdobramento do que faço enquanto historiador de arte, atuando em pesquisa e curadoria – ainda mantendo um movimento ‘de (di)vagação’.</p>



<p>desde 2019, trabalho junto a Jorge Francisco Soto e Eugenia González (artistas do Uruguai), num projeto em que visamos reconstituir trânsitos e transações no fluxo de certos referenciais estéticos da poesia e das artes visuais na América do Sul, entre meados dos 1960 e 70, período marcado por uma sucessão de destituições golpistas de presidentes das repúblicas da região, então minada de ditaduras militares.</p>



<p>começo a narrativa tomando uma outra ‘romaria’ como fio condutor. o trajeto realizado num fusca amarelo pelo casal de artistas cariocas Álvaro de Sá e Neide Dias de Sá, em 1969, para participar de uma mostra na capital argentina. a <em>Expo/Internacional de Novísima Poesía 69</em>, foi organizada pelo poeta-artista de La Plata, Edgardo Antonio Vigo, e realizada num espaço privilegiado de projeção das linguagens contemporâneas emergentes, o Instituto Torquato Di Tella, então dirigido pelo crítico Jorge Romero Brest.</p>



<p>os detalhes ‘anedóticos’ dessa travessia de fronteiras foram rememorados pelo artista Clemente Padín numa entrevista que concedeu a mim, Soto e o sociólogo Guilherme Marcondes, na sua casa em Montevidéu, numa tarde de agosto de 2018 – publicada na íntegra em espanhol (<a href="https://revista.ecfrasis.com/2019/05/09/poetica-y-politica-alli-donde-esta-la-gente-una-conversacion-con-clemente-padin-sobre-mas-de-cinco-decadas-de-su-arte-vida/">revista <em>Ecfrasis</em>, de Santiago do Chile</a>) e português (<a href="https://www.horizontesaosul.com/single-post/2020/03/02/A-QUEDA-DOS-MUROS-E-FRONTEIRAS-ENTREVISTA-COM-CLEMENTE-PAD%C3%8DN">na revista <em>Horizontes ao Sul</em>, brasileira</a>), sugiro a leitura!</p>



<p>nessa conversa, Padín explicitou a importância do contato com Neide e Álvaro quando, no curso de seu regresso para o Rio de Janeiro, atravessaram o Rio da Prata e passaram alguns dias trocando ideias com artistas e poetas residentes na capital uruguaia. a partir desse momento, as produções experimentais de artistas do Uruguai, da Argentina e do Brasil, designadas por novos termos que nomearam também grupos e movimentos estético-comunicacionais-ideológicos – “poema-processo” e “<em>poesia a y/o realizar</em>” –, passaram a confluir por meio de publicações organizadas de maneira independente por esses artistas, com destaque para <em>Ovum 10</em>, <em>Diagonal Cero </em>e <em>Ponto</em>, cada uma impressa num dos três países, mas contando com intercâmbios diversos entre elas.</p>



<p>os princípios motrizes da atividade criativa e teórica desses/as artistas daqui e <em>de</em> <em>allá </em>foram manifestos entre 1967 e 69 através de manifestos, intervenções em eventos e publicações, colocando em circulação os termos que formaram movimentos artísticos parcialmente absorvidos pelas narrativas canônicas da história da arte nos três países. quem estudou história da arte moderna e contemporânea do Brasil chegou a ver menções ao Poema/Processo? Ao trabalho de Wlademir Dias-Pino, Neide Dias de Sá, Dailor Varela, Falves Silva, Joaquim Branco e José de Arimatéia.</p>



<p>podemos certamente entrar numa discussão sobre como essa precária inclusão tem sido questionada e alterada nos últimos dez anos, o que de fato me interessa aprofundar – exponho alguns resultados desse mergulho crítico-historiográfico em dois eventos acadêmicos deste comecinho de novembro de 2021, o primeiro no dia 4 e o segundo no dia 10: respectivamente organizados pela <a href="http://www.iea.usp.br/eventos/vidas-dos-artistas"><em>École du Louvre </em>de Paris (<em>International Conference The Lives of Artists in the Globalized World</em>)</a> e pela pós-graduação em história da arte da Universidade Estadual de Campinas (<a href="https://econtents.bc.unicamp.br/eventos/index.php/eha/programa?fbclid=IwAR2ITf9LB3o-UEG7CRjSJAwdPLSM623V6iwBK3prZlRMYrXd3synhv93IBI">XV Encontro de História da Arte</a>).</p>



<p>estou ciente da elaboração historiográfica que tenho desenvolvido também como parte da movimentação de calotas que podem ou não vir a acomodar novos elementos de vidas-obras na narrativa mais difundida sobre a criação artística nesses contextos (talvez mesmo apagando ou ofuscando outras), e das relações conflitivas com dinâmicas do mercado e das instituições artísticas – e as entendo como fatores muito importantes, mas apenas uma dimensão do ‘fazer sentido’ dessa história toda. complexificação do olhar sobre artistas e poetas cujas criações tão cadentes ficaram relegadas a nichos de interesse demasiado especializados, é a possibilidade que me anima a pesquisar e curar.</p>



<p>neste momento de disparatadas absurdezes do bolsonarismo que desgoverna essa República, com setores saudosos dos anos de chumbo pós AI-5, decretado em 13 de dezembro de 1968, que intensificou os mecanismos de censura e repressão ideológicas e morais em meio ao estado autoritário já instalado no país, acredito que recuperar a vivacidade das ações do movimento Poema/Processo pode nos trazer alento, para cantar ao sol que segue brilhando enquanto uma nuvem pesada de ódio parece cobrir o território chamado Brasil.</p>



<p>repuxando o fio desse emaranhado de histórias, que é o Poema/Processo, quero falar de suas ações que pululavam por espaços públicos do Rio, de Natal, Recife, Olinda, Florianópolis e ‘cidadezinhas’ mineiras como Cataguases, Muriaé e Pirapora (a nossa, não a de ‘Romaria’). sobre as ações do Poema/Processo no Rio e em Natal, o catálogo organizado por Gustavo Nóbrega pela Galeria Superfície com a editora Martins Fontes, de São Paulo, em 2017, traz riquíssimo material = <a href="http://www.galeriasuperficie.com.br/app/uploads/2017/06/poema-processo-uma-vanguarda-semiologica.pdf">“Poema processo: uma vanguarda semiológica”</a>.</p>



<p>antes de chegar na explosão de tônica vanguardista que aloca Pirapora no mapa das atitudes mais ‘obscenas’ da história da arte brasileira dos 1960, e finalmente justificar o título deste ensaio, acho importante observar dois nós firmes no fio dessa narrativa que conectam o movimento Poema/Processo a uma ação de recepção bastante controversa levada a cabo em plena Cinelândia pelo núcleo carioca dessa rede. uma espécie de <em>happening</em>, que circulou com a nome de “rasga-rasga”, suscitou uma série de notas na imprensa local e nacional, debates entre artistas e crítica de arte e literatura. na praça, entre a Bibliotheca Nacional, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro e Museu Nacional de Belas Artes, integrantes do grupo empilharam dezenas de livros de poesia e os rasgaram num gesto tensionado de metáfora disruptiva com relação à poética discursiva – incluindo-se exemplares de autores como Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e Ferreira Gullar. assim foi a conclusão de uma ação em forma de protesto que partiu de um debate na Escola Nacional de Belas Artes, quando da realização da 2ª EXPO NACIONAL DO POEMA/PROCESSO. Integrantes do movimento caminharam até a Cinelândia com cartazes e gritos de guerra – “comunicados crípticos” como afirma a pesquisadora Fernanda Nogueira – e grafando: “‘Abaixo à ditadura do Canto e do Soneto’, onde as iniciais C e S nas palavras finais aludiam ao nome do ditador Costa e Silva, presidente de facto entre março de 1967 e setembro de 1969. Outras diziam ‘Es USted livre?’, uma pergunta entre português e espanhol onde as letras maiúsculas se referiam diretamente à dominação estadunidense na América Latina no contexto da Guerra Fria”. [<a href="https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/concinnitas/article/view/25873">o artigo de Nogueira sobre “memórias em disputa e artes obscenas” pode ser acessado pelo site da revista Concinnitas</a>]</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" width="950" height="633" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-pp-rasga-rasgaos-inimigos-da-poesia-revista-manchete-1968.jpg?resize=950%2C633" alt="" class="wp-image-18916" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-pp-rasga-rasgaos-inimigos-da-poesia-revista-manchete-1968.jpg?w=1502&amp;ssl=1 1502w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-pp-rasga-rasgaos-inimigos-da-poesia-revista-manchete-1968.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-pp-rasga-rasgaos-inimigos-da-poesia-revista-manchete-1968.jpg?resize=1024%2C682&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-pp-rasga-rasgaos-inimigos-da-poesia-revista-manchete-1968.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dde8f-pp-rasga-rasgaos-inimigos-da-poesia-revista-manchete-1968.jpg?resize=144%2C96&amp;ssl=1 144w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Reportagem de Ruy Castro com fotos de Esko Murto em duas páginas da Revista Manchete, n.825, 10.02.1968, pp.116-17.</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>não vou entrar aqui no grosso da pesquisa que tenho feito, pois estou longe de colocar esses fios em carreteis organizados para conseguir ser suscinto sobre o que tenho encontro acerca desse episódio pouco historicizado e difundido. mas quero destacar que esta ação ocorrida em 26 de janeiro de 1968 e a polêmica que se levantou ao redor da decisão do grupo em “espantar pela radicalidade” e serem tachados de “inimigos da poesia”, marca a tomada das ruas por gestos efêmeros de vigor poético que caracteriza o PROCESSUAL do POEMA que não se contém na palavra registrada em objeto.</p>



<p>nas palavras da pesquisadora Fernanda Nogueira, que também se dedica a estudar o Poema/Processo (e há muito mais tempo do que eu, sendo seu trabalho central para relançar luz sobre ele), o que se visava à época era: “criar um corpo social ativo, que respondesse às constantes propostas artísticas e críticas. Defendia a ampliação dos repertórios locais sem apontar de antemão qual seria este, ou seja, estava a favor da pesquisa como princípio para a prática artística, levando a uma espécie de ‘pedagogia da autonomia’ para explorar o que estava disponível em cada contexto: uma maneira de descolonizar o pensamento e produção artística e poética. Ou seja, não havia um repertório estabelecido de antemão que deveria ser seguido. Também não houve qualquer convite para ‘proposições participativas’ porque uma das bases do movimento procurou romper com a ideia de autoria e oferecer os trabalhos como ‘bens comuns’.” [novamente, cito o artigo de Nogueira, 2016]</p>



<p>peço perdão pelo salto de tempo e tantos fatos que proponho agora no enredo para alcançar logo a ação realizada durante o II Festival de Pirapora de arte e literatura, em 1º de junho de 1969 (após a imposição do AI-5, bom lembrar!), considerada pelo movimento como seu segundo poema-processo coletivo da série que teve início com a rasgação de livros. o título desse <em>happening </em>era “Desfile de Autores e Personagens da Literatura Brasileira”. Consistiu de um protesto/procissão movido por artistas do Poema/Processo (no caso de Pirapora, o representante local era o poeta José de Arimethéa Soares Carvalho), e estudantes de um colégio com quem conversas/aulas sobre literatura brasileira foram realizadas por membrxs do movimento. caminharam, então, pela ruas de Pirapora com cartazes alusivos a uma história da literatura, do classicismo dos padres jesuítas na colônia, passando pelo barroco mineiro, os modernistas mineiros, e culminando com o POEMA/PROCESSO (e acho esse ‘detalhe’ no mínimo sarcástico).</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="950" height="597" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c34-whatsapp-image-2021-10-30-at-15.08.43-1.jpeg?resize=950%2C597" alt="" class="wp-image-18918" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c34-whatsapp-image-2021-10-30-at-15.08.43-1.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c34-whatsapp-image-2021-10-30-at-15.08.43-1.jpeg?resize=300%2C189&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c34-whatsapp-image-2021-10-30-at-15.08.43-1.jpeg?resize=1024%2C644&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c34-whatsapp-image-2021-10-30-at-15.08.43-1.jpeg?resize=768%2C483&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/18c34-whatsapp-image-2021-10-30-at-15.08.43-1.jpeg?resize=153%2C96&amp;ssl=1 153w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Registro fotográfico de Sônia Figueiredo, poeta de Pirapora, conduzindo pelas ruas o grito inicial do movimento Poema/Processo no “Desfile de Autores e Personagens da Literatura Brasileira”, com cartaz escrito “É PRECISO ESPANTAR PELA RADICALIDADE”. Encontrei esta imagem no livro de Wlademir Dias-Pino, “Processo: Imagem e comunicação&#8221;, de 1971.</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="600" height="394" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ba0e6-pirapora-jornal-69-aberto.jpg?resize=600%2C394" alt="" class="wp-image-18920" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ba0e6-pirapora-jornal-69-aberto.jpg?w=600&amp;ssl=1 600w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ba0e6-pirapora-jornal-69-aberto.jpg?resize=300%2C197&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ba0e6-pirapora-jornal-69-aberto.jpg?resize=146%2C96&amp;ssl=1 146w" sizes="(max-width: 600px) 100vw, 600px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>como se pode ver no texto de apresentação publicado pela prefeitura do município (acima reproduzido):<br>“achamos que a literatura é, antes de tudo, do povo e da comunidade numa perfeita integração em que ambos se completam”.</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>enquanto Marília Andrés Ribeiro e Rodrigo Vivas, historiadora e historiador de arte docentes da EBA-UFMG, <a href="https://periodicos.unb.br/index.php/revistavis/article/view/14486">se empenham em demonstrar como e com que efeitos se desenvolvem na capital de Minas Gerais</a> um parte relevante das neo-vanguardas do país, tenho buscado seguir alguns fios da rede descentralizada do Poema/Processo, que conectou gente dos experimentalismos palavra-imagem-som-gesto-ação em cidades médias, pequenas e zinhas como Pirapora, Muriaé, Oliveira, Divinópolis, Cataguases e Juiz de Fora – por onde ares caipirinhas e provincianos convivem também com flancos de vanguardismos, radicalismos de linguagem, emergências rebeldes das neo-vanguardas cosmopolitas que são [(quase)sempre] <em>mega-trickster</em>s de fluxos &#8212;&#8212;- cujo diagrama chegaria numa fórmula talvez assim:</p>



<p class="has-text-align-right"><strong>globais(?!)-internacionais(/internacionalistas)-latinamericanas(/istas)-nacionais/brasileiras-regionais(mineiras?/mitos-da-mineiridade)-locais(#caipiraporas,mineirocas,mineirixabas,mineirigoias,baianeiras,tocantineiras)</strong><br><strong>=</strong><br><strong>arte brasileira &gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt;&gt; Rio-SP</strong></p>



<p>e vale pensar outra fórmula em que</p>



<p class="has-text-align-right"><strong>Minas &gt; Belo Horizonte // Minas &gt; Ouro Preto // Minas &gt; barroco /</strong><br><strong>/ Minas &gt; extrativismos selvagens // Minas &gt;&gt;&gt;&gt; INHOTIM&#8230;</strong></p>



<p>e vejo minha atuação enquanto artista-pesquisador-curador deste projeto encontrar consonância na fórmula proposta por pesquisadores como os sociólogos André Botelho, Mariana Chaguri, Maurício Hoelz e um amplo grupo de estudos chamado <a href="https://projetominasmundo.com.br/">Minas-Mundo</a>, onde a questão central da abordagem mora no hífen – <a href="http://suplementopernambuco.com.br/pernambuco/2573-minasmundo-quase-um-manifesto.html">como dizem em seu quase manifesto</a>:</p>



<p>“Mas por que destacar um caso mineiro de um brasileiro? Por certo, a questão é parte dos problemas a que somente as pesquisas da rede poderão responder. Ao distinguir um caso mineiro, porém, não temos em vista produzir um essencialismo, e sim, antes, questionar o paradigma da identidade nacional que domesticou, homogeneizando-a, a própria compreensão da formação da sociedade brasileira. Um questionamento tanto por “dentro”, uma vez que promoverá reconhecimento das diferenças “internas” no Brasil, quanto por “fora”, explorando suas articulações “externas”. Minas, mundo; Minas-mundo. Trazer à tona a questão do cosmopolitismo na cultura permite problematizar a própria ideia de “origem” por meio da afirmação da diferença como reescritura, suplemento, repetição deslocada no espaço e no tempo.”</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1d2a-talisson-melo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13771 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Tálisson Melo</strong> é artista-pesquisador, mineiro de Juiz de Fora, 1991. Morando em São Paulo. Doutor em Sociologia e Antropologia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. Publicou os livros <strong><em>Mesmo Sol Outro</em></strong> com Carolina Cerqueira (2018: @mesmo_sol_outro ), e <em><strong>A New Road</strong></em> com Taonga Leslie (2021: @newroadpoems ). Trabalha em projetos curatoriais-editoriais e de pesquisa, aranhando artes visuais, poesia, design, arquitetura, cinema, história e ciências sociais. Web: <a rel="noreferrer noopener" href="https://linktr.ee/talissonmelodesouza" target="_blank">https://linktr.ee/talissonmelodesouza</a></p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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		<title>JÚPITER: intimidade óbvia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Tálisson Melo</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="633" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34850-jupiter_intimidades-occ81bvias.jpg?resize=950%2C633" alt="" class="wp-image-18565" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34850-jupiter_intimidades-occ81bvias.jpg?w=1380&amp;ssl=1 1380w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34850-jupiter_intimidades-occ81bvias.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34850-jupiter_intimidades-occ81bvias.jpg?resize=1024%2C683&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34850-jupiter_intimidades-occ81bvias.jpg?resize=768%2C512&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/34850-jupiter_intimidades-occ81bvias.jpg?resize=144%2C96&amp;ssl=1 144w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>JUPITER_intimidades óbvias</figcaption></figure>



<pre class="wp-block-verse">meu international style
está mais para interplanetário,
JÚPITER

de criança 
era tudo um grande pátio, 
corredor de atravessar em ziguezagues
piques, bandeiras, corre cutia, labirinto, floresta
tão densa nuvem

sempre há algo a se descobrir que não se buscava
fanfarras dissolvendo focos de um risco
nunca há fim no descobrir das coisas que não se pensava
missões para JUNO

houve, um dia,
seu núcleo original?
há ainda um coração? um caroço? 
ou foi roído, ruindo por correntes de massa quente, 
extra fervente, já candentes no processo tenro de sua formação...?
e nunca teve começo? caroço? uma semente dilatando ao broto...?

hipótese conclusiva indefinida:
é só um amontoado de coisas
foram se prendendo, emaranhando, fundindo e desconformando,
durante colisões randômicas das margens de um disco acelerando-se, 
complexo campo magnético. redemoinho de gravidades...

passei todos anos da vida atravessando essa galeria
seus recortes paralelos em fluidas diagonais
por doze blocos, quase cem unidades habitáveis
sua cor ora rosa, pêssego, margarida, terrosa ora
trazendo nuvens de um doce para o assento brutal
de um monstro gigante horizontal,
com sua garganta sinuosa, angulosa,
geométrica falha da simetria
permanências e mudanças mistas

corrimãos, extintores de incêndio e tubos hidráulicos
orbitando sua superfície dura de estrutura arterial
escondidos em seu interior aberto, 
um rasgo de gás de metal
como dezenas de luas com ilhas, vulcões e tempestades
série de eclipses numa estranha coreografia milenar
superfície sem membrana, faz do toque
um mergulho, 



JÚPITER,
gigante deitado no umbigo
da avenida reta/curva, parábola dum vale de rio coberto
JÚPITER, 
uma enorme verruga – um tumor do sistema fabril
com anel de poeira sutil

da Manchester falida
estrela fracassada? planeta bem sucedido!
‘redondeta’ de tantos conflitos
superaquecidos, convertem-se em líquido
“mas de fato não sabemos, porque é incrivelmente difícil entender a física e química dos materiais trancados naquelas condições de pressão e temperatura”
</pre>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="640" height="640" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7219-jupiter_intimidades-occ81bvias3.jpg?resize=640%2C640" alt="" class="wp-image-18561" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7219-jupiter_intimidades-occ81bvias3.jpg?w=640&amp;ssl=1 640w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7219-jupiter_intimidades-occ81bvias3.jpg?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7219-jupiter_intimidades-occ81bvias3.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e7219-jupiter_intimidades-occ81bvias3.jpg?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 640px) 100vw, 640px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>JUPITER_intimidades óbvias3.</figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<pre class="wp-block-verse">a paisagem rotinizada de estar quase à porta de casa
de mainha, de voinha, 
ao mesmo tempo num foguete 
intergaláctico,
firmo as chaves para imergir na massa gasosa de JÚPITER,
tão ligeiro que nem se perceba minha intromissão
de longe o corpo denso, estrela amadeirada.
a passos, se torna esfera marmórea.

sentindo seu cheiro
até pousar na superfície hipoteticamente rochosa
de seu núcleo inexistente...

jornada por
intimidades óbvias
nenhuma sonda ousar(i)a</pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1d2a-talisson-melo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13771 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Tálisson Melo</strong> é Artista-pesquisador. Doutorando em Sociologia e Antropologia na UFRJ. Publicou o livro &#8220;Mesmo Sol Outro&#8221; com Carolina Cerqueira (2018). Atualmente trabalha em projetos curatoriais-editoriais e de pesquisa em Montevidéu, Juiz de Fora e Nova York – emaranhando artes visuais, poesia, design, arquitetura, cinema, história e ciências sociais. @talisson.melo @mesmosoloutro</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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		<title>Pronto, falei! (parte 1)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Adão Ferreira Filho</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Opto por fazer uma disciplina livre escolha da Universidade, Filosofia e Ética das Organizações, a primeira em questão. Num segundo ato[1] decido escrever um trabalho nada convencional. Resolver pessoalizá-lo foi uma decisão não tão difícil nem tão pouco fácil. Continuemos. Logo no primeiro dia que fui à aula o professor não estava presente, procurei saber se tinha errado o número da sala (12) e esperei um pouco. O secretário do prédio estava do lado de fora. Era um desses dias que acirravam os protestos pró-governo em mais um momento de efervescência política. Depois de um tempo acabei vendo no meu e-mail que o professor havia cancelado para apoiar o momento crítico da democracia ameaçada[2]. Na saída o secretário me perguntou se encontrei o local. Expliquei o ocorrido, contei sobre o que li. Ele comentou que os professores faltam muito, na opinião dele não deveriam se ausentar e menos ainda por motivos políticos porque assim estão sendo corruptos também. Não sabia de quem se tratava, se era engajado politicamente ou coisa parecida. Preferi não opinar. O que se tira disso é que fomos todos mutuamente afetados. Os três. Quem são os responsáveis? Os políticos, os desmandos do poder, situação econômica, corrupção crônica, a mera opção de lutar pela democracia ou minha livre escolha? Não interessa muito aqui que talvez só eu vi a mensagem depois de deslocar do alojamento estudantil onde moro e compareci. Essa cadeia de pequenos acontecimentos foi resultado de muitas escolhas.</p>



<p>E se a liberdade se dá apenas como simulação? Todos presos em situações diversas se achando livres? Livres nas mesquinharias e banalidade nossa de cada dia? Tudo são hipóteses. No confronto comigo mesmo brinco de poder fazer o que quiser, tomo distância dos meus pensamentos e ações corriqueiras e num ato de suposta coragem decido por elas. Voltemos à história. Quando finalmente tenho a primeira aula sobre ética, esteticamente sinto que posso continuar ali. O professor tem traços que me agradam e já no primeiro encontro explanou que a gente (eu e outros alunos) poderia falar tudo que viesse à cabeça, qualquer coisa sem constrangimento nenhum, como num processo psicanalítico. Tive que esconder minha empolgação com aquilo, mas passou. Em seguida quis saber dos nossos interesses pela disciplina, falei do conceito de ética relativista que conheci superficialmente no meu curso (Jornalismo). Decidimos democraticamente prazos de prova, trabalho e uso do ar condicionado, melhor dizendo: o seu não uso! O pedido foi feito por mim e acatado pelos demais, o barulho do aparelho estava atrapalhando de nos escutar bem. Num outro dia ouço que nossas preferências estéticas também são éticas, ou algo próximo disso, quase falei que a boca é bonita e havia optado por ela. Mas poderia dizer essas coisas assim tão abertamente? Hesitei e me calei. Que tal escrever? Colocar-me em relação e arriscar assim? Por que não?</p>



<p>Somei mais uma motivação pra isso no livro “<em>É Proibido Proibir”, </em>achei no meu armário e o quis como referência. No capítulo 3 (<strong>O que Sartre andou pensando?) </strong>encontro a passagem: “Sartre diz que, se Adão existisse, não teria uma natureza já dada, com essas ou aquelas características. Se assim fosse, ele não teria nenhuma responsabilidade pelo seu ser. Nem mérito. ” (ALMEIDA, Fernando José de, 1988, p.44).</p>



<p>Bom, responsabilizo pelo dito. Numa outra aula o professor pontua sobre estética novamente, agora com cavanhaque. Continuei achando a boca muito atraente. Também comenta vez ou outra de desejos ocultos, até de homossexualismo. Ops! O correto seria homossexualidade. Pensei em corrigi-lo, mas também não o fiz. Fiquei encucado com aquilo, investiguei e descobri que ele tem formação em psicologia, então vi que</p>



<p>certamente sabia das diferenças, mas usa essa estratégia como provocação (homofóbica?!). Terá sido pra descobrir possíveis homossexuais ou vê a reação de quem está ligado nessas questões sutis de terminologias? Sei lá, nunca se sabe. O fato é que agora revelei certas coisas que passaram sim na minha mente. Entre todas as possibilidades alguma vingará. Pronto, tá escrito.</p>



<p>O que é a escrita? Os próprios usuários da linguagem são postos em dúvida. O que é a dúvida? Estamos toda hora em questão. O que é a questão? Aquela eterna do ser ou não ser? A liberdade possível? Numa outra disciplina optativa de Filosofia e Política I, que é um degrau a menos na escala de livre escolha, fiquei sabendo que podemos desestabilizar um tirano mostrando-o que ele não é livre[3]. Se o docente de ética quiser também pode apontar a minha não liberdade, que baguncei com as regras acadêmicas e serei mal avaliado. Ou ignorado. Ou qualquer coisa. O que importa nesse momento? Segundo Almeida (1988, p.35)</p>



<p><em>É no processo livre de escolha, a cada dia, de nossa essência que construímos a existência humana. Escolhemos a nossa essência ao procedermos à escolha do personagem que pretendemos ser. Essa escolha serve pra todos nós, mas serve, sobretudo para a humanidade toda. Deixamos nossa marca na história de toda a humanidade mesmo quando fazemos um ato bem no fundo da nossa morada interior.</em></p>



<p>O negócio é que aqui está minha decisão. A cada palavra. Com doses de autocríticas que não foram capazes de anulá-las. No fim das contas só quis escrever algo que fosse meu. Mas diante do pensamento que diz <strong><em>“De que ideia sou realmente au</em></strong><strong><em>tor? Há sentido em </em></strong><strong><em>usar este paradigma ainda hoje em dia? ” </em></strong>(não vou revelar a fonte de propósito) repenso sobre o assunto e sinto certo alívio pela originalidade mítica, mística.</p>



<p>Para falar um pouco da atitude filosófica recorri ao primeiro livro de um colega de quarto que me veio aos olhos e peguei para mais uma sessão de citações. O título é <em>A utilidade do inútil: um manifesto. </em>Lá pelas tantas encontrei um diálogo entre sábios. Huizi disse a Zhaungzi: “Suas palavras são inúteis. ” Zhaungzi respondeu: “Para conhecer o que é útil é preciso saber o que é inútil. ” (ORDINE, Nuccio, 2016, p.94 e 95). Na página seguinte tem o relato do caso de um japonês que em seu <em>Livro de Chá </em>(1996) dedica seu amor às flores:</p>



<p>“Ao oferecer a primeira guirlanda à sua amada, o homem primitivo transcendeu o bruto. Dessa forma humanizou-se e se alçou acima das rudes necessidades da natureza. Penetrou no reino da arte quando percebeu o sutil uso do inútil. ”</p>



<p>E só fiz tudo que fiz, pensei o que pensei e escrevi o que escrevi por uma escolha estética. A boca[4]. O resto é liberdade, erros, inutilidades e falta do que dizer. Parafraseando Sartre encerro com a pergunta: a liberdade precede a ética?</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cc9b4-adacc83o.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-18568 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cc9b4-adacc83o.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cc9b4-adacc83o.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cc9b4-adacc83o.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cc9b4-adacc83o.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cc9b4-adacc83o.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cc9b4-adacc83o.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/cc9b4-adacc83o.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Adão Ferreira Filho</strong> atualmente mora em São João Evangelista-MG e acredita no potencial transformador da arte. Ainda que as cores dos últimos meses tendem a nos ofuscar, podemos fazer resistência diante dos mares de ignorância e estupidez. Prefiro ser breve e deixar que meus escritos falem por mim.&nbsp;</p>



<p><br>&#8220;&#8230;liberdade caça jeito.&#8221;&nbsp;&nbsp;<br>Manoel de barros.</p>
</div></div>



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		<item>
		<title>DE POETA PARA POETA: Padre Correia de Almeida, Belmiro Braga e um “velho” dicionário de rimas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/10/17/de-poeta-para-poeta-padre-correia-de-almeida-belmiro-braga-e-um-velho-dicionario-de-rimas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Sérgio Augusto Vicente</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 20 de outubro, comemora-se o <em>Dia do Poeta</em>. Se, para muitos, a data não encerra um significado necessariamente festivo, ao menos me faz acionar múltiplas memórias. Dentro desse repertório memorialístico, ocorreu-me a ideia de escrever sobre um volume raro da Biblioteca do Museu Mariano Procópio. Trata-se de uma publicação do século 19, dotada de pequenas dimensões (14 x 10 x 2,5 cm), intitulada <em>Dicionário de Rimas Luso-Brasileiro</em>, de autoria de Eugenio de Castilho e editado em Lisboa, pela <em>C. S. Afra &amp; Cia. Editores</em>.&nbsp;</p>



<p>Essa publicação portuguesa circulou amplamente entre diversos escritores brasileiros. O autor, Eugênio de Castilho, nasceu em Lisboa em 1846 e faleceu em 1900. Atuou como escritor, poeta e amanuense da Biblioteca Pública de Lisboa. Aos vinte anos, ingressou na carreira literária, escrevendo o romance <em>Miragens da Felicidade. </em>Dentre os periódicos com os quais colaborou, destacam-se a <em>Folha dos Curiosos</em> e <em>Diário Ilustrado</em>. Em 1868, publicou <em>Pátria contra a Ibéria</em>. Seu pai era o português Antonio Feliciano de Castilho (1800-1875), o Visconde de Castilho, famoso latinista, poeta, prosador e escritor romântico que exerceu o cargo de Comissário Geral de Instrução Primária em Portugal, desenvolvendo o controvertido “método Castilho de leitura”. Apesar de nunca ter sido adotado oficialmente, seu método de “leitura repentina” foi propagado por diversos lugares, inclusive no Brasil-Império, onde chegou a visitar e fazer amizade com d. Pedro II. No <em>Dicionário de Rimas Luso-Brasileiro</em>, publicado por seu filho, ficou incumbido de elaborar o prefácio da obra.</p>



<p>Atualmente integrando a Biblioteca do Museu Mariano Procópio, o referido dicionário chama atenção pela assinatura a caneta contida em sua folha de rosto, sugerindo seu pertencimento a Correia de Almeida, um famoso padre-poeta satírico de Barbacena (MG), que, vivendo entre 1820 e 1905, deixou vasta produção literária em livros e na imprensa. Seus escritos alcançaram tanto os públicos leitores do Brasil quanto os de Portugal, onde, segundo Maria Marta Araújo (2007), teve suas obras apresentadas pelo próprio Visconde de Castilho, o pai do autor e prefaciador do dicionário. Outro registro a caneta, também encontrado na folha de rosto, informa que, posteriormente, o exemplar passou às mãos do poeta Belmiro Braga (1870-1937), que redigiu a seguinte mensagem de próprio punho: “Presente que me deixou o querido Padre Correia de Almeida ao morrer”.&nbsp;</p>



<p>Em <em>Dias Idos e Vividos</em>, livro de memórias publicado pela editora <em>Ariel</em>, em 1936, o mineiro Belmiro Braga não se furtou a render homenagens ao padre-poeta barbacenense, reportando-se ao dicionário como uma espécie de símbolo/vestígio material dessa relação de amizade e de trocas literárias: “O Padre Correia de Almeida deixou-me em testamento, uma obra preciosa: &#8211; um dicionário de rimas velhíssimo, da primeira à última página todo acrescido de novas rimas por seu próprio punho. Almas boas como a desse querido amigo é que me fazem crer que o céu existe&#8230;”.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="678" height="1024" data-id="18576" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/62fc8-img_20211013_115112907.jpg?resize=678%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18576" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/62fc8-img_20211013_115112907.jpg?resize=678%2C1024&amp;ssl=1 678w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/62fc8-img_20211013_115112907.jpg?resize=199%2C300&amp;ssl=1 199w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/62fc8-img_20211013_115112907.jpg?resize=768%2C1160&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/62fc8-img_20211013_115112907.jpg?resize=1017%2C1536&amp;ssl=1 1017w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/62fc8-img_20211013_115112907.jpg?resize=64%2C96&amp;ssl=1 64w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/62fc8-img_20211013_115112907.jpg?w=1059&amp;ssl=1 1059w" sizes="(max-width: 678px) 100vw, 678px" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<figcaption class="blocks-gallery-caption wp-element-caption"><strong>Imagem 1</strong> – Folha de rosto do Dicionário de Rimas Luso-Brasileiro, com as assinaturas do Padre Correia de Almeida e de Belmiro Braga. <strong>Imagem 2</strong> – Anotações feitas de próprio punho pelo Padre Correia de Almeida. Acervo da Biblioteca do Museu Mariano Procópio, Juiz de Fora (MG).</figcaption></figure>



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<p>Apesar de pertencerem a faixas etárias muito distintas, Belmiro e Padre Correia estabeleceram próximas relações e dialogavam, em alguma medida, com tradições literárias em comum. O primeiro contato de ambos data do final do século 19, quando Belmiro atuava como comerciante em um armazém na estação ferroviária de Cotegipe (MG), distrito de Juiz de Fora (MG). Além de trocarem livros e correspondências, Belmiro comentava na imprensa sobre a produção do amigo, como demonstra o texto que publicou no <em>Jornal do Comércio</em> de Juiz de Fora, em 29 de novembro de 1903: “[&#8230;] De outro grande amigo e grande mestre – o venerando padre Correia de Almeida – recebi também o seu último livro – <em>Rabugem Inaderente</em> – uma coleção de quadrinhas espontâneas, nas quais o <em>Tolentino Brasileiro</em> passa mais uma tunda nos nossos costumes. [&#8230;] a lira do meigo velhinho de Barbacena não falta ainda nem uma corda e está afinadíssima, apesar dos seus oitenta e quatro anos. Estro espantoso, velhice fecunda”.</p>



<p>As redes de interlocução e sociabilidades dos escritores contribuíam para a ampliação de seus acervos bibliográficos, além das compras realizadas nas principais livrarias da capital do país, onde se mantinham antenados às novidades que chegavam ao ainda incipiente mercado editorial brasileiro. Foi assim que Belmiro Braga constituiu uma significativa biblioteca em sua casa, em Juiz de Fora, no início do século 20. Em 1916, porém, devido à sua mudança de residência para o Rio de Janeiro, precisou vender parte desse acervo à <em>Livraria Sampaio</em>, de Juiz de Fora. Segundo <em>O Pharol</em>, de 13 de abril de 1916, o acervo vendido contava com mais de mil exemplares, muitos dos quais possivelmente lidos e/ou folheados pelo menino e futuro escritor Murilo Mendes, como este declara em seu livro de memórias, <em>A Idade do Serrote</em>: “[&#8230;] amigo de meu pai, tendo eu sete anos voluntariamente me ensina a rimar e metrificar, mais tarde me abre a caverna da sua biblioteca onde durante mil e uma tardes descubro Bocage, Antonio Nobre, Cesário Verde, Camilo, Fialho de Almeida, Eça de Queirós [&#8230;]”.&nbsp;</p>



<p>Diante do fato, faz-se necessário indagar: teria sido o dicionário de rimas também colocado à venda, juntamente com essas centenas de obras? É plausível supor que não. Devido ao seu valor afetivo, o exemplar parecia ocupar um lugar especial no acervo particular do poeta, integrando o conjunto de livros que o acompanhariam ainda por muitos anos. Não se sabe ainda “como”, mas o fato é que a “pequenina” publicação chegou às mãos de Arthur Tavares Machado, então funcionário do Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, tendo-a doado ao Museu Mariano Procópio no início da década de 1970, juntamente com outros objetos e publicações do amigo do padre-poeta. O referido acervo integrou, em 1972, a exposição <em>Centenário de Belmiro Braga</em>, organizada pela então diretora da instituição, Geralda Armond.</p>



<p>Como se vê, o valor deste exemplar do <em>Dicionário de Rimas Luso-Brasileiro</em> não se encerra em seu conteúdo, mas se estende à maneira emblemática como exemplifica a aplicação dos conceitos de “objeto biográfico” e “biografia cultural do objeto”, ambos muito caros à história social do livro. O primeiro contribui para analisar a relação entre o livro e seus proprietários, demonstrando as influências que um exerce sobre o outro durante suas trajetórias, através das marcas pessoais deixadas pelos proprietários nas folhas e na encadernação da obra, e dos significados simbólicos que a obra possui para seus proprietários. O segundo conceito, por sua vez, contribui para refletir sobre a trajetória do “livro-objeto”, demonstrando os múltiplos contextos que percorreu, lugares por onde passou, pessoas e instituições a quem pertenceu, bem como os usos, abusos e significados assumidos em diversos momentos da história. Portanto, não seria forçoso reconhecer que o dicionário de rimas, sendo um “objeto biográfico” portador de uma “biografia cultural”, participou do processo de construção das “memórias de si” de seus antigos proprietários.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="666" height="1024" data-id="18581" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5ac51-belmiro-braga-e-seu-cachorro-pricc81ncipe-acervo-mmp.jpg?resize=666%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18581" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5ac51-belmiro-braga-e-seu-cachorro-pricc81ncipe-acervo-mmp-scaled.jpg?resize=666%2C1024&amp;ssl=1 666w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5ac51-belmiro-braga-e-seu-cachorro-pricc81ncipe-acervo-mmp-scaled.jpg?resize=195%2C300&amp;ssl=1 195w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5ac51-belmiro-braga-e-seu-cachorro-pricc81ncipe-acervo-mmp-scaled.jpg?resize=768%2C1181&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5ac51-belmiro-braga-e-seu-cachorro-pricc81ncipe-acervo-mmp-scaled.jpg?resize=999%2C1536&amp;ssl=1 999w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5ac51-belmiro-braga-e-seu-cachorro-pricc81ncipe-acervo-mmp-scaled.jpg?resize=1332%2C2048&amp;ssl=1 1332w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5ac51-belmiro-braga-e-seu-cachorro-pricc81ncipe-acervo-mmp-scaled.jpg?resize=62%2C96&amp;ssl=1 62w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5ac51-belmiro-braga-e-seu-cachorro-pricc81ncipe-acervo-mmp-scaled.jpg?w=1665&amp;ssl=1 1665w" sizes="(max-width: 666px) 100vw, 666px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="370" height="358" data-id="18582" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a0f0-pe.-correia-de-almeida-por-angelo-agostini-fonte_revista-ilustrada-rj-n.-262-p.-4-1881-biblioteca-do-mmp.jpg?resize=370%2C358&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18582" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a0f0-pe.-correia-de-almeida-por-angelo-agostini-fonte_revista-ilustrada-rj-n.-262-p.-4-1881-biblioteca-do-mmp.jpg?w=370&amp;ssl=1 370w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a0f0-pe.-correia-de-almeida-por-angelo-agostini-fonte_revista-ilustrada-rj-n.-262-p.-4-1881-biblioteca-do-mmp.jpg?resize=300%2C290&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a0f0-pe.-correia-de-almeida-por-angelo-agostini-fonte_revista-ilustrada-rj-n.-262-p.-4-1881-biblioteca-do-mmp.jpg?resize=99%2C96&amp;ssl=1 99w" sizes="(max-width: 370px) 100vw, 370px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="795" height="1024" data-id="18585" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/20a26-pe.-correia-de-almeida-fonte_acc81lbum-catocc81lico-de-mg-1923-biblioteca-mmp.jpg?resize=795%2C1024&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18585" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/20a26-pe.-correia-de-almeida-fonte_acc81lbum-catocc81lico-de-mg-1923-biblioteca-mmp.jpg?resize=795%2C1024&amp;ssl=1 795w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/20a26-pe.-correia-de-almeida-fonte_acc81lbum-catocc81lico-de-mg-1923-biblioteca-mmp.jpg?resize=233%2C300&amp;ssl=1 233w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/20a26-pe.-correia-de-almeida-fonte_acc81lbum-catocc81lico-de-mg-1923-biblioteca-mmp.jpg?resize=768%2C989&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/20a26-pe.-correia-de-almeida-fonte_acc81lbum-catocc81lico-de-mg-1923-biblioteca-mmp.jpg?resize=75%2C96&amp;ssl=1 75w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/20a26-pe.-correia-de-almeida-fonte_acc81lbum-catocc81lico-de-mg-1923-biblioteca-mmp.jpg?w=1120&amp;ssl=1 1120w" sizes="(max-width: 795px) 100vw, 795px" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="749" height="649" data-id="18583" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/65802-belmiro-braga-por-raul-pederneiras-fonte_revista-da-semana-rj-19-06-1910-p.-26-acervo-hemeroteca-digital-da-bn.jpg?resize=749%2C649&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18583" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/65802-belmiro-braga-por-raul-pederneiras-fonte_revista-da-semana-rj-19-06-1910-p.-26-acervo-hemeroteca-digital-da-bn.jpg?w=749&amp;ssl=1 749w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/65802-belmiro-braga-por-raul-pederneiras-fonte_revista-da-semana-rj-19-06-1910-p.-26-acervo-hemeroteca-digital-da-bn.jpg?resize=300%2C260&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/65802-belmiro-braga-por-raul-pederneiras-fonte_revista-da-semana-rj-19-06-1910-p.-26-acervo-hemeroteca-digital-da-bn.jpg?resize=111%2C96&amp;ssl=1 111w" sizes="(max-width: 749px) 100vw, 749px" data-recalc-dims="1" /></figure>
<figcaption class="blocks-gallery-caption wp-element-caption"><strong>1 &#8211; </strong>Belmiro Braga e seu cachorro Príncipe (Acervo MMP). <strong>2 &#8211;</strong> Pe. Correia de Almeida por Angelo Agostini (Fonte_Revista Ilustrada, RJ, n. 262, p. 4, 1881, Biblioteca do MMP),<strong> 3 &#8211;</strong> Pe. Correia de Almeida (Fonte_Álbum Católico de MG, 1923, Biblioteca MMP), <strong>4 </strong>&#8211; Belmiro Braga por Raul Pederneiras (Fonte_Revista da Semana, RJ, 19-06-1910, p. 26, acervo Hemeroteca Digital da BN).</figcaption></figure>



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<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>ARAÚJO, Maria Marta. <em>Com quantos tolos se faz uma República? </em>Padre Correia de Almeida e sua sátira ao Brasil oitocentista. Belo Horizonte: UFMG, 2007.</p>



<p>BARBOSA, Leila Maria Fonseca. <em>Belmiro Braga:</em> Sacrário (versos íntimos). Texto e avaliação. Dissertação (Mestrado em Teoria Literária) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 1979.</p>



<p>BRAGA, Belmiro. <em>Dias Idos e Vividos</em>. Rio de Janeiro: Ariel, 1936.</p>



<p>GOMES, Ângela de Castro (org.). <em>Escrita de si, escrita da História. </em>Rio de Janeiro: Editora FGV, 2004.</p>



<p>MORIN, Violette. <em>L’objet biographique</em>. In: Communications, 13, 1969. p. 131-139. Disponível em: <a href="http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/comm_0588-%25208018_1969_num_13_1_1189">http://www.persee.fr/web/revues/home/prescript/article/comm_0588- 8018_1969_num_13_1_1189</a>.</p>



<p>PINHEIRO, Priscila da Costa; VICENTE, Sérgio Augusto. <em>O livro no contexto museal:</em> peculiaridades e potencialidades da Biblioteca do Museu Mariano Procópio. In: MELO, Elayne Luciana Leite de (org.). Encontro de Educadores do Museu Mariano Procópio. Juiz de Fora: Templo, 2015. p. 91-101.</p>



<p>VICENTE, Sérgio Augusto Vicente. Antônio Sales, Belmiro Braga e Pedro Nava: trajetórias que se cruzam. <em>Revista Trama:</em> arte, cultura e criatividade, Juiz de Fora, v. 104, 15 ago. 2021.</p>



<p>VICENTE, Sérgio Augusto.&nbsp;<em>Teatro, crítica social e modernidade na produção do escritor Belmiro Braga (1870-1937):</em>as peças de ‘gênero ligeiro’ na Primeira República. In: XIX Encontro de História da Anpuh-Rio – História do Futuro: ensino, pesquisa e divulgação científica. Rio de Janeiro: Anpuh-Rio, 2020.</p>



<p>VICENTE, Sérgio Augusto.&nbsp;<em>Entre o interior e capital:</em>&nbsp;a trajetória biográfica do literato mineiro Belmiro Braga (1872-1937). In: Anais do VIII Encontro de Pesquisa em História. Belo Horizonte: UFMG, 2019.</p>



<p>VICENTE, Sérgio Augusto.&nbsp;<em>Biografia como problema, humor levado a sério:</em>&nbsp;Belmiro Braga, um trovador popular na&nbsp;<em>Belle Époque</em>&nbsp;tropical. In: Anais da XIV Semana de História Política – Res Publica: caminhos e descaminhos da cidadania brasileira. Rio de Janeiro: Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2019.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="599" height="601" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=599%2C601&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13196 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?w=599&amp;ssl=1 599w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ed01b-sergio.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 599px) 100vw, 599px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong></strong></strong></strong> é Professor de História e historiador. Graduado, mestre e doutorando em História pelo PPGHIS/UFJF. Atualmente, trabalha no Museu Mariano Procópio – Juiz de Fora – MG. Dedica-se a pesquisas relativas ao campo da história social da cultura/literatura, sociabilidades, trajetórias e memórias.</p>
</div></div>



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		<title>A Dama Mourisca</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Marina Alexiou</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">A dama mourisca, tal qual Sefora, a sacerdotisa
Equilibra o seu temor 
Sobre o brilho daquele áureo candelabro.
Delicadas elipses,
Teias tecidas na conjuntura da infinitude
Naquele céu noturno do corpo feito lua minguante.
Sem corda para segurar, sonha-se o sonho.
Dos espaços sem limites, o olhar pende...
Para onde?
Duplo éter daquela viagem.
Naquele momento ela finge lançar-se desavisadamente
Ao som de uma música que só ela ouve.
Circunscrita por um cortejo ígneo
Que há tantas jornadas a acompanha, 
Ela é a própria razão de ser da luz.
Guardiã e súdita.
Confidente e mensageira...
Ela solta seu corpo e tudo gira.
A vida, ideias, imagens, paisagens, histórias, pensamentos, premonições e distúrbios.
Em que se pendura esse candelabro de samsara? 
Quando vai voltar a rodar?
A (equilibrista) moura mantém seu delicado equilíbrio.
Prazerosamente, ébria no seu próprio ser.
Obediente aos ditames
Daquilo que julga fazer ela parte
À maneira do fio que enlaça as contas do colar, 
Confunde-se inevitavelmente ao seu desenho.
...Numa noite qualquer de estrelas presentes, ela retornará 
Para nos alertar sobre o próximo giro da roda. 
Tomará fôlego, e sorrirá.
Um sorriso calmo e acolhedor. Compreensivo...
E, embalados por esse semblante, desta vez, nós sonharemos.
Enquanto ela, dançará...</pre>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="685" height="685" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?resize=685%2C685&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18178 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?w=685&amp;ssl=1 685w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255de-marina-alexiou.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 685px) 100vw, 685px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Marina Alexiou</strong> é mestre em Filosofia pela PUC/SP e estudiosa das Artes. Escritora de prosas poéticas desde 2009, participou do livro “Coimbra em Palavras&#8221;, &nbsp;lançado em Portugal em 2018. Gosta de colecionar belas imagens, pois elas a levam para o seu mundo simbólico inspirando a sua escrita.</p>
</div></div>



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<p></p>
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		<title>[PODCAST] MEMENTO MORI &#8211; SOBREVIVÊNCIAS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[pessoas medíocres]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
		<category><![CDATA[pseudo celebridades]]></category>
		<category><![CDATA[redes sociais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  ARTEcast Bodoque</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/10/17/podcast-memento-mori-sobrevivencias/">[PODCAST] MEMENTO MORI – SOBREVIVÊNCIAS</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<hr class="wp-block-separator" />



<p>Sejam bem-vindas e bem-vindos ao nosso podcast!</p>



<p>Memento mori é um termo latino que significa: &#8220;lembre-se que você vai morrer&#8221;. Essa expressão era a saudação utilizada pelos paulianos &#8220;Eremitas de Santo Paulo da França&#8221; No episódio de hoje o Fred compartilhou um pensamento sobre a fragilidade da vida diante da morte e como o terror provoca pela consciência dela alimenta o modo como vivemos</p>



<p>Siga o nosso ARTECAST através do perfil da Trama (tramabodoque) no Instagram e da Bodoque (artebodoque)!</p>



<p>Então já sabe, coloque os fones de ouvido e boa audição!</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Ouça no Spotify:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-block-embed-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Memento Mori - Sobre vivências | T01 - EP002" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/episode/2skDoOFIWaSc3fRM6RrAHU?si=3Oca7OhBTJa9BBHq567_7A&#038;utm_source=oembed"></iframe>
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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/218ee-artecast.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18288 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/218ee-artecast.png?w=1080&amp;ssl=1 1080w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/218ee-artecast.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/218ee-artecast.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/218ee-artecast.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/218ee-artecast.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/218ee-artecast.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/218ee-artecast.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>O ARTEcast Bodoque</strong></strong> é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
</div></div>



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		<title>UM HAMBÚRGUER. UMA BANDEIRA. UM PRECONCEITO!</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Iverson Silva</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;Nossa, como eu vou explicar a sigla LGBTQIA+ para as crianças?&#8221;</p>



<p>Uma rede de fast-food pensou uma propaganda com algumas crianças respondendo a essa dúvida.</p>



<p>Qual não foi a surpresa das crianças agindo com naturalidade para ideia.</p>



<p>Isso me fez lembrar um certo dia em que deitado com minha pequena stalkeando os stories do instagran e de repente aparece uma sequência de fotos de um ex-aluno todo maquiado.</p>



<p>“Papai, quem é?”, me perguntou a curiosa.</p>



<p>“É fulano, foi aluno do papai”.</p>



<p>“Ele gosta de maquiagem?”, continuou.</p>



<p>“Sim, ele gosta de maquiagem”.</p>



<p>“Eu também gosto, papai.”</p>



<p>A curiosidade infantil sobre algo vai até onde você fornece a resposta.</p>



<p>E educar uma criança é sim mostra que estamos em uma sociedade plural e diversa e que é necessário se respeitar.</p>



<p>Não vivemos em uma comunidade exclusivista.</p>



<p>Em uma sociedade plural todos devem ser RESPEITADOS.</p>



<p>Os LGBTQIA+ existem, são uma realidade e devemos respeitar!</p>



<p>Como cidadãos querem e possuem total direito a acesso a direitos que todos os cidadãos têm.</p>



<p>Por isso:</p>



<p>Vão casar, sim!</p>



<p>Vão adotar, sim!</p>



<p>Vão ocupar os mais variados lugares na sociedade, sim!</p>



<p>Nem a minha e nem a sua visão religiosa orienta a sociedade civil.</p>



<p>A resistência e todo um movimento de cancelamento a uma propaganda que mostra que nós, adultos, problematizamos a realidade mais do que ela é para as crianças mostra mais do nosso preconceito.</p>



<p>O que deve pautar uma discussão social que pense o todo?</p>



<p>O relacionamento homoafetivo ou as mais de 35mil crianças e adolescentes vivendo em abrigos aguardando um lar adotivo?</p>



<p>O que me constrange mais?</p>



<p>Explicar a sigla LGBTQIA+ ou que quase 5 milhões de crianças vivem em situação de extrema pobreza?</p>



<p>Do que (pseudo) “moral e bons costumes” deve proteger uma criança?</p>



<p>Da exposição a uma propaganda inclusivista ou dos mais de 32mil casos de abuso que ocorremo por ano no Brasil;</p>



<p>ou dos mais de 500 mil casos anuais de exploração sexual infantojuvenil que temos no Brasil.</p>



<p>Perdemos o foco do que realmente importa, quando nos importamos demais com a vida alheia.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="256" height="256" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=256%2C256" alt="" class="wp-image-17619 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?w=256&amp;ssl=1 256w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9ad8f-iverson-silva.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 256px) 100vw, 256px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Iverson Silva </strong></strong></strong></strong></strong>é professor de História da Rede Pública, Historiador e Escritor.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] Estamos todos na lista</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/10/17/exposicao-virtual-estamos-todos-na-lista/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Canelas]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição de arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Estação - Canelas</p>
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>A obra resulta de processos artísticos híbridos e é fruto da interação com a população da Aldeia de Este trabalho é um recorte a partir de uma coleção de centenas de listas de compras acumuladas ao longo de anos. Para desenvolvê-lo, Dedéia Rocha ronda os supermercados em busca de papeizinhos abandonados nos carrinhos, enfiados nas reentrâncias das caixas registradoras ou jogados no chão. O que se estabelece é um processo analógico de mineração de dados, em que são revelados desejos essenciais, as necessidades mais básicas. Num processo arqueológico, este sistema rudimentar de memória externa é examinado com a frieza e a curiosidade de uma autópsia.</p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>The work is the result of hybrid artistic processes and is the result of interaction with the This work highlights a specific aspect of a collection of hundreds of shopping lists gathered over several years. To build it, Dedéia Rocha wanders around grocery stores in search of bits of paper left behind in shopping carts, shoved into crevices in cash-registers or even dumped on the floor. What takes place is an analogue process of data mining, through which essential desires, our most basic needs, are exposed. In an archaeological process, this rudimentary system of external memory is examined with the coldness and curiosity of an autopsy.</p>
</div>
</div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:18.43374%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/471d6-1-saveas_dedeiarocha_01-748x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/471d6-1-saveas_dedeiarocha_01-748x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/471d6-1-saveas_dedeiarocha_01-748x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/471d6-1-saveas_dedeiarocha_01-748x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/471d6-1-saveas_dedeiarocha_01-748x1024-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 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<p class="has-small-font-size">Fotografia digital &#8211; Impressão papel fotográfico/ Digital photography &#8211; Printing on photographic paper &#8211; 21 fotografias/photographs de 19X26 &#8211; Tamanho total do painel/ Total panel size: 138X80</p>



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<p><strong>Dedéia Rocha</strong> &#8211; <strong>Artista Plástica/Artist, Rio de Janeiro, Brasil/Brazil, 1964</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24668-estacao-canelas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14784 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Estação</strong> é um espaço cultural localizado na cidade de Canelas (Portugal), idealizado pela Junta de Freguesia de Canelas e pelo artista plástico Mário Afonso. O espaço tem o intuito de divulgar o trabalho de artistas nacionais e internacionais, de várias áreas artísticas, realizando exposições e oferecendo, à freguesia de Canelas, acesso gratuito a projetos culturais atuais.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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		<title>CINCO SACRILÉGIOS: O CORDEIRO E OS PECADOS DIVIDINDO O PÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 113]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Milena Moura</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">abro os olhos para o milagre
todos os dias
às cinco e cinquenta

assim, bem cedo,
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ainda no escuro,
admiro a resistência das pulsões mantenedoras
cumprindo seu ofício de manter

⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀estou aqui

de olhos abertos e quase secos
feito criatura morta curtindo ao sol

⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀  estou aqui
testemunhando o início
de mais um sopro de vida ameaçado
porém de pé e ainda inteira
e ainda atenta

⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀ouvidos fixados nas trombetas de anúncio

nos choros soluçados
entre os rasgos
da muralha

⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀sendo viva e apenas à espera

as águas se forçando nos tijolos
para tomar de volta o que foi seu
e eu pedra
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀   fingindo a firmeza
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀     das ruínas

o sangue das imolas pingando dos batentes

⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀e eu ainda inteira

no alívio condenável dos caçulas
vendo o roçar das asas
nas testas dos primogênitos
</pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?w=1360&amp;ssl=1 1360w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Milena Moura</strong> é poeta, editora e tradutora. É autora dos livros&nbsp;<em>Promessa Vazia</em>&nbsp;(2011),&nbsp;<em>Os Oráculos dos meus Óculos</em>&nbsp;(2014) e&nbsp;<em>A Orquestra dos Inocentes Condenados</em>&nbsp;(Primata, 2021, no prelo), além de editora da&nbsp;<strong>cassandra</strong>, revista de artes e literatura voltada exclusivamente para o trabalho de mulheres. Integra também as equipes de poetas do portal Fazia Poesia e de colunistas da revista&nbsp;<em>Tamarina Literária</em>.</p>
</div></div>



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