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	<title>Arquivos Ano 003, N 115 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>MACONHA, MODA E RESISTÊNCIA</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 115]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Rafael Bara</p>
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<p>Não é novidade que a proibição da maconha é um problema em vários países; mas ao observarmos os retrocessos políticos e sociais sofridos pelo Brasil pelo atual governo, percebemos que esse não é um problema novo e que está longe de ser resolvido. Nosso país foi um dos primeiros lugares do mundo a criminalizar o uso da planta &#8211; que era muito utilizada pelos negros ainda na época do escravismo. Em 1830, é sancionada a Lei do “Pito do Pango” no Rio de Janeiro, e assim começa o encarceramento em massa da população negra no Brasil.</p>



<p>Apesar da sua proibição, o uso da maconha nunca foi erradicado &#8211; nem no Brasil e em nenhum lugar do mundo &#8211; e sua legalização sempre foi um desejo presente ao longo da história. Um exemplo que marca esse desejo popular é o bloco de Olinda <em>Segura a Coisa</em>, sendo um dos blocos mais tradicionais da cidade reúne os entusiastas da maconha desde 1975.</p>



<p>Não é exagero falar que grupos e organizações como o <em>Segura a Coisa</em>, <em>Planet Hemp </em>e a <em>Marcha da Maconha</em> percorreram um longo caminho para que hoje possamos falar abertamente sobre maconha, além de ajudarem a dissipar o preconceito ao redor dessa plantinha. De acordo com a pesquisa EXAME/IDEIA, 78% dos brasileiros são favoráveis ao uso medicinal de cannabis.</p>



<p>Na época da proibição a nível federal da maconha, em 1938, influências externas agiram em favor da proibição. Por que, então, não usar das mesmas artimanhas em um processo de legalização?</p>



<p>O mundo presencia um fenômeno de países e estados legalizando a planta e trazendo melhoras não só em âmbitos sociais, mas também permitindo o andamento de diversos estudos relacionados aos impactos socioeconômicos da legalização e também aos usos possíveis da maconha e de suas propriedades. Exemplo disso é que, graças a estudos (que agora não precisam lidar com todo o tabu anteriormente atribuído à maconha), descobrimos que seu consumo pode prejudicar o desenvolvimento neurológico de usuários menores de 19 anos (um alerta com muito mais credibilidade do que o mito de que maconha queima neurônios, não!?).</p>



<p>Por estes e mais tantos aspectos, discussões tangendo a legalização nunca viveram um momento tão propício para que cada vez mais usuários e entusiastas de um &#8220;cigarrinho de artista&#8221; botassem a cara a tapa e trouxessem o tema para diversas áreas como estudo, trabalho, artes, cotidiano e até mesmo moda &#8211; e posso dizer que sou cria desse movimento ao lançar a Renegada 42, uma marca de roupas que procura agradar o gosto dos usuários de maconha que não se sentem confortáveis usando uma roupa com referências explícitas, ou que sabem que a onda da maconha é sobre mais do que apenas dizer que fuma &#8211; mesmo que se permita, vez ou outra, explanar um pouco, porque também não há mal nisso.</p>



<p>A forma como nos vestimos é não só uma forma de expressão pessoal, mas também a expressão de uma geração como um todo. A mudanças no nosso vestuário sempre acompanham as mudanças do nosso estilo de vida e no mundo em geral.</p>



<p>O grande desafio de fazer uma marca de roupas que capturasse aspectos subjetivos dos usuários de maconha &#8211; como dialetos, piadas internas, gostos, e sentimentos &#8211; não foi apenas transformar em vestuário signos tão únicos e que muitas vezes não são visíveis, mas também criar o sentimento de uma comunidade diversa que se recusa a ser resumida apenas como meros usuários.</p>



<p>Apesar de a moda ter um peso enorme em aspectos sociais e culturais para seus usuários, as marcas em geral enfrentam o desafio de criar coleções que ao mesmo tempo que se destaquem e possam agradar a todos, o que faz com que muitos produtos não tenham um valor agregado além do próprio objeto de consumo. Essa realidade não é algo que pode ser comum para o maconheiro, porque o maconheiro que não tem consciência do mundo ao seu redor não consegue agir em favor de sua própria causa.</p>



<p>Pensando sobre consciência e voltando a falar sobre legalização, é importante que tenhamos frieza para entender que, no atual momento político, argumentos científicos ou sociais embasados são sumariamente ignorados; assim, o que nos resta é demonstrar o poderio econômico que o consumo de maconha legalizado possui e usá-lo a nosso favor. Quanto mais consumimos artigos desse meio (e aqui me refiro a todos os produtos que fazem parte da cultura da cannabis, e não à maconha em si, uma vez que comprar e consumir a erva não é fator sine-qua-non para ser a favor da legalização), mais nos tornamos uma força político-econômica, e consequentemente fortalecemos projetos que estão em discussão no legislativo e podem melhorar nossas vidas em diversos aspectos &#8211;  como a regulamentação do CBD ou do cânhamo, que possuem tantas aplicações que merecem uma discussão a parte.</p>



<p>Termino esse texto fazendo um convite a todos os maconheiros que leram até aqui para que, na medida do possível, se desafiem em seu círculo social a se abrirem sobre sua identidade e a levarem luz para uma discussão tão complexa e necessária como a maconha. Toda ajuda é bem-vinda para nos livrarmos de estigmas e preconceitos que tanto puxam nossa sociedade para baixo!</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="375" height="376" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b70b1-rafael-bara.png?resize=375%2C376" alt="" class="wp-image-18854 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b70b1-rafael-bara.png?w=375&amp;ssl=1 375w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b70b1-rafael-bara.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b70b1-rafael-bara.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b70b1-rafael-bara.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 375px) 100vw, 375px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Rafael Bara</strong></strong></strong> é militante e empresário do ramo canábico, fundador e diretor geral da Renegada 42.</p>
</div></div>



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		<title>A ESCRITURA HOMOERÓTICA NAS FOTOGRAFIAS DO SÉC. XX &#8211; PARTE IV: EROTISMO E VITALIDADE [18+]</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 115]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Ihan de Abreu</p>
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<p class="has-text-align-center has-mirror-black-background-color has-background">AVISO DE CONTEÚDO: Este trabalho contém fotografias de nudez sem censura.</p>



<p>O erotismo, apesar de seu sentido estar predominantemente relacionado ao ato sexual em si, pode referir-se também à sexualidade ou a qualquer tipo de excitação e atividades que mantenham nossa vontade de viver. O erotismo, assim, remete “ao desejo do ato, à vontade de tocar, ao prazer de olhar, ao momento compartilhado, à excitação que aflora” (OLIVEIRA, 2012, p. 40). Se pensamos a linguagem como um sistema de signos ordenados que transmitem determinada informação, podemos falar sobre uma linguagem erótica. É na combinação de elementos sígnicos e na articulação desses elementos que a linguagem erótica se insere. O erótico é um discurso que tem como objetivo a comunicação, o diálogo entre sujeito-sujeito, por isso um papel de importância é atribuído ao espectador. Se essa relação for encarada de outra forma, seja sujeito-objeto ou objeto-objeto, trata-se de pornografia (CAMARGO; HOFF, 2002, apud OLIVEIRA, 2012).</p>



<p>Desse modo, sem despir completamente seus modelos e sem insinuar atos sexuais, Alair consegue capturar gestos que compõem um fetiche erótico e que fogem de sua representação mais tradicional (poses de heroísmo, virtuosismo, etc). O banal é transformado em único e especial. O simples caminhar dos rapazes gera inúmeras interpretações. Bruno Pereira (2017) cita o artista Flávio Colker, que comenta sobre a obra de Alair Gomes em um texto do Blog Olhavê, no dia 29 de março de 2010:</p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>Ela começa fundada na perversão, em imagem apropriada de um desconhecido, na multidão, imerso em cena casual… a sua presença é atribuída então um sentido erótico, a despeito de seu conhecimento. Apropriação em imagem dos gestos de rapazes que flanam pela praia. A transformação desses gestos em fetiche erótico. Alair Gomes recorta a circunstância e cria outra identidade para os atores involuntários. Perversão de sentido. [&#8230;] Alair era um erudito, conhecedor da história da arte e sabia que a construção transmuta o fetiche em obra. Na perversão, a imagem é tabu e seu usufruto, um gozo impotente. Na arte, a imagem é enigma e seu deciframento gera potência: conhecimento. Alair flagrou cenas em que rapazes flanam pela calçada, fazem ginástica, batem papo. Sem conhecimento, tornam-se atores de uma outra cena (gay) mais complexa que inclui um apartamento onde o personagem principal, o voyeur, está oculto, capturando. Na imagem, os rapazes estão despudorados, indiscretos e são inseridos em uma narrativa lasciva. Estão inconscientes, são objeto de um olhar que perverteu o sentido dos gestos, da cena e da paisagem. O voyeur recorta a circunstância, institui uma outra, erótica. Agora, os gestos têm um projeto lascivo. O voyeur se deleita em incorporar a cena em sua narrativa particular. Por mais criativa que seja essa operação, por maior que seja o salto para um outro território de sentido, não há lugar para esse olhar a não ser em um ritual privado de fetichização: uma coleção particular de ampliações fotográficas. Alair ainda é escravo da imagem (COLKER, 2010, s.n apud PEREIRA, 2017, p. 84).</em></p>



<p>Barthes (1984) argumenta que a fotografia pornográfica é uma fotografia unária, ou seja, uma foto ingênua, sem intenção e sem cálculo, pois mostra objetivamente aquilo que ela quer mostrar: o sexo, “como uma vitrine que mostrasse, iluminada, apenas uma única joia” (BARTHES, 1984, p. 67). E, para se opor à essa imagem homogênea, o autor cita o artista Robert Mapplethorpe que, segundo Barthes, faz grandes planos de sexos passarem do pornográfico ao erótico, “fotografando de muito perto as malhas da sunga: a foto não é mais unária, já que me interesso pelo grão do tecido”.</p>



<p>Nascido em 1946, em Nova Iorque, nos Estados Unidos, Mapplethorpe é um dos grandes nomes quando se fala de fotografia homoerótica. Como afirma Jozelia de Moraes Silveira (2009), o artista é conhecido por usar a nudez de forma transgressora, com certo teor agressivo, provocando um desconforto no espectador, pois é uma nudez que, muitas vezes, remete a práticas sexuais ditas não convencionais, rechaçadas pelas leis morais vigentes em nossa sociedade e que pode motivar instintos de defesa no observador.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full"><img decoding="async" width="560" height="565" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/14959-ihan9.jpg?resize=560%2C565" alt="" class="wp-image-18770" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/14959-ihan9.jpg?w=560&amp;ssl=1 560w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/14959-ihan9.jpg?resize=297%2C300&amp;ssl=1 297w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/14959-ihan9.jpg?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/14959-ihan9.jpg?resize=95%2C96&amp;ssl=1 95w" sizes="(max-width: 560px) 100vw, 560px" data-recalc-dims="1" /><figcaption> Figura 9: Jim e Tom, Sausalito. Robert Mapplethorpe.  Fonte: LACMA <em>Collections </em>(1978). </figcaption></figure></div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Um exemplo do que estamos falando pode ser visto na obra Jim e Tom, Sausalito, de Mapplethorpe. De acordo com Silveira, essa é uma de suas fotografias mais rechaçadas pela opinião pública. Na imagem aparecem dois homens em vestimentas sadomasoquistas, na qual um deles urina frente à boca do outro. O ambiente onde os homens se encontram parece ser um lugar sem muita higiene, a parede e o chão estão sujos, há uma escada no canto esquerdo indicando não ser o local propício para o ato sexual. Esse lugar misterioso onde se encontram os personagens remonta aos locais destinados a práticas sexuais não-tradicionais que despontam na década de setenta.</p>



<p>Além da ambientação, essa fotografia evoca também transformações ocorridas neste período. A questão da homossexualidade, por exemplo, não ser mais ocultada e disfarçada, mas em inúmeros momentos afirmada e exaltada. Quando um artista com grande destaque na sociedade, mesmo recebendo muitas críticas, utiliza com naturalidade o homoerotismo como ponto principal em seu trabalho, certamente acaba por induzir o olhar e consequentemente levantar uma discussão em torno do assunto.</p>



<p>As roupas de couro vestidas por Jim e Tom, de acordo com Silveira, definem o grupo <em>gay</em> que toma conta de boates neste período, que acabam por definir um perfil <em>gay</em> masculino marcado pela virilidade. Essas roupas de couro também aludem à cultura sadomasoquista, muito explorada por Mapplethorpe em suas fotografias. São imagens que abordam o prazer, contudo um prazer marcado por relações em que dor e satisfação se complementam.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:49.91106%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/ef071-ihan10.jpg?w=950?strip=info&#038;w=560 560w" alt="" data-height="562" data-id="18772" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18772" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/76ba3-ihan10.jpg" data-width="560" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/ef071-ihan10.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:50.08894%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/1d4a0-ihan11.jpg?w=950?strip=info&#038;w=560 560w" alt="" data-height="560" data-id="18773" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=18773" data-url="http://revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ec985-ihan11.jpg" data-width="560" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/1d4a0-ihan11.jpg?w=950" data-amp-layout="responsive" data-recalc-dims="1" /></figure></div></div></div></div>



<p class="has-text-align-center has-normal-font-size">&nbsp;<em>Figuras 10 e 11: X Portfólio. Robert Mapplethorpe. Fonte:</em> <em>LACMA Collections (1978). </em></p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>As figuras 10 e 11, retiradas de sua série X Portfólio, são exemplos de registros de práticas sexuais existentes no universo sadomasoquista e são práticas incomuns aos padrões ditos aceitáveis da sexualidade. Ao nos depararmos com tais imagens podemos nos perguntar por qual motivo Mapplethorpe registraria instantes que são vistos por muitos com ojeriza. O artista, para Silveira, tinha a intenção de abordar a sexualidade de modo amplo, intenso, sem a necessidade de dissimular ou ter de se submeter aos paradigmas morais.</p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>Não era suficiente que alguém chegasse ao orgasmo – ele queria que o orgasmo fosse produzido por algum ato “criativo”, como por exemplo um cateter, ou uma agulha, introduzido no pênis (MORRRISROE, 1996, p. 170 apud OLIVEIRA, 2009, p. 57).</em></p>



<p>Dessa forma, a abordagem da sexualidade ou homoerotismo abordado por Mapplethorpe toca em inúmeros aspectos que desejam ser ignorados por boa parte dos espectadores. Ao exibir tais imagens, o artista faz com que o público se coloque, não só na posição de espectador, mas como ser atuante no universo sexual. Ou seja, ao sermos colocados frente a essas possibilidades sexuais não-convencionais, somos convidados e de certo modo inseridos inevitavelmente na sua atmosfera erótica. Universo o qual somos instruídos a evitar.</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="720" height="720" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b267-ihan-de-abreu.png?resize=720%2C720&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18507 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b267-ihan-de-abreu.png?w=720&amp;ssl=1 720w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b267-ihan-de-abreu.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b267-ihan-de-abreu.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b267-ihan-de-abreu.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 720px) 100vw, 720px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Ihan de Abreu Leite Peixoto </strong></strong></strong>é graduando em Letras Português/Espanhol da Universidade Federal do Ceará (UFC) e integrante do Grupo Visada.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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		<title>Olhar perdido: uma análise de “Os Incompreendidos”, de François Truffaut</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 115]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Flávio Miranda</p>
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<p>Um garoto que caminha entre infância e vida adulta, liberdade e opressão, vivendo livre pelas ruas de Paris quando não está sendo golpeado dentro de alguma instituição social. <em>Os Incompreendidos </em>(<em>Les Quatre Cents Coups, </em>1959) é o primeiro longa-metragem de François Truffaut e é considerado, junto com <em>Acossado </em>(<em>À bout de souffle,</em>1960), o marco inicial do movimento francês <em>Nouvelle Vague</em>. O garoto em questão é Antoine Doinel (Jean-Pierre Leáud) e a história é carregada de traços autobiográficos do diretor.</p>



<p>Assim como o protagonista, Truffaut não conheceu o pai, não tinha uma boa relação com a mãe, herdou o sobrenome do padrasto e viveu com a avó durante parte da infância, além de também ter sido um adolescente que cometia pequenos delitos pela cidade, como furtar cartazes do cinema. Em 1948, aos 16 anos, ele funda seu primeiro cineclube e se torna amigo do já renomado crítico de cinema André Bazin. Dois anos depois, Bazin usa de sua influência para livrar o amigo da prisão militar e lhe dá um emprego em sua nova revista: <em>Cahiers du cinéma</em>. Truffaut se torna crítico e editor da revista, e ajuda Bazin a desenvolver a chamada <em>teoria do autor</em>. Em 1955 lança <em>Une Visite</em>, seu primeiro curta-metragem, e, dois anos depois, o segundo: <em>Os Pivetes</em> (<em>Les Mistons</em>, 1957). Na abertura de <em>Os Incompreendidos</em>, depois de todos os créditos, temos: <em>“Este filme é dedicado à memória de André Bazin”</em>. O amigo e mentor havia falecido um ano antes da estreia do primeiro longa de Truffaut.</p>



<p>O filme se passa na Paris dos anos 50 e a cidade é, sem dúvida, uma das grandes personagens da história. Tanto que as primeiras imagens que surgem na tela são da Torre Eiffel e uma das cenas mais emocionantes mostra Antoine vendo a cidade ficar para trás, preso num camburão enquanto deixa cair uma lágrima.</p>



<p>Falando na participação intensa da cidade, podemos destacar a influência mais clara ao vermos o resultado do filme: o neorrealismo italiano. A proposta estética nos apresenta muitos planos abertos e cenas documentais de Paris, salientando a mistura real/ficcional. As filmagens não ocorrem em estúdios, mas nas ruas, com olhares curiosos das pessoas vendo a câmera em diversas tomadas, já que estavam simplesmente vivendo enquanto eram filmadas.</p>



<p>François Truffaut constrói uma narrativa que transita entre liberdade e opressão, utilizando a passagem entre infância e idade adulta como pano de fundo. Para tanto, nada melhor do que começar com uma turma de garotos no início da adolescência, na sala de aula e passando de mão em mão um calendário com a imagem de uma <em>pin-up</em>. O professor, extremamente rígido, podia ter olhado quando estava na mão de qualquer um, mas a sorte estava com Antoine Doinel. E é aí que o protagonista nos é apresentado, recebendo o primeiro de muitos golpes: ele fica sem recreio por causa do flagra.</p>



<p>Apesar de lembrar a ideia clássica de narrativa se comparada a outros filmes da <em>Nouvelle Vague</em>, Truffaut inclui sequências absolutamente contemplativas, que retratam o ambiente da história, mas não trazem algo crucial para seu andamento. Um bom exemplo é a cômica cena do garoto que vai derramando tinta e arrancando as folhas ao tentar copiar o que o professor escreve: a câmera está focada no problema do garoto e, em montagem paralela, vemos o mestre se virando para ver de onde vem aquele barulho, criando minutos de suspense cômico. Outro exemplo é a cena encantadora das crianças assistindo a um show de fantoches. O diretor capturou as reações mais puras de semblantes assustados, curiosos, animados e, por fim, carinhosos. Antoine também estava na sala assistindo ao show, pois, mesmo que quisesse ser independente (naquele momento ele havia fugido de casa pela segunda vez), ainda se encantava também pelas “coisas de criança”.</p>



<p>A relação de Antoine com a mãe (Claire Maurier) é um ponto importante para os conflitos gerados na trama. O garoto não recebe carinho em casa, a mãe lhe trata mal e até diz que não gosta dele. O terceiro morador é seu padrasto (Albert Rémy), de quem herdou o sobrenome Doinel. Uma cena muito interessante mostra Antoine, que estava matando aula, vendo sua mãe na rua beijando outro homem. Ela também o viu e, como os dois tinham culpa no cartório, quando se encontraram novamente passaram seus momentos mais carinhosos, principalmente por parte da mãe.&nbsp;</p>



<p>É preciso destacar a brilhante atuação de Jean-Pierre Léaud, que estreava aos 14 anos. Posteriormente ele trabalhou com Truffaut em mais cinco filmes nos quais também vivia o personagem Antoine Doinel, retratando outras fases de sua vida. Mas, provavelmente, nenhum foi tão marcante quanto <em>Os Incompreendidos</em>. A sequência da conversa de Antoine com a psicóloga é de uma sensibilidade extraordinária. O garoto vai contando detalhes de seu passado e sua intimidade que ainda não haviam sido revelados, tudo de maneira tão natural que parece improviso. Nesta sequência Truffaut utiliza um dos recursos que mais marcaram a estética da <em>Nouvelle Vague</em>, os <em>jump cuts:</em> a câmera está focada apenas em Antoine, não vemos em nenhum momento a mulher que lhe faz as perguntas, e, a cada nova fala do garoto, temos um corte com um novo plano sobrepondo. Tal montagem intensifica o peso dos relatos, muitas informações novas daquele personagem em pouco tempo.</p>



<p>Antoine transita entre a tristeza da opressão e alguns momentos de felicidade e/ou liberdade. A catarse do garoto no brinquedo do parque é uma passagem muito marcante, na qual a câmera acompanha os giros intensos nos levando para a experiência junto com ele durante quase dois minutos. Uma curiosidade é que um dos figurantes que entra no brinquedo junto com Antoine é o próprio Truffaut (seu mestre Hitchcock também o influenciou na ideia de fazer um <em>camel</em> nos filmes). Outro momento feliz é indo ao cinema com a família (mesmo depois de o garoto quase ter colocado fogo na casa) e com o amigo (Patrick Auffay), outro jovem “incompreendido”. Mas Antoine apanha muito mais. Em duas cenas muito fortes, ele leva um tapa no rosto. Primeiro de seu padrasto, por ter mentido sobre a morte da mãe, e depois do “guarda educador” do Centro de Observação para Delinquentes Juvenis. O garoto chega ao ponto de ser preso na cela de uma delegacia junto com outros adultos.</p>



<p>Do início ao fim Antoine tem seus momentos de fuga, mas nada é definitivo. Quando ele nos olha de forma tão intensa na belíssima cena do primeiro encontro com o mar, depois de tanto correr ao lado da câmera no longo plano-sequência de Truffaut, vemos em seus olhos a incerteza de um garoto incompreendido. Um garoto perdido.</p>



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<p><strong>Referências:</strong></p>



<p><em>en.wikipedia.org</em></p>



<p><em>Aulas do professor Robertson na disciplina “Cinema Mundial” da PUC Minas</em></p>



<p><em>Podcast Filmes Clássicos</em></p>



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<p><strong>Flávio Miranda </strong>tem 23 anos, é músico, estudante de letras e, antes de tudo, escritor das ideias que lhe vêm a mente. Sempre gostou de escrever sobre tudo e, quando conheceu mais o mundo das artes, se propôs a fazer análises da construção de algumas obras. Atualmente, se dedica ao registro de vídeos para seu canal no Youtube e volta e meia publica textos em seu perfil no Medium.</p>
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		<title>A SINA DO “MENINO MAIS BONITO DO MUNDO”</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lúcio Reis Filho</p>
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<p>“<em>The Most Beautiful Boy in the World</em>” (2021) inicia como um filme de horror, com <em>travellings</em> pelos corredores sombrios e abandonados do Grand Hôtel des Bains, na ilha veneziana de Lido. O antigo hotel, que serviu de cenário para <em>Morte em Veneza</em> (1971), do cineasta italiano Luchino Visconti, como recriação de um ambiente de <em>fin de siècle</em>, hoje lembra o Overlook de <em>O Iluminado</em> (<em>The Shining</em>, dir. Stanley Kubrick, 1980). Uma figura de preto cruza seus corredores, nosso guia em uma narrativa íntima e pessoal.</p>



<p>Exibido em Sundance, o documentário de Kristina Lindström e Kristian Petri conta a vida de Björn Andrésen, o ator sueco que se tornou um dos rostos mais famosos da sua geração. Sua vida mudou após estrelar o filme de Visconti, adaptação da novela homônima do alemão Thomas Mann. Björn tinha apenas quinze anos. A beleza clássica e seu porte físico, de presença marcante, embora precoce, impressionavam à primeira vista. Logo, Björn virou o menino dos olhos do diretor italiano. Não só ganhou o papel de Tadzio como foi proclamado por ele “O Menino mais Bonito do Mundo”.</p>



<p>Mann foi um dos célebres hóspedes do Grand Hôtel, cujas luxuosas acomodações em estilo Art Nouveau o inspiraram a conceber <em>Morte em Veneza </em>(1912), que ocuparia a mente de Visconti por vários anos, décadas mais tarde. A novela acompanha Gustav von Aschenbach, um renomado escritor de meia-idade, no outono da vida. Ele busca a beleza pura, que enfim encontra em Tadzio, um adolescente de família polonesa.</p>



<p>Tadzio é a personificação do belo, mas em sentido clássico. De acordo com essa concepção, o belo consiste em um arranjo de partes que formam um todo coerente, isto é, harmônico, simétrico e de noções semelhantes. Contudo, essa é uma <em>concepção europeia de beleza</em>, incorporada na arquitetura, na escultura, na literatura e na música. A ideia central do Renascimento italiano, por exemplo, era a da proporção absoluta. Para Tomás de Aquino, a beleza depende de três requisitos: integridade, proporção e clareza.</p>



<p>Gustav sente forte atração por Tadzio, cujas feições estáticas e angelicais se enquadram nos padrões clássicos de beleza. Nesse sentido, o menino seria a materialização e um reflexo temporal da beleza pura, que o artista desejava eternizar. Mas o sentimento de Gustav, que a princípio não passa da contemplação do ideal platônico de beleza, aos poucos ganha nuances mais sensuais e obsessivas.</p>



<p>Visconti persegue semelhante ideal de perfeição estética. E foi em um menino loiro, frio como estátua de mármore e de olhos cinza, da “cor do mar” – conforme a descrição de Mann –, que encontrou seu Tadzio. Margareta Krantz recorda a visível agitação do cineasta no momento em que Björn Andrésen entrou na sala. Nas palavras da diretora de elenco, o jovem sueco era extraordinariamente bonito, com um rosto de incrível fotogenia e carisma raro. E logo aquele rosto viraria um ícone mundial.</p>



<p>Em sua turnê pelo Japão, o astro juvenil recém-lançado ao estrelato ofuscou Masatoshi Sakai, incrédulo que alguém tão belo pudesse de fato existir, sobretudo por haver “algo misterioso em sua feição”. “Havia nele um brilho”, disse o produtor musical para a câmera. “Mas, ainda que fosse apenas um adolescente, eu também podia sentir um lado sombrio. Isso dava a ele um apelo tridimensional”. Por sua vez, Krantz destacou a fragilidade aparente do menino, tão marcante no celuloide. Tais atributos davam a Björn uma aura magnética, fazendo-o sobressair entre tantos concorrentes ao papel.</p>



<p>Na definição de Visconti, numa das inúmeras imagens de arquivo do documentário, <em>Morte em Veneza</em> é uma história de amor perfeito e idealizado, que não é sexual ou erótico. Mas devemos lembrar que também é uma tragédia, pois o vislumbre da beleza pura, para o protagonista de meia-idade, é o beijo da morte. No fim da novela, Gustav vê Tadzio no mar. O menino, então, dá meia-volta e encara seu admirador, que se ergue da cadeira de praia a fim de retribuir o aceno, mas cai morto. De fato, com os olhos brilhantes, os cabelos dourados e a figura fantasmagórica quase onipresente, envolta em mistério, o menino não parece totalmente humano. Parece mais o anjo da morte.</p>



<p>Por ironia, Björn foi marcado desde cedo pela morte e por uma série de tragédias pessoais, que o ator, hoje com mais de sessenta anos, recorda no documentário. A vida fez dele um Lobo da Estepe, um homem magérrimo e de longos cabelos brancos, sombra taciturna e melancólica, e um sobrevivente de ciclos infindáveis de autodestruição. A beleza radiante da juventude virou uma sina que o perseguiu feito maldição. O filme conta a história dessa alma atormentada, de forma tocante e intimista. Também nos leva a pensar nas problemáticas convenções de beleza, à medida que se tornam ditames estéticos da branquitude, bem como na voracidade vampírica da indústria cinematográfica.</p>



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<p><strong>Referências</strong></p>



<p>Beauty (verbete). In: <em>Stanford Encyclopedia of Philosophy</em>. Disponível em: <a href="https://plato.stanford.edu/entries/beauty/">https://plato.stanford.edu/entries/beauty/</a>. Acesso em: 15 out. 2021.</p>



<p>MANN, Thomas. <em>Morte em Veneza</em>. Trad. Herbet Caro. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.</p>



<p>REIS FILHO, L. Björn Andrésen: a morte tem cara de anjo, <em>Projeto Ítaca</em>. Disponível em: <a href="https://projetoitaca.com.br/artigos/bjorn-andresen-a-morte-tem-cara-de-anjo/">https://projetoitaca.com.br/artigos/bjorn-andresen-a-morte-tem-cara-de-anjo/</a>. Acesso em: 15 out. 2021.</p>



<p>ROSENFELD, Anatol. <em>Thomas Mann</em>. Campinas, SP: Editora Perspectiva, 1994.</p>



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<p><strong>Lúcio Reis Filho </strong>é Doutor em Comunicação, historiador, professor e cineasta. Dedica-se, principalmente, às relações entre Cinema, História e Literatura, com ênfase nos gêneros do horror e da ficção científica. É criador do <a href="http://www.projetoitaca.com.br">Projeto Ítaca</a>, sobre mitologia e suas representações na cultura pop.</p>
</div></div>



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		<title>[PODCAST] QUANDO O ARTISTA É BOM E O PROBLEMA É O FÃ CLUBE</title>
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		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<p>Sejam bem-vindas e bem-vindos ao nosso podcast!</p>



<p>Uma blusa recentemente usada em cima da cama ainda guarda o calor do corpo que a vestiu minutos </p>



<p>No episódio de hoje nossos amigos Diego Neves, Beto Martins, Kariston e Fred batem um papo super descontraído sobre a relação entre artista e fãs. Será que o artista é responsável pela identificação que os fãs tem como ele ou os fãs que constroem a identidade dos artistas os favorecendo no mercado?</p>



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<p>Então já sabe, coloque os fones de ouvido e boa audição!</p>



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<p><strong><strong>O ARTEcast Bodoque</strong></strong> é um canal de aprofundamento das discussões levantas aqui na revista Trama. Nosso objetivo é fomentar o pensamento crítico e a valorização do conhecimento da arte e da cultura como ferramentas capazes de promover mudanças de olhar.</p>
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		<title>Em dia da visibilidade, pessoas intersexo pedem políticas públicas inclusivas e humanizadas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 115]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><em>Pessoas intersexo nascem com características sexuais que não se encaixam nas definições típicas de corpos masculinos ou femininos. Isso pode incluir a anatomia sexual, de órgãos reprodutivos, padrões hormonais e/ou cromossômicos, entre outros fatores. Estima-se que representem entre 0,05% e 1,7% da população.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Porque seus corpos são vistos como diferentes, crianças e pessoas adultas intersexo são frequentemente estigmatizadas e sujeitas a múltiplas formas de violações, que vão desde procedimentos médicos desnecessários e muitas vezes não consentidos, até violência física por preconceito e discriminação.</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>A iniciativa Livres&amp;Iguais da ONU colheu depoimentos de pessoas intersexo, mães e pessoas aliadas para destacar a necessidade de garantir os direitos humanos dessa população.</em></p>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="496" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1cc6e-intersexo.jpg?resize=950%2C496" alt="" class="wp-image-18859" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1cc6e-intersexo.jpg?w=1650&amp;ssl=1 1650w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1cc6e-intersexo.jpg?resize=300%2C157&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1cc6e-intersexo.jpg?resize=1024%2C534&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1cc6e-intersexo.jpg?resize=768%2C401&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1cc6e-intersexo.jpg?resize=1536%2C802&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1cc6e-intersexo.jpg?resize=184%2C96&amp;ssl=1 184w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Carolina, Céu e Dionne: pessoas intersexo contam suas histórias e pedem pelo fim de intervenções cirúrgicas<br>precoces e desnecessárias | Foto: © Acervos pessoais</figcaption></figure>



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<p>“Quando eu tinha mais ou menos um ano de idade, fui submetida a uma cirurgia de redesignação sexual. Esse tipo de cirurgia é uma mutilação genital e foi feita para que eu estivesse 100% enquadrada dentro do gênero feminino”, narra Céu Ramos de Albuquerque, hoje com 30 anos, ao contar sua própria história. “Eu descobri que sou uma pessoa intersexo, descobri a palavra ‘intersexo’, há apenas 3 anos”.</p>



<p>O caso de Céu não é um caso isolado. Submeter crianças intersexo a cirurgias e outros procedimentos médicos precoces, com o propósito de adequá-las aos estereótipos binários de sexo, é uma prática ainda comum.</p>



<p>Neste 26 de outubro,&nbsp;<strong>Dia da Visiblidade Intersexo</strong>, a campanha Livres &amp; Iguais da ONU, por meio de depoimentos de pessoas intersexo, mães e pessoas aliadas, chama a atenção para a necessidade de políticas públicas inclusivas e humanizadas que garantam os direitos humanos dessa população.</p>



<p>Pessoas intersexo nascem com características sexuais que não se encaixam nas definições típicas de corpos masculinos ou femininos. Isso pode incluir a anatomia sexual, de órgãos reprodutivos, padrões hormonais e/ou cromossômicos, entre outros fatores. Estima-se que representem entre 0,05% e 1,7% da população. Porque seus corpos são vistos como diferentes, crianças e pessoas adultas intersexo são frequentemente estigmatizadas e sujeitas a múltiplas formas de violações, que vão desde procedimentos médicos desnecessários e muitas vezes não consentidos, até violência física por preconceito e discriminação.</p>



<p>“Eu descobri que sou intersexo já adulta, aos 24 anos. Tenho 28 agora”, conta Carolina Iara, covereadora na cidade de São Paulo. “Descobri que alguns procedimentos que eu havia feito na infância eram relacionados à intersexualidade. A principal violência que sofri foram as mutilações genitais, as ditas ‘cirurgias precoces’, para esconder minha genitália ambígua e moldar o meu corpo ao sexo masculino. Minha mãe foi muito enganada, e eu diria até pressionada, para autorizar essas cirurgias na época”.</p>



<p>Iara defende que um conjunto de políticas públicas seja adotado para promover e proteger os direitos de pessoas interesexo —&nbsp;como a criação de um protocolo de atendimento a essa população, a conscientização de profissionais da medicina, além de uma cobertura ampla do termo ‘intersexo’ nos registros civis, para além da certidão de nascimento.&nbsp;</p>



<p>Para a diretora executiva da Associação Brasileira de Intersexos (ABRAI), Dionne Freitas, uma das principais questões que permeiam a vida de pessoas intersexo —&nbsp;como ela — é o sequestro da autonomia do poder de decisão sobre seus próprios corpos. “A cirurgia é necessária apenas quando há risco de vida”, defende. “Parece até que não estão lidando com um ser humano, mas com um experimento. As pessoas intersexo têm de ser ouvidas de fato”.</p>



<p>“Claro que nenhum pai ou mãe imagina que vai ter um filho ou filha intersexo”, diz Andrea Hercowitz, médica especializada no assunto e integrante da ONG Mães pela Diversidade/SP. “É sempre uma surpresa. O que acontece é que muita gente nunca nem ouviu falar de intersexo. Então, em um primeiro momento, os pais reagem com susto, com incompreensão a essa notícia, e não sabem muito como agir. Às vezes esse diagnóstico é feito intrauterino, mas a confirmação vem pós-parto e muitas vezes somente na hora do parto. Infelizmente, os pais recebem muito pouco suporte nesse momento e eu acho que aí entra a participação do médico, dos profissionais de saúde de um modo geral, que é acolher essa família nesse estágio de percepção de uma diversidade, e poder também orientá-los que isso é tudo bem. Que não é necessariamente um problema”.</p>



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<figure class="wp-block-image alignwide"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/large/public/2021-10/183086046_517685546246676_8489788125263665880_n%20%281%29.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Cássia Nonato e a filha Gil: militância pelos direitos das pessoas intersexo | Foto: © Acervo pessoal</figcaption></figure>



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<p>Cofundadora da ABRAI e mãe de pessoa intersexo, Cássia Nonato também chama a atenção para a questão da educação, que segundo ela deveria abranger vários níveis: “Quando minha filha Gil nasceu eu não tive a menor informação a respeito”, conta. “Os médicos, as famílias e as próprias pessoas intersexo têm de ser educadas, ensinadas sobre o assunto, pois só assim será possível discutir políticas públicas que garantam acesso tratamento e acompanhamento corretos, principalmente desde a infância”.</p>



<p>Diante de relatos de dor e traumas causados por cirurgias desnecessárias e tratamentos precoces, a Andrea Hercowitz finaliza, questionando: “Será que essas pessoas não sofreram por que nunca disseram a elas que o corpo delas era legal? Que o corpo delas era permitido socialmente? Porque se elas tivessem crescido entendendo que ser intersexo é uma característica que faz parte da diversidade, da maravilha do ser humano, que é diversa, talvez elas não tivessem sofrido tanto”.</p>



<p><strong>Livres &amp; Iguais &#8211;&nbsp;</strong>Desde 2014 a campanha ONU Livres &amp; Iguais promove a igualdade LGBTQIA+ no Brasil por meio de ações de comunicação e apoiando iniciativas programáticas de organismos do sistema ONU e de organizações da sociedade civil. A fim de contribuir para um melhor entendimento das necessidades das pessoas intersexo e pela garantia dos seus direitos fundamentais, uma série de campanhas de sensibilização ao tema e reuniões com atores-chave têm sido realizadas. Entre os conteúdos já publicados, um sincero e potente depoimento que mostra a estigmatização e as variadas formas de preconceito, violência e discriminação que essas pessoas ainda sofrem por possuírem características intersexuais. Clique&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/97415-dia-da-visibilidade-intersexo-enfrentar-preconceito-discriminacao-e-falta-de-informacao">aqui</a>&nbsp;para ler.</p>



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<p><span><i style="font-weight:bold">Matéria originalmente publicada em</i></span><strong><em><span><i style="font-weight:bold"> </i><a href="https://brasil.un.org/pt-br/155499-em-dia-da-visibilidade-pessoas-intersexo-pedem-politicas-publicas-inclusivas-e-humanizadas">Nações Unidas Brasil</a></span> em 26/10/2021 – Atualizado em 26/10/2021.</em></strong></p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>[EXPOSIÇÃO VIRTUAL] ÁUDIO-ACÚMULO</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/10/31/exposicao-virtual-estamos-todos-na-lista-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 115]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Estação Canelas]]></category>
		<category><![CDATA[Exposição de arte]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Estação - Canelas</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>O crescimento exponencial do espaço de armazenamento digital implicou a ocorrência da abundância no conteúdo de arquivos pessoais. </p>



<p>Esta obra utiliza gravações áudio provenientes do telemóvel do artista enquanto material. A mistura de sons do quotidiano, ensaios de banda, gravações ao ar livre são aceleradas resultando em pequenas ruturas sonoras, e reconstituídas de forma a criar uma composição sónica em constante permutação. </p>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<p>The exponential growth of digital storage space has meant that personal archives are consti­tuted upon a growing abundance of material. </p>



<p>This piece uses audio recordings from Eamon’s phone, a personal archive of band rehearsals, field recordings, thoughts, and ideas, as rough material. Audio files are sped up and com­pressed into short bursts of sound and reconstituted into a morphing sonic composition.&nbsp;</p>
</div>
</div>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col" style="flex-basis:61.43056%"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/0cfcd-20201205_113836-1024x768-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/0cfcd-20201205_113836-1024x768-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/0cfcd-20201205_113836-1024x768-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/0cfcd-20201205_113836-1024x768-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/0cfcd-20201205_113836-1024x768-1.jpg?w=950?strip=info&#038;w=1800 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class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c77a4-captura-de-ecra-2021-10-31-as-14.23.37-1024x640-1.png?w=950?strip=info&#038;w=600 600w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c77a4-captura-de-ecra-2021-10-31-as-14.23.37-1024x640-1.png?w=950?strip=info&#038;w=900 900w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c77a4-captura-de-ecra-2021-10-31-as-14.23.37-1024x640-1.png?w=950?strip=info&#038;w=1200 1200w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c77a4-captura-de-ecra-2021-10-31-as-14.23.37-1024x640-1.png?w=950?strip=info&#038;w=1500 1500w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c77a4-captura-de-ecra-2021-10-31-as-14.23.37-1024x640-1.png?w=950?strip=info&#038;w=1800 1800w,https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/10/c77a4-captura-de-ecra-2021-10-31-as-14.23.37-1024x640-1.png?w=950?strip=info&#038;w=2000 2000w" 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</div>
</div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Eamon Foreman</strong> &#8211; <strong>Artista Sonoro/Sound Artist, Pintor/Painter e/and Músico/Musician, Londres/London, Inglaterra/England, 1996</strong></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24668-estacao-canelas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14784 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Estação</strong> é um espaço cultural localizado na cidade de Canelas (Portugal), idealizado pela Junta de Freguesia de Canelas e pelo artista plástico Mário Afonso. O espaço tem o intuito de divulgar o trabalho de artistas nacionais e internacionais, de várias áreas artísticas, realizando exposições e oferecendo, à freguesia de Canelas, acesso gratuito a projetos culturais atuais.</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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		<title>CINCO SACRILÉGIOS: DA CULPA SOB OS DEDOS</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 115]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Milena Moura</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">toda palavra é muito pouca para enristecer os meus dedos
e os meus braços descamados pelo fogo
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀e as costas curvas
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀que abaularam os anos
para meter os olhos no conforto alheio

é muito pouca a palavra culpa
arrastando pesos
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀fósseis
que não estão no dicionário

a palavra voz imagino como uma bola de cores em dor
e calafrios nos ossos

estico os dedos e as culpas
e toco as culpas
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀agora
com as pontas dos dedos
e medos nas frestas da porta

a palavra continua pontiaguda
e difícil de descer sem miolo de pão

encontro nisso a beleza de um bicho faminto
pairando sobre as águas
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀feito verbo

⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀declarando
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀nos dentes
⠀⠀⠀e nos ossos mastigados
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀todo o amor
⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀da fome
⠀⠀⠀ pela morte que a sacia
</pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-18420 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?w=1360&amp;ssl=1 1360w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6d0f0-milena-moura.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Milena Moura</strong> é poeta, editora e tradutora. É autora dos livros&nbsp;<em>Promessa Vazia</em>&nbsp;(2011),&nbsp;<em>Os Oráculos dos meus Óculos</em>&nbsp;(2014) e&nbsp;<em>A Orquestra dos Inocentes Condenados</em>&nbsp;(Primata, 2021, no prelo), além de editora da&nbsp;<strong>cassandra</strong>, revista de artes e literatura voltada exclusivamente para o trabalho de mulheres. Integra também as equipes de poetas do portal Fazia Poesia e de colunistas da revista&nbsp;<em>Tamarina Literária</em>.</p>
</div></div>



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		<title>O PÉ DO SEU GONÇALVES</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 115]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Fernanda Zeloschi]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[Prosa poética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Jhonata Santana</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O dia já amanhecera frio; o ar cálido dominava a sombria prenunciação do que aconteceria. O ardor divino começou no banho: Seu Gonçalves ligou o chuveiro e esperou uns minutos até que a água esquentasse &#8211; pensara em trocar a resistência do aparelho e sempre adiava o compromisso com a incrédula sensação de inutilidade. Gonçalves era homem fiel, cumpria tudo que prometia, mas sempre se esquecia de si; esquecera até de se alimentar por ter ficado horas ajudando uma amiga. Puxou a esponja enchendo-a com sabão, esfregou toda a parte de cima do corpo quando o susto veio, ficou encarando os dedos dos pés, ali, desaparecendo diante dos seus olhos. Saltou para fora do banheiro tão ligeiramente que nem pensou em desligar o registro. Foi se secando, encarando o sumiço de parte do seu pé.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Ué, cadê?&nbsp;</p>



<p>Era vago, lento, mas ia desaparecendo; foi trabalhar. Por precaução, colocou uma calça e um tênis. Não gostava de médico; em sua cabeça, “logo, logo passa”. Foi para a obra.&nbsp;</p>



<p>&#8211; E aí, Seu Gonçalves, tudo bem? Tô tentando montar um guarda-roupa ali em casa&#8230; é enorme, pode me ajudar?&nbsp;</p>



<p>&#8211; Poxa, vai atrasar a entrega dessa aqui, mas vamo lá!</p>



<p>Esse era o seu Gonçalves, cumpria tudo que prometia, mas sempre se esquecia de si. Logo se esqueceu do pé, que ia desaparecendo aos poucos. Fim do dia, foi para casa, tomou o banho, parecia não se abalar com o sumiço do seu pé que ia subindo aos tornozelos. Seria o banho quente? Talvez não, mas decidiu tomar banho gelado para garantir. Houve batidas na porta, correu para o quarto, cobriu os pés.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Olá, Gonçalves!&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&#8211; Oi Maria, tudo bem? – Ele tinha aquele sorriso sem graça no rosto, não de desespero, mas de preocupação.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Tá de toalha e meia? Por quê?&nbsp;</p>



<p>&#8211; Ah&#8230; Humnn&#8230; Nada. &#8211; Pensou. – Vem Entra!&nbsp;</p>



<p>Ela se acomodou na cozinha; já era de casa, a visita que hora ou outra aparecia para pedir favor ou uma noite de amor. Sempre que ela chegava, ele ia preparar um café, pegava o jarro de alumínio e punha a água para ferver. A companhia era boa; os assuntos muitas vezes fluíam com água de torneira, e às vezes não sobrava tempo para palavras, ela o agarrava e arrastava-o para o quarto. Hoje, havia a dúvida. O que ela queria? Sexo, favor ou conversa? Os três? Tudo ao mesmo tempo?</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fb886-o-pe-do-seu-goncalves-1.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-18836" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Ilustração por Jhonata Santana</figcaption></figure></div>



<p>Não demorou muito para que ela o puxasse pelo laço da toalha, trouxe-o para perto do seu corpo, com olhos em desejo revelador.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Vem vamos para o quarto?&nbsp;</p>



<p>E ele a seguiu. Obedecendo a todos os comandos que lhe eram dados, ela se jogou na cama e ele parou em sua frente. Deixou a toalha cair.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Tira essa meia e pula aqui para gente brincar! &#8211; Esse era o seu Gonçalves, cumpria tudo que prometia, mas sempre se esquecia de si; dessa vez não.&nbsp;</p>



<p>&#8211; bom&#8230; A meia&#8230; Não posso ficar com ela?&nbsp;</p>



<p>&#8211; Mas de jeito nenhum, me dá uma cosquinha danada. Tira essa meia ou nada tem hoje.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Mas&#8230; – Foi interrompido.&nbsp;</p>



<p>&#8211; Mas nada! De meia eu não transo! &#8211; Cruzou os braços.&nbsp;</p>



<p>&#8211; E sem meia eu não fico! &#8211; Também cruzou os braços e ergueu a cabeça.&nbsp;</p>



<p>Ela saiu ao esperneio, vestiu sua roupa e foi embora. Gonçalves sentou na cama, nu da cabeça aos joelhos, tirou a meia e vestiu uma samba canção. Deitou e dormiu. Logo de manhã, levantou, abriu a geladeira pegou o leite e pôs para ferver, pegou a margarina, café, e duas frutas para comer. Ainda não olhara seus pés, estava com medo, receoso, a duvida se tomava banho ou não rondava seus pensamentos. O dia estava esquentando, o sol ardia através da janela da sala, ele suava. Ligou o ventilador, mas nada, o vento quente batia em seu corpo e só lhe aborrecia foi até a porta e se assustou: onde estavam suas mãos? Começou a enlouquecer. Entrou correndo no banheiro e se olhou no espelho. Ele não estava lá. Tudo que viu foi o reflexo vazio de sua persona ausente. Logo de manhã, alguém na sua porta o chamava.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&#8211; Bom dia, Seu Gonçalves! Pode me emprestar o pé de cabra?&nbsp;</p>



<p>&#8211; Claro, Carlos! Tá do lado da porta, só entrar e pegar!&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Esse era o seu Gonçalves: cumpria tudo que prometia, mas sempre se esquecia de si.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7502-jhonata-santana.png?resize=950%2C950" alt="" class="wp-image-18830 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7502-jhonata-santana.png?w=1089&amp;ssl=1 1089w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7502-jhonata-santana.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7502-jhonata-santana.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7502-jhonata-santana.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7502-jhonata-santana.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7502-jhonata-santana.png?resize=980%2C980&amp;ssl=1 980w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/f7502-jhonata-santana.png?resize=96%2C96&amp;ssl=1 96w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Jhonata Santana</strong>, nascido na área litorânea de São Paulo (baixada santista).&nbsp;Começou a escrever cedo, por volta dos 14 anos, com pequenos contos de mistérios.&nbsp;Hoje tem publicado uma antologia de contos eróticos e caminhando para a segunda publicação, um romance de mistério e drama policial que trata sobre depressão e suicídio. </p>
</div></div>



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		<title>CARAVAGGIO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 31 Oct 2021 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 115]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Marina Alexiou</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"><em>“A todos vocês que dividiram a sua sombra comigo
E mostraram caminhos tão humanos...”</em>

Nos meus olhos e no meu olhar 
Vivem a tristeza da inclemência 
Do tempo, da natureza, 
E a certeza de que o estranho riso
Que brota dos meus tantos eus,
É irmão desses espantos diante do gigantesco.
A todos que se aproximaram da minha sina
Abro espaço aos seus pés cansados,
Suas vestes rotas e seu imerecido martírio.
À sua volúpia, contida em estudados disfarces
E para a generosidade e sabedoria
Diante daquilo que se impõe
De forma definitiva.
Mas que poucos verão...
Eu lhes apresento ao mundo que não passa 
De uma colcha de memórias, 
Onde o jogo de luzes das trevas
E da beleza, refletem e acendem
Ainda outras, através das gerações.
O meu hálito, este que carrego
Em densas nuvens tempestuosas
Sopra entre abismos que não permitem descanso.
Os gritos, uivos de surpresa e dor, 
São os raios que antecedem a verdade
Que será contada continuamente
Por outros, que, assim como eu
(o Louco com o saco dos destinos humanos às costas)
Dirigem-se em sua direção,
Sem escolha...
</pre>



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<p><strong>Marina Alexiou</strong> é mestre em Filosofia pela PUC/SP e estudiosa das Artes. Escritora de prosas poéticas desde 2009, participou do livro “Coimbra em Palavras&#8221;, &nbsp;lançado em Portugal em 2018. Gosta de colecionar belas imagens, pois elas a levam para o seu mundo simbólico inspirando a sua escrita.</p>
</div></div>



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