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	<title>Arquivos Ano 001, N 002 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Finitude</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 23:43:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 002]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[filosofia da arte]]></category>
		<category><![CDATA[Finitude]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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<p><em>por: Kariston França</em></p>



<p class="has-drop-cap">Já parou pra pensar em cada produção de arte que temos acompanhado ou não nos últimos meses? Certo tempo atrás, li um texto sobre obras de arte com data de validade, era uma exposição para abordar o tema da finitude. Laura Vinci planejou uma exposição com 7 mil maçãs, e registrando tudo com uma 9mm, abordou essa sensível questão da fragilidade do tempo.</p>



<p>As milhares de maçãs expostas na sala, iriam se tornar um composto de ração assim que sua vitalidade se extinguisse.</p>



<p>Pablo Picasso certa vez, disse:</p>



<p>“Para mim, não há passado ou futuro na Arte. Se uma obra de Arte não pode viver sempre no presente, ela não pode ser considerada como Arte. A arte dos gregos, egípcios e os grandes pintores que viveram em outros tempos, não é uma Arte do passado. Talvez esteja inclusive muito mais viva hoje do que sempre esteve.”</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5db61-whatsapp-image-2019-06-23-at-06.46.33.jpeg?resize=602%2C453&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-294" width="602" height="453" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Harmen Steenwijk, Natureza-morta Vanitas. c. 1640-1650. Óleo sobre madeira. Museu Stedelijk `De Lakenhal´, Leiden </figcaption></figure>



<p>Talvez a arte &#8220;perecível&#8221; tenha seu valor, e de fato seja eternizada por fotos e vídeos, afinal, essas são as facilidades do nosso tempo.</p>



<p>Não perdemos nada. Será?</p>



<p>É intrigante como aceitamos que nada vai passar, que o que produzimos, ficará para a posteridade. Temos castelos e pontes que nos provam que isso é possível.</p>



<p>As pirâmides são uma afronta a finitude da vida humana? Será que são um memorial a finitude que nos cerca e nos debilita a cada manhã?</p>



<p>Longe de mim questionar a validade da obra de arte e de sua duração, mas me intriga a maneira como olhamos para nossas produções e as deixamos ao vento, numa frágil certeza de que a mesma irá durar mais de uma ou duas vidas.</p>



<p>A dança milenar entre a vida e a morte sempre impulsionaram a humanidade a fazer mais.</p>



<p>A humanidade então, na busca pelo algo a mais, se torna refém de algumas organizações inerentes a vida.</p>



<p>Precisamos dos vencidos, dos medianos e dos heróis. Ambos apesar de terem espaço na memória global, encararam a finitude que os cercava.</p>



<p>Qual a nossa motivação na produção da arte? </p>



<p>Todos queremos ficar no lugar dos heróis, dos excepcionais, daqueles que realmente deixaram uma estátua esquecida e desgastada na praça.</p>



<p>A verdade é que precisamos desenvolver o nosso papel na arte da vida, ser o que precisamos e não o que queremos.</p>



<p>O tempo julgará qual o nosso lugar na história, precisamos apenas nos entregar a consciência de finitude que nos cerca, nos lançarmos aos continentes desconhecidos seja como desbravadores ou como um mero carregador de equipamentos de medição.</p>



<p>Lembre-se de Humboldt no texto passado, desbravou um continente desconhecido mesmo que &#8220;conquistado&#8221; séculos antes.</p>



<p>Humboldt só seguiu e superou, graças aos artistas ao seu redor, que desenvolveram estratégias, que superaram seus limites para preservar cada anotação e dado atmosférico coletado na sua aventura pela América do Sul.</p>



<p>Só nos resta aceitar, e experimentar o que a nossa finitude nos proporcionará a cada dia, a cada flash, pincelada, cada letra escrita e cada livro impresso.</p>



<p>Seremos com uma relva, que pela manhã se fortalece, embeleza a vastidão do mundo, e de tarde, já se encontra seca, mas em cada uma dessas etapas, ela supre uma demanda.</p>



<p>Criemos pois esses suprimentos em cada instante da nossa vida e teremos pirâmides construídas diariamente.</p>
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		<title>Alfabetização Estética: A Obra de Arte e o Desenvolvimento da Percepção</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/06/23/alfabetizacao-estetica-a-obra-de-arte-e-o-desenvolvimento-da-percepcao/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 21:55:12 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 002]]></category>
		<category><![CDATA[alfabetização estética]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[estética]]></category>
		<category><![CDATA[percepção]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por.: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p></p>



<p class="has-drop-cap">Falar em alfabetização estética implica em reconhecer na condição humana uma necessidade de encontrar, na expressão de suas atividades, algo atraente, provocante, Belo. Ademais das teorias da filosofia da Arte acerca das definições do que é Belo ao longo da História, uma coisa podemos afirmar: <strong>existe uma inquietação que busca sentido na beleza, portanto, carece de, ao  percebe-la, conceber possíveis definições.</strong></p>



<p>Admitindo que a Arte tenha sua origem nos mais primitivos processos de criação, a projeção da percepção humana para o mundo das coisas físicas contribuiu para o <strong>despertar de novas concepções sobre a vida, inaugurando a consciência da própria existência</strong>, situando o conceito de Cultura como o entendimento mais amplo das ações humanas.</p>



<p>Como linguagem, essa cultura, ainda embrionária, foi estabelecendo critérios estéticos em rituais e cerimônias, contribuindo para que as noções de beleza se firmassem como algo concreto e necessário. Nesse sentido, <strong>a representação se tornou uma inclinação natural para o ser humano,</strong> sobretudo por sua necessidade de constituir elos cognitivos e socializar narrativas. Por outro lado, os vestígios mais antigos da existência humana na Terra aos quais temos acesso, revelam como lastro, a fragilidade do homem em seu desconforto com a natureza. </p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/la-grotte-de-lascaux-3.jpg?fit=606%2C344&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-210" width="822" height="467" /><figcaption><em>La Grotte de Lascaux</em></figcaption></figure>



<p>Talvez por este motivo, podemos supor que a produção de adornos, acessórios, objetos e indumentárias ornadas, fosse um modo de pavimentar um caminho para <strong>representação do sagrado</strong>, substituindo cavernas e abrigos naturais pela arquitetura de suas casas, templos e pequenos centros comerciais, o que favoreceu um isolamento cada vez maior do meio natural.</p>



<p>Sem a pretensão de detalhar todo processo de desenvolvimento histórico e cultural da humanidade, podemos dizer que, dai pra frente, <strong>o ser humano se estabeleceu  através de um empilhando convenções</strong> acerca de tudo o que pudesse tocar sua percepção, e, no caso da Arte, técnicas, faturas, materiais e procedimentos diversos foram responsáveis pela expansão do campo da representação, construindo em sua história o reflexo deste ser que vive em sociedade.</p>



<p>E assim seguiu o homem através das distintas temporalidades históricas, apoiando-se sobre convenções que se consolidavam e criando tantas outras rumo a complexos sistemas políticos e econômicos, hierarquizando conceitos e atribuindo valores múltiplos até os dias atuais. E é neste ponto que vamos falar sobre a alfabetização estética.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dc0b5-shutterstock_99855551b-795x447-1.jpg?resize=762%2C428&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-282" width="762" height="428" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dc0b5-shutterstock_99855551b-795x447-1.jpg?w=795&amp;ssl=1 795w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dc0b5-shutterstock_99855551b-795x447-1.jpg?resize=300%2C169&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dc0b5-shutterstock_99855551b-795x447-1.jpg?resize=768%2C432&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 762px) 100vw, 762px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Imagem retirada da internet</em></figcaption></figure>



<p>Distante do raciocínio estrutural da produção de sentido estético, a cultura de massa, instituída e alimentada pela industria cultural, <strong>condiciona as pessoas a reconhecer padrões simplificados de composições visuais, diluindo possibilidades mais complexas em meras peças publicitárias. </strong></p>



<p>O grande problema dessa discussão é confrontar-se com noções estéticas que foram construídas e consolidadas por um <strong>processo que esvaziou de sentido as pesquisas das Artes enquanto campo do conhecimento</strong>, substituindo obras de arte por conteúdos pasteurizados, simplificados e industrialmente trabalhados para vender produtos, ideias e comportamentos. <strong>Tratar de qualquer objeto visual com o olhar crítico é afrontar uma demanda comercial sobre este objeto</strong>, e propor alternativas fora dos padrões estabelecidos, é incidir diretamente sobre o aspecto social da Arte, e digamos que confrontar os interesses do Mercado é um belo desafio (com o perdão do trocadilho).</p>



<p>Sendo assim, é possível entender que toda a progressão humana que apontava para um desenvolvimento de sua percepção visual na esfera estética, acabou tomando outro rumo, tornando-se restrito apenas à pesquisadores das Artes e áreas afins,<strong> modificando o sentido da necessidade da Arte no senso comum, reduzindo-a à seu aspecto utilitário</strong>. Este é um problema que promove construções de raciocínios e argumentos alicerçados em padrões estéticos de &#8220;gosto&#8221;.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e53f3-sdfgh.jpg?resize=700%2C466&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-285" width="700" height="466" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e53f3-sdfgh.jpg?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e53f3-sdfgh.jpg?resize=300%2C200&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 700px) 100vw, 700px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Tunga, O Corpo em Obras &#8211; Exposição no MASP em 2017</em></figcaption></figure>



<p>Por esse motivo, <strong>é muito importante frequentar espaços dedicados à Arte, </strong>como museus, centros culturais, teatros, memoriais e galerias de Arte. Frenquentar espaços que fomentam a produção artística e cultural é aceitar se expor à proposições artísticas que são capazes de ampliar suas definições conceituais e desenvolver sua percepção estética. Este é um caminho para evitar que nossas noções estéticas sejam formadas a partir de imagens publicitárias, programas de televisão e mídias sociais. Aumentando nosso alfabeto visual, podemos criar condições de <strong>identificar outras maneiras de organizar estruturas visuais e expandir nosso repertório estético.</strong></p>



<p>Em linhas gerais, é importante reconhecer que outras possibilidades de identificar, discernir e ser tocado por algo Belo, estão <strong>condicionadas à maneira como desenvolvemos nossa percepção e sensibilidade</strong> e, como consequência deste desenvolvimento, aos poucos, as estruturas simplificadas se tornam cada vez mais aparentes, e os objetivos por trás da sua elaboração ficam em evidência. </p>



<p>Mas, veja bem, isso não é uma crítica à simplificação de produção de imagens para o meio publicitário.<strong> É uma crítica à impossibilidade de construir outras noções estéticas ao consolidar o produto dessa percepção como única referência. </strong></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/MAMVPcortesiaPierreAntoine.jpg?fit=606%2C414&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-288" /><figcaption>Lo castelo: &nbsp;<strong>Jorge Mández Blake</strong></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="950" height="641" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ca18-jorge-mendez-blake-the-castle-2007-bricks-edition-of-franz-kafkas-the-castle-detail-2300-x-1750-x-400-cm-1.jpg?resize=950%2C641&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-289" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ca18-jorge-mendez-blake-the-castle-2007-bricks-edition-of-franz-kafkas-the-castle-detail-2300-x-1750-x-400-cm-1.jpg?w=1000&amp;ssl=1 1000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ca18-jorge-mendez-blake-the-castle-2007-bricks-edition-of-franz-kafkas-the-castle-detail-2300-x-1750-x-400-cm-1.jpg?resize=300%2C203&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7ca18-jorge-mendez-blake-the-castle-2007-bricks-edition-of-franz-kafkas-the-castle-detail-2300-x-1750-x-400-cm-1.jpg?resize=768%2C518&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Lo castelo: &nbsp;<strong>Jorge Mández Blake</strong></figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/6B_original.png?fit=606%2C401&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-290" /><figcaption>Lo castelo: &nbsp;<strong>Jorge Mández Blake</strong></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>
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		<title>Cores e Contexto: Uma abordagem além da teoria</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 18:56:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 002]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cor]]></category>
		<category><![CDATA[cor e contexto]]></category>
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		<category><![CDATA[psicologia da cor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Patrocínio</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>por.: Gabriel Patrocínio</em></p>



<p class="has-drop-cap">A cor é um assunto vasto e profundo para além da física, teoria e perceção visual. O cientista Isaac Newton, no século XVI, foi um dos pioneiros e mais importantes pesquisadores das cores. Seu feito foi analisar as diferentes frequências de ondas de luz que ao atravessar um prisma de vidro, que resultaram em sete diferentes cores, produzindo assim seu pequeno arco iris artificial.</p>



<p>No século XIX, o escritor alemão Jogann Wolfgang von Goethe dedicou anos de estudo para desenvolver a teoria de Isaac Newton. O pesquisador então criou o círculo cromático, como uma forma de representação ilustrada das cores transfigurando a teoria física em algo palpável e visível ao olho humano, e uma das principais ferramentas de consulta e referência para os interessados.</p>



<p>Com isso, as cores foram representadas e compostas no gráfico com formato circular e divididas em fatias, como primárias, secundárias e terciárias. Além disso, as cores conversam entre si de forma harmónica com a possibilidade de serem complementares, análogas, triangulares, meio complementares, retangulares e quadradas, de acordo com sua disposição no círculo cromático.</p>



<p>Anos após anos, cientistas, artistas, designers e interessados em geral, dedicam horas e horas em busca de dominar e aplicar as cores em suas composições criando valor, significado, história e essência relevante para a proposta apresentada. Há percepções associadas à cor que vão muito além da psicologia das cores e das coisas comuns que sabemos sobre elas. O contexto e o produto a que estão associados também têm a ver com o efeito que têm sobre o espectador.</p>



<p>Esse efeito desperta sensações humanas não citadas ainda anteriormente pelos físicos cientistas nos primórdios dos estudos das cores. Com isso, novas particularidades se tornaram cada vez mais relevantes para a criação da peça gráfica. Emoções e perceções estão diretamente ligado a forma com que os consumidores dialogam com o produto, resinificando muitas vezes a proposta da indústria e o comércio em si.</p>



<p>Então, pesquisadores e profissionais do marketing e indústria criativa em geral, identificaram padrões nas respostas humanas em relação as cores. Esses padrões, logo se tornaram variáveis se fatores como cultura, gênero, idade, localização, e a bagagem de pessoa por pessoa, forem percebidas pelo criador, ou seja, pensar no contexto.</p>



<p>Como por exemplo, a cor preta pode ser associada a sofisticação, poder, luxo, austeridade, glamour. Para outras culturas, o preto significa solidão, depressão, romantismo, luto. A cor vermelha é associada a atividade, excitação, paixão, vibração, atração como aspetos positivos para aplicação. Em uma simulação extrema, porém, possível, essa cor pode ser associada a agressividade, ansiedade, emergência e em determinados segmentos, pode tornar algo oposto do que ele representa, perdendo a sua relevância, e falhando o projeto como um todo.</p>



<p>Em outras palavras, psicologia das cores não é apenas preto e branco de uma maneira geral. A cor aplicada a linguagem visual, é algo amplo e subjetivo e uma ferramenta de extrema importância. Existem padrões dos estudos das cores já comprovados cientificamente que sim, devem ser estudados e aplicados se for necessário, porém, a análise do contexto do projeto é de extrema importância para a eficácia do produto.</p>



<figure class="wp-block-image"><img loading="lazy" decoding="async" width="927" height="512" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/281fb-cores-e-contexto_.png?resize=927%2C512&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-278" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/281fb-cores-e-contexto_.png?w=927&amp;ssl=1 927w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/281fb-cores-e-contexto_.png?resize=300%2C166&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/281fb-cores-e-contexto_.png?resize=768%2C424&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 927px) 100vw, 927px" data-recalc-dims="1" /></figure>
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		<title>Dois Poemas Praianos</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/06/22/dois-poemas-praianos/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 01:14:06 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[escrita]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Fred Spada</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>por: Fred Spada</em></p>



<p>    ARREBOL</p>



<pre class="wp-block-verse">Caminhas como quem pisa a areia e não sente o peso do mundo. <br>Úmida ainda, pouco ou nada permite gravar em si dos passos<br>que sobre ela dás enquanto segues o contorno do mar.<br>Os pés, todavia, marcam o ritmo da tua solidão,<br>e enquanto o sol se põe só o marulho habita a costa<br>e o teu coração. <br><br><br>***</pre>



<pre class="wp-block-verse">BEIRA MAR<br><em>             para Camila Assad</em></pre>



<pre class="wp-block-verse">já não recordava a última vez<br>em que tinha pisado a areia de uma praia,<br>mesmo indo com frequência ao Rio há alguns anos.<br>hoje, enquanto caminhava pelo calçadão de Ipanema,<br>me lembrei do que você me havia dito<br>em uma de nossas primeiras conversas:<br>que as pessoas em São Paulo não pisam a grama<br>– e eu confessava que fazia tanto tempo ou mais<br>que pusera os pés descalços na grama verde.<br>então tirei tênis e meia e fui sentir a areia novamente,<br>enquanto o sol se punha<br>por detrás do morro Dois Irmãos.<br>não era grama, não entrei no mar,<br>sequer molhei os pés,<br>apenas o pôr-do-sol ficou guardado na fotografia.<br>ainda assim<br>há muita vida<br>nessas pequenas experiências sensoriais.</pre>



<p>__________<br>FRED&nbsp;SPADA&nbsp;é poeta, tradutor e editor das Edições Macondo.</p>
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		<title>Objetos Nômades II</title>
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		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 01:01:03 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 002]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[objetos nômades]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por.: Henrique Grimaldi Figueredo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>por.: Henrique Grimaldi</em> <em>Figueredo</em></p>



<p class="has-small-font-size">&#8220;Uma versão deste ensaio foi inicialmente publicada na Revista Subversa &#8211; Literatura Luso-Brasileira (ISSN 2359-5817) em novembro de 2017, e encontra-se disponível no link: <a href="http://revistasubversa.com/artigo/objetos-nomades-henrique-grimaldi-figueiredo-juiz-de-fora-mg/.">http://revistasubversa.com/artigo/objetos-nomades-henrique-grimaldi-figueiredo-juiz-de-fora-mg/.</a>&#8220;</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p class="has-drop-cap">O homem almeja a facilidade do mundo, tudo que se ensaia, tudo aquilo que se prende – por comodidade – na afabilidade de um conceito pronto. Parece não haver, nessa narrativa antropologizada, um lugar de desvio, de (des)começo das coisas.&nbsp;</p>



<pre style="text-align:right" class="wp-block-verse"> [Não digo um lugar da negativa, porque até mesmo<br> o ‘anti’ apresenta seus riscos; riscos outros, riscos de <br>estanciação por substituição: de A por B, do ‘pro’<br> pelo ‘contra’; e os códigos, meus caros, estão<br>sempre fadados ao engessamento. São igualmente<br>inválidos na dicotomia que os castra. Dóceis porque<br> a-flexivos]</pre>



<p>[Não digo um lugar da negativa, porque até mesmo o ‘anti’ apresenta seus riscos; riscos outros, riscos de estanciação por substituição: de A por B, do ‘pro’ pelo ‘contra’; e os códigos, meus caros, estão sempre fadados ao engessamento. São igualmente inválidos na dicotomia que os castra. Dóceis porque a-flexivos]</p>



<p>Não; o que nos interessa é o ‘entremeios’ de uma existência, aquilo que, por estar em modalidade de viagem, torna-se incompatível com qualquer traço de perenidade. A viagem sacoleja a carga, é gatilho para uma forma outra, o que chega ao final é vorazmente distinto do que o empacotado no início. Eis a beleza da coisa: a mensagem-item é autoeditada num <em>per si</em> que é, por si só, o jogo a-normativo.&nbsp;</p>



<p>O que se insinua não possui nome próprio. Nem há motivo para tê-lo. Chamaremos de objetos nômades esses artefatos do sensível, e na ausência de uma terminologia mais definitiva ou elegante, deixemos assim, nômades, apenas viajantes de um sentir cambiável.&nbsp;</p>



<p>São os objetos nômades da ordem dos inclassificáveis, ordem esta que é essencialmente uma desordem dos conceitos, ou melhor, uma re-ordem das coisas, de uma pulsão operante de recombinações e remodelações, de tudo que agita o que insiste em se assentar harmoniosamente no fundo. A beleza do barro reside no balé de suas multi-partículas em uma água manente, não no piso arenoso e temerário de sua calmaria.&nbsp;</p>



<p>À classe dos objetos nômades pertencem muitas coisas. Tudo está apto a nomadizar. Existe uma vontade, expressa na modalidade da pré-coisa, que acena em ser outro. A coisa é coisificada pelo Outro – o homem –, cuja castidade e o medo ante o incognoscível leva ao fechamento axiomático das verdades. Que poesia há na certeza? Sinceramente, não vejo. Há mais beleza no escapamento do carro que é interpretado como disparo, ou no aroma noturno de flores que lembram a morte; do que na mecânica incontestável dos que querem afirmar o mundo. Confio neste desejo das pré-coisas, essa ânsia quase baudelairiana em ser <em>flâneur</em>, vaguear; compartilho de sua aspiração.&nbsp;</p>



<p>A palavra escrita, por exemplo. Quando escrita, uma vez escrita, inscreve-se como imagem, grupo de signos cuja cadência espera-se gerar uma determinada afetação. Se escrita, é imagética. Migra da zona mental de composição, assumindo uma corporalidade de papel, uma tatealidade expressa na visão.&nbsp; Deleuze, ao refletir sobre a criação, gerenciava o ato criador como ato agenciador: agenciador de palavras, de vozes, de visões. A coisa agencia outra coisa por acúmulo. A criação é nesse sentido cria[cumula]ção! E é nessa polifonia do acúmulo que a <em>poiésis</em> do nomadismo ocorre.&nbsp;</p>



<pre style="text-align:right" class="wp-block-verse"><br><br><em>BLOOD PIECE</em><br><em>Use your blood to paint.</em><br><em>Keep painting until you faint. (a)</em><br><em>Keep painting until you die. (b)</em><br><em>1960 spring</em><br><br><br>Yoko Ono<br><br></pre>



<p>Eis aí um primoroso exemplo de nomadismo objetual. A poesia propositiva de Ono, uma vez escrita é imagética, deixa o domínio da oralidade e se perpetua através e na visualidade. Não pertence a ninguém mas pertence a todos. Há certa indomabilidade da criação e diferentes sentidos de nomadização. Se leio mentalmente &lt;&lt; poesia nomadiza para a visão &gt;&gt; se leio oralmente &lt;&lt; poesia nomadiza para a visão e para a vocalização &gt;&gt; se interpreto a ação &lt;&lt; nomadiza para a visão e da visão para ação &gt;&gt; se interpreto a ação até o fim &lt;&lt; nomadiza da visão para a ação e da ação para a transcendência do sujeito: morte &gt;&gt;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/88c5b-imagem-1.jpg?resize=727%2C691&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-244" width="727" height="691" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/88c5b-imagem-1.jpg?w=699&amp;ssl=1 699w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/88c5b-imagem-1.jpg?resize=300%2C285&amp;ssl=1 300w" sizes="(max-width: 727px) 100vw, 727px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Autoria desconhecida. Fonte: wehearit.com.&nbsp;</figcaption></figure>



<p>Em seu “Livro sobre nada”, Manoel de Barros opera uma desobrigação do ato relacional de olhar: “O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê/ É preciso transver o mundo/ É preciso deformar o mundo”. Essa ação vibrátil do olho, que descredencia o real como imperativo na ação de ver insere, analogamente, o gesto de um “transver” subjetivo, isto é, ser incivilizável ante a um existir sistêmico e conformado. Um traço de desobediência plural que a poesia compartilha com a ação poética. Ao nomadizar do escrito ao vivencial cria-se um curto-circuito no que se entende pela realidade. Para parafrasear Bourriaud, um momento de conversão que desencadeia “mais movimentos dos observadores do que exigido para sua elaboração”. Os objetos nômades são assim pequenos respingos de ativação político-poética, fissuras desejadas no tecido febril e desalentador da sociedade. &nbsp;</p>



<p>Nas viagens impetradas no sensível, os objetos nômades delineiam dois grandes contornos: é uma vez 1. <em>Objeto Nômade</em>: objeto porque mesmo na adimensionalidade catártica das virtualizações há corpo, e nômade porque são intimamente desassossegados, migrantes; da literatura para a arte, do biológico para o poema, do mecânico para o orgânico. Mas também o é outra vez <em>2. Objeto Nômade</em>: no sujeito, porque ao ser/interpreta-lo na menor das instâncias, me torno nômade por agenciamento, deixando minhas coordenadas para adquirir outro lugar; assumindo-me objeto neles e por eles.</p>



<p>E no início era o Verbo, e o Verbo se fez [carne, imagem, oco, eco, palavra, silêncio, sentido, (muitos eteceteras); finalmente NÔMADE] e habitou entre nós. Que a palavra nos brinque-de-ser-poema e que nos nomadize à máxima manoelina: “Perdoai, mas eu preciso ser Outros/ Penso renovar o homem usando borboletas”.&nbsp;</p>
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		<title>Slow Movement e as Cidades Criativas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 00:53:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 002]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades Criativas]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[slow movement]]></category>
		<category><![CDATA[Slow Turism]]></category>
		<category><![CDATA[Turismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Paola Frizero</p>
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<p><em>por: Paola Frizero</em></p>



<p class="has-drop-cap">Criatividade tem sido um tema constantemente abordado nos estudos sobre economia e sustentabilidade dentro do turismo, onde nos encontramos em uma nova fase paralela ao grande movimento do “turismo de massa”.</p>



<p>Este tipo de atividade, que teve início com a revolução industrial e vem se aprimorando até os dias de hoje, encontra-se paralelo ao que chamamos de&nbsp;​<em>fast movement</em>​, que são, resumidamente, atividades mais dinâmicas, onde se “ganha” tempo conhecendo muitos lugares em poucos dias. Este movimento fez com que o ato de viajar se tornasse cada vez mais acessível, o que foi e ainda é de extrema importância para a economia do setor.</p>



<p>Apesar deste modo “fast” de conhecer os lugares ainda ter seu espaço garantido em muitos segmentos de público, como o da melhor idade, por exemplo, o chamado&nbsp;​<em>slow movement,&nbsp;</em>​veio contrário à esta tendência de forma a resgatar hábitos pré-industriais, com uma maior valorização do tempo. Este movimento aparece com destaque nos últimos anos em vários âmbitos do nosso cotidiano, como por exemplo na gastronomia, na moda e claro, também no turismo, colocando em foco o apreciar das coisas e lugares com o objetivo de conhecer mais a fundo e com maior riqueza de detalhes.</p>



<p>Simultaneamente ao que chamamos de&nbsp;​<em>“Slow tourism”</em>​, acontece o fenômeno das cidades criativas, como uma forma de ressignificação da atratividade cultural da cidade ou produto turístico, que nada mais é do que uma inovação na forma de mostrar ao mundo sua importância através de manifestações culturais, parques temáticos, museus e monumentos, dentre outros.</p>



<p>A UNESCO, que possui uma “Rede de Cidades Criativas”, divulgou em seu último senso as 64 cidades de 44 países que se somaram à lista anterior. A lista completa ficou com 180 cidades de 72 países. Dentre elas, as cidades brasileiras: Brasília (DF) e Curitiba (PR), destacando-se pelo seu design, João Pessoa (PB), que se sobressaiu pelo artesanato e arte popular, Florianópolis (SC), Belém (PA) e Paraty (RJ), por sua gastronomia, Salvador (BA), pela música e Santos (SP), pelo cinema. Neste ano de 2019, outras cidades brasileiras se candidataram ao título, dentre elas, a capital de Minas Gerais, Belo Horizonte, por sua gastronomia.</p>



<p>A difusão do&nbsp;​<em>Slow Tourism&nbsp;</em>​e a valorização das cidades criativas exige que sigamos uma lógica cada vez mais complementar – local e global, quantidade e qualidade, economia e cultura &#8211; e a tendência é que esta valorização da experiência seja cada vez maior no âmbito do turismo, em que o viajante busque cada vez mais permanecer por mais tempo um um só lugar como uma forma de imersão naquela cultura e em suas peculiaridades.</p>



<figure class="wp-block-image is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/06/shutterstock_184092848_pelourinho-salvador-bahia.jpg?fit=606%2C403&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-232" width="839" height="557" /><figcaption><em>Pelourinho, Salvador &#8211; BA. Imagem da internet</em></figcaption></figure>



<p>A lista das cidades criativas encontram-se no site da UNESCO e, portanto, possuem visibilidade internacional.</p>



<p><strong>Link do site:</strong></p>



<p><a href="http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/unesco_creative_cit ies_network/">http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/unesco_creative_cit ies_network/</a></p>



<p></p>
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		<title>Ver ou Ser Visto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 00:50:45 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 002]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Lucas Menezes</p>
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<p><em>por: Lucas Menezes</em></p>



<p class="has-drop-cap">Todos já ouvimos a célebre frase contemporânea de que: &#8220;a tecnologia aproxima quem está longe e afasta quem está perto&#8221;, mas, hoje, vamos conversar sobre outro ponto negativo de nossa sociedade.<br> Semana passada pude ter a honra de ir à uma exposição realizada pelo MASP, em São Paulo, sobre o grande ícone da pintura modernista brasileira Tarsila do Amaral. E, como eu já esperava, haviam várias pessoas que simplesmente paravam, fotografam e partiam pra próxima obra, <strong>percorrendo toda a exposição somente pelos olhares de seu caríssimo celular.</strong><br> Infelizmente essa situação não é esporádica. Sempre vejo pessoas indo para os mais belos zoológicos, aquários, shows de música e exposições de arte sendo intermediados apenas pelas lentes das câmeras de seus smartphones, perdendo aquela grande experiência de estar ali no momento, trocando o observar de detalhes e emoção do ao vivo por fotos e vídeos mal gravados, muitas vezes, que vão simplesmente servir para postarem em suas mídias sociais e mostrar para seu circulo de amizades que &#8220;eu estava lá&#8221;.<br> Não tem como falar sobre isso e não citar Walter Benjamin, estudioso das questões da aura artística, e sua reflexão sobre o valor único da obra de arte e da experiência de estar junto a ela. Quando trocamos o conforto de ver nosso artista em casa do nosso sofá ou pelas páginas de um livro para poder assisti-lo ao vivo nós estamos querendo algo mais, estamos atrás de uma experiência única, que somente o ao vivo pode proporcionar: <strong>a experiência da aura artística.</strong><br> E aí concluo minha conversa deixando para vocês uma pergunta que assombra meu ser: O que é mais importante, sua vida física ou sua vida virtual? Viver o momento intensamente ou mostrar a todos que você viveu?</p>
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		<title>Pensando em Pausas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Jun 2019 00:42:47 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 002]]></category>
		<category><![CDATA[escutar música]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[Ouvir música]]></category>
		<category><![CDATA[Pausa]]></category>
		<category><![CDATA[percepção musical]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Robert Anthony</p>
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<p><em>por: Robert Anthony</em></p>



<p class="has-drop-cap">Atrasado para algum compromisso, juntei minhas coisas rapidamente e saí apressado. Enquanto andava, desembolava o emaranhado fio do fone de ouvido. Concluída essa tarefa, coloquei os fones, abri meu aplicativo de música, selecionei uma playlist qualquer e segui ouvindo por todo meu percurso. Mais tarde, já em casa, uma melodia tocava em minha cabeça repetidamente. Lembrei que era uma das músicas que havia escutado. No intuito de ouvi-la de novo, procurei nos registros desse aplicativo alguma referência que pudesse me salvar do martírio: que música era aquela que não saía da minha cabeça?</p>



<p>Desisti. Absorto nesse acontecimento, comecei a refletir que talvez eu não ouvisse aquela música novamente, e que talvez eu não tivesse dado a devida atenção à ela. Na verdade, acho que não tenho dado a devida atenção nenhuma das vezes. Pensei: qual foi a última vez que parei para ouvir uma música? Assim, do primeiro ao último segundo. Do silêncio que antecede ao silêncio que sucede.</p>



<p>Isso tudo me levou a pensar que alguns séculos atrás, antes da invenção da gravação sonora, ir a um concerto era, muitas vezes, a única oportunidade de se ouvir uma determinada música. Uma música, por mais simples que ela seja, é um evento complexo. Tudo bem, não fomos educados para uma escuta atenta, e talvez tenhamos que retomar alguns passos. Um ponto de partida possível está no conceito de &#8220;modos de escuta&#8221;, de Pierre Schaeffer. Descrito em seu livro &#8220;Tratado dos Objetos Musicais&#8221;, o pesquisador e compositor francês, apresenta estes modos de escuta em quatro: escutar, ouvir, entender e compreender.&nbsp;</p>



<p>Para ficar mais claro, nas palavras de Virgínia Flores:</p>



<p>&#8220;Escutar é, por intermédio do som, procurar sua fonte, sua causa, é tratar o som como índice desta fonte (concreto-objetivo). Ouvir é ser tocado pelos sons passivamente, sem intenção de escutar ou de compreender, é o nível mais bruto da escuta (concreto-subjetivo). Entender é manifestar uma intenção de escuta, selecionar dentro daquilo que escutamos (abstrato-subjetivo). Compreender é discernir um sentido veiculado por signos, é tratar o som como um signo (abstrato-objetivo)&#8221;.</p>



<p>Percebi que, naquele momento, quando saí pela rua ouvindo uma faixa aleatória da minha playlist, me faltou o &#8220;entender&#8221; e o &#8220;compreender&#8221;. No meu descuido, deixei escapar o silêncio, deixei de tratá-lo &#8211; parafraseando Murray Schaffer &#8211; como um repositório, pronto para receber uma música. Quando paramos tudo o que estamos fazendo para ouvir, estamos direcionando nossa intenção de escuta. Paralelamente, atribuimos sentidos para o que acabamos de ouvir.</p>



<p>Sendo audacioso, ainda arriscaria um pouco mais. Talvez isso ilustre como estou lidando com tudo ao meu redor, vendo tudo passar, indo atrás das fontes de qualquer coisa, sem procurar &#8220;entender&#8221; e &#8220;compreender&#8221;. Ou seja, sem observar aquilo que esta se passando no presente momento, qual minha intenção e qual o sentido disso. Alinhar o nosso tempo ao tempo do mundo é primordial para começarmos a nos encontrar. E, como a música é necessariamente presa ao tempo, não estar sincronizado a ela é deixá-la passar, para sempre, sem ter dado a devida atenção.</p>



<p><strong>Referências</strong>:</p>



<p>SCHAEFFER, Pierre. Tratado dos Objetos Musicais (I. Martinazzo, Tran.). Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1993.<br>FLÔRES, Virgínia. O cinema: uma arte sonora. São Paulo: ANNABLUME, 2013.<br>SCHAFER, R. Murray. O ouvido pensante. Unesp, 1992.</p>
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