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	<title>Arquivos Ano 001, N 027 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Nossa Versão de Tudo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Dec 2019 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[obra de arte]]></category>
		<category><![CDATA[pós-modernidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">De Cristo a Krishna. Da partícula de Deus à Mercúrio retrógrado. Em cada penitência cumprida e em cada blasfêmia o ser humana desenvolve explicações para tudo. Aparentemente, existe uma força torrencial em cada indivíduo que os impele a emitir suas opiniões ou juizo de valor sobre cada evento, objeto, sujeito e conceito. Principalmente quando falamos de arte.</p>



<p>Devo adimitir, realmente a arte tem lá seus delírios e excentricidades. No entanto, a dimensão de entendimento sobre <strong><em>o que é</em></strong>? (enquanto campo do conhecimento), e <strong><em>o que fazer</em></strong>? (da experiência diante da obra de arte), está incrivelmente distante de seu aspecto social digamos&#8230; &#8220;popular&#8221;. </p>



<p>Enquanto linguagem, para o grande público, uma noção antiga, revista e reforçada pela filosofia iluminista, alimenta o ideário de que a Arte <strong>é algo que atinge um mérito estético, técnico, primorosamente executada e extasiante</strong>. É como se a essência de um trabalho artístico estivesse contida apenas na capacidade técnica de um indivíduo reproduzir uma paisagem, um retrato ou alguns objetos corriqueiros. Eu sei, isso é arte sim. Mas devo dizer que <strong>a arte não se restringe a essa concepção.</strong></p>



<p>Por outro lado, vemos grupos pseudo imbuídos de arquétipos do fazer artístico pós-moderno, descobrir,<strong> na inteligência das artes, uma ferramenta de distinção social</strong>.  Talvez seja uma debilitadade decorrente da precoce e constante exposição a tecnologias como a internet e as midias socias, mas o ponto é que, obras contemporâneas cuja valoração encontra-se nas minúscias que perpassam os discursos, são utilizadas para hierarquizar um complexo sistema de castas intelectuais, do tipo: </p>



<p>&#8211; <em>Nossa, você não entendeu a performance da Marina Abramovic? Eu sei, é difícil mesmo. Eu adoro as performances dela!</em></p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Marina Abramovic on performing &#039;Rhythm 0&#039; 1974" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/kijKz3JzoD4?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div><figcaption><em><strong>Rhythm 0</strong></em>. Marina Abramovic &#8211; 1974.</figcaption></figure>



<p>Veja bem, o ponto aqui não é você achar que arte é só a pintura clássica e o barroco, tampouco adorar de maneira excêntrica a obra da Marina Abramovic. O fato é:  <strong>você realmente entende como a proposição contribuiu para o campo da arte?</strong> E se entende, o que isso te proporciona como <em>ser</em> no mundo? O questionamento em si é especificamente com a necessidade de criar explicações e emitir opiniões parcamente embasadas para todas as situações. E se citarmos o mercado da Arte então&#8230; podemos dizer que as distâncias ficam ainda maiores.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/37a9b-image-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5917" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em><strong>Comedian</strong></em>. Maurizio Cattela &#8211; 2019.</figcaption></figure>



<p>Enfim, nos casos citados, podemos enxergar exemplos de como há <strong>uma progressão acadêmica nas discussões artísticas que não inclui o indivíduo comum. Pelo contrário, o coloca na condição de estrangeiro no território das artes, enquanto ele acredita estar apto a usar um repertório escasso para emitir suas opiniões e construir suas noções sobre arte e cultura.</strong> E este é um fenômeno que contribui para que leituras equivocadas sobre a função social de um artísta construam as narrativas pitorescas que ocupam uma parcela hegemônica no pensamento do senso comum. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Por isso é importante discutirmos essas questões. Essa percepção de massa influencia diretamente na criação de políticas públicas voltadas para o fomento de ações culturais e artísticas, precarizando as condições de trabalho de milhares de artístas, além de contribuir para que práticas de demonização da categoria sejam cada vez mais frequentes, especialmente quando houver performances com nudez, ou referência religiosa, por exemplo.</p>



<p>É preciso ter em mente que a arte é um campo do conhecimento complexo e ambíguo, que deve ser tratado com seriedade e comprometimento. Da mesmo forma que não vemos ninguém questionar à um engenheiro se um edifício é de realmente um edifício, podemos supor que, se as pessoas não se amotinassem escandalizadas em boicotes por virem algo que não consideram arte, seria pelo fato de termos socializado os debates e reduzido o enrigecimento desse <em>status quo</em>. </p>



<p>Talvez nesse dia, as nossas versões de tudo sejam construídas de maneira mais tolerante, crítica, acessível e solidária.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador, encadernador, escritor e violonista. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Fome de mim</title>
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		<pubDate>Sun, 15 Dec 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Couto]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Guilherme Couto</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-preformatted">Sem brinco, sem barba,<br>Sem pelo, sem nada,<br>Busco renascer.<br>Quero voltar a ser<br>O que um dia fui.<br>Um barro virgem,<br>Um desconhecido burro,<br>Um corpo em vertigem.<br><br><br>Pra seguir a dança,<br>Não basta uma dama.<br>Tampouco, basta esperança.&nbsp;<br>Pra seguir a dança,<br>É preciso estar em mudança,<br>Desconhecer toda e qualquer previsão,<br>Jamais esperar pelo refrão<br>E pisar descalço onde não tem chão.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Guilherme Couto</strong>&nbsp;&nbsp;tem 20 anos, faz engenharia na UFJF, mas vem da região serrana do rio. É apaixonado por arte e fã do modernismo brasileiro. Escreve pra se descobrir</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Prana</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Dec 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Lopes Garcia]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
		<category><![CDATA[Prana]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Gabriel Garcia</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-preformatted">Há um grande silêncio<br>Nos intervalos dos pensamentos<br>Preenchem completamente<br>O vazio potencial<br>Ar entra e fecunda os pulmões<br>Olhos se fecham<br>Dão asas à imaginação...<br>Lago de águas calmas-cristalinas<br>Leve vento a tocar a fronte<br>Balançar os cabelos<br>Beijar as faces<br>Dizer sobre a paz<br>Inundar o peito de sutileza<br>Superfície aquosa ligeiro ondulada<br>Toque com a palma da mão<br>Sensação de regozijo<br>Sob a árvore frondosa<br>O doce aroma das flores<br>Pássaros cantando devotos<br>Mente em estado ampiado<br>Êxtase!<br>Navegador do&nbsp;<em>self</em><br>Uno ao Universo<br>Os braços da galáxia<br>são&nbsp;<em>Yin</em>&nbsp;e&nbsp;<em>Yang</em></pre>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong> é poeta. Atua como professor de Física nas horas vagas.</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651"/></figure>





<hr class="wp-block-separator"/>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1"/></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1"/></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Porco Espinho</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Dec 2019 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[entre nossas linhas]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Entre Nossas Linhas</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-preformatted">Olhe para dentro de mim e diga o que vê&nbsp;<br> Sou feita de caos e escuridão<br> De natureza arredia<br> <br><br> Sou porco-espinho, machuco, sou rude&nbsp;<br> Essa cabeça bagunçada&nbsp;<br> Assim como meu cabelo<br> Assim como minhas noites<br> Assim como meu corpo habitante<br> <br><br> Minha mente grita e sinto que estou num turbilhão<br> O silêncio que ouço durante a madrugada&nbsp;<br> Inquietante&nbsp;<br> Rasgue minha pele e afunda meus olhos<br> <br><br> Puxe-me para perto de ti&nbsp;<br> Me mate ou fique&nbsp;<br> Sou estranha, sou pouca, sou metade&nbsp;<br> Entender-me é como entender um buraco&nbsp;<br> Escuro, frio e convidativo para pular<br> <br><br> <br><br> Pule<br> -M.E. </pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Entre Nossas Linhas</strong> é uma página de Instagram criada por duas amigas que encontraram na arte de escrever um refúgio.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>12. Matilda</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/15/12-matilda/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Dec 2019 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[desenvolvimento Humano]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Darlan Lula</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/15/12-matilda/">12. Matilda</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A feira fervilhava naquela manhã. O céu de brigadeiro anunciava um sol abrasador ao meio-dia. Para Felipe, seria um domingo como outro qualquer se não estivessem tão presentes nele os acontecimentos da semana anterior. Seria um dia a mais vivido naquela cidade do interior das Gerais, ele indo à feira acompanhando seu pai na rotina sempre presente dos finais de semana.</p>



<p>O despertar de sua consciência aconteceu quando percorreu a galeria dos açougues no galpão, cena percebida como dantesca por quem não entende a realidade de se ter carne abatida na soleira do desjejum que não necessita de refrigério, uma vez que é toda adquirida antes de o sol abrasar as moleiras lá fora. Carnes à mostra, peças expostas sacolejando nos ganchos, moscas zumbindo ao redor. O tempo se preenchia pela ampulheta ambulante das peças nos ganchos ao atrito das mãos dos vendedores. As vivas gotas do sangue escorrendo pelos corpos mortos daqueles animais formavam pequenas manchas vermelhas e mornas no assoalho do estabelecimento.</p>



<p>Ao sentir aquele cheiro acre que recendia no ambiente, Felipe recordou-se dos desagradáveis instantes da semana anterior, em que seu irmão mais velho o acordara.</p>



<p>O pai complementava o orçamento criando porcos nos fundos do quintal de sua casa. Quando os notava nutridos e bojudos, cheios de futuros bacons, passava-lhes o reverso do machado na testa, antes persignando-se três vezes, tradição de família.</p>



<p>A porcada era a alegria dos filhos do lavrador, menos para o menino mais velho, 14 anos no lombo, que ficava com a parte mais ingrata do serviço: recolher os restos orgânicos da vizinhança para a lavagem da suinaria.</p>



<p>Na véspera do acontecido, podíamos avistar o garoto ao entardecer, com um velho carrinho de mão e um balde improvisado de 50 litros em cima e os irmãos logo atrás, saltitantes e festivos, recolhendo pequenas pedras no chão irregular e terroso do trajeto. Nina era a mais eufórica, completara 7 anos e ainda ganhara um bônus ao achar uma pequena boneca nos entulhos de uma construção. Está certo que estava sem roupa, cabelos ralos e desgrenhados, vitimada por estar maneta, mas, mesmo assim, era uma boneca, e, a partir daquele instante, era sua. Segurava-a com o zelo de uma mãe e a religiosidade de uma beata ao amparar a sua hóstia. Felipe preenchia o seu vazio com as pedrinhas no bolso.</p>



<p>&#8211; Vem logo! Vocês querem vim, né? Não vou ficar esperando ninguém. Gritava impaciente o moço do carrinho de tempos em tempos olhando para trás.</p>



<p>Felipe e Nina, então, aprontaram uma correria de arrastar chinelos e levantar poeira. Mas o momento mais esperado por eles e o motivo daquele cortejo era a entrega da lavagem aos porcos. Enquanto o ranzinza irmão recolhia os despojos nutritivos para preencher as valas, Nina e Felipe, com os queixos apoiados nos vãos da cerca do chiqueiro, olhos fitando o infinito, observavam atentos a agitação dos animais, quatro adultos, sendo duas fêmeas, uma delas com cinco leitõezinhos com os focinhos colados em seu corpo sugando o leite materno. Ao perceberem a chegada da comida, eles se alvoroçaram, inclusive a pachorrenta mamãe, que se levantou bruscamente causando rebuliço nos pequenos e dando uma bela patada em um deles, que guinchou um sonoro reclame. Todos ali tinham nome, menos, ainda os filhotinhos. O maior chamava-se Rabicó, as duas fêmeas, Xuxa e Matilda, e o outro, Lipe, nome dado pelo primogênito para atiçar as ventas do garoto Felipe. Matilda era a preferida, o xodó da família. Corpo rosado, porte airoso, olhar de candura, tinha um jeito com as crianças que chegava às raias da humanidade. Encostava a sua narina achatada nos meninos todas as vezes que eles abeiravam a cerca. Em troca, recebia um afago em sua cabeçorra. Grunhia e afastava-se cheia de si carregando o seu viçoso corpo.</p>



<p>Do umbral da porta de casa, o velho lavrador, rosto sulcado e maltratado pelo tempo e pela lida no campo, mãos enfiadas na cintura, ruminava um resto de maçã e fitava aquela cena doméstica preocupado com o efeito da notícia que daria ao jantar. No pomar, fundos da casa, um sabiá-laranjeira trinava harmoniosamente escondido entre as folhas do cajueiro. A noite começava a despontar no horizonte salpicado de nuvens avermelhadas, um vento fresco soprava e varria o quintal de forma desordenada, arrefecendo um pouco o calor do dia. Nina e Felipe perceberam o agitar das folhas e começaram a correr por entre elas numa ciranda inventada com o conúbio com a natureza. A cena se desfez quando ecoou a voz grave do pai chamando-os para o jantar. Na cozinha, a mãe atiçava o fogo soprando as brasas, pedaços de lenha combustados e ardendo sob uma panela fumegando uma sopa com postas de batatas e miúdos de frango. No centro da mesa, preparada e organizada para um jantar em família, uma cesta com pães fatiados era um convite ao caldo temperado da iguaria.</p>



<p>Quando todos já estavam mais que satisfeitos, farelos de pão espalhados pela mesa, pratos tão limpos como se tivessem sido lambidos, o velho levantou-se arrastando a cadeira, olhou-os piedosamente antecipando o sentimento provocado e desferiu o golpe tão doloroso para todos, principalmente para Felipe e Nina. Não havia alternativa. O momento era de dificuldades. Teriam que abater um porco para gerar renda e aguentar o restante da estiagem daquele período. Matilda era a única com os requisitos necessários. Já se encontrava gorda o suficiente. Seria muito rentável na feira daquele domingo.</p>



<p>Nina olhava para o pai com seus grandes olhos redondos e amendoados, boca entreaberta, cara de assustada; Felipe começou a fungar e se afastou do grupo; um silêncio pairou sobre aquela casa alguns instantes, como se todos já se preparassem para a última homenagem àquela com quem conviveram como mascote da família desde que Nina a recebeu miudinha, um mimo da madrinha que veio visitá-la quando completara 4 anos.</p>



<p>A noite foi convulsa. Uma casa chorosa e uma criança com febre emocional dormiam inquietas. Às quatro horas da manhã, como era de costume, o lavrador acordou, cutucou o filho mais velho, que o ajudaria na missão desconcertante. O menino, a pedido de Felipe, também o acordou. Nina dormia agarrada à mãe, preocupada com os tremores da filha.</p>



<p>Felipe acompanhou o irmão até o chiqueiro. O amanhecer começava a querer despontar, carregando toda a atmosfera de uma coloração cinza chumbo. Matilda já estava de pé, focinhando o horizonte à procura de afagos. O menino, com uma corda entre as mãos, procurava a melhor maneira de amarrar a porca e conduzi-la para o local onde o pai sempre abatia as suas crias, ao lado de uma bananeira cheia de cachos e com folhas frondosas que se erguiam ao céu como num lamento aos sacrificados. Felipe, com um olhar sonolento e melancólico, observava o irmão amarrar Matilda pelo pescoço e em seguida retirá-la do chiqueiro junto dos seus, numa última passagem pela pequena porteira do local. A outra ponta da corda fora amarrada num tronco de árvore próximo à bananeira. Como num ensaio teatral, surge num átimo temporal o velho lavrador com o machado à mão, olhar circunspecto revisando o percurso a seguir. Felipe aproxima-se, ajoelha-se de frente para Matilda e envolve-lhe com os seus braços finos e curtos, fecha os olhos marejados por alguns instantes, a porca grunhe levantando o seu focinho achatado até encostá-lo no queixo do garoto, que a solta abrindo os olhos, deixando escorrer uma gotícula de lágrima amparada pela abóbada do crânio da porca, mesmo local onde, no minuto seguinte, após persignar-se, o lavrador desferiria o golpe com o reverso do machado que a deixaria inconsciente. No momento exato deste acontecimento, Felipe já havia corrido para os fundos do pomar, subido no pé de tamarindo, escondido de todos, soluçando a saudade e chorando a dor de sua primeira perda.</p>



<p>Matilda guinchou tão alto quando foi atingida que provocou uma revoada de pássaros abrigados nas árvores, Nina estremeceu em meio ao seu torpor e suas alucinações e Felipe sentiu uma dor tão lancinante no peito que só a entenderia anos depois. Depois disso, com a ajuda do filho mais velho, o lavrador consumaria o acontecimento pegando uma faca em sua algibeira, ponta afiada incrustada na parte anterior do pescoço da porca, que, deitada ao chão, soltaria uns leves grunhidos remexendo as suas patas traseiras enquanto uma pequena bacia colocada logo embaixo do corte retinha o líquido de avermelhado intenso que consumiria aos poucos os seus lancinantes momentos de vida. A partir daquele instante, com o último fiapo de vida exaurindo-se de Matilda, começariam os preparativos para torná-la uma das mais apetitosas carnes do mercado municipal: primeiro a queima do seu corpo e a consequente raspagem de seus pelos torrados; em seguida o corte longitudinal em sua barriga, com a perícia e experiência de anos do velho lavrador; tudo no porco era utilizável, inclusive as suas vísceras, matéria-prima para linguiças.</p>



<p>Por volta das sete horas da manhã, o carrinho de mão seguia pelas mãos do velho lavrador em direção ao mercado para a feira de domingo cheio de fartura para aquela família pelo menos por um mês inteiro com o resultado da venda.</p>



<p>Felipe, que gostava tanto de acompanhar o pai, não teve ânimo naquele dia. Mastigava um pão dormido na cozinha. Enquanto isso, Nina tomava um banho amparada pela mãe.</p>



<p>No dia seguinte, antes do amanhecer para a escola, Felipe acordou assustado. Tivera um sonho estranho, seu corpo reagia de forma diferente, o volume do short estava alto, sentia umas coceiras esquisitas na região pubiana. Correu para o banheiro, trancou-se, acendeu a luz, retirou o short e o jogou no soalho de cimento. Sua cueca estava suja de um líquido consistente, gosmento, saído pela primeira vez de suas entranhas.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong> é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia. <a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bc88e-publi-bodoque-natal.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5708" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Bumba Meu Boi do Maranhão passa a ser Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Dec 2019 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[Patrimônio Cultural Imaterial]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O Complexo Cultural do Bumba Meu Boi do Maranhão foi reconhecido na quarta-feira (11) como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade. O título foi concedido pelo Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO, que está reunido&nbsp;<a href="http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/single-view/news/bumba_meu_boi_from_brazil_is_now_an_intangible_cultural_heri/">nesta semana em Bogotá, Colômbia</a>.</p>



<p>O complexo é o sexto elemento brasileiro a integrar a lista, junto com a Arte Kusiwa, o Samba de Roda, o Frevo, o Círio de Nossa Senhora de Nazaré e a Roda de Capoeira.</p>



<p>O Bumba Meu Boi é um rito cultural que envolve formas de expressão musical, coreografia, representação e brincadeira. A prática é fortemente carregada de simbolismo.</p>



<p>Ela reproduz o ciclo da vida, oferecendo uma metáfora para a própria existência humana. A cada ano, os grupos envolvidos na prática reinventam essa celebração, recriando canções, sátiras, figurinos e bordados para a ocasião.</p>



<p>Culminando no final de junho, o ciclo do festival envolve inúmeras manifestações, incluindo apresentações públicas e rituais em torno da morte de um boi. É um período considerado de renovação, no qual as energias são revigoradas.</p>



<p>Com a entrada para a Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade, as ações de salvaguarda já desenvolvidas pelas comunidades praticantes do Complexo Cultural do Bumba Meu Boi, em conjunto com o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e entidades parceiras, serão reforçadas e buscarão fortalecer a autonomia dos grupos; promover mais ações de educação patrimonial; realizar nova documentação; além de ampliar pesquisas e de promover ainda mais a valorização desse importante bem cultural.</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em </em></strong><a href="https://nacoesunidas.org/bumba-meu-boi-do-maranhao-passa-a-ser-patrimonio-cultural-imaterial-da-humanidade/"><strong><em>Nações Unidas Brasil</em></strong> </a><strong><em>em 12/12/2019 &#8211; Atualizado em 12/12/2019</em></strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Arte sem Platéia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Dec 2019 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[obra de arte]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Matheus Yuri Terassi</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Dentro de um quarto escuro, à luz de velas, um homem chora escrevendo sua última poesia. Ele sopra sem vigor e a vela se apaga, as lágrimas molharam o papel, as letras enrugaram e a tinta da caneta esferográfica azul desbotou no molhado, a poesia ganhou a epifania que o poeta viveu e chorou com ele.</p>



<p>Paulo de Tarso um dia escreveu que a poesia sou eu, e foi aí que entendi o motivo de eu me enrugar e desbotar ao teu compasso, “porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras, as quais Deus preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10). A palavra grega traduzida como “feitura” é <em>poiema</em>, que significa, literalmente: &#8220;aquilo que foi feito, uma obra de artesanato&#8221;, ou então, “poema”. Paulo diz que somos poesia criada em Cristo para as boas obras, ou seja, Deus nos fez arte para que fôssemos artistas.</p>



<p>Tomando como base o pensamento de CS Lewis em um de seus ensaios, uma boa obra tem em seu conceito mais puro a ideia de excelência – de ser boa. E isso é cada vez menos encontrado nesse contexto capitalista moderno no qual estamos inseridos, onde o que é considerado “bom” não é excelente, é artifício de obtenção de capital, e também é efêmero, não tendo, no entanto, uma efemeridade artística que dá dignidade à obra: tal caráter está aqui também a serviço do dinheiro, nada poético. A obsolescência programada dos produtos é fruto da objetificação e da materialização da arte, o que é lucrativo aos planejadores e às engrenagens do sistema de produção porque “o ser humano só muda quando a dor de permanecer for maior do que a dor de mudar”. (STRAUB, Ericson; CASTILHO, Marcelo, 2010, p.8).</p>



<p>O artista, atualmente, trabalha em função da recompensa pelo seu trabalho e não pela epifania de se fazer arte; e nisso, falha. O feitor merece ser recompensado e reconhecido pela sua feitura, mas a boa obra tem que valer a pena ser feita em quaisquer condições, ainda que ninguém pague por ela, porque nascemos e vivemos para sermos arte e artistas – sempre. Ainda que dentro de um quarto escuro, à luz de velas, molhando o papel com lágrimas e sem expectador algum.</p>



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<p><strong>Matheus Yuri Terassi</strong> é estudante, mas antes de tudo, é filho e poeta. Arte e artista. Siga o matheus no <a href="https://www.instagram.com/mathew.yu/">Instagram</a>!</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg6_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4981" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Igualdade e Fraternidade às favas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/11/igualdade-e-fraternidade-as-favas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 11 Dec 2019 17:46:05 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 027]]></category>
		<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Revolução]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">No Brasil, ou ao menos em seu Governo e nas castas mais abastadas e menos esclarecidas sobre a realidade social de seu povo, a onda agora é comemorar a “retomada” do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, que mais ou menos sintetiza os índices de variação da economia, determinando o que convencionou-se dizer como “o país cresceu”. Entretanto, a questão (a despeito de toda a desproporção entre os elogios aos meros 0,6% incensados pela mídia e pelo poder financeiro, e os 1,5% e 2,5% chamados de “pibinho” quando a presidente era Dilma Rousseff) é qual o nível de qualidade de vida de sua populacão.</p>



<p>Nos índices que medem o desenvolvimento humano, o principal deles aquele coordenado por várias entidades internacionais que é homônimo ao seu objeto, o Índice de Desenvolvimento Humano, mais conhecido pela sigla IDH, o Brasil ocupa a 79a posição, vindo da 78a. Já no índice de desigualdade calculado pela mesma fonte, o Brasil se mantém na 102a posição. Nesta última, figura melhor apenas que o Paraguai, em toda a América do Sul. No primeiro ranking, está na metade de baixo da lista. No segundo, praticamente abre o terço final.</p>



<p>A boa e livre circulação das riquezas, que permite a mobilidade social e o consumo, em tese, é sim um bom atributo para o país. Se ele cresce economicamente, tanto melhor, pois há mais o que ser distribuído à população em forma de emprego, renda e consumo. Por isso, é justa a celebração de crescimento real da economia, mas não a recessão maquiada de crescimento que é esse 0,6%, em que prevalecem as bicicletas conduzidas por rapazes de mochila verde-limão. Se esse avanço em cifras não resulta em qualidade de vida, ele não passa de dados abstratos, que ao fim e ao cabo só confirmam o país como um porto seguro para ganhos no mercado financeiro, que geram dividendos, inclusive, majoritariamente fora do país. Quando aqui, nas imediações da Avenida Faria Lima, em São Paulo, e nos condomínios fechados onde vivem seus especuladores, que hoje movimentam tesouros e riquezas, do trabalho e do imposto alheio, com um toque em seus aplicativos de consultoras financeiras privadas no celular.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A questão está na fundação da economia moderna. Se John Locke foi um defensor das liberdades econômicas e Voltaire, das liberdades política e de expressão, Montesquieu atentou para a importância dos limites do Estado e seu papel de regente dos interesses nacionais (aí incluídos os econômicos) e Rousseau apontou a necessidade de convergirem para o ser humano os trabalhos para a geração de riquezas a partir da conquista das liberdades. Ou então, de nada adiantaria o chamado “laissez faire”, visto que ele se transformaria em ferramenta para a sedimentação de novas estruturas excludentes de poder, tais quais a monarquia e o clero que o Iluminismo buscava sobrepor pela idealização do Estado moderno, o qual conquistariam por meio da Independência dos Estados Unidos e da Revolução Francesa.</p>



<p>A síntese de tudo isso está no lema da Revolução Francesa, de 1789. “Liberdade, Igualdade, Fraternidade.” Apenas com iguais condições na busca por uma vida confortável e feliz, bem como o olhar preocupado com o outro, pode-se alcançar a sociedade ideal lastreada nas liberdades econômicas. Mais tarde, Marx perceberia os fracassos da idealização iluminista e chacoalharia o pensamento sobre a sociedade moderna, mas as bases não se alterariam. A busca por uma organização social em que todos tenham uma vida feliz se baseia nos três conceitos que sustentam o lema da Revolução Francesa. Por isso a estudamos até hoje e por isso ela encerra a Idade Moderna, marcada pelo mercantilismo de Estado e pelas monarquias absolutistas, colonialistas e escravistas, e abre a Contemporânea, a qual ainda damos sua história e a lapidamos até hoje.</p>



<p>Entretanto, a julgar por Wall Street e seus comensais/serviçais em solo brasileiro, jogou-se a fraternidade e a igualdade às favas, restando a liberdade como privilégio de quem pode gozá-las. Como nós, que estamos lendo. Não nos enganemos, nós somos parte dos livres privilegiados. Outros bilhões, quizá três quartos da Terra, não.</p>



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<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



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