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	<title>Arquivos Ano 002, N 038 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O mundo acabou, pelo menos como o conhecemos.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[Coronavírus]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[papa]]></category>
		<category><![CDATA[Urbi et Orbis]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Um dia vamos nos dar conta que o mundo acabou de vez dessa vez. Muito além de tantas vidas que findaram e tantas outras ameaçadas, nossos sistemas políticos, econômicos e modos de vida acabaram. Nossos hábitos mais corriqueiros. Nossos ódios e amores mais banais. Nosso dia-a-dia atribulado, com cada mínima janela de tempo preenchida com trabalho ou atividades, foi bruscamente interrompido. Fomos obrigados a parar. Em breve veremos que essa ruptura <strong>estilhaçou a maneira como nos sustentamos em nossas máscaras sociais.</strong></p>



<p>Nesse momento em que nossas crenças são colocadas em xeque. Onde os fatos não importam tanto quanto as narrativas que podemos construir sobre eles. Em dias onde a solidão não pode ser adiada por aplicativos, nós ainda tentamos nos apegar ao que é parco, banal e pueiril. Muitos de nós ainda estão tentando fazer as mesmas coisas, esperando os mesmos resultados, como se houvesse alguma possibilidade de voltar no tempo. Sinto dizer, mas não há. </p>



<p>Sozinhos em nossos claustros, no vazio das redes sociais, o essencial, (invisível aos olhos), marca presença constante e incomoda de maneira angustiante. Nem os vídeos de gatinho podem mais nos distrair.  </p>



<p>Em uma praça São Pedro escura, sob chuva e completamente vazia, o Papa Francisco, solitário, iniciou a oração <em>Urbi et Orbis</em> (para a cidade e o mundo). Esse ritual é reservado para a Páscoa e para o Natal, concedendo indulgência plenária aos fiéis que tenham se confessado, comungado e não cometido pecado mortal, além de dar a bênção do Santíssimo. </p>



<p>Todas as nossas vaidades, soberbas e iniquidades foram golpeadas junto com a o silencio estarrecedor durante a cerimônia do Papa. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/b66bc-image-13.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8590" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/a1b7e-image-12.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8589" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/9fa4c-image-14.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8591" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:35% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Que tipo de inferno são os outros?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[confinamento]]></category>
		<category><![CDATA[COVID-19]]></category>
		<category><![CDATA[Sartre]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>“<strong><em>É importantíssimo que todos continuem em casa pelas próximas semanas para que a curva do contágio do COVID-19 seja achatada</em></strong><em>. ”</em> Esta é uma voz quase universal nos últimos dias e, a trancos e barrancos, as pessoas têm aderido. Em isolamento, no entanto, existem pelo menos dois desafios a superar: a solidão para alguns, e a convivência, para a maioria.</p>



<p class="has-drop-cap">Não quero diminuir o problema de sentir-se só, inclusive porque é ele que diz da grande quantidade de idosos que insistem em manter suas rotinas em praças, armazéns, supermercados. A sensação de encontrar companhia alimenta o pensamento produzindo ânimo, e, se observarmos o grau de atomização social que vimos construindo ao longo do último século, não deveria ser estranho o fenômeno dos “velhinhos indisciplinados”.&nbsp;</p>



<p>Neste texto gostaria de pensar o potencial do confinamento.&nbsp;</p>



<p>Saindo da leitura de <strong>Albert Camus</strong> em torno do problema da <strong>Peste </strong>é ainda um seu contemporâneo, <strong>Jean-Paul Sartre</strong>, que ajuda a perceber esse espaço de relação tão difícil em que somos obrigados a esbarrar com os <strong>Outros</strong>. Pode parecer estranho escrever com letra maiúscula um conceito que vai remeter a pais, filhos, esposa, marido, familiares, enfim, pessoas conhecidas. Claro que são conhecidas, mas à distância, com espaço para ir, vir; sair, voltar. Em troca da manutenção da vida a pandemia nos tira a mobilidade no espaço. Confinados sob um mesmo teto vinte e quatro horas por dia ao longo de semanas, quanto desse conhecimento se mantém?</p>



<p>No ano de 1944, ainda durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial, Sartre atende ao pedido do editor Marc Barbézat para escrever uma peça capaz de reduzir ao máximo os elementos cênicos, e que fosse curta o suficiente para ser encenada com facilidade de maneira itinerante. Vindo de uma última obra teatral de caráter político (As Moscas, 1943) ele escreveu “<strong><em>Huis Clos”</em></strong>, traduzido para o português com o título <strong><em>“Entre quatro paredes”</em></strong>, um espetáculo com apenas 4 personagens, e que se desenrola num único cenário.</p>



<p>Famosa pela frase “<em>O inferno são os outros</em>” a peça é carregada pelo existencialismo e se desenvolve sobre a premissa original de três pessoas que não se conhecem, mas, após a morte, são levadas para cumprir suas penas eternas num cômodo em estilo do Segundo Império francês que seria nada mais nada menos que o inferno. Nenhum fogo, carrasco, corrente, tortura física, violência. Apenas um ambiente sem janelas, quatro paredes, três poltronas, uma porta que permanece quase sempre trancada por fora &#8211; mas que poderia ser aberta pelo mordomo caso uma campainha fosse tocada e funcionasse. Além disso nada de escova de dentes, nem espelhos. Lá as pálpebras não se fecham, lágrimas não escorrem, a luz não se apaga. Impossível sair e impossível morrer. Eis o inferno.</p>



<p>Ao longo da curta história nós acompanhamos a convivência de três personagens bem diferentes neste quarto. <strong>Garcin </strong>é um jornalista covarde que torturava emocionalmente sua esposa e desertou quando foi chamado a defender a bandeira pacifista durante a guerra. <strong>Inês </strong>se ressente da tragédia que aconteceu a partir de um triângulo amoroso no qual estava envolvida. Ela odeia os homens e ama mulheres. Por fim, conhecemos <strong>Estelle</strong>, uma mulher ardente em desejo e que ao engravidar de seu amante dá à luz um bebê que logo em seguida é assassinado por ela. Aparentemente nenhuma relação entre os três. É daí que surgem os atritos.</p>



<p>Não suponha que ao contar os crimes cometidos pelas personagens e que as levou para o sofrimento eterno eu tenha estragado alguma parte da fruição da obra. Absolutamente. Não são as efemérides individuais que compõem o quadro de desconforto por lá, é o que cada um passa a representar para o Outro, a maneira como têm seus desejos atendidos ou negados, em síntese, são as expectativas particulares que constroem o <strong><em>plot</em></strong> da narrativa.</p>



<p>A análise existencialista da vida se volta para as situações mais comuns ou fundamentais do cotidiano, nas quais o homem pode encontrar a si mesmo. Em oposição ao romantismo oitocentista, o existencialismo defende que nossa liberdade é condicionada, finita e obstada por muitas limitações que a todo momento podem torná-la estéril. Não existiria, portanto, uma liberdade essencial garantida aos indivíduos, nem mesmo uma noção de progresso, já que não se pode observar nenhuma garantia de que ele venha a acontecer. A convivência seria a única possibilidade, mas possibilidade de que? De qualquer coisa, eis a solução! Ou o problema!</p>



<p>Os desejos dos três, suas fixações, seus apelos, tudo é diferente, sem que sejam, porém, intocáveis. Nas fronteiras de cada uma das ambições particulares há pontos de contato nos quais, aparentemente, se poderia satisfazer a todos, mas isso jamais acontece. Para Sartre a condenação está aí. Pela voz de Garcin é que ouvimos a famosa expressão já quase no final do texto: <strong><em>“O bronze&#8230; Pois bem, é agora! O bronze aí está, eu o contemplo e compreendo que estou no inferno. Digo a vocês que tudo estava previsto. Eles previram que eu haveria de parar em frente deste bronze, tocando-o com minhas mãos, com todos esses olhares sobre mim. Todos esses olhares que me comem! Ah, vocês são só duas? Pensei que fossem muitas, muitas mais! Então, é isso que é o inferno! Nunca imaginei&#8230;. Não se lembram? O enxofre, a fogueira, a grelha&#8230;. Que brincadeira! Nada de grelha. O inferno… O inferno são os outros! ”</em></strong></p>



<p><em></em>Não penso que estejamos vivendo uma condenação eterna no estilo <strong><em>The Good Place</em></strong>, mas o que Sartre aponta, e hoje somos de alguma maneira forçados a contemplar, são os desafios da convivência forçada, sob o mesmo teto, de pessoas que caso tivessem a menor possibilidade de fazer diferente, com certeza estariam fazendo. Existe uma certa ironia em tudo isso. Enquanto indivíduos podemos traçar estratégias de aproveitamento do tempo que satisfaçam nossos desejos particulares, porém, basta que precisemos conviver para que o caldo desande.</p>



<p>Talvez a convivência seja o inferno! Não precisa ser, óbvio, e pode estar aí o aprendizado mais relevante para depois do COVID-19. Quando momentos de calamidade pública passam é natural que o sentimento de solidariedade venha à superfície, só que não é disso que precisamos enquanto sociedade, solidariedade é pouco. É urgente resgatar a dignidade da <strong>condição humana</strong> que se reconhece e é capaz de interagir com a pluralidade de suas expressões.&nbsp;</p>



<p>Não sou médico, mas suspeito que a pandemia não seja uma <em>“gripezinha de nada”.</em> Também não sou economista, mas suspender salários por até quatro meses ou obrigar pessoas a se exporem ao vírus em ônibus, metrôs e trens, neste momento, não é lá muito racional. Humano eu sou, e ouvir que cinco ou seis mil mortes são aceitáveis, isso é uma abominação!&nbsp;</p>



<p>Aprendemos a tolerar todo esse absurdo porque fomos alienados e nos esquecemos de que outras pessoas existem bem pertinho, e que, diante da morte, a régua é sempre horizontal. Viver em confinamento, hoje, pode ser fundamental para que a sociedade repense a si mesma. Não se trata de esperar que tudo volte ao normal, porque o que chamamos de normal vem se mostrando insustentável para a vida coletiva.&nbsp;</p>



<p>Alguns meses de condenação entre quatro paredes podem gerar a escolha de uma liberdade maior. Será que é possível mesmo, descobrir que existem outras pessoas como nós vivendo no mundo? Já pensou como seria&#8230; Vivemos uma potencial revolução, de pijamas, quase sem perceber.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/24652-bio-vinicius.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8533" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Vinícius Lara </strong></strong>é historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Aboio: o canto esquecido.</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/03/29/aboio-o-canto-esquecido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[cultura popular]]></category>
		<category><![CDATA[Iury Borel]]></category>
		<category><![CDATA[MCP]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Iury do Vale Borel</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=_i0J6oMaf6g"></a><em>uma série de 3 textos levarão da contextualização do movimento da cultura popular até a relação da produção gráfica vernacular.</em></p>



<pre class="wp-block-verse">Vamos crianças, vamos
Vamos todos aprender
No tesouro que achamos
A receita do bem viver
Vamos criança, vamos
Bem depressa aprender
A receita do bem viver</pre>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right">É preciso conquistar
Com coragem e união
A flor da felicidade
Que deseja, deseja o coração</pre>



<pre class="wp-block-verse">Vamos crianças, vamos
Vamos todos aprender
No tesouro que achamos
A receita do bem viver
Vamos criança, vamos
Bem depressa aprender
A receita do bem viver</pre>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right">Primeiro a Verdade amar
Amar sempre a Igualdade
Progresso conquistar
Pelo bem, pelo bem da Humanidade</pre>



<p class="has-text-align-center has-normal-font-size"><em>Receita do Bem Viver -MCP (O Movimento de Cultura Popular do Recife (1959-1964).</em></p>



<p><a href="https://teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8138/tde-08012015-105321/publico/2014_FabioSilvaDeSouza_VCorr.pdf">MCP</a>, pense você em tal sigla carregava a energia de evolução humana além dos tempos e que mantinha um time dos sonhos para qualquer era.  nomes como <a href="https://vimeo.com/247319655">Paulo Gil Soares</a>, <a href="http://www.academia.org.br/academicos/ariano-suassuna/biografia">Ariano Suassuna</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5yRyAXPXHmA">Paulo Freire</a>, etc.</p>



<p></p>



<p style="background-color:#252626;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-right has-normal-font-size">“os jovens intelectuais que militaram no MCP&#8230;. desenvolveram propostas programáticas e ações político-culturais que contribuíram para a percepção de que as classes populares deveriam ser sujeitos da sua história e protagonistas da construção de sua identidade.”</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Viva a Cultura Popular</strong></h3>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/fbebb-o-processo-do-diabo.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8552" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Leonel Albuquerque, Mariene Gouveia, Leda Alves, Maria de Jesus Porto Carreiro (Baccarelli), José Pimentel e Clênio Wanderley (&#8216;O processo do diabo&#8217; / &#8216;A caseira e a catarina&#8217;)<br>Foto: <strong>Reprodução</strong></figcaption></figure>



<p>A guerra travada entre o artesanatoXtecnologia nunca fez sentido se observar que aqueles que lutaram pelo controle social, se dizendo patriotas quando na real, nacionalista, desencontraram da cultura popular brasileira que resiste a 500 anos à opressão dos classistas supremacistas que em carregam a desigualdade social, trata-se da higienização cultural do povo brasileiro.</p>



<p><a href="https://www.infoescola.com/historia/governo-de-joao-goulart/">Jango</a> era um político pró-provo com heranças do Getulismo, estourou o plano Trienal e iniciou um período de intensas brigas com a direita com suas &#8220;Reformas Populares&#8221;, principalmente agrária, o estopim para o grandes donos de Terra mobilizarem as forças armadas brasileiras.&nbsp;</p>



<p>Podemos aprender com um recorte muito rico na história da educação e valorização da arte popular no Brasil. O aqui citado MCP, serviu de apoio para uma corrente de intelectuais que defenderam com astúcia os retalhos da cultura, pré-artesanato e a identidade artística brasileira iluminados pela ideologia da educação como direito universal primário nos primeiros anos da década de 1960.</p>



<p>Visto Paulo Freire, um dos coordenadores estratégicos do MCP. Interventores como eles alavancaram a alfabetização nos sertões de Pernambuco implantando uma estrutura educacional  correlacionada com a cultura popular.</p>



<p style="background-color:#252626;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-normal-font-size">Promover e incentivar, com a ajuda de particulares e dos poderes públicos, a educação de crianças e adultos; atender ao objetivo fundamental da educação que é o de desenvolver plenamente todas as virtualidades do ser humano, através da educação integral; proporcionar a elevação do nível cultural do povo, preparando-o para a vida e para o trabalho; colaborar para a melhoria do nível material do povo, através da educação especializada; e formar quadros destinados a interpretar, sistematizar e transmitir os múltiplos aspectos da cultura popular.<a href="http://forumeja.org.br/df/sites/forumeja.org.br.df/files/dabelardo.pdf"> (MEMORIALDO MCP, 1986</a>, p.23-24).</p>



<p>Abelardo da Hora, comunista e presidente da Sociedade de Arte Moderna de Recife,  foi um dos envolvidos nessa forte união dos setores pela educação. Cresceu como nunca em Recife de Miguel Arraes na década de 1960 as unidades escolares e o consequente aumento de alfabetizados gerou insatisfação aos conservadores da política e sociedade pernambucana, pois vislumbravam a formação de um novo campo eleitoreiro. processo interrompido antes da metade da década pela intervenção militar. </p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1d46f-castelo-branco.jpg?resize=364%2C420&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8553" width="364" height="420" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Charge sobre castelo branco <br>“Janc vê o elogio/’. Janc. 1964</figcaption></figure>



<p>Para quem serviam os generais Arthur da Costa e Silva, Castelo Branco e Cordeiro de Farias quando se amotinaram contra a constituição e implantaram o regime militar?  O que havia com as propostas de reformas de Jango? Por que um programa de alfabetização seria tão ofensivo ao progresso militar a ponto de seu imediato encerramento</p>



<p style="background-color:#252626;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-normal-font-size">O Movimento de Cultura Popular do Recife foi extinto com o <a href="https://www.youtube.com/watch?v=LMF0LaWzjto&amp;t=611s">golpe militar,</a> em março de 1964. Dois tanques de guerra foram estacionados no gramado da sua sede, no Sítio da Trindade. Toda a documentação do Movimento foi queimada, obras de artes destruídas e os profissionais envolvidos foram perseguidos e afastados dos seus cargos.</p>



<p>A intencionalidade do MCP não era apenas ensinar ler e escrever de maneira elementar, <strong>mas promover educação conscientizadora para exercício da cidadania.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ba0c1-jango-mcp.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8554" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Em pé, Paulo Freire explica ao presidente João Goulart e a políticos nordestinos a sua pedagogia do oprimido, observado por Miguel Arraes (à sua esquerda) e outras autoridades / Acervo Fórum de Educação de Jovens e Adultos</em></figcaption></figure>



<p>O respeito pela identidade do pobre (que não podia sequer&nbsp; votar por ser analfabeto) o fez mergulhar na identidade oprimida e machucada para descobrir o meio ideal de comunicação. A meta era acessar uma esfera de pessoas por vez abandonadas pela evolução que a civilização e o progresso haviam prometido. Paulo Freire abraçou a sabedoria daquele povo que não sabia escrever o nome mas entendia sobre a sobrevivência&nbsp; em um cenário duro e miserável.</p>



<p>A história é uma verdadeira sábia que nos conta os fatos, deixando pra cada um a interpretação desejada. O ataque sofrido pela educação e a arte em 64 ainda são incalculáveis, talvez um grande efeito ainda hoje, similar o da chamada Bomba de efeito moral que abala o coletivo em função de dispersão, “desnorteando” e provocando contusões graves em quem estiver por perto.&nbsp; O desmonte de iniciativas que buscavam erradicar a miséria, o anafalbetismo, a segregassão social teve como finalidade calar um povo e deixando assepsiado da sua própria cultura. Não se pode esperar uma política progressista coletiva das gerações nascidas no golpe, pois nada podia se dizer naquelas épocas e assim “nada se aprendia”.&nbsp;</p>



<p>Não houve no brasil uma força que colocasse o regime militar em xeque, houve na verdade uma entrega lenta para uma cúpula pseudo-democrática. A Cultura Popular foi queimada e enterrada, ou quando não encaixotada e ocultada.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/731d8-lina.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8555" data-recalc-dims="1" /><figcaption>L’Espresso .1964 notícia o cancelamento da exposição “Nordeste do Brasil”</figcaption></figure>



<p>O aparente carma da arte brasileira de evidenciar a riqueza cultural antropofágica como em<a href="https://brasilescola.uol.com.br/literatura/semana-arte-moderna-1922.htm"> 22</a> na semana moderna, na exposição <a href="https://jeffcelophane.wordpress.com/2012/01/30/a-arte-popular-coletada-por-lina-bobardi-revive-em-exposicao-na-bahia/">“Nordeste do Brasil”</a> de 60 organizada por Lina Bo Bardi, ou nas obras de<a href="https://www.youtube.com/watch?v=RyTnX_yl1bw"> Glauber Rocha</a> e <a href="https://www.youtube.com/watch?v=yHOnuQ8AMW4">Paulo Gil</a> trazem consigo o forte pulso das forças conservadoras que insistem distanciar a realização da <em>massa</em> em se tornar o <strong>povo</strong> que sabe guiar sua sociedade, o povo que sabe e escolher o que é melhor para o próprio povo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/b0f9d-deus-e-diabo.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8556" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Poster- Deus e o Diabo na Terra do Sol. 1964  Glauber Rocha</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/aa821-lina-002.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8557" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fragmentos: Artefatos populares, o olhar de Lina Bo Bardi&#8221; &#8211; divulgação</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8648a-lina-003.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8558" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Planta do térreo e conjunto da exposição &#8216;Nordeste&#8217; realizada no &#8216;Museu de Arte Popular do Unhão&#8217; em Salvador, 1963 &#8211; acervo Instituto Lina Bo Bardi</figcaption></figure>



<p>A <a href="https://vimeo.com/231401835"><strong>Cultura conservadora</strong></a> tem mostrado que precisa destruir as demais para imperar sem abalos. Tirar do povo a capacidade de autonomia, o senso de julgamento, o orgulho da identidade, são processos que o modelo político vigente adotou para anestesiar a massa e torná-la consequentemente enfraquecida. Para além de ensinar o sertanejo ler e escrever, o MCP ascendeu a consciência de ser participante político com valores.&nbsp;</p>



<p>Se o design e a arte não caminham juntos à educação que reconheça e valorize a cultura popular, de que servirão? O Brasil é refém de um perverso controle que é brutal com o pobre e toda sua cultura, descriminalizando, ofendendo e atropelando a raiz do povo.&nbsp;</p>



<p>Minha mãe sempre me dizia que eu deveria encontrar as minhas respostas morais no meu coração, se fosse pro Brasil esse ensinamento teríamos de ouvir o nordeste e aprender com Pernambuco. Temos os melhores modelos educacionais para nós mesmo, temos uma arte que nos ilumina, uma identidade plena que precisa ser vista para ser lembrada, pois não é por que não passa na TV que não existe. Nada por acaso.</p>



<p><strong>Documentário Indicado</strong></p>



<h3 class="wp-block-heading"><a href="https://www.youtube.com/watch?v=v0gIEyUzgUU">MIGUEL ARRAES E OS MOVIMENTOS SOCIAIS EM PE [1950/1960]</a></h3>



<p>e todos outros “linkados” anteriormente</p>



<p><a href="https://vimeo.com/9023278">Aboio / Cattle Callers</a></p>



<p><strong>Bibliografia de apoio</strong></p>



<p>Bardi, Lina Bo, 1914-1992. Tempos de grossura: o design no impasse;</p>



<p>Finizola, 2018. A Tradição do Letreiramento Popular em Pernambuco &#8211; origens, forma e prática;</p>



<p>Finizona e Coutinho, 2013. Abridores de Letras de Pernambuco &#8211; um mapeamento da gráfica popular;</p>



<div style="height:227px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>+</p>



<p><strong>Outros acessos&nbsp;</strong></p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-rede-gazeta"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="VW95zBf1vb"><a href="https://www.redegazeta.com.br/exposicao-de-janc-homenageia-aniversario-da-rede-gazeta/">Janc expõe 40 anos de charges e caricaturas publicadas em A Gazeta</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted" title="&#8220;Janc expõe 40 anos de charges e caricaturas publicadas em A Gazeta&#8221; &#8212; Rede Gazeta" src="https://www.redegazeta.com.br/exposicao-de-janc-homenageia-aniversario-da-rede-gazeta/embed/#?secret=VW95zBf1vb" data-secret="VW95zBf1vb" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
</div></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-link is-provider-blog-do-jeffcelophane"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<a href="https://jeffcelophane.wordpress.com/2012/01/30/a-arte-popular-coletada-por-lina-bobardi-revive-em-exposicao-na-bahia/">A Arte Popular coletada por LIna Bobardi revive em exposição na&nbsp;Bahia</a>
</div></figure>



<p><a href="https://www.revistacontinente.com.br/secoes/lancamento/o-tpn-e-seu-maestro-hermilo-borba-filho">https://www.revistacontinente.com.br/secoes/lancamento/o-tpn-e-seu-maestro-hermilo-borba-filho</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>&nbsp;Iury do Vale Borel</strong> é mineiro com formação acadêmica que coexistiu o erudito e marginal, formou-se pichador e desenhista industrial pela Universidade Federal do Espírito Santo, mas prefire resumir como ativista gráfico. Acredita na arte como meio de transformação e empoderamento do ser e de comunidades. Logo que inserido nos movimentos de arte de rua, buscou o relacionamento do dualismo presente em sua trajetória, coexistir o erudita acadêmico com o grafista marginal. Propulsor e criador de ideias como CinePixo, Oficinas de Tobograffiti e Artefatos da Arte de Rua que propõem uma visão empírica para mostrar as entrelinhas da arte urbana. <strong>Descriminalize a arte</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Tramas do tempo, jogo da memória</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Couto]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[poesia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Detalhes aparentemente insignificantes como os botões de roupas são capazes de evocar e acionar múltiplos botões da memória, como estes, guardados e conservados por minha irmã, Aninha ,durante anos e anos. &#8220;Este aqui foi do vestido da tia Mariana&#8221;; &#8220;já este era de uma peça que fulano adorava usar&#8221;; &#8220;Nossa! Este aqui&#8230;&#8221; São botões que, de tão fortemente associados à biografia de homens e mulheres de nossa família, ganharam suas próprias biografias. Cresci vendo-os dentro de um pote no baú de costuras de minha mãe, ao lado da máquina de costura Singer, centenária, comprada de segunda mão pela minha tataravó portuguesa, no início do século XX. </p>



<p>Esses fragmentos de memórias estão cheios de lembranças de uma época em que nossa mãe, Nair, costurava para ajudar no orçamento da casa e atender às demandas dos moradores da zona rural. Em meio à escassez e à simplicidade da vida na roça, como sabemos, era muito comum comprar tecido para confeccionar roupas em casa e remendá-las ao máximo. Na falta de uma variedade de botões, recorria-se, inclusive, à criatividade para quebrar a monocromia das peças: alguns deles eram revestidos com tecido colorido &#8211; como se vê em alguns exemplares da coleção.</p>



<p>Observando o excêntrico hábito de minha irmã de colecionar botões e o carinho dela por aqueles diminutos objetos, bem como a carga simbólica que carregam e as memórias e narrativas que evocam, propus que reuníssemos e expuséssemos aqueles considerados por ela e por minha mãe como os mais emblemáticos. As habilidosas mãos de minha querida sobrinha, Carla Beatriz, traçaram as linhas e retas dos pequenos quadrados em que cada um deles ficaria exposto. De repente, aqueles botões velhos, mas coloridos e diversos, coloriram as tramas de um tecido branco qualquer, sobre o qual se desenhava o tabuleiro de um jogo formado por um arranjo subjetivo de peças.</p>



<p>Acionando as lembranças subjetivas do passado, as memórias dão sentido, sabor, cheiro, sentimentos e cor ao tempo. Elas nos fazem acionar os dramas escondidos por entre as tramas aparentemente vazias, alvas e neutras do tempo. O arranjo e a disposição dos botões no tabuleiro poderiam ser outros, certamente. Mas, por enquanto, deixemos a análise crítica das escolhas possíveis para a história&#8230;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong>: sou professor de História e historiador, com bacharelado, licenciatura e mestrado em História pela UFJF. Atualmente, curso doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História, vinculado a mesma universidade. Dedico-me a estudar a história social da cultura no Brasil, trajetórias individuais e de grupos, história intelectual, patrimônio cultural, memória e educação.</p>



<p>Moro em Juiz de Fora (MG), onde trabalho no Museu Mariano Procópio. Contudo, mantenho-me umbilicalmente ligado às origens rurais de minha família, num sítio em Simão Pereira (MG), uma espécie de refúgio localizado à margem de uma estrada de terra que liga ao município vizinho de Belmiro Braga (MG). Sítio que se tornou memória afetiva de várias gerações de minha família, desde que meus tataravós portugueses o compraram em 1910. Sempre que posso, escrevo crônicas e poesias, abrangendo temáticas diversas, como memórias, cotidiano, política, etc.&nbsp;</p>



<p>No ciclismo amador, conecto a necessidade de cuidar da saúde física/mental com todas as áreas de minha vida, a que me dedico com amor e carinho.&nbsp; Entre um passeio ciclístico e outro, inspiro-me em histórias e memórias do cotidiano e paisagens de Juiz de Fora e região. Na página “Diários de bicicleta”, no Facebook, é possível ter acesso a esses registros</p>



<p></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>21. Nasce uma borboleta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Darlan Lula]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Darlan Lula</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>… o ar estava ainda mais claro e os sinos alegres tocaram novamente chamando os fiéis para o consolo da punição.</em><br>Clarice Lispector</p>



<p class="has-drop-cap">O sino da igreja tocava. O vento se encarregava de tocá-lo onde houvesse fiéis dispostos a expiarem diante do santo repique. Meu lar e minha família se encontram a duas quadras da igreja. Porém, o que mais me deixa absorto são os badalos do sino, pois esses me fazem lembrar de um episódio não muito distante no tempo. Quero me liberar dessa lembrança, por isso a conto aqui para quem se interessar.</p>



<p>Morava em cidade pequena, interior de Minas Gerais. Seu nome: Itacarambi. Nome trazido de nossos ancestrais. Cidade título, provinciana até que provem o contrário. “Pedra de Duas Faces”, montanha azul como é azul a cor do mar, infinito no horizonte e trazendo a paz de se sentar na calçada em frente a sua casa, recostar o seu corpo mole depois da labuta diária e se aprazer com as conversas do povo, gostosas como o café preto que nossas velhas faziam em tempos não muito remotos. Vivi a minha infância ali, entre a imaginação e a liberdade de voar nas asas de um papagaio de seda.</p>



<p>A história que vou contar não é a de um menino livre entre o verde dos quintais e a rua apinhada de moleques fazendo algazarra nem a de uma criança descobrindo pela primeira vez as drogas do amor e seus efeitos colaterais. Conto com um menino de 11 anos nascendo para a vida, descobrindo as feridas de ser adulto. Uma lagarta na condição de casulo, virando borboleta para voar contra o vento, contra o tempo, e tendo as cores do arrebol para preencherem o pôr do sol com sua poesia de morte. Uma criança que descobrirá a fatura a pagar diante da vida.</p>



<p>Os sinos pincelam o quarto com seus badalos. A criança dorme sonhando com seus cavalos de papel sendo montados por soldados de chumbo. O pai a arranca da fantasia e a engatilha na realidade.</p>



<p>&#8211; Acorde, meu filho. Vamos, acorde. Deixa de ser preguiçoso. Já são dez horas da manhã. Está ouvindo o barulho do sino? Sabe o que significa isso? Não? Ouça só.</p>



<p>Silêncio no quarto. Só se ouvem o ritmo estridente da passarada e os badalos do sino.</p>



<p>&#8211; Bléim…Bléim…Bléim…</p>



<p>&#8211; Ouça só… uma badalada atrás da outra entrecortadas por uma pausa. Ouça só. O Tempo está mantendo o curso normal das coisas. Os mais jovens ficam e os mais velhos se vão pela hora que se chega. Já ouvi esse sino várias vezes, nunca me acostumo com o seu barulho. Ele pode ser tocado em vários ritmos. Esse está anunciando a morte de uma senhora idosa. E nós vamos em seu velório. Não faça essa cara. Você não quer ser escritor? Pois bem. Está aí uma ótima oportunidade de você conhecer as coisas, tomar notas. Isso pode dar até um belo conto.</p>



<p>&#8211; Mas pai…</p>



<p>&#8211; Nada de “mas”. Você não quer acompanhar o seu velho pai? Nós vamos mais tarde, depois do almoço. Portanto, acorde.</p>



<p>Acordar. Essa era a sentença. Acordar para a vida, também para a morte. Morrer. Para uma criança, morre-se de rir, morre sem razão, morre de bala imaginária alojada nos chumbos dos soldados.</p>



<p>&#8211; Pai, o que é um velório?</p>



<p>&#8211; Você vai ver, meu filho. Logo você vai ver.</p>



<p>Almoço em família. A criança cuspindo dúvidas e mais dúvidas, ingerindo badalos, sacudida pela noção da realidade. A surpresa em vista do passeio fúnebre. A barriga em digestão e seus sucos em processo gradual de decomposição. A vida prossegue em seu curso. Assim como houve a digestão alimentícia, haverá a digestão de humanos, a cupidez dos vermes e sua fome pela barriga, por tudo que se come, o ventre de outrora virando carbono, esterco, esqueleto. A terra se mistura ao morto. O arroto anunciando a vida e seu processo gradual.</p>



<p>&#8211; Deixa de ser porco! a mãe resguarda o filho de seu pai cotidiano, deixando-o o herói de cada dia, de cada fantasia.</p>



<p>A criança sorri para o pai. É um sorriso amarelo. Amarelo como a manga em que se trepa no pé para ir buscá-la. As suas fibras grudadas nos dentes. O caroço entre as mãos, futura vida no palmo da terra, fincando raízes, crescendo e sendo produtor também do que não se come, do que se perde no pé e apodrece no solo úmido e sombroso. A vida prosseguindo.</p>



<p>&#8211; Vamos, já é hora.</p>



<p>A sentença paterna. A hora do desterro. O momento do enterro do que ainda vai quente. Como que saído da boca de uma criança como a manga que se tira do pé e perde o seu cordão umbilical. A mesma terra que afaga o gérmen também cobre a folha extinta, seca de vida, cheia de fibras crestadas pelo sol e quebradas facilmente ao toque sutil de um vento feliz de outubro.</p>



<p>O pai chega à casa da finada acompanhado pela criança. A casa está cheia de gente. A rua está formigando. Não há como entrar. A velha morta era muito querida. O garoto presente acompanha tudo.</p>



<p>&#8211; Está vendo, meu filho? Isso aqui é um ambiente e tanto para se produzir um conto. Repare nas pessoas, no burburinho, nos risos que se escondem, nas dores e agonias dos parentes, no consolo fiel e cristão dos amigos, nas sutilezas dos inimigos que trazem flores murchas e roubadas, nas velas que ameaçam se extinguir a cada minuto ao som sutil e pecaminoso do vento. Tudo isso dá um conto fabuloso.</p>



<p>Ele afagava a cabeça do menino com um medo receoso de sorrir. Dizia a ele que era bom se manter sério, circunspecto diante de tal situação. Dizia que velório era aquilo mesmo, um misto de agonia e prazer. Agonia pelos que vão e prazer por não ser você a ir desta vez. De repente um grito seco ecoa no ar, todos se voltam. A filha desesperada diante do caixão suspenso no ar, fechado em seu afazer mortuário. Os gritos cada vez mais fortes, o choro agonizante de uma perda incontornável. A filha gritando pela mãe, a mãe suspensa no ar, jogada na escuridão. E o povo esperando. A ladainha em marcha pelas tormentas da rua. Começava ali o funeral, o último instante célebre antes de padecer do esquecimento nas gavetas das lembranças e das fotos envelhecidas. O povo em marcha seguindo o curso da morte.</p>



<p>&#8211; Veja, meu filho. Anote tudo nessa sua cabecinha. Que conto fabuloso!</p>



<p>Nós caminhávamos lentamente, seguindo o ritmo da vida e seu processo gradual. Um senhor, amigo de meu pai, troca alguns dedos de prosa com ele. Eu, vendo tudo aquilo, me encarrego de anotar.</p>



<p>&#8211; Doutor, o senhor viu como o pessoal que carregou o caixão na porta da casa de Madalena parecia que não estava fazendo força nenhuma? E o senhor sabe que a mãe dela, antes de morrer, vinha engordando muito. Ela era muito gorda, doutor.</p>



<p>Então, como que é isso Rubão?</p>



<p>&#8211; Ah, doutor, diz-que quando uma pessoa morre, se ela for muito boa aqui na Terra, ajudar o próximo, ser fiel a Deus, essa pessoa morta irá pesar quase nada, mesmo se tiver sido gorda e pesada antes de morrer. Mas se não, se ela for má, se desprezar o carecer dos outros, aí, doutor, ela pesa que nem chumbo, não há quem possa levantar. Pelo que eu vi, a mãe de Madalena alcançou a graça da leveza. Ela está salva, doutor. O contrário eu vi há umas duas semanas atrás num enterro lá em Manga. Um senhor muito rico morreu por lá, dono de terra, de boi, tinha dinheiro a rodo. No entanto, pra colocar o danado do homem dentro do caixão precisou de mais de dez homens. E mesmo assim porque tombaram o caixão e fizeram o defunto rolar até chegar nele. E depois, foi um custo, doutor, imagina vinte homens pra carregar o caixão. Pois é. Foi isso que aconteceu. Esse homem devia ter sido é ruim, mas ruim mesmo, doutor. Imagina só. Vinte homens!</p>



<p>Meu pai olhava para mim e sorria como que dizendo: “Anote aí, vai, anote tudo”. Lentamente chegamos ao cemitério. Quatro homens tiraram o caixão do carro e o colocaram no chão. Não vi sequer uma gota de suor, uma contração dos músculos do braço, do pescoço ou de onde quer que seja, nem mesmo um resfolegar das alças que sustentam o caixão no ar. Assim, a velha merecia os badalos do sino da igreja. Dois coveiros estavam de pé com pás nas mãos. Havia uma cova funda, não tanto para cobrir as lamúrias e os gritos secos entrecortados de choro da filha da velha. Duas cordas grossas se dispunham em cima do buraco. Ao redor, o silêncio das gentes, o ranger mudo dos dentes da filha, os latidos dos cachorros da vizinhança, as velas suspensas na escuridão e o caixão flanando no ar. Logo após, a cova e seu preenchimento, as cordas em sintonia de lesmas descendo para o furor noturno dos vermes. A cal alimentando a ociosidade da morte, rabiscando o preto em branco para a inutilidade da plantação. O crepitar das pás em ação. O último grito badalado da filha da morta. O sino e seus badalos intermitentes ao longe. O consolo do pulso pulsando e seu processo gradual. A última pá de terra cobrindo o leito da vida banida. Uns nascem, outros vivem, todos morrem.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:35% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/03666-darlan-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8077" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>Darlan Lula </strong></strong>é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>O monstro adormecido da República</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[democracia]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Hélio Rocha</p>
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<p class="has-drop-cap">A democracia é como um ser frágil, que necessita intensos cuidados para que se mantenha saudável, embora nunca forte ou robusto. Isso porque é muito difícil costurar interesses embasados em diferentes visões de mundo de milhões de pessoas. Ainda que se entenda que esse número fica reduzido a centenas, talvez milhares, de pessoas que acessam o poder, o invevitável conflito faz do sistema em que vivemos uma costura que pode se desfazer se com ela não houver o devido cuidado. Cada qual desses milhares de agentes de poder tem sua própria forma de conceber o mundo, a qual consideram a priori indefectível, até que posta em diálogo. Entretanto, o não-diálogo sempre subjaz como possibilidade idealizada.</p>



<p>Assim já dizia Platão na República, a esse respeito, ao postular que o Estado ideal, ou a cidade ideal, nos seus termos, é aquela governada pelo sábio, cuja indefecção apontaria o caminho melhor para a coletividade. Esse caminho seria sustentado em valores e normas rígidos, papeis sociais estabelecidos e castas definidas e invioláveis. Óbvio que se trata de um texto de algumas centenas de anos antes de Cristo, que mais tarde seria lapidado, mostrando-se uma espécie de tatibitate do pensamento político atual. Isto é, aquele que enxerga o organograma político ideal como aquele de Platão, hoje, é um animal político ingênuo ou perverso. Contudo, ele sempre está ali, como um monstro adormecido.</p>



<p>Desde que se construiu ao longo de séculos o conceito de democracia, passando da República Romana ao Renascimento, do Liberalismo clássico ao Estado de bem-estar social, teve-se em conta que a universalização do acesso aos dispositivos democráticos e a equidade nas esferas de representação social, garantindo aí o debate equilibrado para a condução da República, é um escopo intangível e de resultados práticos absolutamente frágeis, sendo as conquistas de ontem facilmente solúveis nos descuidos de hoje. Assim postulou Hanna Arendt em suas obras sobre a decadência da democracia e a ascensáo do totalitarismo na Europa do entre-guerras.</p>



<p>Hoje o Brasil vive esse limiar da democracia, como bem apontou a cineasta Petra Costa em seu “Democracia em Vertigem”. E isso se dá pelos fios que fomos desvelando a cada ano com a quebra da balança que conduzia os interesses políticos no Brasil, a cada dia revelando novo desequilíbrio no mau uso dos poderes institucionais da República, sobretudo aqueles coercitivo (polícia, Justiça) e midiático, para garantia do poder àquele milhar que lhe está próximo, em detrimento de outros tantos milhões que ameaçavam alcançá-los.&nbsp;</p>



<p>Do conflito social, que sustenta diferentes visões de mundo tentadas à primazia (aqui, algumas seguras de seu direito natural à mesma, autoconvencidas de serem o sábio de Platão), as bases da democracia ruíram dia após dia e hoje não há o mínimo de garantias para a discussão do país. A deposição sem razão da ex-presidente Dilma Rousseff, a prisão sem crime do ex-presidente Lula, a permissão para que perseguições políticas de toda ordem fossem perpetradas pela Polícia Federal e chanceladas pela Justiça, a negligência ante um parlamentar que cantava odes ao regime militar e à tortura resultaram na figura de Jair Bolsonaro na Presidência da República.</p>



<p>Bolsonaro na TV, discursando em favor do descumprimento de normas internacionais de saúde e segurança sanitária em meio a um cenário de pandemia, com todas as instituições brasileiras assistindo-lhe impotentes e estarrecidas (assim como, e pior, uma imensa multidão estarrecida do povo brasileiro), é o produto da falência e do descrétitdo institucional. Se as garantias da República não são sustentadas pela confiança do povo, a institucionalidade se esvai, restando uma luta social balizada pela força, em que o não-diálogo e a autocracia, por sua própria natureza, se estabelecem no seio da sociedade.&nbsp;</p>



<p>O monstro foi criado sem a devida atenção de seus criadores, que velavam por outros interesses e não perceberam seus efeitos colaterais. Agora, essas mesmas instituições enfraquecidas e desorientadas buscam uma solução que não se vê no curto prazo. E, enquanto isso, o país espera angustiado por centenas, milhares ou dezenas de milhares de mortes.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/55fcb-hecc81lio-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8072" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:15px"><strong><strong>Hélio de Mendonça Rocha </strong></strong>é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Em tempos de Corona, a informação</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
		<category><![CDATA[vivendo no fim dos tempos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diogo Tomaz</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Dos vários medos que enfrentamos em nosso dia a dia, destaca-se com grande furor, as doenças que nos assolam de tempos em tempos. Algumas dessas tomam proporções gigantescas e passam a ser classificadas como pandemias, é o caso da COVID-19, ou como ficou conhecido mundialmente, Coronavírus. Em tempos de isolamento social, a internet e suas redes sociais são ferramentas que podem contribuir tanto positivamente quanto negativamente – vide as <em>fake news -. </em>Diante desse excesso de informação, desenvolver um senso crítico é dever de todo cidadão.</p>



<p>Por isso e devido à minha formação em História, diversas pessoas têm me perguntado – pelas redes sociais, claro, para evitar contato – se a COVID-19 é a maior pandemia que já tivemos, se ela poderia ser comparada com alguma outra doença, e por aí vai. Sendo assim, respondo: bactérias, vírus e vários outros microorganismos afligem a humanidade há séculos, como a Peste Negra entre os séculos XIV e XVIII; a sudâmina nas ilhas Britânicas e Alemanha entre os séculos XV e XVI; e ainda tivemos o tifo, a varíola, a cólera, a tuberculose, a gripe espanhola, o HIV&#8230; Por isso, decidi escrever esse texto sobre algumas das doenças que marcaram a humanidade; para esclarecer dúvidas, desmentir boatos e, principalmente, informar.&nbsp;</p>



<p><strong>A PESTE NEGRA</strong></p>



<p>A Peste Negra, segundo o historiador Jean Delumeau, já existia na bacia mediterrânica entre os séculos VI e VIII com uma periodicidade de surtos a cada nove a doze anos. No século IX dava a impressão que havia desaparecido, mas, ressurgiu brutalmente em 1346 e se espalhou pela Europa, atingindo ainda com força o continente asiático e o norte da África. Hoje sabemos que a peste – conhecida atualmente como peste bubônica &#8211; era causada pelo bacilo <em>Pasteurella pestis </em>e que possui duas formas de transmissão: através da picada de pulgas oriundas de ratos portadores do bacilo e através da contaminação de uma pessoa para outra por meio da saliva. Como grande parte das cidades europeias não possuíam um planejamento e estruturação adequadas, você tinha centros populacionais abarrotados de famílias sem a existência de um sistema básico de esgotos e, por isso, todos os dejetos (sujeira das casas, animais mortos, fezes, alimentos estragados, etc&#8230;) eram jogados nas ruas. Mesmo as grandes cidades medievais, como Milão e Marselha, não possuíam um recolhimento regular do lixo, sendo assim, a proliferação de ratos portadores do bacilo <em>Pasteurella pestis </em>era enorme.&nbsp;</p>



<p>A peste atacava principalmente no verão, pois “a pulga prefere com efeito uma temperatura de 15-20º em uma atmosfera com 90 a 95% de umidade ”. Um médico de Marselha observou em 1720:</p>



<p style="background-color:#252626;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-normal-font-size"><em>“A doença começava com dores de cabeça e vômitos e seguia-se com forte febre [&#8230;] os sintomas eram, comumente, calafrios regulares, um pulso fraco, frouxo, lento, um peso na cabeça tão considerável que o doente tinha muita dificuldade para sustentá-la” [&#8230;] </em></p>



<p>O poeta italiano Giovanni Boccaccio a descreveu da seguinte maneira:</p>



<p style="background-color:#252626;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-normal-font-size"><em>“Apareciam, no começo, tanto em homens como nas mulheres, ou na virilha ou nas axilas, algumas inchações. Algumas destas cresciam como maçãs, outras como um ovo; cresciam umas mais, outras menos; chamava-as o povo de bubões. Em seguida o aspecto da doença começou a alterar-se; começou a colocar manchas de cor negra ou lívidas nos enfermos. Tais manchas estavam nos braços, nas coxas e em outros lugares do corpo. Em algumas pessoas as manchas apareciam grandes e esparsas; em outras eram pequenas e abundantes. E, do mesmo modo como, a princípio, o bubão fora e ainda era indício inevitável de morte, também as manchas passaram a ser mortais” .</em></p>



<p>Nas regiões da Europa onde a peste dizimava milhares de pessoas, existiam três explicações para sua existência: os estudiosos culpavam alguma “corrupção” do ar, ocasionada pela aparição de alguns cometas, posição de planetas&#8230; A população mais pobre culpava pessoas específicas por espalharem de forma proposital a doença, algum judeu, um árabe, uma bruxa&#8230; Já a Igreja Católica assegurava ser um castigo divino pelos pecados da humanidade; portanto, convinha apaziguá-lo fazendo penitências.&nbsp;</p>



<p>A Peste Negra foi cruel. No momento em que ela manifestava os primeiros indícios a morte geralmente ocorria em poucos dias ou em até 24 horas, causando ao infectado muito sofrimento e agonia. O número exato de mortes varia bastante, mas, calcula-se que 1/3 da população europeia tenha sido foiçado pela doença. Embora haja desacordos, os números variam de 75 a 200 milhões de mortes – do século XIV ao XVIII &#8211; em todo mundo.</p>



<p><strong>A CÓLERA</strong></p>



<p>Culpa-se a Europa, de forma equivocada, por ter “apresentado” ao mundo a cólera – causada pelo bacilo <em>Vibrio cholerae &#8211;</em>, que passou a se espalhar pelo mundo em 1817 (tendo já relatos de sua existência desde os séculos XII e XIII). Originária da Ásia, alastrou-se rapidamente pela Europa, acometendo principalmente a França. Em Marselha, Paris e Lille, as pessoas se recusavam a acreditar que uma nova doença estava chegando, alguns críticos diziam que eram invenções da polícia ou dos governantes . Sendo assim, a única forma de evita-la era fugindo da cidade:</p>



<p style="background-color:#252626;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-normal-font-size">“<em>[&#8230;] Logo que se viu mudarem-se certas pessoas de condição, uma infinidade de burgueses e outros habitantes imitaram-nas: houve então um grande movimento na cidade [Marselha], onde não se mais do que transporte de móveis” . </em></p>



<p>Em 1885 a doença desembarca no Brasil, atingindo primeiramente os Estados do Amazonas, Bahia, Pará e Rio de Janeiro. Chegou até São Paulo em 1893, atingindo tanto capital quanto interior. Ao infectar o ser humano, a bactéria faz com que o organismo elimine uma grande quantidade de água e sais minerais, acarretando séria desidratação. A bactéria da cólera pode ficar incubada de um a quatro dias. Quando a doença se manifesta, apresenta sintomas como náuseas e vômitos; cólicas abdominais; diarreia abundante, determinando a perda de até um litro de água por hora; e cãibras. Sua transmissão se principalmente pela água e por alimentos contaminados.</p>



<p>Ainda não erradicada, acredita-se que tenha sido a primeira epidemia a alcançar todos os continentes, causando a morte – segundo a OMS&nbsp; – de 100 a 120 mil pessoas todos os anos no Mundo.&nbsp;</p>



<p><strong>A VARÍOLA</strong></p>



<p>A varíola é uma doença que conhecemos muito pouco de sua origem pois existem poucas provas de sua existência antes do século X. Os primeiros relatos de sua ação se dão a partir do momento em que há grande concentração de pessoas e o surgimento das primeiras cidades próximas aos rios Nilo (Egito), Tigre e Eufrates (Mesopotâmia), Ganges (Índia), Amarelo e Vermelho (China).&nbsp;</p>



<p>Penetrando no corpo, o patógeno se espalha pela corrente sanguínea e se instala, principalmente, na região cutânea, provocando febre alta, mal estar, dores no corpo e problemas gástricos. Logo depois destas manifestações surgem, em todo o corpo, numerosas protuberâncias cheias de pus, que dificilmente cessam sem deixar cicatrizes, e conferem coceira intensa e dor.</p>



<p>Entre os séculos XI e XV, a doença atinge praticamente toda a Europa (exceto a Rússia). Ainda no século XVI, a varíola difundiu-se da Península Ibérica para a costa oeste da África, da América Central e do Sul. No século XVII, a doença atinge a América do Norte e a Rússia. “A varíola não era doença autóctone das Américas, sendo introduzida no continente pelos europeus, durante a colonização. O primeiro caso da doença ocorreu em 1507, importado da Espanha, na ilha de Hispaniola (atual República Dominicana e Taiti), dizimando metade da população residente” .</p>



<p>A varíola matou imperadores chineses, czares russos, monarcas europeus e califas árabes. Morreram da doença Luís XV da França, Mary II, rainha da Inglaterra, o imperador José I da Áustria, rei Luís I da Espanha, czar Pedro II da Rússia e d. Pedro Carlos, genro de d. João VI. Muitos sobreviveram. Alguns, com mais sorte, quase sem cicatrizes, como Luís XIV, outros bem marcados, como a rainha Elizabeth I e Mirabeau. Tiveram varíola ainda Catarina de Médicis, Chateaubriand e George Washington. Historiadores da saúde calculam que entre 1896 e 1980 a varíola causou a morte de 300 milhões de pessoas em todo o planeta.&nbsp;</p>



<p><strong>A GRIPE ESPANHOLA</strong></p>



<p>A maior pandemia causada pelo vírus Influenza dos últimos tempos foi registrada há mais cem anos: a gripe espanhola, que assolou a Europa e chegou a atingir diversos países, incluindo o Brasil – por aqui foram cerca de 35 mil óbitos, entre eles o do presidente da época, Rodrigues Alves (1848-1919) -, dizimou entre 30 e 60 milhões de pessoas em todo mundo, segundo a estimativa da OMS. Apesar do nome, não teve origem na Espanha. Recebeu esse nome porque o país seu posicionou de forma neutra durante a Primeira Guerra Mundial (1914-1918), e os jornais espanhóis eram os poucos da Europa que noticiavam a doença. O seu nome se deu à origem da informação e não à localidade que originou a doença. Nos EUA, o então presidente Woodrow Wilson (1856-1924) emitiu ordens para censurar qualquer notícia que pudesse abalar a população e os soldados. A situação foi a mesma em outras nações em guerra. Foi uma variação do vírus Influenza (comumente associado às gripes recorrentes e ao H1N1). A origem da mutação do vírus da gripe é desconhecida. Os casos tiveram início de 1917 e desde então ela se coloca como uma das doenças mais resistentes de todos os tempos. A letalidade da gripe variou entre 6% a 8% durante o surto.</p>



<p>Sua propagação ocorria pelo ar através de gotículas de saliva e os sintomas eram: sangramento pelo nariz, pelos ouvidos, pelos olhos…&nbsp;ficavam azuis com a falta de oxigênio, pois o pulmão inchava de tal forma que impedia a respiração. Caíam de cama pela manhã e à tarde estavam mortas. Geralmente,&nbsp;<a href="https://saude.abril.com.br/medicina/gripe-em-2018-ela-vem-mais-forte-saiba-tudo-sobre-o-virus-e-a-vacina/">os vírus da gripe se apoderam das células do nariz e da garganta</a>.&nbsp;</p>



<p>Ainda hoje restam dúvidas sobre onde surgiu e o que fez da gripe de 1918 uma doença tão terrível. Estudos realizados entre as décadas de 1970 e 1990 sugerem que uma nova cepa de vírus influenza surgiu em 1916 e que, por meio de mutações graduais e sucessivas, assumiu sua forma mortal em 1918. Essa hipótese é corroborada por outro mistério da ciência: um surto de encefalite letárgica, espécie de doença do sono que foi inicialmente associada à gripe, surgido em 1916.</p>



<p><strong>O HIV</strong></p>



<p>O vírus da AIDS surgiu a partir de um outro vírus chamada SIV, encontrado no sistema imunológico dos chimpanzés e do macaco-verde africano. Apesar de não deixar esses animais doentes, o SIV é um vírus altamente mutante, que teria originado o HIV. HIV é a sigla em inglês do vírus da imunodeficiência humana. “Causador da aids, ataca o sistema imunológico, responsável por defender o organismo de doenças. As células mais atingidas são os linfócitos T CD4+. E é alterando o DNA dessa célula que o HIV faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, rompe os linfócitos em busca de outros para continuar a infecção. O sistema imunológico é destruído, deixando o organismo frágil a doenças causadas por outros vírus, bactérias, parasitas e células cancerígenas” .</p>



<p>Ser portador do HIV não é a mesma coisa que ter&nbsp;aids. Há muitos soropositivos que vivem anos sem apresentar sintomas e sem desenvolver a doença. Mas&nbsp;podem transmitir o vírus a outras pessoas&nbsp;pelas relações sexuais desprotegidas, pelo compartilhamento de seringas contaminadas ou de mãe para filho durante a gravidez e a amamentação, quando não tomam as devidas medidas de prevenção. Por isso, é sempre importante fazer o teste e se proteger em todas as situações.</p>



<p>Não há consenso sobre a data das primeiras transmissões. O mais provável, porém, é que tenham acontecido por volta de 1930. Nas décadas seguintes, a doença teria permanecido restrita a pequenos grupos e tribos da África central, na região ao sul do deserto do Saara. Nas décadas de 60 e 70, durante as guerras de independência, a entrada de mercenários no continente começou a espalhar a aids pelo mundo. Haitianos levados para trabalhar no antigo Congo Belga (hoje República Democrática do Congo) também ajudaram a levar a doença para outros países. “Entre 1960 e 1980 surgiram diversos casos de doenças que ninguém sabia explicar, com os pacientes geralmente apresentando sarcoma de Kaposi, um tipo de câncer, e pneumonia”, diz a epidemiologista Cássia Buchalla, da Universidade de São Paulo (USP). A aids só foi finalmente identificada em 1981.&nbsp;</p>



<p>Segundo estatísticas da UNAIDS , desde 1981 até o fim de 2018, 32 milhões de pessoas morreram de doenças relacionadas à AIDS. E no mesmo período, 74,9 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV. Não existe cura. Os soropositivos são tratados com coquetéis de drogas que inibem a multiplicação do vírus, mas não o eliminam do organismo</p>



<p><strong>Notas:</strong></p>



<p>1 &#8211; DELUMEAU, Jean. <em>A história do medo no ocidente, 1300-1800</em>: Uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 160</p>



<p>2 &#8211; DELUMEAU, Jean. <em>A história do medo no ocidente, 1300-1800</em>: Uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 160</p>



<p>3 &#8211; BOCCACCIO, Giovanni. <em>Decameron</em>. Tradução: Ivone Benedetti. Porto Alegre, RS: L&amp;PM, 2013, p.114.</p>



<p>4 &#8211; DELUMEAU, Jean. <em>A história do medo no ocidente, 1300-1800</em>: Uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 172.</p>



<p>5 &#8211; DELUMEAU, Jean. <em>A história do medo no ocidente, 1300-1800</em>: Uma cidade sitiada. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p. 173.</p>



<p>6 &#8211; Organização Mundial da Saúde</p>



<p>7 &#8211; Fenner F, Henderson D, Arita I, Jezek Z, Ladnyi ID. <em>The history of smallpox and its spread around the world.</em> In: Fenner F, Henderson D, Arita I, Jezek Z, Ladnyi ID, editors. Smallpox and its eradication. Geneva: WHO; 1988.</p>



<p>8 &#8211; Disponível em: <a href="https://unaids.org.br/">https://unaids.org.br/</a></p>



<p>9 &#8211; Disponível em: <a href="https://unaids.org.br/">https://unaids.org.br/</a></p>



<p>10 &#8211; Programa das Nações Unidas criado em 1996 e que tem a função de criar soluções e ajudar nações no combate à AIDS.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Diogo Tomaz </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é Graduado e Mestre em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora, paleógrafo com foco em manuscritos do século XVI ao XVIII, professor da rede privada de Juiz de Fora e, quando tem tempo, ilustrador.</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



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		<title>Conserta-se disco voador</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[Poésis]]></category>
		<category><![CDATA[Gabriel Garcia]]></category>
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Convencido de mais eficaz arte
Suprassumo do povo de Varginha</pre>



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<p><strong>Gabriel Lopes Garcia</strong>&nbsp;&#8211; Eu sou poeta, professor e divulgador científico. Na coluna Póesis, uso da linguagem poética para expressar minha reverência pelo Universo e o sentimento do sagrado que me habita a intimidade. Elaboro sensibilidades estéticas-éticas, sigo o fluxo de ideias prazerosas, reinvento semânticas, faço silêncio e verbo conjugarem harmonicamente. Eu não escrevo poesias. Eu me escrevo nelas.&nbsp;</p>
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		<title>Precisamos garantir as necessidades de mulheres e meninas enquanto lutamos contra a COVID-19</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Dra. Natalia Kanem - ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/03/29/precisamos-garantir-as-necessidades-de-mulheres-e-meninas-enquanto-lutamos-contra-a-covid-19/">Precisamos garantir as necessidades de mulheres e meninas enquanto lutamos contra a COVID-19</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>Por Dra. Natalia Kanem*</em></p>



<p class="has-drop-cap">A cada dia que passa, a escalada da crise da COVID-19 e suas consequências vão ficando ainda mais aparentes e alarmantes.</p>



<p>O&nbsp;<a href="https://brazil.unfpa.org/pt-br/news/mulheres-meninas-e-profissionais-de-sa%C3%BAde-n%C3%A3o-devem-ser-esquecidas-na-resposta-global-%C3%A0-covid">Fundo de População das Nações Unidas</a>&nbsp;(UNFPA) que trabalha com saúde sexual e reprodutiva, é solidária a todos aqueles respondendo ao novo coronavírus: das equipes médicas e voluntários bravamente cuidando dos doentes, aos motoristas de ônibus e cuidadores que estão na linha de frente. E nós lamentamos o número crescente daqueles que perderam seus familiares na maior crise de saúde global em um século.</p>



<p>A COVID-19 está testando a comunidade internacional. Ainda assim, o trabalho do UNFPA com governos, parceiros, agências da ONU e doadores continua – e está aumentando. Existem planos de continuidade do trabalho em todos os níveis, e nosso compromisso em servir aos mais vulneráveis está mais forte do que nunca.</p>



<p>Como na maioria das crises, essa pandemia causou uma severa perturbação no acesso a serviços de saúde sexual e reprodutiva salvadores de vida, e prejudicou a habilidade das autoridades responderem à violência de gênero, justamente em um momento em que mulheres e meninas precisam mais desse serviço. O UNFPA está trabalhando com governos e parceiros para priorizar as necessidades de mulheres e meninas, alinhado com nossos objetivos de acabar com a necessidade não satisfeita de planejamento reprodutivo e contracepção, as mortes maternas evitáveis e acabar com a violência de gênero e práticas nocivas contra mulheres e meninas até 2030.</p>



<p>Precisamos de doação para financiarmos as ações em resposta à COVID-19 com foco nos países cujos sistemas de saúde público e de apoio social são fracos, incluindo países em situações frágeis e em emergências humanitárias. Estamos projetando um custo de US$ 187,5 milhões para 2020. Os esforços do UNFPA vão focar em fortalecer sistemas de saúde, adquirindo e entregando insumos essenciais para proteger profissionais de saúde, garantindo acesso à saúde sexual e reprodutiva e a serviços contra a violência baseada em gênero, e promovendo comunicação de risco e engajamento comunitário.</p>



<p>Agora é um momento para solidariedade, determinação e abnegação. Nós não devemos esquecer que há pessoas que talvez nós não vejamos imediatamente, mas que estão sobre grande risco em consequência da crise:</p>



<p>As mulheres grávidas, que precisam de atendimento pré-natal, mas estão incertas se é ou não seguro ir à clínica.</p>



<p>As mulheres em relacionamentos abusivos presas em casa por não conseguir vislumbrar um futuro e temendo por sua segurança.</p>



<p>As dez milhares de pessoas em campos refugiados, que estão contando os dias até a chegada do coronavírus, e aquelas para as quais o distanciamento social simplesmente não é uma opção.</p>



<p>As pessoas idosas, muitas das quais estão presas no isolamento, estão famintas por interação social e estão particularmente vulneráveis a ficarem seriamente doentes.</p>



<p>O UNFPA está fornecendo material de suporte para sistemas de saúde afetados e protegendo profissionais de saúde e parteiras. Na China, Irã e Filipinas, por exemplo, nós distribuímos itens essenciais de higiene, entre outros, para os mais vulneráveis, e equipamentos de proteção individual para trabalhadores de saúde. Em Moldova, nós lançamos um painel online para o sistema de saúde que mostra o número de casos atuais, desagregados por localização, sexo, idade e status da gravidez.</p>



<p>Mas nós precisamos fazer muito mais para garantir que as necessidades mais íntimas, e no entanto essenciais, de mulheres e meninas sejam atendidas enquanto lutamos contra a COVID-19 durante os desafiadores meses à frente. O UNFPA descreveu o que precisamos fazer em vários&nbsp;<a href="https://www.unfpa.org/covid19">documentos guia</a>&nbsp;publicados no site do UNFPA sobre esses tópicos.</p>



<p>Esse flagelo global requer uma resposta global. Nós instamos a comunidade internacional a vir em ajuda a todos os afetados pela crise: ambos aqueles com COVID-19 e aqueles que estão presos no isolamento, tendo negados os serviços aos quais desesperadamente precisam. Por favor, unam-se a nós na defesa da dignidade e saúde de mulheres e meninas quando elas mais precisam de nós.</p>



<p>*<strong> <em>Dra. Natalia Kanem</em> </strong>é Diretora executiva do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA).</p>



<p><strong><em>Matéria originalmente publicada em <a href="https://nacoesunidas.org/artigo-precisamos-garantir-que-as-necessidades-de-mulheres-e-meninas-sejam-atendidas-enquanto-lutamos-contra-a-covid-19/">Nações Unidas Brasil</a></em></strong> <strong><em>em 27/03/2020 &#8211; Atualizado em 27/03/2020.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:31% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/03/3d7d7-onubio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8105" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p class="has-normal-font-size"><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas) </strong></strong>é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Vivendo no Fim dos Tempos &#8211; dia 004</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 038]]></category>
		<category><![CDATA[Encarceramento]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[PodCast]]></category>
		<category><![CDATA[vivendo no fim dos tempos]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Trama_ PodCast</p>
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<p>Olá queridxs!</p>



<p>Essa é a série que a Bodoque desenvolveu com a finalidade de propor reflexões em tempos de cólera.</p>



<p class="has-drop-cap">Diante da situação de emergência de saúde mundial, consideramos extremamente importante contribuir para que as pessoas possam usufruir de seu tempo de reflexão forçado de maneira acolhedora, inteligente e responsável. Portanto, as edições do Vivendo no fim dos tempos vão trazer reflexões a partir da ótica cultural sobre as mazelas atuais da humanidade.</p>



<p>Então, já sabe: coloque os fones de ouvido, e boa audição!</p>



<figure class="wp-block-embed-spotify wp-block-embed is-type-rich is-provider-spotify wp-embed-aspect-21-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Spotify Embed: Vivendo no Fim dos Tempos - dia 004 - Encarceramento" style="border-radius: 12px" width="100%" height="152" frameborder="0" allowfullscreen allow="autoplay; clipboard-write; encrypted-media; fullscreen; picture-in-picture" src="https://open.spotify.com/embed/episode/1pvPAAYOtIFXpnCdyBN2Xr?si=pzild2d_SmyAEtFs82r9Rg&#038;utm_source=oembed"></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Vivendo no Fim dos Tempos </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é uma série do podCast da Trama que tem como objetvo refletir sobre diferentes eventos e fenômenos sociais da atualidade dentro de uma perspectiva cultural.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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