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	<title>Arquivos Ano 002, N 051 - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Editorial &#8211; Orgulho é Luta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:40:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Carol Cadinelli</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p>Todos nós, em alguma medida, queremos nos sentir parte de algo. Queremos olhar para o lado (ou para frente, ou para trás, ou para cima) e enxergar um semelhante, algo ou alguém que nos faça sentir que pertencemos, que a nossa maneira de ser é boa. Assim, enquanto seres humanos, vivemos em grupos sociais, nos quais os indivíduos carregam traços comuns de pensamento e de vivência, oferecem apoio e incentivo uns aos outros.</p>



<p> Porém, quando grupos são formados pela tentativa de resistência à violência comum que sofrem, faz-se necessário que cada voz seja ouvida para que possamos ser mais do que uma negação.</p>



<p>Oi, eu sou a Carol. Eu não sou a editora que vocês costumam ler no texto Editorial da Trama, mas espero que comprem a minha proposta, que é a de utilizar a ferramenta da representatividade para que cada um dos que chamo de &#8220;meus&#8221; e &#8220;nossos&#8221; possa se sentir hoje, no dia dedicado a nos orgulharmos de quem somos, apoiado e inteiro; muito mais do que apenas a negação do heterossexual e do cisgênero.</p>



<p>De acordo com o dicionário do Google, representatividade é a &#8220;qualidade de alguém, de um partido, de um grupo ou de um sindicato, cujo embasamento na população faz que ele possa exprimir-se verdadeiramente em seu nome&#8221;. Mas quando tratamos da população LGBT+, existe um problema em trabalharmos com essa definição, uma vez que ela delimita <strong>um</strong> representante. E quem vai se dispor a representar a totalidade de um grupo tão diverso? Algumas militâncias de homens gays vêm tentando há alguns anos. Eu diria que é uma coragem que beira a loucura. Ora, só na nomenclatura oficial documentada do grupo (LGBT+), nós já somos, no mínimo, cinco vivências completamente diferentes; precisaríamos, então, de pelo menos cinco representantes que pudessem falar por nós, sem considerar quaisquer outros recortes sociais.</p>



<p>Além disso, temos o mau hábito de pensar a representação como algo necessariamente atrelado ao âmbito político formal, de reivindicações e discussões. Nisso, esquecemos que a felicidade dos nossos pares, o Orgulho que sentem de si mesmos, em suas vivências individuais, também representam algo para cada um de nós. Ser LGBT não é só militância formal e ativa, dizendo que temos direitos e vamos lutar por suas garantias. Cada poema &#8220;bobinho&#8221; de amor, cada expressão de auto-afirmação pessoal também é representação, forma de demarcar de existimos e estamos presentes, de demandarmos respeito. Como diz uma grande inspiração que, coincidentemente, faz aniversário hoje, &#8220;até gozando, eu faço política pública&#8221;. </p>



<p>Oi, pode me chamar de Cadi. Sou mulher cisgênera bissexual. A minha bissexualidade não se separa de mim, e eu não me separo dela. Eu, aqui, represento os, es, as minhas pares. </p>



<p>Bissexual não é tudo o que eu sou; mas tudo que vem de mim é, também, bissexual. É, também, LGBT+, na medida em que é possível gerar reconhecimento para toda essa diversidade na minha imagem. E sabe o Orgulho? Ah, eu tenho ele.</p>



<p>Minha felicidade é luta. E celebrar quem eu sou, quem você é, quem nós somos é, talvez, a forma mais bonita que eu tenho de lutar. Essa edição da Trama busca celebrar cada um de nós, fazer com que nos orgulhemos cada vez mais do que somos, e tornar a nossa luta um pouco mais bela no dia de hoje.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:30% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/5a704-carolcad-bio.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8747" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é uma mulher cisgênera bissexual. Jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atua como Social Media na Peregrina Digital, assistente de edição na Trama e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c3625-begaleria4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10720" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>teü zíper, meü código de trânsito</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:39:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[lésbica]]></category>
		<category><![CDATA[Nalü Romano]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[semáforo]]></category>
		<category><![CDATA[transito]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Nalü Romano</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">nossos dedos
vão se entrelaçar
ao som da rua
em movimento

olharei pra frente
e de rabo de olho
confirmarei que teu riso
acompanha
nossos passos

duas mulheres 
por meridianos em comum 
conquistaram avenidas e
o direito das travessias

o semáforo 
são três botões da tua blusa 
eu só escondo minha mão&nbsp;
se for dentro da tua calça</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Nalü Romano-Lister </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é uma mulher lésbica cisgênera. Artista multidisciplinar, escritora, ativista e humorista, publicou o livro &#8220;<a href="https://www.amazon.com.br/todas-outras-coisas-machucam-tamb%C3%A9m/dp/1733901310/ref=sr_1_1?dchild=1&amp;qid=1593129941&amp;refinements=p_27%3ANalu+Romano&amp;s=books&amp;sr=1-1">você (e todas as outras coisas que me machucam também)</a>&#8221; em 2019, pela Wide Eyes Publishing. No Instagram: <a href="https://www.instagram.com/naluromano/">@naluromano</a>; no twitter: <a href="https://twitter.com/itsannalu">@itsannalu</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/cf6fa-begaleria1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>TRANSITEI</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/28/transitei/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:38:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[identidade]]></category>
		<category><![CDATA[Murilo Alves]]></category>
		<category><![CDATA[Transgenero]]></category>
		<category><![CDATA[Transsexual]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Murilo Alves</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Como se ninguém pudesse me ouvir
Todas as vezes que gritei
Como se nunca estivesse aqui
Por todas vezes que chorei

Todo dia que olhava no espelho e não me via
Cansado, sem forças, não me entendia
Por que eu era tão diferente?
Por que isso incomoda tanta gente?
Será que um dia serei feliz?</pre>



<p>Transicionar não é fácil, não é recente, não foi pra sair da rotina. Ser você mesmo e se assumir requer coragem, requer forças, requer que você volte a ter contato com a única pessoa que jamais te abandonaria: você mesmo.</p>



<pre class="wp-block-verse">Procurei por tantos anos alguma solução
Alguma coisa que pudesse ser uma luz dentro do meu coração
Já não sabia mais
Era vergonha pros meus pais</pre>



<p>Foi analisando o seu desconforto com as pessoas ao seu redor, foi quando nenhuma roupa te trazia confiança, quando todo sorriso que saia de você não soava mais tão verdadeiro ou espontâneo. Vi você se anular e se diminuir muitas vezes por alguém que não fazia a minima para os teus sentimentos, ou quando fazia não ligava. Quando deu sinais e ninguém viu, ou se viu, fingiu que não. </p>



<p>Foi olhando pra você chorando no banho, se debatendo e odiando suas nuances, foi também te ouvindo chorar baixinho antes de dormir perguntando a Deus porque se sentia tão mal, tão diferente, um monstro. Olhando você enquanto se vestia e não era de nenhuma forma que te agradava, colocando, às vezes, brincos de forma forçada. Não era nunca por você mesmo, e sim pelos outros. Todo vestido, todo esmalte, todo brinco, toda vez que agiu pelos outros, esquecendo do seu amor próprio. Por todas as vezes que não teve coragem de se assumir e tomar posse de todas suas decisões, pelas vezes em que não teve sequer coragem de se olhar no espelho.</p>



<pre class="wp-block-verse">Toda as vezes que chorei até dormir
Que me batia, por sentir um corpo que não me encaixava
As vezes que me forcei sorrir
Me deprimia, e cada vez mais me afundava</pre>



<p>Pois é, eu vi tudo, todo o medo, toda a frustração, toda a coragem entalada na garganta, vi tudo isso na última vez em que tive receio de ME olhar no espelho. Ali, eu fui capaz de me enxergar, me resgatar, me assumir; de limpar as minhas lágrimas de tristeza, de quem já não tinha esperança alguma.</p>



<p>Foi a primeira vez que chorei lágrimas de amor próprio, que molhavam meu sorriso de gratidão. Era tão difícil sair de toda aquela negatividade, de toda aquela vida que não parecia minha &#8211; até porque, na verdade, não era nem um pouco minha, não era eu. Um peso saiu das minhas costas; pude, enfim, respirar aliviado.</p>



<pre class="wp-block-verse">O dia que tive coragem de ser quem sou
O tanto de orgulho que tive
Tamanha autoestima que gritou
<strong>Maior felicidade em ser trans. Existe. Existo.</strong></pre>



<pre class="wp-block-verse">Sou somatório de todas minhas dores, medos, anseios, dúvidas e receios.

Sou feito de luz própria também. Luz, essa, que eu não era capaz de enxergar, coberta de lama; do barro de um corpo que não era meu, de um lar que me obrigava a me abrigar e existir.

Escavei com a própria mão, sujando minhas unhas. 
Por vezes, até me cortei. 
Doeu. Mas segui cavando. 
E não é que eu vi a luz? 
E que luz! 

Como antes eu não pudera ver?

Me questionei, duvidei tanto, tive tanto medo e, no fim, foi só uma questão de procurar um tesouro. 

Era ouro, diamante, safira… Era eu. Sou eu. Luz própria. O próprio eu.</pre>



<p>Peguei aquele menino encolhido, chorando, todo assustado pela mão e agora luto por ele contra tudo, porque ele sou eu. <strong>E agora, não deixo de ser quem sou por ninguém.</strong></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Murilo Alves </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é um homem heterossexual trans. Estudante de gastronomia, ativista dos direitos trans, youtuber e criador de conteúdo. No instagram: <a href="https://www.instagram.com/otransmissao/">@otransmissao</a>; no youtube: <a href="http://www.youtube.com/HeyMu">Hey, Mu!</a></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/6e1f0-begaleria2-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10811" data-recalc-dims="1" /></a></figure></div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>“índio e gay”: corpo de luta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[indígena]]></category>
		<category><![CDATA[Neimar Kiga]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Neimar Kiga</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/28/indio-e-gay-corpo-de-luta/">“índio e gay”: corpo de luta</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Desde a infância, eu sabia que era diferente das crianças ao meu redor; mas eu escondia quando percebia que não era visto como algo bom. Na escola, muitas vezes fui motivo de piadas ofensivas por ter gostos que eram somente meus, desejos diferentes do as pessoas queriam ver. Em casa, eram os meus trejeitos que eram observados; mas eu sempre tinha os meus momentos para ser eu de verdade.</p>



<p>Na escola, principalmente, uma das minhas dificuldades era em relação à minha identidade. Não sabia a diferença entre o que seria “de menino” ou o que seria “de menina” &#8211; o que eu via era simplesmente um brinquedo, sem gênero. Como uma criança, independente do que, eu queria brincar e ser criança. Porém, muitas vezes, o que eu tinha ou queria não era visto com bons olhos por outras pessoas. Comunidade, amigos e até mesmo a família, muitas vezes pelo desconhecimento, me impediam de ser livre, por fugir do que seria o “certo”.</p>



<p>Na Escola Estadual Indígena Sagrado Coração de Jesus, onde terminei o ensino médio, nunca tive problemas em relação a minha identidade enquanto indígena, uma vez que todos éramos indígenas. Mesmo sabendo da minha identidade, de ser indígena, de ser Boe, a valorização em relação a quem eu sou nunca foi uma prioridade; eu não tinha a noção da importância de ser indígena e ser Boe. Agora, eu sei da importância e valor de tudo que eu sou e de tudo que eu tenho.</p>



<p>Com o tempo, eu já não conseguia esconder ou disfarçar minha sexualidade. Foi na minha adolescência que descobri o que eu realmente era, mas foi um dos piores momentos da minha vida. Nessa época, tive o contato com outros jovens homossexuais da minha aldeia e percebi que eu também era homossexual. Foi um período muito difícil, por diversos motivos. Minha família muitas vezes não me apoiava, não me entendia e não me aceitava. Creio muito que a religião Católica influenciou nessa resistência, por minha família ser fortemente religiosa cristã (naquela época), principalmente minha mãe. </p>



<p>Ainda na adolescência, um jovem seminarista que morava na minha aldeia e estudava para ser padre me disse que eu não deveria seguir com a minha orientação sexual e que eu deveria ter dignidade, me respeitar, chegando até a dizer “o que você tem no meio das pernas”? Com todas as informações que eu recebi naquele dia, me senti totalmente fraco, errado, incapaz, confuso e indigno do respeito das pessoas. Até mesmo pensei em cometer suicídio. Então escondi, por muito tempo, das pessoas e de mim mesmo, o que eu era.</p>



<p>Minha mãe descobriu que eu era homossexual &#8211; sim, descobriu! Na aldeia, as informações correm muito rápido por ser um lugar pequeno, e chegou aos ouvidos da minha mãe que eu era homossexual; eu nunca tive a coragem de me assumir. Levei uma surra por ser gay e, desde então, meu convívio com minha mãe só piorou; nunca mais tive uma vida “normal” em relação a minha orientação sexual . Numa dessas discussões que sempre tínhamos, eu fui para a BR (que fica a 6 km da aldeia) com o intuito de me suicidar (jogando-me na frente de qualquer carreta que passasse por lá); chegando à estrada, um vendedor que vai à aldeia me viu e pediu para eu voltar, para eu não cometer esse erro, pois eu ainda era jovem. Eu voltei com ele.</p>



<p>Algumas vezes, fui embora de casa; e o meu melhor lugar era fora dela. Morei por algum tempo com minhas irmãs. Minhas melhores companhias eram os amigos e um lugar em que me sentia obrigado a estar,  na escola. Lá, eu pensava em me tornar independente, para superar as dificuldades que a vida me propunha com mais facilidade; então na escola era onde eu deveria estar. A educação transforma e ela foi capaz de me transformar e de transformar muitas pessoas que viviam e vivem ao meu redor.</p>



<p>A educação sempre foi uma prioridade que me acompanhava. No ano de 2011, em busca de uma educação diferenciada, &#8211; visto que na aldeia a escola estava passando por algumas dificuldades -, uma prima e eu resolvemos morar em Rondonópolis/MT com uma tia. Depois de alguns meses, voltamos para aldeia por não conseguirmos ficar na cidade; éramos muito jovens. Voltando pra aldeia, demos continuidade aos estudos.<br>Quando voltei pra aldeia, tentei estudar em uma vila próxima, Paredão Grande/MT, por acreditar que a escolaridade seria melhor. Era uma escola com a maioria de pessoas não indígenas. Conheci várias pessoas, fiz algumas amizades, mas eu não me sentia completo. Existiam pessoas que me impediam de ser quem sou, ou que faziam brincadeiras ofensivas que me fizeram voltar a estudar na aldeia novamente.</p>



<p>No final do ano de 2015 eu prestei o vestibular pra UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), no curso de Design (que eu sempre tive vontade de fazer), depois de tentar em outra Universidade, mas não conseguir a nota exigida &#8211; eu era muito jovem e inexperiente. Deixei de apanhar na escola e em casa e fui apanhar da vida. Assim comecei meu trajeto na universidade. Às vezes, chego a pensar que a minha vinda para Campo Grande foi pela não aceitação de algumas pessoas da comunidade sobre minha sexualidade, tentando me afastar e ser feliz.</p>



<p>Em 2016, quando chego a Campo Grande, um lugar até então desconhecido, me deparo com algumas diferenças em relação à minha vida e rotina anterior. A primeira expressão em relação a cidade foi “nossa, que cidade grande”, e eu nem imaginava que se tornaria um lugar que traria grandes conquistas e diversas experiências &#8211; não só no âmbito acadêmico, como também para minha vida pessoal, visto que foram alguns anos dedicados aos estudos. Mas, além disso, eu vivia e tinha minhas particularidades como qualquer outra pessoa.</p>



<p>De início tive que me adaptar à Universidade, lugar em que eu estaria sempre presente. E as Universidades, por mais que passem a ideia de vários universos, muitas vezes não cumprem com essa noção (quase sempre, diria). É um local elitista, burguês, competitivo, onde o acesso e os privilégios são distintos; e a UCDB, por ser privada, deixa essa diferença de classes sociais e financeiras ainda mais nítida, e muitas vezes eu não me sentia acolhido. Porém, ela foi um espaço muito construtivo, onde pude conhecer novas pessoas e ter novas perspectivas em relação à vida.</p>



<p>Depois de perceber como seriam meus dias,  as coisas foram ficando menos complicadas e eu entendi um pouco mais sobre o espaço acadêmico. Ainda assim, precisava me adaptar às pessoas que ali frequentavam. Na universidade e principalmente no meu curso de Design, muitas pessoas tinham perfis diferentes do meu, dificultando um pouco a aproximação. Acredito que, por desconhecimento, muitos tinham alguns pré-conceitos em relação ao “indígena” e algumas vezes chegavam a fazer comentários como “brincadeira” carregados de ofensa e preconceito. </p>



<p>Para exemplificar essas falas, trago a seguinte experiência: em certo período, a UCDB estava passando por algumas reformas em sua estrutura e, em alguns locais, a passagem dos acadêmicos estava limitada. O curso de Design tinha aulas em diferentes blocos da Universidade, então seria necessária a transição nesses espaços. Um dia, junto de dois colegas, passamos em um lugar de difícil acesso; nesse espaço, tinha uma parte limpa, já construída, e outra suja, sem ainda ter terminado. E eu optei por passar na parte limpa já terminada, então um desses colegas questionou o porquê de eu não passar na parte que estava suja, já que eu era “índio”. Eu logo respondi que não passaria na parte suja, pois não seria ele que lavaria o meu sapato. A outra colega interviu dizendo que ele estava sendo preconceituoso, e ele me pediu “desculpa amigo”.  “Amigo não, colega. Meus amigos não tem esse comportamento”. Porém, esse não foi um caso isolado, e não acontece somente no espaço acadêmico; em outros espaços, o preconceito em relação aos indígenas é perceptível. Muitas falas discriminatórias estavam presentes na cidade à qual eu me adaptava. </p>



<p>Viver em um local totalmente diferente do anterior, com muitas pessoas, de diferentes perfis e classes, foi uma ruptura com o que eu vivia antes. Mas eu tinha que ignorar tudo o que era presenciado para que eu pudesse seguir os estudos. Na aldeia, todos éramos conhecidos e, de certa forma, somos pares, por sermos indígenas; então, nossa etnicidade nunca foi um problema. Mas estar na cidade e ser indígena são outras questões. E eu, um ser com um corpo com esses marcadores sociais, muitas vezes me sentia obrigado a desconstruir, informar, educar novos corpos que desconhecem nosso verdadeiro ser.</p>



<p>Muitas vezes, essas indiferenças aconteciam entre pessoas que eu queria próximas, como colegas, amigos e parceiros. Muitas vezes, vinham de onde mais havia repressão. Pessoas do meio LGBTQIA+, principalmente Gays, muitas vezes me enxergavam com olhar pejorativo, de superioridade, por terem melhores condições financeiras que nós indígenas  &#8211; o que era muito entristecedor, por vir de pessoas que muitas vezes passam por experiências negativas semelhantes e que poderiam construir um diálogo.</p>



<p>Depois de um tempo, isso deixou de me incomodar. Eu entendi a importância que tenho para o meu povo, para outros povos, bem como para o meio LGBTQIA+ (ao qual também pertenço); então, não me sentia inferior a ninguém. Simplesmente achava desnecessário esse comportamento. Os preconceitos na cidade, em sua maioria, foram por ser indígena, e não por ser gay. Por ser um espaço onde havia outros gays, de certa forma, eu passava despercebido enquanto tal, e outras pessoas sofriam isso junto comigo. A marca de ser indígena e estar ocupando espaços que não eram considerados nossos foi mais cruel. No entanto, eu não desisti, e essas barreiras que a sociedade me impunha foram superadas. </p>



<p>Sempre quis terminar o meu curso e continuar a carreira acadêmica, mostrar para essas pessoas o que somos de verdade, enquanto “índio e gay”. Durante a graduação, fui absorvendo todas as informações necessárias para poder me defender dessas ofensas, que muitas vezes eram consideradas somente brincadeiras. Atualmente, vejo que mudei em relação ao pensamento de incapacidade que por muito tempo tive em relação a Universidade e sobre minha auto-estima. Hoje, sou muito mais do que pensavam que eu era; sou capaz de realizar as mesmas funções que outras pessoas da sociedade. Sinto-me mais preparado para tomar minhas decisões pessoais. Participo de movimentos sociais pelo direito a cultura, pela igualdade, como ser indígena, do meio LGBT e Indígena LGBT. E tudo isso me move, me faz pensar em construir uma sociedade melhor usando o meu corpo para fazer esse movimento. Falando por mim, para que outros gozem do que eu construir, mesmo que seja pouco.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Neimar Leandro Marido Kiga</strong> é um homem gay cisgênero, indígena do povo Boe Bororo. Nascido em 1996, mora na aldeia Meruri (morro da raia), pertencente ao município de General Carneiro/MT. Designer, graduado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e mestrando no Programa de Pós Graduação em Antropologia Social (PPGAS) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Participa de movimentos sociais pelo direito a cultura, pela igualdade, como ser indígena e LGBT. Também é um dos fundsdores da mídia Tibira, <a href="http://instagram.com/indigenaslgbtq">@indigenaslgbtq</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/34abf-begaleria18-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10839" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Orgulho que Grita</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:36:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[lésbica]]></category>
		<category><![CDATA[Martha Paula]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Martha Paula</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Enquanto escrevo, vejo e ouço em minha mente Cássia Eller perfomando &#8220;Malandragem&#8221; e sinto o cheiro das capas de CD&#8217;s que ouvia em minha infância. Essa música e &#8220;Eu sou neguinha&#8221; eram as minhas preferidas daquele álbum de capa vermelha chamado &#8220;Música Urbana &#8211; o melhor de Cássia Eller&#8221;. Com seis anos, eu considerava ousadia chamar &#8220;O príncipe&#8221; de chato. Quem era aquela mulher diferente, meio masculina e subversiva?&nbsp;</p>



<p>No disco ao lado, Paula Toller performava feminilidade mais classicamente, com seus cabelos loiros e sua voz delicada. Eu era muito fã e poderia passar um dia inteiro ouvindo, sem parar nem enjoar. Talvez fosse até uma paixão utópica &#8211; eu só não sabia.<br>Os anos foram passando e, enquanto adolescente negra tentando encontrar espaço e ser aceita, precisava esconder minhas paixões secretas por algumas colegas; precisava achar bonito quem elas achavam bonito e gostar de quem elas gostavam &#8211; todos meninos, claro. Eu precisava me esconder. E senti que precisava. Até encontrar, em mim mesma, um amor que não cabia em esconderijo.</p>



<p>Quando percebi ser legítimo e genuíno o amor que eu nutria por uma mulher &#8211; sim, uma mulher como eu -, percebi que ele era parte de mim e motivo de orgulho. Eu queria mostrar para o mundo, queria gritar: &#8220;vejam, eu finalmente entendi o amor, conheci o amor, experimentei algo verdadeiro, aquilo de que falavam as histórias da minha infância!&#8221;&nbsp;</p>



<p>Mas me alertaram: &#8220;shhh, quem ama igual, se ama calado&#8221;. E, assim, mais uma vez, meu grito foi silenciado. Ou talvez&#8230; Só ignorado. Ninguém poderia silenciar meu corte de cabelo, meu jeito de andar e de falar; ninguém poderia me impedir de amar quem eu quisesse amar!</p>



<p>Hoje, grito enquanto ando de mãos dadas com minha noiva. Grito enquanto construímos uma família, a contragosto da família que me gerou. Grito quando existo, porque existo sob uma estrutura social que opta por objetificar ou invisibilizar mulheres lésbicas, em vez de valorizá-las. E existo enquanto mulher, negra, lésbica e médica num espaço dominado por homens, cis-gênero, brancos, heterossexuais, e suas formas de ver o mundo.</p>



<p>Grito com orgulho, na esperança de que nossas vozes sejam ouvidas, atendidas e nunca mais silenciadas. Existimos e somos importantes. Fazemos arte, sonhamos, construímos, pesquisamos, escrevemos, publicamos, pregamos&#8230; Somos parte de tudo o que a sociedade consome e produz. E construímos o caminho para que o mundo se torne melhor quando gritamos. Então, querides leitores, gritem comigo!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Martha Paula </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é uma mulher lésbica cis. Médica e poetisa de São Luís &#8211; MA. Conheça mais de seu trabalho no <a href="https://www.instagram.com/demeasas/">Instagram</a>. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/0914e-begaleria5-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10813" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Eu Sou.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:35:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[drag]]></category>
		<category><![CDATA[drag queen]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[Marcos Lima]]></category>
		<category><![CDATA[Uiara Cardinally]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Marcos Lima</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Houve um tempo em que eu tentava não ser tão pintosa. Houve um tempo em que eu queria resistir, insistir em não me tornar um transformista. Houve um tempo em que eu não queria, de forma alguma, ser chamado de Drag Queen.</p>



<p>Mas por que eu tinha essa resistência e esse pensamento?</p>



<p>Por medo!</p>



<p>Medo?</p>



<p>Sim.</p>



<p>Medo de uma sociedade que nos julga a todo momento. Medo de um preconceito que existe dentro da própria comunidade LGBTQIA+, e não só de fora. Medo dos julgamentos que as pintosas, transformistas, Drag Queens sofrem todos os dias. Medo de ficar sozinho simplesmente por ser quem eu sou, por gostar de fazer o que faço e por expressar uma arte que admiro.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/a75ef-capa-uiara.jpg?resize=750%2C750" alt="" class="wp-image-10585" width="750" height="750" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Marcos e Uiara</figcaption></figure></div>



<p>Hoje, tenho orgulho em dizer que sou artista Drag e de me expor com orgulho. De não tentar esconder isso de ninguém &#8211; pois se é para gostar de mim, tem que gostar do que sou por inteiro, e não só de uma parte, aquela que tende a agradar a sociedade!</p>



<p>Um dia desses, ouvi uma frase que fez muito sentido pra mim: &#8220;está na hora de abraçar a letrinha do lado, e não de julgar e/ou apontar o dedo&#8221;. Então, se você faz parte da sigla LGBTQIA+, abrace, apoie e respeite as outras letras; e se você não faz parte dessa sigla, respeite quem faz!</p>



<p>Fazemos parte de uma comunidade que diz lutar pelo respeito do outro, mas que muitas vezes não respeita o outro! Então que tal pensarmos um pouquinho se nós mesmos não estamos sendo preconceituosos, e perpetuando a opressão? </p>



<p>Faço parte do G da sigla, mas sou irmão do L, do B, do T, do Q, do I, do A, e de todos os outros representados nessa sigla pelo +. Todos temos sentimentos, e está na hora de aprendermos a ter empatia. Sou gay, sou Drag, sou artista, mas acima de tudo sou um Ser humano!</p>



<p>Eu sou o Marcos. Profissional de Educação Física, que paga imposto como todo mundo, que trabalha, que paga contas, que vive, que sente, que tem momentos bons e ruins, e que está sempre em busca de um crescimento pessoal, com base no respeito ao próximo. </p>



<p>Eu também sou o Marcos. Artista que dá vida a Uiara Cardinally, personagem, drag, transformista. (Ainda sim, gay! &#8211; não confunda drag com trans!)</p>



<p>Estando em Drag ou &#8220;Out of Drag&#8221;, eu não peço que me aceitem. Peço que me respeitem!</p>



<p>Junho é o mês do orgulho LGBTQIA+ por um ato marcante, mas podemos e devemos ter orgulho de quem somos todos os dias!</p>



<figure class="wp-block-video wp-block-embed is-type-video is-provider-videopress"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="VideoPress Video Player" aria-label='VideoPress Video Player' width='800' height='1000' src='https://video.wordpress.com/embed/frJ45k9a?preloadContent=metadata&amp;hd=1&amp;cover=1' frameborder='0' allowfullscreen></iframe><script src='https://v0.wordpress.com/js/next/videopress-iframe.js?m=1633526814'></script>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Marcos Lima </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é um homem gay cisgênero. Bailarino, Bacharel em Educação Física, dá vida a Uiara Cardinally, Miss Zona da Mata Gay 2017.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/bc053-begaleria6-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10815" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Orgulho de Ser</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[Bruna Leonardo]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[orgulho]]></category>
		<category><![CDATA[trans]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Bruna Leonardo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center"><strong>Tenho muito orgulho de ser uma mulher trans</strong>. </p>



<p class="has-drop-cap">Desde meus 10 anos de idade, a sociedade tenta fazer com que eu tenha vergonha de ser quem sou. Só que sempre soube que a feminilidade que eu externava não era motivo de vergonha; era simplesmente parte da minha essência. Risos, deboches, xingamentos, humilhações, perseguições &#8211; não foram suficientes para fazer com que eu deixasse de me portar de forma feminina. Quanto mais isso acontecia, mais vontade eu tinha de ser quem eu realmente era. </p>



<p>Cresci admirando as grandes mulheres da história, as personagens femininas à frente de seu tempo, que não se submetiam ao machismo ou a qualquer outra forma de perseguição. Cresci querendo ser uma mulher forte, guerreira, livre, dona das próprias rédeas. </p>



<p>A mulher que sou hoje, só a sou por sempre ter me orgulhado daquilo que a sociedade sempre me apontou como motivo de vergonha: minha feminilidade, minha essência feminina. Orgulho de ter me tornado uma mulher trans militante e ativista LGBTQI+ , orgulho de ser uma mulher livre dona do meu corpo e protagonista da própria história. </p>



<p>Hoje, estou em paz com meu corpo e com a minha imagem refletida no espelho. Hoje, luto para que todas as pessoas LGBTQI+ saibam que ser <strong>diferente</strong> do restante da sociedade não é motivo de vergonha; é, sim, motivo de <strong>orgulho</strong>. Orgulho de não sermos pessoas frustadas que perseguem as diferenças para se sentirem melhores. </p>



<p>Viva o dia do orgulho LGBTQI+!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Bruna Leonardo </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é uma mulher trans. É militante trans, ativista LGBTQI+ e recepcionista em uma Casa de Cultura.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/c9b68-begaleria10-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10823" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Não tem um boteco nessa cidade em que eu não tenha falado de você</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/28/nao-tem-um-boteco-nessa-cidade-em-que-eu-nao-tenha-falado-de-voce/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:33:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[Bissexual]]></category>
		<category><![CDATA[bruna amorim]]></category>
		<category><![CDATA[curta]]></category>
		<category><![CDATA[gabriel galvão]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Bruna Amorim e Gabriel Galvão</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center">&#8220;Não tem um boteco nessa cidade em que eu não tenha falado de você&#8221;. </p>



<p class="has-text-align-left">Faz alguns anos desde que essa frase invadiu nossa vida. A Bruna estava chorando no meio da Av. Paulista no começo de 2018 quando a viu pela primeira vez. Tinha acabado de assistir Call Me By Your Name (2017) e mandou um áudio para o Gabriel dizendo: &#8220;precisamos fazer um filme sobre isso&#8221;. </p>



<p class="has-text-align-left">Muita coisa já mudou desde então, inclusive as prioridades do coração; mas o fato de encontrarmos refúgio no amor permanece. E o fato de os botecos cariocas serem palco dos maiores monólogos sobre essas histórias que carregamos também. Por isso, na época, juntamos uma galera que ama demais, já levou bordoada do amor demais, já ouviu histórias demais, mas mesmo assim nunca desistiu de amar, para descobrir o que sobra de uma história de amor. </p>



<p class="has-text-align-left">Em meio à atmosfera boêmia dos recantos da cidade do Rio de Janeiro, lembranças são compartilhadas pelos bares em conversas descontraídas. Sete histórias e três bares se costuram através de suspiros, lágrimas e risos, enquanto narrativa e imagem se atravessam. Pusemos em cena jovens LGBTQs conversando com pessoas mais velhas. No filme, confrontamos diferentes aventuras e perspectivas sobre o ato de se apaixonar e suas consequências. Introduzimos a mesma pauta em todas as conversas; todavia, o desdobramento em cada dupla é singular. A experiência permitiu à equipe ver com outros olhos um exercício de oralidade tão místico e ancestral quanto cotidiano em nossas relações humanas. </p>



<p class="has-text-align-left">Desde a pré-produção, fomos instigados a revisitar nossas próprias histórias para oferecê-las ao mundo. Pensar em como elas se ressignificaram ao longo do processo tornou o curta não só um discurso, mas um movimento de auto conhecimento. Nos enxergamos, ali, como protagonistas das nossas próprias histórias; afinal, quando se fala do outro, estamos, acima de tudo, falando de nós. Pensar no Boteco quase dois anos após sua produção é olhar com carinho renovado para o que foi o início de nossas carreiras como cineastas e, também, sobre a importância de abrir, com nossas forças, novos espaços para as pluralidades do afeto. Por mais convidativas que sejam, as ruas do Rio de Janeiro também são labirintos contraditórios, e fazer arte dentro de sua geografia é uma tarefa de apropriação da cidade, capturando nela o que ela fez de nós.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-embed-vimeo wp-block-embed is-type-video is-provider-vimeo wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="N&amp;atilde;o Tem Um Boteco Nessa Cidade Em Que Eu N&amp;atilde;o Tenha Falado De Voc&amp;ecirc; | The Taste Of You Lingers On My Lips When I&#039;m Drunk" src="https://player.vimeo.com/video/292611970?h=61ee92d89f&amp;dnt=1&amp;app_id=122963" width="950" height="534" frameborder="0" allow="autoplay; fullscreen; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Bruna Amorim </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é uma mulher bissexual cis. É cineasta, nascida interior de São Paulo. Seu cinema particular celebra a memória, a troca, e a ressignificação de espaços, pessoas e objetos, tendo como ponto central questões de gênero, sexualidade e diversidade. Cursa Cinema na PUC-Rio, e trabalha com concepção e realização de projetos audiovisuais. Nos últimos anos produziu, dirigiu e montou curtas documentários, experimentais, ficcionais, videoclipes e institucionais. Conheça o <a href="https://brunamorim.wixsite.com/portfolio">portfólio</a> da artista.</p>



<p><strong>Gabriel Galvão</strong> é um homem bissexual cis. É cineasta pela PUC-Rio. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/91d48-begaleria11-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10825" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Transvivência</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:32:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[Bruna Hildebrando]]></category>
		<category><![CDATA[mulher]]></category>
		<category><![CDATA[trans]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Bruna Hildebrando</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-left">No mês do Orgulho LGBTQ, é importante a voz de todos que nessa comunidade enorme habitam.&nbsp; Nesta matéria, contamos com a voz de uma Mulher Transexual, Bruna nos conta sua vivência e visão sobre o dia a dia de Trans/Travestis na sociedade, suas lutas, suas conquistas, sonhos, realizações e alegrias. Ela fala também do preconceito dentro da Comunidade Rainbow e os estereótipos associados à letra T dessa diversidade.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="VISÃO LGBTQ- Entendimento Trans, Preconceito e Superação Diaria." width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/qLO1L2B3A6s?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Bruna</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> <strong>Hildebrando</strong> é uma mulher trans. Mineira, Youtuber, apaixonada por Moda e Beleza e confiante na melhora da sociedade. Conheça mais de seu trabalho no <a href="https://www.youtube.com/channel/UCaegMIOjdGmRvR-EMX4TolA">Youtube</a>.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="instagram.com/iambrendamarques"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/59afe-begaleria20.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>Fluxo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[Fluxo]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[Pablo Abritta]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Victor Soares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Pablo Abritta e Pedro Soares</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>LADO A &#8211; CONSTELAÇÃO (A DOR)</p>



<p class="has-drop-cap">Eu quase consigo contar todos os quadriculados da mesa. Passo meu dedo no seus<br>perímetros azuis, um por um. Acho que eu levaria um tempo para finalizar essa contagem de quadrados se o tempo do café não fosse tão curto, mas o silêncio ocupa minha mente. E a dela também. O que, confesso, ajuda a concentrar na minha contagem quase infinita de quadrados no café da manhã. Ela, como em todas as manhãs desde que descobriu minha sexualidade, só tem um tipo de ação: andar e silenciar. Não se dirige a mim como se fosse algo do qual valha a pena quebrar seu silêncio ou tentar entender o porquê de ele ocupar tantos espaços na sua mente.</p>



<p>Ela arruma seu mamão na mesa. Organiza as frutas. Pica elas de forma quase monótona,<br>sem dizer uma palavra. Não precisa dizer, já está subentendido. Eu continuo no meu processo infinito de contar quadrados na mesa do café, mas me canso. Quando sinto minhas lágrimas me acusando por tanto silêncio, me retraio. Mudo de posição e descubro uma nova ocupação mais confortável para meu cérebro processar as indiferenças que estou sendo obrigado a construir. Olho para o meu prato. O restante das migalhas pousava bem na minha frente como se dissesse: &#8220;me explora vai&#8221;. Juntei algumas delas e formei constelações que aprendi na escola um tempo atrás. O Cruzeiro do Sul estava incompleto: faltava uma estrela para dar continuidade à constelação. Arrumei da forma que minha mente recordava dos livros do ensino fundamental e passei a montar as três Marias, o que foi relativamente fácil;  afinal, são apenas três pontinhos contínuos. Três pontinhos contínuos…</p>



<p>A chapa ainda estava ligada; parece que um dos meus pães havia sido esquecido lá,<br>em brasas. Não muito diferente de todas as pessoas que já se esqueceram de mim e me<br>deixaram queimar. Minha mente me atormenta, e não consigo vê-lo sofrer assim, não depois de atribuir características minhas para ele. Desligo a chapa e tiro o pão lá de dentro. Penso então em todas as vezes que me perdi em mim mesmo, e também em todas as vezes que me salvei, sozinho. Não preciso da ajuda de ninguém pra isso. Com algumas poucas exceções, claro. E ela? Ela continuava em sua infinita ocupação de silêncio, enquanto cortava mamões, dispunha mel em um pratinho e picava bananas para se deleitar com um ótimo café da manhã que só ela proporcionava a si mesma. O queijo ainda borbulhava na chapa quente, e pude ver todas as diferentes formas com que algo pode se transformar quando está sendo queimado. As formas eram variadas; iam do mais extenso ao mais ínfimo da dilatação. Mas mudava, estava em constante mudança. Comia o mamão, penso no queijo, comia a banana, penso nas migalhas, lambuzava-se de mel, enfio minha cara na chapa quente.</p>



<p>Descubro, enfim, o porquê dos três pontinhos contínuos…</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72917-constelacao-foto.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10642" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>LADO B &#8211; CACHINHOS (A DELÍCIA)</p>



<p class="has-drop-cap">Acordei com um pequeno feixe de luz sobre o meu rosto, mas não abri os olhos.<br>Aparentemente, ainda era cedo, pois não se ouvia a turbulência da rua zunindo em meu<br>ouvido; apenas um canto de passarinhos quase ínfimo, próximo a janela, cheio de<br>vitalidade. A luz do sol naquele pequeno feixe em meu rosto me acordou em um dia que<br>não me costumo levantar cedo, mas foi bom. Sempre é bom começar um domingo com cheiro de lavanda no lençol e um barulho de mar a alguns quilômetros do meu apartamento. As ondas batem no rochedo e formam confrontos estrondosos, eu quase conseguia vê-las oscilando. </p>



<p>Lembro de ir à praia quando criança. Construía enormes palácios de areia, e jurava morar lá um dia com alguém que eu amasse. Até a onda vir e desmoronar cada grão de areia &#8211; o que não me impedia de tentar de novo. Construía um ainda maior, mesmo sabendo que não duraria. Acho que, no final das contas, eu cresci querendo construir sonhos maiores em cima de outros sonhos, já enormes em si mesmos. </p>



<p>Queria eu ter uma vida comum, onde todas as minhas relações fossem aceitas pela sociedade; mas estava longe disso. Era como se eu visse um castelo desmoronando todas as vezes que sentia medo ao dar as mãos para o meu namorado na rua. Não só por eles, mas por mim. Acho que cresci em uma família que não sabia que o afeto é algo que não se força. A gente sente na pele quando ama, pulsa. Eu sempre sonhei em ter o meu lar. Sempre disse que a partir de agora seria &#8220;minha casa, minhas regras”, e de fato é. Ouço um barulho próximo a mim, e finalmente abro os olhos. Ele está trazendo uma bandeja de café da manhã. Sento na cama e dou um beijo nele. Nos olhamos com felicidade, porque sabíamos que seria mais um dia para a gente se descobrir e se reinventar. A pele não esquece o toque.</p>



<p>Ele se senta ao meu lado, põe a bandeja na cama e começa a falar sobre como conseguiu acordar mais cedo que eu em um dia como aquele. Ele falava, e eu só conseguia estampar um sorriso na cara e encarar aqueles olhos castanhos mais profundos que o rochedo. Sempre almejei estar com alguém que beijasse meus defeitos e que gargalhasse minhas qualidades. Que passasse a mão em meus cabelos até eu dormir, e que se sentisse seguro quando eu o abraçasse. Lembro das vezes que respiramos juntos nas horas que o segurava pela cintura e o colocava na cama, selando nosso amor com um beijo quente após um banho de verão. Eu sempre sonhei em ter um lar, para poder nunca mais derrubar nenhum castelo de areia. </p>



<p>As ondas estão perto. Estamos sentados na beirada do lençol, olhando a vista da janela de mãos dadas. O mar é ofuscado pela beleza do seus cachinhos pretos e seu olhar doce, no nosso enfim, castelo de afetos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bd63b-cachinhos-foto.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10643" data-recalc-dims="1" /></figure>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Pablo Abritta </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é um homem gay cisgênero, das Artes Cênicas desde 2014. Quando pequeno, escrevia poemas e contos, mostrando seu amor pela escrita. Atualmente, se arrisca na dramaturgia para cenas teatrais e nos contos poéticos, no qual tem se dedicado na área de forma sútil e despretensiosa. Sempre buscou melhorar o mundo. Acredita que achou esse caminho nos pequenos grandes afetos que a arte proporciona.</p>



<p><strong>Pedro Victor Soares</strong> é um homem gay cisgênero. Graduado em jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2017) e com experiência no ramo audiovisual, trabalhando na área desde 2013. Produziu, dirigiu, roterizou e montou um documentário curta-metragem chamado &#8220;Vida de Estradeiro&#8221; como projeto de conclusão do curso da faculdade, rendendo diversos prêmios e indicações. Na fotografia, se arrisca nos autorretratos e fotografia de rua, já que a sua grande paixão é mostrar sua visão do mundo através da câmera.</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/81ea3-begaleria12-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10827" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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