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	<title>Arquivos Andréia Pires - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>[CAÇADORA DE HISTÓRIAS] MARINA STORCH: ASAS NUTRIDAS, PREPARAR PARA O VOO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 04 May 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Andréia Pires]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Riograndense]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/05/04/cacadora-de-historias-marina-storch-asas-nutridas-preparar-para-o-voo/">[CAÇADORA DE HISTÓRIAS] MARINA STORCH: ASAS NUTRIDAS, PREPARAR PARA O VOO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Tu conheces a história da renovação da águia? Se não, me acompanha por aqui: Chega um momento na vida das águias em que suas garras estão tão compridas e flexíveis que já não conseguem pegar as presas das quais se alimentam. Seu bico alongado e pontiagudo se curva, e suas asas estão envelhecidas e pesadas em função da grossura das penas, o que dificulta voar.</p>



<p>Elas têm dois caminhos possíveis, a partir daí: Morrer ou enfrentar o doloroso processo de renovação. Para esse processo, é necessário voar até o alto de uma montanha e se recolher num ninho próximo a um paredão, onde elas não precisem voar. Depois disso, as águias começam a bater o bico numa rocha até conseguir arrancá-lo. Quando conseguem, esperam nascer um novo bico com o qual vão arrancar suas garras. Quando as novas garras surgirem, elas passam a arrancar as velhas penas. Cinco meses mais tarde, elas saem para o formoso voo de renovação para viver mais 30 anos.</p>



<p>Quando conheci Marina Storch, nossa artista homenageada de hoje, só pensei na renovação das águias.</p>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4add9-marina1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15927" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Marina é uma mulher autêntica, corajosa, forte e inspiradora que viveu uma vida linda até o momento em que sentiu que precisava voar até o alto de uma montanha e passar pelo doloroso porém maravilhoso processo de renovação.</p>



<p>Nascida na cidade de São Paulo, no amanhecer dos anos oitenta (1983), cresceu com os pais e os dois irmãos mais novos numa casa repleta de afeto, que foi sua pista de decolagem. Foi filha única por três anos e acredita que ter dois irmãos mais novos gerou um espírito de muita liderança, pois lembra de guiar as brincadeiras e demais peripécias desde a infância. Mari ensinou o irmão do meio a ler e escrever antes mesmo de ele entrar na escola.</p>



<p>Sempre foi uma menina livre, com muita vontade de fazer trilhas, viajar e respirar o mundo. Estimulada pelo pai, também aventureiro, aos 10 anos já ia para  acampamentos de verão sozinha. Anos mais tarde, aos 18, foi aprovada numa faculdade do interior, o que era um sonho pois sairia da casa dos pais e começaria sua independência.</p>



<p>Cursou Engenharia de Produção em São Carlos, fez intercâmbio na Alemanha e quando se formou voltou pra SP. Começou a trabalhar no mundo corporativo, passou num processo para trainee e foi seguindo a carreira que era uma vontade antiga: ser uma executiva, desenvolver pessoas e times. Assim foi até os 30 anos que foi quando começou a se questionar se ainda queria essa vida e então teve a ideia de tirar um ano sabático para trocar de ares, estudar ioga, meditação, virar vegetariana, ter uma vida mais leve.</p>



<p>Aos 33 anos, saiu de uma vida de corporação e consumo para se renovar, transformar e mudar a rota.</p>



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<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/27867-marina2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15928" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fonte: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Começou a jornada pela Ásia e Europa, onde passou 03 anos estudando e se aprofundando em diversas culturas, trabalhando com faxina, hostels, terapias holísticas, mídias sociais, vendas, de tudo um pouco.</p>



<p>Foi se desenvolvendo em trabalhos mais simples e outros mais profundos. </p>



<p>Em toda essa vivência, Marina costurou à mão  retalhos de histórias, memórias e sensações, resultando numa colcha imensa que ela envolve seu corpo e sua alma levando inspiração à mulheres e homens de toda as partes do planeta.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7c29a-marina3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15930" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fonte: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Ela é tão imensa, tão plural e tão hospitaleira, que consegui uma entrevista muito especial pra dividir com vocês, agora. Vamos?<br><br><strong>01. Quando foi que sentiu o despertar para transformar vivências em palavra escrita?</strong></p>



<p><em>Desde o começo da viagem, queria registrar de alguma forma tudo aquilo que estava aprendendo e vivendo. Comecei a escrever cartas pra mim mesma, diários e um blog. Desde o começo dessa nova jornada, passei a escrever cartas pra mim com o pensamento de ler no futuro. Esses registros viraram quase mensais por três anos e  foram enviados para a casa dos meus pais em São Paulo pois era um local que sabia que não mudaria nesse tempo e poderia reencontrar mais tarde. Depois de 03 anos, fui ao Brasil visitar, peguei todos esses envelopes e resolvi transformar em livro. Inspirada em outros livros de viajantes que li, achava que um livro sobre todas aquelas histórias e todos aqueles registros podiam impactar positivamente a vida de outras pessoas e poderia dar esse impulso nelas para viajar, ter coragem, de desapegar. Principalmente ter coragem de assumir que a gente muda, nossos desejos mudam e que não é porque sempre sonhamos com um cargo alto ou com um apartamento que não podemos mudar e sonhar com outras coisas depois. Sonhar em morar num sítio, em trabalhar de forma autônoma, sonhar em viajar, sonhar em ser nômade por exemplo.</em><br><br><strong>02. Quem é a Marina quando está escrevendo?</strong><br><br><em>Quanto tô escrevendo, sinto que sou uma Marina criança, que está mais ligada ao lado artístico e que foi meio esquecida lá na infância. Fui estimulada a escrever logo que aprendi e depois com redações na escola mas durante o processo de faculdade, por eu ter feito Engenharia de Produção e mais tarde no mundo corporativo fui menos estimulada. Então a Marina quando escreve é a versão criança, sou eu em contato com minha criança.</em><br><br><strong>03. O que diria pra ti mesma daqui 10 anos?</strong><br><br><em>Acho que o que diria pra mim seria lembrar que a idade nada tem a ver com nosso momento, lembrar dessa jovialidade que carrego, que o que importa é como me sinto, que com 47 anos poderei agir e fazer as coisas que tenho vontade e faço com 37, como fiz com 27, enfim, várias etapas da minha vida. Então, acho que seria esse recado de lembrar que a idade não tem nada ver com a idade do nosso espírito.</em></p>



<p><strong>04. O que é a escrita pra ti? Como te sente tendo tua história nas mãos e lares de tantas pessoas?<br></strong><br><em>A escrita pra mim, é colocar em palavras, as sensações e sentimentos vividos naquele momento. É um registro do que a gente tá sentindo, porque quando registramos essa voz documentada, ela pode chegar em outros ouvidos, de outras pessoas que também têm as mesmas sensações. E nesse encontro a gente pode ajudar muitas pessoas, iluminar quem talvez precise ouvir aquelas palavras, quem precise de um estímulo. Então pra mim escrever é registrar sentimentos de uma forma terapêutica mas também ajudando o outro, de uma forma também terapêutica.</em><br><br><strong>05. Que marca tu quer deixar nas pessoas que leem teu livro, que consomem os trabalhos que tu desenvolve?</strong><br><br><em>A marca que quero deixar nas pessoas? Hum&#8230; Acho que a que já tô deixando e tô recebendo de feedback de muita gente que leu o livro ou que acessa minha história através do Instagram e dos meus textos. Esse incentivo de liberdade, quebrar essas amarras de caixinhas, lembrar as pessoas que não é porque alguém desejou algo pra gente que precisamos seguir, que não é porque a gente desejou algo no passado que somos obrigados a seguir.</em></p>



<p><em>Quero deixar uma marca de liberdade, mostrar que outros caminhos são possíveis, não temos que ter medo de errar, que não existe idade pra recomeçar. Não existe momento pra mudar a rota, a gente pode ser muito feliz sozinhos, em diferentes trabalhos, em diferentes condições sociais. Então a marca que eu gostaria de deixar e tô deixando é de quebrar paradigmas nas pessoas e dar coragem pra mudança.</em><br><br>&#8211;<br><br>Vamos fazer um combinado? Depois que tu terminar de ler esse texto feito com tanto carinho e dedicação, vai lá visitar a Marina na sua página do Instagram <a href="http://instagram.com/mudeiarota">@mudeiarota</a> e te garanto que vai sair com vontade de conhecer metade do mapa mundi.</p>



<p>Depois da pandemia, não esquece!</p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p>Queridas e queridos leitores!</p>



<p>Aqui, quem te escreve é Victória: Escritora, idealizadora do projeto Caçadora de Histórias e colunista da Revista TRAMA.</p>



<p>Começamos esse ano cheio de páginas em branco escrevendo a nossa e trazendo a coluna de maneira ainda especial, porém renovada. Aqui conecto minhas palavras com a arte que a revista respira e traremos, quinzenalmente, histórias de artistas de todos os vieses como literatura, música, cinema,<br>dança e muitos outros, ajudando a reforçar e relembrar o quanto somos bordados e perfumados por toda essa pluralidade.<br><br>Com carinho, esperança e muita fé,<br>Victória Vieira</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/53a4f-victoria-vieira.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15537 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Victória Vieira</strong> </strong></strong></strong></strong>é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>
</div></div>



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		<title>[CAÇADORA DE HISTÓRIAS] ANDRÉIA PIRES: VEJO CORES EM VOCÊ</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/20/cacadora-de-historias-andreia-pires-vejo-cores-em-voce/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 20 Apr 2021 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Caçadora de Histórias]]></category>
		<category><![CDATA[Andréia Pires]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura Riograndense]]></category>
		<category><![CDATA[Victória Vieira]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Victória Vieira</p>
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]]></description>
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<p>Azul é uma cor que faz a nossa mente fabricar diversas sensações. Água, imensidão, profundidade, liberdade, leveza, serenidade. Transparência, bálsamo, ancestralidade.</p>



<p>E tem o amarelo que aquece, ilumina, mostra a poeira que baila no ar e não esconde nada. Ele pinta o sol, a areia, os ovos que estalam na frigideira numa manhã de domingo. Ele nos amolece, nos encanta, nos dá vontade de criar.</p>



<p>Mas, espera&#8230; Tu deves estar te perguntando: &#8220;porque ela não para de escrever sobre cores? Vou ler sobre uma/um artista ou consultar uma paleta de tintas?&#8221;</p>



<p>Bem, digamos que&#8230; os dois. Andréia Pires é uma artista que possui muitas cores, mas em especial essas duas: azul e amarelo.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b770e-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15342" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Nasceu no sul do sul, do sul: Rio Grande, na quentura do dia 10 de dezembro de 1984, levando ainda mais amor para o ninho seu pai Nelcy, mãe Alice e seu irmão Bruno. Desde sempre, Andréia caminha de mão dadas com as palavras e, mais precisamente, a palavra escrita desde muito pequena. Foi numa tarefa de escola que percebeu uma conexão com a escrita que ainda não tinha vivenciado; desde então, nunca mais parou.</p>



<p>Os anos passaram, ela ingressou na faculdade no curso de Comunicação Social-Jornalismo (UCPel) e Letras- Português/Espanhol (FURG). Fez Mestrado em Letras – História da Literatura (FURG) e doutorado em Letras – Escrita Criativa (FURG). Em 2016, surgiu a Concha Editora.</p>



<p>Na época, estava terminando a tese de doutorado e a escrita do romance “O céu riscado na pele”.<br>O projeto da Concha junta a sua experiência com o coletivo de escritores Invitro (núcleo literário da produtora artística Mundo Moinho, que coordenou de 2012 a 2017), a falta de editoras na cidade e na zona sul do RS, e as descobertas que fez durante a pesquisa sobre representação e representatividade do município do Rio Grande na literatura contemporânea que era praticamente inexistente.</p>



<p>Naquele momento, a região possuía muitos escritores produzindo e pouquíssimos publicando livros e sendo reconhecidos pelo trabalho criativo. Por isso, a Concha Editora: Ela existe para colaborar com a cena literária no extremo sul.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41a03-1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15345" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fonte: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Além de tanto talento, dedicação, estudos e trabalhos tão afetuosos para com o outro, Andréia leva sua vida pessoal costurada à mão &#8211; vida essa que é compartilhada com Bruno, seu parceiro, e três cachorros: Dora, Nino e Madá.</p>



<p>Do nascer do dia ao escurecer da noite, ela busca pausas e aconchegos que, através de fotografias, divide com as pessoas em seu <a href="http://instagram.com/andreiapiress">Instagram</a>. Essas pausas são constituídas por carinho no pelo macio de seus companheiros de quatro patas, pelo sol que invade a janela, pela música, pelo céu imenso, por uma árvore que dança e pelo meu preferido: café com docinho que, adivinhem, virou projeto de conexão com pessoas dos mais diversos vieses para atravessar a pandemia e alimentar a criatividade, levando um recheio mais adocicado do que as notícias nos trazem.</p>



<p>Por fim, sabe porque comecei esse texto falando de cores? Porque eu as vejo em Andréia. Na nossa artista do ramo da escrita, que vê poesia em todos os detalhes do cotidiano. Vejo azul por sua leveza de algodão ao conversar e escrever. Porque ela vive perto do mar, porque ela é do mar. O amarelo está no sorriso que ilumina, na espuma quase dourada do café, na rede que balança com o vento costeiro, no livro da Djamila Ribeiro que ela partilhou de forma extremamente necessária. E, na união azul + amarelo, o verde: cor das folhas, da salada que enriquece o prato, da esperança. Isso é o que Andréia Pires causa em mim e em tantas/tantos leitores: Esperança, ainda que as costas doam, que os olhos estejam pesando, que tudo pareça sem solução.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/90899-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15347" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Fonte: Arquivo Pessoal</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>Olha, tive a oportunidade de entrevista-la e cada resposta traz um pouco mais dessa mulher talentosa e apaixonante enquanto ser humano, amiga e profissional. Vem ler comigo e depois faz uma visita em sua página, é uma dessas pessoas que vale conhecer.</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>1. Quando foi que sentiu o despertar para mergulhar nas águas da escrita?</strong></p>



<p><em>Não foi de uma vez só. Olhando em retrospecto, a lembrança mais antiga que tenho da sensação – incrível, porque poderosa – de escrever para ser lida é a de anotar palavras no primeiro tema de casa, na primeira série (sim, pois 1991&#8230;). Acho que eu queria TANTO escrever que a professora deu uma tarefa, a de fazer uma lista com dez palavras iniciadas em A. A, a primeira e a última letra do meu nome, a primeira do alfabeto, a primeira vogal, tinha de ser uma letra relevante esse A. Logo entendi que era uma letra ponte, de conexão. E era a minha letra. Minha lista passou de 30 palavras, todas escolhidas e ordenadas no papel por mim, do meu jeito, enquanto na tevê passava a novela da vampira Natasha. Talvez nessa memória viva a semente da minha escrita e meu gosto por narrativas, evocá-la diz muito do sentido da autoria em que acredito: uma mistura de autonomia e do lúdico na urgência da expressão.</em></p>



<p><em>Depois, a escola me mostrou inúmeras vezes que eu me fazia compreender melhor por escrito. Do que a introspecção me convenceu. A primeira aula de literatura no Ensino Médio fez algo em mim dar pulos: era isso, seja já o que fosse, era. Dali em diante, todas as escolhas que fiz miraram a escrita de ficção. E, de muitas formas, acertaram</em>.</p>



<p><strong>2. Quem é a Andreia quando está escrevendo?</strong></p>



<p><em>Uma criatura livre e em fúria – quando escrevendo ficção. A invenção, pra mim, é um campo imenso e sem cercas onde corro bem bicho, descalça, desgrenhada, desprendida. Aqui, a escrita é a chave que me destranca os portões.</em></p>



<p><em>Vivo da escrita, mas – é uma pena e uma sorte – nem só da ficcional. Ocupo minha agenda profissional e artística com outras escritas, principalmente a jornalística. Nessa ocasião, minha escrita se faz caber no molde dos fatos. Desde que entendi que escrever amplia minhas possibilidades e não o contrário equilibrar a balança ficou mais confortável. Busco sempre as frestas do texto ondo posso ser criativa.</em></p>



<p><strong>3. O que diria pra ti mesma daqui 10 anos?</strong></p>



<p><em>Escreve, Andréia. Escreve. Mal começamos a dizer.</em></p>



<p><strong>4. O que é a escrita pra ti?</strong></p>



<p><em>É o meu jeito de ser no mundo. Do instante em que acordo até dormir, a escrita ocupa meu pensamento, todos os meus sentidos, e filtra minhas experiências e atos. É, também, um lugar de absoluta liberdade, onde posso me espalhar e me recolher como bem entendo, sem censura. Acredito que escrita é para todos, que é direito das pessoas – e a maioria de nós nem pensa em acessar. Amo saber o que os outros dizem por escrito, é viciante. Escrita é poder. Poder-dizer. E eu gosto tanto de dizer, sabe? Então, digo. A escrita ninguém me tira. </em></p>



<p><strong>5. Que marca tu quer deixar nas pessoas que leem teus livros, que participam das tuas oficinas de escrita criativa?</strong></p>



<p><em>As narrativas de ficção que escrevo e viram livro inauguram mundos que nem sempre sei decifrar, mas todos pedem escuta, atenção, lida, algum respeito. São maiores do que a minha intenção de autora ou minha pretensão de artista-mulher-rio-grandina, gritam com vozes próprias depois que me deixam pra trás. Não são mais eu. Não quero cultivar expectativas quanto a essas histórias, mas falho: fico desejando que em algum lugar alguém leia, refaça o caminho e ressinta, com seus próprios filtros, o que eu vi.</em></p>



<p><em>Já nas oficinas, a ideia é além da vertigem da escrita de ficção, é antes compartilhar o gesto de escrever e suas possibilidades sem fim. As oficinas de escrita criativa que eu curto são espaços que priorizam a imaginação, a criatividade e os sentidos, onde as pessoas possam experimentar a própria escrita e tomar para si o poder de dizer o que desejam por escrito. Autoria é liberdade.</em></p>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<p>Queridas e queridos leitores!</p>



<p>Aqui, quem te escreve é Victória: Escritora, idealizadora do projeto Caçadora de Histórias e colunista da Revista TRAMA.</p>



<p>Começamos esse ano cheio de páginas em branco escrevendo a nossa e trazendo a coluna de maneira ainda especial, porém renovada. Aqui conecto minhas palavras com a arte que a revista respira e traremos, quinzenalmente, histórias de artistas de todos os vieses como literatura, música, cinema,<br>dança e muitos outros, ajudando a reforçar e relembrar o quanto somos bordados e perfumados por toda essa pluralidade.<br><br>Com carinho, esperança e muita fé,<br>Victória Vieira</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/53a4f-victoria-vieira.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-15537 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Victória Vieira</strong> </strong></strong></strong></strong>é escritora e idealizadora do projeto Caçadora de Histórias. Caçando e ouvindo histórias, vou escrevendo a tua com minhas palavras e te ajudando a ter um novo olhar sobre ela. Siga o projeto no <a href="http://instagram.com/cacadora.de.historias">Instagram</a>.</p>
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