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	<title>Arquivos Arredores - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Os Poucos Traços de Agathe Sorlet</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Aug 2019 13:28:16 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 008]]></category>
		<category><![CDATA[Arredores]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Marcus Cardoso</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/08/04/os-poucos-tracos-de-agathe-sorlet/">Os Poucos Traços de Agathe Sorlet</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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<p class="has-drop-cap">É preciso se despir das hachuras e do olho que busca um ponto de fuga renascentista, quando pensamos em pormenores: com poucos traços, com mínimos movimentos com a mão, é possível criar mais sensibilidade do que muita coisa. Cada pinta miúda que nasce com um mínimo resvalar da tinta, cada pingo absorvido pelo chão irregular do papel. A linha clara da francesa Agathe Sorlet nos propõe isso.</p>



<p>A França tem uma tradição gigante nesse traço de linha clara: Vide a influência enorme de Hergé (TinTim) e as aventuras<br> de Spirou, que estão saindo no Brasil belissimamente pela SESI-SP Editora.<br> Agathe transforma a linha em detalhe e, com poucos movimentos, toca:<br> desmonta: deságua. </p>



<p>A simplicidade do desenho faz com que, através da imaginação, qualquer pessoa possa se reconhecer. E a cada quadro, a cada lance de braços, de pernas, de corpos, nos espelhássemos e nos víssemos ali: quase uma <em>mimesis</em> invertida.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Le-illustrazioni-animate-di-Agathe-Sorlet-Collater.al-15.jpg?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-991" /><figcaption><em>Le-illustrazioni-animate-di-Agathe-Sorlet-Collater.al-15</em></figcaption></figure>



<p>No caso da imagem acima, é estupendo como em apenas três momentos nos vemos imersos na intimidade do casal, sentindo o ar daquele instante, a leveza de uma brincadeira de inverno. Interessante observar como a expressão dos olhos nos contam muito mais do que a boca: os olhos, esses espelhos, é que nos guiam e se expressam. Como na imagem abaixo, em que a noite vai passando através das posições, e é impossível não lembrar da sensação de pele contra pele que os desenhos trazem: das pernas entrelaçadas e cerzidas, do peito-colo-porto, do cheiro do sono ou do frescor da roupa do outro na sua frente. O outro, esse intransponível, parece até mais simples nesse traço.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Le-illustrazioni-animate-di-Agathe-Sorlet-Collater.al-16.jpg?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-992" /><figcaption><em>Le-illustrazioni-animate-di-Agathe-Sorlet-Collater.al-16</em></figcaption></figure>



<p><em>É preciso ser leve como o pássaro, e não como a pluma</em>, dizia Calvino. E<br> a escolha das cores traz essa leveza precisa que o pássaro, mesmo mais<br> pesado que o ar, conquista: a única cor chapada, em contraste, cria um charme característico, uma forma de levitar cada vez mais o cotidiano, o instante chã. Aquilo que menos aparece mas o que mais importa. Na ilustração abaixo, em que as mulheres se unem pelo negativo do biquíni, que se mescla com o fundo, uma leitura possível fosse a ligação das mulheres pela opressão social de não poderem ficar nuas na praia. Isso contrasta com a serenidade em que elas descansam, amalgamadas. As linhas se confundem e o que resta é só afeto, calmas explosões de afeição entre uma e outra. Um silêncio compartilhado e nada incômodo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/ballpit-mag-featured-artist-324-01-min.jpg?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-993" width="580" height="580" /><figcaption>ballpit-mag-featured-artist-324-01-min</figcaption></figure>



<p>A simplicidade com que Agathe trata o sexo é certeira: punge e ataca o<br>tabu com que isso corre na sociedade: uma transa que suspira transe, que é<br>feita de calor e pele, de suor e beijos, de apertos e imensidões. Em seus<br>desenhos, um abraço é tão sensual quando qualquer outra coisa, pois dito que é no poro que a química acontece: são nesses corpos simples, corriqueiros, cotidianos, seculares, que o desejo brota e desliza. São nessas situações em que fazemos moradia, em que construímos laços, na qual derretemos por vontade. Os pelos se eriçando com a boca no pescoço e cada átomo de linguagem corre fazer um cafuné.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/61704165_410071919842649_6466581681771937927_n-1.jpg?fit=606%2C606&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-994" /></figure>



<p>Agathe é simplesmente avassaladora apesar de simples: pois é no detalhe que tudo se guarda: é no pouco que o muito se cria: é naquilo que não vemos em que a vida se dá. Não há mais o que dizer aqui. As palavras serão sempre essa falha, essa vontade incabível de abarcar o todo, de explicar o tudo. </p>



<p>Acessem seu instagram (<a href="https://www.instagram.com/agathesorlet/">@agathesorlet</a>) e mergulhem fundo em como poucos traços nos atravessam sem parar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Marcus Cardoso</strong>, historiador de formação, mestrando, músico&#8230; Faz tanta coisa que acaba não fazendo nada. E, se somos o que fazemos, então é isso: um grande nada que acredita piamente que a salvação do mundo está escondida em um haicai.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.estantevirtual.com.br/atenabookstore"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/PUBLICIDADE-ATENA.png?fit=606%2C341&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-996" /></a></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-small-font-size">Algumas imagens que estão na Trama foram enviadas pelos autores sem as devidas referências. Se, porventura houver imagens sobre as quais você tenha os direitos sobre ela,  por favor entre em contato conosco através do e-mail: fredericolopes@artebodoque.com.</p>
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