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	<title>Arquivos Arte Aldravista - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>MOVIMENTO DE ARTE ALDRAVISTA</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Mar 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 084]]></category>
		<category><![CDATA[Aldrava Letras e Artes]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Andreia Donadon</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nasce, em outubro de 2000, a entidade cultural: Aldrava Letras e Artes com artistas e escritores, para a produção e promoção das artes literárias, plásticas e musicais. <strong>Em novembro de 2000, circula a primeira edição do Jornal Aldrava Cultural</strong>, em dimensões compatíveis com o fôlego financeiro dos seus editores. Esses dois eventos representavam o amadurecimento dos projetos anteriores e uma aposta na força da ação conjunta dos poetas que somaram experiências desde a edição do PoeZine em 1994. Os fundadores da Aldrava Letras e Artes são: Gabriel Bicalho, Hebe Rôla, Donadon-Leal, J.S. Ferreira, Lázaro Francisco da Silva, dentre outros.</p>



<p>Em novembro de 2000, foi distribuída, nas ruas de Mariana, a primeira edição do Jornal Aldrava Cultural. Gabriel Bicalho não buscava a unidade no grupo, mas a heterogeneidade que pudesse manter características e estilo de cada um. Tratou, inicialmente, de publicar a poesia que representava cada um dos poetas, como forma de apresentação destes que formariam, quem sabe, uma unidade produtiva. Essa foi a forma encontrada por esses poetas para saírem do isolamento – aquele imposto pelo fato de morarem em cidade do interior, sem visibilidade porque fora, portanto, da rota de circulação editorial concentrada nas grandes capitais.</p>



<p>Lázaro Francisco da Silva responsabilizou-se por estabelecer os conectores entre as características e os estilos individuais, sem, porém, debitar perdas a cada um em nome da construção de um estilo coletivo. Nascia a ‘família’ aldravista, para dar visibilidade e divulgação ao conjunto de estilos individuais que se agremiava em torno de uma ideia que os assemelhava. O tônus dessa iniciação não podia se contaminar pela configuração da sociedade brasileira da época, que se amparava na individuação das soluções – a autoajuda, a carreira solo: a aldrava, ao contrário, batia nas portas da terra de Cláudio Manuel da Costa, duzentos e poucos anos após a instalação em Vila Rica, por diploma da Arcádia Romana, da Colônia Ultramarina (1768), da qual foi vice-custódio e na qual congregou nomes como de Tomás Antônio Gonzaga, Alvarenga Peixoto e Silva Alvarenga. (PEREIRA, 1996) No mesmo período, no Rio de Janeiro, Basílio da Gama, Alvarenga Peixoto e Domingos Caldas Barbosa fundavam a “Arcádia Ultramarina” (1769). Na Bahia, já havia a “Academia Brasílica dos Acadêmicos renascidos”, desde 1759. No Rio de Janeiro a Academia dos Seletos funcionava desde 1752. (PEREIRA, 1996) O contato com a terra do instalador da academia literária em Minas Gerais faz com que os poetas aldravistas imaginem uma agremiação literária que tenha às vistas ideários de socialização dos fazeres, tais e quais os dos letrados que, segundo Antonio Candido:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Tendiam a reunir-se em agrupamentos duradouros ou provisórios, – seja para cumprimento a longo prazo de um programa de estudos e debates literários, seja para comemorar determinado acontecimento. (&#8230;)</em></p>



<p>Eis que era preciso configurar uma fisionomia para o novo grupo, que manifestasse uma produção de leitura dos discursos do mundo, em sua abrangência polifônica, heterogênea, e sem a pretensão da unanimidade. Essa fisionomia, mais uma vez, tocava na fonte árcade e na fonte iluminista do conceito de liberdade de Rousseau: “renunciar à liberdade é renunciar à qualidade de homem, aos direitos da humanidade, e até aos próprios deveres” (ROUSSEAU, 1983, p. 27). Porém, esse grupo percebia as contradições que envolvem o exercício da liberdade, quando o próprio filósofo se questiona: “Que! a liberdade só se mantém com o apoio da servidão?” (ROUSSEAU, 1983, p. 109)</p>



<p>A vontade de socialização na agremiação formada por sujeitos livres abria, mês depois, o século XXI, e conspirava, na acepção da Conjura Mineira, pela construção de “um trabalho coorporativado, (&#8230;) de figuras de livre trânsito nacional e internacional, quando a questão é acadêmica ou artística (&#8230;)”, como disse Lázaro Francisco da Silva, no editorial da primeira edição do Jornal Aldrava Cultural (SILVA, 2000, p. 1). Da mesma forma, J. B. Donadon-Leal abre a jornada aldravista com a defesa da liberdade:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Os poetas de hoje, para além da modernidade, (não compactuo com a pobreza conceitual dos prefixados por pós) libertaram-se dos grilhões que os prendiam aos discursos panfletários e dogmáticos das academias castradoras da liberdade e podem viajar com a heterogeneidade discursiva da Análise do Discurso, inaugurada pela polifonia bakhtiniana e consolidada pela polifonia enunciativa ducrotiana, com o reconhecimento das vozes assumidas de Enunciadores em convivência nos espaços conquistados por Locutores democráticos nos seus fazeres poéticos de pleno exercício da liberdade.</em><br><em>(DONADON-LEAL, 2000, p. 7)</em></p>



<p>A síntese do Aldravismo como “a literatura do sujeito” foi elaborada por Lázaro Francisco da Silva. Os aldravistas assumiram para si a tese do trabalho conjunto, mas com autonomia de expressão, uma vez que o conceito de sujeito defendido os conduzia para a percepção de sujeito como aquele que pode ser condutor do seu próprio destino, embora deixe transparecer vozes das várias instituições com as quais manteve ou mantém algum vínculo.</p>



<p>Em 2003, morre Lázaro Francisco da Silva. O grupo ganha o ingresso de Camaleão e de Andreia Donadon Leal, esta última que levou o conceito aldravista às artes. Andreia Donadon, com a negação do traço em seus portais, <em>drippings, </em>manchas e borrões representou o movimento em exposições individuais, coletivas e circuitos internacionais, além de vencer concursos de artes plásticas no exterior. Criou intervenções em peças de roupa, cômodos, além das ‘ALDRAVINTURAS’, pintura livre com manchas e borrões, aplicando a técnica &nbsp;em sessões de Arteterapia.</p>



<p>Em 2011, os poetas, Andreia, Gabriel, Ferreira e.Donadon-Leal,&nbsp; publicaram o 1º livro de aldravias: <strong>Germinais: aldravias (201</strong>1), que coroa a proposta aldravista com a apresentação de uma nova FORMA de poesia, genuinamente brasileira – <strong>a aldravia, criada em 17/09/2010 pelos quatro poetas.</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/ca74c-poema-andreia.png?resize=598%2C336&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14800" width="598" height="336" data-recalc-dims="1" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5831a-poema-gabriel.png?resize=437%2C246&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14802" width="437" height="246" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Cabe explicar nessa incursão histórica o conceito de aldravia, uma forma poética que coroa o esforço criador dos aldravistas. Trata-se de um poema sintético, de seis versos univocabulares. A instantaneidade no trânsito das informações contemporâneas torna possível construir uma proposição poética sem as fórmulas complexas da poesia tradicional, travada de figuras de linguagem e de inversões sintáticas. A aldravia demonstra haver poeticidade na comunicação sintética cada vez mais intensa nos dias atuais. Seis palavras dispostas em seis versos representam a poeticidade abstraída de continentes conceituais, ou seja, metonímias poéticas de visões de mundo.</p>



<p>A trajetória aldravista autoriza interpretá-la como empreendimento intelectual com identidade conceitual e teórica definidas, que busca quebrar uma tradição de dependência da herança lusitana ou a correntes estrangeiras, especialmente europeias, como diz Nunes:</p>



<p class="has-text-align-right"><em>Os germes da literatura vieram de fora, mudando seletivamente pela ação de elementos endógenos. Assim, tal como a História política, a História literária traduzirá o resultado de uma esforçada conquista sobre a perdurável herança lusitana, modificada pelo sentimento nacional e pela repercussão das correntes estrangeiras, máxime a francesa, a partir do Romantismo (NUNES, 1998, p. 232)</em></p>



<p>Assim, vem se consolidando o Aldravismo como movimento propositivo; não de importação de modelos, mas de coroação de uma trajetória em busca de algo original. A Literatura Brasileira, enfim, deixa de ser copista de esquemas teóricos e formas estrangeiras, para ser referência, parâmetro.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747cc-andreia-donadon.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14798 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Andreia Donadon Leal</strong> </strong></strong>é mestre em Literatura, especialista em Artes Visuais, Arteterapia e doutoranda em Educação. Membro da Academia Marianense de Letras, da ALACIB e da Aldrava Letras e Artes. Artista plástica, escritora.</p>
</div></div>



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