<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	
	xmlns:georss="http://www.georss.org/georss"
	xmlns:geo="http://www.w3.org/2003/01/geo/wgs84_pos#"
	>

<channel>
	<title>Arquivos Aurora Rodrigues - Revista Trama</title>
	<atom:link href="https://revistatrama.artebodoque.com/tag/aurora-rodrigues/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://revistatrama.artebodoque.com/tag/aurora-rodrigues/</link>
	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
	<lastBuildDate>Sun, 12 Apr 2020 21:22:00 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.5.6</generator>
<site xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">207943372</site>	<item>
		<title>Não é fácil</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/12/nao-e-facil/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/12/nao-e-facil/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Apr 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 040]]></category>
		<category><![CDATA[Aurora Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=8709</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Aurora Rodrigues</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/12/nao-e-facil/">Não é fácil</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Hoje eu acordei chorando. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;        A dor que eu sentia no meu coração só me permitia isso, eu tentei disfarçar da minha mãe no café da manhã, ou quando eu fui dar bom dia ao meu irmão. Coloquei culpa numa crise. Crise de alguma coisa, pensei e acho que falei em enxaqueca, ou qualquer coisa descontrolada que me fizesse chorar, somente para passar batido e não ter que responder a ninguém sobre isso.&nbsp;</p>



<p>As vezes eu penso que preciso desistir. Essa minha ânsia em sair lutando de peito aberto tem feito mal para mim, alvo sem escudo não vê&nbsp; de onde vem a flechada. Eu tenho percebido que na minha vida o verbo &#8220;desistir&#8221; está se ligando estritamente com o verbo &#8220;admitir&#8221;,e não é somente pelo motivo de ambos estarem na caixinha da terceira conjugação, e eu coloquei-os aqui no infinitivo. Desistir hoje pra mim significa o que eu sinto ou não quero admitir.&nbsp;</p>



<p>É horrível admitir que a primeira coisa que eu penso quando escuto &#8220;Amor&#8221; é o seu nome. Chega a ser vergonhoso admitir, nem que seja para esse pedaço de papel, que quando eu penso em você, ainda falo &#8220;Meu Amor&#8221;.&nbsp; &nbsp; Ainda aqui eu entro numa espécie de bifurcação, e não é sobre admitir, é entender se minha vergonha vem de não poder mais te chamar de &#8220;Meu Amor&#8221;. &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp; &nbsp;              &nbsp; Melhor, tem a ver sim com admitir.</p>



<p>Eu preciso admitir que aquela música que você me mostrou e elegemos como nossa,hoje fala muito mais sobre mim do que sobre você. Na verdade, gente não tinha só uma música,né? E fica até difícil fazer você saber assim, era uma para cada medo vencido, ou uma para os prazeres velhos que redescobríamos pelo sorriso um do outro. Coisas que eu trazia em mim e que você carregava, juntamos e compartilhamos.&nbsp; Mas aquela que descrevia a nossa confusão de não saber desligar um do outro, ou de não entender o que era aquele sentimento. É tão linda. Não me surpreenderia você ter dedicado ela à sua nova pessoa</p>



<p>Eu preciso admitir que o mundo que era todo nosso ainda existe, ainda que para você isso não faça diferença, mesmo&nbsp; que você tenha saído e me deixado lá sozinha. Eu preciso te contar que ele não tá igual, eu o mudei. Primeiramente porque ele ainda estava sendo construído quando você escolheu ir. Contudo, hoje ele está um pouquinho&nbsp; mais bonito. Tem mousse de maracujá na geladeira, bolo esfriando fogão, cozinha de madeira e um pôster daquela sequência de filmes do final dos anos 70, que eu sempre cito errado, mas eu sei que você adora.&nbsp; Admito também que o transformei com o&nbsp; objetivo de te apresentar um dia. De marcar um encontro naquele café da Avenida que a gente nunca foi. De dançar sem música, ou simplesmente daquela imitação de sinfonia que você fazia..</p>



<p>Nessa altura, eu nem preciso ser clara ao dizer que nossos planos ainda estão de pé. A nossa aguardada fuga para alguma comunidade do interior, longe de tudo. Onde você voe bem, me queira bem,durma bem,se sinta bem, leve e livre. Longe desse emprego que odeia, mas enfim juntos como voluntários em algum lugar.&nbsp;</p>



<p>Um fato é&nbsp; admitir o quanto eu me sinto presa. Como se eu tivesse uma fita cassete, gravada com algumas músicas. Só uma. E nesse lado B, tem todas aquelas que eu jurei mandar para você tentar enxergar e me entender. Mas&nbsp; provisionalmente na hora que respiro fundo, enchendo meu peito de coragem, me desmonto com o despreparo para as minhas lágrimas que rolam, me recuso, e muito,&nbsp; mas devo admitir que apesar de ter sido lançada há muito tempo, a&nbsp; Marisa Monte cantando &#8220;Não é fácil, Não pensar em você” nunca foi tão eu.</p>



<p>Admito que todo dia eu quero te mandar uma mensagem. Essa semana eu quase te contei que assaltaram meu prédio. Semana passada quando mexi nos meus livros, vi uns contos sobre ficção, quase mandei. Outra vez foi um áudio, uma música que eu gravei com um grupo de amigos. No início do ano ia te zoar lembrando que até hoje você não sabe editar suas fotos. Ou mesmo para te falar que agora eu incremento meu queijo quente com tomate e cebola, e que agora eu descobri que a gente deve colocar&nbsp; o creme de leite quando o brigadeiro está começando a ferver, a palha italiana fica mais cremosa, por isso mudei minha receita. Mas a sua indiferença me questiona, me dói e me corrói, seu silêncio dilacera meu coração, e me agride. Ficando quieta, admito.&nbsp;</p>



<p>Às vezes parece inevitável admitir que nós dois só teve importância para mim. Como se eu tivesse que fechar um pacote por dentro, me incluir na sua estatística, aquele nome riscado da sua lista.</p>



<p>O concreto é admitir que eu não fiz isso para você ler.&nbsp;</p>



<p>Tudo aqui foi montado somente pro meu coração não esmorecer. Não admitir para mim que as vezes eu me odeio por ter sido tão humana, mesmo que não é fácil de não entender. Admitir não é fácil e me fazer perceber que eu ainda não tenho coragem nenhuma para desistir de você.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Aurora Rodrigues</strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é estudante de literatura e anda escolhendo quem quer ser, mas não encontrou saída para a alergia a amendoim, a paixão por jujuba e o ódio por guaraná Antártica. Quanto ao resto, tem usado o próprio nome para tentar refletir o renascer dentro de si.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/aleperga/?hl=pt-br"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d4f98-ale-rick-and-morty.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8705" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/12/nao-e-facil/">Não é fácil</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/04/12/nao-e-facil/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">8709</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Espero você voltar pra Saigon</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/23/espero-voce-voltar-pra-saigon/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/23/espero-voce-voltar-pra-saigon/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 23 Feb 2020 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 033]]></category>
		<category><![CDATA[Aurora Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=7818</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Aurora Rodrigues</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/23/espero-voce-voltar-pra-saigon/">Espero você voltar pra Saigon</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O barulho da vassoura de Berta no corredor, indicava para Elisa que logo seria a hora de sair. Até porque não haveria motivos de Berta começar a gastar seus braços e força de trabalho, se o áureo horário da saída estivesse longe, isso significaria que ela teria que começar a limpar o escritório todo de novo, e se havia algo que Elisa sabia sobre Berta era a sua filosofia de fã do Chaves,especialmente daquele personagem que só queria evitar a fadiga.&nbsp;</p>



<p>Não excepcionalmente hoje, ela já tinha se livrado do sapato que havia machucado seu calcanhar no caminho para o trabalho, precisou chegar e procurar na sua bolsa algum curativo que a possibilitasse caminhar quando necessário. Toda vez que ela recorria a esse método de proteção, soltava um sorriso calado, pois se lembrava de quando Elis Regina cantava<em> “e a ponta de um torturante band-aid, no calcanhar”</em> e sentiu saudade das músicas que escutava naquele cd que ela e seu irmão haviam dado ao seu pai quando ainda eram crianças, por isso, discretamente digitou no YouTube as palavras “Dois pra lá e dois pra cá” , enquanto organizava as suas funções para esse dia de trabalho.</p>



<p>Mais uma vez, se emocionava com a bela música, e até deixava seus pés escondidos pela mesa, arriscarem alguns movimentos como se estivesse apta a dançar um bolero a noite toda .</p>



<p>Ela desejava somente ter um alívio antes de efetivamente começar o trabalho, porém novamente&nbsp; uma coisa aleatória se transformava em uma lembrança, agora musicada, daquela noite fria de maio, que no meio da rua, eles dançaram uma música que não existia,</p>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center"><em>&nbsp;“</em><em>A tua mão no pescoço</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>As tuas costas macias</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Por quanto tempo rondaram</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>As minhas noites vazias”&nbsp;</em></p>
</div></div>



<p>&nbsp;algo que não era, mas parecia tão distante, não seria possível que por mais uma vez ela iria concordar com as músicas do Roupa Nova, ao perceber que <em>“</em><em>De manhã, buscando a minha paz, Meu desejo vai te procurar”</em>, mentalmente&nbsp; pulou da outra canção para essa, e ao repassá-la, silenciou-se na esperança <em>“Amanhã, quem sabe eu possa te achar,tanta coisa eu tenho pra falar” .</em></p>



<p>Precisava escrever, mas não poderia ser mais uma carta de amor, onde ela confessava que a imagem dele era a primeira que vinha quando ela fechava os olhos, e questionava as&nbsp; desrazões daquele sentimento. Dessa vez ela cumpriria a promessa dela para ela mesma, seria dura, relembraria da confiança depositada, das mentiras recebidas.&nbsp; Como ela tinha tanto a dizer, e ele não queria ouvir, sem confiança nenhuma ela não percebeu que cantarolava <em>“quando eu coloquei um caminhão de açúcar no seu mel”</em>,&nbsp; até ser interrompida pelo chefe, perguntado dos orçamentos para alguma coisa que já estava na mesa dele desde ontem.&nbsp;</p>



<p>O dia era isso, assinava documentos,resolvia problemas, se distraia com a palhaçada de alguém, fugia para conversar com as amigas no whatsapp, anotava no papel o que a agenda do celular a lembrava e resolvia tudo&nbsp; na hora do almoço.&nbsp;</p>



<p>Estava decidindo que faltaria a academia hoje, precisava escrever, nada que desse para saber o quanto até hoje ele mexia com ela, lógico que não! Os sorrisos largos das fotos do Instagram não poderiam abrir brecha para outra conclusão. Aqueles olhos tão fixos, aquela voz tão calma, tudo truque, ela sabia que toda a leveza que ele descrevia era fruto de uma vida marcada&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Olha lá! Ele não é feliz</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Sempre diz, que é do tipo cara valente</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Mas veja só:&nbsp; a gente sabe&nbsp;</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>que esse humor é coisa de um rapaz</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Que sem ter proteção</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Foi se esconder atrás</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Da cara de vilão</em><em>&nbsp;</em></p>



<p>A hora do almoço chegou, Elisa viu no papel que havia escrito no início do dia que precisava comprar a passagem para pagar a visita que devia a sua amiga da faculdade, não podia furar mais uma vez com ela, a preguiça era somente dos trâmites da viagem, porque chegando lá seria maravilhoso, sempre era.&nbsp;</p>



<p>Iria agora no shopping procurar por algumas coisas que estavam faltando em casa, chegaria em casa, separaria algumas coisas pra viagem do final de semana, mas tinha outra prioridade, precisava escrever, não sabia como traduzir em palavras o que estava dentro dela,&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Pensei em tudo que é possível falar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Que sirva apenas para nós dois</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Sinais de bem, desejos vitais</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Pequenos fragmentos de luz</em></p>



<p>Já tava na hora, precisava seguir a vida.&nbsp;</p>



<p>Sua teimosia em ver o que nisso daria, não fez bem a ela, aos seus planos e ao seu coração.&nbsp;</p>



<p>Mas primeiro precisava usar dessa mesma teimosia para convencer-se que esqueceu-o. Nada de imaginar que ele procurava saber dela, ou olhava suas redes.&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Teimosia é um defeito, comum ao teu coração e ao meu</em></p>



<p>Ela era uma mulher, esses sentimentos trepidantes e adolescentes não podiam fazer parte da sua vida.&nbsp;</p>



<p>Seus pensamentos ferozes foram interrompidos ao olhar despretensiosamente para o relógio, precisava apressar os passos se não quisesse chegar atrasada.&nbsp;</p>



<p>Agora enfim a hora de ir para casa estava chegando , era o tempo de terminar um relatório, ler e assinar os cinco documentos que faltavam e estaria livre para chegar em casa e fazer o que precisava.&nbsp;</p>



<p>O trânsito estava infernal, essa cidade é muito pequena para essa quantidade de carro. Cada minuto que se passava era uma palavra de desabafo que ela esquecia, não queria terminar a noite abraçada a um travesseiro, chorando e se questionando&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Eu tentei dar um basta e não voltar atrás</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Nunca mais</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Eu jurei que era fácil te deixar em paz</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Quando vai cair a ficha que eu amo você?</em></p>



<p>A próxima esquina era conhecida. Chegara em casa. Deixou tudo em cima da mesa. Deixou o computador ligando enquanto se preparava para tomar banho.&nbsp;</p>



<p>Sentou-se em frente ao computador, colocou seu fone e nem precisou muito para escolher a música, seria mesmo aquela, que aprendera a gostar com seus pais, os acordes iniciais em ré maior, não deixavam dúvidas que era isso mesmo que ela precisava.&nbsp;</p>



<p>Começou a escrever&nbsp;</p>



<p>Suas palavras iniciais eram tão rápidas que quando a voz grave do cantor soou ao seu ouvido, parecia descrever o que ela estava fazendo naquele momento, parecia também&nbsp; que ela já havia descarregado meio mundo&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Tantas palavras, meias palavras</em></p>



<p>Ela se fascinava com a capacidade que existia em pessoas que sabiam dar novos sentidos às palavras usuais.&nbsp;</p>



<p>Aquela música era extremamente linda, mas o que no início ela achava que era uma constelação, era a comparação de um relacionamento com uma cidade no sul do Vietnã, que fora bombardeada na guerra,&nbsp;</p>



<p>Não estava ela vivendo na sua própria Saigon?&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Me disse adeus, no espelho com batom</em></p>



<p>Já esteve destruída, mas capaz de descrever o cenário mais lindo possível, para tornar seus pensamentos possíveis&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Vai minha estrela,iluminando</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Toda esta cidade</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Como um céu ,de luz neon</em></p>



<p>Da mesma forma, ela sabia da frivolidade em que ele vivia.&nbsp;</p>



<p>Ele era denso demais, profundo demais, para estar se colocando de verdade em coisas muito pequenas, iguais a que ele estava se propondo a viver&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Às vezes</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Você anda por aí</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Brinca de se entregar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Sonha pra não dormir</em></p>



<p>Os dedos continuavam ágeis no teclado, mas as coincidências eram incríveis. Os sentimentos eram muito conflitantes, como se realmente estivesse vivendo um romance em meio a guerra</p>



<p class="has-text-align-center"><em>E quase sempre</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Eu penso em te deixar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>E é só você chegar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Pra eu esquecer de mim</em></p>



<p class="has-text-align-center">Era verdade, precisava concordar.&nbsp;</p>



<p>Ela não era exemplo de organização. Sabia resolver qualquer problema que surgisse em sua mesa, mas ao se tratar de coração, sabia somente dar conselhos as suas amigas, e todos baseados na razão. Se alguma delas insistisse ela completaria com um jargão já conhecido de todas as sua personalidades e sentimentos “quando a gente gosta é difícil”&nbsp;</p>



<p>Mas ela sabia que mesmo no escuro de uma mistura de sentimentalidades, a vista de lá era bonita&nbsp;</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Anoiteceu!</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Olho pro céu e vejo como é bom</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Ver as estrelas na escuridão</em></p>



<p>Procurou saber mais sobre a cidade. Ela havia mudado. As duas. Aquilo que foi uma cidade destruída, hoje se chama Ho Chi Minh,&nbsp; a maior <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade">cidade</a> e principal <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Centro_financeiro">centro</a> <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Finan%25C3%25A7as">financeiro</a>, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Corpora%25C3%25A7%25C3%25A3o">corporativo</a> e <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Mercado">mercantil</a> do <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Vietname">Vietn</a>ã,&nbsp; uma cidade histórica e portuária, recebendo a classificação de <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_global">cidade global beta</a>, por parte do Globalization and World Cities Study Group &amp; Network.</p>



<p>Ela também se transformara, num movimento que pelos que ainda acreditam na veracidade do globo terrestre, se rotacionou por ela mesmo,e&nbsp; teve que ficar mais segura, mais adulta.&nbsp;</p>



<p>Só que a história fica, o sentimento também.&nbsp;</p>



<p>Ela não precisava mais escrever, tudo que ela queria já estava ali, naquele último verso.</p>



<p class="has-text-align-center">Espero você voltar pra Saigon</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Aurora Rodrigues</strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é estudante de literatura e anda escolhendo quem quer ser, mas não encontrou saída para a alergia a amendoim, a paixão por jujuba e o ódio por guaraná Antártica. Quanto ao resto, tem usado o próprio nome para tentar refletir o renascer dentro de si.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/23/espero-voce-voltar-pra-saigon/">Espero você voltar pra Saigon</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/23/espero-voce-voltar-pra-saigon/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">7818</post-id>	</item>
		<item>
		<title>É Apenas gente, é apenas mala</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/26/e-apenas-gente-e-apenas-mala/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/26/e-apenas-gente-e-apenas-mala/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 029]]></category>
		<category><![CDATA[Aurora Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=6812</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Aurora Rodrigues</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/26/e-apenas-gente-e-apenas-mala/">É Apenas gente, é apenas mala</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Cheguei num momento da minha vida que do auge dos meus 25 anos, eu não sei se estou velha e supersticiosa ou esperançosa. Digo isso porque, confrontada com um ano atarefado, mas pouco vitorioso, fui motivada a fazer uma lista de aspirações para esse esperado ano de 20.20. Dentre as comuns que é estudar mais, atividades físicas e emagrecer, está também: ler mais. Pois então, imbuída pelas promessas de ano novo, me deparei com a crônica Auto-retrato de Carlos Drummond de Andrade.</p>



<p>Esse texto trata-se de um monólogo do Espelho, ali transcrito pelo autor</p>



<p>O texto começa assim: &#8220;Diz o espelho.&#8221;</p>



<p>Esse espelho é plenamente digno de estar em algum conto de fadas, ou é descendente daquele da Branca de Neve, pois entrega tudo de quem está diante dele.&nbsp;</p>



<p>Ao longo do texto, se encontram, com um sentimento de terno e amargo, procedente da fama do autor,&nbsp; inúmeras características dele. O texto avança, sem que&nbsp; pessoalmente eu encontrasse algum entrave, até quase no final da crônica. Ali Drummond apresenta uma frase digna de estampar qualquer&nbsp; buteco, e que só nos levam à&nbsp; reflexão depois, quando sóbrios, no texto estamos no auge dos causos da vida escolar do autor, e lemos:&nbsp; &#8220;&#8230; E que não é bacharel em direito,nem médico, nem engenheiro; é gente,apenas.&#8221;</p>



<p>Ser gente.</p>



<p>Ser gente é mais difícil do que ser qualquer outra coisa, porque a gente aprendeu e consegue ser tudo, menos gente.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-full is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7c9a9-image.png?resize=275%2C184&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6813" width="275" height="184" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Disponível em: <a href="https://franzidraws.com/">https://franzidraws.com/</a>&nbsp;</figcaption></figure></div>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A gente sabe ser aluno, professor, escritor, leitor, paciente, médico, pai, mãe, filho, irmão. Mas quando a gente não precisa ser nada disso? A gente se vira por ser gente?</p>



<p>Ser gente é algo tão difícil que me faltam palavras originais para descrever tal fenômeno, tanto que nesse momento eu recorro a uma metáfora, talvez igualmente de buteco, já que é o nosso ambiente familiar deste texto.</p>



<p>Eu tenho impressão de que a gente parte para a vida com uma mala.</p>



<p>E me parece que a primeira vista, que nada tem a ver com a música cantada pela Daniela Mercury, lutamos&nbsp; para enchê-la, a cabeça não se incomoda com a pressão de onde mergulha, os braços não doem, a perna tá boa e a coluna 10\10.</p>



<p>O tempo passa. Muitas vezes a gente nem vê. Outras vezes é tão desesperador quanto assistir o Coelho Branco que passa reclamando do atraso e assim como a Alice, a gente insiste em segui-lo, e iniciamos uma sequência de eventos maluca. E com o tempo, os passos já não são mais tão confiantes, a&nbsp; postura fica incorreta, cansaço e excesso de peso carregado são alguns fatores que podem provocar dores nas costas, e começamos a querer deixar partes das coisas pra aliviar a dor, nesse momento me lembro muito de uma passagem do livro “Se um viajante numa noite de inverno” de Ítalo Calvino, que diz:</p>



<p><em>&#8220;Desfazer-se da mala devia ser o primeiro requisito para que se</em></p>



<p><em>restabelecesse a situação anterior — anterior a tudo aquilo que ocorreu em</em></p>



<p><em>seguida. É nisto que penso quando digo que gostaria de recuperar o curso do</em></p>



<p><em>tempo: gostaria de anular as conseqüências de certos acontecimentos e restaurar</em></p>



<p><em>uma condição inicial. Mas todo momento de minha vida traz consigo um</em></p>



<p><em>acúmulo de fatos novos, e estes, por sua vez, acarretam conseqüências, e assim,</em></p>



<p><em>quanto mais busco retornar ao ponto zero do qual parti, mais me distancio dele;</em></p>



<p><em>embora todos os meus atos tendam a anular as conseqüências de atos anteriores,</em></p>



<p><em>e conquanto eu tenha obtido resultados apreciáveis nessa tarefa, a ponto de</em></p>



<p><em>animar-me com a esperança de um alívio próximo, devo considerar que cada</em></p>



<p><em>uma dessas tentativas provoca uma chuva de novos acontecimentos que</em></p>



<p><em>complicam ainda mais a situação original e que, posteriormente, terei de fazer</em></p>



<p><em>desaparecer. Por fim, preciso calcular muito bem todo movimento para apagar o</em></p>



<p><em>máximo com o mínimo de novas complicações.”</em></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/085bc-image-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6814" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Imagem: Travel Jeong Seelgi &#8211; walliapp&nbsp;</figcaption></figure>



<p>Se desfazer a mala não é tomar um paracetamol para melhorar o dor no corpo. É lutar para enchê-la mais, é querendo escolher apagar o ruim, mas pagando uma renúncia&nbsp; pelo bom.&nbsp;</p>



<p>Em 1988, Marcos Valle e Carlos Colla, escreveram e Sandra de Sá registrou no inconsciente mais profundo do brasileiro, tão profundo que até esquecemos, uma música que fala que ninguém sabe a receita de viver feliz. Se partimos de um ponto com mala, é pelo motivo de que tem viagem, caso contrário,&nbsp; seríamos tartarugas, e não gente,apenas.&nbsp;</p>



<p>Existem muitas coisas que pastores, escritores, doutores, vendedores, leitores e espectadores não fazem, mas gente faz. Mala grande é sinônimo de viagem boa, cabe tapete para os pés, cabe caixa de remédios, roupa de frio, travesseiro fofinho, metade espuma e metade sonhos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Aurora Rodrigues</strong> é estudante de literatura e anda escolhendo quem quer ser, mas não encontrou saída para a alergia a amendoim, a paixão por jujuba e o ódio por guaraná Antártica. Quanto ao resto, tem usado o próprio nome para tentar refletir o renascer dentro de si</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/26/e-apenas-gente-e-apenas-mala/">É Apenas gente, é apenas mala</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/26/e-apenas-gente-e-apenas-mala/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">6812</post-id>	</item>
		<item>
		<title>Das Crueldades e dos Chocolates</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/18/das-crueldades-e-dos-chocolates/</link>
					<comments>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/18/das-crueldades-e-dos-chocolates/#respond</comments>
		
		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 18 Dec 2019 18:52:02 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Drops]]></category>
		<category><![CDATA[Aurora Rodrigues]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[sensibilidade]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=6020</guid>

					<description><![CDATA[<p>por: Aurora Rodrigues</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/18/das-crueldades-e-dos-chocolates/">Das Crueldades e dos Chocolates</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Ninguém tem coragem de falar, mas eu falo. Se você vive amplamente imerso no contexto digital, já leu a nossa frase de início, no geral ela vem acompanhada de uma opinião muito pessoal, impopular ou não, dependendo do que se fala. Eu não vou te abrir um guarda chuvas quanto às minhas opiniões , mas juro que, como sociedade, <strong>deveríamos abrir o inconsciente coletivo e abranger o espaço de discussão sobre aparência</strong>, a sensação de coisa velha e ainda a importância das uvas passas , a capacidade gigante que o halls preto tem de formar novos viciados e o quanto açaí é ruim. Coisas que ninguém tem coragem de falar, mas eu falo.</p>



<p>Outro fato que ninguém tem a coragem de falar, se refere a um dos quadros mais cruéis da vida, <strong>o banho de chocolate.</strong><br>Não. Eu não tô falando de um novo tratamento estético que tem ganhado os salões mais requintados e &#8220;in&#8221; do Brasil. Tô falando do banho de chocolate. Aquele, que faz os bombons, pães de mel. Melhor, tô problematizando o banho de chocolate.</p>



<p><br>Porque? Pra mim, <strong>o banho de chocolate é o típico retrato da falta de responsabilidade humana.</strong> Você tira uma coisa de um estado que aparentemente ela estava bem, a não ser que você tenha a ouvido reclamar, é desavisadamente, da forma mais inesperada possível, você afoga ela num mar de chocolate. Você se torna de um momento pro outro, friamente, um fazedor de tsunami de chocolate. Para o seu próprio deleite.<br>Isso me lembra todo o filme &#8220;A fantástica fábrica de chocolate&#8221;, quando Willy Wonka é chamado pelo Príncipe Pondicherry para construir um palácio de chocolate. E o castelo, Querido Leitor, não era mero delírio fetichista, igual a Anne Hathaway de mulher gato no filme do Batman, era um castelo de cem aposentos, todo construído de chocolate. Também não era o capricho de um chocólatra, o Príncipe planejava morar no castelo. No meio da Índia. É essa cena que eu quero que você imagine, pois é isso que estou problematizando. Você, naquele palácio que derreteu, é o doce no meio do banho de chocolate.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Eu não tô tentando fazer ninguém ficar com nojo de chocolate, pois nesse momento estou escrevendo acompanhada de um, mas se imagine, no meio daquela água densa, o cheiro do chocolate, aquela açúcar toda grudando no seu corpo. E quando começar a endurecer? É uma experiência perturbadora, tanto pro doce quanto para quem estiver de baixo do Castelo.</p>



<p>Pareço exagerada? Ou você que nunca havia pensado em quão cruel tudo isso pode ser?</p>



<p>E se a gente transportar as situações? Assim como um músico transpõe a partitura pra todos os instrumentos de uma orquestra. Eu quero chegar em algum lugar.</p>



<p>Muitas vezes somos ingredientes separados, bons separados ou um bom e outro não tão bom (para todas aquelas formas de usar bom pra não falar ruim.) As vezes somos um ingrediente e um leite condensado, (menos damasco, damasco fica ruim com leite condensado), que separados são bons, mas juntos, resultam nessas infinidades de brigadeiros surgidos no final dessa década, dados pela geração gourmet. As vezes é só o banho de chocolate.</p>



<p><strong>E se agora você entendeu que por banho de chocolate eu tô falando sentimento, parabéns.</strong> O banho de chocolate real não tem como ser de uma forma diferente. É mergulhar e pronto, esperar que o trabalho esteja feito, <strong>mas pra sentimento a gente precisa de responsabilidade.</strong> Quando envolve outra pessoa, é injusto joga-la numa panela de sentimento líquidos e misturados, que passaram pelo processo de corte e de fogo, que saíram da ebulição e quando você achar que tá bom, tira.</p>



<p>Fazer uma festa no seu palácio de chocolate no meio da Índia, é crueldade quando você sabe que tá calor. Ninguém sai de casa com uma boia ou uma máscara de mergulho</p>



<p>O doce que sai do banho de chocolate, precisa secar, separado e distante. Sofrer a ação do vento, do tempo. Só que o doce que sai do banho de chocolate, não sai mais forte. As vezes, nem do banho de chocolate ele sai direito. Tem doce que desmancha dentro do banho, tem doce que quebra na hora de secar, tem doce forma bolha de ar, tem doce que no primeiro toque, quebra, tem doce que pega chocolate demais e fica impossível de morder.<br>Tudo isso é sair de uma enchente. De chocolate.</p>



<p>É estar perdido, sem entender nada, sem saber como respirar. Sofrer a ação do tempo e endurecer. É quebrar no primeiro toque, desmanchar no meio da vida.</p>



<p>O doce foi feito pra isso.</p>



<p>A gente não.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Aurora Rodrigues</strong> é estudante de literatura e anda escolhendo quem quer ser, mas não encontrou saída para a alergia a amendoim, a paixão por jujuba e o ódio por guaraná Antártica. Quanto ao resto, tem usado o próprio nome para tentar refletir o renascer dentro de si</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/12/PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA.png?fit=970%2C422&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-5651" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/18/das-crueldades-e-dos-chocolates/">Das Crueldades e dos Chocolates</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
					<wfw:commentRss>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/12/18/das-crueldades-e-dos-chocolates/feed/</wfw:commentRss>
			<slash:comments>0</slash:comments>
		
		
		<post-id xmlns="com-wordpress:feed-additions:1">6020</post-id>	</item>
	</channel>
</rss>
