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	<title>Arquivos Casa DItalia - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>CASA D&#8217;ITALIA: A MEMÓRIA E A CULTURA ITALIANA EM JUIZ DE FORA E REGIÃO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Oct 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 067]]></category>
		<category><![CDATA[Casa DItalia]]></category>
		<category><![CDATA[Herança Ítalo-Brasileira]]></category>
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		<category><![CDATA[Patrimônio Cultural]]></category>
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		<category><![CDATA[Rafael Bertante]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Rafael Bertante</p>
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<p class="has-text-align-center"><em>Frente aos acontecimentos recentes em torno da decisão por leiloar a Casa D&#8217;Itália de Juiz de Fora, membros da instituição e da sociedade civil se mobilizaram em prol da preservação do símbolo cultural, localizado no coração da cidade </em></p>



<p>Há oitenta anos, a cidade de Juiz de Fora acolhe um importante centro de preservação e difusão da cultura italiana no país, a Casa d’Italia de Juiz de Fora.&nbsp; Criada sob um contexto fascista, o local tinha por intuito, reunir os italianos que viviam fora de seu país de origem, para que pudessem manter seus costumes e apoiar o regime instaurado na Itália. Com o passar dos anos, algumas características da Casa foram se transformando, exceto seu empenho em conservar e promover a cultura italiana.</p>



<p><strong>A Origem e a História da Casa D&#8217;Italia</strong></p>



<p>A presença de imigrantes italianos em Juiz de Fora se tornou significativa a partir das últimas décadas do século XIX, quando muitos chegaram para trabalhar nas lavouras de café da região e outros, atraídos pelo desenvolvimento urbano, desempenharam inúmeras funções no comércio e indústria local. Como herança da atuação dessas pessoas pelo município, vemos ainda hoje seus traços na arquitetura, arte, culinária, costumes, festas, danças e músicas.</p>



<p>Nos anos de 1930, com a finalidade de aproximar os italianos que viviam fora da Itália, o Governo Fascista de Mussolini, incentivou a construção das “Casas da Itália”. Entre os principais objetivos desse projeto estavam à ampliação do controle sobre as associações das colônias e criação um espaço em que se pudessem celebrar as datas do regime.</p>



<p>Deste modo, vários imigrantes e associações italianas se mobilizaram pela causa e investiram na construção da Casa d’Itália de Juiz de Fora. Assim, em 1933, foi adquirido o terreno e logo deram início à obra. Sob a responsabilidade da Companhia Industrial e Construtora Pantaleone Arcuri, a construção foi erguida em 1936, com um projeto em estilo <em>Art Déco</em>, realizado pelo arquiteto Raphael Arcuri. Para colaborar com a iniciativa, o Governo italiano enviou 50 contos de reis e os letreiros, que se encontram na fachada do prédio.</p>



<p>A inauguração da Casa d’Italia de Juiz de Fora ocorreu em 1939, trazendo como os principais objetivos, auxiliar e unir a colônia italiana da cidade. Naquela época, as suas funções eram a instrução, escola, biblioteca, hospital, beneficência, lazer e esporte. Para abrigar todas essas atividades, o prédio contava com dois andares e um subsolo. Além disso, a Casa também possibilitou a interação entre os imigrantes e a população local.</p>



<p>Durante a II Guerra Mundial, o espaço foi tomado pelo Governo brasileiro, passando a servir como Circulo Militar. Ao final do conflito, a Casa pode retornar as suas funções. Manteve-se auxiliando as famílias dos imigrantes e propagando a cultura italiana através de aulas do idioma italiano, danças, músicas e pesquisas. Contudo, o que outrora a ligava governo fascista, passou, a partir de então, a compor um centro de convivência e de aprendizado democrático e sem fronteiras.</p>



<p>Em 1985, através do decreto 3.359, o imóvel foi tombado como patrimônio da cidade de Juiz de Fora, com a justificativa de ser um “marco da presença e da relevante contribuição da colônia italiana para o desenvolvimento do Município e o valor artístico”. Portanto, fica claro que a Casa d’Italia proporcionou a criação de vínculos afetivos através da cultura italiana, se materializado em uma arquitetura excepcional, que documenta um período histórico.</p>



<p><strong>A Casa D&#8217;Italia Hoje</strong></p>



<p>Atualmente, a Associação Ítalo-Brasileira San Francesco di Paola é a mantenedora do espaço que abriga o Departamento de Cultura, biblioteca, a capela de San Francesco di Paola, a agência consular – vinculada ao Consulado da Itália de Belo Horizonte – o curso de língua italiana &#8220;Cultura Italiana&#8221;, o grupo de dança folclórica italiana Tarantolato, o Coral Itália Tra Noi, o grupo de bordadeiras, o time de bocha &#8220;Casa D&#8217;Italia JF&#8221;, uma escola de pizzaiolo e um atelier de artes. Além destas atividades, a Casa também promove uma série de eventos típicos, palestras e festas que promovem a cultura italiana.</p>



<p>A partir deste breve histórico, torna-se necessário contestar a recente decisão do Consulado de Belo Horizonte, em colocar em leilão a Casa D’Italia de Juiz de Fora que foi doada simbolicamente, no passado, para o governo Italiano para fins de preservação. A sua importância envolvem aspectos patrimoniais e afetivos que englobam a cidade, os descendentes da coletividade italiana e as famílias que se uniram para construir esse espaço de cultura. Em 81 anos, a Casa D’Italia de Juiz de Fora viu as diversas transformações da história e hoje é um símbolo da resistência, da luta pela preservação da memória dos imigrantes italianos da cidade e região.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Referências</strong></p>



<p>BERTANTE, Rafael de Souza. <strong>Um olhar sobre a sociabilidade italiana em Juiz de Fora:</strong> italianos maçons e a “Unione Italiana Benso di Cavour”. Dissertação (Mestrado em História). UFJF, Juiz de Fora, 2017.</p>



<p><strong>CASA D’ITÁLIA. </strong>Disponível em:&lt;https://casaditaliajf.wordpress.com/Sobre&gt;</p>



<p>OLIVEIRA, Roberta<strong>. Juiz de Fora 169 anos: parte da história da cidade se passa pela Casa d&#8217;Itália. </strong>Disponível em: &lt;https://g1.globo.com/mg/zona-da-mata/noticia/2019/05/31/juiz-de-fora-169-anos-a-busca-e-possibilidades-de-novas-historias-na-casa-ditalia.ghtml&gt;.</p>



<p><strong>PATRIMÔNIO CULTURAL. CASA D&#8217;ITÁLIA &#8211; DOMUS ITÁLIA. Disponível em: &lt;</strong><a href="https://pjf.mg.gov.br/administracao_indireta/funalfa/patrimonio/bens_tombados/casa_italia.php">https://pjf.mg.gov.br/administracao_indireta/funalfa/patrimonio/bens_tombados/casa_italia.php</a><strong>&gt;</strong></p>



<p>FERENZINI, Valéria Leão. Os italianos e a Casa d’Italia de Juiz de Fora. In: <strong>LOCUS:</strong></p>



<p><strong>revista de história</strong>. Juiz de Fora, v. 14, n. 2p. 149-159, 2008.</p>



<p>OLENDER, Marcos. “Pedra miliar da nossa arte e da nossa estirpe”: A Casa d&#8217;Itália de Juiz de Fora. In: <strong>LOCUS:</strong> <strong>revista de história</strong>. Juiz de Fora, v. 14, n. 2 p. 161-185, 2008.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Rafael Bertante</strong>&nbsp;</strong>é Mestre, Licenciado e Bacharel em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora. Cursa, atualmente, Doutorado em Ciência da Religião pela mesma instituição, e integra o Departamento de Cultura da Casa D’Itália de Juiz de Fora.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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