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	<title>Arquivos Chama.Amanda - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Pintar na Rua: Nome que nos dão e o nome que nós, Damas</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Jun 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 048]]></category>
		<category><![CDATA[Chama.Amanda]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Chama.Amanda</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="wp-block-group is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow"><div class="wp-block-group__inner-container"></div></div>



<p class="has-text-align-center"><em><strong>Hoje, vamos jogar damas. </strong></em> </p>



<p class="has-drop-cap">O primeiro passo é descobrir que tudo o que você ouviu até aqui é sim porque você nasceu com &#8220;isso daí&#8221; no meio das suas pernas. As diferenças que você não conseguia explicar; os sentimentos que você não conseguia entender. As roupas que você queria usar e não podia; a pessoa que você admirava mas não podia. Os olhares que você queria mas não recebia; os jogos que você queria jogar e não eram para você. A desconfiança no olhar. As vezes que te questionaram sobre a autoria daquele trabalho, daquele desenho ou daquela maquiagem. O &#8220;não quero ouvir&#8221;, &#8220;é agora que tem que ser&#8221;, &#8220;você acha que você se manda?&#8221;, &#8220;você não pode usar isso&#8221;, &#8220;seu cabelo precisa estar do jeito tal&#8221;, &#8220;e essas unhas, não vai fazer?&#8221;. Quem já viveu, sabe.</p>



<p>As horas que você perdia esticando o cabelo e tendo os bifes arrancados dos dedos. Sua pele era fininha&#8230;muito sensível. Já doía; e ainda dói. Os sentimentos que você não conseguia saber de onde vinham. Lembra? Eles vieram dos canais por onde passaram todas as pessoas que chegaram a este mundo. Isso mesmo, por onde passaram todas as pessoas que chegaram a este mundo.</p>



<p>Já parou pra pensar no esforço que você faz pra caber em um molde que não foi feito pra você? Da mesma maneira, descobrir quem é você não é o mesmo que modelar a outra, mas entender o que cabe ou não em si; e que cada &#8220;si&#8221; vai ter seu próprio jeito. O senhor sociedade tem muitos padrões, sabemos. Muitos jeitos de dizer o que você deve ou não fazer. Muitos patrões. Muitas propriedades e aprovações.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/a2320-foto-1-ione-reis-chama.amada-e-camz.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10090" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Artes de Ione Reis, Chama.Amanda e Camz</figcaption></figure>



<p>Mas, por hoje, vamos jogar damas.&nbsp;</p>



<p>Seja você, a sua prioridade e propriedade.<br>Fomos formadas naturalmente para dar a luz.<br>Nossas mãos facilitam nascimentos, há gerações e naturalmente.<br>A massa, a planta, a voz, a casa, a roupa, a carne, as crianças.<br>Mas, em algum momento, fomos colocadas em tabuleiros, como peças.</p>



<p>Eu resisto e escrevo para que nossas mãos continuem sendo ferramentas de trazer presentes, partes de nossos corpos em luta pela nossa libertação. E quando eu escrevo, <strong>libertação é sobre conhecimento. Sobre acesso. Sobre democracia. Sobre poder ser, existir e viver</strong>.</p>



<p>Podemos ser nós, fora deste texto? O que nos é permitido carregar como ferramenta e quais nos foram retiradas socialmente para manter o padrão desejado pela natural-ordem e progresso? A arte, para mim, se configura como um lugar de existência e voz &#8211; ao lado, junta e misturada com muitas outras vozes. Diversidades.</p>



<p>Na sua casa, você pode mesmo ser quem você é?</p>



<p>Quando você está na rua, você sente mesmo que pode ser quem você é?</p>



<p>Você sente que pode usar a roupa que quiser, desenhar o que quiser, e estar lá a hora que você quiser? Você se sente segura estando sozinha ou em um grupo de apenas mulheres?</p>



<p>Do que você tem medo?</p>



<p>O corpo da mulher é visto culturalmente como algo público &#8211; que pode receber toques e palavras de qualquer ordem, tentando direcionar o que é melhor para nós fazermos ou sermos. Nós, da pintura feita na rua, não falamos de um outdoor, de uma empena. <strong>Nós falamos durante a pintura, em pintura, na escrita e no desenho. Em corpo presente &#8211;&nbsp; atente-se. </strong>Desde muito cedo, eu fui orientada sobre tomar cuidado com o que poderia acontecer comigo na rua se eu andasse sozinha; e o que significa ser uma criança e caminhar sozinha sendo uma criança-menina? Eu não entendia direito, mas era pra ficar subentendido. Será que os homens recebem orientações para não violentar na mesma intensidade que nós, mulheres, recebemos orientações para estarmos atentas e não sermos violentadas? Hoje, ocupar esse mesmo espaço, com outra consciência, ainda me faz voltar ao que eu vi, ouvi, vivi, vivo e continuo a alertar.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/1f07f-foto-2-kika-carvalho-chama.amanda-pcga-nana.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10091" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Artes de Kika Carvalho, Chama.Amanda, PCGA e Nana</figcaption></figure></div>



<p>Mas, por hoje, vamos jogar damas.</p>



<p>O que é ser uma mulher pintando na rua?</p>



<p><strong>Ser mulher pintando na rua é ter a oportunidade de dizer como &#8220;qualquer outra pessoa&#8221; o que ela tem a dizer</strong>. Não somos apenas &#8220;um brilho&#8221;, &#8220;um charme&#8221; nas apresentações artísticas, como já ouvi da boca dos amigos produtores &#8211; esse discurso invisibiliza o que temos a dizer e foca em nosso corpo, mais um vez. O que as mulheres estão dizendo em suas pinturas? Quais são os temas de seus trabalhos?</p>



<p>A arte que aprendemos na escola é uma arte intocável, inquestionável, bela e feita para ser admirada. Por quem era feita, onde estava alocada? Qual a relação que isso tem com sua inquestionabilidade? Bom, hoje, o ser que teve um diagnóstico social de inferioridade por meio do que trazia entre as pernas está fortalecida mentalmente e conseguiu escrever e dizer que não é tão simples assim. Que não é só pegar uma lata, ir pra rua e magicamente será abraçada. Não é tão romântico assim. Vale experimentar e ouvir por si mesma. A arte pode ser também uma experiência que expõe seus riscos. Para nós, mulheres, a arte expõe seus riscos. Então, mulher, exponha os seus riscos. Ocupar qualquer espaço de fala, para nós, sempre trará um questionamento em si &#8211; fomos criadas para ouvir e obedecer, de olhos e cabeça baixa. Então, firme-se ao ocupar um espaço de pensamento, de articulação, de poder, que foi pensado ocidental e culturalmente por e para homens colonizadores e progressistas. Firme-se ao ocupar a rua como você decidiu ocupar. Lembre-se de quem é e de todas as orientações que ouviu antes de chegar na rua.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/36307-foto-3-fenix-shiki-chama.amanda.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10092" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Artes de Fenix, Shiki e Chama.Amanda</figcaption></figure></div>



<p>Eu queria muito pintar as minhas unhas hoje com as mulheres que eu gosto ao meu lado. Mas, por hoje, vamos apenas jogar, damas.</p>



<p>Se faz ainda necessário dizer: leia o trabalho &#8220;das minina&#8221;. Estamos escrevendo há um tempo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/29214-foto-4-chama.amanda-e-thais-apolinario.jpg?w=950" alt="" class="wp-image-10093" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Artes de Chama.Amanda e Thais Apolinário</figcaption></figure></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Chama.Amanda (Amanda Brommonschenkel)</strong> é artista, comunicadora e educadora social. Trabalha com pintura, desenho, tatuagem, escrita e intervenções urbanas por necessidade de existir e lutar pelo que é e acredita. Estuda artes, culturas, territorialidades, diversidade, políticas públicas e direitos humanos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background has-large-font-size" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/naia_nastasia/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/1ca10-naia2.png?w=950" alt="" class="wp-image-10128" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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