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	<title>Arquivos Costume - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A gente se acostuma (mas não devia)</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Costume]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Colasanti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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<p>Nos últimos dias, o texto “Eu sei, mas não devia”, da Marina Colasanti, não me sai da cabeça. A primeira vez que o li, em 2007, estava na faculdade de Jornalismo e, desde então, sempre o tenho na cabeça, tamanha a veracidade de suas palavras. A Marina conseguiu descrever a vida de todos nós em tão poucas palavras, de uma forma chocante e lamentável.</p>



<p>Após relatar várias e várias coisas que poderiam ser terríveis, mas com as quais terminamos por nos acostumar, o texto finaliza da seguinte forma:</p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>“A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.</em></p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.”</em></p>



<p>De tanto nos acostumarmos com as coisas, acabamos por nos perder de nós mesmos,&nbsp; esquecendo de quem somos, do que gostamos e do que queremos. Mudamos nossa personalidade para nos adaptar ao &#8220;costume&#8221;. Transformamo-nos em pequenos seres moldados por uma sociedade igual, e acabamos por abandonar nossa essência, aquela que nos tornava únicos.</p>



<p>Ao nos acostumarmos em certos ambientes de trabalho, esquecemos os verdadeiros profissionais que somos, ou que tanto almejamos ser, simplesmente porque nos acostumamos a não ter o nosso trabalho reconhecido e a não sermos valorizados como os verdadeiros profissionais que somos. Nos acostumamos a não fazer sempre o nosso melhor, porque os outros se satisfazem com o &#8220;mais ou menos&#8221; e, assim, nos esquecemos de quem realmente podemos ser.</p>



<p>Ao nos acostumarmos com relacionamentos medíocres, achamos que não precisamos de nada mais do que aquilo. Um beijo de &#8220;até mais tarde&#8221; torna-se o suficiente para levarmos uma relação por longos anos. Esquecemos que é necessário renovar também no amor, seja com palavras, com atitudes, com olhares… O que não dá é se acostumar!</p>



<p>Se a vida não está boa, satisfatória ou está frustrante, devemos levantar e mudar, não importa o quanto doa, ou quanto tempo a mudança irá demorar. O que não dá é para se acostumar e ficar sentado enquanto esperamos o fim chegar. Porque, enquanto nos acostumamos e esperamos, a vida continua a passar e o tempo tem a implicância de nunca parar, já dizia Lenine na canção Paciência, &#8220;a vida não para&#8221;.</p>



<p>Até com nós mesmos! Não podemos nos acostumar a falta de cuidado, seja com a vida, a saúde, o amor… Se nos acostumamos a falta de zelo, terminamos por envelhecer mais cedo, adoecer mais vezes e, por vezes, morrer mais rápido.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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