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	<title>Arquivos Cristofascismo Brasileiro - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>DESTINO MANIFESTO, CRUZADAS E A ASCENÇÃO DO CRISTOFASCISMO BRASILEIRO &#8211; PARTE II</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/04/04/destino-manifesto-cruzadas-e-a-ascencao-do-cristofascismo-brasileiro-parte-ii/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Apr 2021 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 085]]></category>
		<category><![CDATA[Cristofascismo Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Destino Manifesto]]></category>
		<category><![CDATA[Evangelismo]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-right"><em>Leia a <a href="https://bodoqueonline.art.blog/2021/03/21/destino-manifesto-cruzadas-e-a-ascencao-do-cristofascismo-brasileiro-parte-i/">Parte I</a></em></p>



<p>O curral eleitoral de Bolsonaro dentro das igrejas evangélicas faz parte de um movimento muito peculiar: o de alinhamento entre calvinistas, pentecostais e neopentecostais em prol de um mesmo candidato (mesmo que estes três segmentos tenham, consistentemente, depreciado uns aos outros ao longo dos anos). Uma unificação jamais pensada &#8211; ou talvez pensada apenas em contextos escatológicos, como o fim dos tempos no último livro da bíblia, o Apocalipse.</p>



<p>Parece até ironia que um &#8220;messias&#8221; tenha unificado alas tão divergentes dentro de um mesmo segmento religioso; mas antes que você me diga mentalmente que o Lula também unificou uma parcela de evangélicos, quero dar nome aos bois: na campanha de Lula em 2002, houve um combate sistêmico dentro das principais igrejas históricas no protestantismo brasileiro. Como a internet, à epoca, era ainda algo bem restrito, as igrejas e denominações compartilhavam em suas revistas institucionais as discussões sobre economia, fé, prosperidade e sobre como as igrejas sofriam perseguições nos países comunistas. Parece brincadeira, mas realmente acreditavam que havia um fantasma do comunismo rondando as igrejas assim como na década de 60.</p>



<p>Como a internet estava dando seus primeiros passos na popularização do uso, as principais notícias nos portais evangélicos eram sobre nações onde as igrejas eram perseguidas e seus integrantes, presos e torturados. Ora, este temor era o mesmo na época da guerra fria, quando os militares aplicaram um golpe antidemocrático e com apoio de grupos religiosos e claro, do &#8220;<em>tio Sam&#8221;</em>.</p>



<p>As informações na década de 60 eram as mesmas de 2002, e as mesmas que ainda circulam hoje: comunistas odeiam cristãos, seremos perseguidos no nosso país, vamos revidar! Afinal, o jesus deles dizia na bíblia &#8220;olho por olho e dente por dente…&#8221;</p>



<p>E assim, pastores e líderes entregaram seus irmãos de fé, de jornada, seus desafetos, aos militares para que fossem &#8220;tratados&#8221;.</p>



<p>Todos sabiam das torturas. Afinal, se a truculência era o bom dia nas ruas contra a população, o que se esperar de militares de tocaia? Uma conversa com café e torradas?!</p>



<p>A consolidação e o privilégio que as igrejas conquistaram ao apoiar o golpe proporcionou a elas riqueza e prosperidade, uma vez que o boicote e a perda da concorrência (através de prisões e assassinatos) faria com que aqueles &#8220;cidadãos de bem&#8221; tivessem acesso a empregos e a contratos com governos. Os militares povoavam congregações contribuindo com seus dízimos como uma barganha, para&nbsp;buscar e apreender rebeldes comunistas nas igrejas.</p>



<p>O tempo passou, e a pressão popular fez com que parte das igrejas pró ditadura mudassem de lado &#8211; graças, também, aos pensadores da teologia da libertação, que estava ganhando força e voz diante das desigualdades e atrocidades que rondavam toda a América Latina nas décadas mais obscuras do nosso continente. O tempo passou, e um novo conceito surge. Uma experiência de prosperidade, sem compromissos sociais desgastantes e te permitindo desfrutar da vida; surge, assim, o neopentecostalismo, que começa a &#8220;fisgar&#8221; fiéis em outros aquários e a ocupar espaços antes acessíveis apenas aos cultos, austeros e presunçosos herdeiros da reforma protestante. A vaidade e soberba dos cristãos históricos (não todos, mas uma parcela considerável) os cegou para as necessidades da sociedade, em reconstrução econômica e democrática.</p>



<p>Com a consolidação deste movimento nas mídias televisivas (em contrapartida ao espaço em rádio dos históricos e pentecostais), a força política permanecia nos evangélicos brasileiros, mas havia, agora, novos coronéis; estes apoiariam quem quer que fosse, apenas para se mostrarem detentores de uma promessa de poder e influência &#8211; afinal, eu, um pastor, que comecei em uma porta de garagem e hoje tomo café com o presidente, sou fruto da prosperidade que tanto falo.</p>



<p>Nesse contexto, surge o apoio a Lula na corrida presidencial de 2002. Os pentecostal e neopentecostais assumem o apoio e, nesse momento, os cristãos históricos tem uma cisma da relação já não tão estável &#8211; daí, o apoio na ideia do ecumenismo e na cumplicidade em apoiar a campanha da fraternidade promovida pelo CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs).</p>



<p>A ascensão do proletariado junto às faculdades, aos novos modelos de financiamento, aos programas sociais, e todo o desenvolvimento econômico que experimentamos na época trazem força a essa ala evangélica que apoiou o governo Lula. Suas ONGs, casas de recuperação, barcos hospitais no norte do país trabalharam, todos, para ampliar o braço do estado; claro, com o ônus de uma propagação de seus ideais religiosos.</p>



<p>Pois bem, as igrejas neopentecostais, que apoiaram a candidatura de Lula, não foram as únicas a serem beneficiadas; mesmo as igrejas históricas que não apoiaram o governo do PT usufruíram do desenvolvimento econômico, gerando uma consequência direta: a expansão do mercado Gospel.</p>



<p>Artistas evangélicos passam a ganhar palcos maiores; gravadoras vendem mais e mais discos e batem recordes; as campanhas nacionais de evangelização ganham proporções nunca antes vistas; as Marchas para Jesus se popularizam; a internet se torna mais acessível e o jogo muda: a influência do evangelicalismo norte-americano chega através das músicas e peças teatrais mostrando padrões, carros, estilos de roupa, novos (velhos) pensamentos teológicos e moralistas. Surge, daí, a base para o que temos hoje: <strong>uma muralha fundamentalista travestida de casa de eventos</strong>. A massificação cultural através das megaigrejas estadunidenses e australianas, com templos chegando a ocupações na casa das dezenas de milhares.</p>



<p>Nesse cenário, pessoas tornam-se números. Números são, então, manipulados por métodos de crescimento de igrejas importados sem nenhuma crítica quanto à nossa brasilidade e que, assim, mutilam a frágil identidade Cristã brasileira e a enxergam em um modelo americanizado, empresarial. <strong>Formatando pessoas, separando famílias e doutrinando o mundo a um olhar maniqueísta</strong>. Os métodos para tal, registrados em livros recheados de coaching e esquemas de pirâmides, usam a vida humana como moeda, tornando seus pastores os novos empreendedores da moda.</p>



<p>É claro, não podemos generalizar: as estruturas cristãs estão aí, algumas abrindo seus espaços, suas cozinhas e acolhendo a todes; outros, porém, seguem mantendo seus espaços sagrados a custo do sacrifício do indivíduo e da diversidade.</p>



<p>Um simples olhar e vemos, entre os 12 apóstolos de Jesus, as mais diversas identidades &#8211; jovens, funcionários públicos, rebeldes, assassinos, médicos letrados, pescadores. Enquanto isso, entre os escolhidos destes líderes religiosos, vemos um mesmo tipo de pessoa: os empreendedores, os donos de comércios (ou de vidas). É nítida a diferença entre os grupos, e é essa a base que sustenta, ainda hoje, uma campanha maciça em prol da reeleição de Bolsonaro em 2022.</p>



<p>Se você entrar nas mais badaladas igrejas nas mídias sociais hoje, você fará um passeio para os Estados Unidos sem precisar de passaporte: a estrutura, a estética do prédio, as luzes de shows, as roupas das pessoas, o linguajar, as músicas traduzidas com métricas que assassinam nossa língua e o tipo de mensagem sempre enfatizando na aparência, no ter, empreender. Se houve, uma vez, o funk ostentação, eu digo que hoje o evangelicalismo brasileiro que sustenta Bolsonaro é este: <strong>o gospel ostentação</strong>.</p>



<p>Ostentam luzes, fumaças, números e likes, cursos de sucesso, de relacionamentos, de empreendedorismo &#8211;  que mais floreiam o imaginário e afastam os fieis da realidade que vivemos hoje. Líderes do povo se venderam a um dito &#8220;deus&#8221; &#8211; Messias &#8211; no poder, entregam os seus e os marginalizados como sacrifício para que a pirâmide continue de pé.</p>



<p>Em um tempo de um déspota fantasiado de presidente, em um tempo de extermínio de uma nação ou das nações indígenas que estão à margem dessa força destrutiva. Nesse tempo, celebrar a ditadura, negar a ciência, ignorar e desmerecer o sacrifício dos agentes de saúde na linha de frente, ser indiferente aos que tombam diante do descaso me faz questionar: estamos hoje reféns de uma nova cruzada? Os tais cristãos de bem, hoje ou amanhã, nos entregarão para o castigo e correção novamente?</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Kariston França </strong></strong></strong></strong></strong>é amante de pizza. Palestrante desmotivacional, ex teólogo, professor, músico que já integrou um famoso grupo de pagode 90. Tenta seguir a vida escrevendo na Trama em mais seis projetos paralelos.</p>
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		<title>Destino Manifesto, Cruzadas e a Ascenção do Cristofascismo Brasileiro &#8211; Parte I</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Mar 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 083]]></category>
		<category><![CDATA[Cristofascismo Brasileiro]]></category>
		<category><![CDATA[Destino Manifesto]]></category>
		<category><![CDATA[Evangelismo]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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<p><em>“Deus Vult”</em></p>



<p>Essa é a máxima que dá início às cruzadas, à ideia da reconquista e da hegemonia da fé cristã dentro da “terra santa”. Em si, &#8220;<em>Deus Vult</em>&#8221; nasce de um concílio e da necessidade de monopolizar relações comerciais e fortalecer os reinos vassalos do Papa, carregando o significado: <strong>Deus Quer</strong>. Mas quer o quê?! Analisemos.</p>



<p>O contexto é de soberania, de uma tentativa de limpeza dos territórios através da eliminação daqueles que não professam a mesma fé. É sob esse mote que Urbano segundo convoca a primeira cruzada em 1095 no sínodo de Clermont: visando “purificar” a península ibérica de todo mulçumano que ali residisse; afinal, a marca da reconquista era um grande rombo nos cofres das principais nações cristãs de fronteira com os vizinhos mulçumanos. Para além disso, já havia, de fato, as peregrinações por parte das realezas e dos nobres dos reinos em legitimar força, que buscavam garantir o seu reinado e seu direito divino de governar o outro através das peregrinações à Terra Santa.</p>



<p>Era preciso garantir a segurança dos herdeiros, que &#8216;Deus escolheu&#8217;, que &#8216;Deus quis&#8217;, nessas travessias. Era preciso uma intervenção militar!</p>



<p>No imaginário cristão, existe o êxodo, o retorno a uma terra prometida, um direito, uma coisa que vai garantir estabilidade, prosperidade, vida abundante &#8211; ao menos deveria ser; porém, o contrário costuma ser regra: a terra prometida parece cobrar um largo valor em sangue e vidas humanas.</p>



<p>Após a reforma protestante e as crises e cismas entre a igreja católica, a igreja anglicana e os revoltosos reformados, os puritanos se veem na necessidade de fugir das perseguições. Nesse contexto, as 13 colônias são fundadas, na esperança de um novo éden, uma terra prometida, assim como nas histórias bíblicas. É claro que, nessa &#8220;terra prometida&#8221;, já existiam pessoas estabelecidas; mas o direito delas à terra pouco importaria, uma vez que jamais haviam conhecido o tal <strong>Jesus </strong>de Oxford, Roma, Madrid e por aí vai.</p>



<p>Após a penosa e custosa guerra da independência, a jovem nação <em>“estadunidense”</em> se vê no desafio expansionista de se garantir como nação relevante &#8211; afinal, o que os uniu como nação vitoriosa foi a predestinação, a crença de que a terra era dos <strong>“Novos Nativos Americanos”</strong>, essa doutrina calvinista de que “deus escolhe seus eleitos”. Essa linha de raciocínio pavimentou, no coração dos norte-americanos, a noção de que eram heróis, de que suas ideias era similares à democracia grega e aos ideais da revolução francesa &#8211; o que culmina na construção de uma nação do &#8220;povo&#8221;, pelo &#8220;povo&#8221; e para o &#8220;povo&#8221;. Ora, o cheque em branco para custear massacres, assassinatos, golpes, invasões em defesa da democracia estava assinado naquele instante.</p>



<p>A expansão vem, para além da compra do atual estado da Louisiana e cercanias. O olhar cresce para os portos do pacífico; as rotas comerciais que facilitariam a expansão da economia norte-americana estavam bem na frente do poderoso e “libertador” exército estadunidense. A partir daí, o &#8220;império&#8221; estava formado; outras regiões foram conquistadas, compradas e “apoiadas” na construção da democracia. Inclusive, a mudança na rota comercial global se deve em parte aos nossos &#8220;defensores da democracia&#8221;, quando construíram o canal do Panamá.</p>



<h4 class="wp-block-heading"><strong>“Deus abençoe a América e a mais ninguém.”</strong></h4>



<p>A frase acima é a máxima de um candidato à presidência em um filme do Chris Rock chamado “Um Pobretão na Casa branca” (recomendo), onde o personagem de Chris é usado como candidato de um partido para atrair as minorias. No filme, isso dá muito certo, e o candidato que usa a frase para legitimar seu patriotismo perde a eleição.</p>



<p>O interessante é que, na campanha de Chris, ele muda a frase para: &#8220;Deus abençoe a América e o país A ou B, também&#8221;. Uma bela jogada para criticar, sim, esse discurso proferido ainda hoje nas eleições Estadunidenses. Mas, se temos filmes que criticam esse imperialismo norte americano, temos muitos mais que o defendem, vendendo o sonho de uma nação justa, de oportunidades, com sonhos brotando em cada esquina e conquistando as alturas do sucesso.</p>



<p>A indústria cinematográfica estadunidense aprendeu no melhor campo: a guerra. Prova disso é o documentário <strong>Five Came Back</strong>, que aborda o esforço da propaganda de guerra para angariar fundos monetários e pessoais para o esforço de guerra contra o fascismo na Europa.</p>



<p>Filmes como Rambo, Braddock, entre outros, venderam esse sonho intervencionista e patriótico, assim como muitos outros nas décadas anteriores. Em todos deles, um elemento em comum: as nações que atacam os “pacíficos” estadunidenses nunca professam a mesma fé cristã &#8211; ou seja, persiste, até hoje, uma ideia romântica de cruzada, um bastião da fé, da moral e dos bons costumes. E entre filmes que formaram a mentalidade das gerações anteriores e da nossa, essa noção permanece em nosso imaginário. E, longe de ser algo inofensivo, a persistência dessas noções dá espaço para a ascensão do <strong>Cristofascismo Brasileiro</strong>.</p>



<h4 class="wp-block-heading">O Cristofascismo Brasileiro</h4>



<p>A idéia de uma cruzada espiritual, política, moral é algo espantoso. O Papa Francisco, assim como João Paulo II anteriormente, sempre procura pedir perdão pelas Cruzadas, enxergando o erro, admitindo a culpa; porém, em 2014, o discurso me chamou a atenção. Nele, o Papa Francisco disse que “A igreja não precisa de cruzados, mas de semeadores da verdade” &#8211; algo que bate muito de frente com o que temos como evangelicalismo brasileiro.</p>



<p>Os defensores da &#8220;verdade absoluta&#8221; lutam e defendem uma fé que não está sob ataque nem nunca esteve. Afinal, é possível atacar algo que não se toca, não se vê?</p>



<p>Os defensores da fé acreditam numa nação evangélica, numa nação abençoada por Deus, uma nação vitoriosa e próspera, uma nação favorecida, uma nação referência, desejada e, por isso, uma nação que precisa de força para se defender, mas principalmente atacar &#8211; afinal, o ataque pode prever a necessidade de se defender.</p>



<p>O imaginário evangélico brasileiro está saturado de destino manifesto. Filmes evangélicos têm ganhado força, com casas repletas de patriotismo estadunidense, fé, alegria e amor de uma família de propaganda de margarina.</p>



<p>O curioso é que a margarina é um produto tão nocivo, tão artificial, que um pote aberto não é consumido nem por insetos. Um subproduto de um produto original que, em si, já não é tão benéfico assim. O evangelicalismo brasileiro, em comparação, é a margarina do cristianismo: o subproduto de um outro produto que, em si, já possui procedência duvidosa.</p>



<p>Na construção da base teológica que pavimenta essa ascensão fascista nas igrejas brasileiras, a Europa é vista como pós-cristã. Usam-se dados sobre população, religião, maioria étnica, e tudo isso aponta para uma Europa muçulmana (olha a cruzada aí de novo!). Os norte-americanos, assim, são a resistência, os defensores da <strong>DEMOcracia</strong> &#8211; um pensamento perigoso, que nos faz jogar na caixa da heresia teólogos, pastores e intelectuais da religião os quais têm buscado promover diálogos essenciais para a resolução das políticas xenofóbicas e racistas que têm sido disseminadas na Europa e no resto do mundo.</p>



<p>Para além disso, a ascensão da nova cruzada se dá por suporte de um movimento religioso estadunidense chamado <strong>The Send &#8211; O Envio </strong>(evento ocorrido em 2020), que vem na ideia de uma cristianização, de uma luta pela democracia, pelo direito de liberdade religiosa (só para eles), onde a base é de que a nação brasileira tem promessas, de que existem um destino para o nosso país, um evento que legitimou o futuro fascista da tradicional família brasileira nos jovens que comparecem ao evento cheio de shows em três estádios.</p>



<p>O evento foi um “marco” na vida dessa juventude que está aí, em ascensão nos postos de trabalho, nas novas igrejas, nas caminhadas políticas, nos domínios nas redes sociais. Um universo inteiro surgiu disso, tal como da indústria cinematográfica norte-americana. Pois bem: a construção da hegemonia cristofascista está apenas no começo.</p>



<p>É claro: existem também outras bases (os jejuns nacionais e a constante visita dos tais teleevangelistas representando suas mega igrejas, por exemplo) que sustentam essa construção sólida que é a muralha da religiosidade moral que protege a presidência e injeta dinheiro nesse projeto de domínio religioso. Mas, sobre isso, conversaremos em um próximo texto.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Kariston França </strong></strong></strong></strong></strong>é amante de pizza. Palestrante desmotivacional, ex teólogo, professor, músico que já integrou um famoso grupo de pagode 90. Tenta seguir a vida escrevendo na Trama em mais seis projetos paralelos.</p>
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