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	<title>Arquivos cultura das redes - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Acorrentados</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[cultura das redes]]></category>
		<category><![CDATA[empatia]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Umas duas semanas atrás, em meio ao horário de almoço no trabalho eu me deparei com uma notícia chocante; fazia 20 anos que o SBT tinha realizado a casa dos artista, o clássico clichê de &#8220;após 20 anos, veja como estão os participantes da Casa dos Artistas&#8221;.</p>



<p>É de fato uma nostalgia das mais peculiares, afinal, naquela casa cheia de artistas, tivemos os barracos convencionais de realitys e outros mais, alguns que só estão sendo barracos hoje.</p>



<p>Talvez a casa não tenha acabado.</p>



<p>&nbsp;&nbsp; &#8211; Não, essa não é uma coluna de fofoca ou de&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; curiosidades sobre realitys, peço que tenha esperança e fé diante do raciocínio deste jovem proletário com TDAH que vos escreve. &#8211;</p>



<p>A casa de fato não acabou, ela sempre existiu nos relatos de datas comemorativas onde juntamos as famílias, afinal, os barracos e dramas ali sempre foram cinematográficos. Mas se não o foram na sua família, com certeza você ficava sabendo dos relatos de alguns amigos quando você retornava à escola.</p>



<p>É curioso pensar na trajetória dos realitys no brasil, porque se formos avaliar, claro, da época que me entendo por gente, o primeiro programa nesse contexto de isolamento era o No Limite lançado pela Rede Globo (2000), logo depois tivemos o Acorrentados no Caldeirão do Huck (2001) e no mesmo ano um outro que veio na época a causar muito com sua proposta de pegar participantes “inusitados”, a A Casa dos Artistas lançada no brasil pelo SBT foi de fato uma proposta ousada e que em minha opinião não fazia tanto sentido em tê-la na época.</p>



<p>Prova disso é que a proposta de confinar famosos só ganhou força em um período de maior acessibilidade e voz a todo consumidor através dos telefonemas para votações, mas principalmente porque a internet proporcionou um acompanhamento em pay-per-view (pago ou pirateado) para todos que tivessem o mínimo de acesso a uma banda larga velox e outros concorrentes.</p>



<p>Evidente que o peso da transmissão da Globo era mais expressiva e gerava mais comentários no Big Brother, afinal o No Limite era um programa mais na linha das competições de programas de auditórios como o Domingão do Faustão e os que o originaram principalmente no continente asiático onde ainda se tem um grande apreço pelas competições diárias e semanais em programas de auditório, diferente das competições estadunidenses e européias que se baseiam em temporadas (cativar e gerar expectativa para a próxima temporada é um tato que aTV ensinou muito bem aos serviços de <em>streaming</em> e aos estúdios produtores de seriados).</p>



<p>Se existe uma identificação de nós os “reles mortais” diante das novelas, filmes, cantores, bandas e séries, esse evento de confinamento se assemelha então a uma construção de “esperança” para cada um de nós em alcançar um “Oto Patamar”.</p>



<p>O efeito é de opióide? Sim, mas de certa forma, nós, seres humanos, quando gostamos de algo, nos apegamos, queremos experimentar mais e mais. Seria correto afirmar que existem opióides bons e ruins? Talvez?</p>



<p>Refletindo um pouco sobre essas trajetórias, me lembro de ver pessoas criticando, como um programa que causaria a ruína da sociedade, algo que nos levaria à ruína civilizatória, lembro de igrejas e pastores fazendo campanhas contra esses programas e apenas alguns sensatos compreendendo que o programa, era um programa e não uma tentativa de algum grupo específico de destruir e dominar o mundo.</p>



<p>Pensando no formato e no quanto as pessoas gostam de acompanhar (confesso que vi as duas primeiras do BBB e algumas coisas de outras edições e programas, mas sempre procuro saber o que tá rolando) acho válido me atentar ao que tem fomentado discussões e reflexões sobre nossos comportamentos e posturas.</p>



<p>Alguns dirão que esses realitys não representam a sociedade, ok, posso concordar em parte, afinal, me parece que eles podem refletir em diversos aspectos, o que nós também sentimos no dia a dia e por vezes o que pensamos e fazemos também.</p>



<p>Esse não é o mérito em si da questão do texto, na verdade o que me prende nessa análise é entender o quanto a privação do outro nos é apetitosa em diversos graus, o cárcere que vivemos está aqui, nessas telas desses programas, nos nossos empregos, nos nossos relacionamentos sejam eles de qualquer instância.</p>



<p>Olhe bem, se entendermos que o poder de um Big Fone, se assemelha ao poder das estruturas governamentais e que nossos votos nas ligações e sites estão relacionados aos posicionamentos no legislativo e no executivo, tudo isso, é uma mera simulação do confinamento de todos nós.</p>



<p>&nbsp;Entender que a privação seletiva e voluntária de alguns tem nos sido apetitosa, reflete o quanto pensamos sobre a estrutura política e também sobre o sistema prisional. Somos conduzidos diariamente a ter medo do governo, a temer a polícia, o estado nos enxerga como inimigos, inimigos que pagam tributos para que não nos levem ao cárcere.</p>



<p>Antigamente, havia o crime de vadiagem, ou seja, um crime para quem tinha tempo vago. O engraçado é que nas classificações do IBGE, podemos encontrar o termo “Vago” como pessoas sem emprego com CLT ou estudantes, isso nos diz sobre como o estado nos considera. Se você não é patriota, não adora a bandeira, a nação e não trabalha na formalidade, você é alguém que não contribui para a construção dessa nação.</p>



<p>É a mesma relação no BBB, nos tornamos o reflexo da mão do estado, julgamos quem não contribui para as equipes, colocamos abaixo e não repensamos o pós jogo.</p>



<p>Alguns participantes desses realitys conseguem continuar em voga e levar suas vidas, outros, estão num ostracismo, intencional mas por outras vezes,por falta de opção, porque são descartados.</p>



<p>Um relato angustiante relatado por Vicente Concilio em seu livro: Teatro e Prisão: Dilemas da Liberdade Artística,&nbsp; o autor conta sobre sua experiência trabalhando ao lado de Jorge Spínola no Carandiru através do COC (Centro de Observação Criminológica) através das artes cênicas.</p>



<p>Dentro do Carandiru, haviam as detenções convencionais e o COC, lugar onde os sentenciados que recebiam tratamento especial do sistema, sobretudo por correrem risco de vida em um tratamento penal comum, encontram ferramentas que outros blocos não tinham, o acesso à educação, trabalho, reabilitação.</p>



<p>O projeto do COC era simples, Jorge Spínola apresentou textos teatrais e propôs dinâmicas inusitadas para que todos pudessem opinar sobre quais as peças seriam escolhidas para apresentar os demais individuos encarcerados ali no Carandiru.</p>



<p>Os textos de inicialização foram O Auto da Compadecida e A Pena e a Lei ambos de Ariano Suassuna e que colocaram a equipe teatral do COC &#8211; Carandiru em um patamar de subcelebridades.</p>



<p>Após o fechamento do Carandiru em 2002, parte da equipe se desfez, mas ainda com o trabalho sendo realocados para Penitenciária do Tremembé, José Spínola é convidado junto de sua equipe a apresentar um texto que havia tempos ensaiavam, O Rei da Vela de Oswald de Andrade para os participantes de um seminário realizado pelo IBCCRIM (Instituto Brasileiro de Ciências Criminais) contando com mais de 200 participantes no luxuoso Hotel Maksoud Plaza.</p>



<p>O fato marcante é, após a belíssima apresentação, a platéia que com medo de qualquer reação, sentou nas fileiras do meio para os fundos do teatro, aplaudiu vagamente enquanto um forte esquema policial já invadia o teatro para algemar os atores antes mesmo do abaixar das cortinas.</p>



<p>O que brevemente entendemos? Que, independente do que façam, pessoas que foram presas por quaisquer coisa, jamais serão vistas como alguém novamente “limpo”, afinal, se um indivíduo paga sua pena, ela então está consumada, e diante dos demais, não deveriam haver vírgulas que os impedissem de galgar e ascender em quaisquer lugares que os fosse desejado.</p>



<p>Algo semelhante podemos ver nos processos que ocorrem dentro dos realitys, as pessoas que foram esquecidas, abatidas, estigmatizadas por quaisquer posturas, são devoradas pelo nosso senso de justiçamento, sem nenhum olhar pedagógico.</p>



<p>Cabe a pergunta final, um reality qualquer, deve continuar mesmo diante das violências verbais, psicológicas e até física (se ou quando ocorrerem)?</p>



<p>Não vimos tamanha acidez em outras edições e talvez por isso, precisamos como sociedade legislar sobre o confinamento de entretenimento? Deveríamos nos questionar sobre a necessidade de continuar com um evento ou se vamos acabar com ele e reorganizar novas diretrizes? O problema não é um reality A ou B, o problema está na continuidade de um deles mesmo diante de agravações seríssimas diante da violação do espaço de um indivíduo. Nos assemelhamos aos juízes que assistem pavorosos, distantes, com a força bruta ao seu favor ou nos posicionamos e buscamos a desconstrução e RECONSTRUÇÃO de programas que valorizem a vida, a diversidade, o indivíduo diferente?</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="950" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=950%2C950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13642 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?w=3000&amp;ssl=1 3000w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=1024%2C1024&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=768%2C768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=1536%2C1536&amp;ssl=1 1536w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?resize=2048%2C2048&amp;ssl=1 2048w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?w=1900&amp;ssl=1 1900w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0115-kariston-franca.png?w=2850&amp;ssl=1 2850w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong><strong>Kariston França </strong></strong></strong></strong></strong>é amante de pizza. Palestrante desmotivacional, ex teólogo, professor, músico que já integrou um famoso grupo de pagode 90. Tenta seguir a vida escrevendo na Trama em mais seis projetos paralelos.</p>
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		<title>A Opressão e a Emancipação no Ensino de HIstória</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 077]]></category>
		<category><![CDATA[cultura das redes]]></category>
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		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Uma reflexão importante a ser considerada sobre o ensino de história, é que este tem uma estrutura limitada, que foca na história das elites (sejam elas burguesas ou monárquicas), e afasta a massa popular do protagonismo histórico, fazendo com que os alunos não se sintam parte de processos históricos.</p>



<p>Este tipo de modelo educacional, além de ser prejudicial para a construção de uma educação emancipadora, também mantém estruturas sociais opressivas, pois ao barrar o questionamento histórico-social, não é possível que hajam discussões que possam modificar problemáticas de caráter opressor. Um exemplo que caracteriza a falta de questionamentos sobre eventos históricos, que de certo modo mantém presente uma ideologia opressora, é o acontecimento denominado “Descobrimento do Brasil”.</p>



<p>Veja que, a primeira questão considerada é a chegada de Pedro Alvares Cabral em 1500. E por mais simples que possa parecer, tal colocação, caracteriza o evento não apenas enquanto um feito glorioso aos portugueses, mas como fator de necessidade tanto aos europeus, quanto aos povos indígenas, que já habitavam terras brasileiras. Portanto, a premissa passa a ter como base a colonização como processo civilizador, o que desconsidera particularidades étnico-culturais de povos originários. E desta forma, a história “oficial” transformou povos indígenas em subgrupos, que por consequência não foram analisados, estudados, ou apresentados em meios de divulgação científica oficiais do Estado.</p>



<p>Levando em consideração que a produção historiográfica incorporada no Brasil tem raízes francesas, é importante pontuar que a história passou a ser propagada de maneira opressiva, pois sua produção partiu de grupos privilegiados, com enfoque limitados sobre concepções de tempo e espaço, sem que houvesse possibilidade de questionamentos profundos sobre determinadas realidades, de modo que a história passou a ser produzida tendo como base a delimitação de datas, nomes e feitos, que por sua vez representavam somente um grupo social especifico, a elite branca europeia.</p>



<p><strong>A História científica</strong></p>



<p>A construção de um modelo de produção historiográfica padrão, que é o caso do modelo francês metódico/positivista do século XIX, construiu problemáticas, e a principal delas&nbsp; está relacionada a construção de uma história oficial (aquela que é elaborada e reproduzida pelos meios oficiais do Estado, tornando-se a história conhecida. Também conhecida como história metódica/positivista.), é que esta passa a ser a base dos estudos histórico-sociais de forma geral.</p>



<p>Deste modo, torna-se necessário contextualizar o desenvolvimento dos estudos históricos e os debates que podem ocorrer acerca deles. É comum em reflexões historiográficas, questionar a história oficial, pois apesar deste modelo de produção ter sido organizado para estabelecer uma linhagem historiográfica de caráter científico, em razão da necessidade temporal de construções imagéticas ligadas ao nacionalismo, elaborações que valorizassem apenas grandes datas, feitos e nomes, passaram a ganhar espaço, de modo que o conceito de “o que é história”, foi relacionado apenas a estas questões.</p>



<p>Por outro lado, durante o século XX, houve necessidade de construções historiográficas que valorizassem processos históricos, não enquanto eventos isolados, mas como estopins de diversos acontecimentos, que podem ter origem social, cultural, econômica, dentre outros. Deste modo, com o passar do tempo, novas Escolas Históricas se propuseram a analisar os micro campos da história, dando espaço a estudos que deram protagonismo as minorias, que é o caso das produções realizadas acerca dos povos originários, ou o papel das mulheres em determinados processos históricos, por exemplo.</p>



<p><strong>O ensino de história no Brasil</strong></p>



<p>Deste modo, deve-se questionar: Se existe uma historiografia problematizadora, por que na prática escolar ela não é aplicada?</p>



<p>A resposta desta pergunta, está na análise realizada acerca da história da educação brasileira, que desconsiderou aprendizados indígenas e africanos, e impôs uma educação jesuíta europeia logo no período colonial, passando por uma fase imperialista, que valorizou a educação para a corte portuguesa/brasileira, e que no período republicano teve como base, uma grande onda de autoritarismo, dando a educação brasileira, uma perspectiva limitante de aprendizagem, sem espaços para questionamos sociais e políticos.</p>



<p>Desta maneira, no Brasil poucas escolas aderiram a modelos educacionais que rompessem com o que Paulo Freire chamou de Educação Bancária (Aquela que não ensina, apenas transmite informação de maneira limitada e impositiva.), fazendo com que processos educacionais verdadeiramente construtivos e emancipadores não ocorram com facilidade, principalmente em ambientes desfavorecidos, como nas periferias.</p>



<p>Um documento que exemplifica a abordagem limitante do ensino de história do Brasil, é a Base Nacional Comum Curricular, que funciona como um currículo escolar, e foi proposta pelo governo federal para parametrizar a educação de forma “homogênea” em território nacional. Claro que, diversificações socioeconômicas deixaram de ser consideradas pelo Ministério da Educação, que não questionou a necessidade de implantação de educações diferenciadas para grupos sociais diversos.</p>



<p>Esta problematização seria necessária, pois um molde educacional urbano não pode ser aplicado em comunidades ribeirinhas, por exemplo, considerando que a estrutura educacional, e realidade de vida dos alunos são diferentes, de modo que, quando há uma parametrização generalizada, por consequência, há defasagem no ensino, principalmente na rede pública escolar.</p>



<p>Outro reflexo encontrado na imposição da uma história de caráter positivista na educação, é a falta de questionamentos que esta introduz nas escolas, pois ao limitar o assunto dos professores apenas para eventos considerados importante (O que no ponto de vista eurocêntrico significa apenas marcos de povos brancos, e majoritariamente europeus, na história), é realizada uma reação em cadeia que tira o aluno do protagonismo em processos históricos, tornando a história enquanto uma ciência distante das realidades de vida dos alunos, caracterizando-a enquanto a “ciência do passado”, o que limita estudos historiográficos.</p>



<p><strong>O professor historiador</strong></p>



<p>Assim, quando estas problemáticas são consideradas, pode-se entender porque a produção de uma história oficial, sem questionamentos profundos em relação a processos históricos, pode ser tão problemática. Tornando inevitável que professores da educação básica e acadêmicos, passem a questionar os padrões educacionais em que estão inseridos.</p>



<p>Claro que, como qualquer outro processo enraizado, este encontra dificuldades para ser modificado, pois funciona justamente para garantir padrões sociais pré-estabelecidos.</p>



<p>Portanto, o papel do professor enquanto historiador, é apresentar mais do que eventos históricos, o que significa que há necessidade de explicar os processos em que tais eventos estão inseridos. Pois, expor acontecimentos históricos de forma isolada em sala de aula, é como exibir aos alunos uma resposta, sem que perguntas tenham sido realizadas, o que faz com que o ato de ensinar perca o sentido.</p>



<p>Os alunos precisam adquirir conhecimento de forma questionadora, ainda que não sejam realizadas problemáticas muito profundas, para que eles também questionem, não apenas sua história, mas suas realidades. E deste modo, torna-se inegável afirmar, que a história deve ser representativa e estar em todos os espaços, deve significar as lutas presentes, e não apenas memórias passadas, que representam somente “grandes homens”, empunhando espadas sob falsos cavalos de batalha.</p>



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<p>Referências</p>



<p>BARROS, José D’Assunção. O campo da história: especialidades e abordagens. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.</p>



<p>BORGES, Vavy Pacheco. O que é história? São Paulo: Brasiliense, 1981.</p>



<p>FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, 2002.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Lauana Coutinho</strong></strong>&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong>é casada com a História e amante da música. É historiadora pela Universidade Cidade de São Paulo (UNICID), pesquisadora do período que vigorou a Ditadura Militar no Brasil e escritora sensível no pouco tempo que sobra.</p>
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		<title>É a triste realidade</title>
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		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
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		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[rebelião das máquinas]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Essa fala, em geral, vem acompanhada de um ar de pesar ou de conformismo: não tem jeito, é a triste realidade, isso não vai mudar…</p>



<p>Será?!</p>



<p>Me chamou a atenção uma postagem na internet: uma pessoa em situação de rua se encontrava com um ferimento infeccionado em uma de suas pernas. No texto, a postagem falava sobre natal, ano novo e o cuidado e a compaixão com o próximo.</p>



<p>Necessário, clichê, &#8220;só discursos&#8221;. A definição dessa postagem a você, leitor, pode parecer familiar ou estranha, mas fato é: atos de bondade são escassos e têm sido retratados como atos heroicos.</p>



<p>Em contrapartida, quando alguém se posiciona com um ato honesto, fala-se sobre a necessidade de uma postura contínua, que o ato em questão é o mínimo e não passa da obrigação do indivíduo contribuindo para uma sociedade mais justa, etc.</p>



<p>No ano em que tivemos nossa civilidade confrontada não apenas por um inimigo invisível, mas também por nós mesmos e por nossos pares, a frase &#8220;é a triste realidade&#8221; é dolorida de se ler.</p>



<p>A triste realidade é que estamos tão cansados que já não somos capazes, em nossa grande maioria, de externar boas ações aleatoriamente.</p>



<p>Somos seletivos, cuidamos dos nossos: aos conhecidos, o mundo; aos desconhecidos talvez algumas moedas, um prato de comida. Mas penso que isso, em si, não é tão culpa nossa…</p>



<p>Somos condicionados a acordar cedo, dar conta de tudo, suportar pressões, metas, desprezo e irrelevância. Isso tudo nos consome a &#8220;civilidade&#8221;. Mas o que é civilidade, afinal?</p>



<p>Em uma rápida pesquisa no Google, civilidade é: <em>o conjunto de formalidades, de palavras e atos que os cidadãos adotam entre si para demonstrar mútuo respeito e consideração.</em> Em uma pesquisa menos rápida, já ligando a &#8216;civilidade&#8217; à &#8216;civilização&#8217;, temos que, de acordo com Johan Huizinga, existem três pilares a serem percebidos quanto a constituição de uma civilização:</p>



<ul type="1"><li>Certo grau de domínio da natureza física através de boas técnicas científicas e industriais.</li><li>Um indispensável equilíbrio entre o progresso técnico e o domínio do homem sobre a natureza física, e um correspondente progresso moral e o domínio do homem sobre a sua própria natureza espiritual.</li><li>A existência de um ideal comum, como característica da feição espiritual de uma época ou de um povo.</li></ul>



<p>A partir daí: a quantas andamos, como civilização?</p>



<ul type="1"><li>De fato, temos dominado &#8211; e devastado &#8211;&nbsp; a natureza física através de técnicas científicas e industriais questionáveis.</li><li>Não temos equilíbrio entre nosso progresso técnico. A maneira como dominamos a natureza hoje é questionável, vide as diversas crises ambientais e acidentes que causaram danos irreversíveis (ou longos demais) ao ecossistema afetado por nossa segura e ultramoderna tecnologia. Além de todo esse caos físico, será se temos tido avanços notórios no progresso moral e nossa natureza espiritual?</li><li>Em um mundo globalizado, nosso ideal comum é quase inexistente, e tem sido combatido com força por aqueles que não acreditam em um mundo “Global”.<br></li></ul>



<p>Voltando ao início: ainda me dói lembrar dos textos enormes de pessoas que justificam a negativa em ajudar o próximo. Percebi que as pessoas, ao darem esmolas ou ao contribuírem com alguma casa de caridade, esperam que seu dinheiro seja como os feijões mágicos. Desejam que o efeito da ação seja instantâneo, livre de trabalho, de desgastes. Tem que haver uma solução mágica, para que o resultado caiba nos 15 segundos do <em>stories</em> do Instagram.</p>



<p>Passamos os dias nos questionando sobre os modelos de produção, sobre o desgaste da produtividade, vendo colegas com sofrendo com <em>burnout</em> e outros reflexos da nossa exaustão; mas na hora de sermos diferentes de todo o processo &#8211; que nos torna insensíveis como as máquinas -, repetimos o que nos foi imputado desde nossos primeiros passos.</p>



<p>Parece estranho, mas se observarmos bem, nos tornamos máquinas repetidoras dos atos que nos sufocam. Ecoamos, então, esse sufoco aos marginalizados, àquelas pessoas que perderam alguma oportunidade ou que tiveram uma vida toda longe de qualquer chance de “ser um contribuinte do sistema”.</p>



<p>Após cada texto longo comentando a foto sobre “experiências de um dia” em clínicas de reabilitação, culpando sempre o indivíduo que possui alguma dependência química, vinham muitos com a frase mais mortal, fria, desrespeitosa e que acena para uma civilização não tão civilizada: “É a triste realidade”.</p>



<p>Como podemos questionar o processo de alguém que não mude da noite para o dia?! Nós mesmos temos o problema de repetir os mesmos erros ao longo da vida com diversas pessoas diferentes. Ainda assim, achamos que estamos melhorando e nos libertando de algum “defeito”.</p>



<p>Parece que, em dias tão sombrios, quem tem apertado o gatilho nas linhas de frente não são os opressores, somos nós. Temos nos rendido à indiferença e ao instantâneo.</p>



<p>Parece que nos tornamos máquinas, achando que somos nossos smartphones e, assim, basta baixar uma atualização ou desinstalar um aplicativo para nos tornarmos melhores. A verdade, porém, é que todos nós sentimos as dores do crescimento: os dentes caindo, os joelho ralados grudando nas calças. Todas essas dores nos lembram de que a vida é um processo demorado; ou você parou de andar de skate, de subir em árvores, de descer a ladeira de rolimã depois do primeiro acidente?</p>



<p>Pessoalmente, eu não tenho problemas com a tecnologia; ao contrário, gosto muito. Através de dispositivos que possuo, eu conheci pessoas incríveis que têm mudado a minha maneira de enxergar a vida, me ajudado a ser uma pessoa melhor, a superar medos, a pensar e assumir formas de ajudar pessoas que tem sofrido dores inimagináveis dentro de seus próprios lares. Porém, isso tudo parece, por vezes, só um jogo que desinstalamos de nossa interface quando cansamos. Máquinas cansam?! </p>



<p>Cada vez mais, sinto que somos a própria rebelião das máquinas, onde aquele que demonstrar empatia será crucificado por não ter feito mais do que a sua obrigação, enquanto permanecemos alimentando algoritmos e apedrejando os diferentes até que não exista diversidade.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong>Kariston França </strong></strong></strong></strong></strong>é amante de pizza. Palestrante desmotivacional, ex teólogo, professor, músico que já integrou um famoso grupo de pagode 90. Tenta seguir a vida escrevendo na Trama em mais seis projetos paralelos.</p>
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