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	<title>Arquivos Direitos humano - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Foto de tradição Pankararu é premiada na Suíça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2022 18:08:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 124]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humano]]></category>
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		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio de fotografia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2022/06/12/foto-de-tradicao-pankararu-e-premiada-na-suica/">Foto de tradição Pankararu é premiada na Suíça</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um indígena brasileiro venceu o concurso de fotografia Povos Indígenas e Comunidades Locais, realizado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual.</p>



<p>Para saber se as condições climáticas irão favorecer a colheita anual, os indígenas Pankararu puxam um cipó. Numa espécie de cabo-de-guerra, os membros da comunidade localizada no sertão pernambucano dividem-se em dois times. Um deles puxa a cipó em direção ao leste e o outro para o oeste. É através desta disputa de forças que as entidades religiosas informam suas previsões aos Pankararu: se o cipó terminar no lado onde o sol nasce, no leste, o clima será próspero e a comunidade viverá um ano de abundância. Ultrapassar para o lado oeste significa pouca chuva e escassez.&nbsp;</p>



<p>Depois de assistir a uma série de previsões de seca, o estudante de mestrado Joanderson Gomes de Almeida, de 30 anos, passou a se perguntar o que ele e a sua comunidade poderiam fazer para que o cipó permanecesse no lado leste. Foi com esta inquietação e com um celular que ele fotografou a cerimônia do puxamento do cipó durante a tradicional festa do Flechamento do Imbu, uma comemoração indígena que marca o início da colheita.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Essa tradição acontece só uma vez ao ano na comunidade, mas durante o nosso dia a dia, por que a gente não lembra dessa previsão? O que eu posso melhorar para que no próximo ano a gente possa ter um resultado de fartura e abundância? Esta é uma reflexão sobre os cuidados que a gente às vezes não tem com o meio ambiente no nosso cotidiano”, conta o estudante em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).</p></blockquote>



<p>Quatro anos depois do click, a foto foi parar em uma exposição na sede da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), na Suíça. A imagem “Puxamento do Cipó” virou a metáfora perfeita para simbolizar o impacto das mudanças climáticas e, por este motivo,&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/179431-indigena-brasileiro-vence-concurso-de-fotografia-sobre-crise-climatica">venceu o primeiro concurso de fotografia&nbsp;</a>da OMPI voltado para jovens de comunidades tradicionais.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image alignfull"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2022-05/tk-photo-prize-almeida-845%20%281%29.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="A foto &quot;Puxamento do Cipó&quot; ficou em exposição entre os dias 22 de abril e 6 de maio, na sede da OMPI em Genebra, na Suiça. " data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>&#8220;Puxamento do Cipó&#8221; ficou em exposição entre os dias 22 de abril e 6 de maio, na sede da OMPI, em Genebra.<br>Foto: © Joanderson Gomes de Almeida</em></figcaption></figure>



<p>O prêmio entregue no Dia da Terra&nbsp;<a href="https://www.wipo.int/tk/en/news/tk/2022/news_0004.html">também contemplou jovens do Quênia e Filipinas</a>. O anúncio dos vencedores foi feito no último dia 22 de abril e culminou com a exposição em Genebra. A intenção da Organização da ONU era estimular que os jovens de comunidades tradicionais expressassem criativamente o impacto das mudanças climáticas em suas regiões e, ao mesmo tempo, aprendessem a proteger seus trabalhos recorrendo aos direitos de propriedade intelectual. Para escolher os vencedores, entre mais de 30 imagens finalistas, foi convocado um painel independente de jurados constituído por quatro fotógrafos internacionais.</p>



<p>“Os jovens têm o maior interesse no futuro do nosso planeta e é por isso que estou satisfeito que o primeiro Prêmio de Fotografia da OMPI esteja oferecendo aos membros de comunidades indígenas e locais a oportunidade de se expressarem através da fotografia sobre a crise climática e outros desafios relacionados que estão enfrentando”, declarou o diretor-geral da OMPI, Daren Tang, durante a cerimônia de premiação.&nbsp;</p>



<p>Na oportunidade, ele também destacou como é estreita a relação das comunidades indígenas com o meio ambiente e seus recursos, sendo elas as primeiras a enfrentarem as consequências diretas da crise climática, como a perda da diversidade biológica e o aumento do nível dos oceanos. Ao parabenizar o indígena brasileiro pela conquista, o diretor-geral lembrou que o povo Pankararu tem uma forte vocação de preservar a natureza e as tradições. No entanto, eles também têm sido castigados por períodos sem chuva e seca, o que dificulta as atividades agrícolas tradicionais.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/large/public/2022-05/exposi%C3%A7%C3%A3o.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Exposição com as fotografias finalistas aconteceu entre os dias 22 de abril e 6 de maio, em Genebra. " data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Exposição com as fotografias finalistas aconteceu entre os dias 22 de abril e 6 de maio, em Genebra.&nbsp;<br>Foto: © OMPI</em></figcaption></figure>



<p><strong>Conexão &#8211;&nbsp;</strong>Em Pernambuco, a comunidade Pankararu está estabelecida entre os municípios de Petrolândia, Jatobá e Tacaratu, distante cerca de dez quilômetros do rio São Francisco. Esta proximidade ajuda a explicar porque a água, mais do que um recurso essencial para a vida, também é considerada parte da constituição deste povo. “Existia uma ocupação tradicional desta terra narrada na própria cosmologia do povo Pankararu. As primeiras entidades, que chamamos de Encantados, eram pessoas normais que receberam o dom depois de entrarem na cachoeira do rio São Francisco. E hoje nós não temos acesso a água. Esta é uma reivindicação do povo Pankararu. A gente mora a menos de 10 quilômetros do rio São Francisco e não temos água”, explica Joanderson.&nbsp;</p>



<p>Em sua inscrição no concurso da OMPI, o estudante de mestrado defendeu que jovens indígenas ocupem espaços como estes e que novas soluções inovadoras sejam propostas a partir de parcerias com as comunidades locais. “Os indígenas têm uma forma tradicional de cultivo e manejo da terra, sem o viés mercantilista. Não vemos a terra como objeto de produção de capital, mas como uma forma de vida e subsistência. Ainda há muito o que se falar sobre clima e sobre povos indígenas para além desta visão marginal”, pontua. “Agradeço a OMPI pela iniciativa de criar esse concurso e por incentivar jovens indígenas e de comunidades tradicionais a participarem. Agora, com o prêmio, poderei registrar estes momentos com mais qualidade e profissionalismo”.</p>



<p>Como primeiro colocado, Joanderson ganhou da organização equipamento fotográfico profissional no valor de 3.500 dólares.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="675" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?resize=950%2C675&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23826" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?resize=1024%2C728&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?resize=300%2C213&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?resize=768%2C546&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?w=1300&amp;ssl=1 1300w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Joanderson Gomes de Almeida, de 30 anos, é um indígena Pankararu do estado de Pernambuco. Ele é estudante de mestrado na Universidade de Brasília Foto: © Arquivo pessoal.</em></figcaption></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://brasil.un.org/pt-br/182103-foto-de-tradicao-pankararu-e-premiada-na-suica" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 16/15/2022 – Atualizado em 16/05/2022</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:16px"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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									Foto de tradição Pankararu é premiada na Suíça
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		<title>Literatura em Bibliotecas Comunitárias como Elixir da Vida</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Oct 2019 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 019]]></category>
		<category><![CDATA[Bel Santos Mayer]]></category>
		<category><![CDATA[Bibliotecas comunitárias]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humano]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Bel Santos Mayer</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">As bibliotecas comunitárias do Brasil, nascidas da ausência ou presença seletiva do Estado ao escolher tornar pouco acessíveis as políticas públicas de cultura nas periferias, não se cansam de construir estratégias e reinventar a roda para que a leitura chegue especialmente, para aqueles(as) que não são leitores ainda. Eu &#8211; uma mulher negra, educadora social, mediadora de leitura, organizo meus dias ao lado de centenas de pessoas que acreditam no poder da leitura, as quais escrevendo ou produzindo e distribuindo livros ou levando literatura para vários cantos, becos e vielas deste país, constroem um “Brasil que lê”, “Resiste culturalmente”, “Existe” e reinventa a própria existência.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>A pesquisa Bibliotecas Comunitárias no Brasil: impacto na formação dos leitores, realizada&nbsp; pelo Centro de Estudos em Educação e Linguagem (CEEL) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Grupo de Pesquisa Bibliotecas Públicas no Brasil (GPBP) da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO) e Centro de Cultura Luiz Freire, com a participação de pesquisadores da Rede Nacional de Bibliotecas (RNBC), coletou dados de 143 bibliotecas em 15 estados brasileiros. O relatório da pesquisa pode ser acessado na publicação “O Brasil que lê: Bibliotecas comunitárias e resistência cultural na formação de leitores”</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><a href="https://www.rnbc.org.br/2019/08/o-brasil-que-le-bibliotecas.html?fbclid=IwAR0hSF_3np-PhkReATFkmTnasx8pwwmZny21ZD6Jt_6oJn2rzDPILx7Yds4#more"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c2af6-captura-de-tela-2019-10-20-acc80s-10.11.13.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3767" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption>Clique na imagem acima para acessar.</figcaption></figure></div>



<p>Com as bibliotecas comunitárias, tenho aprendido a colocar luz naquilo, e principalmente nas pessoas e temas que estão invisibilizados, esquecidos, negligenciados. Nas bibliotecas comunitárias as palavras: negros, negras, mulheres, trans, povos indígenas, juventude, periferia, direito à cidade, direito à literatura, democracia, justiça, vida entram pela porta da frente. Temos construído, juntos, territórios letrados, falados, escritos.&nbsp;</p>



<p>Eu, que há algum tempo sou conhecida como <strong><em>Bel Santos do cemitério</em></strong>, <strong><em>da biblioteca do cemitério,</em></strong> <strong><em>da biblioteca na casa do coveiro</em></strong>, juntei-me aos(às) que enterram todas as tentativas de excluir do mundo letrado, os(as) que estão nas bordas das cidades. Tenho enterrado a tentativa de excluir jovens dos direitos à vida, ao livro, à leitura. O direito de ver-se no que lê. Estou com aqueles(as) coveiros(as) de uma história de negação de direitos. Coveiros e coveiras de “nãos” e desesperanças. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura foi criada em 2009 pelo Instituto Brasileiro de Estudo Comunitário(IBEAC) e um grupo de adolescentes, no extremo sul da cidade de São Paulo (Parelheiros), em um cemitério. Dá para saber um pouquinho mais do trabalho que é desenvolvido lá acessando o vídeo.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.uol.com.br/ecoa/reportagens-especiais/bel-santos-mayer/#cada-acao-importa"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/04ac4-captura-de-tela-2019-10-20-acc80s-10.23.34.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3771" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p>“Lemos no cemitério”. Lemos nas praias. Lemos nas ruas. Lemos nas Escolas. Lemos nas universidades. Lemos nos palcos de teatro, nas Feiras de Livros! Lemos! Lemos! Lemos porque sabemos que as palavras habitadas em nós, nos dão nova vida.&nbsp;</p>



<p>Temos dessacralizado a literatura e seus autores e autoras, afirmando como proclamou Antonio Cândido, que a Literatura é um Direito Humano. É para todos. É nossa também.&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">“(…) a literatura corresponde a uma necessidade universal que deve ser satisfeita sob a pena de mutilar a personalidade, porque pelo fato de dar forma aos sentimentos e à visão do mundo ela nos organiza, nos liberta do caos e, portanto, nos humaniza” (&#8230;)&nbsp; A literatura pode ser um instrumento consciente de desmascaramento, pelo fato de focalizar as situações de restrição dos direitos, ou de negação deles, como a miséria, a servidão, a mutilação espiritual.”</p>



<p class="has-small-font-size">(CANDIDO, Antonio. Direitos Humanos e literatura. In:&nbsp;Fester(Org.)&nbsp;<em>Direitos humanos e…,</em>Ed. Brasiliense, 1989, p. 122).</p>



<p>As palavras dos esquecidos e esquecidas, dos estranhados(as), rejeitados(as) por modelos de cidade para poucos, têm ganhado vida em nossas bibliotecas. Estas palavras, ao entrarem em nossos ouvidos por suas próprias bocas, colocam-nos em um lugar de escuta, fazem-nos lembrar que todas as vidas importam.</p>



<p style="background-color:#725400" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Lendo, observamos que as existências não são iguais. O nascer e o morrer é desigual. As vidas de negros, trans, mulheres, pobres nem sempre importam. Muitas vezes não importam nas ruas, não importam no desenho de políticas públicas, não importam na literatura. Ler é um jeito de relembrar a importância de todas as vidas.&nbsp;</p>



<p>A literatura, da cadeia criativa, produtiva, distributiva e mediadora do livro, pode contribuir para a redução das desigualdades ao se preocupar com cada existência. Quando Alicia Garza afirma que &#8220;Vidas negras importam&#8221; e o movimento de jovens baianos sai às ruas gritando &#8220;Reaja ou será morto, reaja ou será morta!&#8221; os(as) ativistas do livro e da leitura das bibliotecas comunitárias, se perguntaram: “Como reagiremos ao genocídio dos nossos jovens?” Uma das respostas foram os clubes de leitura a partir do livro <em>#Parem de Nos Matar</em> da escritora Cidinha da Silva que traz crônicas sobre as mortes “cotidiárias” (muito mais que cotidianas), físicas e simbólicas, de jovens negros(as). A literatura tem sido um meio de enfrentar as necropolíticas. Para não morrer, seguimos sendo parteiras de boas histórias.&nbsp; Gerando vida.&nbsp;</p>



<p>É um jeito de resistir e de gerar vida, conhecer e divulgar as obras e os(as) autores(as) dos nossos territórios. Conhecer e preservar as memórias, nomes e dignidade dos(as) que vieram antes de nós, se expressaram pela escrita, foram reconhecidos por&nbsp; leitores(as), mas não entraram no cânone literário ou só entram agora por nossos esforços como Carolina Maria de Jesus, é uma forma de (re)existência.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Carolina Maria de Jesus (1914-1977) foi uma autora brasileira, reconhecida apenas recentemente, como uma das mais destacadas escritoras negras do País, embora seu livro <em>Quarto de despejo: diário de uma favelada</em> (1960)tenha se tornado um <em>best seller </em>ao ser traduzido para 16 idiomas e vendido cerca de 10 mil cópias em 40 países<em>. </em>Carolina, que foi catadora de papel, em vida lutou para ser respeitada como escritora. Publicou outros livros: “Casa de Alvenaria: Diário de uma Ex-favelada” (1961), “Pedaços da Fome” (1963) e “Provérbios” (1965), além de publicações póstumas como <em>Diário de Bitita</em>&nbsp; e <em>Onde estaes felicidade? </em>Carolina faleceu em Parelheiros (SP), região em que está localizada a Biblioteca Comunitária Caminhos da Leitura.&nbsp;</p>



<p>Ler autores(as) esquecidos(as) é devolver-lhes a vida literária que lhes foi sequestrada. É recoloca-los(as) em nossa família literária. É reconstruí-las. É dar-nos o direito de reinventar a nossa existência, nossas histórias e memórias. É construir um futuro que se contraponha às estatísticas de morte. É garantir mais vida na literatura, ao disseminar o Direito Humano de existir biológica, cultural, estética e politicamente. Literalmente. A defesa do Direito Humano à Literatura, é a defesa do Direito Humano à Diversidade e às Identidades sem ameaça à Humanidade. Acreditamos que o acesso à literatura pode contribuir para o projeto de humanização da sociedade. Boas histórias, histórias bem contadas, podem ser aliadas em nosso projeto de existência. Podem contribuir para que cada um de nós possa se ver no que lê. Talvez, nós das bibliotecas comunitárias, presentes até em um cemitério, tenhamos encontrado um elixir da vida eterna: ler, ler, ler. Ler muito. E conversar sobre o lido.&nbsp;</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de3d0-cemi.png?resize=348%2C243&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3777" width="348" height="243" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em>Arte por: Fernando Siniscalchi</em></strong></figcaption></figure></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Bel Santos Mayer</strong> é educadora social, coordenadora do Instituto Brasileiro de Estudos e Apoio Comunitário – IBEAC, co-gestora da Rede LiteraSampa, formadora de jovens mediadores de leitura, mestranda do Programa de Pós-Graduação em Turismo (EACH/USP), pesquisando a contribuição das bibliotecas comunitárias para o estudo das mobilidades.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#5f4500" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a7251-foto-carol11.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1665" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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