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	<title>Arquivos Dj Rennan da Penha - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Estética do Capital</title>
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		<pubDate>Sun, 02 Feb 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 030]]></category>
		<category><![CDATA[Dj Rennan da Penha]]></category>
		<category><![CDATA[estética]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Guilherme Mative Butikofer Keppk</p>
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<p class="has-drop-cap">Na última quinta feira (30) a empresaria Lorena Vieira, esposa do DJ Rennan da Penha, afirma ter sido vítima de preconceito e racismo por parte dos funcionários de uma agencia do banco Itaú, onde ela pretendia desbloquear um cartão e sacar 1.500,00. A polícia foi acionada e a encaminhou para a 22ª DP (Penha) onde ela afirma ter sido tratada com deboche e descaso pelos policiais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b5938-image.png?resize=548%2C336&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7041" width="548" height="336" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>O lamentável caso de Lorena não é inédito no Brasil. A percepção de sucesso e riqueza está diretamente atrelada a um grupo específico de classe de pessoas. O padrão estético de beleza é determinado por construções ético-morais a que estão submetidos os indivíduos de uma sociedade. No Brasil, com nossa tradição escravocrata e racista, não é difícil perceber quais valores morais permearam a construção de nossa base social. Como tão bem coloca o aclamado filosofo contemporâneo Noam Chomsky: “A amnesia histórica é um fenômeno perigoso, não só porque mina a integridade moral e intelectual, mas também porque prepara o terreno e estabelece as bases para crimes que ainda estão por vir”.</p>



<p>Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o 1% mais rico do Brasil é formado por 79% de brancos e 17,4% de negros (classificação usada pelo órgão para os que se autodeclaram pretos e pardos. Os percentuais restantes se referem a amarelos e indígenas). Interessante como que mesmo com uma maioria populacional negra o “sucesso” financeiro pertence ao branco.&nbsp;</p>



<p>O problema de Lorena e tantos outros brasileiros é que eles, em algum momento, passaram a ocupar lugares que não lhes dizem respeito. Lugares que não lhes cabem. Lugares que historicamente foram destinados e construídos para uma única singularidade racial. Para simplificar, algo como: “Não tenho nada contra negros, tenho até amigos que são”.</p>



<p>Parafraseando a ideia de Zygmunt Bauman em o “Mal estar da pós-modernidade”: Não são as características intrínsecas das coisas que as transformam em “sujas”, mas tão somente sua localização na ordem das coisas imaginadas. Sapatos magnificamente lustrados e brilhantes são louváveis nos pés de um empresário, agora, tornam-se sujos e indesejados se colocados na mesa de jantar. Lorena e tantos outros brasileiros ainda causam estranheza, simplesmente por estarem aonde estão.</p>



<p>Compreender como a sociedade desenvolve suas noções de beleza através de padrões estéticos é fundamental para perceber como se desenrolam as interações éticas nesta sociedade. O que é o belo? Quem é belo? Quais os padrões impostos que determinam o belo? Essas são perguntas cruciais a serem feitas, afim&nbsp; de compreender além do senso comum, o que houve no caso de Lorena.&nbsp;</p>



<p>Como descreve tão bem o filosofo francês Gilles Lipovetsky: “A ética estética hipermoderna se mostra impotente para criar uma existência reconciliada e harmoniosa: nos a sonhamos voltada para a beleza, e ela é voltada para a competição”. Ou seja, o “sucesso” em um mundo cada vez mais competitivo parece estar reservado para poucos – não aqueles que fizeram por merecer, como apregoa a meritocracia barata, mas sim e em primeira instancia a aqueles que são belos (ou merecedores por herança genética).&nbsp;</p>



<p>O cenário econômico mundial não parece promissor. Autores aclamados, como Yuval N. Harari, já desenham suas previsões sobre um futuro onde a Inteligência Artificial tomará a frente do ser humano nos postos de trabalho. Ainda mais competição e segregação. Cada vez menos espaço para todos.&nbsp;</p>



<p>Não são poucos os autores contemporâneos que observam e escrevem sobre tais fenômenos. Parece claro afirmar que em um mundo onde a riqueza se concentra cada vez mais em menos lugares, grupos ou indivíduos, a competitividade gerada cria um cenário cada vez maior de aversão aos “não belos”, aos que não deveriam ocupar tais espaços de proeminência ou privilégio.&nbsp;</p>



<p>Evidentemente que tais fenômenos não se limitam ao Brasil. Na Alemanha o livro “A Alemanha se dissolve” de Thilo Sarrazin se tornou best-seller de enorme sucesso ao defender a tese de que os imigrantes estão destruindo o país. A chanceler Angela Merkel embora tenha condenado o livro declarou que o multiculturalismo alemão “fracassou estrondosamente”: os turcos importados para fazer o trabalho sujo na Alemanha não estão conseguindo se tornar autênticos arianos, louros de olhos azuis.</p>



<p>Em sua obra “A salvação do belo”, Byung-Chul Han explica etimologicamente o sentido da noção de beleza presente na construção do sentido alemão. Uma multidimensionalidade é o que caracteriza o termo inglês <em>fair</em>. Significa tanto <em>justo</em>, como também <em>belo</em>. Tambem <em>fagar</em>, do alto alemão antigo, significa <em>belo</em>. A palavra alemã <em>fegen</em> significa originalmente <em>tornar brilhante</em>. O duplo sentido de <em>fair</em> é uma indicação expressiva de que a beleza e justiça originalmente estabeleceram-se da mesma representação. A justiça é sentida como bela. Uma <em>sinestesia</em> particular vincula a justiça com a beleza.</p>



<p>Dessa forma, a presença do belo é um convite a ética. Como entender o racismo e o preconceito como ações éticas? Como compreender uma sociedade que insiste em considerar como “estranhos” aqueles que carregam justamente as diferenças que nos caracterizam como <em>homo sapiens</em>? A própria noção de raça que nos divide já é uma noção criminosa tão aperfeiçoada pelo nazismo alemão.</p>



<p>Se a simples presença do belo (e todos são) é um convite ao comportamento ético como justificar a morte de Galdino Jesus dos Santos? Como justificar a prisão de Leonardo dos Santos em 25/01/2019 que simplesmente foi confundido com um criminoso por ambos serem negros? Como explicar o ainda aprisionamento de Rafael Braga? Como interpretar a ação dos funcionários do banco e da polícia ao abordar Lorena Vieira na ultima quinta-feira?</p>



<p>O grande antropólogo brasileiro Darcy Ribeiro em sua obra “O Povo Brasileiro” nos fornece variadas dicas sobre como interpretar todas as questões do parágrafo anterior: “Fica a grande massa das classes oprimidas dos chamados marginais, principalmente negros e mulatos, moradores das favelas e periferias da cidade”. Seu desígnio histórico é entrar no sistema, o que se torna impossível dentro da estrutura de classes. Uma sociedade que precisaria ser totalmente refeita, das reflexões éticos-morais aos conceitos estéticos.&nbsp;</p>



<p>Atualmente nenhuma política do belo é possível, pois a política atual é totalmente subordinada a coerções. A política do belo seria uma política da plena liberdade, porém a liberdade para todos parece cada dia mais escassa. Galdino, dos Santos, Braga e Lorena Vieira não tiveram liberdade. A sociedade não foi ética com estes. Com tantos outros.&nbsp;</p>



<p>O que nos resta? Desfazer toda uma estrutura social? Investir em educação? &#8230;</p>



<p><strong>Referências bibliográficas:</strong></p>



<p>1 – Noam Chomsky – Quem manda no mundo, 2016</p>



<p>2 – Zygmunt Bauman – O mal-estar da pós modernidade, 1997</p>



<p>3–Gilles Lipovetsky – A estetização do mundo. Viver na era do capitalismo artista, 2014</p>



<p>4 – Yuval Noah Harari – 21 lições para o século, 2018</p>



<p>5 – Matthew Weaver, “Angela Merkel: GermanMulticulturalismHasUterlyfailed”, <em>The Guardian</em> (Londres), 17 de outubro de 2010.</p>



<p>6 – Byung-Chul Han – A salvação do belo, 2015</p>



<p>7 –&nbsp; Scarry, E. <em>On Beauty and Being Just.</em> Princeton, 1999, p. 93.</p>



<p>8 – Darcy Ribeiro –O povo brasileiro. A formação e o sentido do brasil, 2013</p>



<p>9 – Byung-Chul Han – A salvação do Belo, 2015</p>



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<p><strong>Guilherme Mative Butikofer Keppk </strong>é professor, graduado em Teologia e graduando em Sociologia Política pela FESP-SP.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg24-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6954" data-recalc-dims="1" /></figure>



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