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	<title>Arquivos Doula - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Tear</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Doula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Lorena Andrade</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Fui chamada pro tear dos sonhos &#8211; ou sobre quando o capital e o patriarcado se infiltram pra te manter acorrentada.</p>



<p>Um tempo atrás, uma mulher muito querida foi convidada pra um &#8220;tear dos sonhos&#8221; e me chamou. Ela estava empolgada e fez o convite como quem descobre algo completo: finanças e afeto sob uma roupagem alternativa.</p>



<p>Ouvi as expectativas dela e recebi um áudio de uma mulher que estava prestes a &#8220;realizar o sonho&#8221; de fazer uma viagem internacional.</p>



<p>Como fiquei muito desconfiada, fiz aquela pesquisa básica no Google e pronto! Tudo que eu desconfiei tinha fundamento: era um golpe, havia jurisprudência confirmando crimes de estelionato e uma suspeita de extorsão. Enviei tudo pra ela, mas era tarde demais &#8211; o verniz das &#8220;telarinas&#8221; já tinha tampado os olhos e os ouvidos dela.</p>



<p>Passa o tempo e começam a pipocar notícias de inquéritos e processos correndo contra mulheres envolvidas nesse golpe de pirâmide econômica.</p>



<p>Novamente, recebo outro convite; mas diferente da primeira vez, em que neguei, dessa vez tive a curiosidade de ver como funciona a abordagem no Zoom das &#8220;chispas&#8221; &#8211; que é como chamam as mulheres que foram convidadas para se iniciarem nessa &#8220;mandala&#8221;.</p>



<p>O discurso parece copiado ou roteirizado: falam de sororidade, irmandade, se chamam de &#8220;manas&#8221;, falam contra o patriarcado, contra o capital, contra o sistema, de conexão, de sonhos e do fatídico &#8220;presente&#8221;.</p>



<p>[Nota de meio de texto: o presente aqui é um depósito de R$5.004,00 doado por cada uma das 8 mulheres que se iniciam no golpe]</p>



<p>Eu nunca dei um presente desse valor nem para os meus filhos &#8211; ao menos nunca assim, de uma bolada só. Vocês se imaginam fazendo isso a uma total desconhecida e acreditam que a queda do patriarcado e a falência do capitalismo vem desse gesto?</p>



<p>Meu intuito aqui com esse texto é alertar, especialmente, mulheres! Vocês estão em pleno gozo se suas faculdades mentais, mulheres, não se menosprezem!</p>



<p>O que o capital e o patriarcado querem de nós é EXATAMENTE isso: que nos reunamos em segredo, que usemos uma linguagem inacessível e que lidemos com dinheiro e com poder na base do misticismo, com um ar de meritocracia que é típico dos instrumentos capitalistas no slogan &#8220;esforce-se, e haverá recompensa&#8221;.</p>



<p>Nem preciso dizer o quanto é incompatível a meritocracia com irmandade e fraternidade. Essas mandalas, teares, rodas e afins são elementos de aprisionamento mental, afetivo e financeiro, além de crime. Nada místico e nada alternativo.</p>



<p>Entendam, mulheres: o capital e o patriarcado querem isso de nós!</p>



<p>Dinheiro e poder NUNCA foram questão de energia; sempre foram roubados na base da opressão, da péssima divisão das riquezas e na marginalização de populações!</p>



<p>Para romper com essa lógica, além de gastar tempo, gasta luta! Não gasta mandala que aprisiona mulheres, que se apropriam de gestos e termos ancestrais pra manterem outras mulheres sob a égide patriarcal!</p>



<p>Círculos de cura entre mulheres sempre existiram e sempre foram profícuos porque o gesto de união é poderoso. Não porque em 2016, um grupo de neoburguesas brancas resolveu se reunir em encontros, munidas de símbolos apropriados de civilizações antigas (dos quais elas não fazem a menor ideia do que significam e exatamente por isso escolhem fazer um uso escuso) que tem toques de ciência, que são a cereja do bolo no pacote das miscelâneas equivocadas que compõem a retórica mandaleira.</p>



<p>Adoram falar de física quântica e do código de Grabovoi* com a superficialidade de enausear qualquer estudioso descomprometido.</p>



<p>Mas não se enganem, não é descuido ou equívoco do tear. Isso acontece para te encantar e te alienar; uma cortina de fumaça onde a luz só existe no palavreado.</p>



<p>Conseguem perceber como isso é interessante à manutenção do status quo? Pobre segue pobre, burguês segue querendo virar elite (nem que seja mandalando), e a elite olha pra baixo e ri; ou, quando não ri, se infiltra nessas rodas e faz girar o dinheiro que a sustenta. Dinheiro este, egresso das camadas que estão na base da pirâmide social.</p>



<p>Vêem o quanto isso segue sob o estigma do outsider fake? É como ocorreu na eleição do verme miliciano: o mote de campanha era &#8220;contra a corrupção&#8221; e &#8220;contra tudo isso que tá aí, talkei?&#8221;. Muitos de nós já sabíamos no que daria, mas um tanto de pessoas achou que era legítimo pagar pra ver &#8211; assim como estão a fazer centenas de mulheres que entram nesses esquemas criminosos, imbuídas de boas expectativas ou de uma curiosidade ancorada em algum nível de inconsequência.</p>



<p>O grande problema é que essa fraude rende frutos a cerca de 12% de mulheres apenas, enquanto 88% vê seu dinheiro jorrar por &#8220;sonhos&#8221; egoístas que nunca almejam as reformas estruturais que poderiam garantir acesso e real poder a todas as mulheres.</p>



<p>É uma alienação que tem dolo em manter mulheres acreditando que a tal &#8220;Nova Era&#8221; emerge de desejos por passeios internacionais ou aquisição de equipamentos que nunca retornarão às investidoras e que, também por isso, jamais atingirão a tão falada &#8220;queda do patriarcado&#8221; ou à &#8220;falência do sistema econômico&#8221; &#8211; e menos ainda a concretização de uma nova proposta de circulação de renda.</p>



<p>A relação entre os 12% de &#8220;agraciadas&#8221; e 88% de mulheres que não se esforçaram o suficiente para receberem o &#8220;regalo&#8221; é irmã gêmea do dado que diz que 2.153 bilionários possuem uma riqueza maior que 60% da população global.</p>



<p>Não é coincidência, nunca foi acaso! A lógica onde poucos tem muito sempre conta com a existência de muitos que nada terão.</p>



<p>Nesse golpe, perdemos todas. Obviamente, perdem as que investem R$5.004,00; como perdem também as que recebem, pois o dinheiro que as contempla envolve mulheres que nunca verão seus sonhos concretizados.</p>



<p>Dito isso, abram seus olhos, abram os olhos das mulheres ao seu lado e NÃO CAIAM NESSE GOLPE!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p>*Grigori Grabovoi é um russo, condenado e preso por prometer ressuscitar crianças mortas num massacre terrorista e também promete curar câncer usando sequências de números.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:25% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/42434-doula.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11359" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Lorena Andrade </strong></strong>é mãe, doula, feminista e parteira, necessariamente nessa ordem.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11381" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie os artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p></p>
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		<title>Doulagem e Oxum: O nascimento do orixá.</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/26/doulagem-e-oxum-o-nascimento-do-orixa/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 055]]></category>
		<category><![CDATA[Ariadne Bedim]]></category>
		<category><![CDATA[Doula]]></category>
		<category><![CDATA[orixá]]></category>
		<category><![CDATA[Oxum]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Ariadne Bedim</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Oxum (do iorubá Òşun) é uma orixá com o mesmo nome do rio que corre na Nigéria, em Ijexá e Ijebu. Ela é a força da Mulher-Mãe. Orixá das águas, do amor e da fecundidade/fertilidade. É quem acalma meu coração e direciona minhas emoções. Mesmo sendo umbandista há um tempo, tive esse momento de epifania um ano depois que conclui o curso de doula e pude compreender todo o processo que enfrentei para chegar até lá.&nbsp;</p>



<p>Nas andanças e inquietações que surgem ao longo da estrada, me olhei no espelho e desaguei. Me propus a pensar sobre existência, ancestralidade e missão. O afeto por outras mulheres, seus recortes e realidades se tornou combustível para muitos questionamentos. Considero que, nesse momento, abriu-se um portal dentro de mim que me preparava para tudo o que estava por vir.</p>



<p>Fotografei um parto humanizado pela primeira vez no mês de Oxum, em dezembro, e foi o que me despertou para a doulagem. Eu me conectei e senti uma energia tão forte se expandindo em meu coração que tive vontade de viver aquilo de peito aberto, com o objetivo de ser uma rede de apoio para as gestantes e contribuir para uma nova forma de parto consciente. É necessário se conectar com o propósito.&nbsp;</p>



<p>Desde o início, manifestava uma doulagem que pudesse contemplar todas as mulheres, de forma acessível e colaborativa. Não basta apenas lutar e se posicionar contra a violência obstétrica, tendo em vista que as mulheres que passam por essa brutalidade são, em sua maioria, negras, periféricas e estão sem acompanhamento de doulas. Além disso, pela situação de muitas gestantes e da falta de estrutura dos hospitais para abraçar o parto normal e humanizado no Brasil, as doulas devem dar enfoque aos grupos de mulheres negras; mulheres de baixa renda; LGBTQIA+ e casais que estejam em algum grupo minoritário.<br><br>O primeiro parto que acompanhei como doula foi humanizado e sem intervenções. Recebi uma ligação com gemidos de contração, realizei meu ritual, comi, tomei banho, acendi uma vela e pedi proteção para Oxum. Já no hospital, encaminhei a gestante para o chuveiro em um certo momento, a água alivia e dissipa a dor. Enquanto isso, fazia massagem nas suas costas e cantarolava, bem baixinho, um canto para Oxum em Iorubá “Oro mi maió”, que significa “Deus é maior”. A água que caia se misturava com a água de cachoeira que eu derramava em suas costas. Um tempo depois, quando o bebê estava coroando, peguei um pequeno espelho que também carrego nos partos para que a mulher pudesse ver a sua filha. Nasceu. Espelho-reflexo e água de Oxum.&nbsp;</p>



<p>A conexão com ensinamentos sobre fitoterapia indígena me acompanham durante toda a trajetória. Busco carregar, dentro da minha bolsa de doula, água da cachoeira ou mar, ervas, folhas e óleos que transportam toda a energia da mata para o momento tão aguardado. Sinto o grande poder de cura das matas, da natureza, do sol e da lua. Tudo nasce e prospera através da força dos nossos protetores e guardiões. A natureza é Mãe. O parto é natureza selvagem de uma mulher que se transforma em divindade do sagrado e profano. As mulheres indígenas sempre souberam como parir e se conectar, de forma que a cesárea, apesar de ser um método necessário em situações de risco, é mais uma forma de colonização do homem branco que tentamos, constantemente, decolonizar.<br></p>



<p>Por fim, enfatizo o protagonismo da mulher durante o parto e a importância de um companheiro ou companheira presente. O corpo de uma mulher tem muita potência, saibamos e sintamos a força do nosso ventre!</p>



<p>Após a leitura desse texto, sugiro que escute a música <em>Oxum</em>, de Serena Assumpção.<br><br>A ilustração é do artista Menote Cordeiro.</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:29% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91a15-aridne.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11096" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Ariadne Bedim </strong>é jornalista formada na Universidade Federal de Juiz de Fora &#8211; UFJF, doula, fotógrafa documental e afetiva, umbandista, encantada pela antropologia visual e audiovisual.&nbsp;</p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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