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	<title>Arquivos educação em museus - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O Museu e seu Entorno como Território Educador</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 Nov 2019 20:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 021]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[educação em museus]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[museu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na etimologia da palavra Museu, do latim MUSEUM, derivado do grego MOUSEION, reportamo-nos ao que é &#8220;próprio das musas”. Da semiologia da expressão, temos por entendimento a referência básica ao Templo, ou seja, onde residem as musas e divindades gregas que inspiravam diversas formas de arte. Outrossim, esta definição, embora seja o alicerce fundamental para o entendimento das atividades de um museu na comunidade em que está inserido, não deve nos impedir de analisar com atenção as transformações no tecido social que trouxerem outras maneiras de compreender a atuação do Museu em nossos dias.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Muito além de salvaguardar seus acervos e comunicá-los, os museus, desempenham um papel importante e estratégico para transformação social. E a educação ocupa lugar de destaque nesse aspecto.</p>



<p>Entendendo os objetos museológicos e as narrativas expográficas como ferramentas de trabalho, a divisão de educação, ou o setor educativo de um museu, tem como principal papel atuar como um agente facilitador nos processos experimentados pelo visitante diante do acervo. Por este motivo, a maior parte do trabalho de um educador em um museu consiste em criar estratégias de mediação que proporcionem ao visitante autonomia sobre o conhecimento que deseja construir. Por isso, se faz necessário constituir e consolidar abordagens que investiguem as instituições com ênfase nos objetos museológicos, no espaço arquitetônico, e área do entorno, buscando proporcionar uma experiência única de vivência e aprendizado para o público.&nbsp;</p>



<p>Com relação a mediação, um método que se apresenta como relevante caminho ao educador de museu é a busca por explorar a potência dos conceitos que os itens do acervo carregam, especialmente a partir de observações feitas pelo próprio visitante. Deste modo, o mediador trabalha com as possibilidades de interpretação, que retiram o visitante de sua posição de mero expectador e o traz para o centro deste processo. Por este motivo, existe uma dedicação especial nas pesquisas realizadas pelo educativo de um museu em desenvolver abordagens que vão além das características elementares da instituição, propiciando aos interlocutores inquietações que permitam a compreensão de contextos políticos, sociais, culturais e até mesmo acerca das predileções estéticas que cada indivíduo carrega consigo.</p>



<p>Portanto, em espaços não formais de educação, os processos tendem a ser mais abertos e as estruturas menos rígidas na dinâmica de ensino e aprendizagem. Isso ocorre porque é fundamental se apropriar da ideia de que a experiência museológica, ou seja, o ato de se adentrar em um museu e estar presente durante este processo, prevalece em relação à mera explanação de informações, privilegiando a experiência do visitante ao espaço como prática libertadora de aprendizagem.&nbsp;</p>



<p style="background-color:#826000" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">Sendo assim, é interessante pensar que, muito além de um templo onde repousam as musas adornadas por sacrifícios intelectuais, o museu sinaliza um território educador, como um marco no tecido urbano da cidade, que anuncia a extensão de suas práticas à dimensão humana de cada indivíduo.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na Imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a0dc8-foto-carol5.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1552" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Experiência Museológica como Finalidade</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jul 2019 12:07:46 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 006]]></category>
		<category><![CDATA[educação em museus]]></category>
		<category><![CDATA[educativo]]></category>
		<category><![CDATA[experiência estética]]></category>
		<category><![CDATA[experiência museológica]]></category>
		<category><![CDATA[mediação]]></category>
		<category><![CDATA[museus]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Talvez uma das maiores dificuldades que instituições museológicas enfrentam em seu dia-a-dia, está, entre outras atividades, impulsionar e gerir propostas educativas consoantes com sua missão institucional.&nbsp;</p>



<p>Diante deste desafio, o presente artigo propõe algumas considerações acerca de possibilidades de ações educativas em diferentes linhas de atuação tais como: visitas mediadas, agendamento de grupos e escolas, criação de objetos pedagógicos, criação de material educativo para professores, portadores de necessidades especiais e estrangeiros, visitas técnicas para os funcionários da equipe de&nbsp;conservação,&nbsp;vigilantes,&nbsp;corpo técnico, além de criar projetos direcionados à comunidade do entorno.&nbsp;</p>



<p>O ponto de partida é o entendimento do momento da&nbsp;visita&nbsp;<strong>enquanto experiência museológica,&nbsp;</strong>sobretudo porque os espaços museais oferecem possibilidades de&nbsp;experiências&nbsp;dinâmicas, com narrativas&nbsp;expográficas&nbsp;que estimulam a curiosidade a partir da interação. Deste modo, os visitantes têm a oportunidade de conhecer,&nbsp;por meio de diferentes percursos,&nbsp;histórias de vida, trajetórias políticas, obras de arte e artistas diversos, além de passarem por experiências estéticas e consumir conteúdo científico.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Para a construção de uma abordagem que respeite a experiência dos indivíduos, é fundamental proporcionar aos visitantes a oportunidade de atuar com autonomia dentro do espaço expositivo, bem como compartilhar informações importantes para que a mediação seja feita&nbsp;<strong>aproveitando as potencialidades observadas pelo visitante</strong>. Nesse sentido,&nbsp;podemos entender que a qualidade da visita está diretamente associada à profundidade da experiência na qual o visitante estará inserido. </p>



<figure class="wp-block-image size-large is-resized"><img fetchpriority="high" decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/7500342_x720.jpg?fit=606%2C341&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-549" width="663" height="373" /><figcaption>Visitantes interagindo com obra do artista Ernesto Neto &#8211; Pinacoteca</figcaption></figure>



<p>Por este motivo, vale destacar que as sensações que podem ser despertadas no âmbito do espaço museológico são capazes de promover uma educação do olhar,&nbsp;proporcionando o desenvolvimento de novos modos de pensar, propícios a reflexão,&nbsp;abrindo sua percepção para outros campos semânticos, de modo que ele seja capaz de mudar a maneira como lê e interpreta o mundo. A importância das sensações pode ser entendida em relação aos museus da seguinte forma:&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>(&#8230;)&nbsp;O museu é o lugar em que sensações, ideias e imagens de pronto irradiadas por objetos e referenciais ali reunidos&nbsp;<strong>iluminam valores essenciais para o ser humano.</strong>&nbsp;Espaço fascinante onde se descobre e se aprende, nele se amplia o conhecimento e se aprofunda a consciência da identidade, da solidariedade e da partilha&nbsp;(&#8230;)&nbsp;&nbsp;</p>



<p class="has-small-font-size">Disponível em: &lt;http://www.museus.gov.br/os-museus/&gt; Acesso em 09/01/2019, 8:22&nbsp;</p>



<p>Nesse sentido, é válido ressaltar a importância de uma experiência potencializada por emoções e sensações, para que o indivíduo tenha de fato uma visita rica, aproveitando o espaço e o acervo como ferramentas para estimular o entendimento de conceitos e conhecimentos relevantes.&nbsp;&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/24cf3-acao-educativa-no-museu-de-arte-do-rio-mar-foto-divulgacao1.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-550" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Ação Educativa no Museu de Arte do Rio (Foto: Divulgação)</figcaption></figure>



<p>Uma das estratégias utilizadas para oferecer ao visitante recursos que provoquem sua percepção e emoções, deslocando-o de sua posição meramente passiva, é o&nbsp;<strong>potencial estético existente nos circuitos expositivo.&nbsp;</strong>Para além das obras de arte, dentro desta perspectiva, é preciso, considerar que, na elaboração conceitual dos museus, nas edificações, bem como nas potencialidades dos acervos, as interseções com o campo artístico foram traçadas à partir das escolhas estéticas que foram feitas para implementação dos espaços, nos percursos expositivos, mobiliário, objetos, etc. Essa característica evidencia as potencialidades de trabalho que tem como ponto de partida a articulação de conceitos através das formas, cores, texturas, sensações táteis, criando um contexto propício a experiencias também estéticas. </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/07/GOPR1770.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-553" /><figcaption>Atividade de construção de estruturas geométricas no Memorial da República Presidente Itamar Franco.</figcaption></figure>



<p>Jean-Marie&nbsp;Guyau, em seu livro:&nbsp;<em>A Arte do Ponto de Vista Sociológico</em>, desenvolve um raciocínio onde o rudimento estético é um potencial vetor para produção de uma&nbsp;<strong>emoção estética,</strong>&nbsp;sendo essa caracterizada como a mais imaterial e intelectual emoção humana (GUYAU, 2009), portanto, um aspecto que carece de ser aprofundado.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Por este motivo, para que a experiência museológica ocorra em um nível mais sensível, é preciso conectar as esferas estéticas e a subjetividade das vivências, porque, em geral,  a experiência é um ato contínuo, como diz John Dewey em seu livro Arte como Experiência:&nbsp;<em>A experiência ocorre continuamente, porque a interação do ser vivo com as condições ambientais está envolvida no próprio processo de viver</em>. (DEWEY, John.&nbsp;pág&nbsp;109). Sendo assim, experiências significativas &#8211; que podem ser mensuradas como transformadoras ou marcantes &#8211;  dependem de forte carga emocional para se consolidar, (como aprender a andar de bicicleta, por exemplo). </p>



<p>Nesse sentido,&nbsp;<strong>tudo o que toca a percepção é passível de ser trabalhado</strong>&nbsp;com o objetivo de despertar a curiosidade e provocar reflexões que tornarão o interesse pelos espaços e pelos acervos cada vez mais latente.&nbsp;</p>



<p>Outro aspecto relevante, é considerar que o visitante deve&nbsp;ser observado pelo educador enquanto&nbsp;<strong>ser cultural,</strong>&nbsp;ou seja, um indivíduo que traz consigo experiências e vivências pessoais que devem ser reconhecidas como recursos a serem utilizados para ampliação das possibilidades de construção de conhecimento durante a visitação. Pierre Bourdieu, em suas categorias de capitais simbólicos, afirma que cada indivíduo reage de maneira diferente à estímulos estéticos, por conta de valores e apropriações provenientes de socializações primárias, construindo um repertório cultural que possibilita cada um de nós intuir acerca de valores estéticos ou culturais, que acabariam, ao fim, sendo utilizados como recursos de poder. Deste modo, Bourdieu sugere, em algumas ocasiões, que a cultura pode ser utilizada como veículo de mobilidade social (SILVA, 1995, PÁG, 28).&nbsp;</p>



<p>Portanto, cabe aos setores Educativos dos museus, propor abordagens institucionais que desloquem os visitantes de sua posição de mero receptor&nbsp;de informações/orientações acerca do espaço, acervo e de como se comportar dentro do museu, para uma posição participativa, sendo estimulado a atuar ativamente na troca de conhecimentos inerentes às atividades museológicas. Assim sendo, cada instituição poderá exercer o papel de agente catalizador, promotor de ações educativas que apresentem diversos trajetos e possibilidades onde o visitante torna-se partícipe da construção do conhecimento.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>
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