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	<title>Arquivos educação - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Duda ou Sobre a impermanência dos sentidos </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Sep 2024 13:24:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ANO 006, N 204]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[educação]]></category>
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		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Rogério Arantes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>A minha vida, até aquele momento, havia se resumido em brincar, ir à escola e àquela que até então era a minha maior e única paixão: o futebol.&nbsp;</p>



<p>A infância naquelas últimas décadas do século XX, já marcada, no Sul global, pelos toques agridoces da globalização, ainda carregava consigo uma certa relação de artesania entre o menino e o mundo: a televisão já passava programas de tom preconceituoso e com estéticas duvidosas, mas enquanto ela ficava ligada os meninos jogavam bola na rua; o celular já trazia suas distrações artificiais e com estéticas duvidosas, mas quase nenhum menino tinha o seu; o videogame já trazia jogos que hoje são nostálgicos e com estéticas duvidosas, mas nem todos tinham um console em casa e, quando tinham, nem sempre jogavam. Ainda havia espaço para pipas no céu, carrinhos de rolimã nas ladeiras, figurinhas batidas no chão, pique-esconde, polícia e ladrão…&nbsp;</p>



<p>O tempo passou e agora é coisa comum ver crianças que mal sabem falar, mas já possuem o seu smartphone; mal sabem ouvir, mas já obedecem à nova <em>trend</em> do momento; mal sabem andar, mas já ficam vidradas em telas e tecnologias que, se por um lado prezam por uma estética não tão duvidosa, haja vista os enormes avanços feitos por inteligências artificiais e afins, acabam deixando de lado uma relação mais orgânica e visceral com o mundo lá fora.&nbsp;</p>



<p>Hoje, bem mais velho, vendo todas essas transformações acontecerem no mundo, de forma cada vez mais rápida, em uma incessante busca pelo progresso, percebo que aquela primeira parte da minha vida vem se tornado algo cada vez mais raro para os moleques do nosso país.&nbsp;</p>



<p>Não quero que toda essa divagação sobre tecnologias, globalização, transformações culturais e quejandos faça com que eu pareça um ranzinza senhor de meia idade que fica relembrando um passado que jamais voltará. Não, como poderá ser notado adiante e já pelo título deste texto, eu gosto mesmo é de pensar na impermanência. Se falo das mudanças, falo sem julgá-las. Não sou inocente a ponto de dizer que a minha fala não tem posicionamento. Tem, é claro! No entanto, é possível posicionar-se sem perder um olhar de encanto e respeito para tudo aquilo que se apresenta a nós, mesmo as coisas que não nos convencem tanto assim.&nbsp;</p>



<p>Esse papo todo me lembra de quando meus pais me matricularam na escolinha de futebol do bairro. Eu tinha de seis para sete anos e vestir aquele uniforme nas terças e quintas depois da escola era uma das melhores sensações da semana. Só não ganhava, é claro, da sensação de vestir este mesmo uniforme aos sábados de manhã. Dia de treino de campo. Eu e os outros meninos mínimos, correndo naquele enorme tapete verde que era o gramado da escolinha. A bola, naquela época, também era imensa. E o que dizer das traves? Elas pareciam gigantes de madeira abraçados pelas redes que a gente adorava balançar. Coitados dos goleiros!&nbsp;</p>



<p>Imerso nesse ambiente futebolístico, naturalmente o gosto por jogar bola puxou também o gosto por assistir futebol, acompanhar e torcer por um time. Uma coisa retroalimentava a outra.&nbsp;&nbsp;</p>



<p>Ver o craque do meu time marcar gol e comemorar com uma dancinha para as câmeras significava que no fim de semana seguinte, quando saísse gol do meu time na escolinha, todos nós iríamos comemorar reproduzindo a dancinha vista pela televisão. Perder de lavada no jogo da escolinha no sábado e ficar remoendo o que poderia ter feito de melhor para não chegar até aquele resultado significava me preparar para quando o meu time perdesse uma final de campeonato para o seu maior rival.&nbsp;</p>



<p>Estes afetos e emoções trazidos pelo futebol me atravessavam e ganhavam força a cada nova partida do meu time e a cada novo treino na escolinha. As relações com meus pais passavam por isso, os meus amigos mais próximos eram também os colegas da escolinha, os primeiros textos nas aulas de português tinham o futebol como mote, as cores das roupas que eu gostava eram, claro, as mesmas do meu time do coração. Quer dizer, o sentido das coisas, dentro da minha adolescente cosmovisão, passava quase que inteiramente pelo futebol.&nbsp;</p>



<p>Só que como eu já adiantei mais cedo, este texto é sobre impermanências. E aquele sentido tão forte da infância e da adolescência, trazido pelo futebol, um dia foi quebrado. A responsável por esta quebra foi a Duda.&nbsp;</p>



<p>Durante muito tempo, ela foi apenas uma colega, mas com o aumento das nossas conversas eu fui percebendo que ela era muito mais. Enquanto eu só queria saber de futebol, ela já estava começando a ler uns livros difíceis, coisa de Filosofia e Antropologia, e sempre tinha as melhores sacadas sobre os assuntos do momento. Ser boa aluna, pra ela, não era nenhum esforço. Não sem motivo, ela era a queridinha dos professores, que sempre a elogiavam. Além de tudo isso, ela tinha aquele sorriso, que não demorou muito para me fisgar completamente.&nbsp;</p>



<p>Só que eu era só mais um menino que gostava de futebol, mais comum do que isso, impossível. Tive que me esforçar muito para ser notado pela Duda e, depois de muito papo, finalmente tinha conseguido chegar num ponto em que ficar com ela parecia ser uma possibilidade real no horizonte: festinha na casa da Pri no sábado! Durante a semana, na escola, a Duda deu vários sinais de que iria rolar e eu fui desejando que a semana passasse cada vez mais rápido.&nbsp;</p>



<p>Quando chegou a sexta, no entanto, foi que eu me liguei: aquele era o sábado de viajar com o time da escolinha para um jogo em outra cidade, aquele também era o sábado em que, à noite, meu time do coração disputaria uma final de um campeonato que há décadas ele não vencia.&nbsp;</p>



<p>Por conta da Duda, para o treinador da escolinha, eu passei mal. Para o meu time do coração, eu tive que deixar para ver os gols do título no domingo de manhã. Internamente, contudo, tudo isso foi justificado quando passava pela minha cabeça e pelos recém nascidos pêlos do meu corpo, o comichão de lembrar daqueles beijos dados na varanda da casa da Pri. Foi ali, naquele momento, que percebi pela primeira vez a impermanência dos sentidos.&nbsp;</p>



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<p><strong>Rogério Arantes</strong> é natural de São Gonçalo do Sapucaí e radicado em Juiz de Fora, vive algumas das muitas Minas Gerais. A escrita, desde cedo, esteve presente em sua formação e em suas buscas artísticas. Amante da arte, da filosofia e do futebol, procura tornar difusas as fronteiras entre estas três temáticas dentro de sua produção literária. Atua como professor e produtor cultural, além de escrever contos, poemas e canções. </p>
</div>
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		<title>Editorial &#8211;  No porão de nós mesmos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 May 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 046]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[quarentena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na sobriedade de nosso cativeiro moderno, a visita aos porões de nossa identidade nos mostra outras versões de nós mesmos.</p>



<p>No princípio, era o confinamento uma oportunidade de se afastar de nossas rotinas assoberbadas, sem brechas sequer para tocar os próprios planos. Além disso, poderíamos contribuir para que menos vidas fossem perdidas e ainda reduzir as chances de contaminação de quem não pode optar por ficar em casa. Ao mesmo tempo, ao ficarmos recolhidos, teríamos a oportunidade de aproveitar o tempo que nos faltava. Acontece que aos poucos, o silêncio &#8211; que era o conforto da alma eletrificada pelo cotidiano intenso &#8211; se tornou um objeto pesado sobre nossas cabeças.</p>



<p>Por conta das diversas nuances que o confinamento apresenta, é extremamente improvável que continuemos os mesmos após esse processo. Mas como disse certa vez Câmara Cascudo: ninguém é ou deixa de ser. Isso significa que não temos condições de definir quem somos, tendo em vista que estamos em constante processo de construção, mas, ao mesmo tempo, significa também que não podemos ignorar o que já se foi construído. Nesse processo que é exercer a vida, nossas vivências já dariam conta de mudar quem somos, ou pelo menos quem pensamos ser. Por outro lado, se todas as experiências são transformadoras, porque nem todas as transformações são perceptíveis? Afinal de contas, em condições normais, cada um de nós viveria suas alegrias e tristezas, comemoraria suas vitórias e carregaria suas derrotas, como quem faz com prêmios de consolação, e, com o passar do tempo, não se perceberia mais o mesmo.</p>



<p>Nesse sentido, devo dizer que o que torna esse cenário de mudança atual tão perceptível é de fato a nossa presença nos porões de nós mesmos. Muito além do confinamento, estamos presos à realidade paralela à nossa rotina habitual, que retrata diariamente um &#8220;mundo lá fora” tão apocalíptico quanto qualquer série ou filme distópico. E ao nos depararmos tão intensamente envolvidos com as agruras da contemporaneidade, descemos mais um pouco as escadas desse porão, sem saber ao certo o que encontraremos lá em baixo.</p>



<p>Felizmente, podemos sentir dia após dia que a capacidade de praticar ou ser conivente com aquilo que é mal, repulsivo e destrutivo nos choca cada vez mais, ao ponto de ficarmos atônitos diante dos fatos. Os números noticiados se convertem em histórias de vida em nossa percepção, lembrando a dignidade de quem foi vitimado entre tantos feridos. E, mais do que isso, todo levante vil e traiçoeiro contra a dignidade humana nos indigna cada vez mais. Todos esses elementos, que se encontravam empoeirados no porão de nossas vidas, estão sendo cuidadosamente recuperados, com o cuidado de uma mãe gentil que prepara a mochila de seu filho para seu primeiro dia de luta.&nbsp;</p>



<p>Nesse dia, quando as portas se abrirem para as ruas novamente, nossos corpos serão incendiados pela luz da liberdade, recolheremos os cacos pesados do silêncio do velho mundo, para trabalhar incansavelmente, em novas versões de nós mesmos.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/inspireoutras/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/ed313-camile-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-9848" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Editorial &#8211; O que aprendi na quarentena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 043]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Editorial]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[quarentena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Distante da realidade habitual,  diante da similaridade dos dias de um mundo em quarentena , a sensação que tenho é que <strong>o olhar sobre a vida passa por um processo de decantação.</strong> Me parece também, que <strong>esse processo torna visível as diferentes camadas que somos a partir da trajetória de nossas vidas, que nos trouxe até aqui</strong>.</p>



<p>Olhando nos olhos do tempo, aprendi que as nossas noções sobre aquilo que é essencial foram construídas sobre nossas vaidades, e que não resistem à dureza de encarar a existência de maneira simples e prosaica.</p>



<p>Aprendi que a simplicidade não consiste em uma busca pela excelência se valendo de poucos recursos, mas de observar nas pequenas coisas a potência da existência em movimento.</p>



<p>Aprendi que ao olhar pra luz que ilumina os objetos que adornam nossas casas, através dos vidros empoeirados de nossas janelas, percebemos quantas histórias podemos contar a partir de cada um deles, e tantas facetas de nossa personalidade eles também revelam silenciosamente.</p>



<p>Percebi que nossas convicções políticas não revelam a totalidade de nossa identidade, e que o exercício da alteridade parte do cultivo da dúvida sobre nossas certezas.</p>



<p>Aprendi que nossos corpos não são nossos, mas somos nós. Eu sou o corpo que habito, por isso não há necessidade de posse. O corpo não é propriedade.</p>



<p>Aprendi que as distâncias entre esses corpos não consiste apenas na presença física, pois na frieza de nossas rotinas não encontramos tempo pra sentir falta de quem amamos.  O que fica nítido quando nem nos damos ao trabalho de responder simples mensagens, &#8220;porque estamos sem tempo&#8221;.</p>



<p>Percebi que no dia-a-dia da vida moderna, essa busca constante em sobrecarregar nosso tempo livre de atividades,  é, na realidade, uma forma de não encarar de frente os problemas da existência, e a precariedade de nossa condição.</p>



<p>Aprendi que não somos o maniqueísmo social, político ou espiritual que pregamos, e que todas as pessoas tem a capacidade de perceber em si seus impulsos mais sórdidos e sentimentos mais solidários.</p>



<p>Inclusive, percebi que nosso poder de coesão social é muito mais forte do que qualquer segregação política, racial ou religiosa. Aparentemente estamos apenas sendo distraídos por cortinas de fumaça.</p>



<p>Aprendi que essas cortinas de fumaça, tentam esconder a vergonha e o medo dos poderosos, por causa do desespero diante da percepção de que, na realidade, são pobres e estão cegos e nus, sentados em seus tronos de pó.</p>



<p>Percebi que ninguém é ou deixa de ser, visto que somos o empilhamento do que fomos frente àquilo que podemos ser. Por isso, a mudança é a única coisa permanente em nossas vidas.</p>



<p>Aprendi que em tempos como os que vivemos, a esperança é atacada cruelmente por todos os lados, mas que nós somos a caixa de Pandora responsável por salvaguardá-la de nossas vaidades.</p>



<p>Aprendi que não existe dor que não possa ser superada, e que não há motivos pra crer que já não temos tudo o que precisamos.</p>



<p>Finalmente percebi que isso tudo vai passar. Que seremos capazes de nos adaptar à nossas transformações. E que essas transformações sempre estarão em busca do sentido mais profundo para exercer o que é a vida.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text is-stacked-on-mobile alignwide" style="grid-template-columns:28% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/e1ca7-autor-fred.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8295" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:17px"><strong><strong><strong><strong>Frederico Lopes </strong></strong></strong></strong>é Artista, educador, encadernador e escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco, Museu de Arte Murilo Mendes e é fundador da Bodoque Artes e ofícios e da Revista Trama.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">

<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: Artistas para seguir na quarentena</p>


<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6b306-luis-2-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9377" data-recalc-dims="1" /></figure>


<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>

</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>O abismo curricular para nossos alunos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 03 May 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 043]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Karina Mendonça </p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Que 2020 ficará na história, é algo que todos nós já sabemos, mas como os nossos estudantes serão afetados em meio a todo este caos? Enquanto os filhos encontram-se em casa, alguns pais se sentem no direito de não pagar as escolas. Por outro lado, os professores precisam sustentar as suas famílias. É fato que vivemos uma situação excepcional, nunca esperada e estamos todos sem saber como agir, afinal, todas as partes da sociedade estão sendo afetadas, empresários, pais, professores e, principalmente, estudantes.</p>



<p>No dia 14 de março de 2020, foi publicado o Decreto de n° 48.809, com “medidas temporárias para enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus, conforme previsto na <em>Lei Federal nº 13.979</em>, de 6 de fevereiro de 2020”, ficando determinado, segundo o <em>Art 6°- A </em>(acrescido pelo art. 1° do Decreto n° 48.810, de 16 de março de 2020), que a partir do dia 18 de março de 2020, deveriam ser suspensas as aulas nas escolas, universidades e estabelecimentos de ensino em todo o Estado de Pernambuco.</p>



<p>Desde então, as escolas públicas e particulares tentaram de inúmeras formas driblar a situação e uma das maneiras encontradas, foi “decretar” férias. Assim, o mês de abril foi considerado um mês de férias escolares para alunos e professores. Durante este tempo, empresários,&nbsp; professores e também o governo, tentaram encontrar formas de fazer acontecer enquanto estamos todos em casa. No último dia 28 de abril, o Conselho Nacional de Educação (CNE), aprovou algumas diretrizes para as escolas durante a pandemia.&nbsp;</p>



<p>Algumas das recomendações dizem respeito à reposição de carga horária no período pós-pandemia, com sugestão da utilização do recesso escolar do meio do ano, de sábados, ampliação da jornada diária por meio de acréscimo de horas em um turno ou até a utilização do contraturno. Para complementar, o CNE autorizou também os sistemas de ensino a computarem atividades não presenciais, como meios digitais, videoaulas, plataformas virtuais, redes sociais, programas de televisão, materiais entregues aos pais e alguns outros sugeridos.&nbsp;</p>



<p>É importante lembrar, no entanto, que o problema não é apenas em Pernambuco, ou no Brasil. Segundo os dados da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), devido a pandemia, <strong>“cerca de 191 países decretaram o fechamento de escolas e universidades neste período, atingindo cerca de 1,6 bilhão de crianças e jovens, o que corresponde a 90,2% de todos os estudantes”</strong>.</p>



<p>Abril acabou e as aulas retornam no início de maio. Desde o início da pandemia, no entanto, o governo de Pernambuco vem buscando formas de atrair os alunos, e além das plataformas já existentes como o <em>Educa-PE</em>, criou uma nova plataforma, o <em>Ambiente Virtual de Aprendizagem</em> (AVA). O problema é que apenas 15% dos alunos estão acessando e acredita-se que é por falta de estímulo dos pais. Mas onde estão os pais dos alunos das escolas públicas? Estão em casa? Ou estão trabalhando?&nbsp;</p>



<p>As escolas particulares funcionarão de formas diferentes. A “Escola A” manterá o horário da aula pela manhã, para as turmas do Fundamental 1 e 2, com aulas em forma de hangout, pelo Google. Já os alunos da tarde, terão períodos de aula, também como hangout. A “Escola B”, funcionará da mesma forma, além de utilizar pequenos vídeos para os alunos do Infantil. Já a “Escola C” optou por iniciar com duas aulas de 50 minutos para os alunos do Fundamental 1 e aumentar para quatro aulas no dia 15 de maio, também na forma de hangout e suspender as aulas (e o pagamento) dos alunos do Infantil. A “Escola D” dará uma hora de aula ao vivo para os alunos do Infantil.</p>



<p>A questão é que, ao optar por um curso EAD, o estudante sabe que precisará se dedicar aos estudos muito mais do que o estudante que tem aulas presenciais, mas ele o faz por escolha, por ter idade suficiente para arcar com a responsabilidade de assistir às aulas e estudar. Agora, as escolas querem adaptar o modelo EAD para crianças a partir dos seis anos, mantendo-as em frente ao computador por cerca de quatro horas diárias assistindo aulas, exigindo ainda o suporte dos pais. Mas e os pais que precisam trabalhar e estão em “home office”?</p>



<p>Por não saber como estimular os alunos a acessarem as plataformas, o governo do Estado de Pernambuco, adiou para junho às providências a respeito das escolas estaduais. Enquanto isso, as escolas particulares, seguem tentando mostrar aos pais que estão ensinando seus alunos. Os professores seguem tentando ensinar crianças em uma plataforma que não as atrai e onde, nem sempre poderão contar com o apoio dos pais. E em meio à todo o caos, as nossas crianças seguem sem, de fato, aprender.&nbsp;</p>



<p><strong>Fontes</strong>:</p>



<p><a href="http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_contentu0026view=articleu0026id=89051">http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_contentu0026view=articleu0026id=89051</a></p>



<p><a href="https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?id=49417u0026tipo=TEXTOATUALIZADO">https://legis.alepe.pe.gov.br/texto.aspx?id=49417u0026tipo=TEXTOATUALIZADO</a></p>



<p><a href="http://www.educacao.pe.gov.br/portal/?pag=1u0026cat=18u0026art=5599">http://www.educacao.pe.gov.br/portal/?pag=1u0026cat=18u0026art=5599</a></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Karina Mendonça</strong> é uma jornalista frustrada, designer cansada e estudante de letras motivada. Desistiu de tentar mudar o mundo e resolveu focar em salvar a próxima geração.&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/d.nowicki/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/05/cfd88-arte-3-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9369" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff" class="has-text-color has-background has-text-align-center"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/c41a4-publi-ediccca7acc83o-impressa-1-1024x446-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-EDIÇÃO-IMPRESSA-1-1024x446.png" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Versão Impressa &#8211; Edição Conceito</p>



<p>Exemplar impresso da edição conceito da Trama, contendo os 10 textos mais lidos até sua diagramação. Autores selecionados: Ricardo Cristófaro, Dane de Jade, Enrique Coimbra, Gyovana Machado, Frederico Lopes, Caroline Stabenow, Gabriel Garcia, Marcus Cardoso, Kariston França, Paola Frizeiro, Luisa Biondo.</p>



<p>35.00 R$</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/wp-content/plugins/jetpack/_inc/blocks/images/paypal-button-1e53882e702881f8dfd958c141e65383.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Pagar com o PayPal" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Esta imagem possuí um atributo alt vazio; O nome do arquivo é PUBLI-BODOQUE3-1024x1024.png" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>O potencial do imagético para a compreensão do mundo</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/16/o-potencial-do-imagetico-para-a-compreensao-do-mundo/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 16 Feb 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 032]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[história da arte]]></category>
		<category><![CDATA[imagem]]></category>
		<category><![CDATA[Victor Bicalho]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Vítor Bicalho Mota</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A imagem como documento, portanto como cultura visual, é de suma importância para o ensino de História (principalmente da arte), devido ao seu potencial cognitivo. Ademais, segundo Eduardo França Paiva, as representações imagéticas possuem códigos, símbolos, emblemas, alegorias, mas esses signos não são absolutos, definitivos, fixos, nem imutáveis. Tudo vai depender da recepção que eles terão em cada época, no seio de cada grupo social e, também das variadas maneiras pelas quais serão apropriados historicamente.   </p>



<p>&nbsp;Nesse complexo processo de recepção, divulgação, apropriação e resinificação das imagens no tempo e no espaço é preciso salientar alguns aspectos fundamentais. O primeiro é, talvez, reiterar, de maneira explícita, o fato de as representações integrarem a dimensão do real, do cotidiano, da história vivenciada (PAIVA, 2002: 26). O imaginário não é, como se poderia pensar, um mundo à parte da realidade histórica, uma coisa abstrata que não faz parte de nosso mundo e de nossas vidas:</p>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-right has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Ao contrário, esse campo icônico e figurativo influencia, diretamente, nossos julgamentos; nossas formas de viver; de trabalhar; de morar; de nos vestirmos; de nos alimentarmos; de compararmos as coisas; de expressarmos nossas crenças, sejam elas religiosas, políticas ou morais; de nos organizarmos em nosso cotidiano; de escolhermos nossas atividades e profissões; de construirmos nossas práticas culturais e de novamente representarmos o mundo em que vivemos, em toda sua diversidade e complexidade (PAIVA, 2002: 26-27).</p>



<p>Outro ponto que precisa ficar claro é no que tange às categorias históricas de permanência e ruptura. O jogo estabelecido entre as mudanças e permanências históricas no que se refere aos valores, gostos, ideias, conhecimentos, referências e padrões é uma das chaves principais para que se possa compreender melhor a história das imagens e a nossa relação intensa com elas, ao longo dos séculos. Igualmente, é esse jogo que nos possibilita entender porque algumas imagens continuam sendo referenciais para nós, depois de séculos ou de milênios, e porque outras se perderam ou ficaram restritas a grupos específicos e, junto a isso, entender em que medida essas relações determinam nosso passado, presente e, também, nosso futuro (PAIVA, 2002: 27). &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; &nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;</p>



<p>&nbsp; Diante disso, a imagem pensada como artefato cultural expressa valores de uma determinada sociedade, nos remete ao seu imaginário social, podendo assim trazer a tona as teias culturais do tempo e espaço estudados. A iconografia tem sido cada vez mais utilizada pela História Cultural para o estudo das representações das ações humanas na história. Os registros históricos por meio de imagens têm proporcionado o confronto e diálogo com outros documentos, contribuindo com o uso da linguagem visual no ensino dessa disciplina. Portanto, tanto a narrativa textual quanto a imagética possuem saberes específicos, já que o ato de ler possui seu simbolismo de códigos, analogias e convenções; ao passo que a imagem também se compõe de técnicas, regras, convenções e formas de educação do olhar que precisavam ser decifradas, se se quer buscar uma inteligibilidade plausível para uma determinada sociedade.</p>



<p>PAIVA, Eduardo França.&nbsp;<strong>História &amp; imagens</strong><em>.</em>&nbsp;Belo Horizonte: Autêntica, 2002.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/49e82-catedral-de-amiens-franca..jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7548" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Catedral de amiens, França.</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/10eb2-sainte-chapelle-paris..jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7550" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Sainte Chapelle, Paris.</figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Vítor Bicalho Mota</strong> é licenciado e bacharel em História pela Universidade Federal de São João Del-Rei (UFSJ) desde 2017. Em 2019 concluiu o Mestrado em História pela mesma instituição (Área de concentração: Cultura e Poder).&nbsp;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b6aad-fotos-carol.jpg19.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6960" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Sensibilidade: Modos de Olhar para Dentro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Nov 2019 20:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 023]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[educativo]]></category>
		<category><![CDATA[Frederico Lopes]]></category>
		<category><![CDATA[medicção]]></category>
		<category><![CDATA[museu]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">No dia a dia do educativo de um Museu, durante a visitação, esperamos que o visitante se sinta estimulado a confrontar suas noções sobre arte, cultura, criatividade, diversão, conhecimento, etc, com outras visões de mundo e possibilidades de entendimento. Entretanto, para que essa tarefa seja realizada, precisamos deslocar o visitante de sua zona de conforto, para um lugar onde a certeza sobre esses conceitos encontra-se em suspensão. Portanto, buscamos despertar sua curiosidade a partir de reflexões que apontam outros caminhos para ler e interpretar as próprias experiências, provocando cada indivíduo que visita o museu a questionar, a partir da experiência museológica, aspectos relacionados à própria vida.</p>



<p>Nesse sentido, precisamos constantemente nos voltar para a atuação dos educadores no momento da mediação, pensando sua formação para além de seu repertório de conhecimento, criando estratégias para aperfeiçoar uma ferramenta extremamente eficaz para o desempenhar suas atividades: a sensibilidade. E esse é um texto sobre sensibilidade.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Podemos dizer que a sensibilidade é responsável pelo potencial de interpretação e associação de nossa capacidade perceptiva sensorial. É uma característica humana, algo que nos difere como seres vivos em nosso processo cognitivo. </p>



<p>Se considerarmos que a consciência da própria existência é um avanço no que diz respeito à sensibilidade de um ser vivo, o homem pode ser analisado, a partir daí como <em>ser ontológico</em>, um <em>ser sensível</em>.</p>



<p>Não tenho a pretensão de entrar em detalhes acadêmicos ou expor conceitos filosóficos sobre a existência humana para falar de sensibilidade, mas algumas noções vão nos ajudar a entender a importância de ser e estar cada vez mais sensível para encarar um processo como a mediação.</p>



<p>Ao atuar como educador em espaços não formais de educação, encaramos a responsabilidade de exercer práticas  políticas e práticas estéticas. No momento da mediação, é preciso compreender o visitante em sua complexidade, sua realidade intelectual, cotidiana e psicológica, encontrar pistas sobre seu repertório e seus interesses, para que a experiência de se visitar o espaço seja algo que fale também sobre as interseções com sua vida. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A mediação é um espaço aberto à partilha, passível de se tornar um lugar compartilhado. Conforme avançamos rumo à profundidade dos interesses do indivíduo que se submete à mediação, abrimos as portas de nossa percepção para interpretar os novos dados que se apresentam, assim, criamos um território onde o conhecimento partilhado constrói novas interpretações da realidade. Por isso a sensibilidade é tão importante.</p>



<p>Para Rancière, existe um sistema de evidências sensíveis que revela a existência de um <em>comum</em>, e dos recortes que nele definem lugares e partes respectivas (RANCIÈRE, 2018). </p>



<p>Nas palavras do autor, </p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">Essa repartição das partes e dos lugares, se funda numa partilha de espaços, tempos e tipos de atividade que determina propriamente a maneira como um <em>comum</em> se presta e como uns e outros toam parte nessa partilha. </p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">(RANCIÈRE, 2018. pág 15)</p>



<p>Assim, a partilha do sensível faz ver quem pode tomar parte no <em>comum</em> em função daquilo que faz, do tempo e do espaço em que essa atividade se exerce, e, para encontrar o comum e questão, é preciso que as partes se identifiquem.</p>



<p>Por este motivo, fazer provocações que coloquem o visitante em condições de revelar a parte onde habita seu lugar de fala é fundamental para que o relacionamento construído durante a experiência no museu tenha condições de adentrar no contexto pessoal de cada indivíduo.</p>



<p>Sendo assim, é imprescindível que os educadores tenham como objetivo realizar uma arqueologia de si mesmos. Que tenham como hábito a criação de estratégias para voltar seus olhares para dentro, inaugurando novos modos de olhar para si, para o outro e para o mundo. Desse modo, adentrando em camadas cada vez mais profundas de sua existência e subjetividade, cada educador pode desenvolver suas faculdades humanas a ponto de trazer para a superfície formas mais sensíveis de ler e interpretar a realidade, deixando à flor da pele tudo aquilo que o define e que vale a pena a partilha.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/293f0-julia-sa-3-.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3415" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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		<title>Heavy Metal em Sala de Aula: a Inquisição Católica nas Músicas do Iron Maiden</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/27/heavy-metal-em-sala-de-aula-a-inquisicao-catolica-nas-musicas-do-iron-maiden/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Oct 2019 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 020]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Diogo Tomaz]]></category>
		<category><![CDATA[educação]]></category>
		<category><![CDATA[escola]]></category>
		<category><![CDATA[iron maiden]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Diogo Tomaz</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Heavy metal in the classroom: the catholic inquisition in Iron Maiden songs</p>



<p><strong>RESUMO: </strong>Através desse estudo, buscamos por meio da análise de duas canções da banda de heavy metal, Iron Maiden, analisar suas contribuições para as aulas de História no Ensino Médio, problematizando a Inquisição Católica na Idade Média e Moderna e buscando promover ponderações sobre a necessidade de inovações metodológicas e práticas educativas. Propomos também uma série de reflexões sobre a necessidade de inovações metodológicas e práticas, buscando dessa maneira introduzir o recurso da música como uma ferramenta para as aulas de História. Como por exemplo, a música, uma excelente forma de quebrar a mesmice da sala de aula e tem ganhado cada vez mais espaço no processo de ensino e aprendizagem, principalmente após o surgimento do Mp3 e dos smartphones.</p>



<p><strong>Palavras-chave:</strong> Inquisição, Iron Maiden, educação.</p>



<p><strong>ABSTRACT</strong>: Through this study, we sought through the analysis of two songs of the heavy metal band, Iron Maiden, to analyze their contributions to the history classes in High School, problematizing the Catholic Inquisition in the Middle and Modern Ages and seeking to promote considerations on the need for methodological innovations and educational practices. We also propose a series of reflections on the need for methodological and practical innovations, thus seeking to introduce the resource of music as a tool for history classes. For example, music, a great way to break the sameness of the classroom and has gained more and more space in the teaching and learning process, especially after the emergence of Mp3 and smartphones.</p>



<p><strong>Keywords</strong>: Inquisition; Iron Maiden; education.</p>



<p><strong>INTRODUÇÃO</strong></p>



<p class="has-drop-cap">Atualmente na educação, uma das grandes dificuldades dos professores é de se adaptarem às novas tecnologias que surgem e que, rapidamente são absorvidas por alunos de diferentes segmentos. Essa adaptação costuma ser problemática para alguns docentes, que veem com desconfiança essas inovações ou que não querem modificar sua forma de transmitir conhecimento. A introdução de tecnologias e de seus novos modos de ensinar e aprender vêm sendo abordadas com uma grande frequência nas escolas. Esses recursos tecnológicos estão presentes em nosso dia a dia e nos permitem facilitações e oportunidades de aprendizagem, daí a importância de mediar e trazer para o ambiente escolar novos recursos que nos proporcionem conhecimentos diversificados. E como trabalhar esses recursos no ensino de História, especificamente sobre a Inquisição Católica, de modo a prender a atenção e o interesse dos alunos? O nosso objetivo nesse trabalho é analisar duas letras de músicas da banda britânica Iron Maiden, “Hallowed be thy Name” e “Montségur”, e suas contribuições para as aulas de História no Ensino Médio, buscando promover ponderações sobre a necessidade de inovações metodológicas e práticas educativas.&nbsp;</p>



<p>A música é uma excelente forma de quebrar a mesmice da sala de aula e tem ganhado cada vez mais espaço no processo de ensino e aprendizagem, principalmente após o surgimento do Mp3 e dos smartphones. Segundo Howard (1984, p.19), expressar-se musicalmente traz benefícios ao homem em todos os sentidos: ajuda no metabolismo corporal, bem como no desenvolvimento mental, lógico e sensível. Dessa forma, pensamos na música como um expressivo recurso didático, criativo e libertador, que através do seu estilo lúdico, torna mais significativo o aprender. Como afirma Nilva Natividade:&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Em sala de aula supõe-se que a música possa ser utilizada para estabelecer comparações, estimular os alunos para apreender determinado conteúdo; fazer uso das letras de música para trabalhar a leitura e a escrita; para refletir em sua importância, para desinibir o aluno e resgatar sua autoestima. Além disso, a música contribui para introduzir um novo conteúdo, favorecer o desenvolvimento de uma pesquisa, trabalhar a criatividade, o ato de ouvir para completar interpretação e reflexão do que ouve, oral ou escrito, a independência, a autonomia, a crítica a avaliação do trabalho alheio, ao enriquecimento do vocabulário, rima, problemas sociais, fatos históricos, valores, temas transversais. Além disso, acredita-se que a música funcione como agente socializador e ainda, mais importante, transmitindo a cultura <em>inter</em> e <em>intra</em> povos (NATIVIDADE, 2005, p.7).</p>



<p>Segundo Santa Rosa (1990, p.25), devido ao constante e acelerado bombardeamento de informações que os jovens recebem, a extensão da experiência artística vem aumentando constantemente, onde cada pessoa tem necessidades e sentimentos similares ou comuns a todos, mas, dentro dessa similaridade, todos têm a oportunidade de criar a desenvolver a própria personalidade. Ainda segundo Santa Rosa,&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">é fundamental respeitar e incentivar a criação individual, cujo papel é o de trazer mudanças, visão nova e que o fenômeno da mudança é um desafio à inteligência crítica, para receber com tolerância e curiosidade cada expressão que está calcada na reflexão que resulta de uma consciência do mundo e isso se dá através da maneira como o ser humano percebe e reflete o mundo, questionando o “como” e o “porquê” das coisas, gerando uma inquietação, que pode se transformar em tensão criadora (ROSA, 1990, p.26).</p>



<p>Em cima disso, buscamos uma forma diferente de abordagem para o tema, utilizando e analisando duas músicas da banda de <em>heavy metal</em>. O nome da banda também pode ser utilizado como forma de introduzir o assunto em sala, Iron Maiden (<em>Donzela de Ferro</em>), foi inspirado em um instrumento de tortura que recebe o mesmo nome e foi utilizado pela Inquisição na Europa como forma de obter confissões dos torturados. Tratava-se de uma caixa grande para abrigar um corpo humano, feita sob medida, que não tinha a intenção de matar logo de cara, como uma guilhotina por exemplo. Era um verdadeiro invólucro, que possuía orifícios para a utilização de pregos, facas, espetos e afins, com a finalidade de ir minando a vítima até que ela confessasse ou simplesmente padecesse. Havia um orifício que também permitia o diálogo do torturador com o torturado e através dele, as partes negociavam a vida e a morte, de acordo com a situação de cada cidadão (<em>Fig. 1</em>)</p>



<p>A banda foi formada em Londres, em 1975, pelo baixista Steve Harris e é considerada uma das principais dentro do NWOBHM . O sexteto acumula longa experiencia no desenvolvimento de canções com temáticas históricas, como a Primeira e Segunda Guerra Mundial, o Egito Antigo e a história de Alexandre, o Grande. Em nosso trabalho selecionamos as músicas “Hallowed be thy Name”, inclusa no terceiro álbum de estúdio da banda, The Number of the Beast (1982) (<em>Fig. 2</em>); e “Montségur”, música do décimo terceiro álbum de estúdio, o <em>Dance of Death </em>(2003) (<em>Fig. 3</em>). A primeira traz a reflexão de um prisioneiro horas antes à sua execução na forca pela Inquisição; e a segunda relata a perseguição da Inquisição aos Cátaros na Europa, especificamente sobre o cerco no castelo de Montségur, em 1244.&nbsp;</p>



<p><strong>SE EXISTE UM DEUS POR QUE ELE ME DEIXA MORRER?</strong></p>



<p>Houve um período da História em que Igreja e Estado se confundiam, fundamentalmente formando uma só entidade, com enormes poderes sobre todas as instâncias sociais, desde a vida mais reserva até às leis mais gerais. Essa concentração de poder abriu espaço para que um sistema jurídico baseado em bulas papais e decretos reais fosse criado, onde os interesses pessoais é o que predominava. Estes breves aspectos foram responsáveis pela criação de um contexto que ocasionaria na criação dos Tribunais de Santo Ofício na Europa, uma ramificação jurídica da Inquisição criada pela Igreja Católica para combater a proliferação dos hereges.</p>



<p>Após um período de grande repressão na Idade Média entre os séculos XIII e XIV, reapareceu adquirindo o seu ápice na Idade Moderna, principalmente em Portugal e no reino de Castela, lugares onde o catolicismo havia se enraizado de forma muito profunda e onde ambos se sentiam ameaçados por novas práticas emergentes consideradas heréticas. Sentindo-se ameaçados, “procuraram por meio de punições e reformas internas fortificar a fé em suas fronteiras” (SCHWARTZ, 2009, p. 148). Mas, tanto no final da Idade Média quanto no início da Moderna, pode-se evidenciar que nada era mais importante do que a busca pela salvação ou, como afirma Stuart Schwartz, “pelo menos era isso o que eles ouviam constantemente de padres e teólogos. A vida era curta e a eternidade interminável, e garantir a salvação da alma eram uma questão de máxima urgência” (SCHWARTZ, 2009, p. 16). Como apresentando por Pereira,&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">logo, ficou estabelecida uma metodologia de medo, intimidação e controle que se mostrava eficiente. Nesse mesmo período, é possível notar uma grande importância dada ao inferno como elemento controlador; um instrumento ideológico a serviço da Igreja para limitar aqueles que escapassem ao seu controle. É importante ressaltar que essa rápida ascensão da Inquisição nos séculos XV e XVI não adveio somente pelo apoio da Coroa, mas também ao peso que o combate à heresia adquiriu na Europa católica a partir da primeira metade do Quinhentos (PEREIRA, 2017, p.15). &nbsp;</p>



<p>O antigo zelo pela busca e manutenção da “verdadeira fé” provocou inúmeras atrocidades cometidas pelos Tribunais do Santo Ofício durante os séculos de sua existência e foi através dessa autorização para prescrever “remédios adequados” no passado que se abriram caminhos para as perseguições contra os hereges “inimigos do catolicismo”. A forca e a fogueira tornaram-se os métodos de execução mais famosos da Inquisição, no entanto é importante lembrar que antes disso, era muito provável que os presos fossem vítimas de torturas nas mãos dos inquisidores. Para o Tribunal a confissão do réu não era apenas a admissão dos delitos de que era acusado, “mas especialmente um momento de denunciar cúmplices e outros possíveis hereges” (OLTEAN, 2014, p. 38).</p>



<p>Em “Hallowed be thy Name”, presenciamos os últimos momentos de um herege em sua cela fria, refletindo e prevendo os eventos que o esperam.</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"> <em>Estou esperando em minha cela fria, quando o sino começa a tocar</em><br> <em>Reflito sobre minha vida passada, não tenho muito tempo</em><br> <em>Pois às 5 em ponto eles me levarão para a forca</em><br> <em>As areias do tempo para mim estão acabando</em><br> <em>Estão acabando</em> </pre>



<p>Independentemente de quem você era, ricos e pobres, mulheres e homens, pessoas do campo ou do litoral, arrependidos ou não, todos em busca de apenas um objetivo: sobreviveram ao cárcere e, se for a vontade divina, serem libertos. Perante este cenário, o<em> stress</em>, as depressões e o desespero eram frequentes e, em alguns casos, chegavam a levar à loucura ou ao suicídio. Mas, no interior do cárcere, a vida continuava: dormir, descansar, andar, comer, bordar, coser, fiar, rezar, conversar, meditar, ler e escrever, no caso de alguns, eram atividades que preenchiam os dias passados em reclusão. Sobre as execuções, tanto em Castela quanto em Portugal, a fogueira era o método mais comum utilizado aos condenados à execução. Segundo Anita Novinsky, os réus que se recusavam confessar-se culpados eram enviados à fogueira. “Eram chamados contumazes, pois, negando, continuavam persistindo no crime. E os ‘relapsos’, que, já tendo sido condenados, tornavam a pecar Nesse caso, voltando ao cárcere, recebiam a sentença de morte, que os inquisidores classificaram de ‘relaxado à justiça secular’. Se no último momento, antes de se aplicar a pena de morte, o réu se dizia arrependido, e pedia para morrer na lei de Cristo, era primeiramente estrangulado e depois atirado na fogueira.” (NOVINSKY, 1983, p.62).</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"><br> <em>Quando o padre vem ler para mim os ritos finais</em><br> <em>Eu dou uma olhada através</em><br> <em>das grades para as últimas visões</em><br> <em>de um mundo que foi muito errado para mim</em><br> <em>[...]&nbsp;</em><br> <em>Enquanto os guardas me conduzem ao pátio</em><br> <em>Alguém grita de uma cela "Deus esteja com você"</em><br> <em>Se existe um Deus porque ele me deixa morrer?</em><br> <em>[...]</em><br> <em>À medida que ando minha vida passa diante de meus olhos</em><br> <em>E quando penso que o fim se aproxima não me arrependo</em><br> <em>Guarde minha alma, pois ela está prestes a voar</em> </pre>



<p>O próprio ato de contestação a Deus ou um simples protesto de indignação por estar prestes a ser enforcado, era considerado um delito passível de repressão pela Inquisição Católica na Europa. Se analisarmos especificamente o delito da blasfêmia no período, notaremos que era tratada pelo Santo Ofício como um menosprezo a Deus e a todas as suas instruções, através de palavras torpes que buscavam romper, quebrar e anular tudo o que era ensinado pela religião; tornava-se um pecado de “irreligião, oposto ao louvor que o homem, criatura de Deus, por sua palavra, deve a Deus” (PIERONI, 2006, p.204).&nbsp;</p>



<p>Relatada por Mateus aos discípulos, a Bíblia Sagrada ratificará sobre o perigo que a blasfêmia pode trazer aos seus seguidores: “se alguém tiver pronunciado uma blasfêmia contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado nem no presente, nem no século futuro” . Em Levítico, o terceiro livro da Bíblia, é descrito <em>que “aquele que&nbsp;blasfemar&nbsp;o nome do Senhor, certamente morrerá; toda a congregação certamente o apedrejará; assim o estrangeiro como o natural, blasfemando o nome do Senhor, será morto” . </em>Outro livro que dará uma importância muito grande ao delito é o <em>Guia de Pecadores</em>, obra do frei Luís de Granada, publicado pela primeira vez em 1570 e que na época foi mais comercializada do que a Bíblia. Nele, o frade escreve que “dos pecados mortais, o mais grave é a blasfêmia, muito próximo dos três pecados mais graves do mundo que são a infidelidade, a desesperança e a ira contra Deus, no absoluto e mais grave de todos” (GRANADA, 2008, p.242).</p>



<p>Na Península Ibérica durante o período Moderno, uma das cerimónias de maior impacto era o Auto da Fé. Um espetáculo religioso que se tornava uma festa com aspectos sacros e profanos, assistida por todas as classes sociais. “A escolha de um espaço público amplo e bem localizado visava exaltar a teatralidade inerente ao ato que, durante o século XVIII, quando a decadência da instituição se aproximou e, posteriormente, se instalou, passou a ser bem mais discreto” (BRAGA, 2006, p.35). Em Portugal, esse rito era sem sombra de dúvidas uma das maiores cerimônias públicas do Antigo Regime, praticada uma vez ao ano, como uma espécie de “prestação de contas” de suas atividades. Segundo a historiadora portuguesa Maria de Lurdes Fernandes,&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">a execução dos presos, geralmente interpretada pelo público de hoje como oauto-de-fé, na verdade era realizada num local distinto, de forma a marcar a diferença entre a cerimónia inquisitorial de publicação das sentenças e a cerimónia de execução dos excomungados que competia às autoridades civis. Os condenados eram acompanhados por um confessor e uma confraria, que os exortavam a morrer na fé católica. Tratava-se de um momento de grande emoção, pois os clérigos e a população exigiam um arrependimento final que diversos presos rejeitavam, sendo obrigados a parar em todos os oratórios do caminho para venerar as imagens e receber a «iluminação» no último momento. No local da execução era perguntado ao condenado se queria morrer como cristão, sendo enforcado antes de ser queimado no caso afirmativo (FERNANDES, 2000, p.128).</p>



<p>Os espetáculos do Auto de Fé reuniam uma verdadeira multidão. Confirmava-se a participação do povo com a promessa de que quem assistisse ao rito, teria quarenta dias de indulgências garantidas. Na noite anterior ao auto fazia-se uma procissão através das ruas da cidade, até a praça em que se havia montado o tablado. “O povo levava alimentos e quitutes como para um piquenique” (NOVINSKY, 1983, p 68).&nbsp;</p>



<p><strong>SANGUE NAS PEDRAS DA CIDADELA</strong></p>



<p>Em “Montségur”, temos uma letra baseada no cerco realizado a mando da Igreja Católica ao castelo ou fortificação de Montségur, entre 1243 e 1244 (<em>Fig 4</em>). A construção foi um refúgio importante para a comunidade cátara que haviam perdidos suas terras.&nbsp;</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"> <em>Eu estou sozinho neste lugar desolado<br> Na morte eles estão verdadeiramente vivos<br> Inocência massacrada, o mal tomou conta<br> Os anjos queimavam por dentro</em><br> <br><br> <em>Séculos depois eu me pergunto por que<br> Que segredo eles levaram para o túmulo<br> Ainda queimando hereges sob nossos céus<br> A religião ainda queimando por dentro</em><br> <br><br> <em>[...]&nbsp;</em><br> <br><br> <em>A medida que os matamos, Deus saberá o seu próprio<br> Os inocentes morreram para o Papa em seu trono<br> A ganância católica e seu zelo paranoico<br> A maldição do Graal e o sangue da cruz</em> </pre>



<p>Os cátaros – um grupo considerado herege que estremeceu as estruturas do mundo cristão na Idade Média &#8211; encontraram na decadência institucional da Igreja Católica, terreno fértil para germinar e crescer. Esse grupo, tal como os antigos gnósticos e maniqueístas, acreditava que Jesus não foi um homem de carne e sangue, mas um anjo, um ser espiritual enviado a Terra para propagar bons ensinamentos que levariam à salvação. Para eles também, nós humanos somos a criação de um anjo mau e temos nossas almas aprisionadas para sofrer com os vícios e pecados de nossa raça. Para José Rivair Macedo (2005, p.3), esta aversão a tudo o que fosse proveniente da matéria e do mundo terrestre estimulava-os a encarar a morte como um prêmio, e inclusive apressar sua chegada por meio dos tormentos infligidos ao corpo.&nbsp;</p>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Na cosmogonia cátara, o universo teria sido criado e se desenvolveria a partir da conjugação de duas forças opostas. Aquela do Deus bom teria sido a responsável pela criação de um mundo invisível e espiritual, enquanto a outra, do Deus mal, teria criado a natureza sensível. Como poderia o Deus essencialmente bom ter sido o criador do mundo terreno, onde existia o mal? Enquanto o cristianismo e o judaísmo explicavam a existência do mal recorrendo à ideia do diabo e do pecado, os gnósticos dualistas acreditavam que esse mundo teria sido criado pelo princípio do mal, quer dizer, Satã. Deste modo, haveriam por toda a eternidade dois mundos em presença: aquele do Deus bom, constituído por uma infinidade de seres puramente espirituais (anjos) criados por ele e participantes de sua natureza; e o mundo sensível, terrestre, material, em que reinava o Mal (MACEDO, 2005, p.6)</p>



<p>Os cátaros em menos de meio século foram dizimados através da força. E, principalmente, a partir dessa perseguição é que surgiu em 1231 o que chamamos hoje de Inquisição Medieval. Seus primórdios foram marcados por cortes julgadoras de causas espirituais caracterizadas por episódios violentos e controversos, mas, ainda um tímido esboço do que viria pela frente. “A ameaça que os cátaros representavam para a Igreja foi usada como justificativa para tratá-los como rebeldes sociais e marcar o início de uma era de terror, onde os inquisidores com base em um regimento diriam o que podia e o que não poderia ser feito” (PEREIRA, 2017, p.31).</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-center"><br> <em>Às portas e as muralhas de MontségurSangue nas pedras da cidadelaÀs portas e as muralhas de MontségurSangue nas pedras da cidadelaÀs portas e as muralhas de MontségurSangue nas pedras da cidadelaÀs portas e as muralhas de MontségurSangue nas pedras da cidadela</em><br> <br><br> <em>[...]</em><br> <br><br> <em>Templários crentes com sangue nas mãosJuntaram-se ao coro para matar quando mandadosQueimados na fogueira pela liberdade de suas almasPara ficar com os cátaros para morrer e ser livre</em> </pre>



<p>Sendo assim, a Inquisição medieval utilizou e aplicou técnicas cruéis e violentas, dizimou comunidades inteiras, destruiu populações, matou milhares de indivíduos e penetrou em quase todos os reinos da Europa Ocidental. Uma das mulheres que era reverenciada pelos cátaros foi Esclarmond D’ Foix, também chamada de Esclarmond, a Grande. “Alcançou um papel de autoridade no catarismo ao ser elevada ao papel de Perfeita pelo bispo cátaro Gilabert de Castres, em 1204 em Fanjeaux. Passou a dirigir a Casa dos perfeitos de Dun, junto com sua cunhada Felipa e outras cátaras” (BRÁULIO, 2013 p.34). Ao iniciar o movimento cruzadista de perseguição ao catarismo, Esclarmond se refugia em Montségur. Após algumas vitórias da Igreja e um acordo de paz em 1229, dois inquisidores do Tribunal de Santo Ofício são mortos, supostamente por cátaros, e uma nova cruzada se inicia em marcha a Languedoc e à fortaleza herege de Montségur. Durante muito tempo a fortificação resistiu ao cerco, graças a suprimentos vindos do norte da Itália, entretanto não resistiu às estratégias do bispo Pedro de Amiel, “especialista em máquinas de guerra, conseguiram se apoderar de um forte que protegia a fortaleza e ali instalar um trabuco. Nos dias 1 e 2 de março de 1244, 200 cátaros foram queimados na fogueira montada pela Inquisição, acabando assim com a cruzada cátara, e anexando o sul francês à coroa nortista” (BRÁULIO, 2013, p.25).</p>



<p><strong>CONCLUSÃO</strong></p>



<p>Para extrair a “verdade” dos réus os inquisidores questionavam tudo, procuravam os detalhes, gestos, silêncios e suas reações. Em <em>O Inquisidor como Antropólogo,</em> Carlos Ginzburg nos faz lembrar que devemos os casos de casa réu como produtos de uma relação específica, profundamente desigual, com um olhar atento para captar através do texto “o sutil jogo de ameaças e medos, ataques e reviravoltas” (GINZBURG, 1989, p.10). As inúmeras possibilidades que a documentação inquisitorial oferece ao historiador são muitas.&nbsp; Pode-se perceber nos processos o mundo cotidiano dos colonos através das conversas nas praças, feiras, na porta da rua, bem os temas tratados e os conflitos entre o normativo imposto pela Igreja e o vivido. &nbsp;</p>



<p>A escrita da História e a reflexão sobre a escrita, a historiografia, não são estáticas nem isoladas do tempo em que são feitas. Assim, o saber histórico, é sempre passível de novas interpretações. A História, portanto, também tem uma história. O professor de História deve estar preparado, pronto a “fazer uso de estratégias e conhecimentos possíveis, e de maneira consciente, aprender a lidar com o instável, com o contraditório e estabelecer uma relação de confiança e de parceria com os demais protagonistas que compõem sua prática de ensino” (VASCONCELOS, 2018, p.77).</p>



<p>&nbsp;O que buscamos apresentar com o presente trabalho, foi uma abordagem histórico-cultural, acerca das letras de duas músicas da banda Iron Maiden e seu conteúdo histórico sobre a Inquisição Católica, tentando trazer para a sala de aula uma ferramenta – a música &#8211; que, normalmente é ligada à diversão. A elaboração desse trabalho nos permitiu perceber o enorme potencial que a utilização de canções pode ter enquanto documento histórico e como proposta didática. Foi uma forma alternativa de diversificar as práticas pedagógicas no ambiente escolar das turmas de Ensino Médio.</p>



<p><strong>NOTAS</strong></p>



<p>&nbsp;* New Wave of British Heavy Metal</p>



<p>&nbsp;BIBLIA. N. T. Mt. Português. Bíblia Sagrada. Cap. 12, versículo 32.</p>



<p>&nbsp;Ibidem, Levítico 24:16.</p>



<p><strong>REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA</strong></p>



<p>BIBLIA. N. T. Mt. Português. Bíblia Sagrada.&nbsp;</p>



<p>BRAGA, Isabel M. R. Mendes Drumond. “Representação, Poder e Espectáculo: o Auto da Fé”, Turres Veteras VIII. História das Festas, coordenação de Carlos Guardado da Silva, Lisboa, Torres Vedras, Edições Colibri, Câmara Municipal de Torres Vedras, Instituído Alexandre Herculano, 2006.</p>



<p>BRÁULIO, Thaynná Atheniense.&nbsp;Catarismo:&nbsp;Fé e Guerra no Pays d’ Oc.. 2013. 38 f. TCC (Graduação) &#8211; Curso de História, Ufjf, Juiz de Fora, 2013.</p>



<p>FERNANDES, Maria de Lurdes Correia. “Da reforma da Igreja à reforma dos cristãos: reformas, pastoral e espiritualidade” in Carlos Moreira AZEVEDO (dir.), História Religiosa de Portugal. Humanismos e Reformas, vol. 2, Lisboa, 2000.</p>



<p>GINZBURG, Carlo. O inquisidor como antropólogo. Uma analogia e suas implicações. In A micro-história e outros ensaios. Rio de Janeiro: Difel, 1989.</p>



<p>GRANADA, Frei Luis. Guia de Pecadores. A Riqueza das Virtude e o Caminho Para Alcançá-la. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil., 2008.&nbsp;</p>



<p>HOWARD, Walter. A música e a criança. São Paulo: Summus, 1984.</p>



<p>MACEDO, José Rivair. Um grupo em busca de perfeição espiritual: os cátaros na França medieval. In: Ruy de Oliveira ANDRADE FILHO. (Org.). Relações de poder, educação e cultura na Antiguidade e na Idade Média: estudos em homenagem ao Professor Daniel Valle Ribeiro. Santana de Parnaiba, SP: Editora Solis, 2005.</p>



<p>NATIVIDADE, Nilva Terezinha da; SILVA, Nilzete de Castro; COSTA, Renilva dos Santos.&nbsp;Música em Sala de Aula.&nbsp;2005. 127 f. TCC (Graduação) &#8211; Curso de Pedagogia, Uniceub, Brasília, 2005.</p>



<p>NOVINSKY, Anita Waingort.&nbsp;<em>A Inquisição</em>.&nbsp;2ª edição São Paulo: Brasiliense, 1983.</p>



<p>OLTEAN, Crina Adriana.&nbsp;A Denúncia ao Serviço da Fé ou da Vingança?A Delação Inquisitorial e os seus Efeitos. 2014. 154 f. Dissertação (Mestrado) &#8211; Curso de História, Universidade de Lisboa, Lisboa, 2014.</p>



<p>PEREIRA, Diogo Tomaz.&nbsp;Falas Nefandas:&nbsp;Inquisição, Blasfêmias e Proposições Heréticas no Brasil Colonial (XVI-XVIII). 2017. 160 f. Dissertação (Mestrado) &#8211; Curso de História, UFJF, Juiz de Fora, 2017.</p>



<p>PIERONI, Geraldo.&nbsp;Os Excluídos do Reino.&nbsp;2ª ed. Brasília: Unb, 2006, p.204.</p>



<p>SANTA ROSA, Nereide Schilaro. Educação Musical para a 1ª a 4ª série. Rio de Janeiro: Ática, 1990.</p>



<p>SCHWARTZ, Stuart B.&nbsp;Cada um na sua lei:&nbsp;Tolerância religiosa e salvação no mundo atlântico ibérico. Bauru: Edusc, 2009.</p>



<p>VASCONCELOS, Hugo Rennan Cavalcanti.&nbsp;Temáticas Históricas nas canções da banda Iron Maiden: Diálogos entre Música e Ensino de História.&nbsp;2018. 80 f. TCC (Graduação) &#8211; Curso de História, Uepb, Paraíba, 2018.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Diogo Tomaz</strong> é professor e mestre em História pela Universidade Federal de Juiz de Fora, ilustrador quanto tem tempo e headbanger a todo momento.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0e0a3-aajude.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2693" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/628f7-foto-rafael.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1766" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>De Oppresso Libre</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 25 Aug 2019 21:39:58 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 011]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Quando na primeira edição da revista, questionei à respeito do quão aprisionados tem sido nossos meios de ensino e produção cultural que tem influência direta na construção do indivíduo e no olhar dele sobre e para a sociedade, percebi que essa questão continua aberta em meu imaginário.</p>



<p>Bertolt Brecht disse certa vez <em><strong>Diz-se das águas do rio que são violentas, mas nada se diz das margens que as comprimem</strong></em>.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Não sou um entendedor das artes, mas me interesso pelas maneiras que o nosso sistema educacional tem promovido a vida e o diálogo. Para além disso, me intriga ainda mais a maneira com o sistema carcerário se constituiu como perpetuador da pena e não como promovedor da reconstrução.</p>



<p>Existem leis tanto em nossas escolas quanto em presídios, sobre comportamentos e formas de pensar que acabam &#8220;deformando&#8221;&nbsp; a contribuição do indivíduo para com a sociedade.</p>



<p>Por exemplo, a sede por um &#8220;acesso&#8221; a um diploma com projeções rentáveis financeiramente cerceiam o caráter criativo e o impulso da inovação que é inerente a qualquer ser humano.</p>



<p>Um outro exemplo do que comentei sobre o sistema carcerário, tenho recordado de experiências acompanhando projetos na fundação casa em São Paulo e recordando de livros a despeito da arte e da criatividade como refém dentro do sistema carcerário.</p>



<p>A atividade teatral inserida em um organismo penal acaba por instaurar uma complexa contradição, pois ela visa promover reflexão a partir de um processo artístico coletivo. No entanto, ela se depara com limitações relacionadas ao fato de acontecer em um ambiente cujas regras, explícitas ou não, constituem uma rede coercitiva e contrária ao exercício crítico pertinente ao livre pensar, essencial a qualquer manifestação artística.</p>



<p>Obviamente, as intensidades e os dilemas entre a vida acadêmica e a vida na prisão são diferentes, mas existem dilemas que são comuns aos dois.</p>



<p style="background-color:#8f6900" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">O livre pensar é limitado e reprimido em quase sua totalidade.</p>



<p>O desejo por descobrir e reinventar também é restrito e taxado de diversas palavras e xingamentos que só fortalecem estereótipos.</p>



<p>Uma pergunta fica martelando: <em>Sabendo das contradições e os limites da prática artística com presidiários, é possível que ela provoque alterações no modelo prisional hoje estabelecido?!</em></p>



<p>Longe de mim querer ditar uma leitura absoluta, mas desejo nesse e nos próximos textos, construir questionamentos sobre como nos enxergamos como criadores, de onde vem a nossa sede por mais do que produzimos, sobre nosso senso de pertencimento e onde a arte contribui para que possamos desenvolver espaços de construção e de igualdade dentro da nossa sociedade</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Kariston França</strong> é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Cadastre-se e receba as próximas edições por e-mail!</p>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/caderno-artesanal-capa-dura-serie-lacunas-vermelho-frederico-lopes"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/06d43-lacunas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1764" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><strong>VISITE NOSSA LOJA VIRTUAL!</strong></figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">GALERIA</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/piravilela/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/628f7-foto-rafael.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1766" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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