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	<title>Arquivos fascismo - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>“Mas tudo é fascismo agora?”: riscos concretos do uso abstrato de uma categoria de análise como arma retórica</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Sep 2024 12:57:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[ANO 006, N 204]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[BR]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Bruno Cavichioli </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Certamente a leitora ou o leitor já se depararam com uma situação – geralmente pouco amistosa – onde um dos interlocutores de uma conversa (leia-se, discussão) denomina o outro, com razão ou não, de ‘fascista’. Inicialmente uma categoria de análise usada principalmente por pessoas envolvidas nas pesquisas acerca da conjuntura política e social da Europa no século XX, essa terminologia passou a fazer parte do vernáculo de amplos setores da sociedade ainda durante a década passada. Essa utilização leva, inevitavelmente, ao questionamento que serve como título dessa intervenção.</p>



<p>Mas qual seria o grande problema disso?</p>



<p>O problema pode ser dividido em dois blocos: o esvaziamento do sentido do termo em seu uso popular e a dificuldade das pesquisadoras e pesquisadores em definir seu significado. Para complexificar ainda mais uma situação que já é complexa por si, esses dois blocos estão irremediavelmente atrelados um ao outro.</p>



<p>Quanto à problemática do esvaziamento do sentido de ‘fascismo’, é importante ressaltar que uma terminologia demasiadamente aberta serve como objeto de disputa por lados opostos, cada lado buscando impor sua própria visão de significado do termo como aquela que corresponde à realidade.</p>



<p>A utilização esvaziada do termo proporciona uma disputa aberta por seu sentido e, com isso, um uso excessivo e generalizado, banalizando um termo cuja conceituação já é um desafio para quem o estuda. Isso gera um problema adicional: se tudo é fascismo (e se todos são fascistas), nada é fascismo (e ninguém é fascista). Paradoxalmente, ao mesmo tempo em que o sentido é disputado, ele também perde sua essência e se torna um argumento retórico com pouca ou nenhuma serventia prática.&nbsp;</p>



<p>Originalmente utilizado como estratégia das esquerdas para atacar as direitas, agora parece ser uma arma desmuniciada de sentido e disponível para uso por ambos os lados da contenda. Leandro Konder, em 1977, já advertia para esse problema:</p>



<p>Por seu alto teor explosivo, a palavra “fascista” tem sido frequentemente usada como arma na luta política. É compreensível que isso ocorra. Para efeito de agitação, é normal que a esquerda se sirva dela como epíteto injurioso contra a direita. No entanto, esse uso exclusivamente agitacional pode impedir a esquerda, em determinadas circunstâncias, de utilizar o conceito com o necessário rigor científico e de extrair do seu emprego, então, todas as vantagens políticas de uma análise realista e diferenciada dos movimentos das forças que lhe são adversas.</p>



<p>A ‘análise realista’ desejável, nas palavras de Konder, leva ao segundo bloco em que o problema foi dividido. Passando à problemática da conceituação de fascismo pelas pessoas dedicadas às pesquisas sobre o tema, há um aprofundamento no que concerne à complexidade do assunto. Rios de tinta já foram vertidos em busca de um conceito que seja ‘definitivo’ – ainda que definitividade não seja possível ou desejável em qualquer campo do conhecimento –, mas não há, até hoje, qualquer conceito cujo estado possa ser considerado pacificado. Não sem razão, Stanley Payne (1979), considera o fascismo como “o mais vago dos termos políticos contemporâneos”.</p>



<p><em>Grosso modo</em>, o fascismo pode ser definido como uma ideologia, um movimento político e, caso avançasse até tal ponto, uma forma de governo autoritária de extrema-direita surgida no contexto das crises das democracias liberais europeias do período entreguerras (1919-1938).</p>



<p>É marcado pela presença de determinadas características: ultranacionalismo frequentemente de natureza expansionista/imperialista, mobilização e paramilitarização das massas recrutadas principalmente entre as classes médias (mas também entre as classes trabalhadoras), liderança carismática cujo discurso tende a prometer soluções para a reversão de uma decadência da nação, uso (ou disposição ao uso) da violência contra os inimigos políticos, anticomunismo, antiliberalismo/anticapitalismo formal.</p>



<p>A delimitação do fenômeno fascista no espaço (Europa) e no tempo (entreguerras), juntamente com a listagem de suas principais características, permite, a bem da verdade, situar principalmente os regimes encabeçados por Benito Mussolini (Itália) e Adolf Hitler (Alemanha) como propriamente fascistas. Outros regimes da mesma época, como os de António Salazar (Portugal), Engelbert Dollfuss (Áustria) e Francisco Franco (Espanha), entre outros, ‘falharam’, por suas próprias razões, em cumprir tais requisitos, não sendo classificáveis como fascistas a despeito de serem produtos típicos dessa época. Ideologias, movimentos políticos e regimes posteriores, embora não se negue a capacidade de adaptação do fascismo, igualmente falham em ser considerados fascismo, sendo categorizados de outras formas – neofascismo, pseudofascismo, governo fascizado, etc. – cujas definições esbarram nos mesmos problemas conceituais do fenômeno original.</p>



<p>Ao olhar atento é impossível perceber, após uma breve análise, que a maioria dos casos em que o termo fascismo é levantado como acusação – e, em alguns casos, como uma categoria de análise – o argumento não é sustentável frente à realidade. Sendo o fascismo apenas uma espécie pertencente ao grande gênero da direita (Konder, 1977), devemos levar a sério a advertência de Ernst Nolte de que “devemos ter cuidado em não inferir fascismo a partir de traços “fascistas” isolados”. Embora tudo que é fascismo seja de extrema-direita, nem toda (extrema) direita é necessariamente fascista. O “fascismo de esquerda”, por sua vez, é uma mera falsa simetria de caráter duvidoso que, para além de não possuir qualquer fundamentação rígida, sequer merece atenção.</p>



<p>Tudo bem, mas eu não posso, então, chamar ‘X’, ‘Y’ ou ‘Z’ de fascistas?</p>



<p>Não é a intenção dessa intervenção proibir qualquer pessoa de definir determinadas pessoas ou movimentos como fascistas. Propõe-se, tão somente, atentar para problemas que surgem do uso esvaziado do conceito e da ausência de um conceito pacificado de fascismo na literatura especializada. Efetuada essa advertência e possuindo ciência das questões apontadas, o uso retórico continua válido, em certo limite, porque continua possuindo o efeito de agitação pretendido.</p>



<div style="height:85px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>KONDER, Leandro. <strong>Introdução ao fascismo</strong>. Rio de Janeiro: Graal, 1977.</p>



<p>MOLINERO, Carme; YSÀS, Pere. <strong>El règim franquista</strong>: feixisme, modernització i consens. 2ª. ed. Vic: Eumo Editorial, 2003.</p>



<p>NOLTE, Ernst. <strong>Three faces of fascism</strong>: Action Française, Italian Fascism, National Fascism. New York: Mentor Books, 1969.PAYNE, Stanley G. <strong>El fascismo</strong>. Madrid: Alianza Editorial, 1979.</p>



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<p><strong>Bruno Cavichioli</strong> – Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal de Pelotas com Estágio Doutoral realizado junto à <em>Universitat Autònoma de Barcelona</em> (UAB/Espanha). Mestre em Ciência Política pela Universidade Federal de Pelotas. Pesquisador vinculado ao Núcleo de Pesquisa sobre Políticas de Memória (NUPPOME/UFPel). Atualmente pesquisa a instrumentalização política do medo durante as ditaduras de António Salazar (Portugal) e Francisco Franco (Espanha), além de também pesquisar sobre legados autoritários na Ibero-América.</p>
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		<title>Guerra é paz</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/05/guerra-e-paz/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[fascismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vitu Marcs</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na distopia <em>1984</em>, de George Orwell, a ordem mundial se configura em três grandes blocos de países, cada bloco fechado em seu próprio território, sem intercâmbios culturais. Apesar de viverem regimes políticos muito parecidos, cada um difunde em seu imaginário social o desprezo, o medo e a repulsa pela cultura e pela filosofia política dos demais blocos.</p>



<p>A guerra entre eles é constante, mas as alianças são efêmeras. A cada hora o inimigo é um, e as fronteiras mudam muito pouco. E depois muda tudo de novo. E de novo, e de novo. A justificativa pra essa constante tensão externa é a necessidade de amortecer as tensões internas: “a guerra devora o excedente de bens e contribui para preservar a atmosfera mental que convém a uma sociedade hierárquica”. Em outras palavras, “a guerra se trava entre cada grupo dominante e seus próprios súditos, e o objetivo dela não é obter ou evitar conquistas de território, mas manter intata a estrutura social”.</p>



<p>No Brasil de hoje, os traços de regimes totalitários latejam cada vez com mais intensidade nas veias do corpo social. Apesar do esforço propagandístico de tentar jogar uma manta sobre a fumaça, o cheiro da crise política é cada vez mais forte. Em meio ao caos econômico e sanitário da pandemia de coronavírus, o governo federal atropela todas as normas dos órgãos de saúde, em nome da economia, e se desdobra para manipular os dados da relação de mortos e infectados. Ministros caem em questão de dias, semanas ou poucos meses, até que as pastas vão parar nas mãos de militares de alta patente. E assim como em 1984, “mesmo o aliado oficial do momento é sempre visto com profundas suspeitas”. A liberdade dos empregos informais é irmã gêmea da escravidão, e o povo brasileiro engole no almoço a ideia de que a ignorância é a mais nobre das forças. Algumas máscaras estão caindo, e outras nem ao menos foram colocadas. O Brasil é definitivamente um país provisório.</p>



<p><strong>Notas:</strong></p>



<p>&nbsp;01- ORWELL, George. <em>1984</em>; tradução de Alexandre Hubner e Heloísa Jahn. São Paulo: Companhia das Letras, 2009, p.235.</p>



<p>02-&nbsp;<em>idem</em>, p.236.</p>



<p>03- &nbsp;<em>idem</em>, p.232.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Vitu Marcs</strong> </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>deposita suas poucas esperanças na literatura, sobretudo aquela das ruas. Muitas pessoas estão perdidas, mas ainda há tempo (salve Criolo).”</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/cf6fa-begaleria1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Diálogo Criativo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Jul 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 052]]></category>
		<category><![CDATA[Criatividade]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogo]]></category>
		<category><![CDATA[fascismo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Giovanni Alecrim</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">A necessidade do diálogo é um dos pilares de qualquer movimento que se firme na busca da liberdade do ser humano. De religiões a ideologias políticas e sociais, o diálogo é a via pela qual se constrói a própria identidade, visto que se coloca diante do outro e, assim, estabelece sua forma de pensar moldada por seus princípios e sua reação ao que lhe é diferente.&nbsp;</p>



<p>Todo esse cenário é ideal, lindo, utópico. Deve ser perseguido e desejado. No entanto, vivemos um período em que as forças que se levantaram ao longo das duas primeiras décadas do Século XXI tomaram o poder e se realocaram nas estruturas de mídia e religião. O novo fascismo ganhou força e apoio popular, em contrapartida, conseguiu reunir velhos adversários e alinhar quem antes estava distante. É natural a desconfiança e a prudência nesse período. Anarquistas já foram usados como fiéis da balança e depois descartados no passado, perseguidos e mortos. Já alguns anos os anarquistas se levantam, mais uma vez, para tomar à frente da luta contra o fascismo institucional. A reunião antifascista ganha voz e protagonismo e vira assunto de noticiário popular. Diante dos temores de que o passado aconteça, mais uma vez, precisamos reinventar a maneira de dialogarmos.</p>



<p>Não se constrói resistência popular e libertária sem diálogo e contraditório. Nesse sentido, a busca pelo diálogo precisa ser reinventada, não mais firmada nos pragmatismos de um momento só, mas com vistas a uma mudança profunda em nossas estruturas sociais. Levantar a bandeira e cerrar os punhos para derrubar um governo fascista não deve ser o único objetivo único de qualquer ação popular. Precisamos mudar a estrutura social, buscar a quebra dos poderes instituídos e reorganizar a sociedade a partir de uma perspectiva comunitária e colaborativa. Neste aspecto, o cristianismo tem muito a contribuir. Não me refiro ao cristianismo institucional, formado por CNPJs e alicerçados em constituições e regimentos internos. Esse aí é um cristianismo judicializado e corrupto. Refiro-me a um cristianismo de chão, o cristianismo do povo que lê a Bíblia e encontra nela os caminhos de liberdade e vida. Nesse sentido, o poder criador de Deus, que para o cristão provê vida todo dia, se manifesta no poder criativo do ser humano. Na criatividade reside a resistência e sobrevivência. Não podendo se reunir publicamente, por conta da perseguição do Império Romano, os primeiros cristãos se reuniam de casa em casa, tinha nos apóstolos o testemunho de um serviço amoroso e não um ensino repressor e racista, compartilhavam não só a espiritualidade, mas também dividiam as despesas e os ganhos, e não faltava nada para ninguém.</p>



<p>O diálogo criativo que proponho, portanto, não está firmado na forma em que ele acontece, mas sim em seu conteúdo. Se o diálogo permitir a criação de estruturas de compartilhamento e autogestão, de prover vida e liberdade diante das estruturas opressoras, tala qual Jesus de Nazaré o fez, e seus apóstolos reproduziram, na primeira metade do Século XX. Diálogo criativo só é possível quando as partes estão dispostas a baixar as guardas e ceder e também se impor, quando necessário. Não se trata de anular sua própria identidade, mas sim de reforçá-la e reafirmá-la. Diante do contraditório, eu cresço e aprendo. Se eu não dou voz ao diferente, eu me fecho e petrifico minhas posturas. No cenário atual, não devemos jamais fechar o caminho do diálogo. Agora, se ele nos for fechado, a resposta deve ser clara, firme e objetiva. <strong>Com fascista não se dialoga.</strong></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Giovanni Alecrim </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é pastor, escritor e podcaster. Escreve sobre teologia, anarquismo e o que mais lhe der na telha.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/cf6fa-begaleria1-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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		<title>Fascismo à brasileira</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2020 21:29:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 050]]></category>
		<category><![CDATA[fascismo]]></category>
		<category><![CDATA[Guilherme Mative]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
		<category><![CDATA[violencia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Guilherme Mative </p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em><em>Uma reflexão sobre o uso da violência</em></em></p>



<p class="has-drop-cap">Em 1909, o poeta e ideólogo italiano Filippo Tommaso Marinetti lançava o Manifesto Futurista, onde teorizava sobre a luz para o século que se iniciava: “Queremos glorificar a guerra – única higiene do mundo, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas ideias pelas quais se morre e o desprezo da mulher”. Não é preciso lembrar que, pelos 40 anos seguintes, o mundo enfrentaria a grande decepção da modernidade – as guerras mundiais com seu saldo aproximado de 100 milhões de mortos.</p>



<p>As limpezas étnicas, ou melhor, estéticas, não seriam novidade no século que emergia. De meados da primeira guerra até o presente, com líderes totalitários ou representantes eleitos democraticamente, temos os mais vastos exemplos: Camboja (1975-79), Turquia (1915-23), Bangladesh (1971), Congo Belga (1980-89), União Soviética (1930-40), China e Tibete (1958-69).</p>



<p>O Brasil também foi, e é, um terreno fértil para a violência contra as “minorias” que são sistematicamente agredidas e exterminadas. Segundo a Human Rights Watch (HRW), pelo menos 434 pessoas foram mortas pelos agentes do estado durante a ditadura militar no Brasil, entre 1964 e 1988; além das mortes, cerca de 20 mil pessoas foram torturadas no mesmo período. Já no período da nossa “nova republica”, ao que temos visto, aparentemente os genocídios acontecem dentro dos limites da democracia. Era tarde de 2 de Outubro de 1992 quando a PM do estado de São Paulo, sob o comando do então coronel Ubiratan Guimarães e do governador do estado na época, Luiz Antonio Fleury Filho, invadiu a Casa de Detenção de São Paulo para conter uma rebelião, resultando no massacre de 111 detentos. Até hoje, o episódio não foi totalmente esclarecido pela justiça. O único condenado foi o referido coronel Ubiratan Guimarães, que jamais chegou a ser preso, até ser absolvido posteriormente em 2006 (mesmo ano de sua morte). Antes de morrer, em 2002, Ubiratan chegou a ser eleito Deputado Estadual, com o número 14.111 (sim, 14.111), recebendo mais de 56 mil votos.&nbsp; Tal episódio recebeu atenção do mundo inteiro, sendo eternizado nas artes através de filmes como “Carandiru”, de 2003, dirigido por Héctor Babenco e músicas como “Diário de um Detento”, de 1997, por Racionais MC’s&nbsp; e “Haiti”, de 1993, por Caetano Veloso e Gilberto Gil. Apreciemos alguns trechos selecionados:</p>



<figure class="wp-block-table"><table><tbody><tr><td><a href="https://www.youtube.com/watch?v=kkytzD30nJ8&amp;list=RDdyfMrr23Dbk&amp;index=15"><strong>Diário de um Detento, Racionais MC’s</strong> </a>&nbsp; <br><br>Fumaça na janela, tem fogo na cela<br>Fudeu, foi além, se pã, tem refém<br>Na maioria, se deixou envolver<br>Por uns cinco ou seis que não têm nada a perder<br>Dois ladrões considerados passaram a discutir<br>Mas não imaginavam o que estaria por vir<br>Traficantes, homicidas, estelionatários<br>Uma maioria de moleque primário<br>Era a brecha que o sistema queria<br>Avise o IML, chegou o grande dia<br>Depende do sim ou não de um só homem<br>Que prefere ser neutro pelo telefone<br>Ratatatá, caviar e champanhe<br>Fleury foi almoçar, que se foda a minha mãe<br>Cachorros assassinos, gás lacrimogêneo<br>Quem mata mais ladrão ganha medalha de prêmio<br>O ser humano é descartável no Brasil<br>Como modess usado ou Bombril<br>Cadeia? Guarda o que o sistema não quis<br>Esconde o que a novela não diz<br>Ratatatá sangue jorra como água<br>Do ouvido, da boca e nariz<br>O Senhor é meu pastor<br>Perdoe o que seu filho fez<br>Morreu de bruços no Salmo 23<br>Sem padre, sem repórter<br>Sem arma, sem socorro<br>Vai pegar HIV na boca do cachorro<br>Cadáveres no poço, no pátio interno<br>Adolf Hitler sorri no inferno<br>O Robocop do governo é frio, não sente pena<br>Só ódio e ri como a hiena<br>Ratatatá, Fleury e sua gangue<br>Vão nadar numa piscina de sangue<br>Mas quem vai acreditar no meu depoimento?<br>Dia 3 de Outubro, diário de um detento.</td><td><strong><a href="https://www.youtube.com/watch?v=MfAxBoxdlb0">Haiti, Caetano Veloso</a></strong> &nbsp; <br><br>Quando você for convidado pra subir no           adro<br>Da fundação casa de Jorge Amado<br>Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos<br>Dando porrada na nuca de malandros pretos<br>De ladrões mulatos e outros quase brancos<br>Tratados como pretos<br>Só pra mostrar aos outros quase pretos<br>(E são quase todos pretos)<br>Como é que pretos, pobres e mulatos<br>E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados<br>E não importa se os olhos do mundo inteiro<br>Possam estar por um momento voltados para o largo<br>Onde os escravos eram castigados<br>(&#8230;) E ao ouvir o silêncio sorridente de São Paulo<br>Diante da chacina<br>111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos<br>Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres<br>E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos (&#8230;) &nbsp; <br></td></tr></tbody></table></figure>



<p>Mas Ubiratan não é o único político eleito que defende e prolifera as ideologias do mal. Em 2017, aconteceram novos massacres em penitenciarias brasileiras &#8211; desta vez, em Manaus e Boa Vista. Na época, o então secretário nacional da Juventude declarou: “Tinha que matar mais. Tinha que fazer uma chacina por semana”. Sobre o mesmo episódio, o então deputado federal Major Olímpio (SD-SP) incitou uma disputa de mortes entre presídios dizendo: “Placar dos presídios: Manaus 56 x 30 Roraima. Vamos lá, Bangu! Vocês podem fazer melhor!” Ao explicar sua fala polêmica, ele justificou que seu papel como legislador é “manifestar o pensamento da sociedade”. De fato. Major Olímpio está certo, desta vez. Esse é realmente o pensamento da parcela fascista da sociedade brasileira. Para fechar nossa resumida lista reflexiva, não podemos deixar de citar o fatídico episodio de 17 de abril de 2016, quando, em plenário, o então deputado federal Jair Messias Bolsonaro defendeu seu voto favorável pelo impeachment da ex presidente Dilma Rousseff, homenageando a memória do notório torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra. Vale lembrar ao leitor menos atento que foi aberto um processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados para apurar tal absurdo. Não deu em nada. Aliás, deu sim: Bolsonaro foi eleito Presidente do Brasil. Mais uma vez, Major Olímpio tinha razão!</p>



<p>Vivemos tempos de nova emergência fascista em nosso país. Parece não haver mais espaço para diálogo, debates e discordâncias no campo democrático. A própria imprensa tem sido perseguida por noticiar verdades que envolvam o governo atual. Segundo a organização Repórteres Sem Fronteiras o Brasil, está em 107 lugar de 180 posições no ranking de países com mais liberdade de imprensa. A constante queda no ranking está relacionada ao presidente atual, segundo a entidade.</p>



<p>O fascismo não é uma ideologia estanque. Ele se adapta e se modifica ao longo do tempo. Através da história, temos suficiente material para perceber essa transição com eventos ao redor do globo; Portugal, Espanha, França, Áustria, e Holanda são alguns dos países que experimentaram ondas fascistas ao longo do século XX. &nbsp;</p>



<p>Na obra “Como Funciona o Fascismo”, o filósofo americano Jason Stanley enumera um conjunto de características de um governo de viés fascista. Tentaremos resumir os 10 aspectos descritos em sua obra:</p>



<ol><li><strong>O Passado Mítico:</strong> Controle da história através da educação, exaltando ou diminuindo a importância de eventos passados conforme a ideologia dominante.</li><li><strong>Propaganda:</strong> Apreço pelas palavras de ordem e desprezo pela lógica do diálogo.</li><li><strong>Anti-intelectualismo:</strong> As universidade e centros acadêmicos passam a ser descredibilizados, assim como ciências especificas.</li><li><strong>Irrealidade</strong>: Fatos históricos são substituídos por teorias da conspiração. A emoção é muito mais fácil de se manipular do que a razão.</li><li><strong>Hierarquia</strong>: <em>sine qua non</em>, o líder se torna figura indispensável e insubstituível, ainda que vá contra toda ordem lógica e racional de outras lideranças.</li><li><strong>Vitimização:</strong> A perseguição a determinados grupos não se trata de um ataque ou intolerância, mas sim de uma reação quanto ao hipotético mal que eles representam.</li><li><strong>Lei e Ordem:</strong> Preservação do <em>status quo</em> é fundamental para manutenção do desenvolvimento da ideologia.</li><li><strong>Ansiedade Sexual:</strong> Os homens passam a crer que seus assédios não são mais vistos como um simples flerte. Tendência a um retorno ao “machismo”.</li><li><strong>Noção de pátria:</strong> Percepção de que este ou aquele povo é melhor que outro. O diferente não deve ser tolerado.</li><li><strong>Arbeit mach frei:</strong> Noção de que as riquezas de uma nação devem ser distribuídas apenas aos que participam ativamente da criação de riqueza.&nbsp; Deficientes físicos, por exemplo, deveriam ser descartados.</li></ol>



<p>Recomendo a leitura completa da obra para ampliar horizontes sobre o tema. No entanto, mesmo com o breve resumo descrito até aqui, o leitor consegue notar alguma semelhança com o atual modelo de governo brasileiro?</p>



<p>O sujeito “moderno” abstrato com seu “modo de vida” de difícil identificação (seja por conta do sexo, religião, riqueza, etc) passa a não caber mais dentro desses modelos de sociedade enamoradas pelo fascismo. O “grande Outro” se torna cada vez mais incômodo ao existir junto do <em>status quo</em> definido. Para usar a analogia de Bauman em “O mal estar da pós-modernidade”: Sapatos, ainda que magnificamente lustrados, não são bem vindos em cima da mesa de jantar.</p>



<p>Por falar em jantar, quem estará convidado para se sentar à mesa? A história tem demonstrado que as minorias não têm seus lugares reservados. Os negros, nativos indígenas, LGBTQ+, deficientes, mulheres, judeus na Alemanha de 1940, curdos na Turquia, e tantos outros grupos em situação de vulnerabilidade compõem a extensa lista de pessoas que jamais puderam se sentar à mesa de jantar.</p>



<p>Caetano e Gil, cantaram em 1993:</p>



<p class="has-text-align-center">Quando você for convidado pra subir no adro<br>Da fundação casa de Jorge Amado<br>Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos<br>Dando porrada na nuca de malandros pretos<br>De ladrões mulatos e outros quase brancos<br>Tratados como pretos<br>Só pra mostrar aos outros quase pretos<br>(E são quase todos pretos)<br>Como é que pretos, pobres e mulatos<br>E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados</p>



<p>Hoje cantamos:</p>



<p class="has-text-align-center">Rayshard Brooks, Atlanta<br>George Floyd, Mineápolis<br>João Pedro, Rio de Janeiro<br>Guilherme Silva, São Paulo</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>Marilena Chaui – Manifestações ideológicas do autoritarismo brasileiro, 2013</p>



<p>Zygmunt Bauman – Modernidade e Holocausto, 1997</p>



<p>Zygmunt Bauman – Medo líquido, 2006</p>



<p>Jason Stanley – Como funciona o fascismo, 2018</p>



<p>Hannah Arendt – Origens do totalitarismo, 2015</p>



<p>Hannah Arendt – A condição humana, 2015</p>



<p>Pierre Bourdieu – Sobre o estado, 2012</p>



<p>Slavoj Zizek – Violência, 2008</p>



<p>Slavoj Zizek – O sujeito incômodo, 2016</p>



<p><a href="https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,human-rights-watch-ditadura-no-brasil-torturou-20-mil-pessoas-434-foram-mortas-ou-desapareceram,70002770377">https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,human-rights-watch-ditadura-no-brasil-torturou-20-mil-pessoas-434-foram-mortas-ou-desapareceram,70002770377</a></p>



<p><a href="https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/04/21/brasil-cai-pelo-segundo-ano-seguido-em-ranking-de-liberdade-de-imprensa.ghtml">https://g1.globo.com/mundo/noticia/2020/04/21/brasil-cai-pelo-segundo-ano-seguido-em-ranking-de-liberdade-de-imprensa.ghtml</a></p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/11/opinion/1484149442_585187.html">https://brasil.elpais.com/brasil/2017/01/11/opinion/1484149442_585187.html</a></p>



<p><a href="https://super.abril.com.br/mundo-estranho/os-10-maiores-genocidios-da-historia/">https://super.abril.com.br/mundo-estranho/os-10-maiores-genocidios-da-historia/</a></p>



<p><a href="https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-20702019000200123">https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0103-20702019000200123</a></p>



<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_do_Carandiru">https://pt.wikipedia.org/wiki/Massacre_do_Carandiru</a></p>



<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Ubiratan_Guimar%C3%A3es">https://pt.wikipedia.org/wiki/Ubiratan_Guimar%C3%A3es</a></p>



<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Neruda">https://pt.wikipedia.org/wiki/Pablo_Neruda</a></p>



<p><a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Giacomo_Matteotti">https://pt.wikipedia.org/wiki/Giacomo_Matteotti</a></p>



<p>(todos os links consultados em 20/06/2020)</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Guilherme Mative Butikofer Keppk</strong> é professor, graduado em Teologia e graduando em Sociologia Política pela FESP-SP.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d4d5c-galeriaiury2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10526" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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