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	<title>Arquivos #fredericolopes - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Censura: Cultura Sob Ataque</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
		<category><![CDATA[#ataque]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/10/06/censura-cultura-sob-ataque/">Censura: Cultura Sob Ataque</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Bem, é tão surreal imaginar que hoje, neste exato
momento, existem mecanismos institucionais sendo criados pelo governo atual
para censurar manifestações artísticas e culturais no Brasil que esquecemos
que, em vários momentos ao longo da história, o Estado Brasileiro se
organizou&nbsp; para estender um de seus
braços articulados para dizer o que um jornalista pode ou não publicar, ou até
mesmo o que um artista pode ou não propor como arte. Por esse motivo, este é um
texto difícil de ser feito, no entanto muito importante e necessário.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Pra ser sincero, a verdade é que isso não deveria
nos impressionar. A globalização e os avanços conquistados por diversos
movimentos sociais, bem como as novas possibilidades tecnológicas de interagirmos
uns com os outros, nos mal acostumou a encarar a vida de forma cosmopolita e
com uma falsa ideia de liberdade. Pensando nos dias atuais, ademais das
manifestações mais antigas da censura, cabe destacar outros momentos onde ela
emergiu de maneira escancarada e violenta na história para entendermos a
situação atual.</p>



<p>Em 1559, em reação ao avanço do Protestantismo, o
Santo ofício passou a administrar a criação de uma lista de publicações que,
segundo a Igreja Católica, se opunham à doutrina pregada pela Igreja. Assim,
sob o pretexto de proteger os fiéis da corrupção e preservar os bons costumes,
foi criado o <strong><em>Índex Prohibitorium.</em></strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/INDEX-PROHIBITORIUM-1559-web.jpg?fit=606%2C998&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3248" /><figcaption><strong><em>Index prohibitorium, 1559. </em></strong></figcaption></figure>



<p>Escolhi falar da censura a partir do Index devido
à proximidade de sua lógica de implementação com a realidade de um país como o
nosso, cujas noções de ética e moral foram erigidas, entre outras influências,
principalmente pelas definições dogmáticas judaico cristãs. Aliás, essa matriz
ideológica, ocupa lugar central no Brasil desde sua fundação, e ocasionou, de
maneira desigual, uma espécie de deformação no tecido social brasileiro, onde
uma tendência conservadora nos costumes &#8211; que, cá entre nós, muitas vezes se
sustenta apenas na aparência das relações pessoais &#8211; se consolidou nas entrelinhas
das relações sociais.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Entre especulações e disputas ideológicas, o fato
é que a coroa portuguesa possuía a famigerada lista de livros. E eles não
poderiam circular nem nas alcovas do seu território originário, nem mesmo em
suas colônias. Além disso, Catequistas jesuítas atuavam com liberdade como
censores na então Terra de Vera Cruz, proibindo que indígenas brasileiros
mantivessem grande parte de seus hábitos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/Vitor-Meirelles-Primeira-Missa-no-Brasil-1861-web.jpg?fit=606%2C453&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3249" /><figcaption><strong><em>Vitor Meirelles: Primeira Missa no Brasil, 1861. </em></strong></figcaption></figure>



<p>Já o negro traficado para o Brasil, dispensa
explicações. Subtraído de sua terra ancestral com requintes de crueldade, sua
existência era negada enquanto ser humano. Ao negro foi censurada a
possibilidade de se exercer a vida em sua plenitude, condicionando-o à mero
utensílio em um sistema onde sua força de trabalho era o motor da lógica
econômica agrícola nas Américas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/d58a1-jacques_etienne_arago_-_castigo_de_escravos_1839-web.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3250" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em> Jacques Etienne Arago &#8211; Castigo de Escravos, 1839.</em></strong> </figcaption></figure>



<p>Entre tantas outras maneiras de se exercer a
censura no Brasil Colônia e na República Velha, foi no Estado Novo, em 1939,
que o Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP) foi criado para se encarregar
da censura e da propaganda oficial do governo. Claro. Como poderiam estar
separadas? Sua estrutura e suas práticas foram criadas e seguidas à risca nos
moldes estabelecidos por Paul
Joseph Goebbel, ministro da Propaganda na Alemanha Nazista
de 1933 a 1945, que, por acaso, era mentor de Filinto Müller,&nbsp; chefe de polícia no Distrito Federal, que
sustentava robusta fama de torturador.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/35444-cartaz-departamento-de-imprensa-e-propaganda-web.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3251" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong><em>Cartaz Departamento de Imprensa e Propaganda</em></strong> </figcaption></figure></div>



<p>E foi justamente o remanescente DIP que atingiu o
seu esplendor de atividades após o golpe militar de 1964, chegando ao auge de
suas atividades a partir da promulgação do Ato Institucional número 5
(AI-5).Graças à ele, todo veiculo de comunicação deveria submeter suas pautas,
artigos e notícias à análise prévia de censores, assim como artista, músicos,
atores, diretores de teatro e demais trabalhadores da cultura. Tudo aquilo que
atentasse à moral, aos bons costumes e ofendesse a família nuclear moderna, era
passível de censura e punição. Em casos onde haviam suspeitas de tentativa de
eclosão de uma revolução comunista bolivariana à brasileira, a tortura era
ferramenta indispensável para garantir a ordem e estabilidade nacional. Assim,
militares do DOPS e DOI-CODI, se encarregavam de invadir ensaios de grupos de
teatros, espetáculos, shows, e até mesmo a casa de alguns artistas considerados
suspeitos. Revolucionários.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/12c72-protestos-contra-a-censura-reproducao-web.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3252" data-recalc-dims="1" /><figcaption> <strong><em>Protestos contra a Censura, Reprodução</em></strong> </figcaption></figure>



<p>Após a redemocratização, depois de intensa luta de
movimentos sociais, além da influência de grandes movimentos culturais que
ocorreram ao redor do globo, (vale lembrar que a terra não é plana), nossa
geração ocidental se acostumou com um planeta apaziguado pela criação de
sanções internacionais ante a violação de direitos humanos básicos, e as
características ideológicas que habitam as galerias subterrâneas do esgoto da
sociedade, alimentaram a chama da ascensão de novos regimes opressores na
escuridão da ignorância, passando despercebidas no cotidiano velado do
brasileiro comum.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Essa semana, vimos multiplicarem-se as notícias de
proibição de eventos culturais, performances artísticas e financiamentos
públicos que fomentam uma produção cultural plural, inclusiva, democrática e
acessível. Diante de tantas manobras entre as brechas dos textos da lei, o medo
se multiplica na classe artística. A retórica de preservação da moral e dos
bons costumes, da suposta resistência aos ataque que a família nuclear
tradicional vem sofrendo e o patrimonialismo disfarçado de falso nacionalismo,
já está colocada no campo de disputas, em posição privilegiada.</p>



<p>Entretanto, é do medo que se extrai a coragem
necessária para encontrar as oportunidades de mostrar ao mundo que a nossa voz
não pode ser calada, e as cores da luta daqueles que desafiaram a repressão em
prol da liberdade no passado, ainda estão estampadas no pele daqueles que
enxergam na cultura uma maneira de transcender a própria existência.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8c937-6-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2437" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6885b-hospital-mulheres.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2245" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, </em><br><em>amar é um ato revolucionário.</em></p>
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