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	<title>Arquivos Grafitti - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Resistir, uma escolha inevitável na história oculta da arte.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jan 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 029]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Arte de rua]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Grafitti]]></category>
		<category><![CDATA[Iury Borel]]></category>
		<category><![CDATA[resistência]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Iury do Vale Borel</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/01/26/resistir-uma-escolha-inevitavel-na-historia-oculta-da-arte/">Resistir, uma escolha inevitável na história oculta da arte.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">O que se passa com a arte brasileira agora reflete o momento político, um regime totalitarista incubado, continua colocando a arte contra parede por meio dos novos (ou nem tão novos assim) formatos de censura e criminalização. Música, Literatura, Filme, não importa o suporte, a ideologia que rege o estado conflita com a liberdade de expressão e a arte do povo.</p>



<p>Claramente usada como controle, a censura evita que a sociedade caminhe por campos que alimentam a reflexão e as novas perspectivas sobre a própria humanidade. Existe no censurador uma intenção de ocultar as faces da sociedade, silenciando a crítica direta que a arte faz.&nbsp; Seja de uma forma clara ou discreta, a censura ataca a arte e criminaliza seus agentes para silenciar ideias, o samba e a capoeira viveram grande parte de sua existência considerados crime, vadiagem ou desobediência civil.<br></p>



<p>João da Baiana (1887-1974), por exemplo, precisou de ajuda de um congressista para não ser mais preso nas ruas. Feito pelo senador José Gomes Pinheiro da Fonseca (1851-1915), fã de samba e um dos políticos mais importantes da época, escreveu uma dedicatória no pandeiro de João. Quando era parado pela polícia, o músico mostrava o instrumento com a assinatura. Funcionava como um salvo-conduto.&nbsp;</p>



<p>A postura de criminalizar o samba vai teoricamente até a Presidência de Getúlio Vargas, que passou a valorizar elementos da cultura brasileira para reforçar o nacionalismo, uma de suas bandeiras. Porém, alguns sambistas ainda sofreram com a censura. Músicas que ironizavam o trabalhismo, um dos pilares do Estado Novo, sofreram intervenção.</p>



<p>Em 2018 o diretor de cinema Kleber Mendonça Filho, denuncia a ação do Minc sobre a ordem de devolver todo o dinheiro recebido pelo edital em 2010 para o longa “O Som Ao Redor” que complementou seu orçamento com recursos estaduais advindos do Funcultura (edital de cultura de Pernambuco). Uma regra no edital federal vetava a complementação com outros recursos advindos do Governo Federal, mas não falava nada sobre fontes estaduais, municipais ou da iniciativa privada. As vezes a abordagem do estado atinge a identidade cultural de forma massiva como é caso do funk.</p>



<p>Líder em projetos higienistas, o PSL&nbsp; (partido social liberal) abriga o deputado federal de Minas Gerais Charlles Evangelista, que criou o projeto de lei que pretende criminalizar “qualquer estilo musical que contenha expressões pejorativas ou ofensivas”. O projeto de número 5194/2019 foi apresentado em 2019 e passará por comissões na Câmara dos Deputados. Você pode ler o projeto completo diretamente no<a href="https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=2221575"> site da Câmara</a>.</p>



<p>Se formos levar em consideração a<a href="https://gov-rj.jusbrasil.com.br/legislacao/819271/lei-5543-09"> Lei 5.543/09, que define o funk como um movimento cultural e musical de caráter popular</a>, descriminalizar ou acabar com o Funk iria de contra dois de seus artigos: um deles diz que o poder público tem que assegurar a realização das manifestações que envolvem o funk, ou seja, os bailes estão inclusos e acabar com eles é um ato anticonstitucional. Outro artigo da mesma lei ainda proíbe a discriminação contra o funk e seus personagens.</p>



<p>Ainda sim tramitam casos como o de Rennan da Penha, que&nbsp; não foi o único funkeiro perseguido. Antes dele, MC Tikcão, MC Smith e Rômulo Costa também foram perseguidos pela Justiça.&nbsp; Esses são exemplos de um modelo de iniciativa que o governo aborda quando se trata de cultura popular, oriundos das ruas ou das partes periféricas das cidades. Nada tão complexo de perceber e compreender. Resistir é um papel triunfal na arte periférica.</p>



<p>Mesmo com a ideia de uma Arte que seja abrangente à todas expressões que se denominam&nbsp; arte, mesmo que um músico e uma pintora se considerem artistas, ainda sim são minorias&nbsp; dificilmente se verá músicos lutando por causas de pintores ou vice versa. O que quero apontar é a ausência de sentimento de unidade com o corpo de artistas para o fortalecimento da arte em geral. Quem deveria apoiar, tem limitado, quem deveria estar unido, segue em um covarde fortalecimento da situação de opressão das artes periféricas, Cada projeto de artista que participa de circuito de financiamento da arte pelo Governo, reafirmar que o estado pode criar arte e entregar a arte pelo seu modo, o pouco notado, modo de “saneamento” da cultura brasileira, proposto pelo guru ideológico do desgoverno atual, Olavo de Carvalho.</p>



<p>Permita-se uma analogia sobre Orwell em “The Road to Wagon Pier”&nbsp; quando visita locais insalubres de trabalho para registro e documentação da situação:</p>



<p>Aqui estou eu, um típico membro da classe média. É fácil pra mim dizer que quero me livrar das distinções de classe, mas quando tudo que eu penso e faço é o resultado das distinções de classe. l &nbsp;</p>



<p>Projetos como “A Arte em Nossa”, oferecido pela Prefeitura de Vitória no ES tem o caráter de higienização quando declara capaz de julgar as artes que devem estar presentes na cidade, as ações do projeto são: apagar trabalho de artistas de rua e sobrepor com algum projeto de pintura, o famoso “atropelo”. Além da estratégia higienista, Vitória se destaca com uma das multas mais altas do país sobre flagrantes de pichação,&nbsp; R$ 9.007,80. Um caso de destaque foi o do jovem de 13 anos que pintou de batom um monumento cedido a cidade que fica instalado na área nobre. A comunidade denunciou o jovem e a polícia o levou para delegacia por crime ambiental em flagrante. A lei determina que se o infrator for criança ou adolescente, os pais ou responsáveis poderão ser responsabilizados pela infração. Os valores das multas serão integralmente repassados ao Fundo Municipal do Meio Ambiente (Fundambiental).A prefeitura ainda duplica o valor se a pichação for praticado contra grafite, monumento ou coisa tombada em virtude de seu valor artístico, arqueológico ou histórico, ou contra bem público.</p>



<p>Uma das exceções em iniciativas como multiplicidade&nbsp; das arte em apoio próprio da arte maior é a do cinegrafista e repórter Marlon Max que produziu esse<a href="https://www.youtube.com/watch?v=oj6iomEBVJU"> <strong>vídeo</strong></a> que retrata a realidade de que o gosto de arte fica para agentes indefinidos, ou seja, na sociedade de Vitória não se sabe que define o que é ou não arte, fica na mão de fiscais da Secretaria de Meio Ambiente definir se um graffiti na rua é crime ou não.</p>



<p>Como disse: estratégias novas e nem tão novas assim, mas sempre covarde, pois muitos artistas precisam do recurso público para existir, e o governo em sua sede de corromper entrega para o artista puxar o gatilho contra a arte. Pensar em unir atualmente tem sido uma exigência para se estabilizar diante tantas armadilhas no fazer arte.&nbsp;</p>



<p><strong>Referências&nbsp;</strong></p>



<p><strong>The Road to Wigan Pier</strong>, George Orwell (1937)</p>



<p><strong>Pixação: arte ou crime?</strong></p>



<p>Marlon Max</p>



<figure class="wp-block-embed-youtube wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Pixação: arte ou crime?" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/oj6iomEBVJU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<p><strong>Notícia de apoio</strong></p>



<p><a href="http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2016/05/lei-contra-pichacao-em-vitoria-preve-multa-de-r-9-mil-infratores.html">http://g1.globo.com/espirito-santo/noticia/2016/05/lei-contra-pichacao-em-vitoria-preve-multa-de-r-9-mil-infratores.html</a></p>



<p><strong>Blog Patricio Junior &#8211; Um país que criminaliza a arte enquanto aplaude o crime</strong></p>



<p><a href="https://patriciojr.com.br/um-pais-que-criminaliza-a-arte-enquanto-aplaude-o-crime-kleber-mendonca-filho-minc-9d3d92d439e7">https://patriciojr.com.br/um-pais-que-criminaliza-a-arte-enquanto-aplaude-o-crime-kleber-mendonca-filho-minc-9d3d92d439e7</a></p>



<p><strong>Entenda o caso da prisão do DJ Rennan da Penha</strong></p>



<p>Autor: Gabriela Ferreira</p>



<figure class="wp-block-embed-wordpress wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-kondzilla-com"><div class="wp-block-embed__wrapper">
https://kondzilla.com/m/entenda-o-caso-da-prisao-do-dj-rennan-da-penha/#materia
</div></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>&nbsp;Iury do Vale Borel</strong> é mineiro com formação acadêmica que coexistiu o erudito e marginal, formou-se pichador e desenhista industrial pela Universidade Federal do Espírito Santo, mas prefiro resumir como ativista gráfico. Acredita na arte como meio de transformação e empoderamento do ser e de comunidades. Logo que inserido nos movimentos de arte de rua, buscou o relacionamento do dualismo presente em sua trajetória, coexistir o erudita acadêmico com o grafista marginal. Propulsor e criador de ideias como CinePixo, Oficinas de Tobograffiti e Artefatos da Arte de Rua que propõem uma visão empírica para mostrar as entrelinhas da arte urbana.Descriminalize a arte</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/4473c-fotos-carol-copy-1.jpg7_-1-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4982" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Tamancos, Devaneios e a Guerra dos Cap</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/09/15/tamancos-devaneios-e-a-guerra-dos-cap/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Sep 2019 21:33:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 014]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Grafitti]]></category>
		<category><![CDATA[Hip hop]]></category>
		<category><![CDATA[Pixação]]></category>
		<category><![CDATA[Rap]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Iury Borel</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-small-font-size"><strong>Notas do Autor</strong></p>



<p class="has-drop-cap has-normal-font-size">O formato de organização de conteúdo por mapas mentais é praticamente a base estrutural do texto, onde se conectam conceitos, eventos, referências e ideias diretamente entre si, ao passo que são introduzidos ainda fenômenos que fazem parte da experiência vivida. Aproveitando o conceito de paralaxe trazido nessa literatura, que é mostrado na própria estrutura do texto por meio das constantes mudanças de perspectiva e olhares que a arte de rua podem proporcionar. Uma dinâmica no olhar que precisa ser desprendida, garantindo uma imersão no texto.</p>



<p style="text-align:left" class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Le mot ‘sabotage’ n’était, il y a encore une quinzaine d’années qu’un terme argotique, signifiant non l’acte de fabriquer des sabots, mais celui, imagé et expressif, de travail exécuté ‘comme à coups de sabots’. Depuis, il s’est métamorphosé en une formule de combat social et c’est au Congrès Confédéral de Toulouse, en 1897, qu’il a reçu le baptême syndical. (POUGET, Émile. Le Sabotage. 1911, p. 3).[3]</p>



<p>Se você também não domina o idioma francês como eu, repara nessa sugestão de tradução:</p>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A palavra sabotagem era, quinze anos atrás, apenas uma gíria, significando não o ato de fazer cascos, mas a expressão expressiva e imaginativa do trabalho feito com ‘tiros de cascos’. Desde então, ele se transformou em uma fórmula de combate social e foi no Congresso Confederal de Toulouse, em 1897, que recebeu o batismo sindical. </p>



<p class="has-small-font-size">[A página original está disponível <a href="https://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k245539/f4.image">aqui</a>. Acesso em 25/11/2018].</p>



<p>É fácil encontrar alguma literatura sobre a história dos trabalhadores que jogavam seus sabots (tamancos) nas máquinas para danificar as engrenagens. Essa talvez seja a teoria mais indicada de como surgiu o conceito de <strong>sabotagem</strong>: a prática dos empregados de resistências aos meios de produção abusivos vigentes no período.</p>



<p>Pra mim é quase impossível ler essas notas sobre a etimologia de &#8220;sabotagem&#8221; e não receber a memória de músicas de um grande sabotador cultural:</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><strong>Mauro Mateus dos Santos Filho</strong> (São Paulo, 3 de abril de 1973 — São Paulo, 24 de janeiro de 2003), mais conhecido pelo seu nome artístico Sabotage, foi um rapper, cantor, compositor e ator brasileiro. Mauro, pai de 3 filhos, nasceu na Zona Sul de São Paulo, onde, depois de ter sido assaltante e gerente de tráfico encontrou a saída no rap, entrando na música e percebendo o seu verdadeiro dom. A origem do apelido Sabotage deu-se por estar sempre conseguindo burlar as leis com tremendo êxito, como entrar em bailes, festas e boates sem permissões, e saindo ileso de inúmeras confusões. Uma associação nada casual.</p>



<p>Nessa leitura biográfica, fica claro a diferença no emprego da palavra &#8220;sabotage&#8221;, mas convido a um exercício filosófico orientado por Slavo Zizek, a paralaxe.</p>



<p>Nosso objeto em questão é uma entidade que contrariou as expectativa sociais e proporcionou uma obstrução cultural (gesto que assemelho a contracultura) por produzir um legado continuado de reflexão e amadurecimento intelectual sociopolítico dos que interagem com a obra.</p>



<p style="text-align:right" class="has-medium-font-size"><strong>um rapper de periferia que sabotou vários sistemas que o cercavam, fazendo barulho. </strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/sabota2.jpg?fit=606%2C277&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2432" /><figcaption>Sabotage &#8211; Mauro Mateus S. Filho</figcaption></figure>



<p>por meio da resistência e da sabotagem cultural, A atuação de Sabotage deu força e visibilidade à dimensão social em que se inseriu.Esta dimensão social tem sua própria fonte de cultura e se relaciona em outros aspectos de identidade consolidada na sociedade contemporânea com o Hip-Hop. Iniciado nos EUA, ainda que observe-se gestos simultâneos e similares no Brasil e em outros lugares do mundo contendo suas singularidades.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/68c9c-cliff159_ny.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2434" data-recalc-dims="1" /><figcaption>NY final dos anos 70</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/pichação.jpg?fit=606%2C277&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2435" /><figcaption>Brasil &#8211; 1968</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5c5e7-gecc81rard-aimecc81_rapho-eyedea-mar-1968.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2496" data-recalc-dims="1" /><figcaption>France. Ile de France. Nanterre. Campus universitaire. 29 mars 1968.Les autorités universitaire ferment la fac. La réunion prévu du Mouvement du 22 Mars se tient sur les pelouses. inscription sur les mur de la faculté de lettres. &#8211; França &#8211; 1968</figcaption></figure>



<p><strong><em>PARALAXE </em></strong></p>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">medida da mudança de posição aparente de um objeto em relação a um segundo plano mais distante, quando esse objeto é visto a partir de ângulos diferentes. Ou seja, o objeto permanece imóvel, contudo parece mover-se. Esse fenômeno óptico, relativamente simples, torna-se método e guia para a teoria do Filósofo esloveno Slavoj Žižek.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/965a3-paralaxe.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2497" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p>Interessante o emprego dessa teoria para observar o fenômeno que a cultura urbana proporcionou à sociedade contemporânea: resistência; empoderamento de classe em contrapartida aos prejuízos patrimoniais; e, talvez a mais perigosa de todos os danos para o sistema, a ressignificação ideológica; entre outros impactos.</p>



<p>Convido a observar as distintas culturas (pixação e graffiti) reagindo de forma similar à opressão e descaso do estado às periferias. Um gesto oportuno que configura essa expressão de resistência é o graffiti, um fenômeno que se destacou nas periferias de Nova York como demarcação de territórios entre gangs e rapidamente usado como suporte de expressão artísticas de jovens. Enquanto, no Brasil, um fenômeno similar nascia com a mesma intenção transgressora, a pichação. Enquanto lá se miravam os trens que veiculavam pelo Broklyn,(&#8230;) em São Paulo se mirava a arquitetura de prédios, da fachada de entrada ao topo.</p>



<p>Por mais que “forcemos” nossos olhos para esses dois fenômenos na busca de extrair tudo que pudermos, ainda precisaremos nos deslocar e mudar de posição sobre nossa perspectiva, um exercício que o MC Sabotage expressou na sua essência por intermédio do Rap com músicas que falam da condição social da periferia, dando voz e ascendendo a realidade com sua própria interlocução.</p>



<p>O Hip Hop se tornou uma via de resistência cultural e inspirou a elevar essa luta pras ruas pela pintura onde o jovem pode estar presente participando da transformação da cidade, modelando a informação dos esgotos aos arranha céus.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6fafb-zezao.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2498" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Zezao &#8211; SP</figcaption></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/sp-antiga-tchentcho.jpg?fit=606%2C277&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2499" /><figcaption>Tchentcho-SP</figcaption></figure>



<p>Essa ação trata-se de defender a importância da universalidade. Em tempos de relativismo, de multiculturalismo e de multiplicidade de pontos de vista, Žižek usa a noção de paralaxe para pensar a unidade da existência e a necessidade de um universal que não seja coercitivo ou mera reunião de figuras particulares. “O Ser é diferença, elevada à dignidade de universal. O respeito às particularidades são extremamente necessário para coexistir e continuar o ideal universal, pois ideologias que usam de machismo, racismo ou qualquer tipo de reducionismo conspira pelo desenvolvimento harmônico da humanidade.</p>



<p style="text-align:right" class="has-medium-font-size"><strong>Nada além do trivial ver jovens buscando empoderar-se do espaço político em que vivem, da maneira a que se faz em sua dimensão social, como previa Carlos Drummond, </strong></p>



<p>Acredito que:</p>



<p>Pixa-se aquilo que foi pichado, ou seja, ocupa-se os espaços esquecidos e/ou usados de maneira desinteressada à sociedade pelos os olhos do artista. Para pixadores, um muro cinza tem o efeito oposto do “espaço em branco” em um quadro.</p>



<p style="text-align:right" class="has-large-font-size"><strong>O “cinza” nas ruas é o anti respiro. </strong></p>



<p>A pixação é a arte que ficou por muito tempo fora das galerias. Quando, em 2008, isso foi interrompido e vivemos o momento de estudo dessa arte por parte das academias artísticas pelo mundo afora. Vide a Bienal de Berlin de 2012 que se sacudiu recebendo uma turma de pixadores como principal atração do evento.</p>



<p>Com força e expressão para transformar, a vivência na pixação modifica o olhar, desloca o que se considera <strong>seu lugar </strong>e indaga sua ideia de espaço urbano público ou privado, além do conceito de sociedade universal. Uma experiência que desafia o ego e a perspectiva disruptiva de impacto social:são vidas com suas cotas de opressão que afrontam e expressam suas intenções, desenhando um cenário com dados etnográficos que podem ajudar a decifrar o comportamento social do local.</p>



<p>Os muros de uma cidade gritam dados e informações para os que passam ali. Algumas informações que essa textura gráfica indica na cidade:</p>



<p style="text-align:right" class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">_ Nível aparente de participação e manutenção dos Gestores e Autoridade;</p>



<p style="text-align:right" class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">_ Nível e modelo aparente de controle da ocupação da cidade por parte das autoridades ( algumas cidades aplica uma pena por multa variável de R$1000,00 a R$9000,00 com distintas formas de efetivar essa pena);</p>



<p style="text-align:right" class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">_ Nível aparente de cultura fomentada na região, etc;</p>



<p>Sendo o Graffiti e a pixação movimentos que se estabeleceram em todas as classes, com praticantes de variados níveis econômicos, tem-se a comunicação de forma direta com os diversos espaços urbanos pertencentes à diferentes contextos. A arte de rua pode ter muitos pontos focais e o que mais vale nesse segmento artístico/político é se permitir enxergar seja ilegível ou aparentemente sem sentido, pois existe muita coisa por entre essas expressões urbanas. É necessário inquietude para ver de outro ponto e entender as diversas faces do que se observa.</p>



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<p><strong> Iury Borel</strong> é mineiro com formação acadêmica que coexistiu o erudito e marginal, formou-se pichador e desenhista industrial pela Universidade Federal do Espírito Santo, mas prefiro resumir como ativista gráfico. Acredita na arte como meio de transformação e empoderamento do ser e de comunidades. Logo que inserido nos movimentos de arte de rua, buscou o relacionamento do dualismo presente em sua trajetória, coexistir o erudita acadêmico com o grafista marginal. Propulsor e criador de ideias como CinePixo, Oficinas de Tobograffiti e Artefatos da Arte de Rua que propõem uma visão empírica para mostrar as entrelinhas da arte urbana.Vive de design e pintura.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8c937-6-2.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2437" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p style="background-color:#a67a00;text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/09/photo5186361507900925972-1.jpg?fit=606%2C608&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-2503" /></figure>



<p style="text-align:center" class="has-text-color has-background has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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