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	<title>Arquivos #gutemberg - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Aura só tem Possibilidade no Presente.</title>
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		<pubDate>Sun, 06 Oct 2019 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 017]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Marcus Cardoso </p>
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<p class="has-drop-cap">Há esse objeto ali: um amontoado de folhas, uma sobre a outra, numa sequência lógica, numerada, cartesiana. Antes de estar encadernada, página é só papel. Protegida por uma capa de papelão, envolto em mais papel, ou até mesmo pano, temos ali o ápice de uma tecnologia que nunca morrerá. O livro já nasceu na era da reprodutibilidade: sua identidade já é a da cópia das palavras em escala. Os copistas criavam obras únicas, pois cada falha é uma marca de identidade no texto do outro. A impessoalidade foi impressa junto com seus tipos móveis. </p>



<p>Gutemberg não propôs a feitura de um objeto único: justamente seu desejo sempre foi a disseminação: uma maneira de espalhar conhecimento e encurtar o mundo. Livros são pensados e concebidos no princípio de sua reprodutibilidade técnica, citando Walter Benjamin. A aura da obra de arte é, justamente, a sua autenticidade: aquela característica que a torna única. Uma segunda capela sistina seria apenas uma segunda, ainda. A imagem pixealizada que encontramos na Internet da Noite Estrelada, do Van Gogh, ainda é só uma representação. É duro, mas é. Como diz John Berger, em Ways of Seeing, quando nos conectamos visualmente com uma obra de arte, compreendemos sua aura: a percepção de cada pincelada, da força ou leveza do pincel, dos restos de insetos que mortos ainda vivem presos nos quadros pintados ao ar livre.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c32bd-gutemberg.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3297" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"> O livro, essa obra já nascida sem aura, só reencontra sua existência única em um momento específico: a dedicatória. </p>



<p> Nessa marca quase cicatriz, que as palavras deixam na página, envoltas em significado e celebração, que a pessoalidade reencontra a obra. O autor, já morto agonizado por seu carrasco mais famoso, Roland Barthes, interessa tanto, nesse sentido, quanto a marca da caneta que autografa. As poucas linhas, desejando felicidades ou descrevendo lembranças, devolvem aquilo que jamais pensaram fazer. A aura, então, só tem possibilidade no presente.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/10/IMG_20191005_220407826.jpg?fit=606%2C808&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-3298" /></figure>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p><strong>Marcus Cardoso</strong>, historiador de formação, mestrando, músico… Faz tanta coisa que acaba não fazendo nada. E, se somos o que fazemos, então é isso: um grande nada que acredita piamente que a salvação do mundo está escondida em um haicai.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria </p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/6885b-hospital-mulheres.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2245" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie as causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário</em>.</p>
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