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	<title>Arquivos indígena - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Foto de tradição Pankararu é premiada na Suíça</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jun 2022 18:08:17 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 004, N 124]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos humano]]></category>
		<category><![CDATA[fotografia]]></category>
		<category><![CDATA[indígena]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[prêmio de fotografia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2022/06/12/foto-de-tradicao-pankararu-e-premiada-na-suica/">Foto de tradição Pankararu é premiada na Suíça</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Um indígena brasileiro venceu o concurso de fotografia Povos Indígenas e Comunidades Locais, realizado pela Organização Mundial da Propriedade Intelectual.</p>



<p>Para saber se as condições climáticas irão favorecer a colheita anual, os indígenas Pankararu puxam um cipó. Numa espécie de cabo-de-guerra, os membros da comunidade localizada no sertão pernambucano dividem-se em dois times. Um deles puxa a cipó em direção ao leste e o outro para o oeste. É através desta disputa de forças que as entidades religiosas informam suas previsões aos Pankararu: se o cipó terminar no lado onde o sol nasce, no leste, o clima será próspero e a comunidade viverá um ano de abundância. Ultrapassar para o lado oeste significa pouca chuva e escassez.&nbsp;</p>



<p>Depois de assistir a uma série de previsões de seca, o estudante de mestrado Joanderson Gomes de Almeida, de 30 anos, passou a se perguntar o que ele e a sua comunidade poderiam fazer para que o cipó permanecesse no lado leste. Foi com esta inquietação e com um celular que ele fotografou a cerimônia do puxamento do cipó durante a tradicional festa do Flechamento do Imbu, uma comemoração indígena que marca o início da colheita.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow"><p>“Essa tradição acontece só uma vez ao ano na comunidade, mas durante o nosso dia a dia, por que a gente não lembra dessa previsão? O que eu posso melhorar para que no próximo ano a gente possa ter um resultado de fartura e abundância? Esta é uma reflexão sobre os cuidados que a gente às vezes não tem com o meio ambiente no nosso cotidiano”, conta o estudante em entrevista ao Centro de Informação das Nações Unidas para o Brasil (UNIC Rio).</p></blockquote>



<p>Quatro anos depois do click, a foto foi parar em uma exposição na sede da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), na Suíça. A imagem “Puxamento do Cipó” virou a metáfora perfeita para simbolizar o impacto das mudanças climáticas e, por este motivo,&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/179431-indigena-brasileiro-vence-concurso-de-fotografia-sobre-crise-climatica">venceu o primeiro concurso de fotografia&nbsp;</a>da OMPI voltado para jovens de comunidades tradicionais.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image alignfull"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2022-05/tk-photo-prize-almeida-845%20%281%29.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="A foto &quot;Puxamento do Cipó&quot; ficou em exposição entre os dias 22 de abril e 6 de maio, na sede da OMPI em Genebra, na Suiça. " data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>&#8220;Puxamento do Cipó&#8221; ficou em exposição entre os dias 22 de abril e 6 de maio, na sede da OMPI, em Genebra.<br>Foto: © Joanderson Gomes de Almeida</em></figcaption></figure>



<p>O prêmio entregue no Dia da Terra&nbsp;<a href="https://www.wipo.int/tk/en/news/tk/2022/news_0004.html">também contemplou jovens do Quênia e Filipinas</a>. O anúncio dos vencedores foi feito no último dia 22 de abril e culminou com a exposição em Genebra. A intenção da Organização da ONU era estimular que os jovens de comunidades tradicionais expressassem criativamente o impacto das mudanças climáticas em suas regiões e, ao mesmo tempo, aprendessem a proteger seus trabalhos recorrendo aos direitos de propriedade intelectual. Para escolher os vencedores, entre mais de 30 imagens finalistas, foi convocado um painel independente de jurados constituído por quatro fotógrafos internacionais.</p>



<p>“Os jovens têm o maior interesse no futuro do nosso planeta e é por isso que estou satisfeito que o primeiro Prêmio de Fotografia da OMPI esteja oferecendo aos membros de comunidades indígenas e locais a oportunidade de se expressarem através da fotografia sobre a crise climática e outros desafios relacionados que estão enfrentando”, declarou o diretor-geral da OMPI, Daren Tang, durante a cerimônia de premiação.&nbsp;</p>



<p>Na oportunidade, ele também destacou como é estreita a relação das comunidades indígenas com o meio ambiente e seus recursos, sendo elas as primeiras a enfrentarem as consequências diretas da crise climática, como a perda da diversidade biológica e o aumento do nível dos oceanos. Ao parabenizar o indígena brasileiro pela conquista, o diretor-geral lembrou que o povo Pankararu tem uma forte vocação de preservar a natureza e as tradições. No entanto, eles também têm sido castigados por períodos sem chuva e seca, o que dificulta as atividades agrícolas tradicionais.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/large/public/2022-05/exposi%C3%A7%C3%A3o.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Exposição com as fotografias finalistas aconteceu entre os dias 22 de abril e 6 de maio, em Genebra. " data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Exposição com as fotografias finalistas aconteceu entre os dias 22 de abril e 6 de maio, em Genebra.&nbsp;<br>Foto: © OMPI</em></figcaption></figure>



<p><strong>Conexão &#8211;&nbsp;</strong>Em Pernambuco, a comunidade Pankararu está estabelecida entre os municípios de Petrolândia, Jatobá e Tacaratu, distante cerca de dez quilômetros do rio São Francisco. Esta proximidade ajuda a explicar porque a água, mais do que um recurso essencial para a vida, também é considerada parte da constituição deste povo. “Existia uma ocupação tradicional desta terra narrada na própria cosmologia do povo Pankararu. As primeiras entidades, que chamamos de Encantados, eram pessoas normais que receberam o dom depois de entrarem na cachoeira do rio São Francisco. E hoje nós não temos acesso a água. Esta é uma reivindicação do povo Pankararu. A gente mora a menos de 10 quilômetros do rio São Francisco e não temos água”, explica Joanderson.&nbsp;</p>



<p>Em sua inscrição no concurso da OMPI, o estudante de mestrado defendeu que jovens indígenas ocupem espaços como estes e que novas soluções inovadoras sejam propostas a partir de parcerias com as comunidades locais. “Os indígenas têm uma forma tradicional de cultivo e manejo da terra, sem o viés mercantilista. Não vemos a terra como objeto de produção de capital, mas como uma forma de vida e subsistência. Ainda há muito o que se falar sobre clima e sobre povos indígenas para além desta visão marginal”, pontua. “Agradeço a OMPI pela iniciativa de criar esse concurso e por incentivar jovens indígenas e de comunidades tradicionais a participarem. Agora, com o prêmio, poderei registrar estes momentos com mais qualidade e profissionalismo”.</p>



<p>Como primeiro colocado, Joanderson ganhou da organização equipamento fotográfico profissional no valor de 3.500 dólares.&nbsp;</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="675" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?resize=950%2C675&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-23826" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?resize=1024%2C728&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?resize=300%2C213&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?resize=768%2C546&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2022/06/image.png?w=1300&amp;ssl=1 1300w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Joanderson Gomes de Almeida, de 30 anos, é um indígena Pankararu do estado de Pernambuco. Ele é estudante de mestrado na Universidade de Brasília Foto: © Arquivo pessoal.</em></figcaption></figure>



<p class="has-text-align-center has-small-font-size"><strong><em>Matéria originalmente publicada em&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://brasil.un.org/pt-br/182103-foto-de-tradicao-pankararu-e-premiada-na-suica" target="_blank">Nações Unidas Brasil</a></em>&nbsp;<em>em 16/15/2022 – Atualizado em 16/05/2022</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:16px"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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									Foto de tradição Pankararu é premiada na Suíça
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		<title>As falhas na saúde indígena e por que isso é problema seu</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 065]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Indígena]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[Direito]]></category>
		<category><![CDATA[indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>É como diz a canção de Clara Nunes: <em>“Ninguém ouviu um soluçar de dor no canto do Brasil. Um lamento triste sempre ecoou, desde que o índio guerreiro foi pro cativeiro e de lá cantou”</em>. A luta indígena pela preservação de suas culturas, terras e sobrevivência em geral persiste há séculos. Não são raros os casos da história em que ficaram evidentes atitudes genocidas por parte do Estado, o que levou, em determinado momento, a uma luta intensa dos povos originários por seus direitos fundamentais.</p>



<p>Depois do período ditatorial no qual se promoveu um massacre velado de centenas de vítimas por governantes, militares, madeireiros, fazendeiros e tantos outros, a Constituição de 1988 veio como a renovação da esperança, assegurando aos povos indígenas o direito a suas culturas, organizações próprias e, em resumo, um modelo não mais pautado na visão integracionista e meramente assistencialista, como previa o Estatuto do índio de 1973.</p>



<p>Ao lado da proteção territorial, um dos mais importantes assuntos é o direito à saúde. Este deve ser prestado em atenção às especificidades socioculturais desses povos, por estar ligado à proteção da terra sagrada, além de garantir a perpetuação dos indígenas, o respeito à dignidade e autonomia.</p>



<p>O “Subsistema de Atenção à Saúde Indígena” é diretamente ligado ao SUS – Sistema Único de Saúde – que completou 30 anos no dia 19/09 deste ano. Inicialmente, a adoção da política nacional de saúde indígena, em plena conformidade com a Constituição, tentou abandonar concepções antiquadas a respeito da identidade indígena, além de implementar um ponto de vista diferenciado de atenção às comunidades.</p>



<p>Mas, não obstante a existência de diversas leis, o número de notícias e ações judiciais envolvendo a precariedade na prestação desse serviço essencial é alto, o que torna preocupante o futuro e a dignidade desses povos.</p>



<p>Os problemas são muitos. O que as comunidades vivenciam na prática são: má utilização dos recursos financeiros; altos índices de mortalidade infantil; propagação rápida de epidemias graves; falta de saneamento básico; e muitos casos de desassistência dos poderes públicos.</p>



<p>Tem ocorrido um verdadeiro retrocesso na saúde, principalmente no que diz respeito às ações de prevenção e no acesso a tratamentos mais duradouros e elaborados. As ações de vacinação são frágeis, bem como a capacitação de agentes, o controle de dados, sem mencionar que algumas comunidades vivem sem água potável, recorrendo a casas de saúde sem medicamentos, com infraestrutura totalmente precária. Como se não bastasse, vem ocorrendo a diminuição e até a suspensão no repasse de recursos financeiros para os Distritos Sanitários por parte do governo federal.</p>



<p>Recentemente, <strong>as populações indígenas lidam com a expansão do Coronavírus: até o momento, conforme dados da APIB – Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, são 158 povos atingidos, 33.412 indígenas confirmados e 828 indígenas falecidos. </strong>Já se sabe que questões imunológicas, o compartilhamento de utensílios domésticos e a dificuldade geográfica de atendimento em saúde são fatores que contribuem para a expansão da doença, e, ainda assim, não há movimentação do governo para amenizar esse cenário caótico.</p>



<p>Fato é que não há uma política orgânica, que respeite a Constituição e permita que os povos indígenas recebam uma atenção diferenciada, eficaz e respeitosa para com seus modelos e concepções de cura. Existe um cenário de descontinuidade na saúde indigenista extremamente maléfico. A não renovação de convênios, o esvaziamento de unidades gestoras, falta do repasse de verbas, mudanças estruturais, ausência de participação dos povos nas decisões, a insegurança legislativa com alterações constantes de portarias e decretos, tudo isso colabora com a decadência e o desmanche do sistema de direitos fundamentais.</p>



<p>A partir disso, surge a questão: <strong>a Constituição de 1988 foi suficiente em garantir aos povos indígenas a saúde universal que foi estruturada aos demais?</strong> Ora, se saúde enquanto garantia de vida digna não é implantada ou alcançada pelo Estado brasileiro aos povos indígenas, significa que estamos em uma moldura democrática que não compreende a todos: uma cidadania cujo sujeito abstrato não compreende os povos originários.</p>



<p>O Brasil, mesmo com a Constituição Cidadã, não trouxe a ruptura necessária que incluísse todos os grupos na execução prática dos direitos fundamentais, e verificamos isso com a saúde: o país com o único sistema de saúde pública do mundo que atende mais de 190 milhões de pessoas e tem como princípios básicos a integralidade, a igualdade e a universalidade, se mantém praticamente inerte em cuidados mínimos com os indígenas durante a pandemia.</p>



<p>Um dos grandes desafios para a efetivação do direito à saúde no Brasil é justamente o de desenvolver a democracia sanitária no país, a partir de um sistema capaz de garantir a participação da sociedade na tomada das decisões estratégicas em saúde. Para tanto, precisamos criar e consolidar instituições e processos juridicamente regulados que possibilitem a participação efetiva de toda a sociedade nas decisões desse tema. Por isso, para Sérgio Arouca, “democracia é saúde e saúde é democracia”.</p>



<p>Uma democracia e seus valores são colocados à prova em um momento como o que vivemos. Há um desafio entre os princípios de desenvolvimento, dignidade, e a própria preservação da vida. Por isso é relevante que nosso pacto social seja reavaliado, sobretudo como projeto de alcançar as condições básicas de existência e bem-estar também para as minorias.</p>



<p>Por muito tempo, acreditamos que a pauta indígena não era uma questão para o governo e que o cenário era de uma constante omissão, mas erramos. Há em curso um verdadeiro plano anti-indígena, reconhecido por vários mecanismos internacionais como uma agenda genocida. Exemplo disso foram os vários vetos que o Presidente da República fez na Lei 14.021/2020, que dispõe sobre medidas de combate à Covid-19.</p>



<p>Se não lutamos e cobramos a efetivação dos direitos para todas as camadas, incorremos na falsa noção de que vivemos e construímos um Estado Democrático. Por isso, quando acharmos que a saúde indigenista não é um problema nosso, devemos nos lembrar constantemente de que o Brasil todo é terra indígena, e que é um dever coletivo preservarmos a história e a vida dos povos originários.</p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Em tempos de pandemia a luta e a solidariedade coletiva que reacendeu no mundo só será completa com os povos indígenas, pois a cura estará não apenas no princípio ativo, mas no ativar de nossos princípios humanos.”</em><br>&#8211;<em> Trecho da Carta Final da Assembleia de Resistência Indígena (09/05/2020).</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>AITH, Fernando Mussa Abujamra<strong>. Direito à saúde e democracia sanitária: experiências brasileiras.</strong> R. Dir. sanit., São Paulo v.15 n.3, p. 85-90, nov. 2014/fev. 2015. Disponível em: &lt; <a href="https://www.revistas.usp.br/rdisan/article/download/148138/141745/">https://www.revistas.usp.br/rdisan/article/download/148138/141745/</a>&gt;.</p>



<p>APIB. <strong>A mãe terra enfrenta dias sombrios.</strong> Publicado em: 10/05/2020. Disponível em: &lt;<a href="http://apib.info/2020/05/10/carta-final-da-assembleia-de-resiste%CC%82ncia-indigena/">http://apib.info/2020/05/10/carta-final-da-assembleia-de-resiste%CC%82ncia-indigena/</a>&gt;.</p>



<p>CNN. <strong>Bolsonaro sanciona com vetos plano para combater Covid-19 em áreas indígenas.</strong> Publicado em 08/07/2020. Disponível em: <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2020/07/08/bolsonaro-sanciona-com-vetos-plano-para-combater-covid-19-em-areas-indigenas">https://www.cnnbrasil.com.br/nacional/2020/07/08/bolsonaro-sanciona-com-vetos-plano-para-combater-covid-19-em-areas-indigenas</a>.</p>



<p><strong>DADOS COVID – APIB.</strong> Disponível em: &lt;<a href="http://emergenciaindigena.apib.info/dados_covid19/">http://emergenciaindigena.apib.info/dados_covid19/</a>&gt;.</p>



<p>ECOA. <strong>Por que a covid-19 é perigosa para os povos indígenas?</strong> Por Priscila Tapajó. Publicado em: 15/04/2020. Disponível em: &lt;<a href="https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/opiniao/2020/04/15/por-que-a-covid-19-e-perigosa-para-os-povos-indigenas.htm">https://www.uol.com.br/ecoa/colunas/opiniao/2020/04/15/por-que-a-covid-19-e-perigosa-para-os-povos-indigenas.htm</a>&gt;.</p>



<p>USP.<strong> É urgente reafirmar que saúde é democracia.</strong> Por Ergon Cugler. Publicado em: 05/05/2020. Disponível em: &lt;<a href="https://jornal.usp.br/artigos/e-urgente-reafirmar-que-saude-e-democracia/">https://jornal.usp.br/artigos/e-urgente-reafirmar-que-saude-e-democracia/</a>&gt;.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17081-debra-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11621" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Déborah Silva</strong></strong>&nbsp;</strong></strong>é pós graduanda em Direito Constitucional.&nbsp;</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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		<title>“índio e gay”: corpo de luta</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:37:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[indígena]]></category>
		<category><![CDATA[Neimar Kiga]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Neimar Kiga</p>
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<p class="has-drop-cap">Desde a infância, eu sabia que era diferente das crianças ao meu redor; mas eu escondia quando percebia que não era visto como algo bom. Na escola, muitas vezes fui motivo de piadas ofensivas por ter gostos que eram somente meus, desejos diferentes do as pessoas queriam ver. Em casa, eram os meus trejeitos que eram observados; mas eu sempre tinha os meus momentos para ser eu de verdade.</p>



<p>Na escola, principalmente, uma das minhas dificuldades era em relação à minha identidade. Não sabia a diferença entre o que seria “de menino” ou o que seria “de menina” &#8211; o que eu via era simplesmente um brinquedo, sem gênero. Como uma criança, independente do que, eu queria brincar e ser criança. Porém, muitas vezes, o que eu tinha ou queria não era visto com bons olhos por outras pessoas. Comunidade, amigos e até mesmo a família, muitas vezes pelo desconhecimento, me impediam de ser livre, por fugir do que seria o “certo”.</p>



<p>Na Escola Estadual Indígena Sagrado Coração de Jesus, onde terminei o ensino médio, nunca tive problemas em relação a minha identidade enquanto indígena, uma vez que todos éramos indígenas. Mesmo sabendo da minha identidade, de ser indígena, de ser Boe, a valorização em relação a quem eu sou nunca foi uma prioridade; eu não tinha a noção da importância de ser indígena e ser Boe. Agora, eu sei da importância e valor de tudo que eu sou e de tudo que eu tenho.</p>



<p>Com o tempo, eu já não conseguia esconder ou disfarçar minha sexualidade. Foi na minha adolescência que descobri o que eu realmente era, mas foi um dos piores momentos da minha vida. Nessa época, tive o contato com outros jovens homossexuais da minha aldeia e percebi que eu também era homossexual. Foi um período muito difícil, por diversos motivos. Minha família muitas vezes não me apoiava, não me entendia e não me aceitava. Creio muito que a religião Católica influenciou nessa resistência, por minha família ser fortemente religiosa cristã (naquela época), principalmente minha mãe. </p>



<p>Ainda na adolescência, um jovem seminarista que morava na minha aldeia e estudava para ser padre me disse que eu não deveria seguir com a minha orientação sexual e que eu deveria ter dignidade, me respeitar, chegando até a dizer “o que você tem no meio das pernas”? Com todas as informações que eu recebi naquele dia, me senti totalmente fraco, errado, incapaz, confuso e indigno do respeito das pessoas. Até mesmo pensei em cometer suicídio. Então escondi, por muito tempo, das pessoas e de mim mesmo, o que eu era.</p>



<p>Minha mãe descobriu que eu era homossexual &#8211; sim, descobriu! Na aldeia, as informações correm muito rápido por ser um lugar pequeno, e chegou aos ouvidos da minha mãe que eu era homossexual; eu nunca tive a coragem de me assumir. Levei uma surra por ser gay e, desde então, meu convívio com minha mãe só piorou; nunca mais tive uma vida “normal” em relação a minha orientação sexual . Numa dessas discussões que sempre tínhamos, eu fui para a BR (que fica a 6 km da aldeia) com o intuito de me suicidar (jogando-me na frente de qualquer carreta que passasse por lá); chegando à estrada, um vendedor que vai à aldeia me viu e pediu para eu voltar, para eu não cometer esse erro, pois eu ainda era jovem. Eu voltei com ele.</p>



<p>Algumas vezes, fui embora de casa; e o meu melhor lugar era fora dela. Morei por algum tempo com minhas irmãs. Minhas melhores companhias eram os amigos e um lugar em que me sentia obrigado a estar,  na escola. Lá, eu pensava em me tornar independente, para superar as dificuldades que a vida me propunha com mais facilidade; então na escola era onde eu deveria estar. A educação transforma e ela foi capaz de me transformar e de transformar muitas pessoas que viviam e vivem ao meu redor.</p>



<p>A educação sempre foi uma prioridade que me acompanhava. No ano de 2011, em busca de uma educação diferenciada, &#8211; visto que na aldeia a escola estava passando por algumas dificuldades -, uma prima e eu resolvemos morar em Rondonópolis/MT com uma tia. Depois de alguns meses, voltamos para aldeia por não conseguirmos ficar na cidade; éramos muito jovens. Voltando pra aldeia, demos continuidade aos estudos.<br>Quando voltei pra aldeia, tentei estudar em uma vila próxima, Paredão Grande/MT, por acreditar que a escolaridade seria melhor. Era uma escola com a maioria de pessoas não indígenas. Conheci várias pessoas, fiz algumas amizades, mas eu não me sentia completo. Existiam pessoas que me impediam de ser quem sou, ou que faziam brincadeiras ofensivas que me fizeram voltar a estudar na aldeia novamente.</p>



<p>No final do ano de 2015 eu prestei o vestibular pra UCDB (Universidade Católica Dom Bosco), no curso de Design (que eu sempre tive vontade de fazer), depois de tentar em outra Universidade, mas não conseguir a nota exigida &#8211; eu era muito jovem e inexperiente. Deixei de apanhar na escola e em casa e fui apanhar da vida. Assim comecei meu trajeto na universidade. Às vezes, chego a pensar que a minha vinda para Campo Grande foi pela não aceitação de algumas pessoas da comunidade sobre minha sexualidade, tentando me afastar e ser feliz.</p>



<p>Em 2016, quando chego a Campo Grande, um lugar até então desconhecido, me deparo com algumas diferenças em relação à minha vida e rotina anterior. A primeira expressão em relação a cidade foi “nossa, que cidade grande”, e eu nem imaginava que se tornaria um lugar que traria grandes conquistas e diversas experiências &#8211; não só no âmbito acadêmico, como também para minha vida pessoal, visto que foram alguns anos dedicados aos estudos. Mas, além disso, eu vivia e tinha minhas particularidades como qualquer outra pessoa.</p>



<p>De início tive que me adaptar à Universidade, lugar em que eu estaria sempre presente. E as Universidades, por mais que passem a ideia de vários universos, muitas vezes não cumprem com essa noção (quase sempre, diria). É um local elitista, burguês, competitivo, onde o acesso e os privilégios são distintos; e a UCDB, por ser privada, deixa essa diferença de classes sociais e financeiras ainda mais nítida, e muitas vezes eu não me sentia acolhido. Porém, ela foi um espaço muito construtivo, onde pude conhecer novas pessoas e ter novas perspectivas em relação à vida.</p>



<p>Depois de perceber como seriam meus dias,  as coisas foram ficando menos complicadas e eu entendi um pouco mais sobre o espaço acadêmico. Ainda assim, precisava me adaptar às pessoas que ali frequentavam. Na universidade e principalmente no meu curso de Design, muitas pessoas tinham perfis diferentes do meu, dificultando um pouco a aproximação. Acredito que, por desconhecimento, muitos tinham alguns pré-conceitos em relação ao “indígena” e algumas vezes chegavam a fazer comentários como “brincadeira” carregados de ofensa e preconceito. </p>



<p>Para exemplificar essas falas, trago a seguinte experiência: em certo período, a UCDB estava passando por algumas reformas em sua estrutura e, em alguns locais, a passagem dos acadêmicos estava limitada. O curso de Design tinha aulas em diferentes blocos da Universidade, então seria necessária a transição nesses espaços. Um dia, junto de dois colegas, passamos em um lugar de difícil acesso; nesse espaço, tinha uma parte limpa, já construída, e outra suja, sem ainda ter terminado. E eu optei por passar na parte limpa já terminada, então um desses colegas questionou o porquê de eu não passar na parte que estava suja, já que eu era “índio”. Eu logo respondi que não passaria na parte suja, pois não seria ele que lavaria o meu sapato. A outra colega interviu dizendo que ele estava sendo preconceituoso, e ele me pediu “desculpa amigo”.  “Amigo não, colega. Meus amigos não tem esse comportamento”. Porém, esse não foi um caso isolado, e não acontece somente no espaço acadêmico; em outros espaços, o preconceito em relação aos indígenas é perceptível. Muitas falas discriminatórias estavam presentes na cidade à qual eu me adaptava. </p>



<p>Viver em um local totalmente diferente do anterior, com muitas pessoas, de diferentes perfis e classes, foi uma ruptura com o que eu vivia antes. Mas eu tinha que ignorar tudo o que era presenciado para que eu pudesse seguir os estudos. Na aldeia, todos éramos conhecidos e, de certa forma, somos pares, por sermos indígenas; então, nossa etnicidade nunca foi um problema. Mas estar na cidade e ser indígena são outras questões. E eu, um ser com um corpo com esses marcadores sociais, muitas vezes me sentia obrigado a desconstruir, informar, educar novos corpos que desconhecem nosso verdadeiro ser.</p>



<p>Muitas vezes, essas indiferenças aconteciam entre pessoas que eu queria próximas, como colegas, amigos e parceiros. Muitas vezes, vinham de onde mais havia repressão. Pessoas do meio LGBTQIA+, principalmente Gays, muitas vezes me enxergavam com olhar pejorativo, de superioridade, por terem melhores condições financeiras que nós indígenas  &#8211; o que era muito entristecedor, por vir de pessoas que muitas vezes passam por experiências negativas semelhantes e que poderiam construir um diálogo.</p>



<p>Depois de um tempo, isso deixou de me incomodar. Eu entendi a importância que tenho para o meu povo, para outros povos, bem como para o meio LGBTQIA+ (ao qual também pertenço); então, não me sentia inferior a ninguém. Simplesmente achava desnecessário esse comportamento. Os preconceitos na cidade, em sua maioria, foram por ser indígena, e não por ser gay. Por ser um espaço onde havia outros gays, de certa forma, eu passava despercebido enquanto tal, e outras pessoas sofriam isso junto comigo. A marca de ser indígena e estar ocupando espaços que não eram considerados nossos foi mais cruel. No entanto, eu não desisti, e essas barreiras que a sociedade me impunha foram superadas. </p>



<p>Sempre quis terminar o meu curso e continuar a carreira acadêmica, mostrar para essas pessoas o que somos de verdade, enquanto “índio e gay”. Durante a graduação, fui absorvendo todas as informações necessárias para poder me defender dessas ofensas, que muitas vezes eram consideradas somente brincadeiras. Atualmente, vejo que mudei em relação ao pensamento de incapacidade que por muito tempo tive em relação a Universidade e sobre minha auto-estima. Hoje, sou muito mais do que pensavam que eu era; sou capaz de realizar as mesmas funções que outras pessoas da sociedade. Sinto-me mais preparado para tomar minhas decisões pessoais. Participo de movimentos sociais pelo direito a cultura, pela igualdade, como ser indígena, do meio LGBT e Indígena LGBT. E tudo isso me move, me faz pensar em construir uma sociedade melhor usando o meu corpo para fazer esse movimento. Falando por mim, para que outros gozem do que eu construir, mesmo que seja pouco.</p>



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<p><strong>Neimar Leandro Marido Kiga</strong> é um homem gay cisgênero, indígena do povo Boe Bororo. Nascido em 1996, mora na aldeia Meruri (morro da raia), pertencente ao município de General Carneiro/MT. Designer, graduado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) e mestrando no Programa de Pós Graduação em Antropologia Social (PPGAS) pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Participa de movimentos sociais pelo direito a cultura, pela igualdade, como ser indígena e LGBT. Também é um dos fundsdores da mídia Tibira, <a href="http://instagram.com/indigenaslgbtq">@indigenaslgbtq</a>.</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/34abf-begaleria18-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10839" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>O Ódio ao Indígena Sangra a América</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Nov 2019 20:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 023]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Hélio Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Nas duas últimas semanas, presenciamos dois bárbaros ataques aos povos indígenas latinoamericanos, um eles no Brasil. O líder ambientalista e defensor dos povos indígenas Pedro Guajajara foi morto no Maranhão, por líderes garimpeiros que encontram legitimidade e proteção no atual Governo brasileiro. Uma semana depois, o único nativo a governar um país neste continente de origem indígena, o presidente boliviano Evo Morales, foi deposto do cargo ao qual foi eleito ainda este mês, num golpe de Estado que ganha contornos de barbárie.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Tais fatos e outros tantos evidenciam o quanto a população colonizadora, ainda que não responsável pela herança das invasões do século XVI, não consegue lidar com a realidade de que os donos desta terra são os povos nativos e, se hoje é impossível restituí-la, ao menos se deve garantir sua segurança social, territorial e cultural, além de efetiva participação nas tomadas de decisão do Poder Público. Quando abrem canais de articulação, estes são obstruídos ou perseguidos, conforme ensina o caso boliviano. E de acordo com o caso brasileiro, a busca da integridade territorial tem por consequência a ameaça à vida.</p>



<p>Entre recuos e massacres vivem os povos indígenas latinoamericanos há 500 anos, desde que as invasões europeias trouxeram os colonizadores, Tomé de Sousa, Francisco Pizarro, Hernán Cortez os mais conhecidos. E seria fácil evocar Eduardo Galeano para evidenciar o quão violada foi a América Latina e, consequentemente, seus povos indígenas. Inclusive, nas páginas de sua obra magna “As veias abertas da América Latina”, Galeano descreve o quanto a Bolívia teve toda sua prata e ouro subtraídos em cidades como Potosí e Cochabamba (de onde vem Evo Morales), para transformarem-se hoje em pobres cidades dependentes do extrativismo vegetal.</p>



<p>Entretanto, como é proposta desta coluna discutir os problemas sociais à luz de antigas lições manifestas em linguagens acessíveis, hoje vamos falar de cinema. A cinebiografia Joaquim, de Marcelo Gomes, conta a história de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, não do ponto de vista do membro da Conjuração Mineira que foi morto pelos portugueses ao ser o único elemento popular num grupo de fidalgos rebeldes. O filme narra a trajetória do alferes Joaquim, antes de conhecer o movimento de revolta contra a metrópole. Durante a narrativa, ele recebe a ordem de realizar uma expedição no interior de Minas conhecido como “sertão proibido”, cujos perigos indispunham o avanço ou exploração pelos colonos. O objetivo é encontrar minas de esmeraldas.</p>



<p>Joaquim leva consigo, além de outros soldados, um negro, escravo, e um índio, cativo. O escravo é o mais apto ao trabalho pesado, acostumado nas fazendas. O índio, dono das terras, as conhece e sabe seus caminhos e perigos. Entretanto, entre todos no grupo, os dois são aqueles maltratados e postos de lado quando em momento de descanso. Em cena emblemática, que deveria constar nos almanaques do cinema nacional, enquanto o grupo de brancos dorme depois de celebrar e se embriagar após a presunção de descoberta de uma mina, o negro e o índio iniciam, a princípio distantes e cada um a sua maneira, cantos de lamentação pelo sofrimento e a terra perdida. Ao perceberem um ao outro, juntam-se e completam-se numa melancólica e marcante melodia.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Numa terra de escravos e indígenas, poucas iniciativas reais existiram para que fique no passado a melancolia dos cantos africanos e indígenas, que determinaram o canto triste e as letras repletas de lamento de muitos sambas de raiz e enredo, muitos dos quais honram a cultura e a resistência também dos povos indígenas. Em nossa história, dois momentos de contato respeitoso e conservacionista foram realizados, um no ínicio do século XX com as expedições do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon para mapeamento da Amazônia, outro na década de 1960 com as expedições os irmãos Villas Boas para a fundação do Parque Indígena do Xingu (hoje ameaçado).&nbsp;</p>



<p>Lidar de forma cidadã com os nossos indígenas e permitir-lhes participação social, àqueles que desejam integrar-se total ou parcialmente à organização social majoritária, é parte sensível para a quebra dos paradigmas lastreados no ódio às diferenças vistos hoje no continente. Se, no Brasil urbano, onde está concentrada a ampla maioria da população brasileira, o ódio ao indígena não é percebido, no rural ele provoca morte aos índios e aos seus defensores. E, num breve olhar para os nossos vizinhos, percebe-se que a chaga do ódio ao indígena se vê latente e irmanada com o ódio aos pobres, o que ocorre agora na Bolívia.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Hélio de Mendonça Rocha</strong> é jornalista. Atua como repórter de meio ambiente e direitos sociais para a revista Plurale e como analista político para os jornais Brasil 247 e El Siglo de Chile. Foi correspondente internacional na China em 2019.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1976d-publi-bodoque.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4491" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1e338-fotos-carol-copy.jpg16-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4523" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie tradições populares. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />


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		<title>Silêncio, por favor.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 17 Nov 2019 20:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 023]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Hélio Rocha]]></category>
		<category><![CDATA[indígena]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Viviane Brito Guimarães</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Carros, buzinas, WhatsApp, notificações de e-mail, Instagram, Facebook, alguns
passarinhos, pensamentos sobre a situação do país, do mundo&#8230; a pobreza, injustiça,
a poluição, o consumismo, as discordâncias e poucas concordâncias.
</p>



<p>Em um contexto violento para o nosso cérebro, o pensamento pode equiparar- se a um computador, no qual há um fundo de tela, geralmente com a pior preocupação, e ali estão dispostos de maneira desorganizada, inúmeras pastas que dizem respeito aos muitos assuntos a serem resolvidos, sem mencionar as múltiplas abas em aberto. Na cabeça de um ansioso, existe muita preocupação e poucas certezas. Praticamente uma foto do mundo, uma foto do caos. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), apontam que a prevalência
mundial do transtorno de ansiedade (TA) é de 3,6%. No continente americano esse
transtorno mental alcança maiores proporções e atinge 5,6% da população, com
destaque para o Brasil, onde o TA está presente em 9,3% da população, possuindo o
maior número de casos de ansiedade entre todos os países do mundo (WHO, 2017).
</p>



<p>Isso mesmo, meu país, o suposto país da alegria, da natureza, da diversidade
cultural, é o campeão em acumular pessoas que vivem amedrontadas pela realidade
líquida, pelas incertezas. E isso a ponto de prejudicar fortemente o estado de saúde do
indivíduo. Quanto barulho&#8230;
</p>



<p>Barulho que a própria mente cria, barulho que vem de fora, barulho que vem de
dentro. Barulho&#8230; Seria possível um pouco de silêncio? Pode ser, vamos ver:
inspirações longas e expirações tão longas quanto. Alguns minutos de calma, mas o
celular toca por qualquer motivo que seja. Se não fosse isso, outro barulho interromperia
o tão necessário silêncio.
</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Lutar tanto contra tantos estímulos gera um cansaço violento. Somam-se a isso
a bagagem emocional, os traumas, os medos, os remorsos, a genética, o estresse, as
disfunções neuroquímicas, tão “naturais” quanto a resistência insulínica em um portador
de diabetes tipo 2. Medo do futuro, peso do passado, cansaço.
</p>



<p>De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), o aumento progressivo
de casos de depressão no mundo deve ser motivo de alerta. Entre 2005 e 2015, o
número de casos da doença cresceu 18%. E o número de pessoas afetadas pela
depressão já chega a 322 milhões em todo o mundo. Destacam-se ainda os casos de
suicídio, que já ultrapassam a marca de 800 mil casos registrados anualmente (WHO,
2017).
</p>



<p>Dados e números, por mais alarmantes que sejam, não afetam tanto quanto
sentir na pele o monstro que rouba a paz. Para cada pessoa ele tem um nome, para
alguns, ele se chama depressão, para outros, transtorno de ansiedade, para outros,
Burnout, para outros, transtorno de estresse pós-traumático. E para outros, ele se
chama o que quer que seja que paralisa.
</p>



<p>Por favor, faça silêncio. Silenciemos um pouco. Como um liquidificador que não
pode ficar ligado batendo um suco na tomada o dia inteiro, a nossa mente, o nosso
corpo, requer limite (singular proposital, afinal, estamos falando da mesma coisa). Um
pouco menos de estímulos, quem sabe, um pouco menos da necessidade irrisória de
aparentar, um pouco mais de momentos de tomar chá, sem pressa, um pouco mais de
</p>



<p>Abraços prolongados, de beijos, de escancarar (para quem merece) quem de fato está falando, vulnerável como é. Ser e aparentar ser um ser humano tão frágil e ao mesmo tempo tão forte. Quem sabe se permitir “perder” um pouco da produtividade, e ganhar mais criatividade, que só é possível com a humanidade, com a arte de ser tão complexo e tão simples. Talvez o barulho poderia se transformar em música, e menos vidas seriam silenciadas, se tão somente admitíssemos ser quem de fato somos, a tempo. </p>



<p>Nota: o texto se refere a uma visão subjetiva da relação entre transtornos
psiquiátricos e a sobrecarga de informações. Procure um médico em caso de sofrimento
psíquico para o tratamento adequado.
</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Viviane Brito Guimarães</strong>, frágil e forte, vulnerável, amante de música, eterna aprendiz e médica formada pela Universidade de Ribeirão Preto. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0449c-foto-carol4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1522" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie causas humanitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />


<div class="wp-block-jetpack-contact-form"><a href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/17/silencio-por-favor/" target="_blank" rel="noopener noreferrer">Envie um formulário.</a></div><p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2019/11/17/silencio-por-favor/">Silêncio, por favor.</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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