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	<title>Arquivos Juan Manuel Blanes - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>24 DE MAIO</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2021 21:24:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 080]]></category>
		<category><![CDATA[Juan Manuel Blanes]]></category>
		<category><![CDATA[La Paraguaya]]></category>
		<category><![CDATA[LGBT]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Tálisson Melo</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> estavam três horas e quatro minutos
 no relógio de um nokia cinza
 madrugada
 tela azul
 &nbsp;
 não tava na mesinha ou
 não tava como eu deixava
 seu rastro nítido ali
 sua desconfiança ativa
 &nbsp;
 vi isso depois de cruzar a sala
 os quadros que te dei
 e um penduricalho de fitas
 tudo jogado no chão ou
 disposto no meio exato da sala
 &nbsp;
 essa fogueira que cê preparou
 mas não acendeu,
 não queimou
 ardeu só de ser pensada
 &nbsp;
 e foi montada
 todo gesto de afeto que tentei fazer
 te envolvendo
 as paredes da sua casa
 &nbsp;
 cê fez um totem da iminência
 do fim, mas não acabamos
 &nbsp;
 as datas estavam atropeladas
 pelo seu tempo
 &nbsp;
 que estava espezinhado
 pela sua confusão
 &nbsp;
 assim atormentada
 pelos vinte e quatro ou&nbsp;
 nove anos seus ou
 um ano e oito meses da gente
 sem descontar outro tempo
 &nbsp;
 que estava espezinhado
 pela sua confusão
 também
 &nbsp;
 e quase sete meses da gente
 descontando uns três meses
 de uma paixão construída por sms
 duas refeições, meio pote de sorvete
 e um abraço
 de corpo inteiro
 de nucas e barrigas
 coxas e braguilhas
 até que cê gozou na calça
 sem nem ter tirado a minha
 e daí? foi muito bom
 um começo
 &nbsp;
 e você sempre voltou
 até que fui
 &nbsp;
 iam fazer dez anos, mas chovia tanto
 a crepioca estava insossa,
 só o tempero da dúvida ou
 de um jogo estranho na sua voz
 acho que na minha, e nos olhos
 &nbsp;
 foi ficando abafado, cê me quis sem roupa
 escrutinou todo meu corpo,&nbsp;
 que mudou tanto
 até que nos tocamos
 &nbsp;
 úmidos de chuva e suor,
 seu cheiro, de corpo, o sal
 do pescoço, algo fermentando
 perto das virílias,
 e metálico seco nos sovacos,
 e seus pelos me roçando toda superfície
 &nbsp;
 da pele
 da lembrança
 nada disso mudou
 &nbsp;
 fomos juntos pra ilha de uma memória
 isso durou todo um fim de tarde,
 noite e manhã
 &nbsp;
 depois fiquei eu com meus óculos empenados
 e tudo, de novo, pareceu
 tão tolo, fogo-fátuo
 &nbsp;
 como a guerra contra o Paraguai -
 por que fizemos aquilo? </pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/41c4e-capatalisson.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14277" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>&#8217;24 de Maio&#8217; é o primeiro poema que trago a público. A imagem de capa que escolhi para ele é uma fotografia que fiz (com meu celular) em 2018 quando visitava o <em>Museo Nacional de Artes Visuales </em>do Uruguai, em Montevidéu. Enquadrei um canto do quadro “<em>La Paraguaya</em>” pintado à óleo sobre tela pelo artista uruguaio Juan Manuel Blanes, em 1879. A referência se faz óbvia diante do fato histórico que representa e da referência direta a ele no meu poema, mas é uma obviedade íntima; talvez se agregue o valor de trazer para o imaginário ‘brasileiro’ um outro ponto de vista sobre o mesmo fato trágico, e por trazer uma figuração de dor íntima, que diz da dor de todo um país, seu povo, sua memória. Segue uma boa reprodução da pintura na íntegra (disponibilizada por <em>Wikimedia Commons</em>).</p>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/255f9-juan_manuel_blanes_-_la_paraguaya.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14278" data-recalc-dims="1" /></figure></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c1d2a-talisson-melo.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13771 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Tálisson Melo</strong> é Artista-pesquisador. Doutorando em Sociologia e Antropologia na UFRJ. Publicou o livro &#8220;Mesmo Sol Outro&#8221; com Carolina Cerqueira (2018). Atualmente trabalha em projetos curatoriais-editoriais e de pesquisa em Montevidéu, Juiz de Fora e Nova York – emaranhando artes visuais, poesia, design, arquitetura, cinema, história e ciências sociais. @talisson.melo @mesmosoloutro</p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
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		<title>CHUVA</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Feb 2021 21:20:00 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Talisson Melo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Murilo Alves</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Você é como a chuva
chegando às vezes sem avisar. 
Chegando depois de horas de um sol escaldante,
depois de dias de calor.

Você é como a chuva
que molha
gota
por
gota
a planta seca.

Que escorre pelo telhado e cai na grama. 

Você é como a chuva
que vem de fininho,
leve
suave
imprevisível.

Como aquela que vem pra abafar mais o calor, 
ou como aquela que refresca ao fim de tarde. 

Ah, cheiro de terra molhada!

Você é como a chuva 
que quanto mais eu corro pra sair
mais me molha.

A chuva que molha o meu cabelo,
que escorre pelo meu rosto,
que toca a minha boca
sem a pretensão de ficar. 

Você é como a chuva temporária,
vem pra fazer estrago
e vai embora sem se despedir.</pre>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9684f-murilo-alves.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14296 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Murilo Alves&nbsp;</strong></strong></strong>é estudante de gastronomia, ativista dos direitos trans, youtuber e criador de conteúdo. No instagram:&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/otransmissao/">@otransmissao</a>; no youtube:&nbsp;<a href="http://www.youtube.com/HeyMu">Hey, Mu!</a></p>
</div></div>



<div style="height:50px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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<p></p>
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