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	<title>Arquivos Karina Mendonça - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>NO VALE DO LUTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 02 May 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 089]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[luto constante]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Estamos vivendo tempos de luto. Com a pandemia, seguimos sendo forçados a aprender (a duras penas) a viver o luto sem tempo de nos recuperar. E, para piorar, não podemos enterrar nossos mortos, o que torna o processo do luto ainda mais difícil de lidar e superar. <strong>Assim, estamos vivendo em luto enquanto precisamos nos fingir de fortes.</strong></p>



<p>Estamos tentando seguir a vida em nossas casas, <em>home offices</em> e <em>ead</em>&#8216;s, tentando fingir normalidade enquanto perdemos, a cada instante, pessoas queridas. <strong>Mas, se olharmos para o lado, veremos que, a maioria de nós está de luto</strong>: por um familiar, um conhecido, um amigo&#8230;</p>



<p>Em seu livro “<em>Anatomia de uma dor: O luto em observação</em>”, C.S. Lewis, fala que:</p>



<p class="has-text-align-right"><strong>“<em>O que é o luto, se comparado à dor física? Independente do que os tolos digam, o corpo é capaz de padecer vinte vezes mais do que a mente. </em></strong><em>Esta possui sempre algum poder de evasão. No pior dos casos, só o que o pensamento insuportável faz é ficar voltando, mas a dor física pode ser absolutamente contínua. O luto é como um bombardeio dando voltas e lançando suas bombas para atingir um raio de ação; o sofrimento físico é como a barragem fixa numa trincheira na Primeira Guerra Mundial, horas nela, sem uma pausa em momento algum. <strong>O pensamento nunca é estático; a dor muitas vezes é</strong></em><strong>.”</strong></p>



<p>Sim! <strong>O luto dói! E não estamos acostumados a conversar sobre isso.</strong> Porque nunca estamos preparados para a perda de ninguém, mesmo que faça parte do ciclo da vida, a dor da perda é naturalmente sentida, porque o vazio fica e é impossível não senti-lo. Quando perdemos alguém, ficamos com uma mensagem não respondida. Uma cama vazia. Uma data no calendário que não mais iremos comemorar, enquanto outra passará a nos entristecer todos os anos a partir dali. Ficamos com uma ligação que nunca mais irá completar e uma voz que não mais escutaremos. Um abraço que não voltaremos a receber.</p>



<p>Ainda em “<em>Anatomia de uma dor: O luto em observação</em>”, C. S. Lewis diz que <strong>“a dor da perda é como um grande vale, um vale sinuoso que a cada curva pode revelar uma paisagem totalmente nova.” </strong>É por isso que, neste momento em que tantos de nós estamos enlutados é que mais precisamos da tão conhecida empatia. Cada um de nós está dolorido, passando por um vale. Cada qual em sua curva, sem sabermos o que nos espera na curva seguinte.</p>



<p>Neste vale, como cita C. S. Lewis, passamos pelos cinco estágios do luto: a negação (e o isolamento), a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação. Mas cada etapa leva tempo. E cada pessoa tem um tempo diferente. Em dias nos quais perdemos alguém a cada instante, alguns de nós nem sabem mais em que etapa do luto estamos; por isso, precisamos de ajuda. De empatia. De paciência. De amor. De oração. <strong>Precisamos, mais do nunca, estar juntos pelo outro (mesmo que distantes).</strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/29cd4-karina-mendonca.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14089 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>
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		<title>VOCÊ QUER CASAR COMIGO?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Apr 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 086]]></category>
		<category><![CDATA[conto]]></category>
		<category><![CDATA[Convivência entre casais]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Relacionamento à distância]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Eles não haviam se conhecido da forma tradicional; o mundo era moderno naquele momento. Tudo estava diferente: as mulheres não ficavam mais casadas com o namoradinho da adolescência; as meninas já não se casavam virgens; nem todos os casais decidiam ter filhos; a concepção de família era diferente. Era a tecnologia, o que chamavam de futuro. Passou a ser comum, casais que se conheciam pela internet. Eram muitos os sites de relacionamentos&#8230; Sim, havia pessoas que nunca eram como diziam; mas havia quem estivesse, apenas, querendo encontrar alguém legal. </p>



<p>Eles se conheceram por e-mail. Ela havia recebido um daqueles e-mails com milhares de destinatários e resolveu analisar cada um dos nomes. Gostou de um dos e-mails que viu. Não sabia o motivo, mas achou interessante.</p>



<p>Por várias vezes lhe escreveu algo, mas apagou. Um dia, decidiu não apagar. Escreveu rápido, pediu desculpas pelo inconveniente, mas falou que estava querendo fazer amigos. E esperou para ver. Achou que ele não iria responder. Afinal, quem responderia o e-mail de uma completa desconhecida? Não tardou e a resposta chegou. Ele foi tão doce! Disse que ela não havia sido inconveniente e que seria ótimo serem amigos.</p>



<p>Ele perguntou como ela estava. De onde era. O que fazia. Queria ter perguntado mais, mas preferiu ir devagar. Ela estava bem e respondeu imediatamente: &#8220;Sou de Maceió&#8221;. E falou um pouco de si. Fez as mesmas perguntas e mais algumas. Ele não demorou, novamente, e respondeu. Era de Curitiba. E-mail vai, e-mail vem, eles foram se conhecendo cada vez mais. Passavam noites mandando e respondendo e-mails um do outro.</p>



<p>Já se falavam há uns meses quando resolveram migrar para o WhatsApp. Era uma forma mais instantânea de conversar. Conheciam-se um pouco a cada dia, a cada conversa. Passavam horas conversando. Já haviam declarado que não queriam estar com outras pessoas de suas cidades, que estavam apaixonados um pelo outro e que queriam estar juntos. Certo dia, resolveram fazer a tão sonhada chamada de vídeo. E foi ótimo poderem se ver.</p>



<p>Estavam juntos havia seis meses quando decidiram se encontrar pessoalmente. Nenhum deles tinha muito dinheiro: ela, auxiliar de enfermagem; ele, estagiário de um escritório. Mas desde que perceberam que, de fato, queriam estar juntos um do outro, começaram a juntar as economias. Assim que pode, ele pediu uns dias de folga e voou até o Nordeste. Ela estava ansiosa naquele aeroporto, e o recebeu numa felicidade tremenda.</p>



<p>Passaram dez dias juntos. Tudo pareceu tão maravilhoso! Perceberam que o que sentiam um pelo outro poderia ser ainda maior. Amaram-se antes da primeira vista. E, após o primeiro beijo, amaram-se ainda mais. Não queriam que aqueles dias acabassem. Numa das manhãs, ela lhe disse: &#8220;não saberei viver longe de você. Como vou fazer sem teus beijos?&#8221;. Ele a abraçou, beijou-a intensamente e continuaram deitados.</p>



<p>Chegada a hora, foram até o aeroporto. Ele estava prestes a embarcar. Haviam se beijado e se despedido. As lágrimas caiam de seus olhos, quando o percebeu voltando da porta, antes mesmo de entrar. Correu e o abraçou ainda mais forte. Ele a separou do seu corpo, olhou-a profundamente nos olhos e disse: &#8220;Você quer casar comigo?&#8221;. Ela ficou em choque; afinal, eram os primeiros dez dias que passavam juntos.</p>



<p>&#8211; Por que você quer casar comigo?, foi tudo que conseguiu responder.</p>



<p>&#8211; Para poder beijá-la a hora que eu quiser.</p>



<p>As lágrimas, que ainda não haviam secado, caíram ainda mais. Não conseguia controlar, mas conseguiu responder que sim. Ele embarcou. E ela ainda ficou, por alguns minutos, parada e olhando para a porta que, há pouco, havia se fechado. Voltaram a se falar pelos e-mails, pelas conversas e pelo telefone. O sentimento era mais forte, mais intenso. Havia mais certeza de que queriam estar juntos.</p>



<p>Decidiram juntar ainda mais as economias. Queriam se casar, estar juntos e mais nada. Em cerca de um ano, eles já estavam com uma boa quantia para começarem juntos. Ela iria morar em Curitiba, pois o emprego dele era mais certo, apesar de ser estagiário. Alugariam uma casa. Nada muito grande, já que era apenas para os dois. Não queriam luxo, queriam apenas estar juntos. Muitos não os entendiam. Mas eles já haviam desistido de serem entendidos.</p>



<p>Ela viajou para lá. Precisavam conversar mais algumas coisas, resolver outras. Quando começaram a conversar, perceberam que nem tudo era tão fácil como queriam. As dificuldades começaram a aparecer. Havia uma conta aqui, outra ali. Os vinte dias não foram exatamente um paraíso como os outros dez. Apesar de serem muito parecidos, havia algumas diferenças. Coisas que incomodavam. Coisas da convivência.</p>



<p>Faltavam dois dias para ela ir embora, e eles não sabiam mais se haveria casamento. Em momento algum pensaram em festa ou qualquer outra coisa grandiosa: queriam apenas estar juntos um do outro. Queriam não precisar mais de passagens para se ver, não estarem sempre com os dias contados. Queriam acordar um ao lado do outro. Mas, quando perceberam a realidade e as dificuldades, tudo pareceu tdistante e impossível.</p>



<p>Pouco antes de irem até o aeroporto, sentaram para uma última e definitiva conversa. Ele disse que não poderia lhe dar a vida que ela merecia. Ela disse que merecia estar ao seu lado e só. Que não queria mais nada. Que queria começar com ele uma vida, para juntos enfrentarem todas as dificuldades. Ele a olhou sem entender, meio tímido e sem jeito, e perguntou:</p>



<p>&#8211; Por que você quer ficar casada comigo, afinal?</p>



<p>&#8211; Para poder beijá-lo a hora que eu quiser.</p>



<p>Eles se abraçaram. Foram até o aeroporto, e foi a última vez que ela voltou para Maceió. No mês seguinte, mudou-se para Curitiba. Alugaram uma casa pequena, mas faziam planos para uma casa maior; afinal, as crianças precisariam de espaço&#8230;</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/29cd4-karina-mendonca.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14089 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>
</div></div>



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		<title>Quero você quando a tarde acabar</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/21/quero-voce-quando-a-tarde-acabar/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Mar 2021 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 083]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[poema]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse"> Hoje uma lágrima caiu
 De felicidade por lembrar
 Dos teus abraços. Mas também
 De tristeza, por sentir a saudade.
 &nbsp;
 Enquanto ela caía, lembrei-me
 Daquele final de tarde,
 Do pôr-do-sol e dos teus beijos.
 &nbsp;
 Senti falta. Queria voltar no tempo.
 Queria mais tempo ao teu lado.
 Não! Eu não queria. Eu quero!
 Quero voltar para teus braços.
 &nbsp;
 Quero mais finais de tarde
 À beira do São Francisco ou do Capibaribe.
 Não importa onde, mas com você.
 &nbsp;
 Quero sentir o Sol se despedir
 Enquanto recebo um beijo quente,
 Um abraço envolvente,
 E um amor, que só a gente sente!</pre>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/29cd4-karina-mendonca.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14089 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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		<title>O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 07 Mar 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 081]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval adiado]]></category>
		<category><![CDATA[Efeitos sociais da pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2021/03/07/o-mapa-das-pequenas-coisas-perfeitas/">O Mapa das Pequenas Coisas Perfeitas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ontem eu troquei o meu piercing do nariz por uma argola, um pequeno sonho que, finalmente, realizei, após muitos anos. A primeira vez que coloquei um piercing no nariz foi em 2011, ao viajar para a Itália, mas, ao voltar para o Brasil, o piercing saiu e não consegui colocar novamente, então, não havia tido a chance de colocar a argola e o pequeno sonho havia ficado guardado no fundo da memória até outubro do ano passado, quando, finalmente, resolvi colocá-lo novamente.</p>



<p>Ao chegar em casa, não consegui dormir e, ao invés de passar uma madrugada angustiada (o que acabei passando mesmo assim), resolvi assistir a um filme e escolhi por uma indicação feita no Instagram. Liguei a televisão, entrei na Amazon Prime e escolhi<strong> “O mapa das pequenas coisas perfeitas”, achando que assistiria a mais um romance clichê que apenas me daria sono e me faria querer me apaixonar por alguém. </strong>Mas não!</p>



<p>Fica tranquilo! Eu também odeio spoilers e não vou fazer esse tipo de coisa com você, meu caro amigo! Mas, a sinopse do filme diz que duas pessoas ficam presas no mesmo dia que acaba se repetindo inúmeras vezes e, para tirar proveito da situação, eles resolvem procurar na cidade por todas as pequenas coisas perfeitas que aconteceram durante aquele dia. E foi isso que me deixou pensativa.</p>



<p>Porque, se pararmos para pensar, estamos vivendo um certo looping de 2020, não é mesmo? Como eu bem escrevi da última vez por aqui. E com o lockdown então, aí é que parece que tudo está se repetindo, por isso, precisamos fazer alguma coisa diferente, ou, pensar diferente, ou talvez, olhar para as coisas diferentes. <strong>Mas calma, eu não serei daquelas pessoas que veem a pandemia como algo bom</strong> e faz reflexões sobre como ela mudou a vida de muitas pessoas para melhor (sim, existem pessoas falando sobre isso, acredite!).</p>



<p>Eu quero apenas que nós procuremos as pequenas coisas perfeitas em meio a todo este caos, porque, acredite, elas estão por aí. Em meio a tudo isso, eu acabei realizando um sonho que eu tinha há tantos anos. E vejo algumas pessoas tendo seus filhos que sonharam por muitos e muitos anos também. Em casa, com nossas famílias, também podemos restaurar relações.</p>



<p>Estou acompanhando o crescimento da filha de um casal de amigos (por fotos, claro), e sei o quão difícil deve estar sendo tudo isso, sem ninguém por perto, mas, a cada sorriso que Malu dá, eu imagino a felicidade deles, e sorrio do lado de cá. Porque, mesmo à distância, eu a amo de um jeito tão especial que eu não sei explicar e não vou deixar toda essa dor acabar com esse amor e cada sorriso que eu vejo nas fotos. O mesmo acontece com um sobrinho japinha que eu tenho e amo terrivelmente muito.</p>



<p>Eu sei, eu sei. Você deve estar dizendo que, no final das contas, eu acabei falando sobre olhar para as coisas boas em meio a dor. <strong>Mas talvez eu queira apenas dizer que precisamos seguir em frente, apesar da dor, sabe?</strong> E procurar as pequenas coisas perfeitas, mesmo quando dói. Mesmo quando o coração dói de saudade de quem se foi, ainda precisamos encontrar forças para sorrir com aqueles que ficaram.</p>



<p>E mesmo quando o luto ainda não acabou, precisamos levantar todos os dias e forrar a cama, para colocar, pelo menos, alguma coisa em ordem. E depois preparar um café. E seguir o dia. E fazer o mesmo no dia seguinte. E procurar um bom livro para ler. E procurar prazer nas pequenas conversas informais, talvez, uma delas, seja uma conversa perfeita. E olhar mais pela janela, as nuvens, por vezes, nos surpreendem. A lua também.</p>



<p><strong>Portanto, fica a sugestão: mesmo em meio ao caos, procure sempre pelas pequenas coisas perfeitas durante o dia. </strong>E sorria, quando as encontrar. E, se puder, compartilhe-as com alguém.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/29cd4-karina-mendonca.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14089 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>
</div></div>



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		<title>#2020feelings everywhere</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 14 Feb 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 078]]></category>
		<category><![CDATA[2020]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval adiado]]></category>
		<category><![CDATA[Efeitos sociais da pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Recentemente eu ouvi a seguinte frase: <strong>&#8220;se o ano só começa depois do Carnaval, e não vamos ter Carnaval em 2021, então ainda estamos presos em 2020?&#8221;</strong>. desde então, a frase tem martelado em minha cabeça de tal maneira que não sei o que pensar, só sentir; e os sentimentos são os mesmos que se perpetuaram durante a maior parte de 2020 &#8211; ou seja, os piores possíveis. Dor, angústia, solidão, perda, ansiedade… E pensar que tudo começou logo depois do Carnaval!</p>



<p>Faz apenas um ano, mas as lembranças parecem muito distantes, tamanha a quantidade de coisas dentro de nós que aconteceram de lá pra cá. Para falar a verdade, eu não lembro o que fiz no último Carnaval; sei que estava em casa, apenas isso. Como vi em uma série, o cérebro tem um jeito engraçado de guardar as memórias: você pode não se lembrar do que comeu no almoço na última terça-feira, mas certamente lembrará o que almoçou no dia da sua formatura do colégio, ou da faculdade.</p>



<p>Para falar a verdade, o último Carnaval não foi tão diferente da maioria dos meus 31 carnavais. Nunca fui muito de festas (exceto por um certo período específico, no qual as festas começavam na quinta e só terminavam no domingo, mas isso é assunto para outro dia); sendo assim, só de imaginar passar o dia inteiro no calor recifense com uma multidão de pessoas ao redor, sempre preferi ficar em casa, lendo meus livros (romances, de preferência &#8211; Marian Keyes e a família Walsh foram os preferidos da minha adolescência).</p>



<p>Perdoe o devaneio! Tentei relembrar dos carnavais passados para não precisar voltar ao que falei logo no início. Mas afinal, <strong>ainda estamos presos em 2020?</strong> A vacina chegou, é verdade; mas, pelo que vemos, nada vai mudar por um bom tempo. Ainda precisaremos das máscaras, do distanciamento social, do álcool (para limpeza?) em excesso, da paranoia, da angústia. Ainda lidaremos com as perdas dos nossos entes queridos para um vírus que seguimos sem conhecer ou entender direito.</p>



<p>Nossas crianças seguem crescendo isoladas e desconhecendo nossas famílias e nossos amigos. <strong>Seguimos com o coração apertado</strong> e com a saudade dos abraços apertados e dos encontros com aqueles que tanto amamos. Continuamos dando as notícias (as felizes e as tristes) por videoconferências, e acabamos por nos acostumar a não nos importar mais com o calor humano e com tantas outras coisas.</p>



<p>Algumas escolas já voltaram às aulas, outras voltam em breve; mas até o método de ensino precisou ser modificado e agora é chamado de “híbrido”. Assim, algumas crianças seguem em casa, com aulas por videoconferência. Ou seja, <strong>#2020feelings everywhere</strong>.</p>



<p>Sendo assim, não importa se o Carnaval for em julho, nem se você tomar a segunda dose da vacina, ou qualquer outra coisa: <strong>2020 ainda não acabou dentro nós</strong>. Muito mais do que um simples ano, ele foi um marco que mexeu com todos nós &#8211; física, financeira e psicologicamente -, e vamos demorar um bom tempo para nos recuperarmos.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/29cd4-karina-mendonca.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14089 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>
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		<title>Quem é essa no espelho?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 29 Nov 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 073]]></category>
		<category><![CDATA[Autoimagem]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Há alguns dias, enquanto me arrumava para o trabalho, reparei na mulher que refletia no espelho. Não a tenho reconhecido. O reflexo que me recordava era o de uma menina, com os cabelos curtos, olhar perdido, coração sonhador e inúmeros planos. Recordo-me daquele rosto mais novo, com poucas olheiras, um piercing aqui e outro ali, um sorriso perdido e algumas certezas.</p>



<p>Aquele novo rosto me assustou um pouco, confesso. Era um rosto cansado &#8211; da vida, talvez. Algumas olheiras, umas poucas rugas ao redor dos olhos, um sorriso apagado, poucas certezas e quase nenhum plano. O que, afinal, aconteceu com aquela jovem? Para onde ela havia ido? Tenho-me questionado sobre isso e venho tentando lembrar mais detalhes; mas sinto que, aos poucos, ela também está indo embora de mim.</p>



<p>Não sei explicar. Talvez por não reconhecer o que vejo, acabo não reconhecendo&nbsp;a mim mesma. Mudei, é verdade! E não sei se para melhor ou pior. Não sei se a culpa foi da vida, ou se foi minha; mas tenho sentido falta daquela menina sorridente que fazia planos e imaginava a vida como um certo conto de fadas, com o príncipe, o castelo, os principezinhos e tudo o mais.</p>



<p>Questionei-me quando, afinal, ela se foi e eu cheguei, mas não consigo encontrar um momento exato. Acho que acabamos nos esbarrando durante a troca e sequer percebemos. Pergunto-me se ela pode me ver. Se tem vergonha de mim, se sente vontade de me gritar seus sonhos e me dizer que estou fazendo tudo errado. Se você estiver lendo isso, antiga menina do espelho, por favor, me ajude.</p>



<p>Às vezes, precisamos mudar; porque é melhor, porque é importante, porque é preciso. Outras vezes, precisamos amadurecer, simplesmente porque faz parte. Mas o que não podemos é perder a nossa essência, aquilo que nos torna quem realmente somos, independente das pancadas que a vida nos der. Não devemos deixar que uma desilusão nos tire a alegria de amar para sempre, nem que uma decepção nos torne frios e calculistas.</p>



<p>Não podemos deixar que as opiniões e os comentários alheios nos definam, e nem mesmo que o nosso passado nos defina. Afinal, temos o direito de mudar sim! Desde que seja para melhor. Se erramos no passado, temos todo o direito de nos arrependermos e vivermos corretamente e felizes agora. Se não sabíamos amar, podemos aprender, nunca desaprender ou desistir, por mais que saibamos o quanto dói (sim, amar, por vezes dói, mas qualquer crescimento dói e nem por isso não vale a pena).</p>



<p>Após toda esta reflexão, voltei a olhar-me no espelho e, quer saber? Gostei da mulher que vi! Olhando com outros outros, percebi uma mulher madura, onde cada ruga ao redor dos olhos representa as vezes que chorou por algo ou alguma perda. O sorriso tímido representa a cautela dos sorrisos antes soltos por qualquer motivo. A falta de planos representa alguém que decidiu entregar a vida nas mãos de Deus e deixar que Ele tome conta de tudo.</p>



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<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>À pequena Karina</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 11 Oct 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 066]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Infância]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O que você diria para a criança que você era, se você a encontrasse hoje? Me surgiu esta dúvida agora, enquanto fumo o cigarro alheio e choro as minhas mágoas da vida. Influenciada pela proximidade do dia das crianças e após uma semana preparando ações para este dia comercial, lembrei-me da pequena Karina, aquela com seus dez anos de idade, que fugia do beijo do primeiro namorado e ganhava serenata de amor na Páscoa.</p>



<p>Pensei como seria caso nos encontrássemos cara a cara hoje. Nossa! Que vergonha! Como eu poderia dizer aquela bela menina que a vida não está nem perto de como ela imagina que estará aos 30…? Como poderia dizer-lhe que não temos filhos, nem uma casa, que não somos uma ortopedista bem sucedida (naquela época, jornalismo ainda não era uma opção!) e que sequer temos previsão de uma estabilidade financeira?</p>



<p>Como poderia explicar-lhe o tanto que ainda irá chorar nos próximos vinte anos, e todas as decepções pelas quais ainda passará? Como falar sobre todas as perdas que lhe acontecerão? Sobre todas as pessoas das quais precisará se despedir? Como lhe falar para aproveitar mais o tempo com alguns e deixar logo outros de lado? Como fazer para não atropelar as palavras em nossa conversa?</p>



<p>Gostaria de sentar-me ao seu lado e dizer: &#8220;Oi Karina, tudo bem? Sabe este seu namorado? Em 20 anos, vocês sequer terão contato! Sabe o próximo? Não chore tanto por ele, não vale a pena! Não passe tanto tempo para esquecê-lo. A vida seguirá seu rumo, e vocês seguirão caminhos completamente diferentes. Mais tarde, você vai conhecer alguém, vai pensar que é pra sempre e vai apostar todas as suas fichas. Não faça isso! Também não irá valer a pena; por isso, não vincule a sua profissão à sua decepção.</p>



<p>Se quiser investir, invista! Corra atrás do que você quer e vá! Não deixa as suas lágrimas segarem o seu caminho. Só vá, meu bem! Você pode ir longe! E quando as oportunidades chegarem, agarre-as! Não deixe os &#8216;e se&#8217; te impedirem de voar! Você possui asas enormes, mas não consegue vê-las porque está sempre olhando para baixo. Pare com isso e olhe para cima! Lá é a sua casa! É pra lá que você vai! Tente nunca esquecer disso!</p>



<p>Deixe o orgulho de lado, e não deixe as pessoas interferirem nos seus relacionamentos com aqueles que você ama. Isso poderá te custar onze anos da sua vida. Onze anos que você jamais poderá recuperar. Serão onze Natais perdidos, onze anos de abraços perdidos, onze anos sem lembranças… Anos pelos quais você lamentará o resto de sua vida! Tudo por orgulho! Não apenas seu, é verdade! Mas você pode fazer algo a respeito, então faça!</p>



<p>Ah! Aprenda a controlar a sua voz! No futuro, isso trará sérios problemas para você. O mundo não quer saber das suas desculpas e não se importa se você está ou não chateada &#8211; o importante é aquilo que parece e pronto! Se prepare, o mercado de trabalho é um mundo cão, meu bem! Você vai odiar tudo isso, mas é preciso se acostumar e tentar se adaptar, ou jamais conseguiremos renda suficiente para adotar a nossa Maria Luiza.</p>



<p>Uma coisa nunca vai mudar: você vai continuar com esse coração enorme! Tanto que, hoje, temos muitos sobrinhos e adotamos os filhos de todas as amigas &#8211; inclusive, hoje nasceu mais um, o Frederico. Amamos crianças e elas nos amam, mas, geralmente só quando são muito pequenas. Por algum motivo, quando elas tomam consciência, começam a não gostar tanto de nós. Sinto muito por isso! Talvez o problema seja eu!</p>



<p>Karina, como costumo dizer, talvez a vida não tenha saído, exatamente como você planeja, mas fica tranquila! Você tem os melhores pais dos mundo! Não esqueça disso! Os amigos que você irá fazer no ensino médio, você levará para a vida toda, acredite (nos encontramos até hoje, e uma delas, você conhecerá em dois anos). Você escolherá uma profissão que jamais irá exercer da forma correta, mas pela qual nunca deixará de ter um certa paixão no coração.</p>



<p>Os próximos anos não serão fáceis. Mas você conseguirá superar cada um deles e aprenderá algo novo em cada um. Se posso te dar umas dicas importantes são: não misture bebidas (a ressaca é terrível); diga ao William que você o ama (mesmo sabendo que vai embora &#8211; acredite, ele foi o seu amor mais bonito!); faça outra faculdade antes dos 30 (exceto moda, por favor! Este não é o seu mundo!); não peça demissão do seu emprego (aquele primeiro! Você vai se arrepender!).</p>



<p>E por fim, meu bem, tente sorrir mais. Você tem um sorriso lindo, mas só o começa a usá-lo após alguns anos. E antes que eu me esqueça… O seu cabelo é lindo, viu? Não leve a sério os comentários do Davi, ele não sabe o que está falando e nem vai lembrar disso em alguns anos.&#8221;</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<div class="wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex">
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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



<div class="wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82f24-impressa-2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11600" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A gente se acostuma (mas não devia)</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 27 Sep 2020 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 064]]></category>
		<category><![CDATA[Costume]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
		<category><![CDATA[Marina Colasanti]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Nos últimos dias, o texto “Eu sei, mas não devia”, da Marina Colasanti, não me sai da cabeça. A primeira vez que o li, em 2007, estava na faculdade de Jornalismo e, desde então, sempre o tenho na cabeça, tamanha a veracidade de suas palavras. A Marina conseguiu descrever a vida de todos nós em tão poucas palavras, de uma forma chocante e lamentável.</p>



<p>Após relatar várias e várias coisas que poderiam ser terríveis, mas com as quais terminamos por nos acostumar, o texto finaliza da seguinte forma:</p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>“A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.</em></p>



<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><em>A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.”</em></p>



<p>De tanto nos acostumarmos com as coisas, acabamos por nos perder de nós mesmos,&nbsp; esquecendo de quem somos, do que gostamos e do que queremos. Mudamos nossa personalidade para nos adaptar ao &#8220;costume&#8221;. Transformamo-nos em pequenos seres moldados por uma sociedade igual, e acabamos por abandonar nossa essência, aquela que nos tornava únicos.</p>



<p>Ao nos acostumarmos em certos ambientes de trabalho, esquecemos os verdadeiros profissionais que somos, ou que tanto almejamos ser, simplesmente porque nos acostumamos a não ter o nosso trabalho reconhecido e a não sermos valorizados como os verdadeiros profissionais que somos. Nos acostumamos a não fazer sempre o nosso melhor, porque os outros se satisfazem com o &#8220;mais ou menos&#8221; e, assim, nos esquecemos de quem realmente podemos ser.</p>



<p>Ao nos acostumarmos com relacionamentos medíocres, achamos que não precisamos de nada mais do que aquilo. Um beijo de &#8220;até mais tarde&#8221; torna-se o suficiente para levarmos uma relação por longos anos. Esquecemos que é necessário renovar também no amor, seja com palavras, com atitudes, com olhares… O que não dá é se acostumar!</p>



<p>Se a vida não está boa, satisfatória ou está frustrante, devemos levantar e mudar, não importa o quanto doa, ou quanto tempo a mudança irá demorar. O que não dá é para se acostumar e ficar sentado enquanto esperamos o fim chegar. Porque, enquanto nos acostumamos e esperamos, a vida continua a passar e o tempo tem a implicância de nunca parar, já dizia Lenine na canção Paciência, &#8220;a vida não para&#8221;.</p>



<p>Até com nós mesmos! Não podemos nos acostumar a falta de cuidado, seja com a vida, a saúde, o amor… Se nos acostumamos a falta de zelo, terminamos por envelhecer mais cedo, adoecer mais vezes e, por vezes, morrer mais rápido.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Quando eu for embora</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Sep 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 063]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Despedida]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<pre class="wp-block-verse">Quando eu for embora,
Prometa não me guardar
Em um lugar perdido e longe
No fundo da sua memória.

Quando eu for embora,
Prometa lembrar sempre
Do meu sorriso, meus abraços,
Dos meus prantos, e da nossa história.

Quando eu for embora,
Prometa não esquecer dos seus sonhos,
De seguir com a vida e sorrir para o sol.

Quando eu for embora,
Se permita chorar, mas levante a cabeça,
Me dê um último beijo e me leve no coração.</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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</div>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>Despedidas</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/30/despedidas/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 30 Aug 2020 21:22:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 060]]></category>
		<category><![CDATA[Cronica]]></category>
		<category><![CDATA[Despedida]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/30/despedidas/">Despedidas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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<p>Lá estava eu, novamente, entrando naquela casa completamente vazia. </p>



<p>Não era a primeira vez, mas eu sabia que seria a última. Ao andar por aquele corredor silencioso, as lembranças quase me derrubaram, tamanha a força com a qual chegaram. Precisei de um tempo para me recompor e continuar a andar, sem deixar que minha mãe percebesse as lágrimas caindo pelos meus olhos.</p>



<p>Aquele primeiro quarto estava repleto de lembranças, das mais alegres até as mais tristes. Ali, brinquei de boneca em cima de uma pilha de tijolos enquanto a casa estava sendo construída, mas também criei as últimas lembranças da minha bisavó e foi onde nos despedimos.</p>



<p>Na cozinha, tivemos nossos melhores encontros com amigos e familiares, e desfrutamos das melhores refeições e chás da tarde. Ali, aconteceram as conversas mais sérias e tomamos as maiores decisões da vida em família.</p>



<p>Naquele que foi o meu quarto, o qual por alguns anos dividi com minha irmã, cresci, e passei madrugadas acordadas conversando com amigas ou chorando. Ah! Chorei muito, em cada canto daquele quarto. Mas também dei muitas das minhas melhores e maiores gargalhadas. Ali, também, criei o hábito e aprendi a conversar com Deus.</p>



<p>Enquanto percorria a casa vazia, a mente não parava de girar. Sabia que o mesmo acontecia com a minha mãe e, por isso, preferimos cada uma fazer aquele percurso sozinha. Precisávamos nos despedir dali, cada uma a seu modo. Afinal, as lembranças não eram as mesmas; nem as alegrias ou as dores. Após alguns minutos de silêncio, saímos pela porta, a fechamos e fomos embora.</p>



<p>Com lágrimas nos olhos, decidimos não olhar para trás.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong>Karina Mendonça</strong> </strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/30/despedidas/">Despedidas</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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