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	<title>Arquivos Lua Xavier - Revista Trama</title>
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		<title>A Tampa do Bueiro</title>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Lua Xavier</p>
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<p class="has-drop-cap"> Uma vez Laura morou em um prédio. Nem sempre isso é característica de uma residência funcional e líquida: o apartamento de Laura tinha uma espécie de quintal, uma parte comum do prédio onde só ela e sua avó tinham como área externa por morarem no térreo. Era&nbsp;um pátio onde ficavam as garagens, separadas e fechadas. Em frente ao portão que levava desse pátio para a rua &#8211; usado pelos carros para terem acesso à mesma &#8211; havia um bueiro tampado. Esse bueiro tinha uma tampa, e como toda tampa de bueiro que se preze, ela&nbsp;fazia barulho quando alguma força lhe era aplicada. Mas o importante dessa história está em como essa tampa e seu barulho tinham influência extrema no humor de Laura. Todos os dias, pela manhã, ao ouvir aquele som singular sobre a tampa do bueiro, Laura se&nbsp;envaidecia, sentia seu pensamento dançar tão levemente com a liberdade que seu corpo podia sentir o êxtase em cada respirar. Um mundo se abria diante dela, onde tudo parecia ser possível e onde todos sentiam sua força e suavidade que, delicadamente, podia moldar&nbsp;qualquer sinal de essência até que a existência lúdica brilhasse mais. Naquele dia ela não estava contando com a existência daquele timbre que fazia seu despertar para si. Estava tensa e, sem conseguir dormir, pensava em como poderia driblar as pessoas que&nbsp;vinham em sua direção como numa escada rolante que se anda ao contrário. Criava teorias e porquês, buscando com eles uma potência mentirosa para não cair, ou pelo menos não sair muito ferida. Escrevia sentimentos antitéticos na esperança de uma talvez-possibilidade&nbsp;de chegar a alguma síntese. Estava presa: não cabia dentro de si a ponto de lhe doerem os ombros. A insônia invadia a manhã cinzenta e fria que insistia em lhe dizer que a luz não chegaria. O tempo se apresentava desleal e quase lhe forçava a tomar atitudes&nbsp;para suprir necessidades fisiológicas que tanto lhe incomodavam por não se sentir a vontade consigo mesma. Era infame. E, talvez por tamanha infâmia, ou pelo brilho mentiroso que as surpresas têm, ela escapou de si mesma. O som que para muitos podia prejudicar&nbsp;o sono, veio aos seus ouvidos como o sangue ao coração batendo; estava viva.<br>Como podia saber diferenciar os barulhos diversos da tampa do bueiro, não se sabe. Só se sabe que assim, no limite da solidão do lar vazio, se fazia ser. </p>



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<p> <strong>Lua Xavier</strong>: vivo num clipe sem nexo, um Pierrot- retrocesso, meia bossa nova e rock&#8217;n&#8217;roll </p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a1bc5-photo5184098730150832152.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2490" data-recalc-dims="1" /></figure>



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