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	<title>Arquivos luto constante - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>NO VALE DO LUTO</title>
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		<pubDate>Sun, 02 May 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 089]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Karina Mendonça]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Karina Mendonça</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Estamos vivendo tempos de luto. Com a pandemia, seguimos sendo forçados a aprender (a duras penas) a viver o luto sem tempo de nos recuperar. E, para piorar, não podemos enterrar nossos mortos, o que torna o processo do luto ainda mais difícil de lidar e superar. <strong>Assim, estamos vivendo em luto enquanto precisamos nos fingir de fortes.</strong></p>



<p>Estamos tentando seguir a vida em nossas casas, <em>home offices</em> e <em>ead</em>&#8216;s, tentando fingir normalidade enquanto perdemos, a cada instante, pessoas queridas. <strong>Mas, se olharmos para o lado, veremos que, a maioria de nós está de luto</strong>: por um familiar, um conhecido, um amigo&#8230;</p>



<p>Em seu livro “<em>Anatomia de uma dor: O luto em observação</em>”, C.S. Lewis, fala que:</p>



<p class="has-text-align-right"><strong>“<em>O que é o luto, se comparado à dor física? Independente do que os tolos digam, o corpo é capaz de padecer vinte vezes mais do que a mente. </em></strong><em>Esta possui sempre algum poder de evasão. No pior dos casos, só o que o pensamento insuportável faz é ficar voltando, mas a dor física pode ser absolutamente contínua. O luto é como um bombardeio dando voltas e lançando suas bombas para atingir um raio de ação; o sofrimento físico é como a barragem fixa numa trincheira na Primeira Guerra Mundial, horas nela, sem uma pausa em momento algum. <strong>O pensamento nunca é estático; a dor muitas vezes é</strong></em><strong>.”</strong></p>



<p>Sim! <strong>O luto dói! E não estamos acostumados a conversar sobre isso.</strong> Porque nunca estamos preparados para a perda de ninguém, mesmo que faça parte do ciclo da vida, a dor da perda é naturalmente sentida, porque o vazio fica e é impossível não senti-lo. Quando perdemos alguém, ficamos com uma mensagem não respondida. Uma cama vazia. Uma data no calendário que não mais iremos comemorar, enquanto outra passará a nos entristecer todos os anos a partir dali. Ficamos com uma ligação que nunca mais irá completar e uma voz que não mais escutaremos. Um abraço que não voltaremos a receber.</p>



<p>Ainda em “<em>Anatomia de uma dor: O luto em observação</em>”, C. S. Lewis diz que <strong>“a dor da perda é como um grande vale, um vale sinuoso que a cada curva pode revelar uma paisagem totalmente nova.” </strong>É por isso que, neste momento em que tantos de nós estamos enlutados é que mais precisamos da tão conhecida empatia. Cada um de nós está dolorido, passando por um vale. Cada qual em sua curva, sem sabermos o que nos espera na curva seguinte.</p>



<p>Neste vale, como cita C. S. Lewis, passamos pelos cinco estágios do luto: a negação (e o isolamento), a raiva, a barganha, a depressão e a aceitação. Mas cada etapa leva tempo. E cada pessoa tem um tempo diferente. Em dias nos quais perdemos alguém a cada instante, alguns de nós nem sabem mais em que etapa do luto estamos; por isso, precisamos de ajuda. De empatia. De paciência. De amor. De oração. <strong>Precisamos, mais do nunca, estar juntos pelo outro (mesmo que distantes).</strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/29cd4-karina-mendonca.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14089 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Karina Mendonça</strong>&nbsp;</strong></strong></strong>é jornalista e escreve desde os 17 anos, pois acredita que as palavras podem fazer coisas maravilhosas, desde mudar o mundo, até fazer alguém sorrir. Ou chorar.</p>
</div></div>



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