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	<title>Arquivos Martha Paula - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Orgulho que Grita</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:36:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Martha Paula</p>
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<p class="has-drop-cap">Enquanto escrevo, vejo e ouço em minha mente Cássia Eller perfomando &#8220;Malandragem&#8221; e sinto o cheiro das capas de CD&#8217;s que ouvia em minha infância. Essa música e &#8220;Eu sou neguinha&#8221; eram as minhas preferidas daquele álbum de capa vermelha chamado &#8220;Música Urbana &#8211; o melhor de Cássia Eller&#8221;. Com seis anos, eu considerava ousadia chamar &#8220;O príncipe&#8221; de chato. Quem era aquela mulher diferente, meio masculina e subversiva?&nbsp;</p>



<p>No disco ao lado, Paula Toller performava feminilidade mais classicamente, com seus cabelos loiros e sua voz delicada. Eu era muito fã e poderia passar um dia inteiro ouvindo, sem parar nem enjoar. Talvez fosse até uma paixão utópica &#8211; eu só não sabia.<br>Os anos foram passando e, enquanto adolescente negra tentando encontrar espaço e ser aceita, precisava esconder minhas paixões secretas por algumas colegas; precisava achar bonito quem elas achavam bonito e gostar de quem elas gostavam &#8211; todos meninos, claro. Eu precisava me esconder. E senti que precisava. Até encontrar, em mim mesma, um amor que não cabia em esconderijo.</p>



<p>Quando percebi ser legítimo e genuíno o amor que eu nutria por uma mulher &#8211; sim, uma mulher como eu -, percebi que ele era parte de mim e motivo de orgulho. Eu queria mostrar para o mundo, queria gritar: &#8220;vejam, eu finalmente entendi o amor, conheci o amor, experimentei algo verdadeiro, aquilo de que falavam as histórias da minha infância!&#8221;&nbsp;</p>



<p>Mas me alertaram: &#8220;shhh, quem ama igual, se ama calado&#8221;. E, assim, mais uma vez, meu grito foi silenciado. Ou talvez&#8230; Só ignorado. Ninguém poderia silenciar meu corte de cabelo, meu jeito de andar e de falar; ninguém poderia me impedir de amar quem eu quisesse amar!</p>



<p>Hoje, grito enquanto ando de mãos dadas com minha noiva. Grito enquanto construímos uma família, a contragosto da família que me gerou. Grito quando existo, porque existo sob uma estrutura social que opta por objetificar ou invisibilizar mulheres lésbicas, em vez de valorizá-las. E existo enquanto mulher, negra, lésbica e médica num espaço dominado por homens, cis-gênero, brancos, heterossexuais, e suas formas de ver o mundo.</p>



<p>Grito com orgulho, na esperança de que nossas vozes sejam ouvidas, atendidas e nunca mais silenciadas. Existimos e somos importantes. Fazemos arte, sonhamos, construímos, pesquisamos, escrevemos, publicamos, pregamos&#8230; Somos parte de tudo o que a sociedade consome e produz. E construímos o caminho para que o mundo se torne melhor quando gritamos. Então, querides leitores, gritem comigo!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Martha Paula </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é uma mulher lésbica cis. Médica e poetisa de São Luís &#8211; MA. Conheça mais de seu trabalho no <a href="https://www.instagram.com/demeasas/">Instagram</a>. </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/0914e-begaleria5-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10813" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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