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	<title>Arquivos Mediador - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Amizades que florescem</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 19 Jul 2020 21:21:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 054]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Mediador]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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<p class="has-drop-cap">Quem as via assim, tão de “cara feia” uma com a outra, não imaginava que, poucos meses atrás, tirávamos altas <em>selfies</em> juntas na hora do recreio, com direito a coraçõezinhos e tudo mais. Porém, como nem tudo o que é bom parece durar para sempre, essas minhas duas melhores amigas brigaram. Rompia-se ali o pacto firmado pelas “três mosqueteiras” &#8211; era assim que nos chamávamos há uns bons anos.</p>



<p>Até hoje não descobri ao certo o motivo dessa briga. No fatídico dia, não fui à aula, coisa rara de acontecer. Segundo me disseram, não chegou a ser uma briga física, daquelas de travarem na unha ou se descabelarem na frente de todo mundo. Discutiram feio, ou, como dizia minha avó, “arengaram”. E deve ter sido uma “arenga” daquelas&#8230;</p>



<p>A partir daí, respirar o mesmo ar passou a ser um verdadeiro desafio para Juliana e Maria. E olha que, naquele tempo, a gente nem ouvia falar desse tal de coronavírus… Pior ficou a minha situação: não estava sendo fácil me equilibrar entre as duas.&nbsp;</p>



<p>Eu era a amiga mais íntima da Maria e, por isso, talvez, tenha me tornado uma espécie de diplomata nas suas confusões com a Juliana. Minha mãe dizia até que eu era a terceira bonequinha daquela estória das três Marias, sabe? A primeira vez em que ouvi falar dessas bonequinhas foi quando as ganhei da minha tia Helena no meu aniversário de sete anos. Estão guardadas, juntas, até hoje, dentro da mesma caixinha, na primeira gaveta do meu guarda-roupa. Lembro-me dela me explicando o sentido da lenda: “As três não podem se separar, ouviu? Porque uma é solidão, duas são confusão e três são a solução.” Levei tudo a sério mesmo: nunca ousei tirar nenhuma delas da caixa.&nbsp;</p>



<p>Num belo dia, semanas após a briga da Juliana e da Maria, o Bruno me chamou num cantinho da quadra da escola e começou com uma conversa de que podíamos organizar uma festa surpresa para comemorar o aniversário da Maria. No começo, fiquei meio assim… Mas, depois, passei a adorar a ideia. Afinal de contas, era nosso último ano de escola. 2016 só Deus sabia como seria…&nbsp;</p>



<p>Organizamos tudo direitinho. Como sempre, elegeram-me a líder do planejamento da festa. Decidi que cada colega levaria uma coisa. E nada de reproduzir aquele velho hábito careta de “meninos levam refrigerante” e “meninas levam doces e salgadinhos!” Meninos e meninas podiam levar o que quisessem, desde que respeitassem a escolha colocada na lista que fizemos. Sendo a “queridinha” da mãe de Maria, logo me incumbi de conversar com ela sobre o local da festa. Também fiz questão de encomendar o bolo para a minha tia, doutora nessa arte que tanto admiro, apesar de não ter herdado nenhum pouco dessa habilidade.</p>



<p>Liguei para a Dona Rose no horário em que Maria estava na aula de natação. “É claro que pode, Roberta! A casa está liberada para vocês todos!” Como sempre, Dona Rose muito gentil, generosa e animada: não hesitou em liberar a casa para o festejo e me prometeu manter segredo. Ela me parecia saudosa de nossas festinhas infantis. Dessa vez, porém, era diferente: permitir que trinta adolescentes se reunissem dentro daquela casa não era para qualquer um. E tinha mais um problema: era a primeira vez em que nosso “trio” se desfizera por conta de alguma briguinha. Seriam as caretices do mundo adulto que nos assombrava ou o ranço de criancice que ainda nos impregnava?</p>



<p>Juliana parecia assistir aos preparativos com indiferença. Se tinha uma coisa que ela sabia fazer muito bem, era mostrar-se por cima da situação, ou como minha mãe sempre diz, “se sentir por cima da carne seca”. Mas, se o orgulho a vencia, nem por isso deixava de transparecer aquela “pontinha” de ciúme disfarçada de pouco caso. Sinceramente, eu não sabia mais o que fazer com aquelas duas. Dessa vez, a coisa parecia mais séria…&nbsp;</p>



<p>Marcamos a festa para um sábado à noite, na casa da Maria. Pedi à Eduarda que a chamasse para tomar um sorvete na pracinha no final da tarde, enquanto arrumávamos a festa. Discreta e habituada a falar pouco, Eduarda era a mais indicada para essa missão. Todos os colegas do terceirão estiveram presentes, com exceção de Juliana, é claro, apesar das minhas insistentes investidas para que ela comparecesse.</p>



<p>Maria voltou da pracinha com a Eduarda por volta das 18:30. Tudo arrumado, combinamos de deixar a luz apagada e a casa em silêncio. Nenhuma ligação pra ela, nenhuma mensagem pelo zap. Gelo total. Nem mesmo uma mensagem sem graça no Facebook. “Eh, Eduarda… Só você mesmo me deu os parabéns… Geral da nossa turma se esqueceu do meu aniversário…”</p>



<p>As duas abrem o portão, sobem a escada e&#8230;&nbsp;</p>



<p>“Parabéns pra você, nessa data querida!” Eis que o silêncio se quebrou rapidamente ao abrir da porta. A tristeza e a solidão se converteram, de repente, em alegria, gritos, abraços e beijos.&nbsp;</p>



<p>“Chegou um presente pra você!” Disse Dona Rose.</p>



<p>“Êeeeee! Abre! Abre! Abre!” Gritou a galera.</p>



<p>“Oba! Vamos ver o que é, então?” Alegre, Maria não conseguia se conter de tanta curiosidade. Caixa grande, embrulho bonito. “O presente só podia ser especial.”</p>



<p>Papel rasgado, caixa aberta. Dentro da caixa, outra caixa menor, igualmente embrulhada. Dentro da caixa menor, um pote plástico tampado.</p>



<p>“Que coisa, não!” Angustiou-se a mãe, enquanto a gente só ficava observando em silêncio. O que podia haver dentro daquele pote? Coisa estranha… Ela certamente pensava.</p>



<p>Abre! Não abre! Abre! Não abre! Maria abriu. Ansiosa e angustiada, mas abriu. E a gente não podia acreditar no que viu.</p>



<p>“Bosta de vaca! Eca! Que nojo!” Exclamou Letícia, a mais nojenta da turma.</p>



<p>Era isso mesmo: bosta de vaca. Tá certo que não era daquela fresca e mole. Já estava bem sequinha, a mesma que meu pai chama de esterco e usa para adubar as plantas do jardim lá de casa. Lembro-me das inúmeras vezes em que íamos ao sítio da minha avó buscar esse tal de esterco. Meu pai ensacava tudo direitinho pra não sujar o porta-mala do carro. Taí uma coisa que herdei do meu pai: esse jeito metódico e organizado de ser, que, apesar de me fazer cobrar demais e me deixar ansiosa nos momentos em que a vida me impõe incertezas, mantém meu foco, minha disciplina, meus planejamentos, etc.</p>



<p>O silêncio era geral. Maria não sabia se ficava pálida ou vermelha, se tremia ou ameaçava gritar, chorar ou correr. Talvez quisesse cavar um buraco pra se esconder.</p>



<p>“Calma, filha!Aposto que deve ser alguma brincadeira dos seus colegas… Quem foi o engraçadinho que fez isso, hein?!”</p>



<p>Todos sem graça, ninguém respondeu.&nbsp;</p>



<p>“Ninguém disse nada, mas eu seria capaz de adivinhar o pensamento de todos naquele momento. Certamente, pensaram em silêncio, cada um com seus botões: “Foi a Juliana!”</p>



<p>Acabava de acabar a festa que mal havia começado. Não havia mais clima. Partimos, deixando Maria aos prantos em seu quarto. Imaginei o quanto seria difícil para ela voltar ao colégio na segunda-feira de manhã. Humilhada: era assim que a minha querida amiga se sentia. Não podia ser diferente, é claro.</p>



<p>O domingo foi pesado para Maria, imagino. Mas a segunda seria pior.&nbsp; Deve ser insuportável perceber que você é o centro das atenções e do deboche, dos cochichos no pátio e no corredor da escola. Deus me livre! Se fosse comigo, ficaria pelo menos um mês sem ir à aula.</p>



<p>Mas Maria era forte. Maria resistiu. Mesmo de cabeça baixa e trancada, sozinha, dentro da sala de aula, na hora do recreio, não desistiu de vencer aquela longa semana. Tentei me aproximar, como das outras vezes, mas não funcionou. Preferiu isolar-se.</p>



<p>Passaram-se dias e meses. A poeira abaixou. Havia chegado o aniversário da Juliana. Resolvemos organizar uma surpresa parecida pra ela. No início, a galera ficou meio receosa, lembrando do que havia acontecido com a Maria. Mas fizemos a festa assim mesmo. Fiz questão de encorajar o pessoal. Vida que segue e, mais do que nunca, não podíamos deixar passar a oportunidade de festejarmos juntos. Afinal, era nosso último ano de escola.</p>



<p>Tudo organizado. Todos presentes, exceto Maria.</p>



<p>Para dar aquela enganada na Juliana e conseguir o efeito surpresa que queríamos, a mesma estratégia: sorvete com a Eduarda na praça, retorno pra casa às 18:30, poucas felicitações enviadas pela internet, casa fechada, silêncio, escuro e… “Parabéns pra você…”&nbsp;</p>



<p>Vaidosa e exibida como só ela, Juliana parecia desconfiar que aquela data não passaria em branco. Do jeito que se produziu para tomar um sorvete na praça, já parecia preparada para fazer as melhores <em>selfies</em> com os amigos.&nbsp;</p>



<p>Antes que a decoração estragasse e perdesse toda a harmonia e vivacidade do início da festa, Juliana logo nos chamou para uma <em>selfie</em> atrás do bolo. Não me conformo de terem postado essa foto no Facebook. Saí com uma cara esquisita que só vendo&#8230; Fui pega literalmente desprevenida, ansiosa para responder à mensagem que havia acabado de receber pelo <em>Whatsapp</em>.</p>



<p>Partimos para os comes e bebes. A campainha toca. Fui ao banheiro retocar a maquiagem enquanto isso. Ouvi o pai de Juliana abrindo a porta e cumprimentando o rapaz que chegava. Era o <em>motoboy</em> entregando uma surpresa.&nbsp;</p>



<p>“Caixa grande, embrulhada e pesada? Ih! Lá vem chumbo grosso!” Pensaram todos. Mas Juliana se empolgou logo. Antes de tudo, nos convidou para outra foto. Dessa vez, todo mundo ao lado do presente. Em tempo de redes sociais, mais importante do que ganhar presente e ter todos presentes, é mostrar para todo mundo o presente que ganhou. Dessa vez, finalmente, saí bem na foto. Relaxada, descansada e respirando mais aliviada, era hora de curtir a festa.</p>



<p>“Vamos abrir!” Disse Juliana, puxando o primeiro durex do embrulho.</p>



<p>“Não vai ler a mensagem?” Chamei atenção para o envelope escondido na dobra do papel de presente. Dentro do envelope, um cartão sem remetente, com a seguinte mensagem escrita em letra palito: “Parabéns! Faça bom proveito!”</p>



<p>Juliana ficou meio pensativa e paralisada. A dúvida parecia martelar sua cabeça.</p>



<p>“Não vai abrir, Juliana?” Tentei apressá-la.</p>



<p>Juliana rasgava o embrulho, enquanto formávamos um círculo ao seu redor. Finalmente, tomou coragem para abrir a caixa. Dentro da caixa, outra caixa. Dentro dessa outra caixa, outra caixa menor. E as expectativas só aumentavam. Um cheiro abafado começava a sair dali de dentro… Expectativa!</p>



<p>“Rosa! Rosa!” Gritava Juliana.</p>



<p>“Oi! Oi! Estou aqui!” Respondeu a tia de Juliana.</p>



<p>“São rosas! Lindas rosas!” Surpreendeu-se Juliana.</p>



<p>Colado no vaso, outro envelope: “Parabéns, Juliana! Que estas rosas possam alegrá-la nesse dia tão especial! Que a vida te seja fértil, como este esterco foi para esse lindo pé de rosa com que te presenteio nessa nova primavera que se inicia em sua vida. Abraço! Deus te ilumine sempre!” Cartão sem remetente, mensagem escrita em letra de forma.&nbsp;</p>



<p>“Lindas rosas enxertadas, Juliana!” Comentei.</p>



<p>“Enxertadas? O que é isso? Desde quando você entende de rosas, Roberta?!” Juliana me zuou.</p>



<p>“Uai! Sei lá! Desde sempre… Mas, mudando de assunto, que lindo este seu vestido!”</p>



<p>Na segunda-feira, rotina novamente. Escola de manhã. Aula de matemática no primeiro horário. Juliana sorria. Maria não parecia alegre nem triste. Carregava um semblante mais leve, talvez. Mas algo parecia ter mudado entre as duas. Um clima diferente. Olhares desarmados. Finalmente, minha impressão se confirmou: na volta do recreio para a sala de aula, deparei-me com uma cena há muito não vista. Juliana e Maria se abraçavam amigavelmente.&nbsp;</p>



<p>Juliana até hoje não se cansa de agradecer Maria pelas lindas rosas que ganhou. Maria, no entanto, continua negando veementemente a autoria daquele nobre ato. E quanto mais Maria nega, mais intermináveis se mostram a gratidão e os pedidos de desculpa de Juliana.</p>



<p>O fato é que não abro mão de rememorar essa linda estória que nos “re-uniu” e até hoje nos une. Estória que sempre associo àquela música, cujo autor não me lembro o nome, mas que minha tia cantava pra mim como uma verdadeira canção de ninar: “Fica um pouco de perfume nas mãos que oferecem rosas, nas mãos que sabem ser generosas…” Ao som dessa melodia, dormia serenamente, enquanto me despertava para os valores e sentidos do meu existir no mundo. Acredito que, na vida, tão importante quanto “fazer o bem sem ver a quem”, é receber o bem, sem saber de quem.</p>



<p>Atualmente, Maria estuda Artes em São Paulo. Juliana faz moda no Rio. E eu, curso o último período de Letras, na UFJF. Desde que nos formamos no Ensino Médio, uns cinco anos atrás, continuamos estabelecendo contato. A vida meio corrida nos afastou um pouco, é verdade. Mas, especialmente nessa quarentena, não cansamos de nos falar pela internet. Estamos nostálgicas que só vendo… Como era boa a vida de adolescente! E como tudo passou tão rápido, em meio a esterco, espinhos e rosas…</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong>: sou professor de História e historiador, com bacharelado, licenciatura e mestrado em História pela UFJF. Atualmente, curso doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História, vinculado a mesma universidade. Dedico-me a estudar a história social da cultura no Brasil, trajetórias individuais e de grupos, história intelectual, patrimônio cultural, memória e educação.</p>



<p>Moro em Juiz de Fora (MG), onde trabalho no Museu Mariano Procópio. Contudo, mantenho-me umbilicalmente ligado às origens rurais de minha família, num sítio em Simão Pereira (MG), uma espécie de refúgio localizado à margem de uma estrada de terra que liga ao município vizinho de Belmiro Braga (MG). Sítio que se tornou memória afetiva de várias gerações de minha família, desde que meus tataravós portugueses o compraram em 1910. Sempre que posso, escrevo crônicas e poesias, abrangendo temáticas diversas, como memórias, cotidiano, política, etc.&nbsp;</p>



<p>No ciclismo amador, conecto a necessidade de cuidar da saúde física/mental com todas as áreas de minha vida, a que me dedico com amor e carinho.&nbsp; Entre um passeio ciclístico e outro, inspiro-me em histórias e memórias do cotidiano e paisagens de Juiz de Fora e região. Na página “Diários de bicicleta”, no Facebook, é possível ter acesso a esses registros.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/d9a1b-galerialuis4-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10533" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>#GRATID@O</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/07/12/gratido/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 12 Jul 2020 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 053]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Mediador]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
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<p class="has-drop-cap">Demorou, mas fiz boa viagem. Estou pronto para essa nova temporada! Não vou dizer que está sendo fácil. Foram muitas turbulências para chegar até aqui. Viajei de máscara o tempo todo e com álcool em gel a bordo.</p>



<p>A partir de agora, feita a travessia, enfrentarei uma realidade e uma rotina muito diferentes. Mas, como diz meu poeta português preferido, &#8220;tudo vale a pena se a alma não é pequena&#8230;” Bora enfrentar o velho mundo e suas adversidades, que são muitas: barreira línguística, descompasso civilizatório, dificuldade de se fazer compreendido em coisas simples. Mas vou me esforçar ao máximo. São muitas aventuras. Já adianto que pareço viver uma mistura de realidade e ficção. Nunca imaginei estar aqui nessas condições adversas.</p>



<p>Hoje, passei pela avenida principal e me permiti fotografar essa igreja. O parque, porém, estava fechado.&nbsp;</p>



<p>Quanto ao clima, está dando pra levar. Acho que trouxe mais casacos do que deveria. Devo ter exagerado&#8230; Mas tudo bem! Enfrentarei frios mais severos!&nbsp;</p>



<p>Sair da roça pra ir a Juiz de Fora nesse período de pandemia não é fácil mesmo. A buracada nas estradas me fez sentir uma turbulência danada. Parecia que o eixo do ônibus ia descolar e a Mercedes coletiva ia levantar voo. Esse povo habitante de um velho mundo ou mundo velho, outrora apelidado de Manchester Mineira, parece que nos ouve em grego e não segue nenhuma norma de civilidade: pedimos pra usar máscara, tapar o nariz e a boca, mas insiste em proteger apenas o queixo, pra continuar espiando o universo pela ponta de seu nariz.</p>



<p>O parque Halfeld está fechado pros &#8220;veinho&#8221; não jogarem baralho. E, pela primeira vez, fotografei a cúpula da nossa tão conhecida Catedral por um ângulo diferente. Por acaso, pensaste tratar-se de outro lugar, amigo(a) leitor(a)?</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong>: sou professor de História e historiador, com bacharelado, licenciatura e mestrado em História pela UFJF. Atualmente, curso doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História, vinculado a mesma universidade. Dedico-me a estudar a história social da cultura no Brasil, trajetórias individuais e de grupos, história intelectual, patrimônio cultural, memória e educação.</p>



<p>Moro em Juiz de Fora (MG), onde trabalho no Museu Mariano Procópio. Contudo, mantenho-me umbilicalmente ligado às origens rurais de minha família, num sítio em Simão Pereira (MG), uma espécie de refúgio localizado à margem de uma estrada de terra que liga ao município vizinho de Belmiro Braga (MG). Sítio que se tornou memória afetiva de várias gerações de minha família, desde que meus tataravós portugueses o compraram em 1910. Sempre que posso, escrevo crônicas e poesias, abrangendo temáticas diversas, como memórias, cotidiano, política, etc.&nbsp;</p>



<p>No ciclismo amador, conecto a necessidade de cuidar da saúde física/mental com todas as áreas de minha vida, a que me dedico com amor e carinho.&nbsp; Entre um passeio ciclístico e outro, inspiro-me em histórias e memórias do cotidiano e paisagens de Juiz de Fora e região. Na página “Diários de bicicleta”, no Facebook, é possível ter acesso a esses registros.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/luis_vivanco/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/d9a1b-galerialuis4-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10533" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>OS “INTELECTUAIS MEDIADORES”</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/06/21/os-intelectuais-mediadores-afinal-qual-a-contribuicao-desse-conceito-para-a-historia-cultural/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 050]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Mediador]]></category>
		<category><![CDATA[Sérgio Augusto Vicente]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?p=10469</guid>

					<description><![CDATA[<p>por:  Sérgio Augusto Vicente</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<hr class="wp-block-separator"/>



<p class="has-text-align-center"><strong> Afinal, qual a contribuição desse conceito para a história cultural?</strong></p>



<p class="has-drop-cap">Na apresentação do livro <em>Intelectuais mediadores: práticas culturais e ação política</em>, Ângela de Castro Gomes e Patrícia Santos Hansen constatam uma lacuna importante que parece não ter sido ainda suficientemente discutida pela historiografia brasileira. Ambas afirmam que a mesma historiografia que descontruiu a ideia de receptores passivos no processo de comunicação não deu ainda a devida importância aos sujeitos históricos responsáveis pela produção e circulação de bens culturais. Nesse sentido, elas perguntam: </p>



<p class="has-text-align-right"><em>“Se os estudos de história cultural defendem que todos os sujeitos históricos são produtores de sentidos de forma lata (não há receptor/consumidor/leitor/espectador que seja passivo), e havendo, é certo, aqueles identificados como intelectuais criadores de bens culturais, por que os mediadores não estariam incluídos nessa mesma dinâmica de produção de sentido e de valor?&#8221; <a href="#_ftn1">[1]</a></em></p>



<p>Tal questionamento, embora pareça banal e elementar num primeiro momento, faz todo sentido ao historiador que se aprofunda nesse campo de análise. Se, de um lado, a historiografia vem deixando suficientemente claro que a noção de público é muito mais complexa e dinâmica do que a simplista ideia de “massa” que recebe passivamente as mensagens que lhes são enviadas, demonstrando ser ele mesmo (o público) uma criação advinda também dos processos de produção e circulação de bens culturais e da interpelação dos processos comunicativos, por outro lado, ressente-se da falta de um maior esforço para melhor entender os múltiplos mecanismos de funcionamento da mediação cultural.</p>



<p>Não raramente, o historiador que se dedica ao estudo dos chamados “mediadores culturais” &nbsp;se depara com o desafio de superar os tradicionais “vícios” que insistem em não reconhecer seus objetos de estudo como intelectuais. Ainda impera a quase automática tendência em inseri-los numa escala hierárquica previamente construída e repleta de estereótipos/classificações apressadas. As autoras asseveram que a mudança dessa perspectiva, ainda fortemente arraigada e sustentada por uma determinada tradição, está atrelada a dois aspectos extremamente importantes, quais sejam: primeiramente, a necessidade de se adotar uma concepção mais ampla de intelectual; e, em segundo lugar, <strong>desconstruir a imagem do intelectual como “gênio criador” dotado de “talentos individuais” e, portanto, isolado num determinado campo distante das demais dimensões da vida social</strong>.</p>



<p>A adoção de uma concepção mais ampla de intelectual implica em algumas mudanças na forma de conceber e abordar os sujeitos históricos e sua relação com a sociedade. A revisão do conceito de “campo” pelo sociólogo Bourdieu vem ensejando o despertar de possibilidades bastante férteis e enriquecedoras de análise histórica. O campo intelectual, embora dotado de uma inquestionável autonomia relativa, caracteriza-se, entre outros aspectos, pela presença de fronteiras permeáveis às mais diversas trocas de influências com outras esferas da vida social e política, passando ao longe de um universo hermético e estanque. As autoras são bastante enfáticas na defesa dessa perspectiva teórico-metodológica, que dialoga, em alguma medida, com as formulações de Jean-François Sirinelli, no texto <em>Os intelectuais, </em>publicado no livro <em>Por uma história política</em>, organizado por René Rémond. Ângela e Patrícia, assim como Sirinelli, definem <strong>o intelectual como uma categoria de contornos mutáveis, com “fronteiras de geometria variável”, respondendo às dinâmicas processuais das transformações históricas</strong>.<a href="#_ftn2">[2]</a></p>



<p>Tal perspectiva, de fato, mostra-se capaz de dar conta de analisar o intelectual como um sujeito histórico múltiplo, inserido em seu contexto, interagindo e dialogando com reflexões, ideias, pensamentos e experiências diversas que se articulam em redes de sociabilidade e interlocução que extrapolam os espaços exclusivamente reservados para a chamada “elite intelectual”. A desconstrução dessa imagem do intelectual como “gênio criador”, que muitas vezes fomenta comentários anacrônicos e teleológicos do tipo “indivíduo a frente de seu tempo”, contribui para o rompimento da ilusória dicotomia entre “criadores” (pejorativamente associados à “alta cultura”) e “divulgadores” (vistos como meros “transmissores” e “simplificadores” de conteúdos para públicos mais amplos). Só assim se quebram as barreiras que muitas vezes impedem o intelectual mediador de ser visto como sujeito ativamente envolvido em processos de criação. Tal constatação se justifica, segundo as autoras, pela capacidade – muitas vezes visível empiricamente – de o mediador cultural agregar valor ao “produto cultural do qual se apropria para difundir”. Nesse sentido, as autoras não exageram quando afirmam que <strong>aquilo que o intelectual mediou se torna, efetivamente, um outro produto</strong>.</p>



<p>Vale ressaltar, portanto, que o conceito de “intelectual mediador”, tal como enunciado pelas autoras, está longe de configurar uma categoria rígida, pretensamente preocupada em delimitar determinadas práticas de mediação cultural. Pelo contrário, talvez a grande contribuição analítica e operacional desse conceito esteja em mostrar-se aberto à compreensão de uma enorme diversidade de experiências desenvolvidas, sincrônica e diacronicamente, pelos intelectuais. Muitos casos podem ser citados para exemplificar esse complexo processo, dentre os quais se destacam os cientistas que dividem seu tempo entre as atividades dentro dos laboratórios e a participação em programas de televisão, em canais do <em>YouTube</em> e outras plataformas digitais, especializando-se em levar as novidades científicas a um público não especializado.</p>



<p>Da mesma forma que o intelectual mediador pode ser um difusor (para um público mais amplo) de conhecimentos produzidos no âmbito de uma “elite altamente especializada”, pode ele também se dirigir aos pares (iniciados), com o objetivo de levar a este público um repertório de saberes e representações considerados “típicos” do universo “popular”. Afinal, <strong>sendo um acumulador de diversas funções e posições simultâneas e/ou sucessivas, o intelectual mediador normalmente não ocupa posições fixas</strong>. O que o caracteriza não é a transmissão unilinear e unilateral de conhecimento, mas o constante “trânsito” entre universos socioculturais distintos. &nbsp;</p>



<p>A trajetória do literato mineiro Belmiro Braga (1872-1937), que vem sendo pesquisada por mim no doutorado, pode ser aqui utilizada para exemplificar esse “trânsito” mencionado pelas autoras. Oriundo de uma camada social pouco abastada, mas ascendendo através do comércio e das letras, Belmiro se dedicou – juntamente com outros escritores brasileiros do início do século XX – não apenas a levar diversos elementos da cultura popular para os salões das elites, mas também no diálogo e conjugação do teatro com o cinema. Isso se dava através de um gênero dramático muito conhecido na época como “gênero ligeiro”, peça de curta duração que normalmente antecedia as exibições cinematográficas, com o intuito de atrair o público para os cinemas. Essas peças, além de funcionarem como uma espécie de crônica do cotidiano, tiveram significativa importância no processo de aproximação do público em relação ao código/ linguagem visual do cinema, que, para se tornar um bem cultural comercializável, encontrava nos autores de peças teatrais importantes agentes “rotinizadores” dessa nova atração cultural – no sentido weberiano que as autoras emprestam ao termo.</p>



<p>Convém considerar, no entanto, que não apenas o público se deixa afetar pelo teatro, sendo despertado para a apropriação de uma nova linguagem, mas o teatro também acaba sendo influenciado de alguma maneira pelas novas demandas de um público cada vez mais heterogêneo e deslumbrado com o avanço tecnológico que movimentava os objetos e imagens com uma rapidez cada vez maior. O fato é que as peças do “gênero ligeiro”, por alcançarem o mérito de seduzir um público&nbsp; bem mais amplo e heterogêneo, polarizavam a crítica entre “modernos” e “tradicionais” – estes, culpando-as pelo que chamavam de “decadência do teatro nacional”, e aqueles, vendo nessa modalidade de expressão teatral uma forma de adequação às demandas da modernidade. Andrea Marzano identifica nesse embate um incipiente e “conflituoso processo de massificação da cultura carioca”.<a href="#_ftn3">[3]</a></p>



<p>A noção de “comunidades de sentidos” talvez funcione aqui como uma chave de análise bastante útil à reflexão sobre as críticas da chamada “alta cultura” ao sucesso de muitos mediadores culturais diante do grande público – como parece ter sido o caso de Belmiro Braga no contexto da <em>Belle Époque</em>. Belmiro, de fato, aproxima-se bastante dessa figura de mediador enunciado pelas autoras. Através de uma “comunidade de sentidos” entre os códigos culturais, o literato construía “pontes” entre tradição e modernidade, cultura popular e cultura erudita. “Ponte” que, embora não pareça ter eximido a sua produção e seu público de receberem estigmatizações de diversos tipos, que eram comumente veiculadas na imprensa daquele período – como “inculto”, “massa” interessada em “superficialidades”, que confunde cultura com “mero” entretenimento, produto comercial, etc –, não pode ser desconsiderada como um possível mitigador dessas dicotomizações e polarizações.</p>



<p><strong>Os estigmas que um grupo atribui ao outro fazem parte de um conflituoso jogo social e político presente nas relações intelectuais</strong>, ainda que seja preciso ficar bastante atento à circularidade, às semelhanças e às influências tacitamente compartilhadas entre eles. Por conta disso, considero bastante proveitosa a apropriação que as autoras fazem do conceito de “enquadramento da memória”, de Michael Pollak. Afinal, não podemos esquecer que <strong>é através da construção de memórias e identidades que os grupos intelectuais disputam espaço, reconhecimento e hegemonia</strong>, lançando mão de uma série de autorrepresentações em que muitas vezes arrogam para si o <em>status quo</em> de porta-vozes de uma “alta cultura” ou de sujeitos eficientes na comunicação com um público mais amplo possível. Nesse movimento de autoafirmação e conquista de hegemonia, entra em cena um jogo de lembranças e esquecimentos deliberadamente praticado pelos grupos intelectuais com a intenção, inclusive, de formar e/ou difundir determinadas culturas políticas. Eu não poderia deixar de citar aqui, como exemplo impactante para minha pesquisa de doutorado, toda a narrativa dominante que os modernistas paulistas envolvidos na Semana de Arte Moderna de 1922 construíram acerca dos movimentos artístico-culturais que os precederam, bem como sobre a interpretação da identidade brasileira.</p>



<p>Outro conceito que enriquece a discussão sobre “intelectuais mediadores” é o de “geração”. Mas, como as autoras lembram muito bem, não se trata de “mera” caracterização pautada na idade dos indivíduos que integram os grupos sociais. Na verdade, <strong>o conceito de geração contribui para apreender determinadas formas de sociabilidade a partir de “vivências comuns de acontecimentos ou de crises”</strong>. Ambas frisam que “a geração não explica, mas deve ser explicada para que a dinâmica organizacional e os ‘microclimas’ intelectuais dos grupos sejam apreendidos pelo historiador”.<a href="#_ftn4">[4]</a></p>



<p>A abertura do conceito de “intelectual mediador” para o diálogo com outros conceitos talvez seja um dos grandes diferenciais do texto de Gomes e Hansen. Ambas, sem dúvida, contribuem para alargar e “borrar” as fronteiras que, normalmente, mais restringem ou limitam as reflexões sobre a categoria intelectual do que as enriquece. Dessa forma, é possível fazer emergir no cenário historiográfico uma série de novos olhares e novos objetos, dando visibilidade a sujeitos históricos cuja atuação intelectual foi bastante significativa em seu contexto, tanto na criação quanto na divulgação de conteúdos. Mas que, não obstante toda a sua relevância historiográfica, ficaram submersos por determinados enquadramentos da memória responsáveis por privilegiar e naturalizar um conceito de intelectual circunscrito ao que equivocadamente chamam de “alta cultura”. &nbsp;</p>



<p>Sem hierarquizações, classificações genéricas e dicotomias, o conceito de “intelectual mediador” dá conta de abarcar um universo bastante múltiplo de possibilidades de mediações culturais empreendidas por intelectuais oriundos das mais diversas formações, contextos históricos, trajetórias, experiências, orientações ideológicas, culturas políticas, etc. <strong>Todo mediador é, sem dúvida, um criador interessado em transitar por distintos espaços sociais, costurando uma teia de relações suficientemente porosa para absorver e “deglutir” influências mais diversas possíveis</strong>. Cabe ao historiador desconfiar e desconstruir todo e qualquer tipo de classificação rígida e categórica que impede o mediador cultural de ser considerado um intelectual. E, assim, encerro com uma frase do historiador da arte Jorge Coli, no livro dedicado à desmistificação do olhar modernista sobre a pintura histórica brasileira oitocentista: <strong>“o olhar que interroga é sempre mais fecundo que o conceito que define”.</strong><a href="#_ftn5">[5]</a></p>



<p>Para conhecer mais o conceito de “intelectual mediador”, conferir o seguinte livro: GOMES, Ângela de Castro; HANSEN, Patrícia Santos. <strong>Apresentação –</strong> Intelectuais, mediação cultural e projetos políticos: uma introdução para a delimitação do objeto de estudo. In: ______ (orgs.). Intelectuais mediadores: práticas culturais e ação política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. p. 7-37.</p>



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<p><a href="#_ftnref1">[1]</a> GOMES, Ângela de Castro; HANSEN, Patrícia Santos. <strong>Apresentação –</strong> Intelectuais, mediação cultural e projetos políticos: uma introdução para a delimitação do objeto de estudo. In: ______ (orgs.). <em>Intelectuais mediadores:</em> práticas culturais e ação política. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2016. p. 17.</p>



<p><a href="#_ftnref2">[2]</a> SIRINELLI, Jean-François. Os intelectuais. In: RÉMOND, René. (org.). <em>Por uma história política.</em> 2. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2003. p. 231-262.</p>



<p><a href="#_ftnref3">[3]</a> MARZANO, Andrea. “Scenas Cômicas”: Francisco Correa Vasquez e a identidade do ator teatral. In: CHALHOUB, S.; NEVES, Margarida; PEREIRA, Leonardo A. de M. (orgs.). <em>História em cousas miúdas:</em> capítulos de história social da crônica no Brasil. Campinas: Unicamp, 2005. p. 353.</p>



<p><a href="#_ftnref4">[4]</a> GOMES, op. cit., p. 25.</p>



<p><a href="#_ftnref5">[5]</a> COLLI, Jorge. <em>Como estudar a arte brasileira do século XIX?</em> São Paulo: Ed. Senac, 2005. p. 11.</p>



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<p><strong>Sérgio Augusto Vicente</strong>: sou professor de História e historiador, com bacharelado, licenciatura e mestrado em História pela UFJF. Atualmente, curso doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em História, vinculado a mesma universidade. Dedico-me a estudar a história social da cultura no Brasil, trajetórias individuais e de grupos, história intelectual, patrimônio cultural, memória e educação.</p>



<p>Moro em Juiz de Fora (MG), onde trabalho no Museu Mariano Procópio. Contudo, mantenho-me umbilicalmente ligado às origens rurais de minha família, num sítio em Simão Pereira (MG), uma espécie de refúgio localizado à margem de uma estrada de terra que liga ao município vizinho de Belmiro Braga (MG). Sítio que se tornou memória afetiva de várias gerações de minha família, desde que meus tataravós portugueses o compraram em 1910. Sempre que posso, escrevo crônicas e poesias, abrangendo temáticas diversas, como memórias, cotidiano, política, etc.&nbsp;</p>



<p>No ciclismo amador, conecto a necessidade de cuidar da saúde física/mental com todas as áreas de minha vida, a que me dedico com amor e carinho.&nbsp; Entre um passeio ciclístico e outro, inspiro-me em histórias e memórias do cotidiano e paisagens de Juiz de Fora e região. Na página “Diários de bicicleta”, no Facebook, é possível ter acesso a esses registros.</p>



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