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	<title>Arquivos medicção - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Sensibilidade: Modos de Olhar para Dentro</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Nov 2019 20:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 023]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Frederico Lopes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">No dia a dia do educativo de um Museu, durante a visitação, esperamos que o visitante se sinta estimulado a confrontar suas noções sobre arte, cultura, criatividade, diversão, conhecimento, etc, com outras visões de mundo e possibilidades de entendimento. Entretanto, para que essa tarefa seja realizada, precisamos deslocar o visitante de sua zona de conforto, para um lugar onde a certeza sobre esses conceitos encontra-se em suspensão. Portanto, buscamos despertar sua curiosidade a partir de reflexões que apontam outros caminhos para ler e interpretar as próprias experiências, provocando cada indivíduo que visita o museu a questionar, a partir da experiência museológica, aspectos relacionados à própria vida.</p>



<p>Nesse sentido, precisamos constantemente nos voltar para a atuação dos educadores no momento da mediação, pensando sua formação para além de seu repertório de conhecimento, criando estratégias para aperfeiçoar uma ferramenta extremamente eficaz para o desempenhar suas atividades: a sensibilidade. E esse é um texto sobre sensibilidade.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Podemos dizer que a sensibilidade é responsável pelo potencial de interpretação e associação de nossa capacidade perceptiva sensorial. É uma característica humana, algo que nos difere como seres vivos em nosso processo cognitivo. </p>



<p>Se considerarmos que a consciência da própria existência é um avanço no que diz respeito à sensibilidade de um ser vivo, o homem pode ser analisado, a partir daí como <em>ser ontológico</em>, um <em>ser sensível</em>.</p>



<p>Não tenho a pretensão de entrar em detalhes acadêmicos ou expor conceitos filosóficos sobre a existência humana para falar de sensibilidade, mas algumas noções vão nos ajudar a entender a importância de ser e estar cada vez mais sensível para encarar um processo como a mediação.</p>



<p>Ao atuar como educador em espaços não formais de educação, encaramos a responsabilidade de exercer práticas  políticas e práticas estéticas. No momento da mediação, é preciso compreender o visitante em sua complexidade, sua realidade intelectual, cotidiana e psicológica, encontrar pistas sobre seu repertório e seus interesses, para que a experiência de se visitar o espaço seja algo que fale também sobre as interseções com sua vida. </p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">A mediação é um espaço aberto à partilha, passível de se tornar um lugar compartilhado. Conforme avançamos rumo à profundidade dos interesses do indivíduo que se submete à mediação, abrimos as portas de nossa percepção para interpretar os novos dados que se apresentam, assim, criamos um território onde o conhecimento partilhado constrói novas interpretações da realidade. Por isso a sensibilidade é tão importante.</p>



<p>Para Rancière, existe um sistema de evidências sensíveis que revela a existência de um <em>comum</em>, e dos recortes que nele definem lugares e partes respectivas (RANCIÈRE, 2018). </p>



<p>Nas palavras do autor, </p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">Essa repartição das partes e dos lugares, se funda numa partilha de espaços, tempos e tipos de atividade que determina propriamente a maneira como um <em>comum</em> se presta e como uns e outros toam parte nessa partilha. </p>



<p class="has-text-align-right has-small-font-size">(RANCIÈRE, 2018. pág 15)</p>



<p>Assim, a partilha do sensível faz ver quem pode tomar parte no <em>comum</em> em função daquilo que faz, do tempo e do espaço em que essa atividade se exerce, e, para encontrar o comum e questão, é preciso que as partes se identifiquem.</p>



<p>Por este motivo, fazer provocações que coloquem o visitante em condições de revelar a parte onde habita seu lugar de fala é fundamental para que o relacionamento construído durante a experiência no museu tenha condições de adentrar no contexto pessoal de cada indivíduo.</p>



<p>Sendo assim, é imprescindível que os educadores tenham como objetivo realizar uma arqueologia de si mesmos. Que tenham como hábito a criação de estratégias para voltar seus olhares para dentro, inaugurando novos modos de olhar para si, para o outro e para o mundo. Desse modo, adentrando em camadas cada vez mais profundas de sua existência e subjetividade, cada educador pode desenvolver suas faculdades humanas a ponto de trazer para a superfície formas mais sensíveis de ler e interpretar a realidade, deixando à flor da pele tudo aquilo que o define e que vale a pena a partilha.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Frederico Lopes</strong> é Artista, educador e gostaria de ser Escritor. Trabalha no Memorial da República Presidente Itamar Franco e é fundador da Bodoque Artes e ofícios.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a89c8-publi-bodoque2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-4736" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/293f0-julia-sa-3-.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-3415" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



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