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	<title>Arquivos Natureza Morta - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Primavera negra: ciclos de vida e morte</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2021 21:22:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 083]]></category>
		<category><![CDATA[Aquarela]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Marcel Esperante</p>
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<p>Embora o isolamento social tenha provocado um receio pelo futuro de nossas vidas, por outro lado, foi também um convite à reflexão. Não produzi esta série necessariamente em função da pandemia; porém não há como escapar a todo esse contexto de dor, incertezas e até mesmo aflição que todos enfrentamos.</p>



<p>Nos fundos de casa, há um quintal de terra que carinhosamente chamo de “selva”, diferente do jardim &#8211; civilizado, eu diria &#8211; que fica na frente. Na “selva”, o crescimento é caótico e o mato sempre avança e retrocede. Tem pé de limão, laranja, maracujá, primavera (<em>Bougainvillea spectabilis</em>) e algumas ervas. Durante as podas, não somente a primavera, mas também o limoeiro e a laranja despejam seus espinhos. Admiro aqueles caules lenhosos e intimidadores.</p>



<p>Espinhos são uma forma de defesa, uma reação às condições hostis como a falta de água ou predadores; a folha abdica de seu papel de promover a vida por meio da fotossíntese e seca, endurece, torna-se pontiaguda, morre. Nasce o espinho: defesa delicada, porém eficaz. &nbsp;A folha enrijece para defender a planta. Não deixa de ser uma forma de sacrifício, que a teologia cristã popularizou na paixão de Cristo.</p>



<p>Outro personagem desse drama são as mariposas presentes em alguns trabalhos. Sua visita noturna em voo caótico e desorientado causa a hipnose fatal e, na manhã seguinte, após a dança frenética em torno da lâmpada, jaz imóvel, vida breve, quase imperceptível. Creio que as aquarelas transitam por estes espaços de dor, fragilidade, fatalidade sem dispensar a beleza e delicadeza dos pequenos momentos.</p>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/31f4a-primavera_negra-.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14672" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Primavera Negra I<br>Aquarela e Nanquim<br>56,5 x 47 cm<br>2021</figcaption></figure></div>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fa6ca-s-titulo-.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14673" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Primavera Negra II<br>Aquarela e Nanquim<br>39 x 39 cm<br>2020</figcaption></figure></div>



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<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3fc7d-s-titulo.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14674" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Primavera Negra III<br>Aquarela<br>18 x 13,5 cm<br>2207</figcaption></figure></div>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:23% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dba07-marcel-esperante.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-14678 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Marcel Esperante</strong> é paulistano vivendo em Minas Gerais. Doutor em Artes pela UNICAMP. Lida principalmente com gravura em metal, xilogravura, serigrafia e litografia, além de processos de criação, arte contemporânea e história da arte. Atualmente, é professor efetivo na Universidade Federal de Uberlândia (UFU).</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
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