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	<title>Arquivos necessidades simbólicas do indivíduo - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>ONU assinala primeiro Dia do Cuidado e Apoio: União global fortalece agenda de cuidados</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2023/11/05/onu-assinala-primeiro-dia-do-cuidado-e-apoio-uniao-global-fortalece-agenda-de-cuidados/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Nov 2023 18:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 188]]></category>
		<category><![CDATA[ONU Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[necessidades simbólicas do indivíduo]]></category>
		<category><![CDATA[sociedade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: ONU Brasil</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2023/11/05/onu-assinala-primeiro-dia-do-cuidado-e-apoio-uniao-global-fortalece-agenda-de-cuidados/">ONU assinala primeiro Dia do Cuidado e Apoio: União global fortalece agenda de cuidados</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong>A ONU celebrou data inédita convocando a sociedade para conscientização sobre a importância do trabalho de cuidado e de apoio e da sua contribuição fundamental para alcançar a igualdade de gênero e o desenvolvimento sustentável.</strong></p>



<p><strong>Presente em todas as etapas da vida, o cuidado é uma necessidade de todas as pessoas. Contudo, o&nbsp;desequilíbrio gerado pela atual organização social dos cuidados sobrecarrega especialmente as mulheres, sobretudo as mulheres negras e de menor renda.</strong></p>



<p><strong>No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua 2022 (PNAD-C 2022), revelam que são gastas, em média, 17 horas semanais em afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas. No entanto, as mulheres gastam quase o dobro do tempo que os homens com essas tarefas não remuneradas.</strong></p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-11/un_women_pedro_pio.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="Dia do Cuidado e Apoio: União global fortalece agenda de cuidados" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: Presente em todas as etapas da vida, o cuidado é uma necessidade de todas e todos. Para suprir parte dessa demanda em todo o mundo, 16,4 bilhões de horas são dedicadas, diariamente, ao trabalho de cuidado não remunerado, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).Foto: © Pedro Pio/ONU Mulheres.</figcaption></figure>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Embora desempenhe papel central no desenvolvimento e na manutenção da sociedade e das economias, o cuidado, por muito tempo, foi pouco debatido e sua relevância é desconhecida por grande parte das pessoas ao redor do mundo.</p>
</blockquote>



<p>Cuidar vai desde as ações básicas do cotidiano, como higiene pessoal e de ambientes, por exemplo, como também em atos de administração e planejamento de casas e famílias. O cuidado possibilita que as pessoas possam ter suas necessidades físicas e psicológicas atendidas. Esses trabalhos podem ser feitos de forma remunerada, quando é realizado por profissionais do cuidado, ou não remunerada, quando é realizado dentro dos domicílios pelas próprias famílias ou comunidade.</p>



<p>Buscando a conscientização sobre a importância do trabalho de cuidado e de apoio e da sua contribuição fundamental para alcançar a igualdade de gênero e o desenvolvimento sustentável das sociedades em seus três pilares – econômico, ambiental e social –, a Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o dia 29 de outubro como o<strong>&nbsp;Dia Internacional de Cuidado e Apoio</strong>, através da resolução&nbsp;<a href="https://undocs.org/Home/Mobile?FinalSymbol=A%2FRES%2F77%2F317&amp;Language=E&amp;DeviceType=Desktop&amp;LangRequested=False">A/RES/77/317</a>.</p>



<p>2023 é o primeiro ano em que a data é celebrada. A necessidade de reflexão e ação sobre o tema é reconhecida através dos dados que revelam não somente o quanto esta agenda abrange a toda a sociedade, mas também o desequilíbrio gerado pela atual organização social dos cuidados que sobrecarrega as famílias e, especialmente, as mulheres, sobretudo as mulheres negras e de menor renda.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>“O reconhecimento pleno do trabalho de cuidado passa necessariamente pela corresponsabilidade de toda a nossa sociedade e, principalmente, por um enfoque de gênero. O cuidado com a casa, a família, as crianças e os idosos não pode continuar recaindo desproporcionalmente sobre as mulheres”, enfatiza a coordenadora residente da ONU no Brasil, Silvia Rucks.</p>
</blockquote>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-11/RC_Silvia_Rucks%20Creditos%20ONU%20Brasil%20Isadora%20Ferreira%20%281%29.JPG?w=950&#038;ssl=1" alt="Silvia Rucks, coordenadora residente da ONU no Brasil " data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">Legenda: Silvia Rucks, coordenadora residente da ONU no Brasil.Foto: © Isadora Ferreira/ONU Brasil.</figcaption></figure>



<p>As Nações Unidas no Brasil têm desempenhado um papel importante na valorização do trabalho de cuidado e de apoio por meio do trabalho das suas agências especializadas, fundos e programas, que desempenham ações que promovem a melhoria da condição de vida das pessoas que precisam de cuidados, como crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência, bem como das pessoas que provêm cuidados, especialmente as mulheres, que foram historicamente naturalizadas como as principais ou exclusivas responsáveis por esse trabalho.</p>



<p>Como já declarado pelo Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, &#8220;<em>esse trabalho não remunerado ou mal remunerado não está reconhecido socialmente, o que reforça a exclusão e a discriminação que enfrentam as mulheres e meninas ao longo de suas vidas&#8221;.&nbsp;</em></p>



<p>“É verdade também que os legados do colonialismo e da escravização de pessoas africanas também geram impactos na desvalorização do trabalho de cuidado, que, por exemplo, no Brasil é predominantemente exercido por mulheres negras. É mais do que tempo de mudar essa realidade. Para reafirmar os direitos humanos de todas as mulheres, meninas e de todas as famílias e pessoas que necessitam e cuidados, devemos valorizar devidamente os trabalhos de cuidado e atenção. São atividades essenciais para o bem-estar social e para o desenvolvimento dos países. Devemos lembrar que os compromissos de direitos humanos fazem parte da espinha dorsal da realização da Agenda 2030. Para cumprir os&nbsp;<a href="https://brasil.un.org/pt-br/sdgs">Objetivos do Desenvolvimento Sustentável</a>, inclusive reduzir desigualdades, promover o trabalho decente e o crescimento econômico, promover a igualdade de gênero, temos que transformar como o cuidado é percebido pelo mundo e dar a devida importância e apoio a essa atividade econômica, tão central para todas as pessoas em todos os lugares&#8221;, reforça o representante regional do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH) para América do Sul, Jan Jarab.</p>



<p>“A atenção e o cuidado integral são as ações necessárias para a promoção do desenvolvimento integral em todas as fases da vida, desde a primeira infância. Não é possível pensar no desenvolvimento sustentável e numa sociedade justa e equânime sem levar em consideração os componentes inter-relacionados e indivisíveis de cuidado: boa saúde, nutrição adequada, segurança e proteção, cuidados responsáveis e oportunidades de aprendizado – tal qual preconiza o Modelo de Cuidado Integral desenvolvido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e pela Organização Mundial de Saúde (OMS). O cuidado integral é uma responsabilidade coletiva e faz parte das condições criadas por políticas públicas que permitem aos pais e cuidadores a proporcionar o desenvolvimento pleno para seus filhos”, afirma a oficial de desenvolvimento infantil do UNICEF no Brasil, Maíra Souza.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Trabalho invisível</strong></h3>



<p>Presente em todas as etapas da vida, o cuidado é uma necessidade de todas e todos. Para suprir parte dessa demanda em todo o mundo, 16,4 bilhões de horas são dedicadas, diariamente, ao trabalho de cuidado não remunerado, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>No Brasil, dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua 2022 (PNAD-C 2022), revelam que são gastas, em média, 17 horas semanais aos afazeres domésticos e/ou cuidado de pessoas. No entanto, as mulheres gastam quase o dobro do tempo que os homens com essas tarefas não remuneradas.</p>
</blockquote>



<p>“O trabalho de cuidado não remunerado segue subsidiando a economia global, permanece quase invisível, não reconhecido e não contabilizado nas contas nacionais e na elaboração de políticas. As implicações são diretas e desfavoráveis no posicionamento econômico e social das mulheres e das jovens”, afirma a representante do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA) para o Brasil, Paraguai e Uruguai, Florbela Fernandes.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Precarização</strong></h3>



<p>Por outro lado, as ocupações ligadas ao trabalho de cuidado remunerado também atendem a diversas necessidades que regeneram o bem-estar físico e emocional das pessoas, bem como as demandas de educação, assistência, saúde e trabalho doméstico.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Segundo a OIT, mais de 11% dos postos de trabalho do mundo estão ligados ao trabalho de cuidado, sendo que as mulheres representam 65% desse percentual.</p>
</blockquote>



<p>Um&nbsp;<a href="https://www.dieese.org.br/infografico/2023/infograficosMulheres2023.html">levantamento</a>&nbsp;do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) com base nos dados da PNAD-C 2022, revela que, no Brasil, as mulheres são maioria nas vagas do trabalho de cuidado remunerado, sendo a maior parte no trabalho doméstico, representando 91% das pessoas trabalhadoras e 75% no conjunto que engloba profissões da área da educação, saúde e serviços sociais. A maioria delas, mulheres negras que acabam ostentando os maiores déficits de trabalho decente no país, representando a base da economia brasileira.</p>



<p>“As responsabilidades pessoais e familiares, incluindo o trabalho de cuidado não remunerado, afetam desproporcionalmente as mulheres. Essas atividades podem impedi-las não apenas de estarem empregadas, mas também de procurar um emprego ativamente ou de estarem disponíveis para trabalhar mediante curto aviso prévio. Esse é um dos motivos pelos quais uma política de cuidados não pode ser considerada um gasto, e sim, considerada, um investimento. Por um lado, gera empregos e, por outro, permite um aumento da participação feminina no mercado de trabalho, que tem um impacto positivo sobre a equidade e sobre o crescimento econômico”, explicou o diretor do Escritório da OIT para o Brasil, Vinícius Pinheiro.</p>



<p>Os números mostram justamente essas profissões que são majoritariamente ocupadas por mulheres são comumente as mais precarizadas, com baixa remuneração e, muitas vezes, sem proteção social.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>Um dos maiores exemplos é o trabalho doméstico que no Brasil conta com apenas 24,7% das trabalhadoras com carteira assinada, mesmo que 56,4% delas estejam vinculadas como mensalistas. A média salarial dessas trabalhadoras&nbsp; nas duas modalidades de contratação ainda segue abaixo do atual salário-mínimo brasileiro, como aponta&nbsp;<a href="https://www.dieese.org.br/infografico/2023/trabalhoDomestico2023.html">levantamento do DIEESE</a>.</p>
</blockquote>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Crise dos cuidados</strong></h3>



<p>Nos últimos anos, uma série de crises chamou o olhar urgente para o setor de cuidados. O crescente envelhecimento da população, as mudanças climáticas e, especialmente, o contexto vivido na pandemia da COVID-19 deixou mais visível o aumento da demanda por cuidados, tornando ainda mais aparente os desafios das mulheres para acessar oportunidades em condição de igualdade e conquistar sua autonomia econômica, visto que são elas as grandes responsáveis por suprir essa demanda crescente por cuidados.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>O&nbsp;<a href="https://social.desa.un.org/publications/2023-leaving-no-one-behind-in-an-ageing-world">Relatório Social Mundial 2023</a>, produzido pelo Departamento para Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (Desa), aponta que o número de pessoas com 65 anos ou mais no mundo deve dobrar, passando de 761 milhões em 2021 para 1,6 bilhão em 2050 e alerta para a insuficiência dos investimentos públicos dos países para cobrir a procura crescente de cuidados de longa duração.</p>
</blockquote>



<p>Em 2022, o&nbsp;<a href="https://public.wmo.int/en/our-mandate/climate/wmo-statement-state-of-global-climate/LAC">relatório de Situação do clima na América Latina e no Caribe</a>, da Organização Meteorológica Mundial (OMM) reportou que a Amazônia e nordeste do Brasil, são algumas das áreas que provavelmente verão secas constantes, afetando negativamente a saúde e o bem-estar da população.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>O rastro de impacto deixado pela pandemia da COVID-19 nos mercados de trabalho afetou de maneira mais significativa o emprego feminino, resultando um retrocesso equivalente a mais de 18 anos nos níveis da taxa de participação econômica das mulheres, conforme aponta&nbsp;<a href="https://www.cepal.org/es/publicaciones/47926-coyuntura-laboral-america-latina-caribe-salarios-reales-durante-la-pandemia">relatório conjunto</a>&nbsp;da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) e da OIT.&nbsp;</p>
</blockquote>



<p>Tem se tornado cada vez mais visível que os atuais sistemas de cuidado e apoio não estão conseguindo apoiar sociedades e economias sustentáveis e resilientes, nem as pessoas trabalhadoras do cuidado.</p>



<p>“A pandemia da COVID-19 encerrou quaisquer dúvidas sobre a urgência do debate sobre gênero na América Latina e no Caribe. Não obstante terem sido o grupo social mais afetado pela crise, as mulheres são o pilar central sobre o qual se apoia a reprodução social na região. O pós-pandemia deixa claro que a transição para uma sociedade dos cuidados deve ser parte central de estratégias de desenvolvimento que busquem a ampliação da proteção social, a redução das desigualdades estruturais e o enfrentamento dos riscos postos pelas mudanças climáticas”, reforça o Diretor do Escritório da CEPAL no Brasil, Carlos Mussi.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Sistemas integrais de cuidados</strong>&nbsp;</h3>



<p>Para superar a crise dos cuidados, é necessária uma nova organização social que promova a corresponsabilidade social e de gênero pelo cuidado, buscando reconhecer, redistribuir, reduzir, recompensar e representar o trabalho de cuidado sob uma perspectiva de direitos humanos, gênero, interseccional e intercultural.</p>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Desenvolvimento sustentável e garantia de direitos</strong></h3>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p>A resolução que proclama o dia 29 de outubro como Dia Internacional de Cuidado e Apoio, avança rumo a construção de sociedades inclusivas e sustentáveis, uma vez que reforça a necessidade de promover o bem-estar da sociedade e de todos os seus membros, em especial das crianças, pessoas idosas e pessoas com deficiência, além de enfatizar valor do trabalho de cuidado e reconhecer as pessoas trabalhadoras do cuidado não remunerado e remunerado como essenciais.</p>
</blockquote>



<p>“Esse dia simboliza mais um passo em direção ao compromisso político e urgência global relacionados à visão de políticas e sistemas de cuidados e apoio como chave para o alcance do desenvolvimento sustentável e também é um convite para que toda a comunidade global se una nos esforços para uma mudança transformadora na organização social do cuidado e do apoio. O Dia Internacional do Cuidado e Apoio representa a culminação de anos de esforços das organizações feministas, das Nações Unidas e a academia em colocar a importância do trabalho de cuidado no centro do debate público e político e sua proclamação reforça a Aliança Global de Cuidados e ocorre quase um ano depois da realização da Conferência Regional da Mulher de 2022, onde foi acordado o&nbsp;<a href="https://repositorio.cepal.org/server/api/core/bitstreams/6ef02df9-68a1-4d75-a707-f753a31405ae/content">Compromisso de Buenos Aires</a>, documento mais importante a nível regional que posiciona em definitivo o cuidado na Agenda Regional de Gênero, em linha com as ações necessárias para reconstruir sociedades e economias após a COVID-19″, avalia a representante adjunta da ONU Mulheres Brasil, Ana Carolina Querino.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/brasil.un.org/sites/default/files/styles/featured_image/public/2023-11/AnaCarol_Creditos_%20ONU_Mulheres_Gustavo_Dantas.png?w=950&#038;ssl=1" alt="Representante Adjunta da ONU Mulheres Brasil, Ana Carolina Querino" data-recalc-dims="1"/><figcaption class="wp-element-caption">genda: Ana Carolina Querino, representante adjunta da ONU Mulheres Brasil.Foto: © Gustavo Dantas/ONU Mulheres</figcaption></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p><strong><em>Artigo publicado no portal da <a href="https://brasil.un.org/pt-br/251317-onu-assinala-primeiro-dia-do-cuidado-e-apoio-uni%C3%A3o-global-fortalece-agenda-de-cuidados" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ONU Brasil</a> no dia 01/11/2023. Você pode encontrar mais artigos sobre esse e de diversos outros temas <a href="https://brasil.un.org/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">aqui</a>.</em></strong></p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:27% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="768" height="768" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=768%2C768&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13654 size-full" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?w=768&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=300%2C300&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3a58a-onu-brasil.png?resize=150%2C150&amp;ssl=1 150w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:16px"><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>A ONU (Organização das Nações Unidas)</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>&nbsp;é uma organização internacional formada por países que se reuniram voluntariamente para trabalhar pela paz e o desenvolvimento mundiais.</p>
</div></div>



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		<title>DISCUTINDO A ORDEM DO ESPAÇO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Aug 2020 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 057]]></category>
		<category><![CDATA[Atanásio de Alexandria]]></category>
		<category><![CDATA[autoridade divina nos escritos]]></category>
		<category><![CDATA[Formação da Biblía]]></category>
		<category><![CDATA[Gyovana Machado]]></category>
		<category><![CDATA[manifestação da espiritualidade nos corpos]]></category>
		<category><![CDATA[Micael Correia]]></category>
		<category><![CDATA[necessidades simbólicas do indivíduo]]></category>
		<category><![CDATA[Ordem no espaço da Igreja]]></category>
		<category><![CDATA[Textos bíblicos canônicos]]></category>
		<category><![CDATA[Violência estrutural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Gyovana Machado e Micael Correia</p>
<p>O post <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com/2020/08/09/discutindo-a-ordem-do-espaco/">DISCUTINDO A ORDEM DO ESPAÇO</a> apareceu primeiro em <a rel="nofollow" href="https://revistatrama.artebodoque.com">Revista Trama</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Antes de pensarmos a organização do espaço da igreja e o hábito que ali é construído e compartilhado, é necessário considerarmos como pano de fundo o contexto histórico no qual a regra máxima daquele ambiente foi desenvolvida: a saber, o cânone que, proveniente da língua grega, traz o sentido de “haste de mediação” &#8211; popularmente conhecido como “régua”. </p>



<p>A primeira lista completa dos livros a ser republicada por Concílios no Norte da África (Hipona em 393 d.C. e Cartago 397 d.C.) foi escrita no ano de 367 d.C. pelo bispo Atanásio de Alexandria; no entanto, a discussão sobre o cânone antecede a sua oficialização. No Concílio de Cartago foram excluídos, por exemplo, a “Epístola de Barnabé”, “Didaquê”, “Apocalipse de Pedro”, entre outros. O processo de canonização dos textos &#8211; com início no segundo século &#8211; acompanha, segundo Everett Ferguson, o reconhecimento da autoridade divina em escritos, a constituição de fronteiras para o cânone e o fechamento dos mesmos através do consenso quanto à lista comum dos livros sagrados. Lançando mão daquilo que orientava a mentalidade dos muitos indivíduos que participaram deste movimento mobilizado entre os séc. II ao IV, cabe a nós o questionamento das variáveis que, com eles, se tornavam chave fundamental para a seleção daquilo que ornaria ou não com os preceitos sociais, políticos e econômicos de sua contemporaneidade. Antemão, anunciamos que essa mesma seleção não anula a confissão de fé dos muitos que possuem na Bíblia a sua orientação ética, moral e espiritual; ela apenas amplia a nossa cognição acerca dos limites historicamente estipulados sobre a manifestação da espiritualidade, sobretudo nos corpos. </p>



<p>Seria um equívoco mobilizarmos as intenções de interpretação e possíveis alterações como explicação única das seleções feitas ao longo dos séculos. Por vezes, copistas realizavam erros involuntários nas transcrições. Tendo em vista que esses mesmos eram membros de assembleias (e não profissionais), ainda assim, não se exclui o interesse de determinados grupos em consolidarem o seu pensamento (OLIVEIRA; CANCELLIER, 2017, p. 81). Nesse ambiente também caracterizado por disputas narrativas, tem-se que: externamente, havia a relação dos cristãos com os judeus não-cristãos e com os pagãos; internamente, os conflitos sobre a questão da mulher (OLIVEIRA; CANCELLIER, 2017, p. 82) . A respeito desse último ponto, Bezerra e Richter dirão que o processo formativo da Bíblia “se deu em meio a disputas relacionadas à liderança feminina. Por isso, foram retirados do cânon muitos registros que contavam e celebravam ministérios e lideranças femininas, coleções de oráculos de profetizas cristãs e outros que continham os ensinamentos de mulheres (como os Atos de Paulo e Tecla, <em>Pistis </em>Sophia e o Evangelho de Maria) (&#8230;)”<strong>[1</strong>]. <strong>Ao ambientarmos a nossa leitura segundo o contexto no qual os livros foram escritos e, posteriormente, também selecionados e oficializados, evitaremos, por exemplo, os discursos contemporâneos que elencam o patriarcado como sistema social determinado “divinamente” para se constituir uma família.</strong> Convém destacar que esse amplo movimento é também uma investida na naturalização da violência estrutural e sistêmica. </p>



<p>Dada esse brevíssima introdução, podemos pensar nas normas que os espaços contemporâneos das igrejas possuem enquanto fronteiras que balizam noções compartilhadas a formar uma hierarquia por parte daqueles que, atualmente, fazem a seleção da ordem &#8211; aquela que organiza, mas que também é um imperativo sobre as ações dos sujeitos ali submetidos. Analisando esse espaço específico enquanto um <em>corpus </em>vivo, com filosofia e políticas próprias, hierarquicamente arquitetado para contínuo funcionamento interno, pensa se no ato de normar e/ou legislar como inerente a quem o dirige. Segundo Karnal, “legislo não para atacar o erro, mas para estar feliz ao lado do acerto (&#8230;) legislamos, classificamos, e com isso criamos a clareza que evite nossa inclusão no lado mau.” (2017, p. 31); assim sendo, o espaço funciona segundo a sua ordem que, por sua vez, caminha para um fim. Entretanto, há uma necessidade cada vez mais latente em se levantar questionamentos sobre a normalização de procedimentos que não cabem a uma norma estabelecida divinamente, mas que é apenas reproduzida por aqueles que possuem voz de comando mediante uma releitura e um repaginamento da ordenação pela via da força. A força sobre o direito.</p>



<p>Sobre a última frase, elucido a explicação de Mário Ferreira dos Santos que diz que “uma das mais acentuadas características do barbarismo vertical consiste em apresentar a força como superior ao direito. O direito não é mais o que é devido a natureza de um ser estático, dinâmico e cinematicamente compreendido, e que, portanto, se funda no princípio de justiça, que consiste em dar a cada um o que lhe é devido e em não lesar esse bem. O direito não é o reconhecimento natural dessa verdade, mas apenas o que provém do arbítrio que possui o <em>kratos</em> (poder) político. O direito natural é postergado, é discutido e até negado para supervalorizar a norma emanada do arbítrio do legislador, a ordem jurídica emanada do que possui o <em>Kratos</em> o detentor do poder político, autoridade constituída. A justiça não é mais objeto de especulação. A desconfiança acerca, a dúvida instala-se, até negar-se, finalmente, qualquer fundamento a essa entidade, que é uma das mais caras virtudes do homem culto.”<strong>[2]</strong> </p>



<p>De fato, a perspectiva de Ferreira está associada a uma correspondência macro dos indivíduos com o Estado; no entanto, interpreta-se &#8211; ao menos neste ensaio- o espaço da igreja enquanto um sistema simbólico com alocações bem delimitadas. Nesse sentido, nos valemos da reflexão do autor quando este aponta para um barbarismo presente nas ações ou imposições da força sobre o direito, e, desta forma, lemos numa escala micro como: as violências estruturais e sistêmicas sobre o que de fato a mensagem d&#8217;O Cristo elege como um <em>modus operandi </em>coletivo &#8211; que, curiosamente, não diz de um grupo fechado com ações em si mesmo, mas de como esse ampara os que não fazem parte dali. Partimos agora para uma variável importante dentro desse amplo processo de ordenação, que é a construção e acomodação de uma ordem discursiva.</p>



<p>Ao adentrarmos um ambiente eclesiástico, seja lá ele qual for, qualquer ambiente dotado de realidade material que responda por esse lugar social, devemos levar em consideração que entramos não somente num campo físico, mas num espaço simbólico no qual se encontram artefatos, códigos e corpos transitando, que podem ser transitórios ou funcionais devido a algum tipo de demanda. Essa conjugação simples e tão somente não deduz a presença de um esquema ordenado; mais parecem um conjunto de peças avulsas buscando conexão, enlaçamento. Até o momento em que for possível subentender um enunciado pairando sob a face daquele espaço, tal realidade não passa de um caos por decifrar, palavras soltas carentes de uma gramática básica da comunhão, que vão se escorando e se estranhando rumo a um sentido comum que seja possível enunciar. Mas não é o espaço em si que proporciona tal enunciado &#8211; ou melhor dizendo, não esse espaço impessoal e sem matriz de subjetividade. O enunciado é justamente a produção humana. São os sujeitos que, martirizando seu desejo, o enunciam e o fazem entrar na ordem do discurso &#8211; que é, simultaneamente, a ordem do espaço. É dessa forma que os falantes organizam o espaço: através da objetivação das necessidades simbólicas que o compelem a endereçar seus pedidos a um outro (social). O encontro com o outro é um encontro forçoso, traumático, uma vez que ele preexiste a nossa entrada no mundo; mas também é nesse encontro que nos humanizamos, socializamos, subjetivamos uma ordem. (Não é a toa que “tornar-se sujeito” possui uma ambiguidade fundamental: significa assujeitamento; submeter-se). À medida em que os sujeitos fazem acordos a respeito de seus desejos e se submetem a uma autoridade comum, o espaço funda essa ordem. Mas que espaço é esse? O espaço que ultrapassa em muito o local &#8211; este sempre mais ou menos ocasional. O espaço do qual falamos é o espaço onde se circula o discurso. </p>



<p>O discurso é o estatuto dos enunciados que os sujeitos fazem<strong> [3]</strong>, que monta uma espécie de cadeia significante repetitiva, gerando um laço social que une os sujeitos nesse espaço. Pois o discurso não é simplesmente a fala, o gesto, coisa assim, individualizada. <strong>O discurso é o ato que, através das palavras e principalmente para-além delas, codifica e organiza determinadas relações dentro de um jogo– categoria que se faz presente em todo espaço congregacional</strong>. Ou seja, t<strong>odo espaço é constituído por discursos</strong>, e, à medida que esses discursos e práticas sociais se repetem, são legitimadas, são reconhecidas (ou desconhecidas), dizemos que, nesse conjunto, há uma instituição. Instituições escolares, familiares, religiosas (!) surgem relacionadas à essa lógica fundante do espaço: a lógica operada pelo dispositivo denominado discurso. Veja que não mencionamos aqui o termo ‘jogo’ de forma despretensiosa: se trata mesmo de um esquema dinâmico, em que os participantes ocupam lugares (funções), assumem hierarquias (poder), operam trocas (relações), se submetem a regras (leis) e conjugam uma linguagem (vocabulário) que lhes permitem serem compreendidos enquanto produzem discursos, tipo um jogo. Em vez, porém, dos discursos circularem ‘livremente’, diz Foucault<strong> [4] </strong>que toda instituição nos mostra incessantemente que nesse espaço há uma ordem – a ordem do discurso. Numa ordem institucional, há uma série de procedimentos que controlam, organizam e dominam as repercussões dos discursos contra as aleatoriedades perigosas que estes podem fazer irromper dentro de um estado ordenado. A instituição detém &#8211; metonimicamente &#8211; as leis explícitas e implícitas que são vigiadas por seus agentes institucionais. São eles que garantem a ‘ordem da casa’. Em nome da<em> ordem das coisas</em>, é preciso que certas relações, lugares e papéis permaneçam e se fixem – até que, com o tempo, tal ordem se encontre naturalizada, numa cristalização imaginária, sem que seja percebido o seu caráter instituído ou não-natural. Essa evolução é resultado de uma imobilidade no interior desse espaço e de agentes que já não se reconhecem mais como mediadores simbólicos de uma lei, mas as próprias encarnações da lei. É quando a ordem &#8211; que mediou a socialização dos sujeitos falantes &#8211; passa a os enxergar como meros instrumentos subordinados às suas ordens &#8211; imperativos emudecedores.</p>



<figure class="wp-block-image alignwide size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7275b-museu-judaico-por-daniel-libeskind-em-berlim-foto-por-hecc81lecc80ne-binet.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11340" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Museu judaico, por Daniel Libeskind, em Berlim <br>Foto: Hélène Binet</figcaption></figure>



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<p><strong>Notas:</strong></p>



<p><strong>1- </strong>SOUZA, Carolina Bezerra de; REIMER, Ivoni Richter. Violência, Bíblia e as Mulheres. <em>In</em>: ULRICH, Claudete Beise; LELLIS, Nelson (org.). Coleção religião e violência: mulheres em foco. São Paulo: Recriar, 2020. cap. 2, p. 33-48.</p>



<p><strong>2-</strong> SANTOS, Mário Ferreira dos. Invasão Vertical dos Bárbaros. 2. ed. São Paulo: É Realizações, 2015. p. 26.</p>



<p><strong>3-</strong> LACAN, Jacques. <strong>O avesso da psicanálise</strong>, O seminário, livro 17. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1992.</p>



<p><strong>4- </strong>FOUCAULT, Michel. <strong>A ordem do discurso</strong>. 5. ed. São Paulo: Edições Loyola, 1999.</p>



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<p><strong><strong>Gyovana Machado </strong></strong>é Cristã, graduanda em História pela UFJF e formada no Seminário Teológico Rhema Brasil.&nbsp;</p>



<p><strong>Micael Correia</strong> têm 22 anos e é um escritor não-autorizado. Atualmente faz graduação em Psicologia e está envolvido até o pescoço com os estudos de Psicanálise Lacaniana e Teoria Social – enquanto faz música nos intervalos.</p>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: Artistas pra seguir nessa quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg7_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11397" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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