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	<title>Arquivos Noah Mancini - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>[Arredores] Performátika de Afirmação, com Noah Mancini</title>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2021 23:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Arredores]]></category>
		<category><![CDATA[Carol Cadinelli]]></category>
		<category><![CDATA[curadoria]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista]]></category>
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		<category><![CDATA[Mostra Performátika]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Trama Bodoque</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Mais do que um espaço de comunicação atrelado a concepções estéticas, a arte é performática. Toda ela. Enquanto ferramenta de expressão, a arte contempla a possibilidade das mais diversas performances, de corpos de todas as cores e formas que vivem, de vozes de todas as texturas e amplitudes que ecoam. E cada performance é afirmação desse corpo, dessa voz, desse propósito, desse pensamento, no espaço e no tempo em que se localiza. Criam lastro. Geram cultura. </p>



<p>Essa cultura que afirma é, talvez, um dos principais pontos de convergência entre os trabalhos da Mostra Performátika, curada pelo artista Noah Mancini para o Memorial Minas Gerais Vale. Trazendo video e foto-performances de sete artistas que atuam em Juiz de Fora e região, em seis trabalhos que comunicam especialmente sobre questões identitárias, a Performátika é, sem dúvidas, um grande exemplo da performance enquanto afirmação de corpos, vozes e vivências. </p>



<p>Essa semana, a Trama conversou com Noah Mancini, bacharel em Artes e Design (UFJF), artista-etc e curador da Mostra Performátika. Rola pra baixo pra conferir a entrevista!</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="713" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?resize=950%2C713&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-13293" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?w=1280&amp;ssl=1 1280w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?resize=300%2C225&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?resize=1024%2C768&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/a5200-whatsapp-image-2021-01-14-at-12.33.22.jpeg?resize=768%2C576&amp;ssl=1 768w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Noah Mancini,<strong>&nbsp;</strong>artista-etc e curador da Mostra Performátika.<br>Foto: Arquivo Pessoal</figcaption></figure></div>



<p><strong>Trama: Você trabalha com muitas frentes artísticas diferentes. Isso nasce das suas formas de expressão naturais, ou vem de um estímulo proposto pela formação no BI em Artes e Design?</strong></p>



<p><strong>Noah:</strong> Eu comecei nas artes com o teatro e com a dança, quando eu estava no ensino fundamental. Aquela coisa, né, a família vê que a criança é mais sensível, que gosta de coisas relacionadas à música, ao teatro&#8230; e a minha família acabou me colocando [nessas aulas], e aí pra quê, né, menina? Comecei a frequentar as aulas e a me dar muito bem. Eu tinha até mais desenvoltura social, e mais aceitação no meio, naquele espaço do teatro e da dança; eu me sentia muito bem nas aulas, adorava fazer as apresentações, adorava os amigos que eu cultivava naqueles espaços. Então, já no ensino fundamental, eu comecei a me interessar bastante por arte. </p>



<p>Quando eu estava já na fase pré-vestibular, que a gente já está escolhendo [o curso que vai fazer], eu queria muito fazer algo relacionado às artes; e eu me lembro de ter assistido a um seminário de palestras com vários profissionais das cênicas, de todo o Brasil, lá no Divulgação (da UFJF). Veio a Deolinda Vilhena, uns professores da UFBA e da USP, e eles estavam falando sobre o panorama do teatro no Brasil &#8211; sobre como era difícil, como você tinha que fazer várias coisas se você quisesse viver de arte; e eu fiquei muito com isso na cabeça. E  foi quando, conversando com a minha mãe e com a minha família, eu coloquei para eles que eu queria fazer algo nas artes.</p>



<p>Eu pensei muito sobre essa multifuncionalidade que o artista precisa exercer, e também tinha a pressão da família e da sociedade em relação a escolher uma área com graduação em humanas. Antes de entrar pra faculdade, também, eu já fazia algumas colagens, uns desenhos, uns poemas, coisas assim&#8230; então, eu já estava muito com o pé ali. Na época, então, eu passei pro IAD, e comecei a estudar já tendo algumas poéticas segmentadas, já certa de que eu queria ser artista &#8211; ainda que a graduação ainda tivesse muita coisa pra me auxiliar, não só com as questões teóricas, mas com o encaminhamento profissional, eu já cheguei naquela de &#8216;sou artista&#8217;. Quando eu fui tendo mais contato com a grade do BI na prática, eu fui vendo o quanto ela era ampla e me possibilitava as coisas que eu já vinha desenvolvendo, em várias linguagens artísticas.</p>



<p>Além de ser um grande privilégio você estudar a arte na perspectiva de várias linguagens, eu acho que também é uma urgência profissional do criador, do produtor de cultura; essa interdisciplinaridade permite uma pluralidade de funções no meio artístico que eu acho que é uma questão do mercado de trabalho das artes. Como foi dito lá em 2012, mesmo, no seminário que eu comentei, é uma coisa que não dá pra desenvolver trabalhos sem isso. E é, também, uma urgência de várias pessoas que conheço, que fazem faculdades mais segmentadas, como belas artes, gravura&#8230; o que é ótimo, ter o recorte e a especialização; mas, ao mesmo tempo, vejo [essas pessoas] muito carentes de novas possibilidades de expressão e de profissionalização do trabalho. O BI, então, veio unindo o útil ao agradável, porque eu já vinha, desde antes da faculdade, numa poética de artista-etc, e o curso foi um empurrão para que eu pudesse começar a desenvolver outros trabalhos.</p>



<p><strong>T: Você comentou que trabalha até com muito mais frentes artísticas do que as que a gente encontra quando joga seu nome no Google. Mas, quando a gente joga seu nome no Google, a performance e a fotografia/colagem aparecem como principais. Como é se reconhecer nesse lugar, de um artista do interior, preto, LGBT, e como um nome consistente em campos que a arte costuma ser tão elitizada?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> Eu diria que é uma luta constante, e ela não está nem perto de terminar. É um dos percalços que a gente passa, e vai continuar passando, infelizmente; e que estamos aí justamente para que a gente possa não passar mais por isso. Eu acho que é sempre um exercício de provação, pra ti e para os outros.</p>



<p>Quando eu entrei na faculdade, eu entrei cheio de certezas sobre o que era cinema, o que era arte, e outras coisas. E aí, quando a gente entra, a estrutura do curso, a grade, os professores, te comunicam que &#8220;não é assim que a banda toca não, meu filho&#8221;, e vai cortando as suas asinhas. E, no fim das contas, você estuda cinco anos para chegar no final e dizer &#8220;pera aí, a banda vai tocar do jeito que eu quero sim porque senão nada anda&#8221; (risos); e acho que é isso, de você colocar a sua banda pra tocar sozinha, por si mesma. Não é exatamente um exercício de solitude, nem de solidão, nem de caminhada sozinha, porque temos aí os amigos que também ocupam esses espaços de margem, em diversos recortes, para conversar e ajudar a gente a não dar murro em ponta de faca; tem os grupos de trabalho; tem os afetos que também são artísticos ajudam a fortificar a cabeça &#8211; que, atualmente, se deixar, a gente fica louca, porque é isso que o governo quer mesmo&#8230; Mas ainda assim, o exercício tem a sua parte de caminhada solitária, porque às vezes você corre o risco de pagar de louca, que vem de carregar essa certeza até um ponto que ela seja uma certeza para outras pessoas também, de tanto que você precisa se impor; e, depois de um tempo, você já naturaliza essa necessidade de chegar e dizer a que veio e o que você faz &#8211; até pra você calcar nisso o seu espaço de ser, de existir nesses espaços. Como você disse, [esse campo] é muito elitista, por vezes é careta, e é um movimento de afirmação constante pra gente não enlouquecer e pra não deixar de fazer o que nos mantém vivos &#8211; tanto no sentido de ter o que comer, enquanto profissão artista, quanto no sentido de nos mantermos sãos e salvos (mais salvos do que sãos). E é a arte, mesmo, que dá essa sanidade cotidiana; isso é o que eu tenho como norte, é onde eu me apoio nos momentos de felicidade e tristeza. A arte é uma das poucas coisas que eu vou ter sempre, pra mim; e em sendo isso, se trata de usar a minha voz, o meu corpo vivente e pensante, para afirmar essa existência e a finalidade de estar aqui, nesse plano. </p>



<p><strong>T: Você pontuou muita coisa sobre se afirmar para sobreviver; e a Mostra Performátika trata muito disso &#8211; mas, dessa vez, através da afirmação de outros artistas e que, você, como curador, toma uma distância do discurso, uma posição diferente da que você assume quando é o seu corpo ali em performance. Como foi essa experiência, para você?</strong></p>



<p><strong>N:</strong>  Foi bem massa. Eu já venho flertando com essa experiência de curador faz um tempo, já venho trabalhando com curadoria há uns anos, e essa foi uma das possibilidades de materializar a curadoria.</p>



<p>Sempre que eu estou à frente de projetos coletivos, eu gosto de ocupar esse espaço de mediação, de poder fazer essa ponte para que outros artistas consigam fazer suas poéticas sem muitas limitações criativas. A ideia é executar a curadoria de forma que o artista se sinta à vontade para se expressar e jogar sua poética no mundo. Nessa posição de distanciamento maior, acaba que eu consigo fazer coisas a mais, como escrever textos críticos para cada trabalho apresentado (como foi o caso da Mostra Performátika); isso, pra mim, é muito legal, porque eu tenho muito interesse nessa parte crítica e acho que é uma forma de manter um diálogo não só entre público e o trabalho do artista, mas também entre o próprio circuito artístico. O artista ter um texto sobre o trabalho ajuda, posteriormente, na montagem de um portfólio, e ter esse feedback sensível, da minha leitura sobre os trabalhos, é importante pra essas pessoas.</p>



<p>Poder mediar é muito massa. Porque você se envolve, mas com uma outra carga; você se torna uma espécie de espectador também, e isso permite essas experiências de atravessamento, desde as partes criativas até quando você consegue ver a mostra pronta, de entrar lá e ver o resultado final do que você fez. Essa etapa de entrar no site, e ver os vídeos no youtube, e ver as fotos, é muito confortante, e muito realizadora. </p>



<p><strong>T: </strong> <strong>Você menciona que você já trabalha com curadoria há algum tempo; porém, a Performátika foi o seu trabalho, nesse campo, que te proporcionou mais visibilidade, por conta até da parceria com o Memorial Minas Gerais. Você pensou o trabalho para essa parceria, ou ele já existia e acabou resultando nela? E como foi o processo de realizar a mostra junto a uma instituição com a relevância do Memorial?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> A Mostra Performátika foi pensada especificamente para o Memorial Minas Gerais Vale. Eles lançaram um edital no primeiro semestre de 2020, para compor a programação virtual deles nesse contexto pandêmico; e logo eu pensei esse projeto, na categoria de performance, para caber no edital &#8211; porque caso a gente fosse aprovado, a gente teria subsídio financeiro pra executar o babado. Não que esse projeto não possa acontecer de novo futuramente, viabilizado por outros editais e outras instituições; mas o pontapé que deu início ao projeto foi o edital da Vale.</p>



<p>Sobre realizar a mostra junto ao Memorial, é uma questão delicada. A Vale tem um histórico pesado de mineração, de exploração, dos próprios crimes ambientais; mesmo assim, o dinheiro, o status e toda a instituição que ela representa continuam muito sólidos, a ponto de eles estarem podendo fomentar trabalhos artísticos. Quando eu chamei os artistas [para compor a mostra], eu falei que era um projeto pensado para o Memorial Vale, e eles já começaram a gastar: &#8220;Tô chique, tô criminosa, minha arte tá suja de lama!&#8221; (risos). Enfim. Ao mesmo tempo que todos nós gostamos muito de estar participando do edital, por ser uma instituição com nome de peso e que permitiu essa remuneração, a equipe do Memorial também foi muito de boa na questão de a gente conseguir ter um diálogo tranquilo com eles;  eles foram prestativos onde eles podiam ser. </p>



<p>Eu acho que é um pouco desse movimento de a gente estar ocupando esses espaços, independente das críticas que lhes cabem &#8211; como o próprio trabalho do Augusto [&#8220;Gutão&#8221; Lopes da Costa] na mostra, que traz uma série de foto-performance chamada &#8220;Minas que Desaparece Dia após Dia&#8221;, e que traz justamente um pouco dessa relação do corpo com a natureza, com o ambiental, e que acaba conversando com as tristezas que aconteceram sob o nome da Vale. Então, por mais que a gente assumir esse espaço possa trazer à tona uma problemática, eu acho que poder tratar esses assuntos na própria mostra significa que existe essa ressonância de ideias e que a parada não é um corpo único; são várias pessoas que fazem, desde a instituição até a mostra. E foi bem tranquilo; como o projeto já estava encaminhado, a gente não teve grandes dores de cabeça para materializar o projeto, e foi isso.  </p>



<p><strong>T: Você é um artista-etc, com atuação em campos artísticos que, como a gente comentou, não são muito populares, acabam sendo mais elitizados. Ainda assim, você se formou em Juiz de Fora e permanece desenvolvendo o seu trabalho aqui. Qual é a importância que você percebe nessa sua iniciativa de permanência na cidade?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> É engraçado, porque a gente que é artista e trabalhador da cultura sente muito que não tem campo em Juiz de Fora; mas eu acho que tem um contingente de pessoas, de artistas e de consumidores de cultura, muito ativo. Existem muitos artistas talentosos na cidade, em diversos campos; e existe uma galera que consome, para além dos artistas que consomem os produtos uns dos outros, mas uma população que não necessariamente trabalha na área de cultura e que frequenta os eventos, que vai às mostras e aos shows, a um espetáculo, a uma exposição de um amigo. E eu acho que a questão de continuar [aqui] é justamente buscando fertilizar, fomentar, agitar a cena local. De dar incentivo. Porque quando você faz [arte], e vê outra pessoa fazendo também, isso já te motiva; e se você está fazendo, e outra pessoa te vê fazendo, você incentiva, também &#8211; seja a a criar, como essa força propulsora que Juiz de Fora tem muito, que muitos artistas surgem aqui e saem, e muitos ficam.</p>



<p>Por exemplo, eu tenho o trampo com a <a href="https://www.instagram.com/excasapovera/">Casa Povera</a>, que é um coletivo de arte, que a gente começou dentro de um apartamento, fazendo exposições dentro de casa, e com o tempo a gente foi criando outras vias de divulgar essa arte local &#8211; que não é só daqui, mas que é independente. E eu vejo que isso é muito importante; principalmente nessa estratégia de mediar pessoas (para além do eu-artista criador), quando eu vou mostrar o trabalho dos outros, você vê nas próprias pessoas o quanto isso é importante para elas no sentido de que, quando a gente joga luz em alguma produção ou artista, a gente também está fazendo com que as pessoas ao redor dele sejam contempladas, prestigiadas, reconhecidas de alguma forma.</p>



<p>A gente reclama muito que Juiz de Fora não tem as coisas; mas, para ter, a gente precisa fazer, criar. Com a Casa Povera, as primeiras exposições foram com gente que a gente conhecia; não só gente daqui, mas que a gente já tinha um contato. E conforme a gente foi fazendo, outras pessoas foram conhecendo e vendo, nas nossas mostras, uma oportunidade de colocar o seu trabalho para jogo &#8211; inclusive muita gente que nunca tinha exposto na vida, que estava trazendo um primeiro trabalho, por exemplo. E nas nossas ações presenciais, a gente sempre prestigiava isso, de trazer tanto pessoas que já tinham experiência com arte quanto pessoas que nem falam que são artistas; de transformar pessoas que não são &#8220;artistas&#8221; em possíveis criadores, mostrando possibilidades&#8230; essa questão de reconhecer a arte no outro, seja através do corpo, seja através do desenho. As pessoas se veem ali, veem os amigos ali e vão querer participar também.</p>



<p>Então, embora [Juiz de Fora] seja uma cidade que tem alguns problemas, eu acho que é um lugar muito capaz de ser um pouco mais autossuficiente. Questões regionais e cartográficas acabam limitando, mesmo; o dinheiro está onde a cidade está. Então, Juiz de Fora, sendo uma cidade nem muito grande nem muito pequena, acaba tendo algumas carências no que diz respeito a isso; mas acho que é necessário, antes de tudo, continuar semeando, fertilizando e fazendo florescer a cultura e a arte. Isso para que as pessoas possam se ver ali, enquanto criadoras, enquanto entendedoras&#8230; porque se você coloca, sei lá, um quadro de pintura a óleo, chiquérrimo, do lado de um simples exercício geométrico numa exposição, ou um artesanato perto de um trabalho gigante, você tá dizendo ali que talvez existam muito mais artistas na cidade do que a gente pensa &#8211; e que, talvez, existam muito mais consumidores do que a gente pensa, também. E [tá dizendo] também do quanto a arte é importante, do quanto ela é parte indissociável da nossa vida.   </p>



<p><strong>T: &nbsp;Você comentou nessa reposta que JF é um local muito movimentado na área das artes, e isso é um comentário recorrente entre artistas de diversas frentes. O que você sente que falta, aqui, para que a gente possa ser reconhecido enquanto um centro artístico por pessoas de outras localidades?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> Você pensa, né: a gente tem universidades, escolas, inúmeros lugares que poderiam vir a ser centros culturais, patrimônios a serem reconhecidos, e o que que falta? Falta remuneração. Falta campo. Tem até uma entrevista do Arlindo Daibert, de 1984&#8230;</p>



<p>Juiz de Fora, em 84, resolveu dar um título de personalidade pro artista; e ele elaborou um texto sobre a vida dele enquanto artista em Juiz de Fora. E ele fala que tem essa questão de uma cidade que está crescendo &#8211; agora, uma cidade de porte médio que pensa em ser grande -, em que existe essa permanência de um comportamento provinciano, de diretrizes conservadoras (embora tenhamos aí um histórico com o próprio Miss Brasil Gay e outras movimentações, até de uma certa tolerância). Mas, nessa mesma entrevista, ele fala que os próprios juizforanos que se deram &#8211; como ele próprio, como o Murilo [Mendes], como o Pedro Nava -, eles nem eram muito daqui, dessa cidade de forasteiros, mas eles aqui ficaram, esses que entram como grandes póstumos e acabam sendo cânones. Ele mesmo fala que &#8220;ser artista no Brasil, em Juiz de Fora, hoje, é estar disposto a trabalhar no anonimato durante anos. Talvez eu esteja destruindo todo o glamour da imagem romântica que a maioria das pessoas têm necessidade de criar em torno do artista; é criar mecanismos e atividades paralelas que patrocinem economicamente a nossa produção artística; é pretender ir um pouco mais além e arriscar-se a quebrar os padrões de comportamento e as aspirações mais legítimas da maioria das pessoas&#8221;. Daí, eu fico pensando nisso, que ainda é um problema a questão da remuneração, a questão de você se manter só vivendo disso; e, para você conseguir isso, você ter que sair da cidade. Porque, por mais que vá sobreviver &#8220;às custas do governo&#8221;, de editais, é necessário ter um capital de giro pras pessoas poderem comprar! Comprar uma peça de arte, seja um quadro, uma roupa, um ingresso&#8230;    </p>



<p><strong>T: A Performátika fica no ar até domingo agora, dia 17. Você está com outros projetos engatilhados já? O que vem por aí</strong>?</p>



<p><strong>N:</strong> O show precisa continuar, né?! (risos) Como sempre, a vida delas não para, fica ligada, clica aí embaixo e se inscreve no canal&#8230; (risos) Mas, é, as coisas estão em processo, a gente não dorme no ponto. Eu estou escrevendo um livro, estou nesse processo de escrita autoral, e ele vai trazer ilustrações minhas, também;  e a Lei Murilo Mendes de 2020 não saiu, né? (risos). Estou esperando, inclusive, tanto a de 2020 quanto a de 2021.</p>



<p>Sobre o livro, ele é um compilado de contos, crônicas, alguns poemas, casos, que a gente vai angariando pela vida. E escritas mais antigas, também, como memórias, além de coisas mais frescas e atuais. Eu estou querendo lançar antes do final deste ano, porque já está bem encaminhado, e eu quero ilustrar com algumas rasuras e ruídos que eu tenho feito. E, nesse momento, estou pensando bastante nessa questão de afinação, para ficar tudo amarrado bonitinho. Já sobre a Murilo Mendes, ela é a garantia quase que constante de os artistas poderem estar vivos e ativos na cidade; então claro que a gente sempre tem projetos [para ela], e também é muito bom de ver que artistas que fazem com muita excelência sejam contemplados &#8211; o que é muito bom para a cultura da cidade e para cada artista, seja ela contemplada de maneira direta ou indireta. Mas pra MM, sempre tem projetinho (risos).  </p>



<p><strong>T:  O que você gostaria que eu tivesse perguntado e que não perguntei? E qual é a resposta a essa pergunta?</strong></p>



<p><strong>N:</strong> Pra ser bem sincera, quando você entrou em contato comigo e se apresentou, eu fui lá no site da Trama e li a entrevista com o Washington. E eu amei a entrevista, e até comentei com meu namorado que: &#8220;gente chique ela jornalista, ela até pergunta &#8216;o que você gostaria que eu tivesse perguntado e que não perguntei?&#8217;, achei isso um luxo!&#8221; (risos). E aí a gente aqui, conversando, eu nem lembrei dessa pergunta, e agora que você me veio com ela, eu fiquei &#8220;ah, era isso, era essa a pergunta que eu queria que me fizesse&#8221; (risos), mais pelo luxo de estar sendo entrevistada, pelo glamour, e pela experiência de estar nessa abertura de você perguntar para a pessoa qual é o recado que ela tem para dar. Então era essa a pergunta que eu queria. Acabei com a brincadeira, né? Mas é a verdade (risos).</p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>A Mostra Performátika estará disponível nas plataformas virtuais do <a href="http://memorialvale.com.br/virtual/mostra-performatika/">Memorial Minas Gerais Vale</a> até o dia 17/01 (domingo), com acesso livre e gratuito para o público geral.</p>



<p><em>Capa: Fotoperformance &#8216;Não Branca o Suficiente&#8217;, de Paula Duarte, que compõe a Mostra Performátika.</em></p>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-align-right has-normal-font-size"><strong>Sobre a Entrevistadora:</strong></p>



<p><strong>Carol Cadinelli</strong> é jornalista, apaixonada por palavras. Escreve, edita, revisa, traduz e, vez ou outra, fotografa. Atualmente, é editora na Trama, Social Media na Peregrina Digital e escritora nas horas vagas.</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/fdf84-assinatura-4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11677" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/073d7-loja-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11574" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/revista-trama-edicao-impressa-edicao-001"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72b80-impressa-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11608" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
</div>
</div>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg8_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11314" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>
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