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	<title>Arquivos Nordeste - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Bacurau e o(s) Nordeste(s) que querem se ver (Parte 2)</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2020/02/09/bacurau-e-os-nordestes-que-querem-se-ver-parte-2/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 09 Feb 2020 21:20:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 031]]></category>
		<category><![CDATA[Bacurau]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[seca]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Oliveira Rocha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><em>O maior fenômeno do cinema nacional do último traz para a tela a subversão, descolonização e pluralidade que tanto faltam ao se falar da região</em></p>



<p><em>Vinícius Oliveira Rocha</em></p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/dabbc-image1.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7341" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Domingas (Sônia Braga) e Michael (Udo Kier)</em></figcaption></figure></div>



<p class="has-text-align-center"><strong>Bacurau e o(s) Nordeste(s): uma construção histórica, política e sociocultural</strong></p>



<p>Vamos deixar as coisas bem claras aqui: não existe o Nordeste.</p>



<p class="has-drop-cap">Pelo menos não o Nordeste como essa entidade homogênea, de um único povo, um único sotaque, uma única cultura, uma única vegetação. Nordeste que foi “azeitado” e construído por cerca de um século e meio. Mesmo enquanto região geográfica institucionalmente estabelecida, o Nordeste é mais recente do que se pressupõe: a sua atual configuração em nove estados data de 1969. Historicamente, há uma determinada flexibilidade na presença de estados como Bahia, Piauí e Maranhão dentre os que constituem a região, sendo ou não considerados estados nordestinos.</p>



<p>Até a I Guerra, não se via o Brasil como uma nação, predominando até então uma visão regionalista que buscava no meio, na natureza e na raça as respostas para as diferenças entre o Norte (que se estendia da Amazônia até Sergipe) e o Sul (que ia da Bahia até o Rio Grande do Sul). Prevalecia um abismo comunicacional e interativo entre as duas regiões, abismo esse transposto apenas ocasionalmente por figuras políticas, intelectuais e jornalistas.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Em 1877, uma devastadora seca atingiu o Norte, e a partir daí o elemento “seca” passa a ser indissociável da região. Os políticos nortistas passam a clamar a atenção do governo para os problemas das suas províncias/estados, ancorando-se justamente no discurso da seca e de que como o Norte era negligenciado pelo poder político baseado no Sul.</p>



<p>A forma como esse discurso vai sendo reforçado, definindo quais estados eram atingidos pela seca e quais não eram, é o que gradativamente vai estabelecendo a separação entre o Nordeste e o que futuramente virá a ser conhecido como o Norte. O primeiro uso da palavra “Nordeste” se dá em 1919, pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas (IFOCS). Trata-se de um discurso institucional que destaca essa área do restante do Norte do país por ser mais sujeita às estiagens e que, portanto, deveria receber especial atenção do governo federal.</p>



<p><em>(Embora, como vários amigos e conhecidos meus nordestinos já relataram, ainda há quem ache que Norte e Nordeste são tudo a mesma coisa.)</em></p>



<p>A imprensa tem um papel importantíssimo na configuração dos discursos e símbolos que permeiam o Nordeste. Jornalistas enviados ao longínquo Norte escrevem textos que ilustram seus estranhamentos e impressões, portando-se como enviados a áreas e povos exóticos. São esses estranhamentos e exotismos que vão ajudando a moldar a identidade “paulista” e “nordestina” – carregadas de contrapontos. Percebam, entretanto, como a identidade paulista é restrita a seu estado e nunca diz respeito à região da qual faz parte; enquanto isso, a identidade nordestina/nortista é genérica, homogênea, metonímica – traduz um todo em apenas uma parte.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">As diferenças entre essas identidades estão ancoradas num discurso majoritariamente eugenista. Para quem não sabe, eugenia é um termo criado pelo antropólogo inglês Francis Galton que significava “bem-nascido”. Nas palavras de Galton, a eugenia seria &#8220;o estudo dos agentes sob o controle social que podem melhorar ou empobrecer as qualidades raciais das futuras gerações seja física ou mentalmente&#8221;. Se você não acha a existência desse conceito minimamente controversa, basta dizer que ele foi parte fundamental da ideologia de supremacia e pureza racial dos nazistas que culminou no Holocausto.</p>



<p>Aqui no Brasil, a eugenia se fez presente no tratamento diferenciado e superior conferido aos imigrantes europeus, os quais se estabeleceram em sua maioria no Sul na iminência do contexto pós-abolição. A presença deles em São Paulo e nos demais estados reforçava a pureza da raça branca que se havia estabelecido na região, livre da miscigenação entre negros, índios e brancos que havia “contaminado” as populações nortistas. Te lembra alguma coisa?</p>



<p>Pois é, nossos personagens sudestinos em Bacurau repetem o que jornais já diziam há no mínimo um século. Cerca de 100 anos atrás, <em>O Estado de São Paulo </em>enviou Paulo Moraes de Barros à Juazeiro do Norte, no Ceará, para escrever uma série de artigos conhecida como “Impressões do Nordeste”. Segundo Barros, era a inferioridade racial dos nordestinos que justificava a violência e o fanatismo religioso que abundava por essas terras – e tanto uma quanto o outro serão parte fundamental do imaginário que até hoje é composto sobre o Nordeste.</p>



<p>Em seguida, o jornal publicou outra série de artigos, intitulada “Impressões de São Paulo”, onde buscava “evidenciar” a superioridade de São Paulo e de sua população, cujos traços europeus se sobressaíam no lugar da herança negra em decorrência da escravidão e tampouco indígena ou mestiça. Essa ascendência europeia e branca era digna de orgulho e supervalorização, sendo a base do progresso e do desenvolvimento paulista em detrimento das demais regiões.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/de62e-image2.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7342" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Daisy (Ingrid Trigueiro) e Damiano (Carlos Francisco)</em></figcaption></figure>



<p>E o que dizer do famoso Euclides da Cunha? Que ao escrever <em>Os Sertões </em>(sobre a guerra de Canudos, na Bahia) cunhou a famosa frase “o sertanejo é, antes de tudo, um forte&#8230;”, mas em sequência escreveu outra frase que é pouco conhecida: “&#8230; não tem o raquitismo exaustivo dos mestiços neurastêmicos do litoral”. Para o jornalista e escritor paulista, o sertão era um espaço onde a nacionalidade se mantinha intacta, livre das influências da civilização litorânea. Seria onde se mantinham escondidas as verdadeiras raízes brasileiras.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Assim, o Sul vai constituindo sua própria visão, pautada no exotismo e na superioridade racial, sobre o Norte/Nordeste. Isso, obviamente, gera reações dos nortistas e nordestinas, mas ainda é uma reação orientada a partir das elites intelectuais, econômicas e políticas.</p>



<p> O grande centro de produção dos discursos regionalistas pró-Nordeste é Recife, à época já uma das principais e mais populosas cidades do país. Para lá eram enviados os filhos dos líderes dos grupos político-econômicos dos estados vizinhos, com a Faculdade de Direito de Recife e o Seminário de Olinda servindo de locais de encontro dessas figuras intelectuais e de fomento de ideias.</p>



<p>É também em Recife que está sediada uma imprensa que possibilita a divulgação destas expressões regionalistas, visto que um jornal como o <em>Diário de Pernambuco </em>tinha uma área de cobertura que se estendia de Sergipe até Maranhão – e tal área de influência (que configurava até onde podia se veicular esses discursos) também é fator determinante do que se entenderá por Nordeste.</p>



<p>Autores como Gilberto Freyre se tornam referenciais importantes para a instituição de um discurso combativo ao que se dizia nos jornais sulistas: através de livros, artigos publicados em jornais e congressos regionais, ele e seus companheiros incitam a formação de uma região nordestina unificada contra os interesses e opiniões preconceituosas do Sul, nem que isso significasse eliminar os particularismos de cada estado nordestino para fortalecer a “comunhão regional”. Portanto, o discurso homogeneizado ainda presente no Nordeste até hoje também é fruto de estratégias de defesa e não apenas de uma visão xenófoba.</p>



<p>Mas Freyre e seus associados não deixam de ser filhos da aristocracia decadente da cana-de-açúcar, e eles cometem dois erros a meu ver absurdos: o primeiro de falarem de uma suposta “democracia racial”, como se as relações entre brancos, negros e índios no Nordeste e no país sempre tivessem sido pacíficas e cordiais (uma ideia tão mentirosa quanto a de que a miscigenação causava a inferioridade racial dos nordestinos); e o segundo de vincularem o Nordeste como um entorno da Zona da Mata, da “civilização do açúcar” cujo centro era Recife. Nos seus escritos, os sertões ganhavam pouco ou nenhum espaço.</p>



<p>Mas no fim das contas, foram os sertões que prevaleceram como a imagem definitiva do Nordeste. Porém, como eu disse, não foram apenas os sulistas e sudestinos que construíram esta visão; os intelectuais da nossa própria região tiveram grande contribuição. Seja na literatura (José Américo de Almeida, Raquel de Queiroz), na música (Luiz Gonaga), no cinema (Lima Barreto, Nelson Pereira dos Santos, Glauber Rocha), no teatro (Ariano Suassuna, Augusto Boal) ou na política. É o sertão arcaico, retrógrado, tradicionalista; dos fanáticos religiosos, dos cangaceiros, pistoleiros, da miséria, da ignorância, da caatinga, da terra seca, da falta d’água constante, dentre outros referenciais e símbolos.</p>



<p>São esses símbolos que Bacurau des(cons)trói no decorrer das suas pouco mais de 2h de duração. O filme nem precisaria incluir as tramas dos estadunidenses que já seria um estudo fascinante por si só na forma como mostra um sertão totalmente por fora das suas estereotipadas representações.</p>



<p class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Embora não seja um filme que se preste a ser um estudo de personagens (e onde alguns viram nisso uma falha, eu não vi, por entender que a proposta da obra seja justamente de trabalhar a coletividade), ele oferece o suficiente dos membros dessa comunidade para entendermos como eles quebram a noção de um sertão retrógrado e potencialmente preconceituoso. As questões de gênero e sexualidade são abraçadas de tal forma que é como se nem fosse mais necessário discuti-las: da personagem travesti Darlene que permanece de vigia na entrada da comunidade alertando a todos sobre quem está chegando (e parece viver uma relação poligâmica pacífica com outros dois homens), passando pela doutora Domingas (Sonia Braga) que vive num relacionamento aberto com outra mulher, e culminando em Lunga, ora referido como homem, ora como mulher, trajando vestimentas que fluem entre os dois gêneros e nem por isso ser menos viril, violento(a).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7353e-image3.jpeg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-7343" data-recalc-dims="1" /><figcaption><em>Lunga (Silvero Pereira)</em></figcaption></figure>



<p>Além disso, as lideranças da comunidade se dividem entre um pistoleiro (Pacote/Acácio) e um professor (Plínio). Este professor, assim como outros personagens, se vale livremente da tecnologia no seu dia-a-dia, mostrando como Bacurau como uma comunidade tecnológica e progressista, cuja vivência de resistência é o que lhe permite saber quando forças ocultas tentam invisibilizá-los para destruí-los. Afinal de contas, quem se importa com um povo que é massacrado todos os dias se sequer ouvimos falar dele?</p>



<p> Chega a ser curioso como num longa que retrata uma realidade local (para o mundo inteiro ver), Kleber Mendonça Filho e Juliano Dornelles se apropriem de linguagens e técnicas cinematográficas de alguns diretores estrangeiros. Talvez o principal homenageado seja John Carpenter, que não apenas é referenciado através da forma como a história ilustra o medo do desconhecido (como em <em>O Enigma do Outro Mundo)</em>, mas na trilha sonora – que conta com uma música autoral de Carpenter, intitulada “Night” – ou até na escola da comunidade chamada&#8230; “João Carpinteiro”. Há também um quê de Brian DePalma (no plano em que Darlene avisa da chegada dos motoqueiros em Bacurau), e a violência, no silencioso clímax da obra, é mais Sam Peckinpah do que Quentin Tarantino.</p>



<p> Porém, os diretores nunca traem a proposta do filme ao se tornarem meros imitadores e plagiadores. Eles fazem algo que a cultura brasileira sempre soube fazer bem: ressignificam, “antropofagizam” o exterior numa apropriação inteligente que conversa com a nossa realidade. Essa antropofagia de influências externas estava na Semana Moderna de 1922 e na Tropicália sessentista. É utilizada, inclusive, para valorizar a ancestralidade, tema que percorre o filme desde o funeral de Dona Carmelita até seu clímax, quando vemos, num belo <em>foreshadowing </em>do destino dos inimigos da comunidade<em>, </em>as cabeças decapitadas nas fotos do Museu de Bacurau, bem como os cangaceiros que fazem parte dessa ancestralidade.</p>



<p>Pois aqui, os cangaceiros, outrora ícones do atraso e da violência selvagem destes sertões sem lei, são motivo de orgulho e inspiração para o que se deve fazer aos que perturbam a existência dessa coletividade. “Bacurau” não nos dá respostas definitivas ao seu final. Outros estrangeiros poderão vir, outros estadunidenses “comuns” e obcecados pela sua cultura de armas e violência (a um nível até mesmo erótico) como os que servem de antagonistas ao longa. Não há respostas sobre se algum dia o Nordeste estará finalmente livre do estigma do sertão, da seca, da miséria, do cangaço, do atraso e da inferioridade.</p>



<p>Se existe alguma resposta, alguma mensagem, essa está nas palavras de Geraldo Vandré, músico baiano cuja música “Requiém para Matraga” dá o tom do final do filme e a palavra final:</p>



<p class="has-text-align-center"><em>Vim aqui só pra dizer<br>Ninguém há de me calar<br>Se alguém tem que morrer<br>Que seja pra melhorar</em></p>



<p class="has-text-align-center"><em>Tanta vida pra viver<br>Tanta vida a se acabar<br>Com tanto pra se fazer<br>Com tanto pra se salvar<br>Você que não me entendeu<br>Não perde por esperar</em></p>



<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Afinal de contas, somos gente e merecemos sermos tratados como tal.</p>



<hr class="wp-block-separator is-style-wide" />



<p><strong><strong><strong>Vinícius Oliveira Rocha</strong></strong> </strong> é um paulista de nascimento e baiano de coração que atualmente reside em Aracaju-SE, onde faz graduação em Jornalismo. É aficionado por cinema, música, literatura, TV, cultura pop e mobilidade urbana, e autor do livro de fantasia infanto-juvenil “O Destruidor de Mundos”.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/b537e-fotos-carol-copy.jpg11-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-6946" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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		<title>A Construção Histórica da Paisagem Cultural do Cariri</title>
		<link>https://revistatrama.artebodoque.com/2019/08/18/a-construcao-historica-da-paisagem-cultural-do-cariri/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 18 Aug 2019 21:50:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 010]]></category>
		<category><![CDATA[Brasil]]></category>
		<category><![CDATA[cariri]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Cultura Brasileira]]></category>
		<category><![CDATA[Dane de jade]]></category>
		<category><![CDATA[Nordeste]]></category>
		<category><![CDATA[pólo Cultural]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Dane de Jade</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-drop-cap">Na região do Cariri localiza-se a Chapada do Araripe, um planalto encravado nas fronteiras dos estados do Ceará, Piauí, Pernambuco e Paraíba. O território é de grande interesse ecológico por convergir os ecossistemas da mata atlântica, caatinga e cerrado. Abriga a primeira Floresta Nacional constituída pelo governo brasileiro (1946), com predominância de mata atlântica e água abundante, uma área de proteção ambiental (1997) e um Geopark (2006), este o mais importante depósito d fósseis do Brasil e um dos 10 maiores do mundo.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/15fa2-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.21.01.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1528" data-recalc-dims="1" /><figcaption><strong>Caminhos da Fé<br></strong><br>JUAZEIRO DO NORTE, CE, BRASIL, 02-11-2013: Ensaio Romaria de finados, caminho dos Romeiros do Padim Ciço. (Foto: Samuel Macedo)</figcaption></figure></div>



<p>Registra-se que a Região Cariri recebeu os primeiros visitantes não índios na última década do século XVII, quando a bandeira oriunda da província da Bahia chefiada pelos irmãos Lobato Lira, um padre e um frade capuchinho descobriram a cachoeira de Missão Velha, local de grande beleza natural onde começaram o processo de aldeamento e redução das etnias indígenas. Auspiciados pelo capuchinho Frei Carlos Maria de Ferrara, os colonos teriam prosseguido expedições subindo o curso do rio salgado até atingirem o riacho Itaitera (na linguagem dos índios cariris, “água que corre entre as pedras”), nas margens do qual fundaram a Missão do Miranda, que tornar-se-ia o maior aldeamento da região e que originou o município de Crato.</p>



<p style="background-color:#ba8b0a" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">A fertilidade dos solos, a presença dos recursos hídricos e a mão escrava de índios e negros no cultivo da cana-de-açúcar, mandioca e cereais transformaram a Missão do Miranda em um povoado próspero.</p>



<p>Diversos levantes populares vivem na memória Cariri, o de maior destaque a revolta de 1817 comandada por Bárbara de Alencar, rica fazendeira e avó do escritor José de Alencar. Bárbara e seus aliados sublevaram a população e proclamaram uma República que teve a duração de oito dias, desmantelada pelo exército do governo monárquico. O Cariri vivenciou conflitos religiosos e políticos de significativa relevância para constituição do nordeste brasileiro.</p>



<p>Ponto de encontro de ecossistemas, povos, culturas e de vitalidade nas práticas religiosas, os cariris vivem a memória, valores e fundamentos éticos de missionários como Padre Cícero, Padre Ibiapina, Antônio Conselheiro e Beato José Lourenço, folguedos, artesanatos e festejos populares, bem como estão os remanescentes arquitetônicos da obra civilizatória erguida pelos missionários e seus beatos. Nos municípios que constituem esse cariri ainda resistem patrimônios que são fundamentais para reconstrução da memória do povo do nordeste, como as casas de caridade fundadas por Padre Ibiapina na primeira metade do século XIX em quase todo território nordestino, as fontes curativas do Caldas, o roteiro da fé do Padre Cícero, as ruínas do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto, Serra da Capivara no Piauí, Vale do Catimbau em Pernambuco, entre outros conjuntos valiosos para a memória nacional. Embora seja grande o potencial para a prática e difusão de uma cultura ecocidadã de conhecimento e valorização da diversidade cultural, os cariris atravessam crise ambiental e de identidade cultural relacionada à destruição de recursos naturais, dissolução de seu patrimônio material e imaterial.</p>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col"><figure class="tiled-gallery__item"><a href="https://bodoqueonline.art.blog/?attachment_id=1530"><img decoding="async" srcset="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.29.33.png?strip=info&#038;w=600&#038;ssl=1 600w,https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.29.33.png?strip=info&#038;w=900&#038;ssl=1 900w,https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.29.33.png?strip=info&#038;w=1155&#038;ssl=1 1155w" alt="" data-height="768" data-id="1530" data-link="https://bodoqueonline.art.blog/?attachment_id=1530" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/52f5f-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.29.33.png" data-width="1155" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.29.33.png?ssl=1" /></a></figure><figure class="tiled-gallery__item"><a href="https://bodoqueonline.art.blog/?attachment_id=1532"><img decoding="async" srcset="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.32.41.png?strip=info&#038;w=600&#038;ssl=1 600w,https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.32.41.png?strip=info&#038;w=900&#038;ssl=1 900w,https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.32.41.png?strip=info&#038;w=1154&#038;ssl=1 1154w" alt="" data-height="768" data-id="1532" data-link="https://bodoqueonline.art.blog/?attachment_id=1532" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/7f184-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.32.41.png" data-width="1154" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.32.41.png?ssl=1" /></a></figure></div><div class="tiled-gallery__col"><figure class="tiled-gallery__item"><a href="https://bodoqueonline.art.blog/?attachment_id=1533"><img decoding="async" srcset="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.33.27.png?strip=info&#038;w=512&#038;ssl=1 512w" alt="" data-height="768" data-id="1533" data-link="https://bodoqueonline.art.blog/?attachment_id=1533" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8b56c-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.33.27.png" data-width="512" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.33.27.png?ssl=1" /></a></figure></div></div></div></div>



<p style="text-align:center" class="has-small-font-size"><em><a href="https://www.flickr.com/photos/samuellmacedo/with/27733521413/">Fotografias por: Samuel Macedo</a></em></p>



<p>Conhecido também como “caldeirão efervescente da cultura”, o cariri (Paraibano, pernambucano, cearense e piauiense) se destaca na paisagem simbólica brasileira enquanto espaço composto por uma imensa pluralidade de práticas socioculturais, religiosas, saberes, fazeres, celebrações e formas de expressões oriundas dos estados nordestinos, que convergem para potencializar a diversidade das constantes identidades que surgem da miscigenação de povos vindos dos quatro cantos do país.</p>



<p>Não é possível desconsiderar a relação entre o Cariri e a cultura, sobretudo a chamada cultura popular, expressa em manifestações como lapinhas, reisados, maneiro pau, bacamarteiros, caretas, bandas cabaçais, diversas espécies de côco, além de contar com um rico artesanato e uma deliciosa gastronomia. O Cariri é considerado, também, como o berço da xilogravura e do cordel. A cultura popular torna-se um elemento central para a unificação dos cariris, como elemento síntese, a partir da constituição da ideia de que a região é um “celeiro de manifestações culturais”.</p>



<p>A povoação do Cariri pelo homem branco, se deu no chamado ciclo do couro, através de vaqueiros oriundos da Bahia que iam adentrando os sertões à procura de mais terras para criar o gado, plantar pasto, neste encontro se deu os primeiros registros de baianos em terras cariris, um legado interessante que reuniu índios, brancos e negros, forjando uma história por meio de intercâmbios e vivências em pleno sertão nordestino, onde tínhamos toda espécie de registro artístico, desde as pinturas rupestres, aos mitos e lendas. Nesse contexto, contemporaneamente, surge um novo encontro entre os cariris pernambucano, cearense, piauiense e paraibano, trazendo novas possibilidades para construção de redes colaborativas.</p>



<div class="wp-block-image"><figure class="aligncenter size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.42.15.png?fit=606%2C404&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1536" /><figcaption><em><a href="https://www.flickr.com/photos/samuellmacedo/with/27733521413/">Fotografia por: Samuel Macedo</a></em></figcaption></figure></div>



<p style="background-color:#ac810c;font-size:40px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">A Civilização dos Beatos</p>



<p class="has-drop-cap">A expressão cultural “Civilização dos Beatos” refere-se ao potencial de desenvolvimento existente na região do Cariri, a partir da identificação das memórias dos beatos relacionadas às culturas, às diferentes visões sobre os acontecimentos na existência dos beatos e sua importância para a história dos cariris paraibano, cearense, piauiense e pernambucano. Se faz urgente um diagnóstico profundo dos espaços construídos a partir do pensamento dos beatos, contendo itens específicos para o levantamento das suas trajetórias com situação antes e depois das suas existências, bem como sua relação com as comunidades, reconhecendo as políticas de valorização cultural na concepção dos beatos como elemento fundamental para o desenvolvimento regional.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.43.56.png?fit=606%2C404&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1538" /><figcaption><em><a href="https://www.flickr.com/photos/samuellmacedo/with/27733521413/">Fotografia por: Samuel Macedo</a></em></figcaption></figure>



<p>O conceito de Civilização dos Beatos foi elaborado para dar conta da grandiosidade dessas figuras emblemáticas que atuaram na região que compõe o Cariri paraibano, cearense, piauiense e pernambucano, realizando uma obra ancorada na fé e no trabalho, desmistificando a atuação de beato como o pedinte, miserável e desprovido de pedagogia como coloca Xavier de Oliveira em seu livro Beatos e Cangaceiros. Articular um pensamento que coloca os beatos e todo seu legado como grandes responsáveis pela instituição do nordeste brasileiro num território que conjuga desenvolvimento, organização social, patrimônio material e imaterial e paisagem simbólica, é reconhecer um ambiente gerado pelo sistema de trocas, que favorece um estudo aprofundado e uma grande reflexão sobre as práticas para o avanço de territórios em formação. Necessário se faz dar voz as ações desses beatos e suas formas de organização do espaço, na busca de estabelecer um roteiro de memória para fruição das comunidades e estruturação da região. Nessa busca, é preciso partir de questões como planejamento, gestão, estruturação, fomento e acesso, regulamentar as políticas públicas de cultura para influir diretamente na questão do desenvolvimento regional a fim de contribuir para a região, estruturando seu desenvolvimento com base nas narrativas, depoimentos, fotografias, documentos, entrevistas, livros, jornais, dentre outros meios de pesquisa e comunicação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.46.30.png?fit=606%2C403&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-1540" /><figcaption><em><a href="https://www.flickr.com/photos/samuellmacedo/with/27733521413/">Fotografia por: Samuel Macedo</a></em></figcaption></figure>



<p style="background-color:#ac810c;font-size:40px;text-align:center" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">O Cariri Contemporâneo:</p>



<p class="has-drop-cap">O Cariri sempre foi uma passagem singular de povos ancestrais que deixaram como legado uma cultura pujante e única, ambiente onde a cultura e a biodiversidade formam um quadro de inestimável valor para a humanidade. Em seu território solidificou-se uma cultura original, em que a presença indígena perpetuou-se por meio de pessoas e grupos que cantam, dançam e mantém, através da oralidade, a sabedoria do homem kariri.</p>



<div class="wp-block-jetpack-tiled-gallery aligncenter is-style-rectangular"><div class="tiled-gallery__gallery"><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.49.03.png?strip=info&#038;w=511&#038;ssl=1 511w" alt="" data-height="767" data-id="1541" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1541" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/82c6e-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.49.03.png" data-width="511" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.49.03.png?ssl=1" /></figure></div><div class="tiled-gallery__col"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.49.42.png?strip=info&#038;w=600&#038;ssl=1 600w,https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.49.42.png?strip=info&#038;w=900&#038;ssl=1 900w,https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.49.42.png?strip=info&#038;w=1021&#038;ssl=1 1021w" alt="" data-height="680" data-id="1542" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1542" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1d4eb-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.49.42.png" data-width="1021" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.49.42.png?ssl=1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.50.22.png?strip=info&#038;w=600&#038;ssl=1 600w,https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.50.22.png?strip=info&#038;w=900&#038;ssl=1 900w,https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.50.22.png?strip=info&#038;w=1151&#038;ssl=1 1151w" alt="" data-height="766" data-id="1543" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1543" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/25dcb-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.50.22.png" data-width="1151" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.50.22.png?ssl=1" /></figure><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.51.00.png?strip=info&#038;w=600&#038;ssl=1 600w,https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.51.00.png?strip=info&#038;w=900&#038;ssl=1 900w,https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.51.00.png?strip=info&#038;w=1151&#038;ssl=1 1151w" alt="" data-height="766" data-id="1544" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1544" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/3bda1-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.51.00.png" data-width="1151" src="https://i1.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.51.00.png?ssl=1" /></figure></div></div><div class="tiled-gallery__row"><div class="tiled-gallery__col"><figure class="tiled-gallery__item"><img decoding="async" srcset="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.51.39.png?strip=info&#038;w=511&#038;ssl=1 511w" alt="" data-height="768" data-id="1545" data-link="https://atomic-temporary-162935141.wpcomstaging.com/?attachment_id=1545" data-url="https://tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bc2c1-captura-de-tela-2019-08-18-as-10.51.39.png" data-width="511" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/08/Captura-de-Tela-2019-08-18-às-10.51.39.png?ssl=1" /></figure></div></div></div></div>



<p style="text-align:center" class="has-small-font-size"><em><a href="https://www.flickr.com/photos/samuellmacedo/with/27733521413/">Fotografias por: Samuel Macedo</a></em></p>



<p>Imersos nos bolsões urbanos uma profusão de artistas inspiram-se nas fontes ancestrais desse imenso Cariri. Um Cariri contemporâneo, matreiro, que converge para a virtualidade, que tem pressa e tem dívida com o futuro.</p>



<p>Pensar e agir coletivamente, em escala crescente, do comunitário ao municipal, do regional ao nacional, entende-se que se faz necessário a estruturação de um processo sólido e sustentável de desenvolvimento, ao levar em conta a profunda organicidade entre meio-ambiente, pessoas e cultura.</p>



<p>Não aceitar a lógica devastadora do mercado, a pasteurização de atividades por pressões advindas da massificação da cultura e, sobretudo, não aceitar a perda da identidade e o abandono sistemático das tradições, das expressões artísticas e grupos culturais.</p>



<p style="background-color:#ba8900" class="has-text-color has-background has-very-light-gray-color">A cultura é um direito fundamental, é preciso entendê-la em sua dimensão maior &#8211; o povo fazendo seu caminho pela vida, pela sua história e pela sua memória. É preciso fazer valer a Constituição Brasileira, que estabelece que o poder público deve garantir a todos os cidadãos brasileiros o pleno exercício dos direitos culturais.</p>



<p>A cultura e as artes sempre foram meios fundamentais para o desenvolvimento das sociedades e passo decisivo para a integração dos povos de todos os cantos. Que essa integração seja cada vez mais significativa, pois é por meio desse intercâmbio que pode-se confrontar, debater ideias e descobrir caminhos para que novas gerações possam desfrutar de conhecimentos e descobrir novas possibilidades para um mundo mais digno e democrático. O Cariri é esteio dessa discussão, promovendo, sobretudo, um espaço cultural que estabelece relações em diversos campos para desenvolver políticas de produção, gestão e realização artística.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Dane de Jade</strong>&nbsp;é curadora, atriz-pesquisadora, produtora, arte-educadora, radialista e gestora cultural. Graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Regional do Cariri &#8211; URCA, cursou também arte-educação na URCA, pós-graduação em Gestão Estratégica nas&nbsp;organizações de Terceiro Setor na Universidade Estadual do Ceará – UECE, Gestão Cultural pela Universidade Federal do Cariri – UFCA, Arte Educação pela Universidade Regional do Cariri &#8211; URCA e Doutoranda em Turismo, Lazer e Cultura pela Universidade de Coimbra em Portugal. Dirigiu o Departamento de Promoção, difusão e Ação Sócio-Cultural da Fundação Cultural J. de Figueiredo Filho em Crato-CE, fomentou a&nbsp;criação e gerenciou o Programa Cultura do SESC Ceará onde criou e coordenou, entre outros projetos, a Mostra SESC Cariri de Culturas. Foi a responsável pela curadoria do projeto “Traga a França para os meus versos e leve os meus versos para França”, dentro da programação do Ano França/Brasil na Universidade de Poitiers e criou a Mostra SESC Luso-Brasileira, em Coimbra/Portugal. Por 13 anos foi a curadora representante do Ceará nos projetos Palco Giratório &#8211; Rede Nacional de Difusão e Intercâmbio das Artes Cênicas e Sonora Brasil &#8211; Formação de Ouvintes Musicais. Sócio-fundadora da Ong BEATOS &#8211; Base Educultural de Ação e Trabalho de Organização Social. Realiza palestras e oficinas sobre Gestão Cultural em diversas regiões do país. Vencedora do Prêmio Claudia 2012 (maior premiação feminina da América Latina realizada pela editora Abril) na categoria Cultura. Atuou como Membro do Conselho Estadual de Cultura do Ceará, consultora da Associação Teatro da Boca Rica e Professora convidada do Curso de Gestão Cultural do CPF – Centro de Pesquisa e Formação do SESC SP. Desenvolve trabalhos e pesquisa na área de tradição popular. Secretária de Cultura do Município de Crato (2013-2016). Coordenadora do Escritório Regional de Cultura Cariri/SECULT CE e Escola Vila da Música Monsenhor Ágio Augusto Moreira.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Referências:</strong></p>



<p>Barbalho, Alexandre – <strong>A Modernização da Cultura: Políticas para o Audiovisual nos Governos Tasso Jereissati e Ciro Gomes</strong> (Ceará/ 1987-1998). / Alexandre Barbalho. – Fortaleza: Imprensa Universitária, 2005.<br></p>



<p>Benhamou, Françoise. <strong>A Economia da Cultura. </strong>Tradução: Geraldo Erson de Souza. São Paulo: Ateliê Editorial, 2007.</p>



<p>Bernard, François de. <strong>Por Uma Definição do Conceito de Diversidade Cultural.</strong> In: Brant, Leonard (Org.) <strong>Diversidade Cultural. Globalização e Culturas Locais: Dimensões, Efeitos e Perspectivas.</strong> São Paulo: Escrituras Editora/Instituto Pensarte, 2005.</p>



<p>Brasil. Ministério da Cultura. <strong>Caderno “Diretrizes Gerais Para o Plano Nacional de Cultura”</strong>. 2. Ed. Brasília: Minc, 2008</p>



<p>Coelho, Teixeira, 1944 – <strong>A cultura e seu contrário: cultura, arte e política pós – 2001</strong>/ Teixeira Coelho. – São Paulo: Iluminuras: Itaú Cultural, 2008.</p>



<p>Furtado, Celso. <strong>Cultura e Desenvolvimento em Época de Crise.</strong> Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1984.</p>



<p>Geertz, Clifford, 1926 – <strong>A Interpretação das Culturas</strong> / Clifford Geertz. – 1.ed. – [Reimpr.] – Rio de Janeiro: LTC, 2012.</p>



<p>Leitão, Cláudia (Org.) – <strong>Gestão Cultural: significados e dilemas na contemporaneidade.</strong> Cláudia Leitão (Org.) In &#8211; Fortaleza: Banco do Nordeste. 2003.</p>



<p>Lustosa da Costa, F. <strong>Plano de Ação da Bacia Cultural do Araripe para o<br> Desenvolvimento Regional.</strong> Fortaleza: Secult, 2006.</p>



<p>MARQUES, Roberto. <strong>Contracultura, tradição e oralidade. </strong>(Re) inventando o sertão nordestino na década de 70. Fortaleza: Anablume, 2004.</p>



<p>Ortiz, Renato, 1947 – <strong>Cultura brasileira e identidade nacional</strong> / Renato Ortiz. – 5ª ed. – São Paulo: Brasiliense, 1994.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://data.unicef.org/topic/child-survival/under-five-mortality/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0449c-foto-carol4.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-1522" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-small-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Mortality rates among older children and&nbsp;<a href="https://data.unicef.org/topic/child-survival/child-mortality-aged-5-14/">young adolescents</a>&nbsp;(aged 5-14) also dropped by more than 50 per cent since 1990, yet almost one million children died in this age group in 2017 alone.</em>                                                                                                                      <strong>UNICEF, 2018</strong></p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/33ea3-sem-titulo-6-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-828" data-recalc-dims="1" /></a><figcaption><strong>Visite nossa loja virtual!</strong></figcaption></figure>
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