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	<title>Arquivos O sorriso do Padre - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>6. O Sorriso do Padre</title>
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		<pubDate>Sun, 03 Nov 2019 20:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 001, N 021]]></category>
		<category><![CDATA[Em Tempos de Estricnina]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Por: Darlan Lula</p>
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<p class="has-drop-cap">Foi em 1993. Já havia um ano que
ele se encontrava internado no Colégio Dom Bosco, nas proximidades do então
distrito de Ouro Preto chamado Cachoeira do Campo. Gostava de andar por entre
as árvores do bosque, percorrer as trilhas de terra do grande pomar que havia
nos fundos do refeitório, nadar nas cachoeiras do Rio Maracujá, traçando
caminhos misteriosos como um túnel repleto de morcegos edificado sob uma
ferrovia. Havia se adaptado, embora a falta da família batesse forte em seu
coração de apenas 12 anos. Sabia que ali estaria sozinho, que teria que se
virar, se desdobrar para aguentar a solidão e a falta do lar por longos meses.
O alento era saber que não estava sozinho, poderia arrumar amigos, pois o
colégio abrigava mais de cem internos; há mais de um ano aquela já era sua
casa, onde poderia sentar na escadaria no alto do morro, em frente ao casarão
histórico do antigo Regimento Regular de Cavalaria de Minas, e observar os
carros passando lá embaixo na rodovia, numa sinfonia natural com o silvar do
vento nas árvores e a estridulação dos insetos. Num final de semana em que
havia poucos internos, pois muitos moravam em cidades circunvizinhas e podiam
viajar, os poucos que restaram observavam ao anoitecer as estrelas surgindo num
céu sem nuvens, próximo ao mausoléu, ao lado do Anfiteatro, erguido com uma
imponente torre, um sino no alto, perdido no tempo, e uma fachada <em>art déco</em> simples, porém elegante. Estavam
com o padre recém-chegado, carinhoso, educado, permissivo, qualidades à época
que o garoto encontrava em sua fisionomia bonachona, cabelos escorridos, ralos
e lambidos, nariz aquilino envolto em uma pele branca sebosa, andar resoluto,
braços proeminentes atirados para o lado e mãos gordas. Sentia que o padre
gostava dele. Inocente que era, descobrindo a vida, aquela casa era o seu único
refúgio. E lá estavam eles olhando para o céu, identificando as estrelas e os
satélites que percorriam caminhos seguros e constantes, dando a volta em um
mundo que ele mal conhecia. O restante dos garotos foi jogar bola na quadra em
frente; e ele e o padre se sentaram num muro baixo, um ao lado do outro,
colados, pois uma das mãos do sacerdote envolvia seu corpo franzino. Ele estava
feliz, mas estranhou quando o padre percorreu a mão pelas suas costas, debaixo
da sua blusa, em contato com sua pele, e desceu com seus dedos salientes sob
sua bermuda. Ficou paralisado. Não tinha noção da vida, não tinha noção de nada
relacionado àquilo. E o padre sorriu.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i2.wp.com/blog.artebodoque.com/wp-content/uploads/2019/11/Colégio-Dom-Bosco-foto-Darlan-Lula-1.jpg?fit=606%2C455&amp;ssl=1" alt="" class="wp-image-4239" /><figcaption>Colégio Dom Bosco &#8211; foto Darlan Lula</figcaption></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>Darlan Lula</strong>  é doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense. Escritor, autor de cinco livros, entre prosa e poesia.&nbsp;<a href="http://www.darlanlula.com.br/">www.darlanlula.com.br</a> </p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/5b980-5-3.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2452" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na Imagem acima e acesse a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/c5197-photo5184098730150832149.jpg?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-2476" data-recalc-dims="1" /></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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