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	<title>Arquivos ordinário - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>A Memória, uma arte</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Jun 2020 21:34:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 050]]></category>
		<category><![CDATA[Kariston França]]></category>
		<category><![CDATA[Memória]]></category>
		<category><![CDATA[ordinário]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Kariston França</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O ordinário é o novo extraordinário.</p>



<p>Quão relevante você pensou que fosse a vida do caixa operador da mercearia da Dona Rute aí na sua rua?</p>



<p>Em tempos de pandemia e de crises econômicas e políticas, o ordinário se prova extraordinário, mais uma vez.</p>



<p>No início da Pandemia, o Google colocou imagens agradecendo ao trabalho de pessoas dos setores de alimentação (em toda a sua trajetória da produção até as prateleiras), da saúde e da educação.</p>



<p>Mas desses três, dois acabam tendo maior destaque &#8211; a saúde e a educação -, mesmo que ambos também sofram com o descaso e uma certa desvalorização por parte dos governantes.</p>



<p>O que me motiva a escrever este texto, em uma pandemia, comemorando um ano de uma revista que mudou a minha vida, é o repositor das gôndolas do mercado, o prestador de serviços gerais que mantém a solução de cloro no tapete para que você possa acessar o estabelecimento com maior segurança.</p>



<p>Esse texto é de certa forma, uma homenagem aos meus colegas de trabalho e aos demais que vivem de modo extraordinário, pois vivem extraordinariamente no ordinário.</p>



<p>Eu tenho uma memória de quando fui trabalhar no supermercado; muito discurso de que isso não era o que estava relacionado à minha capacidade ou formação. Eu digo algo: quem aqui consegue trabalhar na sua formação?!</p>



<p>Poucos.</p>



<p>Mas este é um ponto.</p>



<p>O que eu quero ressaltar brevemente é a dualidade entre o essencial e o supérfluo tido como essencial por algumas pessoas.</p>



<p>A precarização do trabalho.</p>



<p>As histórias nos livros e filmes apresentam sempre o herói surgindo de uma tragédia, de um momento de desilusão, escassez. O herói vem como um baluarte de esperança de que se pode viver algo melhor, mais justo, em algum momento.</p>



<p>Enquanto hospitais, mercados e farmácias resistem &#8211; às vezes aos trancos e barrancos &#8211;&nbsp; para cuidar de seus funcionários e atender com segurança aos seus clientes, outras pessoas insistem em negar a periculosidade do vírus que nos aprisiona em nosso próprio canto de paz, refúgio em meio ao caos, nossas casas.</p>



<p>O que é essencial é a satisfação de nossos desejos, nossos delírios e o exercício do poder que tenho conquistado graças a estabilidade financeira que alcancei &#8211; <em>Deixo claro que eu, o autor deste texto, estou longe de afirmar este parágrafo, mas vejo isso navegando pelas redes</em> &#8211; ou seja, o essencial é que quem tem a possibilidade, continue dando festas, se reunindo com os amigos, fazendo churrasco e indo em seus bares favoritos que estão reabrindo, pois:</p>



<p class="has-text-align-right"><strong>&nbsp;“ a queda da economia vai </strong><br><strong>matar mais do que essa </strong><br><strong>gripezinha ” </strong><br>&#8211;&nbsp; síntese minha diante das ações do governo.</p>



<p>Verdade seja dita, a pandemia revelou mais sobre o quão destruída nossa sociedade está, e o quão sombrio é de fato o nosso futuro.</p>



<p>Mas isso não é o fim, parafraseando uma <a href="https://www.youtube.com/watch?v=5tHIRZgfWqE">banda muito boa</a>, porque &#8220;o fim é o começo&#8221;.</p>



<p>Talvez o fim de uma er seja o despertar de um novo senso de pertencimento, de cumplicidade, de compaixão. Afinal, o mundo está acabando, e ainda vemos gestos nobres de uns para com os outros, que nos despertam para um novo começo.</p>



<p>Vislumbrando a queda de estátuas que marcam opressores da história, exploradores das vidas inocentes, vemos &#8220;empresários de sucesso&#8221; se portando como abutres, justificando trabalho em meio a uma crise global de saúde.</p>



<p>A arte sobreviveu e contou histórias sobre resistência, dor e amor.</p>



<p>A resistência natural da vida diante das adversidades me remete a memória como a força que impulsiona a humanidade a se reinventar.</p>



<p>A memória nos ensina que não podemos colocar a mão no fogo ou na tomada; que não podemos nos entregar a algumas vontades porque essas mesmas vontades nos fizeram sofrer no passado.</p>



<p>A memória é extremamente importante.</p>



<p>Mas ela tem sido reprogramada, quando passa a ver números e não pessoas, ou quando olhamos comércios essenciais e não agradecemos ao sacrifício daqueles que estão ali se arriscando, se expondo.</p>



<p>Veja essa situação: o seu vizinho deu festa a quarentena inteira, saiu sem máscara e só colocou a máscara pra entrar no mercado e passar o cartão ou dar dinheiro pra levar os mantimentos da próxima festa. O contágio está ali, o problema está ali.</p>



<p>Quando a nossa memória deixa de ver um indivíduo e passa a ver números, ou mesmo não ver número nenhum, nós nos tornamos cúmplices da morte, do esquecimento, da opressão.</p>



<p>A memória de hoje que construo é a de pessoas, humanas, gente como você, que se coloca à disposição do combate a esse vírus, às vezes voluntariamente, outras vezes porque o seu trabalho é essencial para a sociedade.</p>



<p>A memória é dos que já morreram, na linha de frente, na porta da frente, na calçada do lado, e daqueles soldados desconhecidos lutando por <strong>igualdade</strong> e <strong>dignidade</strong>.</p>



<p>A memória é que esse vírus nos lembrou o que a tecnologia nos reprime constantemente; nos tornamos insensíveis quando mergulhamos nas relações tecnológicas: elas simulam, mas não são.</p>



<p>Insensíveis como no filme Equilibrium, onde a emoção é a causa da guerra, mas a ausência dela é a origem da morte do diferente, do inusitado, da surpresa, da aleatoriedade.<strong> A ausência de sentimento é a morte da vida</strong>.</p>



<p>Hoje então, com 50 edições, eu fico refletindo no tipo de memória que estou produzindo, e quero dizer: hoje eu quero construir um monumento aos soldados desconhecidos, aos amigos caídos no combate ao Covid (e ao governo fascista).</p>



<p>Hoje, ergo memorial aos mais de 50 mil conhecidos, mas também aos desconhecidos na subnotificação.</p>



<p>Hoje, ergo memorial aos meus amigos nas lojas, aos que estão nos hospitais, aos que protestam. Ergo memorial a vocês, soldados da democracia.</p>



<p>Não desistam. Resistam. Ocupem. Denunciem. Lembrem-se daqueles que estão nos oprimindo e sugando de nós o resto de sanidade e esperança.</p>



<p>Porque a terra não é plana; ela dá voltas. E na volta certa, a justiça recairá sobre os mandantes e seus carrascos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:32% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/04/b5310-bio-ka.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-8637" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong>Kariston França</strong> </strong></strong>é apaixonado por pizza, e nas horas vagas atua como entusiasta da teologia pública.</p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/viajeronima/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/08/0a796-galeriacadi3-1021x1024-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10540" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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