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	<title>Arquivos orixá - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Dia de colo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2020 21:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 055]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[orixá]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>&#8220;<em>26 de julho é dia de Nanã</em>&#8220;, orixá anciã, senhora da vida e da morte, que vibra na lama dos pântanos, dos manguezais e do fundo do mar. Ela é a &#8220;Grande Mãe&#8221;, o útero de onde viemos e para onde um dia retornaremos. No nosso país, Nanã foi sincretizada com Nossa Senhora de Sant&#8217;Ana, mãe de Maria e, portanto, avó de Jesus Cristo. Por isso, &#8220;<em>26 de julho é dia de Nanã</em>&#8220;, mas é também o &#8220;dia dos avós&#8221; (uma invenção recente, parece&#8230;).&nbsp;</p>



<p>E que figuras adoráveis são os avós, não é mesmo? Sorridentes, amáveis, carinhosos, sempre prontos para fazer mais um mimo, mais um agrado, um afago&#8230; Em geral é assim, eu acho. Há uns mais sérios, é verdade, mas acredito que esses sejam exceções. A regra, bastante polêmica, aliás, é: &#8220;pai e mãe têm que ensinar; avô e avó têm que estragar&#8221;.&nbsp;</p>



<p>A &#8220;regra&#8221; é, sim, &#8220;polêmica&#8221;, mas de sua existência ninguém duvida: tem muita gente por aí pensando e agindo assim. Por que será? Tenho uma hipótese e vou compartilhá-la. Antes, porém, tenho que fazer uma ressalva importante: aqui vai a minha, e só minha, opinião. Como não poderia deixar de ser, ela está fortemente ancorada nas minhas experiências de vida e na tremenda sorte que eu tive em relação aos meus avós. Por isso talvez o que eu diga a seguir não faça muito sentido para algumas pessoas que&nbsp; lerão este texto. Lamento muito&#8230;</p>



<p>Voltando ao ponto: por que será que tem tanta gente que acredita que &#8220;avô e avó têm que estragar os netos&#8221; com mimos, agrados, afagos etc, etc??? Pode ser porque as pessoas em geral entendem que o amor dos avós é (em tese) mais livre do peso da responsabilidade com o sustento e a educação da criança. Uma vez liberto, esse amor se expande, toma conta da criatura (o avô/ a avó) e transborda, não se contém. É mesmo como o rompimento de uma represa: na condição de pais, o senso de responsabilidade acaba represando um pouco o tanto de amor que a pessoa, tornada avô/ avó, vai ser incapaz de conter em si mesma. Aí já viu: enxurrada certa.</p>



<p>Acho que esse &#8220;amor-de-enxurrada&#8221; se manifesta de duas maneiras bastante claras: uma é a generosidade (com suas várias feições possíveis, da permissividade nociva à grandeza austera de saber dizer &#8220;não&#8221; na hora certa); a outra é a esperança.</p>



<p>Tive a sorte de ter avós generosos. Ouso até dizer que na medida certa, porque permissivo nenhum deles jamais foi. Comemoraram meu nascimento, me fizeram dengos, foram às minhas festas na escola, procuraram saber sobre minhas notas, ouviram quietos as queixas dos meus pais quando fiz bobagens, me deram conselhos&#8230; Hoje nenhum deles está mais neste plano, mas Deus me deu a graça de poder acompanhar quase todos eles em seus momentos finais e, não só por isso, mas por isso também, acho que posso dizer que fui um bom neto. Só acho.</p>



<p>&nbsp;Porque certeza mesmo eu tenho é de que nenhum dos meus avós se preocupava com isso. Quero dizer, nenhum dos três (só conheci uma das minhas avós) tinha a mínima dúvida de que eu era um bom neto; isso era ponto pacífico. Mas na cabeça deles o buraco era muito mais embaixo: a esperança deles, firme e inabalável, era a de que eu, de que todos nós, seus netos, nos tornaríamos pessoas boas, homens e mulheres dignos, honestos, corretos. Como eles próprios, meus avós, foram durante toda a vida. Era essa esperança que os alimentava,&nbsp; que justificava seus dias e enchia de brilho seus olhares a cada vitória de um de seus netos, por menor que fosse. Porque, para o avô/ a avó, ninguém é melhor, nem mais bonito, nem mais esperto, nem mais rápido, nem mais qualquer coisa (boa, claro!) que seu netinho/ sua netinha. Porque, para os próprios netos, os avós, em geral, são só generosidade e esperança. De novo: lamento muito por quem não vê/ sente sentido nisso tudo.</p>



<p>Nanã, Nossa Senhora de Sant&#8217;Ana&#8230; são expoentes desse amor-de-enxurrada das mães de nossas mães, nossas avós&#8230; Nelas, em Nanã e em Sant&#8217;Ana, a generosidade e a esperança são maiúsculas: são Indulgência e Fé. Indulgência é o amor que a tudo perdoa; Fé, é a esperança que, de tão concreta, virou certeza, realidade, fato consumado. Dia após dia, em cada pântano, em cada manguezal, no fundo de todos os mares do mundo, da lama de Nanã brota a vida, ressurge o alimento que a cópula das marés com a terra esconde das aves para dar aos peixes, depois às aves de novo, e aos peixes outra vez&#8230; Dia após dia, a cada &#8220;Ave Maria&#8221;, cristãos de muitas filiações louvam a mãe de Jesus e assim, quase sempre sem perceber, adoçam a boca de Sant&#8217;Ana, mãe de Nossa Senhora, e ela do céu sorri para o devoto de sua filha, para o irmão de seu neto, logo, neto dela também.</p>



<p>&#8220;<em>26 de julho é dia de Nanã</em>&#8220;, é dia de louvarmos e agradecermos à Grande Mãe, aquela que nos deu a vida e, porque nos ama, sempre nos perdoa; aquela que, por confiar em nós, mesmo sabendo o quanto ainda somos pequenos e inacabados, o quanto ainda estamos presos ao lodo de uma existência escorregadia e cheia de armadilhas, ainda assim ela nos apoia, sorri para nós, nos estende os braços e, no momento final, nos acolhe.</p>



<p>&#8220;<em>26 de julho é dia de Nanã</em>&#8220;. É dia de, com toda Fé, <em>tirarmos os dois pés do chão</em>, voltarmos a ser crianças, e nos abandonarmos de novo no uterino colo amoroso de nossa vovó.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:33% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8a816-luciano-3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11141" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:19px"><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência (<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>)</p>
</div></div>



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência (<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>)</p>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/07/d64c5-begaleria1-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10809" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Clique na imagem para acessar a loja virtual da Bodoque!</p>
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		<title>Doulagem e Oxum: O nascimento do orixá.</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 26 Jul 2020 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 055]]></category>
		<category><![CDATA[Ariadne Bedim]]></category>
		<category><![CDATA[Doula]]></category>
		<category><![CDATA[orixá]]></category>
		<category><![CDATA[Oxum]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Ariadne Bedim</p>
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<p class="has-drop-cap">Oxum (do iorubá Òşun) é uma orixá com o mesmo nome do rio que corre na Nigéria, em Ijexá e Ijebu. Ela é a força da Mulher-Mãe. Orixá das águas, do amor e da fecundidade/fertilidade. É quem acalma meu coração e direciona minhas emoções. Mesmo sendo umbandista há um tempo, tive esse momento de epifania um ano depois que conclui o curso de doula e pude compreender todo o processo que enfrentei para chegar até lá.&nbsp;</p>



<p>Nas andanças e inquietações que surgem ao longo da estrada, me olhei no espelho e desaguei. Me propus a pensar sobre existência, ancestralidade e missão. O afeto por outras mulheres, seus recortes e realidades se tornou combustível para muitos questionamentos. Considero que, nesse momento, abriu-se um portal dentro de mim que me preparava para tudo o que estava por vir.</p>



<p>Fotografei um parto humanizado pela primeira vez no mês de Oxum, em dezembro, e foi o que me despertou para a doulagem. Eu me conectei e senti uma energia tão forte se expandindo em meu coração que tive vontade de viver aquilo de peito aberto, com o objetivo de ser uma rede de apoio para as gestantes e contribuir para uma nova forma de parto consciente. É necessário se conectar com o propósito.&nbsp;</p>



<p>Desde o início, manifestava uma doulagem que pudesse contemplar todas as mulheres, de forma acessível e colaborativa. Não basta apenas lutar e se posicionar contra a violência obstétrica, tendo em vista que as mulheres que passam por essa brutalidade são, em sua maioria, negras, periféricas e estão sem acompanhamento de doulas. Além disso, pela situação de muitas gestantes e da falta de estrutura dos hospitais para abraçar o parto normal e humanizado no Brasil, as doulas devem dar enfoque aos grupos de mulheres negras; mulheres de baixa renda; LGBTQIA+ e casais que estejam em algum grupo minoritário.<br><br>O primeiro parto que acompanhei como doula foi humanizado e sem intervenções. Recebi uma ligação com gemidos de contração, realizei meu ritual, comi, tomei banho, acendi uma vela e pedi proteção para Oxum. Já no hospital, encaminhei a gestante para o chuveiro em um certo momento, a água alivia e dissipa a dor. Enquanto isso, fazia massagem nas suas costas e cantarolava, bem baixinho, um canto para Oxum em Iorubá “Oro mi maió”, que significa “Deus é maior”. A água que caia se misturava com a água de cachoeira que eu derramava em suas costas. Um tempo depois, quando o bebê estava coroando, peguei um pequeno espelho que também carrego nos partos para que a mulher pudesse ver a sua filha. Nasceu. Espelho-reflexo e água de Oxum.&nbsp;</p>



<p>A conexão com ensinamentos sobre fitoterapia indígena me acompanham durante toda a trajetória. Busco carregar, dentro da minha bolsa de doula, água da cachoeira ou mar, ervas, folhas e óleos que transportam toda a energia da mata para o momento tão aguardado. Sinto o grande poder de cura das matas, da natureza, do sol e da lua. Tudo nasce e prospera através da força dos nossos protetores e guardiões. A natureza é Mãe. O parto é natureza selvagem de uma mulher que se transforma em divindade do sagrado e profano. As mulheres indígenas sempre souberam como parir e se conectar, de forma que a cesárea, apesar de ser um método necessário em situações de risco, é mais uma forma de colonização do homem branco que tentamos, constantemente, decolonizar.<br></p>



<p>Por fim, enfatizo o protagonismo da mulher durante o parto e a importância de um companheiro ou companheira presente. O corpo de uma mulher tem muita potência, saibamos e sintamos a força do nosso ventre!</p>



<p>Após a leitura desse texto, sugiro que escute a música <em>Oxum</em>, de Serena Assumpção.<br><br>A ilustração é do artista Menote Cordeiro.</p>



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<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:29% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/91a15-aridne.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11096" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Ariadne Bedim </strong>é jornalista formada na Universidade Federal de Juiz de Fora &#8211; UFJF, doula, fotógrafa documental e afetiva, umbandista, encantada pela antropologia visual e audiovisual.&nbsp;</p>
</div></div>



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<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/affnana/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/11/e9be3-nana1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10139" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie artistas nessa quarentena. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center"><p class="has-text-align-center has-text-color has-background" style="background-color:#2b2b2b;color:#ffffff">Clique na imagem para acessar a loja!</p></p>
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