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	<title>Arquivos Pablo Abritta - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>&#8216;OUÇA AQUELA CANÇÃO&#8217;: SOBRE AS DUALIDADES DO AMOR</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 05 Dec 2021 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 120]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[Leticya Bernadete]]></category>
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		<category><![CDATA[Pablo Abritta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Leticya Bernadete</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Dos poetas aos estudiosos da mente humana, todos dizem: o amor é um sentimento contraditório. É passar por altos e baixos a todo instante e, quando um relacionamento acaba, é tentar esquecer, mas continuar revivendo as memórias; é tentar superar, mas querer estar junto. Toda essa dualidade após o término é traduzida no novo single do cantor e compositor Igor Silveira, “Ouça aquela canção”. Lançada em 26/11, a música traz um dos lados difíceis do amor: a dificuldade de lidar com o processo de desapego.</p>



<p>“É sobre o constrangimento de estar sozinho após um longo período junto com alguém; alguém que se faz presente em cada detalhe do cotidiano e que a memória faz questão de manter vivo. A música narra uma crise, um ponto de vista egoísta e contraditório sobre querer estar sozinho, mas ainda estar conectado àquela pessoa”, explica o artista.</p>



<p>Esta ideia sobre o amor também estará representada no videoclipe de &#8220;Ouça aquela canção&#8221; &#8211; ainda a ser lançado &#8211; de uma maneira irônica, cômica e dramática: Igor performa a música enquanto está em uma banheira cheia de doces. &#8220;Essa ironia está no fato da gente estar fazendo um mal para a gente dentro do ambiente onde deveria estar fazendo bem. É essa vontade de tentar suprir um vazio emocional com algo que é um prazer físico, que seria o prazer da comida.&#8221;</p>



<p><em>Composição em parceria</em></p>



<p>O novo single do cantor faz parte do seu primeiro álbum de estúdio, que será lançado em 2022. A canção foi feita em parceria com seu amigo e também compositor, Pedro Soares (DOM PEDRO), após ambos demonstrarem interesse em trabalhar juntos com criação musical. A colaboração foi concretizada no início da pandemia, quando começaram a escrever a música à distância.</p>



<p>“Eu escrevia a letra dos versos e mandava para o Pedro em áudios, que me respondia com mais uma ideia e eu escrevia o refrão. E, assim, vários áudios voaram para dentro e fora dos nossos celulares num processo de brainstorming e de estruturação das ideias, até concluirmos o que viria a ser a música, de fato”, conta Igor.</p>



<p><em>Inspiração nos anos 2000</em></p>



<p>Para a tristeza dos millennials, o final da década de 1990 e início dos anos 2000 já virou vintage e tem sido revisitado constantemente pela cultura pop. Não apenas a sonoridade musical, mas o clipe de “Ouça aquela canção” trará referências à estética deste período, mas, principalmente, por ter grande influência no trabalho de Igor Silveira como compositor e produtor.</p>



<p>“A música pop dos anos 2000 tem sido, sem dúvida, minha maior influência de composição nos últimos tempos. Não propositalmente, pela volta da estética ao mainstream, mas porque, de fato, é essa a música que foi a trilha sonora da minha infância”, explica o cantor.</p>



<p>A música brasileira também está entre as principais referências musicais de Igor. “Na hora de pensar a produção de ‘Ouça aquela canção’, busquei muita referência no som da música brasileira dos artistas pop da cena atual, que eu acho que têm feito os melhores trabalhos do país hoje em dia, como, por exemplo, Duda Beat, Gilsons, Lagum e Jovem Dionísio. São artistas que mesclam uma estética eletrônica atual com o indie que vem do estrangeiro, sem perder os traços característicos da MPB.”</p>



<p><em>Desafio de composição no Instagram</em></p>



<p>Desde o final de 2020, Igor Silveira mantém um projeto de desafio que reúne composição e parceria com seus seguidores no Instagram (<a href="https://www.instagram.com/igrsilveira/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@igrsilveira</a>). Semanalmente, o artista pede sugestões de gêneros musicais e palavras para escrever canções. Ao final, elas são publicadas nas redes sociais do cantor. “Foi uma forma que eu encontrei de me conectar com as pessoas que gostam do meu trabalho, e também de ter uma troca artística. É algo que tem me influenciado e tem, de certa forma, me impulsionado a criar.”</p>



<p>Como compositor, Igor vê no desafio um incentivo a escrever e trabalhar com os mais variados gêneros, que vão desde samba, folk, indie, funk, ou mesmo “popzinho axé Duda Beat”, uma das sugestões favoritas que já recebeu. “O que muitos artistas fazem é se deixar guiar pelo momento de inspiração, quando vem uma ideia. Criar uma rotina de trabalho para poder me conectar com minha audiência faz com que eu tenha um compromisso artístico com esse ofício de composição. Eu sinto que, cada vez mais, eu tenho me tornado um compositor melhor, algo que antes eu não conseguia me identificar.”</p>



<p><em>Sobre o artista</em></p>



<p><a href="https://www.flowcode.com/page/igorsilveira" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Igor Silveira</a>&nbsp;é cantor, produtor e compositor de Santos Dumont, Zona da Mata Mineira. Seu primeiro EP, “Sozin”, foi lançado em 2019. Desde então, o artista já produziu diversos singles e, atualmente, trabalha em seu primeiro álbum de estúdio, cujo lançamento está previsto para ocorrer em 2022.</p>



<p>“Ouça aquela canção” já está disponível nas&nbsp;<a rel="noreferrer noopener" href="https://onerpm.link/326962003497" target="_blank">principais plataformas de música</a>&nbsp;e no<a rel="noreferrer noopener" href="https://www.youtube.com/user/IgorCamposSilveira" target="_blank">&nbsp;canal no YouTube</a>&nbsp;do cantor Igor Silveira.</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Igor Silveira - Ouça Aquela Canção" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/1q7qkg6bFHM?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/47766-leticya-bernadete.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16544 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Leticya Bernadete </strong>é <span>graduada em Jornalismo pela UFJF, já atuou na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Juiz de Fora e foi repórter da Tribuna de Minas. Atualmente, cursa Mestrado em Comunicação pelo Ppgcom-UFJF. É baterista&nbsp;do girl-power-trio Inoutside.</span></p>
</div></div>



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		<title>&#8216;LIVRE PRA SER&#8217;: SOBRE ORGULHO E ACOLHIMENTO</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 20 Jun 2021 21:27:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 096]]></category>
		<category><![CDATA[Leticya Bernadete]]></category>
		<category><![CDATA[MÚSICA]]></category>
		<category><![CDATA[Orgulho LGBT+]]></category>
		<category><![CDATA[Pablo Abritta]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Leticya Bernadete</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em um dos países que mais mata pessoas LGBTQIA+, manifestar orgulho por ser quem é vai além de um ato político: é também um ato de amor e acolhimento a todos que lutam a mesma batalha diária contra o preconceito. Com a proposta de demonstrar a força da comunidade LGBTQIA+ no mês do Orgulho, o cantor e compositor Pablo Abritta lançou seu primeiro single autoral “Livre pra ser” nesta sexta-feira (18). A produção não só homenageia a comunidade, mas conta com a participação de pessoas que a integram, onde diversos convidados compartilharam momentos de amor-próprio e liberdade de ser quem são.</p>



<p>“<em>A ideia da música é trazer esse acolhimento para a comunidade LGBTQIA+, para sentir que pertencemos a um lugar e que não estamos sozinhos; que precisamos de uma construção de afeto entre nós mesmos</em>”, diz Pablo. “<em>É muito importante essa coletividade para criarmos essa imagem amorosa, afetiva e de respeito entre todos nós</em>”.</p>



<p>Na composição, “Livre pra ser” traz referências à movimentos e ativistas que lutaram pela causa LGBTQIA+ e contribuíram para a conquista de direitos ao longo dos últimos anos, como Marsha P. Johnson, Sylvia Rivera e o Harvey Bernard Milk. “<em>É uma música que fala também sobre gratidão, de ter esses ícones como força necessária para continuar lutando. Além do acolhimento, a música também significa força para continuar conquistando novos direitos e cada vez mais viabilizar a nossa existênci</em>a”, afirma o cantor.</p>



<p>A produção ainda traz acessibilidade para pessoas com deficiência auditiva. Todo o videoclipe conta com tradução para Língua Brasileira de Sinais (Libras), realizada pela intérprete Dandara Diniz. “Ela participa do clipe do início ao fim, lendo a música para essas pessoas que também buscam mais visibilidade.”</p>



<p>O projeto foi contemplado pela Lei Aldir Blanc em Minas Gerais, através da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo de Minas Gerais e da Secretaria Especial da Cultura do Ministério do Turismo do Governo Federal.</p>



<p><strong><em>Referência de musicais da Broadway</em></strong></p>



<p>Além de cantor e compositor, Pablo Abritta também é designer e ator, sendo integrante do Núcleo Teatral Prisma. Em sua carreira, já atuou em espetáculos musicais e, como fã do gênero, Pablo buscou inspiração em produções da Broadway como “Dear Evan Hansen” e “The Prom” para escrever “Livre pra ser”.</p>



<p>“<em>Para a construção desse trabalho, eu fui essencialmente na base musical que eu considero uma linha muito real para mim, porque foge um pouco desse padrão ‘mágica da Disney’ e, ao mesmo tempo, traz uma realidade muito visceral que eu gosto de trabalhar e de sentir. Essas produções falam muito sobre o real e aproximam as pessoas</em>”, conta. “<em>É uma forma também de tentar mostrar um pouco desse leque, mostrar para as pessoas que tem muita coisa legal que dá para aproveitar dos musicais”. Para os trabalhos futuros, o cantor pretende se voltar a outros gêneros musicais que também são referências, como Pop e MPB. “Acredito que é bacana trazer essas facetas porque as pessoas se identificam de diversas formas.</em>”</p>



<p></p>



<p>“Livre pra ser” já está disponível em todas as plataformas de streaming de música. Assista ao clipe:</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Pablo Abritta - Livre pra Ser" width="950" height="534" src="https://www.youtube.com/embed/oB9uItLpQE0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:22% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/47766-leticya-bernadete.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16544 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong>Leticya Bernadete </strong>é <span>graduada em Jornalismo pela UFJF, já atuou na Secretaria de Comunicação da Prefeitura de Juiz de Fora e foi repórter da Tribuna de Minas. Atualmente, cursa Mestrado em Comunicação pelo Ppgcom-UFJF. É baterista do girl-power-trio Inoutside.</span></p>
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		<title>Fluxo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:31:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[Fluxo]]></category>
		<category><![CDATA[gay]]></category>
		<category><![CDATA[Pablo Abritta]]></category>
		<category><![CDATA[Pedro Victor Soares]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Pablo Abritta e Pedro Soares</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>LADO A &#8211; CONSTELAÇÃO (A DOR)</p>



<p class="has-drop-cap">Eu quase consigo contar todos os quadriculados da mesa. Passo meu dedo no seus<br>perímetros azuis, um por um. Acho que eu levaria um tempo para finalizar essa contagem de quadrados se o tempo do café não fosse tão curto, mas o silêncio ocupa minha mente. E a dela também. O que, confesso, ajuda a concentrar na minha contagem quase infinita de quadrados no café da manhã. Ela, como em todas as manhãs desde que descobriu minha sexualidade, só tem um tipo de ação: andar e silenciar. Não se dirige a mim como se fosse algo do qual valha a pena quebrar seu silêncio ou tentar entender o porquê de ele ocupar tantos espaços na sua mente.</p>



<p>Ela arruma seu mamão na mesa. Organiza as frutas. Pica elas de forma quase monótona,<br>sem dizer uma palavra. Não precisa dizer, já está subentendido. Eu continuo no meu processo infinito de contar quadrados na mesa do café, mas me canso. Quando sinto minhas lágrimas me acusando por tanto silêncio, me retraio. Mudo de posição e descubro uma nova ocupação mais confortável para meu cérebro processar as indiferenças que estou sendo obrigado a construir. Olho para o meu prato. O restante das migalhas pousava bem na minha frente como se dissesse: &#8220;me explora vai&#8221;. Juntei algumas delas e formei constelações que aprendi na escola um tempo atrás. O Cruzeiro do Sul estava incompleto: faltava uma estrela para dar continuidade à constelação. Arrumei da forma que minha mente recordava dos livros do ensino fundamental e passei a montar as três Marias, o que foi relativamente fácil;  afinal, são apenas três pontinhos contínuos. Três pontinhos contínuos…</p>



<p>A chapa ainda estava ligada; parece que um dos meus pães havia sido esquecido lá,<br>em brasas. Não muito diferente de todas as pessoas que já se esqueceram de mim e me<br>deixaram queimar. Minha mente me atormenta, e não consigo vê-lo sofrer assim, não depois de atribuir características minhas para ele. Desligo a chapa e tiro o pão lá de dentro. Penso então em todas as vezes que me perdi em mim mesmo, e também em todas as vezes que me salvei, sozinho. Não preciso da ajuda de ninguém pra isso. Com algumas poucas exceções, claro. E ela? Ela continuava em sua infinita ocupação de silêncio, enquanto cortava mamões, dispunha mel em um pratinho e picava bananas para se deleitar com um ótimo café da manhã que só ela proporcionava a si mesma. O queijo ainda borbulhava na chapa quente, e pude ver todas as diferentes formas com que algo pode se transformar quando está sendo queimado. As formas eram variadas; iam do mais extenso ao mais ínfimo da dilatação. Mas mudava, estava em constante mudança. Comia o mamão, penso no queijo, comia a banana, penso nas migalhas, lambuzava-se de mel, enfio minha cara na chapa quente.</p>



<p>Descubro, enfim, o porquê dos três pontinhos contínuos…</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/72917-constelacao-foto.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10642" data-recalc-dims="1" /></figure>



<div style="height:100px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>LADO B &#8211; CACHINHOS (A DELÍCIA)</p>



<p class="has-drop-cap">Acordei com um pequeno feixe de luz sobre o meu rosto, mas não abri os olhos.<br>Aparentemente, ainda era cedo, pois não se ouvia a turbulência da rua zunindo em meu<br>ouvido; apenas um canto de passarinhos quase ínfimo, próximo a janela, cheio de<br>vitalidade. A luz do sol naquele pequeno feixe em meu rosto me acordou em um dia que<br>não me costumo levantar cedo, mas foi bom. Sempre é bom começar um domingo com cheiro de lavanda no lençol e um barulho de mar a alguns quilômetros do meu apartamento. As ondas batem no rochedo e formam confrontos estrondosos, eu quase conseguia vê-las oscilando. </p>



<p>Lembro de ir à praia quando criança. Construía enormes palácios de areia, e jurava morar lá um dia com alguém que eu amasse. Até a onda vir e desmoronar cada grão de areia &#8211; o que não me impedia de tentar de novo. Construía um ainda maior, mesmo sabendo que não duraria. Acho que, no final das contas, eu cresci querendo construir sonhos maiores em cima de outros sonhos, já enormes em si mesmos. </p>



<p>Queria eu ter uma vida comum, onde todas as minhas relações fossem aceitas pela sociedade; mas estava longe disso. Era como se eu visse um castelo desmoronando todas as vezes que sentia medo ao dar as mãos para o meu namorado na rua. Não só por eles, mas por mim. Acho que cresci em uma família que não sabia que o afeto é algo que não se força. A gente sente na pele quando ama, pulsa. Eu sempre sonhei em ter o meu lar. Sempre disse que a partir de agora seria &#8220;minha casa, minhas regras”, e de fato é. Ouço um barulho próximo a mim, e finalmente abro os olhos. Ele está trazendo uma bandeja de café da manhã. Sento na cama e dou um beijo nele. Nos olhamos com felicidade, porque sabíamos que seria mais um dia para a gente se descobrir e se reinventar. A pele não esquece o toque.</p>



<p>Ele se senta ao meu lado, põe a bandeja na cama e começa a falar sobre como conseguiu acordar mais cedo que eu em um dia como aquele. Ele falava, e eu só conseguia estampar um sorriso na cara e encarar aqueles olhos castanhos mais profundos que o rochedo. Sempre almejei estar com alguém que beijasse meus defeitos e que gargalhasse minhas qualidades. Que passasse a mão em meus cabelos até eu dormir, e que se sentisse seguro quando eu o abraçasse. Lembro das vezes que respiramos juntos nas horas que o segurava pela cintura e o colocava na cama, selando nosso amor com um beijo quente após um banho de verão. Eu sempre sonhei em ter um lar, para poder nunca mais derrubar nenhum castelo de areia. </p>



<p>As ondas estão perto. Estamos sentados na beirada do lençol, olhando a vista da janela de mãos dadas. O mar é ofuscado pela beleza do seus cachinhos pretos e seu olhar doce, no nosso enfim, castelo de afetos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/bd63b-cachinhos-foto.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-10643" data-recalc-dims="1" /></figure>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Pablo Abritta </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é um homem gay cisgênero, das Artes Cênicas desde 2014. Quando pequeno, escrevia poemas e contos, mostrando seu amor pela escrita. Atualmente, se arrisca na dramaturgia para cenas teatrais e nos contos poéticos, no qual tem se dedicado na área de forma sútil e despretensiosa. Sempre buscou melhorar o mundo. Acredita que achou esse caminho nos pequenos grandes afetos que a arte proporciona.</p>



<p><strong>Pedro Victor Soares</strong> é um homem gay cisgênero. Graduado em jornalismo pela Universidade Federal de Juiz de Fora (2017) e com experiência no ramo audiovisual, trabalhando na área desde 2013. Produziu, dirigiu, roterizou e montou um documentário curta-metragem chamado &#8220;Vida de Estradeiro&#8221; como projeto de conclusão do curso da faculdade, rendendo diversos prêmios e indicações. Na fotografia, se arrisca nos autorretratos e fotografia de rua, já que a sua grande paixão é mostrar sua visão do mundo através da câmera.</p>



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<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/81ea3-begaleria12-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10827" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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