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	<title>Arquivos paternidade - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Primeiro dia de aula </title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 13 Aug 2023 18:59:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 176]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Literatura]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: João Pedro da Silva Gomes</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O sol batia forte na casa de Laura quando sua mãe, Maria Clara, a chamou para almoçar. A garotinha tinha seis anos e esse era o seu primeiro dia de aula, o primeiro passo da longa jornada que é a vida de estudos. Se lhe perguntassem o que queria fazer quando fosse grande, Laura certamente não saberia responder bem, mas é claro, como a grande maioria, os pais responderiam pelos filhos, e Laura iria estudar bastante, se formar na faculdade, fazer mestrado, doutorado, pós-doutorado e qualquer outra coisa que lhe desse um diploma a mais. Laura, como se pode imaginar, era uma criança encantadora e qualquer leitor iria adorar conhecê-la, entretanto não é ela o foco desta história. É sobre Marcos, o pai de Laura, que neste momento está sentado ao lado da filha enquanto almoça, que iremos falar. </p>



<p>Marcos era carpinteiro, e sua simplicidade poderia ser notada tanto em sua aparência e modo de vestir quanto em seus hábitos. Não tinha grandes aspirações na vida, só um pouco de arrependimento de não ter continuado os estudos e, por esse motivo, viver só para pagar as contas. Pode-se dizer que estava mais ansioso pelo primeiro dia de aula da filha do que a própria. Desde aquela manhã lembranças e aspirações passavam por sua cabeça, na verdade, poderíamos até dizer que desde a noite anterior se levarmos em conta que ele sonhou com o assunto. Às vezes ele imaginava que a filha seria uma grande advogada, ou médica, talvez professora ou arquiteta. Momentos depois, estremecia, pois lembrava de seu curto tempo na escola, da sua juventude, dos sentimentos que teve durante aquele tempo e logo temia que a filha sofresse o mesmo e que não estivesse lá para apoiá-la caso fosse preciso.&nbsp;</p>



<p>Enquanto comia, Laurinha parecia animada, curiosa, cheia de vontade de conhecer essa tal de escola que tanto lhe falavam. Marcos, por outro lado, sentia-se em um turbilhão de emoções. Ao olhar para filha era como se olhasse para dentro de um espelho mágico que lhe mostrava lembranças, alegrias e medos, tudo misturado, ele chegou a ficar tonto e perdido em seus pensamentos. A menina que ele segurou no colo pela primeira vez por volta de seis anos atrás havia crescido tanto, e ele nem tinha se dado conta. Era como se tivesse passado todos esses anos dormindo e só agora percebesse seu sono. Marcos chegou a hesitar, pensou em deixar a menina faltar a escola. A aula duraria somente o período da tarde, tempo inclusive que ele estaria trabalhando, então por que tanto medo de perdê-la? Ele mesmo percebia sua própria infantilidade diante da questão, porém seu coração continuava a pesar-lhe o peito.&nbsp;</p>



<p>São nesses momentos da vida, que o tempo parece passar mais rápido que um relâmpago que brilha e logo some nos ares. Antes de se perceber, a criança já estava atrasada para a aula. Maria Clara já estava estressada, enquanto tentava arrumar o cabelo para levar a filha para a escola, ela berrava para que a menina fosse escovar os dentes. Marcos disse que não precisava se preocupar e que ele mesmo levaria a filha, &#8211; No meu primeiro dia de aula foi meu falecido pai que me levou para a escola, e eu vou fazer o mesmo -, diante dessa afirmação, Maria não teve argumentos. Maria Clara estranhou, não sabia dessa história, mas não quis retrucar, ela sabia que o assunto do falecido pai ainda era sensível para o marido. Na verdade nem o Marcos se lembrava da história ou sabia que ia falar isso, pelo menos até aquele momento. Resgatar aquela lembrança foi como achar um dinheiro que você nem se lembrava da existência no fundo do bolso de uma calça. </p>



<p>Enquanto escovava os dentes, pela primeira vez, Marcos reparou que seu cabelo estava salpicado de fios brancos. Isso só serviu para torná-lo ainda mais emotivo naquele dia. Ele não pôde demorar muito em seus devaneios em frente ao espelho, pois o relógio não tira folga, e já deviam ter saído de casa há cerca de cinco minutos. A escola era perto, no entanto a caminhada foi longa para Marcos, pois a filha enchia-o de perguntas sobre a escola e ele respondia com carinho, mesmo não tendo certeza da resposta de muitas delas. Ao mesmo tempo, sua mente inundava de lembranças, ele próprio havia sido uma criança tal qual a filha, e igualmente a ela, de mãos dadas, foi levado à escola pelo pai. Às vezes, seus olhos ficavam úmidos e ele sentia que não conseguiria segurar as lágrimas, mas ao contemplar a alegria e inocência da filha ele encontrava forças para prosseguir. </p>



<p>Enfim em frente a escola houve a inevitável despedida. Depois de várias promessas de reencontro e ordens de comportamento por parte do pai, Laurinha entrou na escola. Do portão Marcos não podia passar, suas pernas estremeceram ao soltar as mãos da filha e deixá-la ir sozinha para dentro. Após um último aceno, ele suspirou, virou as costas e deu alguns passos. Esses passos foram interrompidos por uma última olhada para trás. Ele se convenceu que aquela última olhada era apenas para conferir se ela tinha ido mesmo, vai que ela tivesse ficado com medo de ficar sozinha e voltasse correndo para ele, mas ao mesmo tempo, ele sabia que quem estava com mais medo era ele. Na verdade, ele queria que ela voltasse correndo e que pudesse levá-la de volta para casa em seus braços. Depois de mais um suspiro, ele se perguntou se seu pai havia feito o mesmo que ele, então se sentiu bobo, era só o primeiro dia de aula na escola e ele tinha suas próprias obrigações para cumprir. Antes de voltar para sua carpintaria precisou passar em casa para pegar algumas ferramentas. É claro que todo seu estado emotivo não havia passado despercebido ao olhar de sua esposa. Foi com um “cê é besta, é só o primeiro dia de aula, já, já ela vai tá em casa aprontando de novo” que ele foi recebido. </p>



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<div class="wp-block-column is-vertically-aligned-center is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow" style="flex-basis:66.66%">
<p><strong>João Pedro da Silva Gomes</strong></p>



<p>é natural de Viçosa, cidade do interior de Minas Gerais. Atualmente tem 22 anos e cursa bacharelado em Letras na Universidade Federal de Viçosa (UFV).&nbsp;</p>



<p>Instagram: <a href="https://www.instagram.com/joaopgomes480/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">@joaopgomes480</a>&nbsp;</p>
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		<title>Isabela</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Aug 2023 18:56:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 005, N 176]]></category>
		<category><![CDATA[Trama Podcast]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Freud]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Psicanálise]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Artecast Bodoque</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>O pai em psicanálise está associado ao que chamamos de lei. Pela via de uma triangulação edipiana em que se articulam sujeito, lei e objeto interdito de desejo, associados respectivamente à criança, à função paterna e à função materna, esse &#8220;pai&#8221; seria uma dimensão simbólica que insere a criança no&nbsp;mundo da cultura.&nbsp;</p>



<p>Neste episódio vamos conversar sobre a paternidade e as diversas formas possíveis de cuidar, por isso, Vinícius compartilha&nbsp;com vocês o que existe de mais precioso em sua vida: Isabela.</p>



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		<title>Um Mapa para Isabela</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 24 Jan 2021 21:23:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 075]]></category>
		<category><![CDATA[carta]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>
		<category><![CDATA[Vinícius Lara]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Vinícius Lara</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Sabe, minha filha, o mundo é um lugar incrível. Mas viver, em regime de exclusividade, é duro. Você vem vindo de tão longe, e é preciso que saiba das coisas daqui. Te conto não para que se lembre, mas para que se esqueça e, nessa coisa mágica que é se lembrar ao contrário, suspeite do que fazer. Se ainda assim não souber, tudo bem; quase ninguém sabe, meu amor, mas poucos conseguem assumir.</p>



<p>Eu gostaria de ver como são as coisas aí, onde você está. Não sei, tenho que ser honesto, mas suspeito de muita coisa. Deve ser quentinho, macio e aconchegante. Mil vozes do lado de fora dizendo bênçãos cada vez que você chega perto, além daquelas mãos atrevidas que te apalpam o quarto. Gosto de imaginar que você enxerga tudo pelo olho mágico do umbigo. Tenho dúvidas se gosta; mas sei que acaba ficando no centro do mundo todo &#8211; e de fato, de alguns mundos, você é.</p>



<p>Acredito que você vai nascer no dia 12 de abril, mas não me pergunte o motivo; só sei que sinto assim &#8211; e tenho muitas chances de errar. Mas se acertar, serei insuportável! Desde que descobri que viria, sempre te soube, Isabela, e linda, e forte, e corajosa. Penso nas histórias inventadas que desejo contar a você, mas acabo me emocionando. Como eu poderia inventar uma coisa pra te contar, se na verdade sinto que vou sendo inventado com cada coisinha que descubro, dia a dia, preparando o planeta para você desabrochar?</p>



<p>É preciso, no entanto, que eu seja forte o suficiente para dizer a verdade, filha. A vida é injusta. Não basta o sonho. Quase sempre, ser seu próprio patrão é só uma forma romântica de explorar a si mesmo. O trabalho tem se tornado uma doença para a qual se fabricam remédios que nem são coloridos, e que servem apenas para que se durma, se coma e se sinta feliz. Te daria minha vida se pudesse, meu amor, mas no melhor dos seus dias, ainda sobrará, de esgueio atrás da porta, essa nesga de tristeza boa. Enquanto você sente, sabe que é gente, esse é o segredo.</p>



<p>Em abril, o Brasil continuará sob o comando do pior presidente de sua história democrática. Peço a Deus que isso seja uma onda ruim, e que você, quando crescer, apenas se lembre desse homem pelos livros de história que estudará no pré-vestibular. Compensando a situação, existe bastante açúcar aqui, e poucas coisas são tão boas quanto açúcar. Sou viciado! Mas também temos livros, camas e gatos.</p>



<p>Existe uma coisa no mundo que é poderosa. Ela se chama solidão, e é como a sensação de estar desamparado e sem pessoas à sua volta. Acho que todos sentem mais ou menos o mesmo desde que saem da barriga de alguém. Não é algo que se resolva com mais gente, é uma coisa de alma. O pai te escreve hoje sozinho. Algumas vezes, a sensação é de que se fica pequenininho e tudo em volta é grandão. Aí parece que uma pessoa invisível segura o nosso coração dentro do peito com uma luva fria e azul. Como se a gente esperasse o momento em que alguém chamasse para voltar para casa. A solidão é um tipo de estrangeirismo. Mas isso não importa agora, meu amor, não é época para tanto.</p>



<p>Fundamental é que você olhe. Olhe para cima e para os lados. Descubra o céu com calma e com método. Um minutinho é o tempo todo da vida se a gente se lembra só depois de que não chegou a fazer o que deveria porque estava distraído olhando para baixo. Pelo ângulo certo, você poderá ver que Molejo é bem melhor que Beatles, ou que existe mais Deus no erro sincero dos homens comuns do que na maioria das igrejas. Isso é coisa de ver, e bem visto. Quero te contar uma confidência: te vi antes de todas as pessoas, no semblante de sua mãe, enquanto qualquer assunto bobo ocupava nossa conversa. Me orgulho disso pra sempre!</p>



<p>Prove também. Coloque na boca tudo o que quiser, desde que exista pelo menos um adulto por perto até que você complete 12 anos. Açúcar é bom, de verdade. Eu não deveria dar a você; provavelmente, isso te causará qualquer doença que exija ou psicólogos ou comprimidos. Mas te darei açúcar, sim, e te darei café e cupuaçu. Se me puxar, irá se apaixonar; se não, pelo menos vai comer de vez em quando lembrando de mim. O que já basta para que eu me encha de minha satisfação esganada.</p>



<p>Quando começar a andar e a falar, te mandaremos para escola, e peço desculpas por isso. Você deveria estar dentro de casa com alguém te cuidando, mas adultos precisam trabalhar e ganhar um pouco dinheiro, porque, infelizmente, quando for tempo de você vir, ainda viveremos nesta porcaria de vida mecânica. Prometo buscar você, e se alguma vez suspeitar que não irão na hora da saída, esqueça disso, meu bem. Mil loterias não valerão as dobrinhas assadas das suas pernocas gordinhas. Na escola, acima de tudo, desobedeça o quanto puder e conseguir. Te dirão que fique quieta; só cale se estiver tudo bem! Mandarão que abaixe a cabeça, e você não faça isso, senão diante de sua mãe, e de suas avós e de todas as mulheres fortes que te fazem a linhagem! Aí está sua grandeza, na capacidade de ventar e domar o mundo! Isso dará muito errado,&nbsp;Isabela, eu sei, mas estaremos do seu lado.</p>



<p>O amor, filha, é estranho, mas é lindo. O mundo não está pronto para você e para mim juntos. É como se nascêssemos juntos. Barriga afora de sua mãe, e seremos três novos seres. Nunca vivi um só dia até agora, e nas fotos de 93, em Cabo Frio, olho para mim com medo do mar e vejo só você ali. Assim como na caricatura que mamãe guardou, nos bigodinhos brancos da Tashi e no silêncio vazio e triste do meu apartamento.</p>



<p>Você está em mim, filha.</p>



<p>Que coisa boa é isso tudo.</p>



<p>Suspeito de muita coisa, mas não tenho certeza de quase nada. É provável que este mapa te leve a lugar nenhum. Mas quando chegar, seu pai estará logo lá. O resto acontece; mais importante é você vir.</p>



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<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Vinícius Lara&nbsp;</strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é psicanalista, historiador, fotógrafo amador e um apaixonado pelo absurdo.</p>
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		<title>Mais fígado do que cérebro</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 04 Oct 2020 21:25:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 065]]></category>
		<category><![CDATA[cultura]]></category>
		<category><![CDATA[Luciano Nascimento]]></category>
		<category><![CDATA[paternidade]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Luciano Nascimento</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Já pensou quanta coisa poderia ser diferente se Laio não tivesse mandado matar Édipo?</p>



<p>É&#8230; É por aí que a história começa: Laio não aceitou as predições do destino e, por isso, mandou assassinar o próprio filho. Ao que se sabe, o então soberano de Tebas não “deu tempo ao tempo”, não conversou com sua esposa, Jocasta, a rainha-mãe&#8230; muito menos esperou que o filho deles crescesse para que eles pudessem se conhecer, se amar e se entender. Não: Laio apenas chamou um servo de confiança e determinou a execução preventiva de Édipo. A morte do rei, prevista pelo oráculo, podia ser só um enigma, uma metáfora, uma força de expressão; a ordem do tirano a seus servos não: era o comando de um assassinato literal.</p>



<p>Já pensou quanta coisa poderia ser diferente se mais pais (os homens, bem especificamente) aceitássemos, de verdade, que é parte do nosso papel sermos superados por nossos filhos? Sim, simples assim: nascemos antes deles, aprendemos a nos cuidar e a sobreviver antes deles&#8230; tudo isso para cuidar mais e melhor deles que, se tudo der certo, vão ser melhores (num sentido muito limitado de “melhores”, é claro) que nós, vão nos superar. E essa superação não é a morte do pai, pelo contrário! É a sua vida, sua continuidade, sua permanência, sua herança, sua (quase) eternidade genética, histórica e mítica.</p>



<p><strong>A vida de muitos pais e muitos filhos poderia ser outra se tantos de nós não vivêssemos imersos numa dinâmica cultural que sobrevaloriza a subserviência filial e subestima o valor do respeito mútuo entre pais e filhos.</strong> Não é raro esbarrarmos por aí com pais que também sentem a “desobediência” (às vezes, só a discordância) do filho como tentativa de assassinato – simbólico, evidentemente. Muitos de nós, homens, pais, fomos criados sob o jugo de diferentes tiranias, alimentando o desejo inconsciente pelo momento em que, enfim, também nós poderíamos exercê-las – em geral, tendo esposa e filhos como primeiras vítimas. É triste, mas acontece. Por isso, não estranha que quem passou por esse tipo de experiência não se conforme facilmente à frustração da desobediência daquele de que se esperava submissão total; não estranha, mas também não justifica &#8211; ou seja, não confere justiça a essa frustração paterna. Repito: é compreensível, mas não é justo!</p>



<p>Na Literatura, na Mitologia, a morte de Laio pelas mãos de Édipo acabou sendo literal. No dia a dia de nosso mundo cada vez mais louco, interconectado e solitário, é preciso cuidado e sorte para que Laio e Édipo não se matem simbolicamente ainda em vida.</p>



<p>Mas, se o momento agonístico vier, cabe a nós, os pais, pelo menos aprendermos mais com Édipo e menos com Laio. Precisamos saber reconhecer nossa própria cegueira e deixar que nossos filhos nos guiem na velhice.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:26% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/1a42c-luciano-19.23.45.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11365" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong>Luciano Nascimento</strong></strong> é mangueirense, filho, marido, pai, professor, flamenguista, psicopedagogo&#8230; mais ou menos nessa ordem. É, também, idealizador do projeto Dê Efiência.(<a rel="noreferrer noopener" href="http://www.deeficiencia.com.br/" target="_blank">www.deeficiencia.com.br</a>) E-mail: <a href="mailto:prof.lcnascimento@gmail.com">prof.lcnascimento@gmail.com</a></p>
</div></div>



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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/0423c-conteudopago.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11568" data-recalc-dims="1" /></a></figure>
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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas para seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/tuncaliozge"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/43ef4-fotos-carol-copy.jpg4_-1021x1024.jpg?resize=950%2C953&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11385" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
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