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	<title>Arquivos perguntas - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>Asteroide 192</title>
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		<pubDate>Sun, 28 Jun 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 051]]></category>
		<category><![CDATA[amor]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Danielle Rocha</p>
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<p>Quando criança, eu brincava de espiar o sol entre os meus dedos. </p>



<p>Naquela época, ainda não era comum descer para a praia assim que começavam as férias de verão. Então, eu aguardava ansiosamente pelos raros momentos que viajávamos para o litoral. </p>



<p>Meus pais gostavam de visitar os meus tios-avós &#8211; compromissos familiares -, e eu gostava da areia. Uma vez, perguntei ao meu pai quantos grãos de areia havia no mundo, ele não soube me responder; disse que era humanamente impossível saber. Foi aí que descobri que meu pai não sabia de tudo. </p>



<p>Eu sempre tinha muitas perguntas, mas fui percebendo aos poucos que meu pai não sabia responder à maior partes delas, ao passo que ele cansou de inventar explicações mirabolantes &#8211; como o dia que eu perguntei o porquê da água do mar ser salgada e acabei convencida que existiam fadas especializadas nisso. Quando minha professora me contou sobre os sais minerais presentes nas rochas que vão parar no mar&#8230; fiquei cinco dias sem falar com ele. Sobre o sol não nascer sempre ao leste, três. Agora, já não me lembro mais qual foi a última vez que ficamos sem nos falar. O que sei é que não era nada fácil me convencer de que existiam perguntas sem resposta; não é de se espantar que ele tenha recorrido à criatividade para sanar algumas das minhas dúvidas.</p>



<p>Antes de me mudar, enquanto tentava fazer o meu quarto caber em algumas caixas, achei no fundo da cômoda um caderno que me chamou a atenção. Em meio a uma pilha de uma papeladas da pré-escola, na capa com alguns desenhos e uma caligrafia infantil podia-se ler “Só deus sabe”; folheando o caderno, achei uma lista de perguntas que pretendia fazer a Deus &#8211; todas aquelas a que meus pais não sabiam responder. Havia parado na pergunta 192. Criança, acreditava que quando morresse, quando finalmente me encontrasse com Deus, poderia finalmente acabar com todas as minhas dúvidas; ora, mamãe dizia que Deus era “oni- qualquer coisa”, aquele que sabia de tudo. Pois estava resolvido, passei a anotar todas para não esquecer. </p>



<p>Devolvi o caderno para o fundo da cômoda, fui embora sem ele.</p>



<p>Saí de casa, deixei 192 perguntas para trás e trouxe apenas uma comigo. Essa é a única que, agora,  eu gostaria de saber a resposta &#8211; mais do que qualquer outra: Será que, um dia, meus pais vão entender que não existe apenas uma forma de amar?</p>



<p>Já adulta, parei de espiar o sol entre os meus dedos. Passei aproveitar os dias de sol, sem me esconder atrás das minhas próprias mãos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong><strong>Danielle Rocha </strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong></strong>é uma mulher lésbica cisgênera. É historiadora pela UNICID. Apaixonada por museus, urbanismo, prédios altos com mirantes e ciência da religião. Nas horas vagas, escreve poemas e faz desenhos de gatos.</p>



<hr class="wp-block-separator" />



<div class="wp-block-group"><div class="wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow">
<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-large-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color">Galeria</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iambrendamarques/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/06/fa13a-begaleria9-1.png?w=950" alt="" class="wp-image-10821" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-color has-background has-text-align-center has-medium-font-size has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>
</div></div>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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