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	<title>Arquivos Pintura e Linguagem - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>NIGHTHAWKS: UMA ALMA ANAGRAMA DE LAMA</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2021 21:28:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 003, N 098]]></category>
		<category><![CDATA[arte]]></category>
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		<category><![CDATA[Pintura e Linguagem]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por: Marcus Cardoso </p>
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<p>Sempre, sempre volto é ao Hopper. Esse seu silêncio contido no mínimo, essa correspondência direta com o mais interior do interior. Olhar <em>Nighthhawks </em>é mergulhar em si, profundamente. É pensar a solidão como uma linguagem comum. Como diz o <strong>Beto Cupertino</strong>, em <em>Solidão é um nome</em>, em seu disco de 2007, “<em>solidão é algo que nos une, mais que qualquer deus ou país</em>.” Talvez Hopper seja um estado, uma <em>vibe</em>, e não um ser-humano. Talvez tanta coisa que não sabemos.</p>



<p>E em <em>Nighthawks</em> ainda temos um casal, jogando sua conversa fora, e alguém ali que repara, que ressignifica. Alguém ali vai voltar sozinho, seja lá pra onde. Essa luz que devora o interior. Essa luz que desvela a solidão. Nunca saberemos o que houve depois daquele dia.</p>



<p>A esquina sozinha do luar de junho.</p>



<p>E quando olho Hopper, me olho, me adentro, me apavoro. Nem <em>Munch </em>me faz tão perplexo assim; afinal, deus mora nos detalhes. E no que é quieto. E no meu silêncio diante do mundo. Em tudo que não é palavra, e não aprendemos a nomear quando nos alfabetizamos. Não existe controle para o não dito.</p>



<p>E então essa foto, específica: um pesquisador, conservador no sentido de manter as obras, calculando o tamanho e o peso do quadro. Desse silêncio abrupto.</p>



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<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="950" height="676" src="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8aca5-nighthawks.jpg?resize=950%2C676" alt="" class="wp-image-16783" srcset="https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8aca5-nighthawks.jpg?w=1200&amp;ssl=1 1200w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8aca5-nighthawks.jpg?resize=300%2C214&amp;ssl=1 300w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8aca5-nighthawks.jpg?resize=1024%2C729&amp;ssl=1 1024w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8aca5-nighthawks.jpg?resize=768%2C547&amp;ssl=1 768w, https://i0.wp.com/revistatrama.artebodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/8aca5-nighthawks.jpg?resize=135%2C96&amp;ssl=1 135w" sizes="(max-width: 950px) 100vw, 950px" data-recalc-dims="1" /><figcaption>Foto: NW Daily News</figcaption></figure>



<div style="height:20px" aria-hidden="true" class="wp-block-spacer"></div>



<p>O peso em quilos que perdi de tudo o que queria dizer mas não.</p>



<p>Como se ele medisse e levasse para cada país esse vazio, esse não dito. O ramo de tudo que deveríamos expor, mas guardamos. Essa foto mereceria um prêmio. Só ela consegue desmistificar a perda: quebrar a aura posta por <em>Benjamim</em> e tão rememorada. A aura está no nosso olho, diria. E nada é tão importante quanto o que não sabemos ainda.</p>



<p>Por fim, eu aqui escrevendo esse texto, como um escape de análise, como uma fuga além do poema, confesso:</p>



<p>Há uma cena de Hopper todo dia dentro de mim às 18h.</p>



<p>Por isso, Hopper como uma espécie de idioma, de contexto, de referência e de degredo. Ressurgir mais forte depois de mais um mergulho. Mas ainda não me faltou ar o suficiente. Me desculpe, me desculpe: essas são todas as palavras que sobraram de mim.</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:24% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/650ae-marcus.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-16187 size-full" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p style="font-size:19px"><strong>Marcus Cardoso</strong> é poeta, músico e historiador. Vivente na cidade de Ribeirão Pires, lançou as plaquetes&nbsp;<em>todo poeta mente sinceramente</em>&nbsp;(2016) e&nbsp;<em>palimpsesto, eu&nbsp;</em>(2018): ambas de modo independente. Tem poemas publicados nas revistas&nbsp;<em>Vício Velho</em>,&nbsp;<em>Ruído Manifesto, A Bacana, Arribação&nbsp;</em>e no&nbsp;<em>Mural&nbsp;</em>da Kotter Editorial. Escreve, semanalmente, ensaios-prosas-poéticas que teimam em ser chamadas de resenha, para o site&nbsp;<em>FolkdaWorld</em>.&nbsp;É cantautor no projeto&nbsp;<em>reticente</em>. Segue buscando maneiras diversas de atravessar o múltiplo subúrbio da palavra.</p>
</div></div>



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