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	<title>Arquivos Política Pública - Revista Trama</title>
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	<description>Arte, Cultura e Criatividade</description>
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		<title>O que sabemos sobre a fome</title>
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		<dc:creator><![CDATA[]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 15 Nov 2020 21:26:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Ano 002, N 071]]></category>
		<category><![CDATA[Déborah Silva]]></category>
		<category><![CDATA[direito à alimentação]]></category>
		<category><![CDATA[fome]]></category>
		<category><![CDATA[Política Pública]]></category>
		<category><![CDATA[proteção planetária]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>por:  Deborah Silva</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Com todos os contornos que a pandemia do novo Coronavírus vêm trazendo para a sociedade, alguns tópicos relacionados às desigualdades social e econômica voltaram à tona. Um deles, o objeto principal desse texto, não parece ser conhecido em sua totalidade pela maioria das pessoas.</p>



<p>Falamos sobre a fome. É de amplo conhecimento o fato de que a fome é um problema recorrente, geralmente ligado aos países mais pobres do mundo, e que é uma triste realidade em muitos lares. Mas nós sabemos o suficiente? Temos a real consciência do que significam os números, as projeções e as causas?</p>



<p>Inicialmente, começamos com uma declaração forte: <strong>comer é um ato político</strong>. E o que queremos dizer com isso? Uma democracia bem consolidada é essencial para os direitos humanos e para o direito humano à alimentação adequada. É isso mesmo, a alimentação é um direito &#8211; e mais do que isso, é um dos direitos mais importantes para a dignidade da pessoa humana.</p>



<p>O direito humano à alimentação adequada rege dois pilares: a) a soberania alimentar, que se refere à autonomia de um Estado para definir as suas políticas, a autossuficiência alimentar para a população; e b) a segurança alimentar, que significa termos alimentos em quantidade e qualidade suficientes para garantir esse direito.</p>



<p>O Brasil tem autonomia e políticas para regular a questão da alimentação e, além disso, sabemos que ainda hoje o mundo produz alimentos mais do que suficientes para toda sua população. Contudo, nosso país está voltando ao mapa da fome.</p>



<p>Como retrata a Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF) 2017-2018, divulgada pelo IBGE, a insegurança alimentar grave esteve presente no lar de 10,3 milhões de brasileiros nesses anos, o que significa que quase 5% da população brasileira convive novamente com a fome. Agora, a estimativa é de que cerca de 5,4 milhões de pessoas passem para a extrema pobreza em razão da pandemia. O total chegaria a quase 14,7 milhões até o fim de 2020, ou 7% da população, segundo estudos do Banco Mundial.</p>



<p>A ONU, em um relatório do programa mundial de alimentos, indicou<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/04/11/pandemia-de-covid-19-pode-ameacar-o-suprimento-global-de-alimentos-alerta-onu"> que o número de famintos, no mundo, praticamente dobrou por causa da pandemia</a>&nbsp;de Covid-19. Se esse cenário permanecer, 265 milhões de pessoas não terão o que comer até o final do ano.</p>



<p>Apesar da enorme quantidade de alimentos produzidos, aproximadamente um terço destes se perde ou se desperdiça, evidenciando que existem problemas nesse processo e na distribuição. Os alimentos não consumidos representam desperdícios de recursos naturais e de outros elementos utilizados na produção, ou seja, alimentos são perdidos ou desperdiçados em todo o ciclo da rede alimentar, da produção agrícola até o consumo final em nossas casas.</p>



<p>Associado a isso, temos os problemas do meio ambiente que diretamente se relacionam com a alimentação. O aquecimento global, as queimadas na Amazônia, o desmatamento, os problemas no Cerrado e no Pantanal: com esse nosso modelo de desenvolvimento agroalimentar, que terra vai sobrar para plantações saudáveis, e como as gerações futuras vão lidar com esses danos?</p>



<p>Vivemos um momento de desmonte geral das políticas públicas, com especial destaque para as políticas de segurança alimentar e nutricional, além da redução dos investimentos nas políticas voltadas à agricultura familiar, que deram sustentação ao bom desempenho brasileiro em anos anteriores.<em></em></p>



<p>Mas se até então os dados desse artigo não parecem práticos ou não nos sensibilizam, vejamos algumas ocorrências mais drásticas.</p>



<p>A pandemia de Covid-19 gerou um problema grave relacionado à alimentação escolar. Isso porque, muitas vezes, a única refeição substanciosa de milhares de crianças brasileiras é feita na escola. Com a interrupção das aulas, muitas dessas ficaram sem alimento e expostas à fome.</p>



<p>Mas vamos além: outro fator relevante para o momento é o aumento no valor dos alimentos. O preço de itens da cesta básica já aumentou<a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2020/09/supermercados-denunciam-altas-de-mais-de-20-no-preco-de-itens-da-cesta-basica.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;20% nos últimos 12 meses</a>&nbsp;em produtos como leite, arroz, feijão e óleo de soja, segundo associações representativas do setor de supermercados. Isso significa que milhares de famílias estão, literalmente, racionando a quantidade e a qualidade da comida que vai em cada prato todos os dias.</p>



<p>É inacreditável que a fome possa matar mais que o próprio vírus, mas é isso que as pesquisas projetam: a ineficiência na resolução de crises humanitárias ficou escancarada, e antes do fim do ano, de 6.100 a 12.200 pessoas poderão morrer de fome a cada dia em decorrência dos impactos sociais e econômico da doença.</p>



<p>A situação não pode se perpetuar. O direito a estar livre da fome é prontamente exigível, e cabe ao Estado respeitar, garantir, promover e proteger as diretrizes que garantam esse direito. Por mais que existam ótimas ações voluntárias pelo país afora tentando levar comida aos lares brasileiros, o combate à fome não é filantropia, e o governo é obrigado a criar e efetivar as políticas públicas.</p>



<p>O que podemos tirar desse ano turbulento é como o mundo precisa urgentemente de novas estratégias. Precisamos dar um basta a esse modelo de desenvolvimento predador do meio ambiente e da vida das pessoas.</p>



<p>Precisamos construir sistemas alimentares mais justos, mais resistentes e sustentáveis, com mais participação direta dos destinatários. Além disso, debater alimentação nas escolas e na sociedade em geral também se faz necessário, pois assim estaremos debatendo o futuro, a sustentabilidade e a própria cidadania.</p>



<p>A comida que elegemos está diretamente ligada com a proteção planetária e o desenvolvimento dos povos, por isso também devem ser incentivadas as ações de produção alimentar mais cooperativa, principalmente aquelas que incentivem os pequenos produtores e reduzam o uso de agrotóxicos.</p>



<pre class="wp-block-verse has-text-align-right"><em>“Aqui, na Terra, a fome continua...</em><br><em>A miséria, o luto, e outra vez a&nbsp;fome.”</em><br>(José Saramago)</pre>



<hr class="wp-block-separator" />



<p><strong>REFERÊNCIAS</strong></p>



<p>A fome na pandemia. <strong>OBSERVATORIO</strong>. Publicada em: 01/10/2020. Disponível em: &lt;<a href="https://observatorio3setor.org.br/podcast/a-fome-na-pandemia/">https://observatorio3setor.org.br/podcast/a-fome-na-pandemia/</a>&gt;.</p>



<p>Brasil de volta ao mapa da fome. <strong>RADIS – FIOCRUZ.</strong> Publicado em 20/10/2020. Disponível em: &lt;<a href="https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/noticias/brasil-de-volta-ao-mapa-da-fome">https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/noticias/brasil-de-volta-ao-mapa-da-fome</a>&gt;.</p>



<p>Fome pode gerar mais mortes que a pandemia até o final do ano. <strong>OXFAM.</strong> Publicado em: 17/08/2020. Disponível: &lt;<a href="https://gife.org.br/fome-pode-gerar-mais-mortes-do-que-a-pandemia-ate-o-final-de-2020-alerta-oxfam/">https://gife.org.br/fome-pode-gerar-mais-mortes-do-que-a-pandemia-ate-o-final-de-2020-alerta-oxfam/</a>&gt;.</p>



<p>ONU diz que pandemia da COVID-19 faz o número de famintos dobrar no mundo. <strong>CNN.</strong> Publicado em: 27/09/2020. Disponível em: &lt;<a href="https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/09/27/onu-diz-que-pandemia-de-covid-19-faz-numero-de-famintos-dobrar-no-mundo">https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/2020/09/27/onu-diz-que-pandemia-de-covid-19-faz-numero-de-famintos-dobrar-no-mundo</a>&gt;</p>



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<div class="wp-block-media-text alignwide is-stacked-on-mobile" style="grid-template-columns:20% auto"><figure class="wp-block-media-text__media"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/17081-debra-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-11621" data-recalc-dims="1" /></figure><div class="wp-block-media-text__content">
<p><strong><strong><strong><strong>Déborah Silva</strong></strong>&nbsp;</strong></strong>é pós graduanda em Direito Constitucional.&nbsp;</p>
</div></div>



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<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-large-font-size">Galeria: artistas pra seguir na quarentena</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.instagram.com/iuryborel/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2020/10/4079c-sketch-brasil-1.png2_.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-9943" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



<p class="has-text-align-center has-very-light-gray-color has-very-dark-gray-background-color has-text-color has-background has-medium-font-size"><em>Apoie pautas identitárias. Em tempos de cólera, amar é um ato revolucionário.</em></p>



<hr class="wp-block-separator" />



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/9acee-publi-ediccca7acc83o-impressa-1.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5668" data-recalc-dims="1" /></figure>





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<figure class="wp-block-image size-large"><a href="https://www.artebodoque.com/"><img decoding="async" src="https://i0.wp.com/tramabodoque.com/wp-content/uploads/2021/12/747d3-publi-bodoque3.png?w=950&#038;ssl=1" alt="" class="wp-image-5017" data-recalc-dims="1" /></a></figure>



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